terça-feira, 16 de junho de 2026

PADRE JOSE OTÁVIO DE ANDRADE - Antonio Alves de Morais



O Saudoso e respeitável Pe. Otávio. Se a Câmara Municipal de Várzea-Alegre não lhe deu o honorifico título de "Cidadão de Várzea-Alegre". Falta lamentável, eu lhe rendo homenagem muito justa, chamando-o o "Pe. do Seculo", em Várzea-Alegre. Dos primórdios de nossa Paróquia, 1863, com o Padre Benedito de Sousa Rego, às suas despedidas solenes em 25 de março de 1969, mais de um seculo decorrido, foi ele, o Padre Otávio, aquele que mais tempo serviu, 34 anos, com dedicação que era de esperar de figura tão respeitável. Em meio as futricas da terra portou-se como um divisor de aguas, mantendo a serenidade e a compostura, como já disse, sem atiçar as brasas, sem deixar queimar as fimbrias de sua batina. 

Transcrevo, para conhecimento de quantos o estimaram, os dados biográficos essenciais:

Filho de Antônio Cristiano de Andrade e Maria Pastora de Andrade, nasceu, aos 25 de Maio de 1896, em Bebedouro, hoje Aiuaba. Ingressou no seminário de Fortaleza a 29 de Maio de 1913. Deixou os estudos, em 08 de Dezembro de 1917. Casou-se, aos 25 de Maio  de 1918, com Maria Andradina Pais de Andrade. Primeira viuvez aos 26 de Janeiro de 1926. Segundas núpcias, aos 02 de Outubro de 1927. Segunda viuvez, em 26 de Setembro de 1928. Retornou ao Seminário do Crato em 11 de Julho de 1929. Ordenação Sacerdotal, em Crato, aos 30 de Dezembro de 1934. Chegou a Várzea-Alegre em 24 de Março de 1935, para auxiliar o vigário, Padre Raimundo Dias Monteiro. Vigário Ecónomo, 02 de Julho de 1935 a 15 de janeiro de 1936. Provisão de vigário, de 15 de janeiro de 1937 até 25 de março de 1969.

Alguns anos mais nos concedeu a "Providência Divina" tê-lo como nosso boníssimo e zeloso pastor. A morte o colheu, no Recife, dia 09 de Setembro de 1972. Rendo-lhe minha homenagem, eu que sempre lhe rendi meu respeito e admiração. Seu busto, à frente da nossa matriz, é testemunho vivo da nossa imorredoira amizade. Que o vejamos com os melhores olhos, tanto nos merece, por justiça e sem favores, o Pe. José Otávio de Andrade.

Dr. José Ferreira.

EUA fazem primeira prisão de terrorista brasileiro ligado às facções PCC e CV - Diario do Poder.

Captura ocorreu após perseguição na cidade de Mooresville, Carolina do Norte.

A polícia de imigração dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (15) a prisão de homem apontado como ex-chefe das facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), após uma perseguição na Carolina do Norte.

É a primeira prisão de criminoso integrante de facção criminosa agora classificada de organização terrorista pelo governo dos Estados Unidos.

O bandido preso foi identificado como Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, vulgo “Don”, alvo de mandado de busca e captura internacional emitido pela Interpol a pedido do Brasil, pelos crimes de associação criminosa e extorsão, informou o órgão em comunicado.

A captura ocorreu após uma perseguição na cidade de Mooresville, quando Don tentou fugir em direção ao México e mantinha a própria esposa sequestrada no veículo. Ele foi afastado da Interpol por acusações de associação criminosa e extorsão no Brasil.

Saudades - Antonio Alves de Morais

Casa do Sanharol.
Sempre que lembramos o passado costumamos lembrar mais das coisas boas do que das demais outras, porque somente as coisas boas nos trazem grandes lembranças - saudades.

Portanto eu gosto de sentir saudades. Todos sabem que sou um saudosista inveterado. Talvez por essa razão, sou um apaixonado por fotografias.

Hoje, mexendo e remexendo, com meus documentos encontrei esta foto de 1989. No alpendre da casa do Sanharol, sentado ao lado do meu pai, recebendo abraço do filho Ernesto, sob o olhar carinhoso de minha mãe.

Na janela as minhas irmãs: Mundinha e Auxiliadora e a filha Ana Micaely aparecendo um pouco do lado esquerdo da foto.

Quantas histórias! Quantos ensinamentos ouvi deste homem! Quantas demonstrações de carinho e de amizade recebi! Quantos conselhos? E os grandes exemplos de amor ao próximo por ele derramados?

