Nos "papos-água" da nossa adolescência, dizíamos que o passar do tempo deveria ser lento para não ficarmos velhos.
Ao mesmo tempo, na ânsia de ser "de maior", desejávamos o contrário.
A curiosidade sobre filmes proibidos para menores de 18 anos acelerarava nossa ânsia pela rápida passagem do tempo.
"Ficar rapaz", o mais rápido possivel, para ver Brigitte Bardot nua na tela do cinema.
Hoje, por uma outra razão, somos tomados pelo desejo de que o tempo corra.
Engolidos por uma tal de carestia (que hoje chamamos de inflação), mal chega o dia 20, nosso rico dinheirinho acaba e o mês continua.
Aí, a torcida é grande para que o tempo passe e chegue logo o fim do mês.
Com "dinheiro novo" na mão, o início de um novo período de agonia.
Acrescente-se ao drama a situação enganosa dos índices inflacionários anunciados.
É na hora da conferência nas gôndolas dos supermercados.
O grande artista e compositor Mário Lago é que mandou essa: "No fim do mês, sobrava um dinheirinho. Agora, no fim do dinheirinho sobram meses”.
