domingo, 20 de setembro de 2026

Quem fundou Juazeiro do Norte? – por Armando Lopes Rafael


Brasão da família Bezerra de Menezes 

         Deve-se ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro a iniciativa da primeira urbanização do que seria o futuro “Joaseiro”. Este resultou em vila ,depois de ser apenas a fazenda Tabuleiro Grande.  A nova capelinha foi  dedicada a Nossa Senhoea das Dores. E a  vila do Joaseiro  decorreu da construção  da Casa Grande, da capelinha e das humildes residências para os escravos. Tudo construidos pelo Brigadeiro Leandro, que é  – de fato e de direito – o fundador da cidade de Juazeiro do Norte.  A  propósito, a historiadora Amália Xavier de Oliveira escreveu numa “plaquete” denominada "Conheça o Cariri"   a seguinte  a anotação abaixo: 

"Os terrenos onde foi fundada a grande cidade que é hoje Juazeiro do Norte pertenciam a um cidadão chamado Leandro Bezerra Monteiro, militante do Exército Nacional, no qual tinha o posto de Brigadeiro. Estes terrenos constituíam uma imensa planície coberta de pastagens férteis e abundantes. Árvores de grande porte formavam densas matas. O proprietário, o Brigadeiro, era possuidor de muitas terras na região; residia no sítio Moquém, perto de Crato, onde tinha um engenho de fabricar rapadura. Para fazer sua criação de gado, escolheu os terrenos que iam em direção da Serra de São Pedro, hoje Caririaçu".

"Havia, naquela planície, uma ligeira elevação do terreno perto da serra Catolé, às margens do Rio Salgadinho. Ali, o Brigadeiro construiu a casa da fazenda, que recebeu o nome de Tabuleiro Grande. Ao redor da Casa Grande da fazenda, os escravos foram construindo suas casas; vizinho a casa, construiu um aviamento para fabricação de farinha de mandioca, de que havia grande cultura nos tabuleiros. Entre as árvores que circundavam o aglomerado de casas dos escravos, havia 3 juazeiros frondosos, de copas quase unidas, formando uma sombra acolhedora. Ali, os transeuntes que viajavam de Missão Velha, Barbalha, São Pedro, indo para a feira do Crato procuravam abrigar-se. E combinavam: “Vamos botar abaixo (tirar as cargas para repouso) lá nos juazeiros”. Daí a corruptela: vamos descansar no Juazeiro”.

(Amália Xavier de Oliveira, na “plaquete” acima mencionada).


 


Juazeiro do Norte vai comemorar os 200 anos de construção da capelinha de Nossa Senhora das Dores – por Armando Rafael

 


Comemorações serão encerradas no dia 15 de setembro de 2027


        O surgimento da Vila do “Joaseiro” deveu-se à devoção a Nossa Senhora das Dores. No início do século XIX, no local onde hoje se espalha essa imensa cidade, existia a fazenda Tabuleiro Grande, uma das várias propriedades pertencentes ao  Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro,  patriarca da família Bezerra de Menezes, ramo do Cariri. Naquela propriedade,    o Brigadeiro Leandro edificou uma Casa Grande e construiu outras residências pequenas, estas destinadas aos escravos negros e empregados da fazenda. Em 1827, Leandro Bezerra Monteiro resolveu construir uma capelinha    que tinha por orago a Virgem Maria, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores. 

     Era esta a invocação mariana predileta do Brigadeiro. A historiadora Amália Xavier de Oliveira esclarece – no livro “O Padre Cícero que eu conheci”, edição de 1981, páginas 33-35 – o motivo principal da construção dessa capela. Recém ordenado sacerdote, o Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, resolveu fixar-se na fazenda Tabuleiro Grande. Este padre era neto do Brigadeiro, porquanto filho da primogênita deste, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade. Construída a capelinha, o Pe. Pedro passou a celebrar diariamente a Santa Missa, sem necessidade de deslocar-se até Crato, Barbalha ou Missão Velha, para tanto. 

     A imagenzinha da Mãe das Dores da capelinha da fazenda Tabuleiro Grande foi mandada comprar em Portugal pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Esta estatueta encontra-se, ainda hoje, em perfeito estado de conservação, na atual Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte.  Na capelinha, a primitiva imagem de Nossa Senhora das Dores foi venerada por cerca de 60 anos.

