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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

007 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antonio Morais

O grande Zefilipe.

José Felipe viajava pelo Estado da Bahia, em seu caminhão e, de passagem pela cidade de Ibotirama se hospedou num hotelzinho desses de beira de estrada. Depois de pegar o rango, saiu um pouco para o pátio do Hotel e observou uma quantidade enorme de cururus espalhada pelo terreiro. Falou para o proprietário do Hotel: é danado, tanto cururu por aqui e nós lá em Várzea-Alegre não encontramos um só pra remédio.

Compra-se por alto custo cada unidade. O dono da hospedaria procurou saber a utilidade do bicho. José Felipe explicou solicito. Nas nossas plantações de arroz, feijão e milho costuma aparecer muitos insetos, lagartas, formigas, besouros, mosquitos que estragam as lavouras e agente solta os cururus no roçado e em pouco tempo as pragas desaparecem, são exterminados por eles. Se o Senhor juntar eu pago a 20,00 a unidade.

José Felipe seguiu viagem e o caboclo danou-se a juntar cururu num cercado. Oito dias depois, José Felipe estava de volta, e, nem lembrava mais a proposta. O dono da Pensão quase morre de alegre. Seu José a sua encomenda está pronta, juntei os que pude só falta contar, eu não sei quantos são ao todo. Puxou José Felipe pelo braço e quando chegaram ao quintal da casa tinha um milheiro de cururus cada qual o mais famosa e papudo.

José Felipe pediu que o caboclo contasse um por um. Depois fazia menção de pegar a carteira do dinheiro e o caboclo se animava cada vez mais. Então veio o arremate final: Disse José Felipe: olhe amigo velho, eu vou comprar, mas numa condição, eu quero que você separe os machos das fêmeas. Do contrario eu não levo porque lá os machos valem bem mais, preciso levá-los separados, por que é com a venda dos machos que vou fazer o meu lucro.

3 comentários:

  1. Na impossibilidade de fazer a separação Jose Felipe saiu-se bem da prosa.

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  2. Coitado! do Caboclo.O José Filipe usou de má fé.

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  3. Esse comentário vai para Maria Fátima:

    Olha Fátima, eu também fiquei constrangido como se fôsse comigo, imagine juntar uns 500 cururus,dá uma trabalheira danada, calcular o lucro, fazer planos com o resultado da venda, quem sabe até comprar um radinho de pilha e o José Felipe aprontar uma dessas com o ingenuo Caboclo!

    Gostei do seu posicionamento "Coitado do Caboclo".

    Abraços do

    Vicente Almeida

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