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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Salve São Raimundo Nonato - Por A. Morais.

31 de Agosto, dia de São Raimundo Nonato, nosso protetor e padroeiro. As festividades se encerram com uma missa solene, as nove horas da manhã, celebrada pelo Bispo Diocesano Dom Fernando Panico e com uma procissão no final da tarde. Durante os ultimos dias o Blog fez diversas postagens falando das "Salvas do meio dia e da madrugada", das novenas e da devoção dos fiés por São Raimundo em Varzea-Alegre. Em breve estarei postando duas historias da religiosidade de nossa terra. São historias reais de acidentes que marcaram a memoria e, que de certo modo muitos não tem conhecimento. Fatos do inicio do seculo XX, entre 1900 e 1910, talvez. Fatos de tragicas lembranças.
A. Morais

Quem tem medo da Dilma? - Por Danuza Leão.


"VOU CONFESSAR: morro de medo de Dilma Rousseff. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito. Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância. Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo. Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura. Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha, aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador. E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído. Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar. Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela -e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo - nem se explicitou, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande. Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece. Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno."

Danuza Leão
Enviado por uma leitora do Blog.

domingo, 30 de agosto de 2009

Tira Gosto de banana - Por Mundim do Vale

No ano de 1971, meu amigo Carlito Cassundé passou um domingo inteiro, bebendo cachaça no bar de Zé de Zuza. Para tira-gosto ele usou uma pequena banana maçã. Era uma questão de gosto dele, porque eu prefiro limão. Ele tomava uma dose e mordia a ponta da banana. Quando foi por volta das vinte horas, tomou a saideira despediu-se e foi saindo. Chagas Taveira que estava no local, notando que ele tinha deixado oitenta por cento da fruta falou: Arre égua Carlito! Se tu pegasse uma banana chifre de boi prumode tirar o gosto, tu ia acabar o alambique do Véi Vicente Vieira. Com trinta anos depois, apareceu a notícia em Várzea Alegre de que no quintal da casa de Bizim, tinha uma bananeira com mais de mil bananas no cacho. A notícia espalhou-se muito mais ligeiro do que descoberta de bucho crescendo em moça que mora em vila. Toda a imprensa regional foi para a terra do arroz, para cobrir a matéria que foi divulgada no Globo Rural. Quando Nicolau Inácio soube da notícia comentou: Mais menino! Uma bananeira dessas dava certinha era pra Carlito tirar o gosto. Só assim ele acabava com toda a produção de aguardente de Redenção: Depois dos comentários eu fiz esse mote:

Nem em cima nem embaixo
Nem achada nem perdida,
A cidade foi erguida
Nas margens de um riacho.
Mil bananas só num cacho
Bizim chegou a tirar.
Veio a T.V. pra filmar
Depois mostrou a proeza.
VÁRZEA ALEGRE É NATUREZA
DIZ O DITO POPULAR.
Mundim do Vale.

Passarinho.

Certa vez, um cantador de viola de nome “Passarinho”, ofereceu-se para cantar na casa de Major Feitosa, o que foi aceito. À noite, no alpendre, o cantador pediu para cantar na sala. O Major não gostou e mandou que ele fosse cantar, sozinho, no chiqueiro das cabras, e foi mesmo! Outra vez, o Major Feitosa conversava com outras pessoas na sua casa e bem ao lado o caboclo assobiava sem parar. Então o Major disse-lhe: “Você gosta de assoviar, hein? O caboclo disse que sim. “Pois você agora vai passar a noite assoviando, e só é pra parar quando eu mandar”, disse o Major. O caboclo sentou-se num banco de madeira e mandou brasa. Da meia noite em diante não dava mais som de nada, só fazia assoprar. Quando o Major mandou parar, o dia já estava claro e os lábios do caboclo estavam inchadíssimos.
Fonte – Mombaça online.

Clínica São Raimundo - Várzea Alegre


Temos o prazer de fazer a publicidade da Clínica São Raimundo, da cidade de Várzea Alegre - CE, que acredita no nosso trabalho como meio de buscar a integração regional. A Clínica São Raimundo é uma empresa conceituada. Comandada pelos renomados médicos Dr. Menezes Filho e da Dra. Ana Micaely de Morais Meneses. Especializada em pediatria, ultrassonografia, fisioterapia especializada, RPG.

Eis algumas fotos da nossa empresa/parceira que fazemos questão de divulgar:



Acima: A Logomarca oficial da Clínica São Raimundo, em Várzea Alegre.


Acima: O Médico, Dr. Menezes Filho em atividade.

Acima: Dra. Ana Micaely de Morais Meneses

Cuidando de seus pacientes com carinho e dedicação...



Clinica São Raimundo.
Rua Dep. Luis Otacilio Correia 129. Várzea-Alegre. Fone (088) 3541-1467.
Especialidade: Pediatria, ultrassonografia, fisioterapia especializada, RPG.

"Cuidando com carinho e responsabilidade do povo de Várzea Alegre !"

sábado, 29 de agosto de 2009

Para Isabel - Por A. Morais.

Dedico esta postagem a minha irmã Isabel, ao seu esposo Luis, aos sobrinhos Pedro Jose e Luis Gustavo. Eles residem em São Bernardo e ela trabalha no Bicbanco em Santo André - SP. Isabel, eu quero ver se depois desta o Blog não merece um comentario seu. Veja a entrada da casa do Sanharol, os manos João e Raimundo e nossa querida mãe Antonia Alves de Morais. A musica eu sei que voce gosta. Foi escolha da Nair.
Uma boa noite e um bom Domingo.
video
A. Morais

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

De João Pedro a Pedro Piau.

Estou no Sanharol, em Varzea-Alegre. Vi visitar São Raimundo e rever amigos e parentes. Por volta das tres horas da tarde peguei o meu neto João Pedro e fomos fazer uma visita a Pedro Piau. João Pedro com cinco anos estava paramentado de caçador. Bisaco a tiracolo cheio de pedras e uma baladeira engolada no pescoço. Pedro Piau com os seus noventa anos lucido, consciente e com lembrança de fazer inveja a qualquer um. Quando me viu já foi logo dizendo: todos os filhos de Pedro André e Zefa assinavam Alves de Morais, apenas seu pai era diferente: Jose Raimundo de Morais em homenagem a Jose Raimundo do Sanharol. Uma grande verdade. Fiquei observando os dois. Pedro Piau perguntou: voce já matou muito passaro? João Pedro respondeu: não, eu sou ruim certeiro. Aí, sob um olhar concentrado e observador de Pedro Piau o João Pedro contou um causo. Quando terminou Pedro Piau contou para o João Pedro outro causo com o mesmo tema, com o mesmo sentido historico. E eu feito um besta no meio daquelas mirabolantes historias dos dois. Postarei a partir de amanhã as historias separadas, a do João Pedro e a do Pedro Piau. Uma historia contada por quem tem cinco anos e outra contada por quem tem a graça das çraças de viver 90 anos. E eu feliz por ter um neto e um amigo prodigiosos. Graças a Deus.

A. Morais

A solidariedade de Dom Arns.

Dom Paulo Evaristo Arns parabeniza Flavio, Simon e Marina. Telegrama do cardeal aposentado de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns para o sobrinho Flávio Arns, senador do Paraná, de saída do PT: “Parabéns atitude coerente diante corrupção inacreditável Senado. Queira transmitir votos de apoio benemérito à Senadora Marina, Senador amigo Simon, como também aos demais colegas que defendem a ética e decoro dos chamados Pais da Pátria". Abraço de seu tio, Cardeal
Paulo Evaristo Arns.

Voce tinha alguma duvida? - Por A. Morais

Outro dia, entrei numa agencia bancaria para resgatar uma duplicata e me deparei com uma enorme fila. Umas 100 pessoas aproximadamente e apenas dois caixas para atender a toda essa gente. Ao meio dia um dos caixas saiu para o almoço e apenas um ficou prestando atendimento para uma fila que já estava acrescida de mais gente. Uma senhora, diante da demora, começou a reclama, gritar, bradou a todo pulmão. O gerente do banco, para evitar escândalo, a pegou pelo braço e levou para sua mesa. Serviu água e café e por trás solicitou ao caixa que fizesse o atendimento entregando a papelada para senhora que se levantou e foi embora. Egoismo, puro egoismo. Estando bom pra mim, os outros que se lixem. As demais pessoas passaram a criticar a senhora chamando-a de grosseira, deselegante e atrevida, ao invés de defenderem seus interesses constantes em lei, passaram a defender quem estava errado, o infrator, o banco. A esperteza é a moeda mais valorizada, hoje em dia, no Brasil.
Antes pensava que o Sarney não servia, bem como o Collor, Fernando Henrique. Agora acho que o Lula não serve. E o que vier depois do Lula também não servirá para nada. Por esta razão suspeito que o problema não está no corrupto que foi o Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós como povo. Se o Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo somos nós mesmos. Nem serviu o Collor, nem serviu o Fernando Henrique, nem serve o Lula, nem servirá o que vier. Está muito claro: falta-nos educação. Somos nós que temos que mudar. Você esperava que o Supremo Tribunal Federal atribuísse algum crime ao Palocci? O semblante do caseiro já denunciava. Mas o STF entregou ao povo, de mão beijada, a oportunidade para julgar. Palocci virá nos braços do Cara em nome da malandragem, da indecencia e do trambique. E o povo? Vota! Então quem tem que mudar é o povo.
A. Morais

Angu com toucinho.