    O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro era um dos maiores proprietários rurais do Cariri. Católico convicto, respeitado pela sua integridade moral, ele é o Patriarca da família Bezerra de Menezes, ramo do Cariri cearense. Leandro nasceu em 5 de dezembro de 1740, no sítio Moquém, município de Crato. Ocupou, no posto de Tenente-Coronel, o cargo de Comandante do Regimento da Cavalaria de Milicias de Crato.  Deve-se a ele a derrota do movimento republicano conhecido por “Revolução Pernambucana de 1817”, que chegou à cidade de Crato. Por conta dessa sua ação, em defesa da monarquia, Leandro Bezerra Monteiro foi agraciado, por ato do Imperador Dom Pedro I, em 1825, com o título de Brigadeiro (o primeiro concedido no Brasil). “Brigadeiro” correspondia, à época, à patente de general do Exército brasileiro.


sábado, 19 de setembro de 2026

Saudando Antônio Morais -- por Armando Lopes Rafael

Crato, o segundo berço de Morais

(Palavras proferidas em 18 de setembro de 2026 no Instituto Cultural do Cariri, em Crato-CE)

   Antônio Alves de Morais está chegando, nesta noite, ao Instituto Cultural do Cariri como “Sócio Honorário” desta instituição. Fui convidado para apresentar-lhe as boas-vindas em nome do nosso Instituto.  Convivo, já há muito tempo, com Morais. Posso dizer que o conheço razoavelmente. Aqui no ICC admiramos seu jeito discreto e o seu senso de humor. Todos nós temos por ele afeto e respeito. Mas gostaria, de iniciar minha saudação, mencionando um fato pungente que sobrevive no coração deste novo confrade. 

   E o faço, como uma singela homenagem a dona Nair, amor único e por longo tempo de Morais, recentemente falecida. Dou o meu testemunho:  para Nair, Morais foi mais do que um marido. Foi um amigo, na verdadeira acepção do termo. Diz a sabedoria árabe que “as dores passadas devem ser vividas com parcimônia”. Por isso faço esta breve menção. Pois sabemos que Morais ainda está vivenciando este momento de futuro do pretérito. E sabemos todos que o silêncio, às vezes, diz tudo o que não precisa ser repetido...

   Dito isto, permitam-me lembrar algumas atividades literárias de Antônio Alves de Morais. O que são atividades literárias? São produções, interpretações, criações, divulgações e publicações de textos; são encontros ou ações práticas ligadas à leitura. Como se vê, é muito amplo o conceito de “atividade literária”. E Antônio Morais se enquadra perfeitamente nesse conceito.

      Ele já escreveu e publicou dois livros; é autor de vários trabalhos nos quais abordou temas diversos como a genealogia, biografias, crônicas e contos. É vasta, pois, a miscelânia literária de Morais. Ele criou e mantém dois blogs na Internet. São dois blogs muito acessados: o “Blog do Sanharol” e o blog “O Crato de Outrora”.   Morais também já é membro honorário da Academia de Letras Juvenal Galeno, de Fortaleza. É uma presença constante nos meios de comunicação social, pois escreve assiduamente, deixando a pena produzir seus escritos   de forma sincera, objetiva e coerente com o seu modo de pensar.

   Antônio Morais, o profissional

    Ademais, nas suas atividades profissionais – quando gerenciou agências bancárias de importantes instituições financeiras – Morais deixou um legado de respeito, competência e firmou laços de amizade com a comunidade cratense.  Ele dirigiu, em dois períodos, o Lions Clube Crato Centro; foi Assessor do Governo do Estado do Ceará, na gestão do nosso confrade Dr. Lúcio Alcântara. Não seria ocioso relembrar que Morais é um exemplo de cidadão e chefe-de-família...  

  Antônio Morais, sinônimo da comunidade do Sanharol

   Pesquisador de tudo que se relaciona com Várzea Alegre, Morais prioriza nesse tudo a localidade do Sanharol, aonde veio ao mundo, no dia 1° de outubro de 1948. 

   Fernando Pessoa tem uma poesia que diz: “O (Rio) Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.  Para Morais, o Riacho do Machado é o mais bonito riacho do mundo, pois esse riacho nasce em Várzea Alegre e para Morais Várzea Alegre é um mundo....

