quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

PARA FICAR RICO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


Sabe aquela onda dos "15 minutos de fama do sujeito" ?

Pois agora, o papo da hora diz respeito à riqueza.

"Todo mundo teve uma  chance na vida para ficar rico". Foi o que li de um articulista.

Como sou um pouco (só um pouco) desligado para dinheiro, se tive essa chance não me lembro

Passei batido.

Se querem saber, acho que isso é conversa de lesado de maconha.

Para colocar o lance no "miudinho", vamos incluir Sócrates (não é o ex-craque) na parada para organizar o movimento.

Dando de ombros para para a possibilidade de ficar milionário: "Ser rico é não desejar mais do que possuimos".

Deu pra sacar?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Monsenhor Montenegro – por José Emerson Monteiro Lacerda (*)

Certo momento eu revi na memória alguns traços do Monsenhor Francisco de Holanda Montenegro, diretor do Colégio Diocesano do Crato, onde estudei por sete anos. Personalidade forte, ele marcou gerações e gerações durante mais de 50 anos de sua administração, nesse que foi um dos destacados educandários do interior cearense no século XX.

Vieram lembranças de duas ocasiões, quando, numa delas, fomos visitar, em Juazeiro do Norte, o Colégio Salesiano e lá conheci Padre Gino Moratelli, um sacerdote próximo ao monsenhor. Nessa visita, presenciamos Padre Gino a demonstrar uma prática de localizar veios de água com a utilização de um gancho de arbusto verde que, pressionado entre pelas duas mãos, se move ao chegar sobre o ponto indicado a cavar e achar um filão de água. Técnica da radiestesia, depois presenciei, em Crato, praticada por Antônio Hélder (Pirita), meu primo, que assim indica poços e cacimbas, tendo realizado esse mister com sucesso em mais de 100 oportunidades. 

Padre Gino, italiano dotado de boa desenvoltura na Língua Portuguesa, nos proporcionou momentos agradáveis a trazer assuntos vários, o que ainda agora permitem reviver a chance daquela hora.
Doutra vez, isto na sacada do Colégio Diocesano, Monsenhor Montenegro me convidaria a estar próximo dele assistindo ao desfile cívico do Sete de Setembro, ao lado do qual também estaria o destacado historiógrafo cearense Gustavo Barroso, de quem leria posteriormente algumas de suas obras. Este momento também marcou bem a minha ligação com Monsenhor Montenegro, sacerdote carismático, verdadeiro apóstolo da educação no Ceará. Filho de Jucás, município do centro do Estado, viera residir em Crato desde a ordenação, aqui desenvolvendo o seu magistério com excepcionalidade no colégio fundado pelo Padre Francisco Pita no princípio do século.

Outras lembranças que guardo dele foram as vezes em que nos avistávamos nas viagens da Rio Negro, nas suas idas a Fortaleza a compor o Conselho Estadual de Educação, após aposentado da Direção do Diocesano. Eis, pois, uma figura exemplar que influenciou quantos vivenciaram o seu empenho em formar a nossa juventude por décadas e décadas.


(*) José Emerson Monteiro Lacerda. Advogado e escritor.

O Tempo - Blog do Sanharol


Dedicado ao Geraldo Maia – “In memória”.

No dia 19 de Abril de 1997, a sociedade cratense se reuniu no Crato Tênis Clube para uma Seresta Baile com o cantor João Dino. Escolhi aquela data como poderia ter sido outra qualquer. A única desvantagem que as outras datas levam, é que esta tem um registro de um vídeo para mostrar a alegria, paz e felicidade das pessoas naquele ambiente saudável e de muita descontração. 

O tempo e sua ação inexorável nos mostram, hoje em dia, o vazio, a ausência deixada por varias daquelas presenças amigas, estimadas e queridas que ali se encontravam.

Num pequeno trecho de dois minutos do vídeo, você, que aqui vive e conhece nossa cidade e nossa gente, poderá ver e identificar essas ausências.

Saudades! Ah, quanta saudade! Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Saudade - Presença e ausência.


Harpa na Viola - Enviado por Paulo Muniz

Muita arte o Show do Luca - Reprise - Vale a pena ver e ouvir.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

VALE A PENA VER DE NOVO - FESTA DOS DESTAQUES - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


AABB - JUAZEIRO DO NORTE - Com meu compadre e amigo José Afonso de Oliveira. 

