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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 15 de março de 2017

032 - O Crato de Antigamente - Por Antônio Morais


Estávamos eu, o Audizio Brizeno, Chico Soares e o Melito Sampaio no comercio deste ultimo. Neste dia o Chico estava caladão, trombudo, não se sabia bem ao certo o que lhe perturbava, o fato é que não estava normal.

Duas coisas havia que o Melito detestava: a cidade Juazeiro do Norte e romeiro. Pra ele pouco importava se a pedra da batateira rolasse e levasse tudo água a baixo.

Neste dia o desanimo do Chico contrastava com a disposição do Melito, o homem estava impossível. Malinava com todo mundo. Conversa vai, conversa vem, uma senhora, com idade aproximada de 65 anos, indumentária de romeira, entra no estabelecimento com uma caixa de sapato apoiada no braço esquerdo coberta com um véu branco.

Aproxima-se de Melito, retira o véu, descobre dentro da caixa uma imagem de São Sebastião e pede uma esmola, pelo amor de meu Padim! Melito dá uma cubada a mulher e lhe pergunta: espere, ainda não está aposentado? A mulher lhe responde: não, ainda não consegui. As exigências são muitas. Pedem documentos impossíveis de se conseguir.

O Melito já sem controlar uma gargalhada aconselha: porque você não alista ele na emergência. Emergência era uma frente de serviço criada pelo governo para amparar os necessitados em anos de seca.

A mulher saiu virada num tetéu, braba como um siri na lata,  a menor praga que rogou foi mandar Melito ir para os quintos dos infernos. Quanto mais desaforo dizia a mulher mais o Melito se derretia em risos.

Um comentário:

  1. Figuras bem humoradas do Crato, Melito e Chico Soares fizeram muita gente rir.

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