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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 8 de março de 2017

025 - O Crato de Antigamente - Por Antônio Morais

Chegou no Cabaré da Glorinha uma menina muita “famosa”. Era uma morena do tipo que hoje seria chamada de “avião”. E o Melito foi um dos seus primeiros “passageiros”. Foi contar as peripécias do “vôo” para o meu avô, Luís Martins. 

Estavam sentados numa mesa da Sorveteria Glória, e o Melito com um ar de mistério e assombro, começou:

“Seu Luís, o Senhor sabe que chegou uma menina nova na Glorinha? A negra Lourdes? É uma morena bonita demais, seu Luís!!!”

“Já, eu já ouvi falar”. “Pois bem, seu Luís, quando me falaram nessa morena fui logo à Glorinha. Quando cheguei lá, eram cinco para seis horas da tarde, hora em que as putas estão tomando banho. Contratei logo a Lourdes para aquela noite.

E o Melito continuou. “Mas seu Luís, quando foi de sete para oito horas eu cheguei lá na Glorinha e fui logo para o quarto com a Lourdes. Mas seu Luís, a morena era alta e do cabelo grande. E nós começamos a fazer o “serviço” e ela começou a “judiar” de mim. Me jogava “prum” lado da cama, me jogava pra cima dela. E eu suando... Ela passava a perna em mim e eu já estava que não me aguentava mais. Que negra para gostar de homem! Tai, uma profissional que gosta de agradar! 

Ela “judiando”, “judiando”, até que ficou numa posição que quase me imobilizou! E eu procurava ar, seu Luís, e não tinha. E o cabelo da danada suado, caindo no meu rosto... E eu, Seu Luís, nada de ar! Aí, seu Luís, quando eu vi que ia morrer mesmo, me lembrei da nossa Padroeira, a Nossa Senhora da Penha! Fiz uma promessa: se ela me tirasse daquela situação, eu nunca mais na vida voltaria a fazer essas coisas. 

E, eu tou vivo. Fui valido, seu Luís..., fui valido!”

Ivens Brandão.

Um comentário:

  1. Melito Sampaio era um gênio no humor e na graça. Isso era hora de se valer da padroeira?

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