      Numa conversa, ele me disse: Sanharol para mim é tudo...Trata-se, pois de um lugar atávico de Várzea Alegre. Atávico no sentido de se constituir num pedaço de terra herdado dos seus antepassados; um sítio que passou de pai para filho por seguidas gerações, preservando características antigas, as quais, às vezes, somem, mas reaparecem com o passar do tempo... Antônio Morais descende em linha direta de Raimundo Duarte Bezerra, o famoso “Papai Raimundo (este nascido por volta de 1762 e falecido em 1854), considerado o patriarca e figura símbolo da fundação de Várzea Alegre. 

     Façamos outra reflexão sobre a ligação de Morais com o Sanharol. A palavra Sanharol vem de uma abelha preta que não tem ferrão. Trata-se de uma espécie nativa do Brasil, conhecida popularmente como “arapuá” ou “abelha-torce-cabelo”. A palavra vem do tupi refletindo o comportamento defensivo desta espécie. Morais, como essa abelha, também não tem ferrão. É sempre uma pessoa de temperamento ameno, franco e cordial. Existe, como se vê, um “entranhamento” profundo, sentimental e substancial entre a personalidade afável de Morais e a palavra “Sanharol”.  Morais sabe, como poucos, as histórias dos clãs que fizeram a história, a cultura e o desenvolvimento rural de Várzea Alegre.     E seu pedaço de terra – o velho e querido Sanharol do seu clã – possui muitas ligações com outros tradicionais troncos familiares daquela região. 

   Esta é uma referência ao “Morais–memorialista”. Acrescida de uma vantagem: Morais não foi egoísta. Socializou, ou seja, repartiu com todos os seus conhecimentos, deixando, assim, preservados para as futuras gerações – por meio de centenas de crônicas e artigos – o que escreveu e publicou.  

    As memórias e crônicas, escritas por Antônio Morais, contribuíram para preservar suas raízes atávicas, isto é, a história, os fatos e os “causos” de seus ancestrais e da sua comunidade. Até o surgimento da Internet essas memórias se resumiam a conversas informais que poderiam desaparecer com o tempo. Quase nada ficava registrado por escrito. Graças a Morais essa antiga tendência foi modificada quando produziu registros escritos.

   Hoje, já se olha para Várzea Alegre com uma visão da forte identidade daquele município. Visão feita por suas festas populares tradicionais ou religiosas, a exemplo do novenário a São Raimundo Nonato. Hoje vemos, também, a Várzea Alegre das manifestações folclóricas...  E Várzea Alegre ganhou destaque pela animação e resistência cultural, a exemplo do seu carnaval, com seus blocos históricos e tradicionais, como a Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro. 

   E como estamos numa noite de reconhecimento e gratidão, cumpre-me lembrar que Várzea Alegre está imortalizada pela ação de um dos seus mais ilustres  filhos: Antônio Batista Vieira, amplamente conhecido como Padre Vieira, sacerdote, escritor de renome e ex-deputado federal. Padre Vieira continua sendo um símbolo máximo de inteligência, de defesa dos humildes, se constituindo numa projeção cultural e política gestada da gente de Várzea Alegre. O mesmo Padre Vieira que ficou na memória coletiva dessa cidade como um homem sábio, humilde, e que ainda não recebeu – da parte dos seus conterrâneos – uma homenagem à altura de tudo que ele representou (e ainda representa) para a memória de Várzea Alegre... 

   Mesmo correndo o risco de cometer omissões, eu ouso lembrar outras personalidades que marcaram o patrimônio moral e cívico de Várzea Alegre: como o ex-prefeito João Alves Lima (João Francisco) e o honrado político Joaquim de Figueiredo Correia, que foi governador do Ceará, quando na qualidade de Vice, legitimamente eleito, assumiu várias vezes as rédeas política e administrativa do nosso Estado. E ainda cito outro varzealegrense de valor: Odilon Máximo de Morais. Professor e reitor da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), reconhecido com honrarias locais por sua trajetória acadêmica. 

     Ao final de tudo que foi dito, eu sintetizo minha fala dizendo: 

     Caro Morais: como sócio do ICC externo a você este sentimento de acolhida de todos pela chegada do mais novo recipiendário do nosso sodalício:  Seja muito bem-vindo ao nosso Instituto Cultural do Cariri. Aqui, nesta instituição voltada unicamente para divulgar a cultura, cada chegada é importante; cada história tem valor e cada dia é uma nova chance de aprendermos, crescermos e sonharmos juntos com um mundo melhor e mais fraterno. É uma honra e uma grande alegria recebe-lo na nossa irmandade.