Saudade é tudo isto, saudade é o que sinto do meu pai, e, esta foto é o registro que tenho como prova de que toda esta felicidade aconteceu um dia.

domingo, 14 de junho de 2026

A SELEÇÃO FOI MAL ALÉM DA CONTA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Se a formação que foi a campo contra Marrocos já estava na cabeça de Ancelotti há bastante tempo, o treinador não raciocinou bem.

O Igor Thiago, com características de "caneleiro", como centroavante, foi uma má ideia.

Jogador de seleção brasileira tem que possuir um mínimo de intimidade com a bola. 

Raphinha, por dentro ou aberto pela direita, foi de uma nulidade constrangedora. Teria que ser o primeiro substituído. 

O Ibanez, o maior desastre. Desnorteado, pareceu um estreante na seleção.

Casemiro e Paquetá ... esquece. 

Vinícius Júnior salvou a seleção do abismo, é verdade.

Mas, depois do gol, exagerou nas jogadas individuais em prejuizo do passe, do jogo coletivo.

No esforço para consertar o time do vareio levado na primeira etapa, o treinador brasileiro mexeu em cinco posições. 

Isto é, as escolhas para a formação que começou jogando não derivaram de felizes conclusões.

Por pouco, apesar da boa qualidade da seleção do Marrocos, o time brasileiro não perde para ele mesmo.

Tinha que ter sido tão ruim assim? 

Arre!

Keiko Fujimori abre vantagem na apuração para presidente do Peru - Diario do Poder.

 


Candidata a presidente do Peru, Keiko Fujimori (Força Popular) ampliou um pouco a vantagem sobre seu adversário, Roberto Sanchez (Juntos pelo Peru), e permanece à frente, agora com diferença de 18.488 votos.

A eleição presidencial peruana vem sendo definida voto a voto e, como a conta é manual, a demora se amplia. Neste momento, a penosa apuração já representa 98,552% do total dos votos, mas ainda há urnas a serem abertas e outras que são submetidas a processos de recontagem.

Filha do falecido presidente Alberto Fujimori, Keiko sempre é muito competitiva em disputas eleitorais presidenciais, mas perde na reta final. Desta vez, após liderar a primeira fase da apuração, ela foi superada por Sanchez, mas na madrugada desta quinta-feira (11), em nova virada, a líder política reassumiu a dianteira.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O QUE O BRASIL DE 70 FEZ PELO FUTEBOL DO MUNDO - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


A seleção de 1970, a maior da história, não apenas deu o tricampeonato ao Brasil, mas prestou, também, uma enorme contribuição à qualidade do futebol no mundo.

Explicando. A Copa do Mundo  de 1966, realizada na Inglaterra, elegeu o futebol força, quando prevaleceu a truculência como um novo paradigma futebolístico a ser seguido.

Isto é, o legado artístico deixado pelo Brasil de Garrincha e Pelé, em 58 e 62, estava superado por um estilo onde prevalecia a força física.

E o que fez a seleção brasileira de  de 70, comandada por Zagalo, com o brilho incomum de Pelé e uma companhia maravilhosa, foi desmentir, categoricamente, essa teoria grosseira sustentada pela crítica europeia.

A epopeia da canarinha no México atingiu um nível de perfeição tal, que Eric  Hobsbawn, reconhecido historiador inglês do século XX, inseriu o futebol no plano de grande arte.

Enfim, a arte de uma poesia feita com os pés. 

CARIRIENSIDADE ( por Armando Lopes Rafael)


65 anos do Instituto Cultural do Cariri–ICC


    Iniciadas em 06 de setembro de 2018, com o lançamento do livro-póstumo de Manoel Patrício de Aquino (“Alguma Coisa”), as comemorações alusivas aos 65 anos de fundação do Instituto Cultural do Cariri–ICC, prosseguiram no dia 28, do mesmo mês, com o lançamento do livro “Dormindo à Borda do Abismo”, de José Flávio Vieira.

      As festividades prosseguirão nesta 5ª feira, 4 de outubro, com uma sessão comemorativa pelos 65 anos de fundação do ICC. Será às 19:00h. na sede da instituição com hasteamento de bandeiras, replantio de um mandacaru (árvore símbolo do ICC) e lançamento do número 47 da revista Itaytera, alusiva a 2018.