Contavam-se, e ainda contam, muitas sobre o Major Feitosa, dos Inhamuns. Era deveras obstinado. Certo dia ele mandou uma pessoa ir até a casa do velho Adriano, nas Cajazeiras, município de Mombaça, saber se o mesmo podia ir montar um engenho seu, no lugar Cococi. Seu Adriano chegou no Cococi, acompanhado de um caboclo par ajudá-lo. Então o Major perguntou-lhes qual a comida que eles gostavam. Seu Adriano, querendo ser agradável e educado, respondeu que gostava muito de um anguzinho temperado com toucinho, e o caboclo, mais apresentado, disse que gostava muito era de arroz, carne e queijo. Passaram a semana trabalhando e todos os dias, no almoço e no jantar, para o caboclo, arroz, carne e queijo, e para o Seu Adriano, angu temperado com toucinho.
Fonte – Mombaça online.

Cel Mario Leal - VI - A. Morais

Engenho Velho.

Em 1958, quando a seca foi definida, o meu pai chamou os moradores e disse: deixem as famílias em casa que não deixarei faltar alimentos, porem procurem um serviço, um trabalho já que aqui não temos. Vicente Felix e o sobrinho Expedito arrumaram as coisinhas e partiram sentido Iguatu. Quando chegaram às Tabocas, propriedade do Cel. Mario procuraram serviço. O Cel. recebeu bem e perguntou: vocês sabem cambitar cana do corte para o engenho? Sabemos responderam os dois numa só voz. Pois bem, peguem cada um burro e estão autorizados a começar o trabalho. Tenho uma recomendação a fazer: todo dia cedinho coloquem um litro de milho na mochila de lona com água para amolecer, para quando vocês forem almoçar darem aos animais. O serviço ia bom danado, não tinham de que reclamar. No terceiro dia, na hora do almoço, Cel. Mario Leal saiu andando observando os animais e, notou que um estava com dificuldade de comer o milho. Tirou a mochila fora e o milho estava seco, não tinha sido botado de molho. Então perguntou: quem está trabalhando com esse animal? O encarrego respondeu: é seu Expedito! Seu Expedito venha cá. Eu num falei pra você que botasse o milho de molho cedinho para dar para o animal ao meio dia? Nhorsim. E porque você não fez. Porque esqueci! Pois agora você vai comer. Expedito levou à tarde, à noite e a manha do outro dia comendo milho cru. Quando terminou arribou dizendo: O diabo é quem fica. A disciplina do Coronel Mario Leal não chegava a tanto não, o fato deve ser folclore.
A. Morais

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Charles Chaplin

Uma pessoa pode ter infância triste e mesmo assim chegar a ser muito feliz na maturidade. Da mesma forma, pode nascer em berço de ouro e sentir-se enjaulado pelo resto da vida.
Charles Chaplin

10 anos sem Dom Helder Camara.

" O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza a vontade de Deus".
"É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa, mas a graça das graças é não desistir nunca".
Dom Helder.

Cel Mario Leal - V - Por A. Morais


Em Várzea-Alegre, muitos conheceram o Raimundo Anjos. O conheci trabalhando de coveiro no cemitério da saudade. Humilde, simples e trabalhador. Um dia ele fez uma viagem pras bandas do São Mateus, hoje Jucás. Na Fazenda Canastras, de propriedade do Cel. Mario Leal, antes e depois da casa da fazenda havia duas cancelas. A recomendação dada aos que por ali transitavam era que ao passar numa delas deveria soltar a cancela de modo que esta batesse para advertir os da casa da presença de pessoas. Raimundo Anjos não sabia da tal recomendação e quando passou na primeira cancela não bateu. Quando chegou em frente à casa da fazenda, deu bom dia e o Cel. Mario procurou saber quem ele era, de onde vinha e para onde ia. Respondeu que era Raimundo Anjos, vinha de Várzea-Alegre e que ia para Carius visitar uns parentes. Então o Cel. Mario lhe disse: nós aqui costumamos bater as cancelas quando passamos para avisar que vem gente. O senhor entendeu? Entendi respondeu Raimundo seguindo viagem. Na volta Raimundo passou pelo diabo da cancela e se esqueceu de bater. Quando menos esperou estava de frente com o Coronel. Como foi a viagem? Já está de volta? Porque não bateu a cancela? Esqueceu? Meninos botem ele pra dormir na camarinha e liberem apenas amanha para ele aprender a cumprir ordens. Uns caboclos mais brabos que os seguranças do Sarney, abufelaram Raimundo e jogaram num quarto escuro, fedorento e por cima com um formigueiro daquela miudinha mordedeira. Raimundo amanheceu o dia todo encalombado. Sendo liberado, bateu a cancela que quase quebra e, passar pelas Canastras depois, nunca mais. Nem morto.
A. Morais

Vai perder um chorador - Mundim do Vale

Meu parente Antônio Inácio, ainda menino morava com os seus pais no sítio Serrote. Certo dia morreu um parente lá no mesmo sítio e quando foi por volta das 15 horas passou um portador avisando do velório para a família. O casal se preparava para ir quando o garoto Falou: Mãe deixa eu ir tombém pra sentinela. ( Naquele tempo era assim que chamavam velório ) Não meu filho sentinela não é coisa pra criança. Mais eu quero mãe. Deixa mãe, deixa! Pois tá certo você vai, mas primeiro vá jantar que o decomer já tá pronto. Não mãe deixe pra volta, pruque nas sentinela sempre tem um quebra jejum. Seguiram os três quando chegaram na casa do falecido o casal ficou dando os pêsames aos familiares e Antônio entrou logo na sala, onde o corpo estava sendo velado numa rede. O menino agarrou-se nas varandas e se danou a chorar. Chorava muito mais do que Madalena, quando Zé Vicente viajou pra trabalhar numa frente de serviço do DNOCS. Por volta das 21 horas passaram uma mulheres servindo chá e café com cuscuz. Antônio aumentava o volume do choro toda as vezes que as mulheres passavam por perto dele, mas nada de ser servido. Naquele velório criança não tinha vez. Quando o garoto notou que não seria servido, largou as varandas da rede, saiu soluçando em procura da mãe e falou: Mãe! Esse defunto vai perder um chorador! Eu vou pra casa pruque num tou apariado a passar a noite chorando sem comer nada não. Se eu ficar aqui é capaz de botarem eu junto cum o falicido. Pois vá meu filho. Eu deixei um prato de arroz dentro da gaveta do armário da cozinha. Antônio chegou em casa mais abatido do que Judas de favela. Acendeu uma lamparina, que pouco iluminou, porque o gás estava acabando. Quando abril a gavetas viu uns pontos dourados sobre o prato e aí pensou com ele mesmo: Mãe tava era cum brincadeira cum eu. Ela dixe qui era só arroz branco, mais butou toicim torrado tombem. Se eu subesse disso num tinha ido chorar tanto. Quando Antônio bateu com a colher no prato os toucinhos saíram todos correndo dentro da gaveta. Ele aproximou a luz mais um pouco, aí foi quando notou que eram baratas.
Mundim do Vale

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Salva da Madrugada II - Por Mundim do Vale

Antiga matriz de São Raimundo Nonato, foto de 30 de Agosto de 1918.


Tem vezes que estou bebendo
Uma cachaça ou cerveja
Mas me lembro da igreja
Quando vai amanhecendo.
Deixo lá o que estou fazendo
E saio em disparada
Porque não troco por nada
Ver a nossa boa gente,
Batendo palmas contente
NA SALVA DA MADRUGADA.

Eu vou disponibilizar
No fim do mês de agosto
Três dias com muito gosto
Pra rever o meu lugar.
Quero também visitar
Morais na sua morada
Onde eu conheço a estrada
E posso voltar sozinho,
Porque vou está cedinho
NA SALVA DA MADRUGADA,

Quero botar no roteiro
Uma excursão completa
Vou visitar o poeta
Dr. Zé Sávio Pinheiro.
Quero ver lá do cruzeiro
Nossa bandeira hasteada
E o povo na calçada
Cantando com vaidade.
Vou trazer muita saudade
DA SALVA DA MADRUGADA.

Dedico este poema aos bisnetos de
Madrinha Zefa,para que eles mantenha
os nossos valores de fé e religiosidade.

Mundim do Vale

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Elis Regina.

"Não tenho mais tempo para desfraldar outra bandeira que não seja a da compreenção, do encontro e do entendimento entre as pessoas", disse Elis poucos meses antes de sua morte.
Postado por A. Morais

A Salva da madrugada - Mundim do Vale.


Familia Morais - Zezinho Bilé.


A salva do meio dia
Nosso histórico patrimônio
Foi postada por Antônio
Com muita categoria.
Eu fiquei com alegria
Vendo a salva divulgada
Sendo vista e comentada
Por gente que escuta a gente.
Ágora vamos em frente
COM A SALVA DA MADRUGADA.

Depois que a noite se manda
E a madrugada aparece
Nosso fiel não esquece
De acompanhar a banda.
Quem fica só na varanda
Não dá notícia de nada
Mas quem fica na calçada
Já vai logo acompanhando.
Pra ver a banda tocando
NA SALVA DA MADRUGADA.

Chega gente ressacado
Fica olhando lá de fora
Mas logo depois melhora
Porque escuta um dobrado.
O padre com um frio danado
Resolve dar uma olhada
Chega perto da calçada
Mas não cumpre o desafio,
Porque faz bastante frio
NA SALVA DA MADRUGA.

Mundim do vale.