Acontecimento social pelos anos 1970. José Afonso foi responsável pela ida de Olaria (com Garrincha), Santos (com Pelé), Fluminense (com Rivelino), Corinthians(com Sócrates) e Vasco da Gama a Juazeiro do Norte.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Porto seguro - Postagem do Antonio Morais.


Na despedida, me deixastes fora,

Do barco incerto, em que tu partias,

Em busca de certas alegrias,

Nas águas bravas que singras agora.


Os meus minutos se fizeram horas

E minhas horas se fizeram dias,

E os dias meus são semanas vazias

Bem diferentes daquelas de outrora.


Dizem que teu barco, no convés,

Tens outro comandante aos teus pés,

E já nem sabes se estou vivo ou morto


Mas, se teu barco entrar  em avaria

Atormentando a tua travessia;

Olha que estou ainda aqui no porto.

NA MEDIDA, SÓ LEMBRANDO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


É uma dica. Explicação sobre uma coisa que está ausente dos campos brasileiros: o drible. Adiantando que essa habilidade de manobra é inseparável do futebol como grande arte. O drible resulta de uma sincronia da ginga de corpo com os pés. O driblador é um fingidor. Finge que vai perder ou dar a bola para o adversário e a recolhe no instante certo. Convém lembrar que, distintamente, a finta é o drible de corpo sem a bola. O drible e a finta vêm de um aprendizado ou de uma memória corporal. 

POSICIONAL - O jogo posicional (que não significa engessamento de posições) exige repetição de movimentos, ocupação racional do espaços, força física e mental para execução do planejado. Adicione-se a isso, para o protagonismo, ocupar o campo de ataque, fazer pressão e errar pouco para não ser surpreendido. Para atingir esses objetivos no jogo, é preciso tempo de treinamento. O que, geralmente, é negado aos treinadores. 

DANADO DE RUIM - Está claro que os jogos do estadual cearense se revestem de um baixo nível de qualidade. As razões.… Esqueçam. Os jogadores correm como nunca, lutam muito e erram demais. Apesar dos resultados ruins do Fortaleza, zebra mesmo nem no jogo do bicho.  

FRASE. Como é possível ganhar todos os jogos e desagradar? Ora, basta olhar que times foram enfrente.

Amigos de Deus.



Um dia, uma pequena menina, vestida de branco, levando um ramalhete de flores, passou por um menino que estava brincando em uma rua empoeirada.

Este ao vê-la, jogou-lhe um punhado de terra, sujando todo o seu vestido como o seu sapato. Ela parou por um instante, seu rosto parecia mostrar que ela choraria, mas, em vez disso, ela sorriu e ofereceu uma flor para o menino que estava esperando para ver sua reação. 

Ele ficou, ao mesmo tempo, surpreso e envergonhado porque, em retribuição da sujeira, ele recebeu uma flor. Muitos de nós, da mesma forma, temos experimentado o amor de Deus apesar da indiferença com o que temos tratado. 

Agimos com rebeldia, mentiras, egoísmo, vaidade, e em retribuição temos recebido o amor do Senhor  que continua de braços abertos e pronto para nos abençoar. Como tem sido o nosso testemunho ao receber uma ofensa? Retrucamos de imediato? Pagamos com a mesma moeda? Guardamos um sentimento de vingança para a primeira oportunidade?

Ou como verdadeiros cristãos colocamos tudo no altar do Senhor, pedindo-lhe que perdoe o nosso agressor e preencha o lugar da possível mágoa com um amor que não possa ser retirado?

Melhor do que andar com terra na mão para atirar em nosso próximo é ocupar nossas mãos e o nosso coração com flores que venham a perfumar e embelezar o ambiente por onde passarmos.

Melhor do que chorar pelo desalento do conformismo ou da desesperança  é sorrir pela confiança de que tudo é possível  para Deus e que não há problemas que Ele não possa resolver.

Melhor do que envergonhar o nome do nosso Salvador é deixar que sua luz brilhe em todas as nossas atitudes. Use a terra das ofensas recebidas para plantar flores de vida e salvação nos corações de seus agressores!

Paulo Roberto Barbosa

Banho de sol - Postagem do Antonio Morais.


