Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 15 de março de 2018

020 - O Crato de antigamente - Por Antônio Morais.



Professor José do Vale Arraes Feitosa, sua primeira esposa Maria Gisélia Pinheiro, com a primeira filha do casal - Gisélia Maria!

O Brigadeiro Macedo tinha uma fama de birrento, ruim. Ele não ligava a mínima. Até gostava. Tornou-se grande amigo do Chico Soares, conhecido como, ele próprio se dizia, o maior caloteiro do Crato. Na verdade, o Chico era um grande brincalhão e não se sabia o que de verdade tinha nessa fama de caloteiro. O Brigadeiro, justificava esta grande amizade dizendo que, já que falavam que ele não prestava, tinha que fazer amizade com quem não prestava também! 

Um dia estavam os dois na Praça Siqueira Campos, quando ia passando o enterro da primeira esposa do Professor José do Vale que, aliás, foi meu professor. Lembro-me que, ao atravessar a porta da sala de aula, já ia fazendo o sinal da cruz e rezando o “padre” nosso. A classe inteira, instantaneamente, ficava de pé e rezava com ele.

A esposa do professor, também professora, era muito estimada. Uma multidão acompanhava o féretro. Os alunos dos diversos colégios, todos uniformizados, faziam parte do cortejo. O Brigadeiro perguntou para o Chico Soares:

“Chico, será que no meu enterro vai ter tanta gente assim?”

“Depende, Brigadeiro, se  forem lhe enterrar vivo!”

3 comentários:

  1. Coisas do Crato antigo, marcas do tempo. Grande Chico Soares.

    ResponderExcluir
  2. Morais ,creio que meu pai tenha contatado uma ,que quando chegava o besta do mato ele tinha uma ideia de mandar o besta pra frente,só que um dia apareceu um interessado na besteira e levou ele no bico,o besta se foi mas levando a grana de um pro outro pagar ,lembra dessa?

    ResponderExcluir
  3. José do Vale foi meu professor, no Colégio Agrícola de Crato, onde estudei no período 1975/1977. Lecionava as disciplinas de Português e Literatura Brasilera, no que era um mestre. Tinha uma predileção pelos alunos e aparentava ser devoto da religião católica. Era um admirador das coisas do Sertão, especialmente dos Inhamuns, região de onde viera sua família. Zé do Vale, como era conhecido, foi um exemplo de professor.

    ResponderExcluir