       Na mesma ocasião será oficialmente lançado o site do ICC na Internet. Este site disponibilizará, para consultas, a coleção digitalizada completa da revista “Itaytera”. Nessa sessão serão abertas as comemorações pelo centenário de nascimento dos ex-sócios Alderico de Paulo Damasceno, Pe. Antônio Vieira e José do Vale Arraes Feitosa. Um coquetel será servido aos presentes.

          No próximo dia 18 de outubro de 2018, será celebrada uma missa comemorativa aos 65 anos de fundação do Instituto Cultural do Cariri, na Catedral de Nossa Senhora da Penha. No dia 09 de novembro vindouro haverá sessão de homenagem aos fundadores e ex-presidentes do Instituto Cultural do Cariri. Será orador oficial o repórter da Rede Globo, e sócio do ICC, jornalista Francisco José de Brito. Ele é titular da Cadeira 17, que tem como patrono o jornalista João Brígido.

             Finalmente, nas datas 20 e 21 de dezembro de 2018, será realizada a 1ª Festa do Livro do Cariri–FLICA, tendo como local a Praça Siqueira Campos. Naquelas datas haverá lançamentos e venda de livros, apresentações musicais, folclóricas e danças, exposição de arte, desfile de modas e mesas redondas, dentre outras atrações. 

A presença da Igreja Católica na formação do Cariri

 Capela  de Santo Inácio de Loyola, localizada no Sítio Caldeirão, no município de Crato. Este pequeno templo foi construído pelo Beato José Lourenço

    A Igreja Católica contribuiu de forma decisiva para a formação da sociedade caririense. As cidades do sul-cearense, em sua maioria, surgiram ao redor de um templo católico. Geralmente uma capelinha construída numa pequena comunidade. Os santos faziam parte das nossas famílias nos albores do Cariry Novo. E estavam presentes na rotina do povo, tanto da zona rural, como das pequenas vilas, a partir dos anos de 1700. As relações entre Igreja Católica e as instituições governamentais foram estreitas no Sul do Ceará. 
      Tanto no tempo do Brasil-Colônia, quanto no Brasil-Império. Essa relação garantia a disciplina social da nossa sociedade. Ademais, a Igreja, por ser a religião oficial do Brasil, também executava no Cariri as tarefas administrativas que hoje são atribuições do Estado. A exemplo do registro de nascimentos, mortes e casamentos. Somente a partir do golpe militar de 15 de novembro de 1889, começou a declinar a influência do catolicismo na vida dos caririenses.

A religiosidade do povo caririense

 Igreja-Matriz de Senhora Santana, na cidade de Santana do Cariri

   O médico-historiador Irineu Pinheiro sintetizou, com rara felicidade, a principal característica do povo caririense: a religiosidade. No livro “O Cariri”, publicado em 1950, escreveu ele que essa característica foi preponderante na formação do caririense. A conferir: 

“Foi sempre muito religioso, inda hoje o é, o povo do Cariri. Vive, como todo cearense, a apelar para a misericórdia divina, no decurso de sua existência entremeada de épocas de fartura e felicidades e misérias e morte. Cite-se, aqui, um exemplo da fé inabalável da mulher sertaneja. Em quaisquer perigos, em momentos, por exemplo, de grandes chuvas acompanhadas de relâmpagos e trovões de estalo, costuma ela ajoelhar-se diante de seus humilíssimos registros de santos e rezar o rosário apressado da Virgem da Conceição”. (...) “Em toda a zona do Cariri, também nos sertões circunvizinhos, extremou-se a religiosidade popular”

A força da Igreja Católica no Cariri

         A bem dizer, a Igreja Católica foi a bússola usada para guiar as populações caririenses desde o povoamento do Sul do Ceará.  Missão Velha e Crato – as duas mais antigas povoações do Cariri – nasceram como frutos do trabalho evangelizador dos frades franciscanos capuchinhos, que aqui atuaram a partir do início do século 18, ou seja na primeira década de 1700. Passados 318 anos, a conduta dos caririenses – sua cultura, mentalidade, usos e costumes, enfim, muito do que diz respeito à prática religiosa do nosso povo – deve-se a sua relação com esses missionários franciscanos que habitaram entre nós.

        Ainda hoje nossas cidades são tituladas, e até conhecidas, pela herança da evangelização católica. A “Terra do Padre Cícero ou “A Terra da Mãe de Deus” (Juazeiro do Norte); “A Terra de Santo Antônio” (Barbalha); “A Terra de São José” (Missão Velha) ou “A Cidade de Frei Carlos” (Crato), são exemplos mais conhecidos. Mas é comum, à entrada das cidades caririenses, a existência de arcos ou monumentos dedicados aos seus padroeiros. Falar em Padroeiros, as suas festas representam, ainda hoje, grandes manifestações coletivas de fé e interação social. Algumas têm registros no nosso patrimônio histórico.

