sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A melhor de Manoel Favela - Antonio Alves de Morais.

A  melhor de Manoel Favela.

Quando major Bento era delegado do Crato, era expressamente proibido fazer serenata.  

Pego em flagrante quebrava o violão na cabeça do seresteiro e o levava preso.

Uma bela madrugada, Manoel Favela fazia uma serenata com alguns amigos  quando se aproximou o Jeep da polícia. 

Todo mundo correu, só ficou Favela, não aguentava correr de tão bêbado!

O major Bento se aproximou e ordenou:

“Você do violão, me acompanhe”!

Favela! Diga o tom!

O resto, fica por conta dos leitores!

Debalde, quase debalde - Antônio Alves de Morais


A criancinha que ia de banco em banco, estendendo a mãozinha e recebendo acenos  negativos de não. Ela queria desejar paz a cada fiel e não estava pedindo esmola. 

No momento  em que estou vivendo, passa-me pela cabeça essa historinha. Enquanto estudei e vivi entre vocês, sempre, estendia a mão, desatava minha voz, dizia verdades para agrado de uns e desprazeres de outros. 

Como a criancinha, minha mão aberta era um pedido de esmola:  minha voz ativa era  uma blasfêmia. O silêncio era a indignação.

No silêncio de uma igreja era confundida a intenção da pequerrucho, mas num meio em que eu me achava era tudo claro quando falava. Debalde. Quase Debalde.

Sim porque tenho certeza que muitos entenderam minhas palavras, minhas mensagens.

NA MEDIDA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


SE LIGA, BRASIL - Se o futebol brasileiro quiser voltar a ser competitivo, tem que criar sua nova versão dentro do contexto atual. Achar que, sem mais nem menos, vai doutrinar o futebol do resto do Mundo (como em 1970) é delírio. Temos cinco títulos, mas não somos os atuais camoeões do Mundo. Foi-se o tempo em que o futebol do Brasil só perdia para ele mesmo. 

NELSON RODRIGUES - Me perguntam sobre Nelson Rodrigues, a quem costumo citar em minhas crônicas. Na dramaturgia e na crônica, inclusive, esportiva, ele foi um gênio. No seu tempo e no seu texto, o compromisso com o fato inexistia. Nelson oferecia uma versão deliciosa dos acontecimentos, o que alimentava o imaginário popular. O futebol que saia de sua cabeça era fantástico, inigualável. 

JEITO DE JOGAR - Treinador orienta o jogador para guardar posição, como ponteiro, e receber o lançamento nas costas do lateral. O jogador faz o contrário, volta para marcar o lateral e impossibilita a jogada, como o técnico pediu. "Professor, entendi o que o senhor pediu. Mas, meu corpo corre instintivamente para colar no lateral, porque eu faço isso desde garoto, na base". Isto é, quando se trata de fazer algo diferente no futebol, falta tempo para treinamento. Culpa do calendário absurdo. Sem solução. 

NÃO É BEM ASSIM - Quando na Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966, o sistema 4-4-2 se estabeleceu, "determinou-se" a extinção dos ponteiros no futebol. Não engoli essa conversa. No jogo posicional de Guardiola, anos depois, os pontas ficavam abertos para dar amplitude ao ataque. No tempo do Barcelona, Messi, por exemplo, era ponta, pela direita, na maior parte do tempo. Ficar aberto, abrir o campo, continuam sendo atribuições, também, dos alas. Em verdade, os pontas nunca foram extintos, como se proclamou. 

SOCIALISTA - Antônio Alves de Morais.



Individuo preguiçoso e fracassado, que inconformado com os resultados de seus parcos esforços, mas sem nenhuma iniciativa para superar as suas limitações, prefere jogar sobre a sociedade, a culpa do seu próprio fracasso.

Incapaz de admitir seus erros, cultiva a crença de que todos tem alguma divida para com ele, passando então a cobiçar dos outros, tudo aquilo que ele acredita merecer, mas não teve a capacidade de conquistar.

É aquele que  prega a distribuição igualitária da miséria.

Lembrando José André - Antônio Alves de Morais


Está para nascer uma criatura tão humana, caridosa e serva de Deus como José de Pedro  André. Na década de 60 do século passado, Caboclo, pai de uma ninhada de 08 filhos foi a sua casa e queixou-se:  Seu José,  eu vi aqui porque  num verão atravessado desses ninguém paga um dia de serviço, e, os meus meninos estão passando fome.  Vi  pedir um pouco de feijão ao senhor.

José André subiu numa cadeira e retirou da meia parede a última  lata de feijão que restava, despejou 8 quilos num saco e  entregou ao Caboclo. A minha mãe repreendeu: como é que você  tem coragem de fazer uma coisa dessas?  Fiz, dividir com os filhos de Caboclo o que tinha para os meus.

