quarta-feira, 1 de abril de 2026

*O TEMPO E A CARESTIA* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Nos "papos-água" da nossa adolescência, dizíamos que o passar do tempo deveria ser lento para não ficarmos velhos.

Ao mesmo tempo, na ânsia de ser "de maior", desejávamos o contrário.

A curiosidade sobre  filmes proibidos para menores de 18 anos acelerarava nossa ânsia pela rápida passagem do tempo.

"Ficar rapaz", o mais  rápido possivel, para ver Brigitte Bardot nua na tela do cinema.

Hoje, por uma outra razão, somos tomados pelo desejo de que o tempo corra.

Engolidos por uma tal de carestia (que hoje chamamos de inflação), mal chega o dia 20, nosso rico dinheirinho acaba e o mês continua.

Aí, a torcida é grande para que o tempo passe e chegue logo o fim do mês. 

Com "dinheiro novo" na mão, o início de um novo período de agonia.

Acrescente-se ao drama a situação enganosa dos índices inflacionários anunciados.

É na hora da conferência nas gôndolas dos supermercados.

O grande artista e compositor Mário Lago é que mandou essa: "No fim do mês, sobrava um dinheirinho. Agora, no fim do dinheirinho sobram meses”.