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

RAIMUNDO ALVES DE MENEZES - Hermes Explica.

Mundim do Sapo — uma figura inesquecível de Várzea Alegre.

Raimundo Alves de Menezes, carinhosamente conhecido como Mundim do Sapo, foi uma das personalidades que marcaram a história e a memória de Várzea Alegre.

Homem de posses, mas conhecido sobretudo pela generosidade, solidariedade e simplicidade, Mundim era lembrado pelos conterrâneos como uma pessoa humana e extremamente bem-humorada. Sua maneira espontânea de encarar a vida transformava situações comuns em histórias que atravessaram gerações.

Foi casado com Ana Feitosa Bitu, irmã de José Bitu Filho, com quem também tinha laços de parentesco. A família possuía propriedades nos Inhamuns, e Mundim viveu também no Crato, mantendo sempre fortes vínculos com sua terra e sua gente.

Sua vida ficou marcada pelos famosos “causos de Mundim do Sapo”. Viagens, encontros, brincadeiras e acontecimentos do cotidiano ganhavam dele uma resposta espirituosa. Até mesmo uma viagem a Fortaleza acabou se transformando em uma de suas histórias mais conhecidas.

Em 1936, foi registrada uma fotografia de Mundim por ocasião de seu primeiro casamento com Ana Feitosa Bitu — imagem que hoje integra o acervo da Memória Varzealegrense. O número dessa fotografia no acervo não foi informado.

Mais do que um personagem de histórias engraçadas, Mundim do Sapo representa uma parte da memória afetiva de Várzea Alegre: um homem lembrado pelo coração generoso, pelo jeito simples e pela capacidade de levar alegria por onde passava.

Raimundo Alves de Menezes — Mundim do Sapo: um nome que permanece vivo nos causos e na memória do povo varzealegrense.

Memória, história e personagens que ajudaram a construir Várzea Alegre.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

BRIGA NA PROCISSÃO - Chico Pedrosa



Quando Palmeira das Antas pertencia ao Capitão Bento Justino da Cruz, nunca faltou diversão: Vaquejada, cantoria, procissão e romaria sexta-feira da paixão.

Na quinta-feira maior, Dona Maria das Dores no salão paroquial reunia os moradores. E ao lado do Capitão fazia a seleção de atrizes e atores. O papel de cada um o Capitão que escolhia. A roupa e a maquilagem eram com Dona Maria.

O resto era discutido, aprovado e resolvido na sala da sacristia.Todo ano era um Jesus, um Caifaz e um Pilatos. Só não faltavam a cruz, o verdugo e os maus-tratos. 
O Cristo daquele ano foi o Quincas Beija-Flor, Caifaz foi Cipriano, Pilatos foi Nicanor. Duas cordas paralelas separavam a multidão. Pra que pudesse entre elas caminhar a procissão.

Cristo conduzindo a cruz foi não foi advertia pro centurião perverso que com força lhe batia. Era pra bater maneiro mas ele não entendia. Devido a um grande pifão que bebeu naquele dia. Do vinho que o capelão guardava na sacristia.

Cristo dizia: ôh, rapaz, vê se bate devagar, já estou todo encalombado, assim não vou aguentar. Tá com a gota pra doer, Ou tu pára de bater ou a gente vai brigar.

O pior é que o malvado fingia que não ouvia, e além de bater com força ainda se divertia. Espiava pra Jesus fazia pouco e dizia : Que Cristo frouxo é você, que chora na procissão, Jesus pelo que eu saiba não era mole assim não.

Eu tô batendo com pena, tu vai ver o que é bom na subida da ladeira da venda de Fenelon. O couro vai ser dobrado. Daqui até o mercado a cuíca muda o som.

Naquele momento ouviu-se um grito na multidão Era Quincas que com raiva sacudia a cruz no chão e partia feito um maluco pra cima de Bastião, se travaram no tabefe, ponta-pé e cabeçada. Madalena levou queda, Pilatos levou pancada. Deram um bofete em Caifaz que até hoje não faz nem sente gosto de nada.

Desmancharam a procissão, o cacete foi pesado. São Tomé levou um tranco que ficou desacordado. Deram um cocorote na careca de Timóti que até hoje é aluado. Até mesmo São José, que não é de confusão, na ânsia de defender o filho de criação aproveitou a garapa pra dar um monte de tapa na cara do bom ladrão.