Morreu e adispois dismorreu - Por A. Morais

Outro dia, o Mundim do Vale contou a historia do Osmundo Fiuza e, me fez lembrar uma historia que o meu pai contava de ter ouvido de seus avós. No principio da historia de Várzea-Alegre, o povoado pertencia ao distrito de Lavras da Mangabeira que por sua vez pertencia ao município do Icó. Os casamentos, cerimônias religiosas eram todas realizadas em Lavras. Como não tinha cemitério em Várzea-Alegre, quando morria alguém o corpo era levado para ser sepultado em Lavras da Mangabeira. Um belo dia, um caboclo do Sanharol, deu um ataque, um passa tempo e ficou sem sinal de vida e, o deram como morto. Juntou-se uma turma de 12 cabras dispostos, colocaram o defunto numa rede, amarraram num caibro e partiram para Lavras. São 60 km a distancia, entre as duas cidades, para fazer a pé não é nada fácil. Quando já iam perto da metade do caminho, resolveram descansar um pouco. Soltaram o defunto no chão meio de rebolada e o defunto bateu com a cabeça numa pedra e cortou de modo que o sangue começou a escorrer. Enquanto uns fumavam, outros contavam historias o defunto se buliu e se levantou. Foi gente pra todo lado na capoeira, enquanto o ressuscitado enrolava a rede e começava a fazer o percurso de volta. O fato é que apenas 15 anos mais tarde o caboclo morreu divera, pra valer. Dizem que quando iam saindo com o corpo a mulher chorosa alertava: cuidado para não baterem com a cabeça dele noutra pedra.
A. Morais

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Religiosidade e a fé em São Raimundo - Por A. Morais

Nos últimos dias fizemos varias postagens sobre a “Salva do meio dia”. Para os leitores que não conhecem nossa cidade devemos fazer alguns esclarecimentos. Durante os dez dias de festa são realizadas “Salvas ás 06 horas da manha, ao meio dia e a noite a tradicional novena. As três cerimônias contam com um agrupamento muito grande de religiosos que comparecem para assistir as orações e ouvir a Banda de Musica tocar os tradicionais dobrados. Já falamos muito da salva do meio dia, quando postamos o poema do Mundim do Vale. Nos próximos dois dias estarei postando outro poema, também da autoria do Mundim falando sobre a “Salva da madrugada” que reúne mais fiés do que a salva do meio dia. Caríssimo Mundim: estou tomando a liberdade de ilustrar as postagens com fotos de duas famílias descendentes de papai Raimundo e que com muita dignidade representaram e representam a religiosidade de todas as famílias de nossa terra. As fotos são das décadas de 1920 e 1930.
A. Morais

Trindade Batista - Por Mundim do Vale


O veterano e arguto Sebastião da Silva esbanjou competência na construção desta sextilha, falando do falecimento do genial Dimas Batista, irmão dos também cantadores Lourival e Otacílio.

Pra levar Dimas Batista,
A morte perversa veio:
Levar o mais novo, é triste,
Levar o mais velho, é feio.
Deus respeitando os extremos,
Mandou buscar o do meio.
Enviado por Mundim do Vale.

domingo, 23 de agosto de 2009

Apresentando-se - Por João Pedro.


Eu sou João Pedro de Morais Meneses. Nasci no Sanharol e tenho cinco anos. Filho do Dr. Raimundo Batista de Meneses Filho e da Dra Ana Micaely Brito de Morais Meneses. Sou da oitava geração de papai Raimundo pela parte paterna e da sétima pela parte materna. Sou uma criança aplicada, inteligente, estudiosa, observadora, amiga dos coleguinhas, amo minha professora e minha escola. Apesar da pouca idade, já manuseio o computador, sei ligar, brinco joguinhos e, a partir de agora, como um legitimo herdeiro e futuro guardião do Blog do Sanharol, passo a condição de colaborador. Já promovi alguns causos, sou meio sapeca, mamãe, as vezes, diz que a minha energia é trifásica. Só termino uma malinação quando já tenho iniciado outra.
Outro dia, não houve aula, papai e mamãe saíram para trabalhar e eu aproveitei. Soltei a cachorra dentro da casa, ela bagunçou tudo, rasgou as almofadas, estragou um sofá, cagou a casa toda, fez a maior sujeira. Depois quebrei o vidro do centro, derrubei um quadro da parede com uma bolada. A babá só faltou perder os cabelos da cabeça. Quando os meus pais chegaram do trabalho, eu mesmo contei o resultado das minhas peraltices. Aí caboclo velho, não deu outra: Papai me pegou pela orelha e me deixou de castigo no meu quarto. Quando mamãe passava pela porta e me via sentadinho na cama ficava com os olhos cheios de lagrimas. Más, eu merecia, porém a minha orelha, naquele dia, ficou da cor de uma brasa.
De hoje em diante faço parte de um grupo seleto composto pelo historiador Armando Rafael, pelos poetas Mundim do Vale e Vicente Almeida, do meu avô Antonio Alves de Morais, e de todos os colaboradores e leitores do Blog. Até a próxima.
João Pedro.

Banheiro coletivo - Mundim do Vale

Num ano que prometia ser de seca em V. Alegre, já fazia dois meses de verão, quando numa sexta feira para amanhecer sábado deu uma chuva para animar o nosso povo. Alberto Siebra para demonstrar alegria resolveu fazer uma pegadinha. Abriu a bodega na manhã do sábado, pegou uma corda grande, amarrou nas galhas de uma castanhola que tinha na calçada e passou pela madeira do telhado descendo a ponta até o balcão. Zé de Ginu sem nada ter combinado com Alberto, vendo aquela arrumação gritou lá da sua farmácia: - Não faça isso não Alberto! As coisas vão melhorar, Já deu essa chuva hoje e ainda vai chover mais. Aquela advertência foi o que chamei de sincronismo. Alberto com aquela expressão de comerciante deprimido, ficou lá com a cabeça baixa, sem falar com ninguém. Naquela altura a calçada já estava cheia de curiosos. No Sanharol a conversa era que Alberto tinha amanhecido pendurado numa corda. No Roçado de Dentro, Chico da Formiga dizia: - Pruque Oberto quer fazer esse sirviço? O véi Zé Ogusto passou num sei quantos anos na bodega e teve seca, os ladrão robaro as coisas dele e ele nem se infoicou. Quando falaram em mandar chamar Ormicinda, Alberto aproveitou que já tinha umas 100 pessoas debaixo da castanhola, deu uma balançada na corda fazendo com que todos se molhassem. Molhou até o papel da rifa de Zé Belo e a camisa volta ao mundo de Zé Mariano.
Mundim do Vale

sábado, 22 de agosto de 2009

Coronel Mario Leal - II - Por A. Morais

Na campanha eleitoral de 1953, viajavam num teco-teco o Coronel Mario Leal e o governador Virgilio Távora. Em campanha visitavam a região centro sul, recanto de influencia da família Leal. A aeronave apresentou um defeito e o motor parou de funcionar. O piloto fazia o que podia para fazer a aeronave voltar a normalidade. O pânico bateu entre os passageiros. O Coronel Mario Leal disse para Virgilio Tavora: coronelzinho são quatro horas da tarde, eu acho que ainda temos tempo de jantar com os cão dos inferno! Virgilio Távora não disse nada, estava prestando atenção aos movimentos do piloto, mas não gostou da brincadeira.
Finalmente o motor funcionou e o piloto fez o pouso em Iguatu sem problemas. Depois do susto, Virgilio perguntou: Coronel Mario porque o senhor disse que ainda dava tempo para jantarmos com os cão dos inferno? Mario Leal olhou pru céu, coçou o cangote e respondeu: Excelência, senhor governador, porque eu sei com quem estou andando. O Cel. Mario Leal era coerente, corajoso, leal aos amigos no nome e nas atitudes.
A. Morais

Ingratidão - Por A. Morais


A mais desonrosa qualidade do ser humano é a ingratidão. Ontem, o presidente Lula disse que o senador Flavio Arns era um “encrencado”. Esquece que quando Luis Inacio Lula da Silva estava “encrencado” com a policia, com o exercito e até preso, foi Dom Paulo Evaristo Arns, tio legitimo do Flavio Arns, quem esteve junto levando a solidariedade e procurando ajudar e defender. Como esse passaro, do alto de sua sabedoria, o povo observa tudo, e não se sabe qual será a reação. Só o tempo dirá.
A. Morais

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Filho obediente - Por Mundim do Vale.

Edvard Moreno e Zé Teixeira eram comerciantes do ramo de tecidos em V. Alegre, Zé Teixeira era muito bem casado com Dona Amelinha Ribeiro. Uma vez os dois foram comprar tecidos na cidade de Campina Grande – PB. Chegando lá, já era noite e foram direto para o hotel. Zé Teixeira tomou um banho, se perfumou e foi passear curtindo o frio da Borburema, Edvard tinha ficado conversando com uns amigos e quando viu que já estava tarde foi procurar Teixeira. Chegando lá numa rua mais escura, deparou com Teixeira de braço dado com uma garota paraibana muito mais alegre do que menino debulhando amendoim. Para fazer uma brincadeira Edvard Gritou: Namorando em Zé Teixeira! Quando Chegar em V. Alegre eu vou dizer a Amelinha viu? Teixeira sem nenhum embaraço falou: Pode dizer! Mamãe acha é bom que eu namore.
Mundim do Vale

Os petralhas - Reinaldo Azevedo

Escrevi aqui sobre o tratamento cafajeste que os blogs petralhas têm dispensado a Marina Silva. Num vermelhinho-e-azul com Lula, ontem, evidenciei a impostura do presidente ao dizer que ela “veio para o PT”. Não! Ela não foi para o PT. Ela foi PT. É verbo de ligação. Ela era PT. Era uma das fundadoras, como Lula. Os petralhas a tratam como uma vira-casaca, títere ou mamulengo do tucano José Serra, arma das oposições para detonar esse transatlântico eleitoral (a velas) que é a candidatura Dilma Rousseff, ingênua, boba, primitiva, manipulável.... Já os que se querem marxistas — não é o caso dessa rataiada, que só é dinheirista mesmo — sugerem ou dizem que Marina nunca entendeu a luta de classes e que a ecologia não pode ser pretexto para deixar de lado as contradições fundamentais do capitalismo.
Reinaldo Azevedo.

blog humor - Por A. Morais

01 – Quando lhe atirarem uma pedra faça dela um degrau e suba. Só depois, quando tiver uma visão plena de toda área, pegue outra pedra, mire bem e acerte o crânio de quem lhe atirou à primeira.