Os santos padroeiros dos municípios caririenses

 Procissão a Nossa Senhora da Penha -- Imperatriz e Padroeira da cidade de Crato -- no último dia 1º de setembro

       Festas como a de Nossa Senhora das Dores (Rainha e Padroeira de Juazeiro do Norte) e a de Santo Antônio (Padroeiro de Barbalha) obtêm repercussão nacional e são divulgadas pela grande mídia televisiva do Brasil. Mas não só estas. Repercussões menores, mas também significativas, atraem multidões para os festejos de Nossa Senhora da Penha (a “Imperatriz de Crato”, como reza a tradição mais do que bicentenária), de São Raimundo Nonato (Padroeiro de Várzea Alegre), de São José (Padroeiro de Missão Velha e Potengi). Outras festas de Padroeiros estão inseridas no calendário turístico do Cariri: Santa Teresa D’Ávila (Altaneira), Santo Antônio (Antonina do Norte, Araripe, Barro e Jardim), Nossa Senhora das Dores (Assaré e Jamacaru), São Pedro (/Caririaçu), Senhora Santana (Jati e Santana do Cariri), Nossa Senhora da Conceição (Mauriti e Porteiras), Nossa Senhora dos Milagres (Milagres), São Sebastião (Nova Olinda). Todas essas cidades realizam festejos significativos paras seus Patronos e Patronas.

A capela de São Sebastião dos Currais

   Quem percorre a estrada Barbalha-Arajara-Crato, em direção à última cidade, é surpreendido — cerca de cinco quilômetros, antes de chegar ao destino — quando avista, no lado direito, uma singela e respeitável capelinha, típica dos templos rurais do século 19. Trata-se da Capela de São Sebastião, do sítio Currais, erguida para atestar, às gerações futuras, uma grande graça concedida por Deus, à população daquela localidade, na segunda metade do século 19.

      Damos a palavra ao historiador Irineu Pinheiro que fez menção deste fato no seu livro “O Cariri”, página 245: “Em 1862 prometeu o major Felipe Teles Mendonça erigir uma capela em seu sítio Currais, a uma légua do Crato, dedicada a São Sebastião, se não morresse de cólera-morbo nenhum dos membros de sua família ou de seus moradores. Naquela época a epidemia do mal asiático abateu milhares de pessoas em todo o Ceará. Nada sofreram o major Felipe e os de sua casa e sítio. Em 12 de outubro de 1863, para cumprir o seu voto, pediu ao Bispo Dom Luiz Antônio dos Santos licença para edificar a igrejinha, licença que lhe foi dada no dia 13 do mesmo mês e ano, depois de informação favorável do vigário de Crato, Pe. Joaquim Aires do Nascimento. Mas só em 1888, após ter o segundo Bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, confirmado a graça concedida por D. Luiz, foi erguida a capelinha e benzida pelo vigário do Crato, Antônio Fernandes da Silva”. 

História: Sesquicentenário da Casa de Caridade de Crato
 Como era a Casa de Caridade de Crato até a década 1950

   No próximo ano – mais precisamente em 07 de março de 2019 – será festejado os 150 anos de inauguração da Casa de Caridade de Crato. O médico-historiador José Flávio Vieira, no seu mais recente livro (“Dormindo à Borda do Caminho – A Medicina no Cariri Cearense–1800-1900”, na página 146) fez uma retrospectiva daquela instituição, fruto do trabalho apostólico do Servo de Deus Padre José Antônio de Maria Ibiapina.

      Dentre outras informações, José Flávio publicou: “ (A Casa de Caridade de Crato) Teria uma longa e profícua atividade, permanecendo em funcionamento por quase cem anos. Na Casa de Caridade de Crato, além das funções habituais da instituição, montou-se um Gabinete de Leitura (talvez a primeira biblioteca da cidade) e que em notícia de 20 de março de 1870, na “Voz da Religião do Cariry”, possuía 45 volumes”. Número considerável para aquela recuada época.

        As instalações da Casa de Caridade de Crato também abrigaram, em caráter temporário, (a partir de 23 de dezembro de 1936), o recém-criado Hospital São Francisco de Assis de Crato, iniciativa do 2º Bispo da nossa diocese, Dom Francisco de Assis Pires.

