Ainda assim, contudo, não deixou de me surpreender e me decepcionar a ida de Sergio Moro para o PL, para disputar o governo do Paraná.
Outrora juiz federal implacável com corruptos, um verdadeiro baluarte da moral e dos bons costumes, Moro já havia colocado em risco sua imagem e trajetória ao aceitar o convite de Jair Bolsonaro, então presidente eleito em 2018, para ser ministro da Justiça.
Porém, diante do contexto à época e das promessas de limpeza ética que fazia o “mito”, particularmente dei um voto de confiança ao “marreco”. Mais ainda: tão logo se deparou com as ingerências do patriarca do clã das rachadinhas, com vistas a blindar a si e seus filhos das investigações da Polícia Federal, e saiu do governo, tive a certeza de que, sim, era um homem honrado.
Uma vez eleito senador, Moro continuou a se mostrar, digamos, moralmente confiável. Ainda que, aqui e ali, algumas decisões, falas e votos no limite do que considero correto, jamais, até então, tive motivos para tê-lo no rol dos políticos embusteiros. Na quarta-feira, 18, porém, tudo mudou. E radicalmente. Sergio Moro se filiou ao PL de Valdemar Costa Neto, preso no mensalão ao lado de José Dirceu, abraçou Flávio Bolsonaro, trocou com o bolsokid dos panetones e das mansões enroscadas com dinheiro vivo juras de amor eleitoral, sendo retribuído como amigo, companheiro e outros elogios carinhosos.
A ex-presidente Dilma Rousseff, nossa eterna estoquista de vento, avisava, em 2014: “A gente faz o diabo para ganhar as eleições”. Sergio Moro não está fazendo o diabo, mas abraçando-o.
Está dando as mãos a quem só não foi processado por peculato, porque o papis, providencialmente, se uniu aos, à época, amigos capas pretas e blindou o próprio pimpolho.
Pior: receberá milhões de reais para sua campanha das mãos de um corrupto condenado que, segundo outro baluarte da moral e dos bons costumes, Nikolas Ferreira, “Já pagou o que tinha que pagar”. Mais sem-vergonha que estes, são os eleitores que insistem em elegê-los e mantê-los no poder.