02 – Na vida tudo é relativo. Um fio de cabelo na cabeça é pouco; na sopa, é muito!

03 – Eu queria morrer como o meu avô, dormindo, tranqüilo. E não gritando desesperado como os quarenta passageiros do ônibus que ele dirigia.
Autor desconhecido.

O Doutor do SUS - Por Natael Fernandes

Eu nunca vi neste mundo
Perante o Senhor Jesus
Um cabra pra ser ligeiro
Quiném um doutor do SUS

Em menos de um minuto
Ele consulta o freguez
Numa folha de papel
Faz uns 05 risco ou 06
Ligeiro sem ter demora
Bota o caboclo pra fora
Manda imbocar o da vez.

Agente drome na fila
Mode pegar uma senha
Depois fica se valendo
Pedindo que o doutor venha
Quando o cabra tem sorte
Ele chega finalmente

É outra maçada grande
Pra chegar a vez da gente
E quando vai atender
Num dar tempo nem dizer
O que o camarada sente

E mesmo quando é preciso
Examinar o caboclo
Se o caba se abestaiar
Ele é quem fica no toco

Num sabe aquele aparelho
Mode escutar o pulmão
Que agente diz 33
E fica todo inchadão?
Botaram um em Jacinta
A pobre só disse 30
Os treis num deu tempo não

As meninas lá de casa
Vivem no chá de mastruz
Hortelã e eucalipe
Com limão cortado em cruz
Elas achando azedo
E eu morrendo de medo
De ir pra fila do SUS.

Enviado por Maria da Gloria Pinheiro

O Ultimo Coronel - Por A. Morais

Li, outro dia, um relato mencionando o coronelismo de outrora, e lembrando de uma preciosidade atribuída ao austero Cel. Mario da Silva Leal, chefe político da antiga UDN na região centro sul do estado. Deputado Estadual por duas legislaturas e que fez historia por sua destacada liderança das décadas de 40 e 50. Proprietário de um grande latifúndio com base territorial no município de São Mateus, hoje Jucás.
O comentário sustenta que se o Cel Mario oferecesse guarida a qualquer recomendado de amigo não tinha nem perigo da policia entrar nas Tabocas, onde morava. Os macacos voltavam da primeira cancela.
Em uma escola municipal do Poço do Mato, hoje Caipu, a professora perguntou ao aluno: Dilermando onde está o sujeito desta oração? Xavier matou Joaquim! Dilermando cravou a resposta no ato: Na fazendo do Cel Mario Leal fessôra.
O Coronel Mário Leal nasceu na Fazenda Castro, do Município de Cariús, na época pertencente a Jucás (São Mateus), antigo solar dos Leais que já apareceu nas crônicas dos primeiros tempos do Império e nas lutas de Pinto Madeira, guarnecendo a região do Alto Jaguaribe.
Ele era filho do abastado fazendeiro e prestigiado chefe político daquela zona, o Coronel Manoel da Silva Pereira da Costa Leal, o “Né do Canto”. Cel. Mário fez os primeiros estudos na própria casa paterna, na fazenda Canto, com o professor Francisco Bezerra que deixou fama de mestre-escola rigoroso e eficiente ensinando a diversas gerações.
Deputado Estadual em duas legislaturas, marcou presença e posição em todas as grandes decisões do Estado, principalmente nas campanhas eleitorais, sempre ao lado de Virgílio Távora, já que era mais moço do que Fernandes Távora e o irmão João Leal.
Foram seus contemporâneos nas diversas frentes políticas do interior do Ceará os lideres Teodomiro Sampaio, de Jardim; José Geraldo da Cruz, de Juazeiro do Norte; Argimiro Sampaio, de Barbalha; Raimundo Augusto, de Lavras da Manmgabeira; Chico Martins, de Mombaça; Coronel Feitosa, de Cococi, Dr. Gouveia, de Iguatu e Chico Monte, de Sobral, Filemon Teles, do Crato. Considerado o último coronel do Sertão, Mário Leal, faleceu na clinica Gêneses de Fortaleza, aos 93 anos, no dia 13 de outubro de 1990.
A. Morais

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Diplomacia do Cel Filemon - Por A. Morais

No inicio da década de 1970, um Delegado da Fazenda Estadual, em Crato, começou a promover um arrocho fiscal na anciã de arrecadar mais recursos. Um dia, alguns comerciantes foram à casa do Seu Filé e deram conhecimento e queixas do comportamento abusivo do delegado.
Seu Filé, com a calma que lhe era peculiar, combinou com os comerciantes para no outro dia, por volta das nove horas da manha, fazerem uma visita ao delegado. No outro dia, no horário marcado, quando seu Filé saiu à calçada estavam a sua espera uns 30 comerciantes. Seu Filé tomou à dianteira, apoiado na sua bengala, no que foi seguido pelos demais. Quando chegou à recepção falou educadamente: Eu gostaria de falar com o Dr. Fulano de tal. A recepcionista subiu ao primeiro andar para transmitir a mensagem, retornando em seguida com o convite para subir. Então o Cel. Filemon disse: peça para ele vir me atender aqui porque eu estou com uma representação de 30 pessoas e não vai caber a todos no gabinete. A portadora subiu e retornou com outro recado: ele disse que se o senhor quisesse falar com ele fosse lá, ele não vem lhe atender aqui. O Coronel se retirou deixando um recado: “diga pra ele que Filemon Teles esteve aqui, desejava falar com ele, como não pode me atender, terá até as duas horas da tarde para ir embora do Crato. Seu Filé se retirou com os amigos e a recepcionista foi levar a mensagem para o delegado. O homem se irritou e começou a brotar: como pode, ainda tem a coragem de me ameaçar, insultar, me dar tempo para ir embora! Quem pensa que é? O Coletor, Antonio Feitosa de Souza, perguntou o que houve! Um tal de Filemon Teles deixou um recado que tenho até duas horas da tarde para ficar no Crato. Onde já se ouviu falar uma coisa dessas? Antonio Feitosa ponderou: e você ainda não comprou a passagem? Vá embora, não espere. E, assim foi feito. O delegado chispou do Crato.
Oito dias mais tarde, chegou o novo delegado e foi visitar o Cel. Filemon. Ao encontrá-lo cumprimentou e falou: Estou vindo assumir a Delegacia da Fazenda do Crato, vi lhe fazer uma visita de cortesia. Seu Filé com toda diplomacia emendou: Faça seu trabalho direitinho, não persiga ninguém, cobre o que é devido ao estado: “Era isso que eu queria dizer ao outro, mas ele não quis me ouvir”!
A. Morais

Blog humor - Por A. Morais

01 - O cara todo orgulhoso: Minha mulher é um anjo! O segundo cara: Voce tem sorte, a minha continua viva!

02 - Um cara comentava: Eu tinha tudo, dinheiro, uma casa bonita, um carro novo, o amor de uma linda mulher e tudo acabou. O que aconteceu? Perguntou um amigo. Minha mulher descubriu.

03 – Uma mulher conversava com uma amiga: Fui eu que fiz meu marido virar milionário. E o que ele era antes? Perguntou outra amiga. A mulher respondeu ele era bilionário.
A. Morais

Baixas - Por A. Morais


Fico sem mandato, mas não fico no PT. Não estou nervoso nem decepcionado, estou envergonhado, profundamente envergonhado.
Senador Flavio Arns – PT – PR.

Historias do Sanharol - Por A. Morais

Arroz doce.

Já disse mais de uma vez que Isabel de Morais Rego era a filha caçula de Jose Raimundo Duarte, Jose Raimundo do Sanharol. Disse também que ela contraiu matrimonio com o seu sobrinho Francisco Alves de Morais, 23 anos mais velho do que ela, filho de sua irmã Tereza Anacleta de Menezes. Desse casamento nasceram quatro filhos: Joaquim, Josefa, Antonio e Raimunda.
Joaquim faleceu solteiro, ainda jovem, dizem que era muito inteligente tendo importante participação na alfabetização das crianças da época. Josefa, a minha avó, se casou com Pedro Alves Bezerra seu primo legitimo. Antonio se casou com Clara Alves de Menezes, viúva de Francisco Alves Bezerra e Raimunda faleceu solteira. Josefa e Raimunda eram muito religiosas, viveram para caridade, visitavam todos os enfermos da família ou não, reuniam crianças para catequese, participavam de forma presente na pratica da doutrina cristã. Antonio, conhecido por Pai Veio, era muito irreverente, não tinha medo de nada, dizem até que conversava com as almas e não temia assombrações.
Nos adjuntos, multirões, aniversarios e festas comuns costumavam servir uma sobremesa conhecida como arroz doce, comida típica muito apreciada por todos. Era uma mistura de arroz, amendoim, leite, rapadura, erva doce, canela e cravo. Pai Veio apreciava por demais.
Um dia, depois do terço, madrinha Zefa disse: Raimunda, quando eu morrer eu quero que você coloque aquele crucifixo em cima de mim. Está certo, respondeu Raimunda. Agora Josefa se eu morrer primeiro eu quero que você coloque aquele São Francisco junto comigo na urna. Pai Veio fez o seu pedido: Meninas, pois quando eu morrer eu quero que vocês coloquem um prato de arroz doce bem em cima da titela.
A. Morais

Blog do Sanharol - Por Dr. Jose Wilton Menezes


Nossa Várzea-Alegre tem
Bem pertinho um alguém
Que tanto lhe valoriza
Que de fato se precisa
Grande reconhecimento
Sem querer exagerar
Sem pedir consentimento
Quero aqui comunicar
De um jeito tão de fé
Que o Blog do Sanharol
É Morais de Zé André.

