Rosto colado é coisa que os jovens de hoje não conhecem como preliminares de um ato de sedução. Nesses bailes de antigamente (que palavra dolorosa!), os jovens rastreavam o salão em busca da garota ideal para iniciar um romance. Caso ela fosse localizada na mesa com os pais, nossas pernas tremiam. Uma cuba libre (rum, coca-cola, gelo e limão), talvez fosse o combustível para encorajar o ato de atravessar o salão e chegar na mesa com o convite, formalíssimo, "vamos dançar". O "sim" dela poderia significar que também queria dançar, pois os olhos já tinham se cruzado num momento do baile, mas poderia ser apenas o "sim" formal para não dar um "cano" no rapaz audacioso. Neste último caso, a regra que a jovem aprendeu em casa com a mãe casamenteira, era dançar no máximo três para não significar que havia outro interesse a não ser o da boa educação. No entanto, se "pintasse um clima" – ai, Jesus! – As danças se prolongariam por todo o baile e, na hora exata, os rostos se colavam e a sedução começava com uma conversa de ouvido. O ato de seduzir transformava-se numa enciclopédia romântica que valia até mentiras ingênuas e nos dias seguintes flores e serenatas.
Corta para 2010. Não há mais rosto colado, não há mais bailes, os conjuntos melódicos são apenas boas lembranças e os clubes estão fechando seus salões que tinham a sua boate para os jovens. O beijo roubado, quando as luzes diminuíam de intensidade, era, talvez, o único da noite. Hoje, as garotas ficam apostando quem beija mais garotos numa noite e vulgarizou-se o ato mais sublime de um início de conquista. O baile funk, mais que uma reunião dos jovens de hoje, é um convescote de traficantes em busca de novos babacas para o início de uma vida de vícios. Vale o mesmo para a festa reive e os incidentes estão aí na imprensa para que o colunista não passe por um "velho recalcado". A sedução transformou-se em agressão sexual, para ambos os lados. Sem crack, sem pó, sem baseado, não há sequer uma aproximação de pessoas de sexo diferente. Não se dança mais, os requebros e os pulos substituíram os passos cadenciados. O barulho do bate-estaca acabou com o diálogo. Sem diálogo não há sedução, mas pode haver estupro.
Fim de papo. Está bem, somos velhos quando falamos em "rosto colado". Mas ninguém pode roubar, de nossa memória, um tempo mágico onde o cavalheirismo de uma dança fazia-nos flutuar por salões com pessoas especiais. “E quem não dançou uma vez na vida de rosto colado não sabe o que perdeu".
Rogério Mendelsk .
Mississipi - Pussycat

A melodia romântica. O grupo de interpretes afinados. Os músicos e o arranjo bem ao estilo que agrada aos ouvidos e a alma. Bom de ouvir.
ResponderExcluirO texto: sem comentarios.
Morais meu Amigo, dia após dia fico mais jovem, com mais vontade de viver com muita qualidade e alegria... também pudera: não bastasse tudo que tenho, vem vocês a me relembrar momentos de descobertas; e por que não dizer de puro êxtase. Faço como meu neto, muito de mais. Obrigada.
ResponderExcluirAbraço fraterno. Fatima.
Não sei se foi melhor ouvir a música ou ler o comentário da Fátima. Eu também...KKK Nem sinto que tenho 32 aninhos... de Rio de Janeiro!
ResponderExcluirMorais, a cada dia você se supera!
Ando com pouco tempo para essas pesquisas, agrageço você trazer para mim!
Um abraço.
A.Morais existem momentos que se eternizam,essa musica me levou para o ano de 1971,não direi o local,porem jamais esquecerei a melodia e nem a companhia.
ResponderExcluirFatima e Artemisia.
ResponderExcluirO texto do Rogerio Mendelsk é sem comentario. A musica apesar de estrangeira, tem uma melodia maravilhosa, a orquestra é bem do estilo do nosso tempo. Agrada.
Danubio.
Digo sempre que a musica traz ao presente tudo aquilo que se viveu ao ouvi-la.
Parabens pela coragem. Voce quase fez uma revelação.