segunda-feira, 28 de setembro de 2026

OUTROS TOQUES - Wilton Bezerra, comentarista generalista. •

 

O QUE SE VÊ - Tática nenhuma, precária técnica, marcação bem atrás, chutões pra frente, substituindo os lançamentos. Como se não bastasse, o levantamento excessivo de bolas na área adversária para queimar etapas. Triste. E tem quem normalize tudo isso, por achar que somente o resultado importa. É do ex-treinador Murici a afirmação, em defesa do resultadismo: "Quem quiser ver espetáculo vá para o teatro". Interessante. De atividade física, o futebol transformou-se em teatro social. 

• HAJA DOR - Pelo que sei, é preciso reconhecer a dor crônica como prioridade de saúde publica. Ampliar acesso a centros especializados, investir em educação médica e campanhas de conscientização sobre a complexidade do problema. Estima-se que 30% da população brasileira conviva com dor crônica. A dor intensa aumenta o risco de depressão. 


• O MAIOR DE TODOS - Entre janeiro de 1962 e dezembro de 1963, Pelé disputou dez torneios diferentes, por Santos e seleção brasileira. Ganhou nove: uma Copa do Mundo, duas Libertadores, dois Mundiais de Clubes, dois Campeonatos Brasileiros, um Campeonato Paulista e um Torneio Rio-São Paulo. Faltou só o Estadual de 1963. Pelé jogou 79 partidas oficiais e anotou 106 gols. Com amistosos, foram 172 gols em 124 jogos. Até 1966, manteve uma média superior a um gol por partida. Incomparável! 

• NO BRASIL DE HOJE - Para lidar com o Brasil de hoje, temos que nos habituar com o "Vixe!" em cima do "Eita !", 24 horas por dia, inclusive, fins de semana. 

• FRASE - Os escândalos se sucedem no Brasil e os envolvidos sequer ruborizam.

Orgulho, vaidade e prepotência de mãos dadas - Antonio Alves de Morais.

Quando Jorge W. Bush visitou o Brasil foi difícil, quase impossível fazer a medição e avaliar qual dos dois presidentes era o mais arrogante e prepotente, Bush ou Lula.

Os dois se igualavam na vaidade, no orgulho, e, no "contar vantagens e cagar goma". 

Na despedida rabisquei estas sextilhas bem humoradas, atribuindo ao dialogo final da visita do americano ao Brasil :

Lula.

Bush veio ao Brasil,

Para ver se aprendia:

Nem canta como cantava,

Nem sabe como sabia....

Perdeu todo seu requinte

Adeus, "insigne partinte".

Bush.

Lula, tua aresia

Deixou-me mal satisfeito:

Sei mais do que já sabia,

Tenho mais força no peito,

Deixas de ser tão pedante:

Adeus, "insigne ficante".

domingo, 27 de setembro de 2026

Musica mais bonita - Antonio Alves de Morais.

Quem enviou esta foi o Raimundo Nonato Rodrigues, Auditor Fiscal da Secretaria Estadual da Fazenda na Paraíba. Raimundo foi meu colega no Colégio Estadual no turno da tarde nos anos de 1969 e 1970. Veja:

"Nem a sanfona do Gonzaga
Nem o acordeon do Noca
Toca musica mais bonita
Daquela que a cama toca".

Poeta José Laurentino.

sábado, 26 de setembro de 2026

Memória do passado - Antônio Alves de Morais


Olira de Antônio Belo, vestindo um modelito idealizado por Dona Balbina Diniz. Festa de São Raimundo, inicio anos 40 do século passado.

Em 1932, o nordeste brasileiro se abateu com a maior seca do século passado. O governo criou "campos de concentração" em algumas localidades do estado, entre as quais Crato e Senador Pompeu. Abriu frentes de serviço para construção  de açudes e barragens.

O Estreito, hoje Lima Campos. foi a obra que reuniu o maior contingente de retirantes da região sul do estado. 
Antônio Belo, deixou a Serra do Kinkunkar, no Quixará, deslocando-se para o Estreito com toda família. Viagem peregrina, penosa, a pé.
Terminada a construção da barragem, e aproximando-se um novo inverno, Antônio Belo tratou de retornar ao Kinkunkar. 
Quando passava pelo Sanharol, se arranchou na casa de João do Sapo, conhecido das idas e vindas com as boiadas para Fazenda Pitombeira. Reclamava do tempo, não havia disponibilidade para preparar as terras  para um novo plantio.