A briga só terminou quando o Doutor Delegado, interviu e separou: cada Santo pro seu lado. E desde que o mundo se fez, foi essa a primeira vez que Cristo foi pro xadrez, mas não foi crucificado.



quarta-feira, 16 de setembro de 2026

NA MEDIDA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

• PARA SER GRANDE JOGADOR - Não basta ser grandalhão e forte para ser um grande jogador. Fosse assim, Messi nem jogaria. É preciso ter, em proporções variáveis, habilidade, técnica e criatividade. Para completar: ser emocionalmente forte. 

• OS AMORES DE NELSON RODRIGUES - No futebol, Nelson Rodrigues teve dois grandes amores: a seleção brasileira e o Fluminense.

"Se entra em campo com o nome do país e com o fundo musical que é o nosso hino. Então, é a pátria de chuteiras", dizia sobre a seleção.

A respeito do tricolor carioca, ia mais longe: "Se o Fluminense jogasse no céu, morreria para vê-lo jogar".

Aí, é amor demais.

• DISSONANTES - No Brasil, quem emite opinião é logo chamado de traíra, adesista, vendido. Ou acusado de levar algum, de ter sido cooptado. Os acusadores medem os outros por eles mesmos. Uma pessoa de convicções profundas é incapaz de mudar de opinião diante de contradições profundas, imune a evidências e argumentos racionais. Dissonância cognitiva.

• A FRASE - Um jeito para o Brasil? Quando pararmos de fingir que está tudo bem. 

Cerimônia da Outorga da Comenda Dr. Aluisio Máximo de Menezes.

 

Convite.

Fundamentação.

Agraciada Dra Ana Micaely Brito de Morais.

Aliados de Lula e Moraes fizeram o diabo para o STF não investigar indícios de crimes - Diario do Poder, Claudio Humberto.

 

Estátua "A Justiça" em dia de vergonha alheia - Reprodução das redes sociais.

Como previsto, a bancada governista no STF fez o diabo para atrasar e até “melar” a sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram horas discutindo, ofendendo, tumultuando, tudo para evitar decidir sobre investigar o relacionamento do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro de hábitos mafiosos Daniel Vorcaro. Flávio Dino, “líder” dessa bancada, falou durante hora sobre questão preliminar, tentando criminalizar o ministro André Mendonça, que expôs o caso publicamente.

Monopólio do tempo

Gilmar Mendes foi outro ministro que usou e abusou do microfone da sessão de ontem do STF. Não avaliar o principal parecia ser o plano.

Outra característica

Coube a Mendes alguns momentos espantosos, com agressões desnecessárias contra André Mendonça, que apenas fez o certo.

Auge do vexame

Para que a sessão se caracterizasse como das mais vexatórias da História, Moraes votou em favor dele mesmo, o “réu” dessa história.

O crime venceu

Ontem certamente foi a vez de Vorcaro gargalhar, com as presepadas no STF que enfraquecem a Justiça e fortalecem o crime no Brasil.

Pedro Felicio Cavalcante - Honra e Gloria do Crato


Professor, economista e poeta, Pedro Felício Cavalcanti nasceu em Ipu-CE a 05 de Julho de 1905 e faleceu em Crato a 27 de Agosto de 1991.
Filho de José Raimundo Felício Cavalcanti e Maria Madalena Felício Cavalcanti. Veio para o Crato aos 13 anos de idade para estudar no Seminário São José e integrou aos 17 anos a Academia dos Infantes de Letras. Foi para a capital Fortaleza para formar-se no Curso Superior da Escola Caixeiral, retornando ao Crato para assumir a direção da Associação dos Empregados do Comércio, fundou o Banco Caixeiral onde gerenciou até sua morte. Durante anos lecionou e dirigiu, com rigor e eficiência, a Escola Técnica do Comércio do Crato por 50 anos. Fundou a Faculdade de Ciências Econômicas; Idealizou e construiu a Faculdade de Direito e o Colégio Municipal Pedro Felício Cavalcanti; o Externato 5 de Julho; dentre outros. Lutou pela implantação da Universidade Regional do Cariri. Prefeito eleito por duas vezes, trabalhou para eleger deputados estaduais, governadores e senadores da república. Ficou conhecido como político honesto pelo Brasil inteiro pela transparência do seu governo, pois diariamente difundia o balanço das contas municipais. Trouxe muitas benfeitorias para a cidade dentre as quais destacamos: Quadra Bi-centenária; estação Rodoviária; estrada do Granjeiro; eletrificação Rural; SAAEC; Associação Rural do Crato; Mercado Central; dentre outras. Na festa do Bi-centenário da cidade convidou o Presidente Castelo Branco para inaugurar a Praça da Sé. Este, ao retornar ao Rio de Janeiro, presenteou a cidade com o título de Cidade Modelo e declarou que tinha grande honra de ter Pedro Felício como amigo, por ser ele um exemplar defensor do patrimônio público. Fundador da Exposição Agropecuária do Crato, presidiu por diversas vezes o evento. Criador das raças Zebuínas, ganhou diversos prêmios, taças, diplomas e troféus. Introduziu na região do Cariri a criação de raças puras: Nelore, Gir, Indu Brasil, além da criação de cavalos de puro sangue inglês, caprinos e ovinos. Foi pioneiro, no interior, na aplicação do método de inseminação artificial do gado vacum e carneiros. Casou-se com Ailza Gonçalves Felício e teve duas filhas: Naylée Gonçalves Felício e Marilée Gonçalves Felício que lhe deram mais de dez netos. Figura ilustre também deixou sua marca na literatura. Um dos seus escritos; visões, que aqui registramos; o qual supomos que tenha escrito em homenagem a falecida esposa, gravará para a posteridade o pensamento vivo do saudoso Pedro Felício Cavalcanti.

