"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Refrescando a memória - Dr. Rolim



No Educandário Santa Inês, da minha querida saudosa e eterna professora, Dona Eliza, com essa cartilha foi onde eu aprendi soletrar. Quando ia soletrar: CA...CE. ..CI... CO... no CU eu ficava morrendo de vergonha. Que tanta inocência... criança daquela época

14 comentários:

  1. Dr.Rolim pegando carona no seu esclarecimento,na minha sala de aula em Farias Brito,uma colega tirou um zero e ainda foi suspensa porque recusou-se a dizer os nomes das caravelas de Cristóvão Colombo.A mesma só disse Santa Maria e Nina, a PINTA ela se omitiu.Quanta pureza,Como mudaram os comportamentos.

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  2. ... AÍ eu disse:

    Rolim:

    Essa cartilha se chamava "Cartlha Ensino Rápido". Era uma espécie de intermediação entre a carta de ABC e o primeiro livro de leitura, ou primeiro ano.

    Em nossa casa, no sítio Belmonte, aqui no municipio de Crato, foi instalada uma sala de aula e meu pai - que era o administrador/feitor do sitio, fazia o papel de professor noturno.

    Não sei se a sala de aula era mantida pelo município ou pelo proprietário do sitio: Dr. Teles.

    Fato é que eu tinha uns cinco ou seis anos e participava das aulas.

    Havia uma mistura: Uns na carta de ABC, outros na Cartilha e outros ainda no primeiro ano. Não sei se em outros lugares também era asim.

    Havia um morador jovem que não querendo soletrar como papai ensinava, dizia: Cêaka (CA) Cêéqué (CE) Cêici (CI) Cêocó (CO). E na última sílaba ele dizia: O cú do cachorro.

    Papai insistia: Gilberto, a última sílaba não é assim é Cêucú. E o Gilberto, temeroso respondia: Mais eu num vô falá isso com o Sinhor seu Migué. E nunca soletrou esta sílaba.

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  3. Danúbio e Vicente, quanta pureza existia nas crianças antigamente e o respeito, eu ri muito com os comentários de vocês.Vale apena recordar coisas da infância.Valeu...

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  4. Dr Rolim, eu simplismente chorei até a professora enteder que eu sabia.

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  5. Ilmorais, que suplicio o seu.KKKKKK

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  6. Dr. Rolim, e nese tempo aí a aprovação era automática, pasava-se da Carta à Cartilha ao Primeiro Livro... Não havia seriação e todo mundo que era das Letras aprendia.O objetivo não era diferente do de hoje: Ler, Escrever e As Quatro Operações. Para apresentar Estatísticas isto basta!
    Um grande abraço.

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  7. Falou,Artemisia,quem sabe,sabe,você é professora,temautoridade de falar.Grande abraço.

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  8. Dr. Rolim.

    Dona Elisa tinha um questionário denominado: De ouro.

    Quem entendesse ou melhor aprendesse teria grandes facilidades em todas as materias do antigo curso primário.

    Boas lembranaças

    Parabens.

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  9. Dr. Rolim.

    Na escola de Joaquim Piau da Vazante, o meu pai contava que de tanto Raimundo Felix respeitar o professor ele soletrava assim: Ca, Ce, Ci, Co .... Meu cu.

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  10. Morais,

    pense num respeito.E é interessante que passou pra nós todos.Morais na minha turma tinha o "Negro Sacy"que quando chegava no "CU" ele disparava na risada e não dizia nem a pau.

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  11. ... AÍ eu disse:

    Rolim:

    Posso fazer um segundo comentário me dirigindo a um compadre? Posso?

    Morais:

    Na minha primeira sala de aula onde o meu pai era professor, a soletração desse texto levou muitas noites para todos aprenderem. O qui qui qui quando saiam da sala era um caso sério. Na simplicidade do povo, não havia quem entendesse o texto como uma simples lição e julgavam estar agredindo o Feitor e professor, por tanto sujeitos a alguma punição. O caba suava e não falava. Pode?

    Acoteceu que dois marmanjos deixaram de ir a aula e sempre perguntavam aos outros: Seu Migué já passou daquela parte? E só retornaram na outra página da cartilha.

    Rolim:

    Você está resgatando o passado de um povo no Brasil inteiro, e muita gente vai lembrar de fatos ocorridos há quase meio século.

    Enquanto você resgata fatos gerais, nossa memória vai individualmente regatando fatos pessoais.

    Tô gostando!

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  12. Vicente,eu nunca pensei que iria mexer com tantas recordações de fatos engraçados.Tudo que você fala aconteceu em razão do FONEMA da nossa língua portuguesa.Ri muito dos seus comentários.

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  13. Obrigada,Rolim. Recordar esses tempos nos faz muito bem: e ainda por cima você presta uma bela e merecida homenagem, Aquela que junto com DONA IRACI PIAU,DONA TELMA TEXEIRA, MARIA LUCIA SALVIANO, DONA FRANSQUINHA serão para mim as melhores professoras de VÁRZEA-ALEGRE. Sem com isso tirar o mérito das também professoras da minha terrinha.Eu também estudei neste Educandario e com nossa saudosa e querida, DONA ELIZA CORREIA; e posso dizer com pureza d'alma que não era apenas por ingenuidade, que não se falava CU, era por respeito, e muitas vezes por repressão; não imposta pela nossa Mestra, mais pelos nossos pais...

    Abraço fraterno. Fatima Bezerra.

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  14. Fátima,

    recordando uma simples cartilha do ABC,mexi com a sensibilidade de muita gente.É bom relembrar aquilo que marcou nossas vidas.Abraços

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