          Apesar de o prédio ter sido descaracterizado (por reformas feitas sem preocupação de preservar o aspecto original do prédio), a Casa de Caridade de Crato se constitui num edifício que deveria ser tombado pelo Patrimônio Histórico do Ceará. Aquele imóvel perdeu, é verdade, muito da sua bonita fachada. Na década 50 do século passado foram destruídas, também, suas centenárias árvores fruteiras e outras plantas ornamentais que ficavam onde hoje estão localizados os prédios do Colégio Madre Ana Couto e da Rádio Educadora do Cariri. Entretanto, aquele conjunto arquitetônico ainda é um resquício do que foi, tempos atrás, a beleza do estilo que dominou o patrimônio imobiliário da Cidade de Frei Carlos.

Escritores do Cariri: Irineu Pinheiro

     Nascido em 6 de janeiro de 1881, em Crato, Irineu Nogueira Pinheiro é considerado um dos mais respeitados e produtivos intelectuais do Cariri. Estudou em Crato (Seminário São José), Fortaleza, Recife e no Rio de Janeiro, cidade onde concluiu o curso de medicina, na turma de 1910.

     Estudioso da História, foi “o maior pesquisador dos “fastos” regionais”, na feliz expressão do Dr. Raimundo de Oliveira Borges. Deixou vários livros publicados, dentre eles: “Um Caso de Dexiocardia”, “O Juazeiro do Padre Cícero e a Revolução de 1914”, “José Pereira Filgueiras”, “ Joaquim Pinto Madeira”, “Cidade do Crato”, “Morte do Capitão J. da Penha”, “O Cariri” e “Efemérides do Cariri”. Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Instituto Cultural do Cariri.

      Foi Inspetor Federal do Colégio Diocesano; professor do Seminário São José; Sócio-Correspondente da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará.  Colaborou com os jornais de Fortaleza e com os periódicos de Crato (“A Região”, “Correio do Cariry” e “A Ação”). Teve intensa participação nos movimentos que trouxeram progresso para sua cidade natal, sendo fundador e primeiro presidente do Rotary Clube de Crato e Presidente do Banco do Cariry, a primeira instituição de crédito do interior cearense, fundada por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva.

        Faleceu, em 21 de maio de 1954, na cidade de Crato, vítima de colapso cardíaco, enquanto – com a caneta à mão –  escrevia a um amigo de Fortaleza sobre o último livro que produziu: “Efemérides do Cariri”.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Outros toques - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

• IMAGEM - Coincidindo com a modernização do País (anos JK) e a consagração de Pelé na Copa de 58, o futebol se amarrou à imagem do Brasil. A fase épica dessa dessa identificação da sociedade com o futebol está nos textos dos irmãos Mário Filho e Nelson Rodrigues. "Pelé. Rei, da cabeça aos pés". Nelson Rodrigues. 

• MANÉ - Garrincha ganhou duas Copas para o Brasil, com sua arte chapliniana. Em 1962, no Chile, ele ganhou sozinho  comandando um time de veteranos e sem Pelé. Infelizmente, para ele, numa época em que o futebol brasileiro não tinha força mercadológica. 

• EXCESSO - O ato de atacar no futebol está cada vez mais contaminado pelo excesso de jogada aérea. Ao invés da jogada costurada, lança-se (excessivamente ) a bola no bolo formado na área em busca de uma cabeça perdida. Cabeças batem contra outras, com o perigo até de prostrar jogadores. 

• ESCOLAS DE FUTEBOL - No futebol, uma escola de resultados é estruturada na lógica, prudência e cuidadoso planejamento tático. A outra objetiva o resultado calcado na astúcia e no talento deixado em liberdade. Qual a que você escolhe? Cartas para redação. 

• FRASE - "O futebol e a Copa do Mundo de 2002 contribuíram mais para a reconciliação entre Japão e Coreia do Sul do que cem anos de diplomacia". Príncipe Takamado, do Japão.   

quarta-feira, 10 de junho de 2026

A DIFICIL MISSÃO DE TER CARATER, SER INTEGRO E HONESTO - POR ANTONIO ALVES DE MORAIS


Da esquerda para direita: Dr. Dario Moreno, prefeito de Várzea-Alegre,  Dr. Aírton Castelo Branco, promotor de justiça, Otacílio Correia, Dr. Lemos, o esposo da juíza, Hamilton Correia, Governador do estado Parcifal Barroso, Deputado federal Joaquim de Figueiredo Correia.