Na madrugada do dia seguinte, um xexéu, num vou rasante, cantava o cântico  que anunciava  a chegada do inverno. Foram três meses seguidos de boas chuvas e a maior safra de feijão da história.

Homem abençoado.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

COMPANHIA DA SAUDADE - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Quando escrevo, me bate uma saudade que chega a incomodar.

Me pergunto como fui sair do Cariri, um lugar ao qual pertenço, embora não tenha nascido lá.

Pergunto pelas cidades e pessoas que não encontro mais e, mesmo assim, insisto no pertencimento.

Os inevitáveis ciclos de vida da gente se fecharam, restando deles apenas o perfume. Toda época tem seus cheiros.

Procuramos nos aquietar no passado, onde tínhamos pouco entendimento das coisas e acreditávamos em quase tudo que nos diziam.

As águas do passado voltam mastigadas pelo tempo e a nossa vida é feita de bons bocados dele.

Em um divã imaginário, pergunto se o presente é tão doloroso assim, para se achar que os tempos passados eram melhores. 

Se não eram, por que nos aprisionam tanto? Seria um exercício nostálgico que nos ajuda a viver?

Escrever essas coisas sobre saudade e passado funciona como um ato de respirar e deixar o espírito leve.

"O passado é um segundo coração que bate dentro de nós". Henry Bataille, francês.

O Herege de Itaperoá - Antônio Alves de Morais.

Itaperoá, cidade paraibana do ilustre escritor e dramaturgo Ariano  Suassuna pra tudo tinha o oficial. Galdêcio era o que se podia considerar o herege oficial.

Ele dizia : Se Deus nosso senhor, me garantir até o fim da minha vida, carne de sol, paçoca, rapadura do cariri, agua de quartinha, uma rede e a sombra de um Juazeiro para eu me espreguiçar debaixo, o ceusinho Dele Ele pode dar para quem Ele quiser.

Manuel Favela - Antonio Alves de Morais.

Manuel Favela chegou num samba, encontrou um amigo  e perguntou : Você pode completar o dinheiro de uma cerveja pra mim?  Na época a cerveja era 1,50.  O camarada perguntou quanto está faltando e o Manuel  lascou : 1,50.

Tinha  três mulheres em pé, escoradas na parede. Manuel  se dirigiu a primeira :  Você me dá o prazer de uma dança comigo?  Eu não danço com homem: Manuel, deu mesmo certo eu também não. 

Convidou a segunda : Não, eu sou noiva. Manuel, eu convidei para dançar, não foi para casar.  

A terceira aceitou.  A mulher tinha uma perna mais curta do que a outra. Saíram dançando igual dois papagaios  andando  em arreia quente.

A mulher tinha um mal hálito condenado, não tinha cristão que resistisse o bafo. Manuel perguntou : Você tem algum problema na boca? A mulher respondeu : Botei uma ponte nova... 

Manuel emendou, pois tenha cuidado que os meninos estão cagando debaixo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Em missão jornalística - Antonio Alves de Morais.

Foto por ocasião da inauguração do açude de Orós, 11.01.1961.

Da esquerda para direita: o jornalista e escritor José de Figueiredo Brito, o juiz Assis leite, Padre Vieira e Pedro Gonçalves de Norões com seu filho, o garoto José Yarley. 

Outro Cratense ilustre que não está na foto, mas foi saudado pelo presidente da republica no ato da inauguração. 

O presidente JK, em cima do palanque, viu no meio da população o Deputado Antonio de Alencar Araripe que era seu adversário politico. 

Gritou ao microfone a todo pulmão : "Deputado Araripe venha para o palanque, o seu lugar é aqui, se não fosse Vossa Excelência essa obra não estava sendo inaugurada".

Fachin cobra transparência e defende “regras de integridade” - Diario do Poder.

 


Presidente do STF afirma que instituições devem se submeter ao escrutínio da imprensa e da sociedade e cita novas regras para magistrados

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (10) que quem cobra transparência também precisa praticá-la. Segundo o magistrado, integridade, transparência e separação dos Poderes são fundamentais para preservar a confiança nas instituições.

“A confiança nasce menos do que se diz e mais do que se faz: de como se age, de como se decide e, sobretudo, de como se responde às crises”, declarou Fachin na abertura do seminário “O Judiciário em Debate: Integridade, Eficiência e Acesso à Justiça”, promovido pela Folha de S.Paulo em parceria com a OAB-SP e com apoio da AASP.