João do Sapo acabara de se mudar com  a família para o chalé construído pelos mestres Joaquim Piau e Antônio de Sousa, o solar Luiz Menezes. Portanto a casa desocupada estava disponível. 
Antônio Belo e família ocuparam a casa cujas "cajaraneiras" ainda existem como testemunhas, no exato local onde fica, hoje em dia, a residência do Dr. Menezes Filho.
Entre os filhos de Antônio Belo ouvir falar muito do Júlio e Olira, foto acima. Viveram no Sanharol por muitos anos. Fizeram grandes amizades. Retornaram para Farias Brito onde voltaram a viver no seio familiar.

Pela foto concluiu-se fartamente que não era apenas o velho Antônio que era belo, Olira também era. De 1935 a 1942, Olira foi a babá do meu amigo Raimundo Menezes. 
Que não deixemos a história  do Sanharol cair no garrafão da vala perversa e profunda do esquecimento.

MISTURAÇÃO - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


• DESCARREGO - O STF é uma casa cheia de ódio, vaidade e inveja. Nele, não tem "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos tem ofendido". É preciso tirar o ódio do coração dos seus integrantes e encontrar salvação para as vítimas de suas decisões. Não seria má ideia uma lavagem no Supremo, seguida de um descarrego ao som de atabaques. Abrir os caminhos para Exu e pedir paz para Oxalá. 

• METÁFORA - Botei na cabeça que o futebol nos ensina muito sobre a condição humana. Uma metáfora da vida. Afinal, tudo que está em jogo mexe com a alma humana. Talvez, esteja exagerando, quando vejo, no excesso de ideias defensivas do futebol, uma sociedade amedrontada e confinada em que vivemos. Ou é apenas uma abstração? 

• BENGALA - Para os que estão necessitando do uso da bengala, eis um verso do poeta repentista Pinto do Monteiro: “Eu ando com uma bengala / Com ela escoro a perna / Pra não cair em buraco / Nem desabar em caverna / Sou o dono da bengala / Mas ela é quem me governa.

• A FRASE - O problema do Mundo é que ninguém fecha a porta para o dinheiro, não importando sua origem.


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

‘Fala, meu amor’: Mensagens revelam intimidade entre ex-banqueiro Vorcaro e Alcolumbre - Diário do Poder.

 

Veja prints.

Presidente do Senado chamou Vorcaro de 'irmão' e recebeu do banqueiro a promessa de estar 'a qualquer tempo pra qualquer coisa'.

A relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o dono do já liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, aparece marcada por declarações de amizade e proximidade em mensagens apreendidas pela Polícia Federal.

Em uma das conversas, enviada em 1º de fevereiro de 2025, data da eleição de Alcolumbre para a Presidência do Senado, Vorcaro parabenizou o parlamentar pela vitória e desejou sucesso no novo mandato.

“Parabéns meu amigo. Que venham seus melhores anos! Que Deus te abençoe nessa empreitada. Desejo muito sucesso”, escreveu o banqueiro.

A resposta de Alcolumbre foi igualmente pessoal: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão!”.

Cerca de dois meses depois, em 30 de março, outra conversa reforçou o tom de intimidade entre os dois. Segundo a publicação, Alcolumbre escreveu a Vorcaro: “Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”.

Vorcaro respondeu à mensagem com emojis de coração e afirmou: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.

1972, eleição municipal do Crato - Antonio Alves de Morais.

Foto de Luiz Lua Gonzaga, ladeado por Luiz Gavião e José Landim em solenidade com o Coral  da Faculdade de Filosofia do Crato.

Na campanha para prefeito de 1972, em Crato, cujo embate teve como concorrentes o Dr. Humberto Macário de Brito e o Professor Pedro Felicito Cavalcante, o José Jucá Landim fez essa letra que adaptada a musica da Marchinha de Carnaval Maria Escandalosa cantada por Luiz Gonzaga Feitosa, Luiz Gavião serviu de campanha para seu Pedro:

-

O Crato já foi modelo

A todo mundo causava admiração

Seu Pedro com muito zelo

Na prefeitura deu shol de organização.

