sábado, 27 de junho de 2026

Quatros Mãos em defesa do Brasil -- Humberto Mendonça – empresário



     Dias atrás, li um artigo – escrito pelo jornalista Alexandre Garcia – mostrando os descalabros nos setores administrativo/político do Brasil atual. Seria ocioso repetir a súmula daquele artigo, o qual foi amplamente divulgado nas redes sociais e, por isso mesmo, já é de amplo conhecimento dos brasileiros bem informados. No entanto, inspirado no que escreveu Alexandre Garcia, eu acrescento outras análises, feitas por mim. Sou um velho e calejado observador  do quadro caótico imposto ao Brasil. Por isso faço   esta reflexão a quatro mãos. As minhas e as de Alexandre Garcia.

   A recente operação da Polícia Federal contra o senador e líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) – extensiva ao banqueiro Augusto Ferreira Lima – gerou um desgaste político imediato e dividiu, ainda mais, a base política do atual governo Lula.  A Polícia Federal investigou se o senador Jaques Wagner teria recebido propinas para favorecer o Banco Master, incluindo, no Congresso Nacional, pautas sobre crédito consignado e prejudicando o Fundo Garantidor de Créditos– FGC, do Banco Central. Não deu outra. As buscas e apreensões em imóveis do senador citado, resultaram  em novas acusações a Jaques Wagner. Uma delas: ele teria recebido um apartamento de luxo e feito viagens caríssimas – pagas pelo Banco Master –   em troca da defesa dos interesses escusos do Banco, nos altos escalões administrativos do Brasil. Sem detalhar na grande quantia de dinheiro, em moedas estrangeiras, apreendida no apartamento de Jaques Wagner.

   As investigações da 9ª fase da “Operação Compliance Zero”, atingirem diretamente o núcleo político do governo Lula. Este, nocauteado, sentiu o profundo impacto gerado na base governista; provocando tensões com o STF e desmantelando a articulação política no Senado às vésperas da corrida eleitoral deste ano. O desgaste do governo Lula a menos de 100 dias das eleições do próximo 4 de outubro, atingiu o entorno dos desafios na economia cambaleante. Aumentou a fadiga eleitoral e a pressão da oposição. Pesquisas recentes indicam que 47% da população brasileira avalia que a corrupção aumentou durante o atual governo. Esse cenário de desconfiança tem sido alimentado por outras investigações em andamento. Uma delas os desvios indevidos nos salários dos aposentados do INSS.

   Mas Lula não enfrenta somente escândalos de corrupção. Neste terceiro mandato, ele está envolvido noutros desafios estruturais em várias frentes. As principais dificuldades concentram-se no descontrole da dívida pública, que pressiona as contas do país. Nunca antes na história, os brasileiros pagaram tantos tributos ao governo federal. A dívida pública brasileira, no entanto, já cresceu mais de R$ 3 trilhões de reais, desde o início do atual governo, passando de R$ 7,2 trilhões em 2022 para os atuais R$ 10,4 trilhões, o que representa cerca de 80% a 91% do PIB (Produto Interno Bruto). A inflação voltou a superar o teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. E em meio a tudo isso, Lula tenta administrar as tensões constantes com um Congresso Nacional de perfil conservador e clientelista, onde os bilhões gastos com as “emendas parlamentares” só faz crescer... Encerrando: para quem está buscando um desabafo ou querendo entender o sentimento do brasileiro sobre as dificuldades do país, a famosa moda de viola "A Coisa Tá Feia", de Tião Carreiro e Pardinho resume a situação desta desorganizada república...

Um comentário:

  1. Todo dia estouram fatos os mais escabrosos na administração federal. A oposição não está tendo a sabedoria para tirar proveito. Parte envolvida nos escandalos e a desunião da própria familia que tem um familiar candidato. Denuncias as mais diversas.

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