Dedicado aos doutores José Bitu Cortez, Inácio Cortez, a professora Ismália Bitu Cortez sobrinhos do Dr. Dário  Batista Moreno.

Existem coisas que fogem a compreensão. Quando se escreve  sobre as denuncias  de roubalheiras, cafajestadas dos canalhas que  se apoderaram do puder, aparece gente, aos montes, para defendê-los.  Justificativas as mais diversas, geralmente mostrando erros do passado, assim como se dois erros dessem um acerto. 

Porém, quando se escreve sobre pessoas integras, honradas, honestas há um silencio enternecido,  não aparece ninguém para comentar. Pra tudo, na vida, há uma medida padrão. Para o comprimento é o metro, para o peso o quilo, para o volume o litro, para o homem o caráter, descência e honradez.

Infelizmente, nos dias atuais, pessoas largam tudo,  empresas, cargos funcionais, até a família para serem políticos, que seja  prefeito de uma cidadezinha qualquer do interior. Gastam milhões para se elegerem, sabendo que o retorno será de vinténs. Não temem por nada: sociedade, família, justiça, nem a Deus.

Não se vê mais exemplos como o Dr. Dario Batista Moreno, homem honrado, integro, competente, culto. De posse de um mandato de prefeito de sua terra natal, fez concurso para promotoria  publica, e, em sendo aprovado renunciou ao mandato que o povo lhe concedera e, foi desempenhar  com honras, louvores e brilhantismo uma carreira sem igual no ministério publico. 

Exemplos de grandeza dessa magnitude são o azar dos canalhas que hoje se apoderaram  da politica no Brasil.

TRIBUTO A NÉLIO CLAYTON BARBOSA FALCÃO - Por Claude Bloc

Nélio Clayton Barbosa Falcão – Meu mestre, meu ídolo
(Claude Bloc)

Nélio (à esquerda) - no Rio
Ao escrever este texto, em alguns momentos, vou ceder, certamente, à emoção, pois sei perfeitamente que cada dia é mais um dia roubado da noite e cada noite é tempo de reflexão e de espera. Em nenhum sentido, me considero aqui intelectual: escrevo impulsionada pela história das coisas e das pessoas, e procuro lembrar delas com todas as células de meu corpo, como se na minha vida sempre estivessem.

O que escreverei hoje aqui é como se fosse uma névoa úmida de saudade. As palavras podem vir como sons transfundidos de lembranças que se cruzam de forma díspar, rendas no tecido do tempo, pauta, música e musicalidade. O que tenho aqui é a história de um homem que o tempo não me deixou esquecer.

Eu sei que eu estou segurando a narrativa, como se pudesse segurar a emoção. É que esse meu escrito deveria ser composto sem palavras: como se aqui eu tivesse à minha frente apenas fotografias mudas que contassem sozinhas uma história, como um silêncio que fala, ou melhor ainda, como uma pauta onde desfilassem melodias puras, com clave de sol.
Zé Flávio Teles e Roberto Piancó com Nèlio

 - Radio Aararipe

De toda essa argamassa de lembranças que me atiça a memória, aparece enfim essa pessoa de que falo: Nélio Clayton Barbosa Falcão. Tinha-o/tenho-o como um ídolo. Nas festas em que “Hildegardo e seu Conjunto” ilustravam com uma maestria divina, estavam lá meus olhos voltados para aquele homem que empunhava seu instrumento de cordas, dedilhando, ora com leveza, ora com uma vibrante euforia, as notas das melodias que eu dançava ou que simplesmente escutava, enquanto sonhava com algum príncipe (des)encantado. Eu queria aprender a tocar as cordas de um violão com aquela agilidade e nelas encontrar o tom exato dessa sinfonia que me empolgava e ao mesmo tempo me apascentava.

Desde pequena, sempre fui ligada (embrionariamente) à música. Tentei praticar acordeom, mas o peso do instrumento foi desaconselhado para uma menina em crescimento, com escoliose, devido ao fato de ser canhota. Foi então que, aos 15 anos, soube por Sarah Cabral que havia aulas de violão na Educadora. Ela era a professora de teoria (leitura e solfejo) e Nélio o professor de violão (aula prática). As aulas ocorriam numa daquelas salinhas, no topo da rampa, e era lá onde eu ia assisti-las com João Roberto de Pinho e Gracinha Pinheiro.