Mas o Doutor lhe sucedeu

A renda desapareceu

Calçamento esburacado

Sandu fechado

Povo sem água

Meia dúzia enriqueceu.

-

Hoje com Walter Peixoto

Seu Pedro volta a chefia

E quando assumir o posto

Tome chave na economia.

A música alavancou campanha vitoriosa de seu Pedro Felicio.

José Jucá Landim e Luiz Gonzaga Feitosa, Luis Gavião. Autores desta memorável paródia. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Na medida - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


• O PÊNALTI -O pênalti pertence ao futebol, mas não é o futebol. Quando acontece uma vez no jogo, vá lá. Quando em decisões de torneios, é uma paralisação do jogo. Cinco pênaltis batidos alternados e em seguida, um horror. O cobrador de pênalti nem precisa ser o melhor jogador do time. 

• ESPETÁCULO RARO - Tenho a sensação de que já foi assim. O clássico era um espetáculo raro, aguardado ansiosamente, por dias. De carro, vou passando por bares e restaurantes. Vejo os aparelhos de TV ligados nos clássicos (as rodadas são cheias deles) e a atenção quase zero para as partidas, os duelos. É como se as telas fizessem apenas parte do cenário dos locais. Seria porque o clássico é um acontecimento localizado na sua região? Ou essa banalização se dá pelo excesso de oferta do futebol, quando não se sabe ao certo por qual competição seu time está jogando? Sei lá. Pode ser apenas uma sensação de nossa parte. 

• BUSCA - Sabem aquele desejo que todo time tem de contar com um meia de ligação que pense por todo o grupo? Em primeiro lugar, convenhamos, não seria exagero querer que um só jogador pense pela equipe toda? Mas, a ideia é do antigo meia clássico, de preciosos passes e lançamentos longos. Para esse, o futebol de velocidade dificultou a vida. O que deve ser buscado (e formado) é o organizador de jogadas entre linhas, seja qual for o esquema.

• SUPERSTIÇÃO E ESTATÍSTICA - Há quem considere fundamentos sérios e coloque nas estatísticas a crendice. Exemplos. "Tal equipe não perde em meio de semana" ou “não ganha em sol escaldante". Mais ainda: "Vence mais com o uniforme tradicional ou sempre empata na estreia". Tem pra todo gosto e números. 

• A FRASE: Juazeiro é uma cidade onde os tempos se misturam. Quando retorno de lá, ouço uma vozinha: "Volte logo, sua casa é aqui". 


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A ingratidão é o preço do favor não merecido - Antonio Alves de Morais.

 

Tomo a liberdade de expor minha opinião referente a eleição do próximo mês de Outubro por duas razões:

01 - Não voto mais, a minha idade já me concede o direito de escolher não fazê-lo. Portanto, não tenho preferência por candidato algum. 

02 - A minha opinião é só minha, e, como democrata que sou, para defendê-la começo por respeitar a opinião alheia. E a minha opinião não é para mudar qualquer outra que exista,

Todo Varzealegrense com mais de trinta anos viu dezenas de carroças com tração animal conduzindo tambores com água vendendo de porta em porta. 

Todo aquele com mais de trinta anos conhece a história e sabe o quanto foi difícil a construção do açude do sitio São Vicente que hoje abastece a cidade.

Sabe também que foi a determinação do então governador Ciro Gomes que derrubando "mandados de segurança" para impedir a construção do açude em tudo que foi Tribunal Federal quem conseguiu, por fim construir a obra.

Hoje tudo que é liderança, das maiores as menores, com mandatos ou sem, deram as costas ao atual candidato Ciro Gomes. Todos por interesses nem tão republicanos.

"A ingratidão é o preço do favor não merecido". 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Lembrando Nertan Macedo – por Armando Lopes Rafael


 


  

     Nasceu em Crato a 20 de maio de 1929. Era irmão de José Denizard Macedo de Alcântara. Dentre os jornalistas, historiadores, poetas e escritores nascidos no Crato, Nertan foi um dos maiores. Deixou sua cidade natal, ainda jovem e fixou-se em Recife (PE), onde foi redator dos jornais “Diário de Pernambuco” e “Jornal do Commercio”. Da capital pernambucana seguiu para o Rio de Janeiro. Nesta última cidade, trabalhou em três jornais da então capital brasileira: “O Jornal”, “Tribuna da Imprensa” e “Jornal do Commercio”, do Rio.