Saudades - Por Dr. José Bitu Moreno

“O vôo das andorinhas no céu azul, de nuvens brancas. A igreja no espaço retangular, como o quadro de uma santa, vestida em azul e branco. O sol refletindo-se nas pedras das ruas...”
A voz pelo telefone murmurando:
”Nosso primo e amigo morreu”.
Ele, o moço alegre, talentoso, elegante, o bom primo, companheiro de tantas farras. Parecíamos eternos na nossa juventude. Depois soprou o vento de outono, espalhando folhas, transportando-nos, sementes, que onde caíram seguiram o codificado ciclo, semeando a vida, escrevendo a repetida história. Algumas não resistiram e caíram mais cedo, nas águas do mar, no deserto escaldante, ou nas neves eternas das montanhas.
“O vôo das andorinhas desenhando em minúsculos pontinhos pretos as tardes da nossa infância, o cruzeiro da igreja, as ruas de calçamento polido que se alongavam até Recife, até Fortaleza, até São Paulo...”
Ele se foi então, como outros tantos, não aguentou a barra, sequer se despediu. Outro foi vítima da violência gratuita e irresponsável, que varre o Brasil como um vento mau. Seus retratos o vento sopra adiante no céu de lembranças, na manhã petrificada, no cruzeiro de madeira enegrecida, enquanto os sinos badalam e uma lenta procissão atravessa a antiga Rua Major Joaquim Alves.
As ruas de pedras polidas por onde seus passos correram ligeiros e de onde um dia partiram, agora os recebe de volta.
As pipas coloridas estão desaparecendo dos céus.
As andorinhas se recolheram aos campanários.
No interior da velha igreja azul, os santos rezam em vigília.
Deus proteja as nossas crianças.
José Bitu Moreno

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Dia D no STF: o Supremo julga a si mesmo. Quem ganha ou perde? - Diario do poder.

Hoje não é uma terça-feira qualquer. O julgamento no STF, a partir das 10 horas, dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes (este será em 23 de setembro) não apenas decidirá questões complexas, mas demonstrará como a Corte administra seus conflitos internos. No cenário convergem o direito e a política. Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, e Moraes, frequentemente associado ao enfrentamento ao bolsonarismo, chegam ao plenário com simbolismos, que ultrapassam o mérito jurídico.

Desde a redemocratização não houve um momento tão delicado. Não se fala de disputa política, ou julgamento de rotina da Suprema Corte. Estará a prova a estabilidade ou não dos alicerces da nossa Democracia. Claro, que ainda não se conhecerá o julgamento final, porém serão dados os primeiros passos sobre a capacidade da República reafirmar os limites constitucionais dos seus próprios fundamentos. As instituições estão pressionadas, a sociedade divide-se e o STF assume o epicentro de uma crise, que envolve partidos e grupos políticos, em pleno processo eleitoral.