O professor, antes de tudo, já era para mim um exemplo, não só pelo seu desempenho como músico, mas também pela sua paciente e terna postura para com seus alunos. Eu sonhava em ter, como ele, a mão ágil e hábil nas cordas de uma guitarra ou de um violão. Aquela dança dos dedos em bemóis e sustenidos era da cor da minha ansiedade. Confirmei há poucos dias pelo seu próprio filho – Nélio Junior - que minha intuição, já naquela época, não prescindia de um grande senso de observação. Segundo seu filho, o nosso grande Nélio, tinha “grande intuição musical; era amoroso; paciente e muito pacato." Era, então, assim  que esse pai passava zelosamente seu tesouro para os filhos amados: a música, a arte!

A vida de Nélio Clayton foi tão arraigada de amor ao Crato, que eu o imaginava cratense – e ele certamente o era, de coração. Mas me surpreendi ao saber que ele nasceu em Fortaleza - em 04.06.1928. A vida dele foi pontilhada pela música desde cedo, e a ela devotou seu sucesso e seu arrojado trabalho. Em todos os seus passos e gestos estavam essa delicadeza e a harmonia de uma pessoa que veio semear o bem.

São sempre emocionados os depoimentos das pessoas que passaram de alguma forma pela sua vida. Foi essa sua herança, mas curta sua missão. Como a um anjo, Deus o levou cedo (aos 45 anos) e de repente. Quem sabe, para ouvi-lo mais de perto...

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Histórico sobre a vida de Nélio Clayton Barbosa Falcão
Hildegardo e seu Conjunto (no Colégio Madre Ana Couto)


Nélio Clayton Barbosa Falcão
Nasceu em Fortaleza em 04.06.1928
Faleceu em Crato em 27.07.1973

Criado num meio familiar musical, desde cedo habituou-se com os acordes do violão.
Ainda jovem fez parte de grupos musicais que se apresentavam em Fortaleza, quando teve participação ativa nos tempos áureos da PRE-9/Ceará Rádio Clube.

Seguindo os passos do irmão Nilo, que integrava o famoso Conjunto 4 Ases e um Coringa, viajou para o Rio de Janeiro, onde na companhia do Maestro polonês Arnaldo Salpeter formou um Conjunto Regional.

Chegou ao Crato no ano de 1950, trazido pelo Maestro Arnaldo Salpeter, formando o Trio Jangada juntamente com o acordeonista Luzimar Alves, quando da fundação da Sociedade de Cultura Artística do Crato e Escola de Música Branca Bilhar, da qual foi professor de violão.
Mais tarde, formou também no quarteto Jangada juntamente com Maestro Arnaldo Salpeter, Hildegardo Benício e Hildelito Parente.

Integrou ainda "Hildegardo e seu Conjunto" e "Azes do Ritmo", e, por vários anos, também tocou em programas de estúdio e auditório das Rádios Educadora e Araripe. Nesta última, foi um dos seus pioneiros, juntamente com um dos seus grandes amigos, o radialista Wilson Machado.

Apaixonado pelo Crato, faleceu prematuramente aos 45 anos de idade - vítima de infarto fulminante - deixando muitos diletos amigos nos meios musical e social da cidade.
Sobre o Crato, falava sempre que vivia no paraíso (é onde está sepultado).

Foi casado com Maria Almira Brito Siebra e teve quatro filhos: Nélio Júnior, Nelmira, Neyla e Neylton.
(Dados fornecidos por Nélio Júnior)

terça-feira, 9 de junho de 2026

PEC da Maioridade ganha força e avança na Câmara - Diario do Poder.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados colocou na pauta para votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil.

O avanço do texto atende a uma demanda histórica de parcelas expressivas da sociedade que cobram maior rigor na legislação criminal contra infratores que utilizam a menoridade cronológica como escudo para a impunidade.

O relatório da proposta é assinado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT), que apresentou parecer favorável à admissibilidade da emenda.

O parecer do relator foca especificamente na punição penal, defendendo que jovens a partir de 16 anos respondam criminalmente por seus atos como adultos quando cometerem infrações graves e crimes hediondos, como homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

A intenção de delimitar o texto à esfera penal visa garantir a segurança jurídica da proposta durante a tramitação e evitar contestações no texto constitucional.

Parlamentares favoráveis ao projeto destacam as incongruências da atual legislação brasileira, que confere ao jovem de 16 anos plenos direitos políticos para votar e decidir o destino de municípios, estados e da Federação, além do direito de se emancipar civilmente, casar e abrir empresas, mas o isenta de responsabilidade criminal proporcional face a crimes bárbaros.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

MISTURAÇÃO - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

• CIENTÍFICO - Acho que o futebol jamais será um jogo essencialmente científico, programado e previsível. Por falar nisso, Garrincha e Pelé desmoronaram, na Copa de 58, na Suécia, o futebol científico da União Soviética. Foram os três minutos mais incríveis de um jogo de futebol. Duas bolas na trave de Yashin e um gol de Vavá. 