   O escritor Raimundo de Oliveira Borges, escrevendo sobre Nertan Macedo, disse: “Era um enamorado impenitente do sertão, que nunca esqueceu, das suas paisagens, dos seus homens bravos, das mulheres bonitas, dos verdes canaviais do seu Cariri, da silhueta azul da Chapada do Araripe, das fontes cantantes que irrompiam e ainda irrompem graças a Deus do seu seio inesgotável, da Praça da Sé das suas peraltagens de menino, do seu Crato antigo, hospitaleiro e bom”.

    Nertan Macedo escreveu 27 livros, dentre eles: “Caderno de Poesia” (1949); “Aspectos do Congresso Brasileiro” (1956); “Cancioneiro de Lampião” (1959); “Rosário, Rifle e Punhal” (1960); “O Padre e a Beata” (1961); “Capitão Virgulino Ferreira Lampião” (1962); “Memorial de Vilanova” (1964); “O Clã dos Inhamuns” (1965);   “O Bacamarte dos Mourões” (1966); “Agreste Mata e Sertão”; “Da Provence ao Capibaribe”; “O Clã de Santa Quitéria” (1967); “Dois Poetas Pernambucanos” (1967);  “Floro Bartolomeu–O Caudilho dos Beatos e Cangaceiros”; “Antônio Conselheiro” (1969); “Cinco Históricas Sangrentas de Lampião e Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião” 2 volumes (1970);   “Sinhô Pereira - O comandante de Lampião” (1975).

        Pertenceu ao Instituto Cultural do Cariri (ocupava a cadeira nº 17, cujo patrono é João Brígido) e a Academia Cearense de Letras. Nertan Macedo faleceu aos 60 anos, em 30 de agosto de 1989.


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Dobra número de pessoas em sitação de rua no governo Lula: agora são quase 400 mil - Diário do Poder.

Se as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma cidade, ela já seria maior do que as capitais Vitória (ES), Palmas (TO) ou Rio Branco (AC). 

Em junho de 2026, o Cadastro Único registrava 392,4 mil pessoas nessa condição. Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil. Em pouco mais de três anos e meio do governo Lula (PT), quase dobrou a legião de miseráveis nas ruas. 

Desde 2015, quando o CadÚnico apontava 52,4 mil, salto de 597%, enquanto a população brasileira crescia 0,4% ao ano.

Subiu em flecha

Desde janeiro de 2023, o ritmo médio de moradores de rua subiu para 4,6 mil por mês. Entre 2019 e 2022, a média foi de 2 mil ao mês.

Lorota oficial

O governo atribui a alta à “melhoria do cadastramento”, mas se fosse só subnotificação, a curva se estabilizaria depois da correção. Mas cresceu.

Conta de diminuir

Censos municipais acham menos gente nas ruas do que o CadÚnico. No Rio, a prefeitura contou 8.195 em 2024; o cadastro federal, 23 mil.

Só vê quem quer

Em São Paulo, o censo de 2021 falava em 31,9 mil famílias em situação de rua, mas, no CadÚnico, passou dos 104 mil. 

domingo, 20 de setembro de 2026

Quem fundou Juazeiro do Norte? – por Armando Lopes Rafael


Brasão da família Bezerra de Menezes 


       Alguns autores insistem, erroneamente, em atribuir ao Padre Cícero Romão Batista a fundação de Juazeiro do Norte.  Pelas  informações  abaixo  concluímos  que  foi  o  Brigadeiro  Leandro Bezerra Monteiro,  outro cratense,      o verdadeiro fundador do núcleo primitivo, origem da atual Juazeiro do Norte, incluída hoje entre as 100 maiores  cidades do Brasil.      Podemos afirmar, com toda segurança, que Juazeiro do Norte – hoje conhecido no Brasil e  no exterior, graças à figura do Padre Cícero Romão Batista – teve seu início como fruto da devoção à Nossa Senhora das Dores. Pois, a exemplo da maioria das cidades brasileiras de antanho, Juazeiro do Norte também nasceu em torno de um templo católico. A escritora e historiadora Amália Xavier de Oliveira, na plaquete “Conheça o Cariri”, assim descreveu os primórdios desta cidade:

"Os terrenos onde foi fundada a grande cidade que é hoje Juazeiro do Norte pertenciam a um cidadão chamado Leandro Bezerra Monteiro, militante do Exército Nacional, no qual tinha o posto de Brigadeiro. Estes terrenos constituíam uma imensa planície coberta de pastagens férteis e abundantes. Árvores de grande porte formavam densas matas. O proprietário, o Brigadeiro, era possuidor de muitas terras na região; residia no sítio Moquém, perto de Crato, onde tinha um engenho de fabricar rapadura. Para fazer sua criação de gado, escolheu os terrenos que iam em direção da Serra de São Pedro, hoje Caririaçu".