Digo por que estou lendo
Lendo e por certo revendo
Os nossos causos e contos
Palavras e reencontros
Da nossa historia vivida
Do nosso passado envolvido
Da nossa lembrança esquecida.
De nosso torrão querido
De um recanto florido
Repleto de alegria
Que o criador um dia
Envolto em sua criação
Deu-nos V. Alegre inteirinha
Repleta, toda cheinha
De paz, amor e emoção.

Portanto caro Morais
Fale, diga e corra atrás.
De todo nosso passado
Da nossa bela Cultura
Daquela historia pura
Do conto desenrolado
Que a nossa terra tem
Por certo caro amigo
Eu agora finalizo
Desculpe-me pela rima
Meio mau pronunciada
Meio mau atrapalhada
Só quis mostrar a estima
O orgulho e o prazer
De galgar e sempre ter
Pessoas como você.

Dr. Jose Wilton Menezes.

Morreu adispois dismorreu - Por Mundim do Vale

Um certo dia vinha da Santa Rosa, Osmundo Fiúza, Alberto Siebra, e Zé de Bogim, quando descia a ladeira da Betânia, Vicente Custódio vinha numa bicicleta. Vicente perdeu o controle e pegou Osmundo de cheio. Caiu Vicente caiu Osmundo e a bicicleta ficou com os pneus pra cima que rodaram por mais de 15 minutos. Levaram Osmundo para sua casa na antiga rua do Juazeiro em estado de morto. Chegando lá foi aquele corre-corre. Chamaram Dr. Lemos que foi logo categórico: - É óbito! A comoção foi geral. Era choro, vela acesa, recado para parentes, carpinteiro tirando as medidas para o caixão e a casa totalmente cheia. Osmundo por sua vez dava notícia de tudo, mas não podia piscar um olho, nem levantar um braço. Eu não sei como isso pode acontecer, mas quem sabe a medicina não tenha uma explicação. Ou talvez o próprio Osmundo que hoje é espírita kardecista encontre a resposta lá na sua doutrina. Depois de três horas de muita aflição, chegou Dona Zulmira para rezar um terço. Todos os presentes ficaram de joelhos com a cabeça baixa para orar. Foi nesse momento que o suposto finado foi ficando corado e de repente pulou da cama e foi ficar de joelhos do lado de Dona Dozinha com as mãos postas. Foi aí que o tempo fechou, correu Ana Alves, Vicência Félix, Manoel Martins e outros. Quando Belezário correu a porta já estava cheia e ele teve que pular a janela, em seguida subiu a ladeira, pegou a Rua Major Joaquim Alves mais ligeiro do que fogo de broca quando tem aceiro mal feito. Zé Teixeira quando viu aquele desespero perguntou:
O que foi que houve Belizário?
Foi Osmundo Fiúza qui morreu e adispois dismorreu!
Dedico a meu grande amigo Osmundo Fiúza, que está aí vivinho da silva para confirmar o meu causo.
Mundim do Vale.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma nova revelação na poesia - Por A. Morais


Meu neto João Pedro.

O Nosso Blog todo dia é surpreendido com revelações valorosas. Ontem recebi do nosso conterrâneo Dr. Jose Wilton de Menezes uma poesia, dedicada ao Blog. Agradeço a sua honrosa homenagem e parabenizo pela beleza poética das rimas. Estarei fazendo uma postagem amanhã fazendo referencia ao poema do amigo e incluindo o conterrâneo na lista dos bons poetas.
Hoje, porém, aproveito para contar uma historinha engraçada que tem a ver com poesia, com repente. Eu estava no Sanharol, na casa do meu tio Chico André, quando o conhecido Zé de Lula Goteira chegou, sentou-se ao nosso lado, disse que era dos André, e ficou observando a nossa conversa.
Batista e seu irmão Raimundo, passaram na maior bilotada atrás de uma rés de Raimundo Menezes. Tio Chico André, então, improvisou este verso:
Estava na calçada de Chico André,
Passaram dois vaqueiros correndo,
Um a cavalo e outro a pé.

Complete o verso Zé de Lula ! Zé fez uma munganga e lascou:

Se ainda num esbararo,
Já pássaro dos Orós.
Meu caro Dr. Jose Wilton, o Blog do Sanharol foi criado com a finalidade de reuni depoimentos , contos e causos dos nossos conterraneos para quando o meu neto e seu sobrinho João Pedro e os de sua geração quiserem pesquisar algo do passado, ter um lugarzinho proprio. Por essa razão o seu poema, que postarei amanhã, é de grande importancia, soma-se aos demais já registrados e fica a espera dos que estarão por vir.
Um forte abraço.
A. Morais.

Blog humor - VEÍCE

O poema a seguir trata da fisiologia do homem depois de certa idade. Nada que não já seja do conhecimento geral de todos..

Vô contá como é triste, vê a veíce chegar.
Vê os cabelos caino, vê as vistas encurtar.
Vê as pernas trumbicano, com priguiça de andá.
Vê aquilo esmoreceno, sem força pra levanta.


As carnes vão sumino, vai apareceno as vêia.
As vistas diminuino, e cresceno as sombranceia.
As ouças vão encurtando, vão aumentando as orêia.
Os ovos dipindurano, e diminuindo a pêia.


A veíce é uma doença, que dá em todo cristão.
Doe os braços, doe as pernas. doe os dedos, doe as mão.
Doe o fígo, doe a barriga, doe o rim, doe o purmão,
Doe o fim do espinhaço, doe a corda do cunhão.


Quando agente fica veio, tudo no mundo acontece.
Vai passando pela rua, as menina se oferece.
Agente oia tudo, Benza Deus, e agradece,
Corre ligeiro pra casa, ou procura o INSS.

No tempo que era moço, o sol para mim briava.
Eu tinha mil namoradas, tudo de bão me sobrava.
As meninas mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passou, faz tempo, ficou pra traz.
As coisas que eu fazia, hoje já não sou capaz.
O tempo me roubô tudo, de maneira bem sagaz.
Pra falar mesmo a verdade, nem trepá, eu trepo mais,


Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega muié, vai pra cama, apaipa, beija e abraça.
Porem só faz duas coisas, solta peido e acha graça.
Autor desconhecido.

Sedição de Juazeiro - Por Antonio Cariry

A Sedição de Juazeiro foi a resultante final de uma Assembléia em Fortaleza que iria reconhecer e dar posse de Presidente do Estado do Ceará ao coronel Marcos Franco Rabelo, um atuante militante do chamado Movimento de Salvação Nacional criado no governo do Presidente Hermes da Fonseca, em 1911.Os atritos, assassinatos e incêndios cometidos por populares que eram os mesmos incentivados por políticos, oficiais do Exercito, opositores do Comendador Acióli e ricos comerciantes de Fortaleza, terminou por alastra-se pelo sertão e em 1913, um grupo reduzido de Deputados Estaduais, chamados por dissidentes, reclamavam suas cadeiras de parlamentares, "assaltadas" pelo impedimento pelas armas de assumirem suas funções legais na Assembléia Legislativa do Estado. Os deputados dissidentes foram orientados pelo senador Pinheiro Machado e apoiado por uma ala do Exército liderada pelo Tenente-Coronel Thomaz Cavalcante e com o apoio incondicional do redator-chefe do jornal "O Unitário", o coronel João Brígido dos Santos.Os deputados instalaram uma nova Assembléia na cidade do Padre Cícero e elegeram o Dr. Floro Bartolomeu da Costa, médico e mentor político do Padre Cícero para ocupar a sua presidência e conseqüentemente o Governo do Ceará, gerando a dualidade de poderes. Um motivo para uma intervenção federal, já que o coronel Franco Rabelo administrava o Estado do Ceará de forma inconstitucional.Franco Rabelo ao tomar conhecimento da instalação da Assembléia de Juazeiro e conhecedor da sua eminente deposição, simplesmente manda assassinar o Padre Cícero e destruir a cidade de Juazeiro, como uma medida emergencial para impedir a formação da Assembléia Revolucionária de Juazeiro pelos deputados sediciosos, ali foragidos.Com a noticia de um provável ataque à cidade do Padre Cícero, os seus romeiros deslocaram-se de vários pontos do interior nordestino para a cidade sitiada para defenderem o Padre Cícero e a cidade dos romeiros.Os Romeiros-Combatentes derrotam os invasores e em seguida foram conduzidos de trem por oficiais do Exercito da legalidade até a periferia de Fortaleza para assim o Presidente Hermes poder oficialmente justificar e decretar legalmente a deposição de Rabelo. Hermes da Fonseca decretou a intervenção federal no Ceará, mediante acordo para que o novo governante fosse militar.
Por Antonio Cariry.