Fachin afirmou que os Poderes exercem controle recíproco e que todos estão sujeitos ao escrutínio da sociedade civil. Para ele, a integridade não se limita ao cumprimento da lei e exige que o interesse coletivo prevaleça sobre conveniências pessoais.

“Uma instituição pode cumprir rigorosamente a legalidade e, ainda assim, falhar do ponto de vista da integridade se permitir que práticas informais, privilégios não declarados ou opacidades administrativas corroam a confiança que lhe foi depositada”, afirmou.

No Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fachin também apresentou uma proposta para prevenir conflitos de interesse na magistratura. O texto prevê regras para participação de magistrados em eventos, recebimento de presentes, atividades privadas e identificação de relações familiares que possam comprometer a isenção.

Foi aberto prazo de 60 dias para que os tribunais apresentem sugestões antes da votação do projeto pelo plenário do CNJ. Caso aprovadas, as regras valerão para magistrados de todo o país, incluindo de tribunais superiores. O STF, porém, não está submetido ao CNJ.

*FUTEBOL NA DIREÇÃO DO POVO* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


Turistas ficavam admirados com as peladas entre garçons (depois do trabalho), às altas horas da noite no Aterro da Gávea, no Rio de Janeiro.

O fato até gerou uma das mais belas crônicas de Nelson Rodrigues sobre as peladas espectrais.

Quantas vezes nos deparamos com operários da construção civil (com roupas do trabalho) envolvidos numa disputada pelada na hora do almoço.

Estes cenários que indicavam o futebol em direção ao povo não existem mais. Pelo menos, nas antigas proporções.

O futebol precisa voltar a caminhar em direção ao povão e por ele ser abraçado.

Mesmo para quem o aprecia, o futebol de hoje tem feito uma trajetória inversa.

Os estádios diminuíram suas capacidades e os preços dos ingressos aumentaram.

Futebol não é (ou não devia ser) um lugar de exclusão. 

Traços biográficos de Agostinho Balmes Odísio - por Armando Lopes Rafael




Nascido em 1881, em Turim, Norte da Itália, Agostinho Odísio formou-se pela Escola de Belas Artes daquela cidade. Na infância, foi aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, mantida por São João Bosco. Uma curiosidade: Agostinho assistiu – com sete anos de idade – ao enterro de Dom Bosco, falecido em 31 de janeiro de 1888. Em 1912, ele esculpiu um busto do Rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão seu. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo. De lá seguiu para Minas Gerais, onde conheceu Dosolina Frateschi (filha de italianos) por quem se apaixonou e casou, decidindo ficar no Brasil.

Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Por acaso, leu na imprensa sobre a morte do Padre Cícero, e, vislumbrando oportunidade de negócios – por conta da religiosidade da cidade – veio para Juazeiro do Norte, onde residiu até 1940. Transferiu-se, em seguida, para a capital cearense, onde veio a falecer, em 1948, deixando para a posteridade diversos trabalhos que imortalizam seu nome, em mais de trinta cidades do Ceará, dentre as quais: Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Missão Velha, Barbalha, Viçosa do Ceará, Acaraú, Sobral, Baturité, Ubajara, Canindé, Bela Cruz, Quixadá, Senador Pompeu, Várzea Alegre, Iguatu, Granja e Guaramiranga.

Não padece dúvida de que, na sua passagem pelo Sul do Ceará, Agostinho Balmes Odísio desempenhou o papel de um civilizador, nesta vasta área do interior nordestino.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

terça-feira, 11 de agosto de 2026

ENTREVISTA DE JOGADOR - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

É comum ouvirmos dos jogadores um relato do que não vimos no jogo. "Jogamos de igual para igual", "não soubemos aproveitar as oportunidades", "tomamos o gol por um descuido". Nada a ver com com os acontecimentos das partidas. E ainda tem aquela: "não falo da atuação do árbitro". Para depois esculachar a arbitragem.

NADA ACONTECEU - Me lembro de ter ouvido:  "ainda vamos organizar o futebol brasileiro em todos os níveis. Não vamos mais exportar jogadores, faremos o inverso". Mais ainda: "A CBF vai cuidar somente da seleção, como acontece em outros países ". Nada disso aconteceu, pelo simples fato de que os clubes nunca assumiram o poder no futebol brasileiro.

LAMENTÁVEL - SAFs de gestões temerárias, no Brasil e fora dele, vem fazendo com que clubes de futebol passem por situações vexatórias.perante jogadores, funcionários, sócios e torcida. O Ferroviário é uma das vítimas do pretendido futebol-empresa. Vale salientar que, independente da natureza jurídica de um clube, se mal gerido, os efeitos serão os mesmos. 

FRASE. "Vale mais no futebol surpreender do que obedecer". Zico.