"Havia, naquela planície, uma ligeira elevação do terreno perto da serra Catolé, às margens do Rio Salgadinho. Ali, o Brigadeiro construiu a casa da fazenda, que recebeu o nome de Tabuleiro Grande. Ao redor da Casa Grande da fazenda, os escravos foram construindo suas casas; vizinho a casa, construiu um aviamento para fabricação de farinha de mandioca, de que havia grande cultura nos tabuleiros. Entre as árvores que circundavam o aglomerado de casas dos escravos, havia 3 juazeiros frondosos, de copas quase unidas, formando uma sombra acolhedora. Ali, os transeuntes que viajavam de Missão Velha, Barbalha, São Pedro, indo para a feira do Crato procuravam abrigar-se. E combinavam: “Vamos botar abaixo (tirar as cargas para repouso) lá nos juazeiros”. Daí a corruptela: vamos descansar no Juazeiro”.

(Amália Xavier de Oliveira, na “plaquete” acima mencionada).

Juazeiro do Norte vai comemorar os 200 anos de construção da capelinha de Nossa Senhora das Dores – por Armando Rafael

 


Comemorações serão encerradas no dia 15 de setembro de 2027


        O surgimento da Vila do “Joaseiro” deveu-se à devoção a Nossa Senhora das Dores. No início do século XIX, no local onde hoje se espalha essa imensa cidade, existia a fazenda Tabuleiro Grande, uma das várias propriedades pertencentes ao  Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro,  patriarca da família Bezerra de Menezes, ramo do Cariri. Naquela propriedade,    o Brigadeiro Leandro edificou uma Casa Grande e construiu outras residências pequenas, estas destinadas aos escravos negros e empregados da fazenda. Em 1827, Leandro Bezerra Monteiro resolveu construir uma capelinha    que tinha por orago a Virgem Maria, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores. 

     Era esta a invocação mariana predileta do Brigadeiro. A historiadora Amália Xavier de Oliveira esclarece – no livro “O Padre Cícero que eu conheci”, edição de 1981, páginas 33-35 – o motivo principal da construção dessa capela. Recém ordenado sacerdote, o Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, resolveu fixar-se na fazenda Tabuleiro Grande. Este padre era neto do Brigadeiro, porquanto filho da primogênita deste, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade. Construída a capelinha, o Pe. Pedro passou a celebrar diariamente a Santa Missa, sem necessidade de deslocar-se até Crato, Barbalha ou Missão Velha, para tanto. 

     A imagenzinha da Mãe das Dores da capelinha da fazenda Tabuleiro Grande foi mandada comprar em Portugal pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Esta estatueta encontra-se, ainda hoje, em perfeito estado de conservação, na atual Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.  Na capelinha, a primitiva imagem de Nossa Senhora das Dores foi venerada por cerca de 60 anos.

    O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro era um dos maiores proprietários rurais do Cariri. Católico convicto, respeitado pela sua integridade moral, ele é o Patriarca da família Bezerra de Menezes, ramo do Cariri cearense. Leandro nasceu em 5 de dezembro de 1740, no sítio Moquém, município de Crato. Ocupou, no posto de Tenente-Coronel, o cargo de Comandante do Regimento da Cavalaria de Milicias de Crato.  Deve-se a ele a derrota do movimento republicano conhecido por “Revolução Pernambucana de 1817”, que chegou à cidade de Crato. Por conta dessa sua ação, em defesa da monarquia, Leandro Bezerra Monteiro foi agraciado, por ato do Imperador Dom Pedro I, em 1825, com o título de Brigadeiro (o primeiro concedido no Brasil). “Brigadeiro” correspondia, à época, à patente de general do Exército brasileiro.