E se Marina virar borboleta? - Ateneia Feijó.

Sorridente, ela se deixou fotografar recebendo e colocando o boné vermelho na cabeça. Nada mais natural, pois o evento ocorrido sábado, em Brasília, fora promovido pelo MST. E a debatedora sobre clima e meio ambiente sustentável era, como diria gostosamente a Ruth de Aquino, a morena Marina com sua própria vontade. Lá estava ela disposta a propagar entre os sem-terra o pensamento do filósofo francês Edgar Morin: "mudança, no começo, é apenas um desvio".
Aquela Marina Silva, da biografia divulgada na mídia quando foi eleita senadora pela primeira vez, certamente não é mais a mesma. Seu discurso avançou; ela demonstra continuar aprendendo, acumulando novos conhecimentos e experiências à sua história. Quem a conhece garante que conservou o caráter; inato. O jeitinho aparentemente manso e a maneira de se vestir? Fazem parte de sua personalidade. Nunca pareceu chegada a consumismos e modismos. A religiosidade? Questões de fé são questões de fé. Cada um na sua, desde que não queira se impor como dono da verdade ou discrimine agnósticos e ateus. Então, tá.
Se toda evolução é fruto do desvio bem-sucedido não dá para subestimar Marina. Ainda mais depois de ter estudado com Morin, respeitado como um dos maiores pensadores do mundo atual. Ele não separa o conhecimento em compartimentos. Ao contrário, chega a ser venerado por muitos como "pai da complexidade". Além de defender uma educação que ensine a ética da compreensão planetária.
É isso. De que adianta compreender a matemática ou uma determinada disciplina se a pessoa não se compreende como indivíduo, sociedade e espécie? Tampouco tem consciência da humanidade? Portanto, ao propor a sustentabilidade como um novo modelo de desenvolvimento para o século XXI, Marina não está brincando. Ela aprendeu a pensar com complexidade.
Daí seus questionamentos tipo "quem disse que o ministro de energia não pode cuidar do meio ambiente e vice-versa?". Mesmo desenvolvendo projetos específicos, esses projetos deveriam se integrar ao todo. Ou seja, ministros deveriam trabalhar juntos para encontrar soluções em vez de criar problemas, brigando entre si. Ministros de energia, meio ambiente, transporte, agricultura ou lá de que pastas forem deveriam saber lidar com situações complexas.
Na sua passagem pelo Brasil há pouco mais de um mês, Morin esteve em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Tocantins. Neste último estado visitou uma comunidade indígena xerente, onde foi recebido com manifestações culturais tradicionais. Marina estava junto com ele. O filósofo francês, judeu, 88 anos, encantou-se com a viagem por nosso país. E não escondeu seu entusiasmo por essa "civilização da mestiçagem brasileira".
Aliás, em seu livro "Os sete saberes necessários à educação do futuro" (Unesco/Cortez Editora) ele fala da unidade, da mestiçagem e da diversidade como uma forma de se ir contra a homogeneização e o fechamento. Enfatiza que na era planetária cada pessoa pode e deve cultivar a "poliidentidade". O que é isto? Simplesmente a integração de suas identidades familiar, regional, étnica, nacional, religiosa (ou filosófica), continental e terráquea. Porque, acredita Morin, só o mestiço (cultural ou racial) pode constituir uma identidade complexa plenamente humana.
A aluna Marina pode ter trocado o uso da palavra revolução pelo da palavra metamorfose. Por que não? Foi o professor quem primeiro optou pela palavra que significa uma transformação natural e radical; como, por exemplo, a de uma borboleta. Uma transformação sem violência e totalitarismo revolucionários de praxe.
A morena Marina, nascida no Acre, parece apostar no Brasil como iniciador deste novo processo: da sustentabilidade. Pelo menos, o país conseguiu se desviar dos padrões que eram adotados há 30 anos para o meio-ambiente. Um desvio que pode consolidar uma mudança embasada em pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologia e ética planetária.
Será que Marina está virando borboleta?
Ateneia Feijó.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Ecletico - Por A. Morais

Francisco Antonio Bezerra da Costa, o conhecido Chico Antonio é o que se pode chamar de versátil, eclético. Já o vi no desempenho de variadas atividades. É também portador de invejável moderação chegando a ponto de se confundir com lezeira, esquecimento etc. Outro dia estava de passagem pelo Sanharol e o encontrei. Exercia, no momento, uma grande diversidade de funções: Vendia cartão do jogo da sorte, cartelas de bingo, rifa de uma garrafa térmica e, como corretor de imoveis me ofereceu um terreno próprio para construção. Quando procurei saber a dimensão do terreno não sabia. Onde se localizava também não sabia. Qual o preço não havia perguntado ao dono. Diante de tudo isto não se desanimou, saiu correndo a procura do proprietário do terreno solicitando que eu ficasse aguardando que ele voltaria com as informações e até hoje não me procurou mais. Olhe que já fazem pra mais de um ano esse encontro.
A. Morais

Cel Filemon - Um mestre na arte de fazer politica - Por A. Morais

Um dia um correligionário lhe trouxe a terrível noticia: no sitio Cipó dos Tomaz havia uma família que não podia nem ouvir falar em seu nome. No outro dia, o Cel Filemon chamou o motorista e disse: abasteça o carro que nós iremos fazer uma visita no Cipó dos Tomaz, preciso falar com os familiares de fulando de tal. O motorista conhecia a historia de intolerância daquela família com o Cel. Filemon, mas não discordou e, no outro dia cedinho chisparam para o Cipó. Quando estacionaram o carro a Dona da casa deu uma rabissaca e embocou casa a dentro no que foi seguida pelas filhas e filhos. O dono da casa ficou com a cara amarrada igual a um touro nelore. O Cel Filemon deu bom dia, se aproximou, deu a mão e foi direto ao assunto: Meu amigo, eu soube que você tem uns filhos muito inteligentes e responsáveis, eu estou precisando de duas pessoas com estas qualidades para trabalharem comigo na prefeitura e por essa razão aqui estou para lhe pedir estes préstimos. A seguir, já se ouviu o cocoricó do capão cevado nas mãos da mãe dos rapazes sendo sacrificado para o almoço. Os rapazes já queriam vi para o Crato no mesmo dia no carro com seu Filé e, o pai se tornou o maior cabo eleitoral a partir do mesmo dia.
Por A. Morais

De poeta para poeta - Por A.Morais

Nosso Blog já postou poemas de Patativa do Assaré, Jose Alves de Figueiredo, Dr. Mozart Cardoso Alencar, Enéas Duarte, Eloi Teles de Morais, João Furiba, Cego Aderaldo, Raimundo Lucas Bidinho, Tarciso Coelho, Mundim do Vale, Dr. Sávio Pinheiro e hoje estamos postando a revelação Vicente Rodrigues de Almeida. Eu tenho uma admiração enorme pelo poeta, não pela beleza do flabelar das rimas, mas pela dosagem de humor que todos colocam em suas poesias. Segue a troca de versos de Vicente Almeida e Mundim do Vale em “A salva do meio dia”.

Meu caro Mundim do Vale
Sua poesia é bacana
O seu jeito não me engana
Pois é poeta de fato.
Escrevo daqui do Crato
Pra você ler algum dia
Felicito-o pela obra prima
Por imortalizar na rima
A SALVA DO MEIO DIA.

O Blog do Sanharol
Deu-me a oportunidade
Pra conhecer de verdade
Como enaltecer um Santo
E uma coisa eu garanto
E lhe digo em poesia
Quero ir de qualquer jeito
Ver de perto, ver direito
A SALVA DO MEIO DIA

Fiquei com água na boca
Pra conhecer a festança
Guardar na minha lembrança
E relembrar com saudade
O bloco da amizade
E contar no dia a dia
Que São Raimundo Nonato
É merecedor de fato
DA SALVA DO MEIO DIA

Quero ir a Varzea Alegre
Conhecer essa homenagem
Que todo ano eles fazem
Haja seca ou haja inverno
A São Raimundo Nonato
Padroeiro do lugar
E aos meus netos contar
Que fui passear um dia
Onde o povo sem temer
Deixa de almoçar pra ver
A SALVA DO MEIO DIA.


Vicente Rodrigues de Almeida

Venha poeta Vicente
Visitar nossa cidade
Morais com boa vontade
Lhe recebe gentilmente.
Traga pra nós o presente
De ter sua companhia,
Que São Raimundo é seu guia
Nesse Vale do machado.
Venha escutar um dobrado
NA SALVA DO MEIO DIA.

Já encontrou seu caminho
No Blog do Sanharol
Venha com chuva ou com sol
Visitar esse cantinho.
Você não fica sozinho
Na terra da simpatia
Pois aqui tem harmonia
E muita hospitalidade.
No Sanharol, na cidade
E NA SALVA DO MEIO DIA.

Quando avistar a bandeira
Balançando lá em cima
Você ver que a nossa rima
É fiel e verdadeira.
O verso é uma maneira
De mostrar na poesia
O tamanho da alegria
De recebê-lo aqui.
Vindo lá do Cariri
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Para Vicente e Glória.
Não deixo meu Cariri
Nem com reza nem feitiço,
Sou roedor de piqui
E comedor de chouriço.
Não sáio nunca daqui
O meu lugar é aqui
Com as bênçãos de Padim Ciço.