Abriste a janela, par a par,
Deixando o sol entrar, com ousadia
Puseste a menor roupa que havia,
Que tudo permitia bronzear.

Fechastes os olhos, feliz por fechar...
Te entregando ao sol do meio dia
Que cada vez, cada vez mais ardia
Num iminente orgasmo luminar.

Não pude me conter, enciumado,
E aquele nevoeiro carregado
Pedi que o sol, no céu, encarcerasse

E tu deixastes, que teu banho,
Num desejo ardente, sem tamanho,
Em vez do sol eu mesmo terminasse.

Autor José de Moraes Brito.

CHICO CURTO - Por Xico Bizerra.


Foto Xico Bizerra.

Depois de Garrincha está por aparecer um ponta-direita do porte de Chico Curto, que jogou no Rebelde, do Crato, em meados dos anos 50. 

A sorte do Camisa 7 do Botafogo era que naquele tempo não havia youtube pro povo ver a desgraceira que Chico fazia com seus marcadores. Tão bom era que, coisa incrível naquela época, o Ferroviário, da Capital, foi buscar-lhe no Crato para integrar o time tricolor da RVC. 

Chico Curto chegou a ir, mas nunca se habituou às concentrações e, um belo dia, depois de um exaustivo treinamento e com saudades do Cabaré de Glorinha, pro Crato voltou, para se reintegrar, como crooner, na orquestra que lá tocava. Chico Curto também cantava. 

Nunca foi um Orlando Silva, não chegou a ser um Garrincha, mas viveu arrodeado de putas, bebendo cachaça da boa e cantando boleros. 

O mundo perdeu um craque. O mundo não ganhou um artista. O Crato viu um homem feliz.

Quem quer ser membro do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados? - Por Ricardo Noblat


Quem aspira presidir o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados? Quem gostaria de ser apenas um dos membros do Conselho?

Aspirantes a presidente não passam de dois ou três se tanto. Simples membro do Conselho, ninguém gostaria de ser.

Não se trata de vaidade. Do tipo: só aceito fazer parte do Conselho na condição de presidente. Não.

São 513 os deputados federais. A quase totalidade deles prefere passar longe das cadeiras reservadas aos 21 conselheiros titulares e 21 suplentes. Por quê?

Cabe ao Conselho zelar pelo comportamento ético dos deputados. E a ele cabe punir com a cassação de mandato os que cometerem crimes graves.

O corporativismo na Câmara é grande. No Senado, idem.

De resto, o que um deputado faz para ser cassado é o mesmo que o outro também costuma fazer. Com uma única diferença: alguns poucos são descobertos e processados. Dos processados, raros os que perdem o mandato.

É uma dor de cabeça julgar os colegas. E não deixa de ser arriscado. Quem hoje julga, amanhã poderá ser julgado. E aí...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Pedrinho Sanharol.


Luiz Inacio, o conhecido Boca de Fogo.

No final do ano de 1944, acontecia os horrores da segunda guerra mundial, comandada pelo ditador Adolf Hitler.

As notícias chagavam em Várzea Alegre atrasadas e destorcidas. Atrasadas porque o sinal da Rádio Globo chegava a passar vários dias sem alcançar a nossa cidade.

Destorcidas porque os nossos conterrâneos que tinha o acesso eram os senhores Fábio Pimpim e Hamilton Correia, dois torcedores ferrênios do regime nazista.

Quando as notícias dos Holocaustos chegavam ao sítio serrote, Luís Inácio ( Boca de Fogo ), dizia:

Eu acho é pouco. Pruque num levaro ome pra lá? No dia qui o tenente chegou aqui cum o caminhão, pra levar o povo, eu quís ir, mais ele num quis me levar, levou foi o Bêbo Ontõe Goberto.

Em abril de 1945 o ditador já bastante debilitado da saúde, teve o seu Bunker em Berlim bombardeado pelos países aliados. Esse fato contribuiu para o seu suposto suicídio no dia 07 de maio de 1945. 

Com aquela grande baixa, a Alemanha afrouxou e com a sua rendição a guerra chegou ao seu final.

Voltando para Várzea Alegre vejamos as repercussões.