Equilíbrio de Fachin

Por tudo isso hoje é um Dia D. O STF terá a palavra. A Nação irá ouvi-lo. Cabe reconhecer o equilíbrio do Presidente Fachin, que é um pressuposto essencial. Ele sabe que a decisão a ser prolatada não será para agradar plateias ou responder a pressões das redes sociais. O papel do Juiz não é ser governo ou oposição. Juiz decide o destino de pessoas humanas sob o amparo da Constituição e sustenta a confiança da sociedade no Estado de Direito. É essa a missão do STF: decidir com independência e fidelidade ao Direito, em momento a ser lembrado pelas gerações futura.

Quem ganha ou perde

A pergunta que pode calar o país é: quem ganhará, ou perderá? Mas, talvez estas sejam perguntas erradas. Em certos momentos da história, não se trata de saber quem vence, ou perde, mas de verificar se as instituições permanecem de pé, após a tempestade. O saldo político, por estarmos em plena ebulição eleitoral, dependerá das versões públicas após a decisão. Flávio Bolsonaro tende a ganhar se Mendonça demonstrar firmeza, reforçando a percepção de coerência e independência em relação às pressões externas. Lula tende a ganhar se Moraes sair fortalecido, mantendo a imagem de um Tribunal defensor das instituições

Feitiço contra feiticeiro

Há um aspecto especifico a ser analisado. A recente fala de Lula, ao declarar que “ladrão tem que pagar”, foi uma tentativa de se colocar acima das disputas políticas e neutralizar críticas sobre eventual complacência com os investigados. Note-se, que palavras têm custo. Ao se posicionar dessa maneira, o Presidente estabelece uma régua moral que não se aplicará apenas aos adversários. Terá que ser aplicada aos familiares e correligionários. Caso assim não ocorra, o “feitiço” pode virar contra o feiticeiro, transformando uma aparente vantagem em passivo político.

Julgamento também do STF

Por fim, cabe observar que o STF também será julgado nesta sessão. Não para ser extinto, nem para sofrer qualquer abalo em seu papel de guardião da Constituição, mas para provar, na prática, que é capaz de resolver suas próprias divergências sem se render a elas. A democracia não foi feita para dias tranquilos. Ela foi feita, sobretudo, para os dias difíceis. Nesta terça-feira, não vence Lula. Não vence Bolsonaro. Não vence Moraes, nem Mendonça. O que está em julgamento é maior do que qualquer nome, maior do que qualquer toga.

Vence ou perde a República.

Ney Lopes- jornalista, advogado e ex-deputado federal.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A peneira, o trigo e o joio - Percival Puggina

 

Durante séculos, as peneiras foram utilizadas para separar o trigo do joio que o acompanhava nas colheitas. Bem mais recentemente, quando a política se tornou sensível ao consentimento das multidões, as velhas peneiras, agitadas em discurso, passaram a ser usadas para obscurecer o sol dos fatos.

Nestes casos, elas funcionam como uma espécie de último recurso, que como bem sabem os advogados, ainda é um recurso. Vá que cole. E muitas vezes cola mesmo, contando com a saliva dos discursos, a credulidade dos ingênuos, o companheirismo dos companheiros, o marketing dos marqueteiros e com aquele jornalismo que divulga a notícia sem sequer espiar os fatos, esses ofuscantes inoportunos, desde a janela da redação.

A semana foi marcada pela vigorosa incidência da luz solar dos feitos, fotos e fatos sobre as instituições nacionais. As 218 páginas do relatório da PF foram suficientes para fazer carne de sol dentro de um frigorífico. Já no horizonte, ele continuou incendiando o cenário quando o presidente do Senado Federal, interpelado, rotulou como anormal haver tantos pedidos de impeachment de ministros do STF. Para Alcolumbre, anormal era isso e não os eventos que motivaram tais arrazoados, nem sua obstinada decisão de não colocar em tramitação unzinho sequer dos 109 documentos de denúncia por crime de responsabilidade apresentados à Casa que, com sua fisionomia lenhosa, ele preside.

O sol ainda ardia no horizonte quando um fotógrafo abelhudo capturou a cena: finda a sessão do pleno do STF sem que o fato mais grave da história do Judiciário brasileiro fosse sequer mencionado – haja peneira! – quatro ministros, às gargalhadas, divertem-se com algo. Não importa o motivo, não era hora de piadas. A cena está menos para o Baile da Ilha Fiscal seis dias antes do golpe contra a Monarquia e mais para Nero dedilhando as cordas de sua cítara ante o incêndio de Roma, pois tampouco aquela era hora de lazer! Desconcerto inqualificável. Síntese perfeita de realidade deplorável.