Por: Mundim do Vale

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Lucio Alcântara e o Cariri - Por Armando Lopes Rafael.

Algum dia o Cariri fará justiça ao governo Lúcio Alcântara. Poucos governadores do Ceará foram, como ele, tão presentes ao Cariri. Durante o seu período como governador, Lúcio Alcântara manteve constante diálogo com todas as lideranças caririenses – independentes de sigla partidária – buscando soluções para os problemas desta região do Ceará. Era comum vê-lo – praticamente toda semana – percorrendo os municípios caririenses, inaugurando obras feitas no seu governo e dialogando com as lideranças comunitárias na busca de incentivo às diversas atividades econômicas com potencial gerador de emprego e renda para a população do Sul do Ceará.
Muitas das obras hoje a atribuídas ao governador Cid Gomes foram, na verdade, iniciadas no governo Lúcio Alcântara. É caso do Metrô de Superfície – ligando Crato a Juazeiro – que, não só foi iniciado, mas os recursos assegurados para a continuidade da obra; o Trevo Rodoviário que desvia o trânsito do centro de Missão Velha; os melhoramentos recém-inaugurados na URCA (reforma do Salão de Atos, do Salão da Terra, dos blocos onde funcionam salas de aulas, aquisição de equipamentos de informática, etc.); o CEO-Centro de Especialização de Odontologia, em Crato. Outras foram planejadas no governo de Lúcio Alcântara, a exemplo do Centro de Convenções do Cariri, agora iniciado. No caso específico de Crato, devem-se ao governador Lúcio Alcântara, dentre outras obras: a restauração do conjunto da antiga Estação Ferroviária, o Cine-Teatro Moderno, a reforma da Quadra Bi-Centenário, a avenida que margeia o canal do Granjeiro e segue em direção ao Parque de Exposição; a reforma dos mercados públicos de Crato; as quadras esportivas nos bairros periféricos e distritos, as praças suburbanas, reformas de escolas públicas. Em Juazeiro do Norte a construção do IML, anseio de toda região Sul do estado; ponte sobre o Rio Salgadinho, que liga a cidade ao Horto do Padre Cícero, ponte sobre o Rio Carás entre os municípios de Juazeiro e Caririaçú e infra-estrutura do Luzeiro do Nordeste. Em Barbalha: as construções do Anel Pericentral e do Liceu; a restauração do prédio da antiga Cadeia Pública, dentre outras.
Ressalte-se, ainda, a exemplar vida pública de Lúcio Alcântara. Em 30 anos de atividade política, é um nome respeitado por sua conduta ética no trato com a coisa pública, suas relações partidárias e suas iniciativas políticas. Nunca teve o seu nome associado a atos de improbidade ou ineficiência diante das responsabilidades que lhe foram conferidas pela vontade popular. Foi Secretário estadual da Saúde (2 vezes), prefeito de Fortaleza, deputado federal (2 vezes), senador da República, vice-governador e governador do Ceará.
E saiu com a imagem limpa! Coisa rara nesta república...
(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

Negando a amizade - Por A. Morais


Durante a Sedição de Juazeiro, em 1914, o Cariri ficou assolado por hordas de jagunços, que se aproveitando do momento assaltavam, roubavam e extorquiam, principalmente se o alvo fosse cratense. Gabriel de Morais Rego reuniu toda família, inclusive à do seu genro Macário Vieira de Brito e fugindo daquela situação, homiziaram-se em Várzea-Alegre na casa do seu parente Pedro Alves Bezerra, Pedro André no sitio Sanharol, meu avô paterno. Ao cair de uma tarde, estavam conversando no alpendre, quando um destes bandos itinerantes, aproximou-se e um dos membros que parecia ser o chefe, perguntou: O cidadão sabe onde posso encontrar Macário Vieira de Brito? E seu Pedro um pouco nervoso, por não denunciar: Não, nunca ouvi falar neste homem! Aí, no meio da quadrilha, alguém que conhecia o cratense, falou: Como não conhece? Você não está conversando ao lado dele! Receberam algum dinheiro e rumaram em direção de Lavras da Mangabeira.
Quando terminou a desordem e a anarquia e a coisa voltou a normalidade, Gabriel de Morais Rego e Macário Vieira de Brito retornaram ao Crato. Encontraram as propriedades, na Malhada, totalmente destruídas, queimadas e saqueadas. Depois de algum tempo Padre Cícero chamou Macário para uma conversa. Queria que o Macário fizesse um levantamento dos prejuízos para ser ressarcido. Macário respondeu: não há o que pagar, o que perdi junto com meus familiares, haveremos de recuperar com o nosso trabalho. Porem, tem uma coisa que o Senhor não conseguiria pagar: Dona Teresa, uma criada que ficou cuidando das nossas casas e foi morta pelos jagunços. Esse prejuízo o Senhor não teria como pagar.
A primeira neta de Macário Vieira de Brito que nasceu, depois deste episodio, foi batizada com o nome de Tereza, numa justa homenagem a falecida e ainda hoje nascem "Teresas" na familia.

A. Morais

Menezes Filho - Feliz aniversario.


Papai.

Parabéns.

Deus lhe abençoe, lhe faça feliz, lhe ilumine e conserve sempre assim, amigo, presente, humano, companheiro e bom! E olhe bem, além disso, nós pedimos a Deus que lhe dê muita paciência, mas muita paciência mesmo, para cuidar de nós! E nada de injeção ouviu!
João Pedro e Aluisio.

domingo, 16 de agosto de 2009

Quem é mais saudosista? - Por A. Morais

Maria Romana Ferreira de Sousa.

Pelo que venho observando, entendo que estamos empatados. Não há como saber qual de nós dois é mais saudosistas, se eu ou o Mundim do Vale. Cada dia remoemos o passado e arrancamos do fundo do baú episódios que estavam condenados ao porão perverso do esquecimento. Já que estamos no período das novenas de são Raimundo, e não preciso pesquisar, porque sei de cor, vou falar um pouco da Banda de Musica de Várzea-Alegre, na inesquecível e memorável década de 1960.
O maestro era mestre Antonio Jose do Nascimento, Mestre Antonio e, na relação dos músicos encontravamos três filhos do maestro, Chagas, um grande musico que tocava todos os instrumentos, Manuel arremedava um trombone e Jose o mais acanhado dos tres. Dentre outros músicos estavam Virgilio, Antonio de Brilhante, Chico Felicio, Prejo, João Batista, Luiz de Zé Preto, Chico de Antonio do Sapo, Jairo Diniz, o mestre do trombone de vara.
Quando o Padre Otavio dizia: Deus, vinde em nosso auxilio! Milita e Romana cantavam seguidas pelos acordes dos metais: "Senhor, apressai-me, apressai-me, apressai-me, em socorrei-me"!
E por falar em Dona Romana ela fez neste dia 09.07.2009, exatamente 100 anos de idade: Maria Romana Ferreira de Sousa, filha de Raimunda Ferreira de Sousa e Romão Ferreira de Sousa, nasceu no dia 09 de julho de 1909, em Várzea Alegre. Casou-se em 31 de julho de 1930, com Raimundo Bernardino de Sousa. Tiveram cinco filhos, mas só está vivo Francisco Jacinto de Sousa, todos os filhos receberam o nome de Francisco pela devoção que ela tinha ao santo.
Foi cantora sacra da igreja durante setenta anos. Iniciou aos quatorze anos e a primeira missa cantada foi na Capela de Santo Antônio, celebrada pelo padre José Otávio.
Continua lúcida, espirituosa e ainda com muita devoção a São Raimundo Nonato. O Blog do Sanharol não poderia deixar de se congratular, juntamente com a irmandade religiosa, a lembrança, a afirmação e a luta desta figura de mulher, por este acontecimento, como marco da presença da mulher no registro da história de Várzea Alegre. A missa em ação de graças foi celebrada domingo, dia 12, às 16h, em sua residência, à rua José Alves Feitosa”. Ninguém mais do que Dona Romana, que há setenta anos canta as “Salvas de São Raimundo”, merece está na nossa lista de “Amigos do nosso padroeiro”. Romana receba nossa gratidão, minha e do Mundim do Vale.
A. Morais

sábado, 15 de agosto de 2009

A salva do meio dia - V - Por Mundim do Vale

Dr. Aluisio Maximo de Meneses.


Eita bandinha descente
Que tem na minha cidade!
Na religiosidade
Ela está sempre presente.
Toca salva no sol quente,
Alvorada em manhã fria
E São Raimundo é quem guia.
Porque lá do seu altar,
Quer ver seu hino tocar
NA SALVA DO MEIO DIA.

Um roceiro vai passando
Pra comprar sal e café
Chega lá em João Bilé
E vai logo se sentando.
Passa um tempo conversando
Pede um copo de água fria,
Depois diz: - Vixe Maria!
Tá na hora de ir embora,
Todo dia eu perco a hora
NA SALVA DO MEIO DIA.

Um cachaceiro sem graça
Que da rua vem tombando,
Chega logo perguntando
Se por ali tem cachaça.
Senta no banco da praça
Falando de carestia,
Sem saber de economia,
Nem ter no bolso um tostão.
Depois se lasca no chão
NA SALVA DO MEIO DIA.

Por Mundim do Vale

Parabens Dihelson Mendonça - Por A. Morais

Amigo Dihelson - Feliz aniversario.
É muito gratificante ver aquele menino que acompanhava o pai nas décadas de 70 e 80 no gerenciamento dos negócios da Leimo alçar e alcançar altos desafios nas áreas da musica e do jornalismo e, continuar com a mesma humildade e dignidade de antes. Receba os nossos cumprimentos na passagem de seu natalício. Deus lhe conserve assim!
A. Morais e familia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira - O apostolo da caridade.