Antônio Bitu foi a cidade fazer umas compras e soube da notícia que a guerra havia acabado. Naquele momento ele viu a alegria do povo e teve a informação que os dois nazista de província estavam escondidos. Chegando de volta no Sítio serrote, encontrou Boca de Fogo afiando uma foice.

Bitu na sua empolgação gritou:

Ei Luís, a guerra acabou-se !

Luís respondeu em cima da bucha:

Ou trabái Pirdido !

Qual?

Esse meu aqui. Apois eu tava amolando essa foice era pra cortar o pescoço de HITLER.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

5,1% ou 16,6%? O desemprego que o Brasil não quer enxergar - Por David Gertner.

 


O que fica fora da conta oficial e por que isso distorce o debate econômico.

O Brasil vive hoje um paradoxo estatístico. De um lado, o governo comemora uma taxa de desemprego de 5,1%, apresentada como prova inequívoca de sucesso econômico. De outro, a percepção social dominante é a de que o trabalho falta, os empregos são precários e milhões sobrevivem de bicos, auxílios ou desistiram simplesmente de procurar.

A pergunta incômoda é inevitável: o desemprego no Brasil é mesmo de 5,1% — ou estamos diante de uma taxa real próxima de 16,6%?

A diferença entre esses números não é retórica. É metodológica. E, sobretudo, política.

A taxa de desemprego divulgada pelo governo não é calculada sobre a população total, mas apenas sobre a chamada força de trabalho, que inclui exclusivamente duas categorias: pessoas ocupadas e pessoas que procuraram emprego ativamente nas últimas semanas. Quem não se encaixa nesses critérios simplesmente desaparece da estatística.

Hoje, os números aproximados são: cerca de 103 milhões de ocupados, cerca de 5,5 milhões de desocupados oficiais e uma força de trabalho de aproximadamente 108,5 milhões. Com esses dados, chega-se ao índice amplamente divulgado de 5,1% de desemprego.

Tecnicamente correto. Socialmente enganoso.

Ficam fora dessa conta cerca de 15 milhões de brasileiros classificados como subutilizados, desalentados ou inseridos em ocupações precárias, informais ou intermitentes. São pessoas que não têm trabalho estável, não contam com renda digna e dependem, muitas vezes, de auxílios governamentais ou bicos ocasionais para sobreviver. Ainda assim, não entram na estatística do desemprego. Na prática, são tratados como se o problema não existisse.

Se esses 15 milhões fossem considerados desempregados de fato, o cálculo mudaria radicalmente. Os desocupados reais saltariam para cerca de 20,5 milhões e a força de trabalho para aproximadamente 123,5 milhões. Ao aplicar a fórmula padrão, o resultado é claro: a taxa de desemprego subiria para algo em torno de 16,6%.

É importante deixar claro que este exercício não propõe substituir a taxa oficial, mas sim evidenciar o quanto a metodologia vigente subestima a dimensão real da exclusão do mercado de trabalho no Brasil.

Quando comparado a países de renda média semelhante, o contraste torna-se ainda mais evidente. Em economias como México ou Chile, a diferença entre desemprego oficial e subutilização tende a ser significativamente menor do que no Brasil, indicando mercados de trabalho menos excludentes e com maior capacidade de absorção produtiva. Aqui, o desemprego “cai” muitas vezes porque as pessoas saem da estatística, não porque entram no mercado formal.

O debate se torna ainda mais delicado diante de denúncias internas de funcionários do IBGE, outrora uma das instituições técnicas mais respeitadas do país. Relatos apontam para pressões políticas, mudanças metodológicas oportunistas e uma ênfase seletiva nos indicadores mais favoráveis ao governo. Nada disso invalida automaticamente os dados, mas corrói a confiança pública. Estatística oficial não pode servir para propaganda. Seu papel é iluminar a realidade — não maquiá-la.

O problema central não é técnico. É ético. Ao excluir milhões da conta, o governo pode comemorar números, mas não enfrenta o drama de quem trabalha sem direitos, vive de renda instável ou simplesmente perdeu a esperança de ser absorvido pelo mercado formal.

A taxa de 5,1% pode ser verdadeira dentro de um recorte específico. Mas a taxa de 16,6% está muito mais próxima da vida real brasileira. Ignorar isso não melhora a economia. Apenas melhora o discurso — e aprofunda a distância entre os números oficiais e a experiência cotidiana da população.