Ao longo deste século, enquanto se ia consolidando a maioria de indicações petistas para vagas surgidas no Supremo Tribunal Federal, um pingo de discernimento permitia antever que o ativismo e a politização iriam corroer aquele organismo, levando junto a instituição. Isso integra a própria natureza da ideologia que se foi tornando dominante. É como as raízes que entrelaçam o joio ao trigo. Uma instituição, qualquer instituição, merece esse nome se, e enquanto tiver uma chancela de consentimento que vem do passado, concedida a algo virtuoso; se for reconhecida como parte do bem comum e anterior e superior à própria norma que a instituiu.

Para esclarecer melhor: a instituição não está às gargalhadas. Ela deplora e chora. Chora e deplora porque acreditou em leis que nascem da representação política, e assim, ao cumpri-las, o cidadão não reduz sua dignidade pois está obedecendo a si mesmo. Quando os órgãos que operam essas duas instituições se autodestroem ou corrompem, o cidadão vê crescer a própria responsabilidade em separar o trigo do joio na eleição que tem pela frente.

RESGATES NOSSOS - ANTONIO ALVES DE MORAIS


ANDRÉ BATISTA DE MENESES - UM HOMEM VIRTUOSO.

Certa vez estava no meu  escritório, em Crato, cuidando de alguns afazeres e ouvi duas pancadas na porta. Do meu lugar respondi: pode entrar. Era o meu amigo, parente e camarada André Meneses. Deu bom dia, me cumprimentou e passou a comunicar-me um problema que o afligia no momento. Antônio, estou precisando de um favor seu. Trouxe uma boiada de Araguaina - TO para Juazeiro do Norte, e quando  foram descarregar um touro atingiu um rapaz e o deixou todo quebrado. Sei que não tenho responsabilidade com o problema, trata-se de um servidor da prefeitura, mas não quero voltar para Várzea-Alegre sem  mandar prestar o atendimento  medico adequado. 
Preciso que você me indique um medico ou hospital para eu tomar esta providência. Eu olhei para aquele homem  sisudo, carranca fechado, concentrado e vi uma alma de brandura impar escondida no seu interior. Fomos ao Hospital de Fraturas com o rapaz, o Dr. Gualter  Alencar  fez raio X diversos e outros procedimentos. Felizmente resultou em duas costelas e uma mão quebrada. Depois de atendido fomos deixá-lo em casa, o André Meneses  entregou o dinheiro de fazer uma feira e me disse: vamos Antônio, já  fiz minha parte, preciso chegar logo em Várzea-Alegre. André Meneses, foi um homem virtuoso, generoso e bom.

O JOGO DE VOLTA.

Na décado de 50 do século passado, o Otacílio Correia era dirigente da liga desportista de Várzea-Alegre. Nosso selecionado devia uma partida ao selecionado de Cariús e combinou o dia de fazer o jogo de volta. Foi disponibilizado o carro de José Odmar para fazer o transporte da delegação. Otacílio de posse uma folha de papel e uma caneta anotava os nomes dos atletas em primeira mão, do tecnico, e, por fim a torcida organizada. Quando Tenta se preparou para subir no caminhão Otacílio disse: você não, não fica bem para nossa representação. Diziam as "má línguas" que o Tenta foi um dos precursores do homosexoalismo em nossa terra, e, a época, diferentemente de hoje, havia muito preconceito. Barrado Tenta ficou observando a delegação e quando o carro deu partida Tenta olhou para Otacílio e desabafou: Eu não vou, mas em cima do caminhão vão três colegas. O impossível era identificar a boiolagem naqueles remotos tempos.

JOGA DE TEIMOSO.

O nosso amigo Luiz Carlos Correia, grande benfeitor de nossa terra e leitor assíduo do Blog do Sanharol, gostava de fazer uns rachas com os amigos, nos fins de tarde nos campos de várzeas. Um belo dia, Dr. Antônio Pompeu de Araújo, grande amigo da família se encontrou com Otacílio e disse: Otacílio, vi o Luiz Carlos jogando futebol no campinho com uns amigos. Otacílio se interessou por saber a posição do filho em campo e perguntou: Luiz joga de quê? Pompeu não teve duvida: joga de TEIMOSO.

FRASE DO DIA.

'PolÍticos e  fraldas devem ser trocadas pela mesma razão".