Humilde de origem, pois filho de um modesto ferroviário da extinta Rede de Viação Cearense, Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira ocupa lugar na história da Diocese de Crato, como um dos seus mais valorosos sacerdotes. Um homem vocacionado por Deus para a missão de educar e servir aos semelhantes. Foi ordenado presbítero com 23 anos e seis meses de idade. Viveu apenas 57 anos, 34 dos quais exercendo um profícuo ministério sacerdotal. Tão logo foi ordenado sacerdote, Monsenhor Rocha passou a lecionar no Seminário São José, o que fez por seis anos, findos os quais assumiu o cargo de reitor dessa instituição, ali permanecendo por mais 15 anos. Mas suas atividades não se limitavam só a isso.
Foi, por 24 anos, Provedor do Hospital São Francisco de Assis, sendo que, nos últimos 12 anos de sua vida, residiu no próprio hospital. Por essa atividade ficou conhecido como “O Apóstolo da Caridade”. Simultaneamente, foi jornalista e diretor do jornal “A Ação”, órgão oficial da Diocese de Crato; orientador espiritual da Liga Feminina da Ação Católica; radialista, produtor e apresentador do programa “Consultório da Família”, levado ao ar pelas emissoras de rádio da cidade de Crato; Diretor Diocesano da Obra de Vocações Sacerdotais, entidade responsável pelo financiamento dos estudos de muitos sacerdotes. Sem falar que sempre foi muito requisitado para pregar retiros espirituais.
Um dos maiores oradores sacros do Sul do Ceará, Monsenhor Rocha era um líder entre seus colegas de sacerdócio. A muitos desses seus irmãos de ministério amparou, na velhice, dando, assim, o testemunho de um coração misericordioso e solidário. Vários dos pavilhões existentes no Hospital São Francisco foram por ele construídos. Possuía um espírito prático, sendo reconhecido como administrador competente e criterioso.
Certa feita, recebeu uma verba da entidade católica alemã Miserior, destinada à reforma e melhoramentos no Hospital São Francisco. Ao término das obras e como sobrara certa importância do dinheiro recebido, devolveu à instituição doadora essa sobra. Dos alemães, que vieram fiscalizar a construção, ficou este testemunho:
– Trata-se de caso único, na história da Miserior.
Monsenhor Murilo de Sá Barreto assim se referiu a Monsenhor Rocha, seu antigo mestre:
“Era um Reitor amigo, educador coerente, conselheiro paciente, conferencista polivalente, iniciador da Ação Católica nesta diocese, acolhedor dos pobres e dos simples, tanto no Seminário como no Hospital, tanto no confessionário como nas conversas informais de orientação”.
Sobre Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira assim escreveu Monsenhor Montenegro, no livro O Apóstolo da Caridade:
“Monsenhor Rocha era um homem simples, modesto, Sacerdote modelo. Um Santo. Simples como Deus o fez, e a vida não conseguiu jamais desfazer. Era um mesmo para todos. E, no entanto, cada um o sentia como se fosse diferente para cada um. O segredo daquele imenso afeto que todos lhe dedicaram, o segredo do prestígio incomparável que adquiriu, em toda a sua vida, estava em ter vivido não para si, mas para os outros, em Deus e por Deus, no próximo, como um Santo Sacerdote, filho dessa Igreja que ele amava apaixonadamente, até o seu último alento”.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

Carlos Frederico Werneck de Lacerda - Por A. Morais

Muito mais do que suas obras como primeiro governador do antigo Estado da Guanabara, muito mais do que seus textos ou discursos como proprietário de jornal e político, muito mais do que todas as suas realizações pessoais e profissionais, o jornalista Carlos Lacerda passou à história brasileira como o pivô do atentado que provocou o suicídio do presidente Getúlio Vargas, na manhã do dia 24 de agosto de 1954. Com a política no sangue (seu pai, Maurício Paiva de Lacerda, foi deputado federal; seu avô por parte de pai, Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda, foi ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas no governo do presidente Prudente de Morais), Carlos Frederico Werneck de Lacerda, embora registrado em Vassouras (RJ), nasceu no Rio de Janeiro, na época Distrito Federal, em 30 de abril de 1914, coincidentemente, no mesmo dia e ano em que viria ao mundo o cantor e compositor baiano Dorival Caymmi. Iniciou a sua carreira profissional em 1929, escrevendo alguns artigos para o "Diário de Notícias", em uma seção dirigida por uma mulher que marcaria época na literatura brasileira -Cecília Meireles. Três anos mais tarde, durante o governo provisório comandado por Getúlio Vargas, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, mas não chegou a concluir o curso. Em seu livro "Depoimento", Lacerda justifica a decisão. "A advocacia era uma profissão muito estranha, porque os casos que me interessavam não davam dinheiro, e os casos que davam dinheiro não me interessavam". A intensa atividade política que marcaria a vida de Carlos Lacerda começou justamente quando estudava Direito. Neste período, aproximou-se dos ideais comunistas e da Ação Libertadora Nacional (ALN). Em 39, rompeu com essa ideologia e passou a escrever artigos anticomunistas. Na década de 40, mais precisamente em 1945, Carlos Lacerda assina a sua ficha de filiação à UDN (União Democrática Nacional), tornando-se vereador pelo Distrito Federal, dois anos mais tarde. Logo que assumiu o mandato, começou a fazer campanha em favor da completa autonomia do Distrito Federal, defendendo a eleição direta para prefeito -o cargo era uma prerrogativa do presidente da República, que nomeava o administrador. Ainda em1947, renuncia ao mandato de vereador, inconformado com a decisão do Senado, que retirou da Câmara Municipal o poder de examinar os vetos do prefeito. Em 1949, Carlos Lacerda dá uma grande guinada em sua vida, ao fundar o jornal "Tribuna da Imprensa", diário que foi o principal porta-voz da oposição durante o segundo governo do presidente Getúlio Vargas (1951/54). Já casado, o jornalista liderou uma campanha contra o jornal "Última Hora", de Samuel Weiner, acusando-o de ter se beneficiado de um empréstimo fraudulento do Banco do Brasil para colocar o seu maquinário em funcionamento. A partir daí, os ataques diários ao governo do presidente Getúlio Vargas passaram a ser uma rotina na "Tribuna da Imprensa". Finalmente, no dia 5 de agosto de 1954, aconteceu o episódio que marcaria definitivamente Carlos Lacerda na história do Brasil e levaria o presidente Vargas à morte, provocando uma crise sem precedentes na vida republicana do país. Atentado Ao voltar de um comício realizado no Colégio São José, no Rio, o jornalista foi atingido por um tiro quando chegava à sua casa, localizada à rua Toneleros. O atentado, que deixou Lacerda ferido no pé, provocou a morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz, que dava proteção ao jornalista. No mesmo dia, ainda no Hospital Miguel Couto, para onde foi levado após ser baleado, Carlos Lacerda responsabilizou "elementos da alta esfera governamental" pelo crime. Uma semana depois, Lacerda publicou um editorial na "Tribuna da Imprensa", pedindo a imediata renúncia do presidente Vargas. Isolado politicamente e percebendo que integrantes de sua guarda pessoal estavam envolvidos no atentado, Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no peito. A confirmação da morte do político gaúcho provocou um grande quebra-quebra em vários jornais do Rio e Carlos Lacerda foi obrigado a permanecer escondido por quatro dias. Em setembro de 1954, um mês após a morte de Vargas, o jornalista pediu o adiamento das eleições, marcadas para o dia 3 de outubro. Carlos Lacerda temia que a comoção nacional levasse o partido do presidente (PTB) a dominar o cenário nacional. Mesmo sem alcançar sucesso em sua empreitada, Lacerda foi o deputado federal mais votado em seu partido. No dia 5 de dezembro de 1960, acontece o auge de sua carreira política -o jornalista foi empossado como primeiro governador da Guanabara e inicia uma ampla reforma administrativa no Estado. No ano seguinte, as divergências entre o governador e o presidente Jânio Quadros, que ajudou a eleger, tornam-se explícitas. Em outubro de 1961, já com Jânio Quadros fora do poder, o jornalista vendeu a "Tribuna da Imprensa" para Manuel Francisco do Nascimento Brito, alegando dificuldades financeiras. Após o golpe militar de 1964, Carlos Lacerda viajou para a Europa e para os Estados Unidos para defender os ideais do novo regime, mas o seu apoio do governo do presidente Castelo Branco durou pouco. Em um artigo publicado na revista "Manchete", o jornalista informou que estava interessado em disputar a Presidência da República. "Entendo que a Revolução ou não tem programa, ou tem o meu programa, que não é só meu, porque é nosso, do povo", escreveu. No entanto, a suspensão das eleições diretas para a escolha do presidente da República colocou um ponto final nas pretensões de Carlos Lacerda. Com a instituição do Ato Institucional número 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, o jornalista foi preso e teve os seus direitos políticos cassados por dez anos. Em seguida, voltou a trabalhar por pouco tempo como jornalista, antes de dedicar-se às atividades editoriais na "Nova Fronteira" e na "Nova Aguillar", empresas de sua propriedade. Carlos Lacerda, morto no dia 21 de maio de 1977, também trabalhou como tradutor e deixou uma obra que ajuda a compreender a sua participação na história política do Brasil.
Netsaber - Biografias.