• HUMANIZAÇÃO DOS ANIMAIS - Na Itália, o número de animais de estimação aumenta, enquanto a taxa de natalidade afunda. No aeroporto de Roma, tem um hotel de luxo, com salão de massagens e jardim comunitário, para que os viajantes possam deixar os seus cachorros, antes de embarcar. Não é novidade para quem já assistiu funeral de cachorro com discurso e vídeo com os melhores momentos do defunto.

• NÃO BINÁRIO - O treinador pode ter conduta equivocada, errar tudo, vencer por outros inúmeros motivos e ser bastante elogiado. Da mesma forma, fazer tudo certo e dar tudo errado. E, de quebra, ser chamado de burro. É do futebol, criatura. 

• A FELICIDADE O QUE É - Para o Dalai Lama, a felicidade é genética ou treinada. E, de fato, tem gente que é feliz por natureza. Para a maioria, ela é uma conquista. Como se fosse uma outra carreira. 

• A CULTURA - A cultura é um instrumento de evolução social porque diverte, emociona, informa, critica, discute e fantasia a vida. Cultura é expressão de nacionalidade, também. "A gente não quer só comida/A gente quer comida, diversão e arte". 

• ASSIM FALOU TOSTÃO - "Futebol é coletivo, mas a melhor tática é reunir talento individual".  Centroavante bom não é somente o que marca muitos gols. É, também, o que participa do jogo coletivo e que dá bons passes". 

• FRASE. "A verdadeira posse é o beijo na boca". Nelson Rodrigues. 

domingo, 7 de junho de 2026

O filho de Miguel Arraes - por Armando Lopes Rafael


Conheci Luiz Cláudio Arraes de Alencar – tratado carinhosamente por Lula – quando da temporada que ele passou em Crato, creio que entre 1966-1967, depois que o pai dele – Miguel Arraes de Alencar – foi deposto do cargo de Governador de Pernambuco pelo Golpe Militar de 1964. Luiz Cláudio devia andar aí pelos sete anos e sempre ia à redação do jornal “A Ação” (onde eu trabalhava), em companhia de dois irmãos, pouco mais velhos do que ele, e dos primos residentes em Crato.
A imagem que tenho dele é a daquele tempo: um garotinho vivaz, moreninho, comunicativo e simpático. Lula era o caçula do primeiro casamento do pai. E por ser o caçula era ainda mais carinhosamente cuidado por sua dedicada avó paterna, dona Benigna, e por suas tias Almina, Alda, Laís, Maria Alice e Anilda, todas irmãs do Dr. Miguel Arraes.

Tinha conhecimento, à distância, dos imensos transtornos sofridos pela família do político Miguel Arraes. Este foi deposto e preso durante quatorze meses. Até que conseguiu ser solto por algumas horas – por meio de um habeas-corpus – quando buscou e conseguiu asilo político na Embaixada da Argélia, no Rio de Janeiro. Enquanto isso seus nove filhos ficaram dispersos. Os quatro mais novos viveram uma temporada em Crato na casa da avó.
No final de 1968 deixei o Crato para trabalhar no Banco do Nordeste. Nunca mais tive notícias de Luiz Cláudio. Mas como meu pai era amigo de dona Benigna e das suas filhas, ele me transmitia, vez por outra, notícias esparsas da família Arraes de Alencar.
Já aposentado voltei a residir em Crato. Vez por outra visito dona Almina Arraes Pinheiro. Ela sempre me recebe com a fidalguia, uma das características daquele clã. Outro dia perguntei por Luiz Cláudio e, para minha surpresa, ela me informou que ele era médico e tinha escrito alguns livros. Emprestou-me dois: “Tempo - o de dentro e o de fora” e “Todo diálogo é possível”.

Confesso que ao lê-los tive uma agradável surpresa. Escritos com emoção, estes livros de Luiz Cláudio Arraes transmitem um amor e uma admiração raras de um filho por um pai. E isso externado através de lembranças, de frases e de momentos vivenciados entre ele e o pai. É desses escritos que faz bem a alma, pois mesmo povoados de sofrimentos, nos levam a acreditar que ainda existe gratidão, solidariedade e idealismo na humanidade...
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael