segunda-feira, 11 de maio de 2026

O colapso - Por Pedro Valls Feu Rosa, Diario do poder.

Foto Pedro Valls Feu Rosa. 

Convido-o, humildemente, a um exercício mental. Imagine-se, durante alguns instantes, dentro do longo corredor de dado hospital. À sua frente dezenas de doentes – crianças, jovens e velhos – sofrem e gemem, espalhados pelo chão ou em macas improvisadas.

A agonia é pavorosa. Alguns estão ali há horas, outros há dias – ou mesmo há semanas. Esqueça o “jeitinho” ou até eventual recurso a algum juizado – afinal, não há mesmo estrutura que os comporte. Estão condenados a ali permanecerem até que lhes alcance a cura milagrosa ou a morte.

As condições de higiene são degradantes. Os insetos circulam livremente pelo ar impregnado daquele odor fétido derivado das indisposições dos pacientes. O cenário é, além de dantesco, nauseante. Vez por outra percorre o local algum profissional da saúde. À semelhança do Criador vai decidindo quem morre e quem vive. Estes receberão alguns dos poucos medicamentos disponíveis e aqueles um prosaico soro com sonífero – que encontrem a felicidade embalados pelo sono. Fico a pensar no tributo cobrado à saúde mental destes profissionais.

Do lado de fora do hospital inquietam-se os entes queridos daqueles doentes. As visitas não são possíveis e as informações saem a conta-gotas – afinal, faltam servidores do lado de dentro. Só lhes resta ficar lá. Daquele jeito.

A enfermaria do hospital, às voltas com estoques de suprimentos praticamente exauridos, afixa diante do balcão uma lista do que está faltando. De luvas a máscaras, de algodão a seringas, praticamente tudo falta. A saída é improvisar – ainda que ao custo da morte do paciente ou da contaminação do profissional da saúde.

Encerra-se um turno. Realiza-se a contagem dos mortos e remoção dos seus corpos, abrindo-se vagas para outros doentes que aguardam amontoados dentro de ambulâncias.

Algum desavisado poderia pensar que as linhas acima descrevem o drama vivido pela humanidade ao longo da epidemia causada pelo vírus Covid-19, a partir da aurora de 2020. Nada mais falso!

Aí está, sem retoques, a descrição do que ocorre desde que me entendo por gente em vasta parcela dos hospitais públicos deste planeta. A única diferença é ser a triste rotina aqui descrita imposta apenas aos miseráveis, desprovidos dos caríssimos planos de saúde – em um mundo no qual tantos dizem ser a saúde uma prioridade!

domingo, 10 de maio de 2026

Croniqueta - Antonio Alves de Morais.

Antigamente você sabia quem eram os seus inimigos. Eles não falavam com você. Não faziam questão de ficar perto de você.

Hoje eles entram na sua casa. Beijam o seu rosto. Até dizem que te amam, e, na primeira oportunidade te apunhalam pelas costas.

Você nunca verá uma pessoa ingrata bem sucedida. Um dos princípios do sucesso é a gratidão. 

Cuidado, nos dias de hoje temos dois  mundos paralelos. O das pessoas que dizem versículos bíblicos perfeitos e bonitos e o dos que não fazem nada do que dizem.

A amizade é  um tecido delicado que não aceita remendos. 

Minha opinião - Antônio Alves de Morais.

Meu caro amigo, quando posto a minha opinião não é para convencer ou mudar a sua. É para quem pensa igual a mim saber que não está sozinho no mundo.

Não perca o seu tempo dando muitas explicações. Aos amigos não é necessário, os demais só ouvem o que querem ouvir. 

Todo bajulador é falso e perigoso. O "puxa saco" é igual a carvão : Apagado te suja, aceso te queima.

Imbecis hipócritas - Antônio Alves de Morais.

As pessoas gordas sabem que são gordas. As pessoas magras também sabem que são magras.

Seria maravilhoso se as pessoas estúpidas soubessem que são estúpidas. As pessoas imbecis soubesses que são imbecis e as pessoas idiotas soubessem que são idiotas.

O mundo seria bem menos hipócrita.

sábado, 9 de maio de 2026

Saudades - Clarice Lispector

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades. 

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei.

Sinto saudades dos que foram e de quem não me despedi direito. Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade. 

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que. Não sei onde. 

Para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi.

Eloi Teles de Morais - Antonio Alves de Morais



Embora registrado no Crato, o que poucos sabem é que o jornalista, o poeta, o advogado, o radialista mestre Eloi nasceu no sitio Baraúnas município de Várzea-Alegre. 

Sua graça, seu humor, sua alegria são herança da terra de São Raimundo.

No governo militar, sob os auspícios da Revolução de l964, o Eloi foi preso. Imaginem: preso como subversivo, como comunista, como uma ameaça a pátria. 

Na solidão da prisão fez este versinho bem oportuno e sábio:

Cadeia, estas tuas grades.
Prendem o meu corpo revolto
Porém tu não sabes cadeia,
Que o meu ideal está solto!

Não prenda, não aperte, não sufoque - Antonio Alves de Morais.

Não confie em palavras bonitas. Tem muita gente com açúcar na boca e veneno no coração.

A vida é assim : Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. 

O que ela quer da gente é coragem.

Não prenda, não aperte e não sufoque. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço.

Se tudo que você ofereceu não adiantou, ofereça a sua ausência.

O tempo - Antonio Alves de Morais.

O tempo é a matéria prima da vida. O passado não pode ser esquecido, más não devemos fazer dele o futuro. 

Vejo descendentes de pessoas de boa condição sócio econômica no passado, cangando goma e contando vantagens, por conta daquela condição que seus ascendentes tiveram e que ele já não a tem. 

Vejo também, aqueles que tiveram uma infância humilde e simples, e, hoje, as custas de trabalho honesto e honrado tem dinheiro para comprar tudo que é bem material e continuam simples, humildes e bons amigos.

Portanto nas rodopiadas que o mundo dá tudo vemos. A personificação da formação humana costuma resistir ao tempo. 

Aquele que transgride a regra está exposto a grande ruína. Quem busca a vida cômoda e menos austera sempre estará em angustia, porque uma ou outra coisa sempre lhe desagrada.

DIGRESSIONANDO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Não existe melhor sensação do que comida chegando ao estômago. Ao mesmo tempo, penso: como admitir que muitos morrem de fome?

Em nosso tempo, os idiotas convencem mais do que os gênios.

Lamentável quando se descobre que uma figura admirada não passa de um anão moral.

Um apelido posto pode gerar um ódio eterno ou uma amizade para sempre.

Freud achava que o cérebro era um apêndice das glândulas genitais.

Nada mais irritante quando o entrevistador fala mais do que o entrevistado.

As metáforas, quando em demasia, enchem o saco.

Os bajuladores, assim como os idiotas, têm o que chamamos de abundância numérica.

Saudade é uma palavra agridoce. Doce como mel, azeda como limão.

Quem sabe o que foi o facismo não trata ninguém de fascista.

Os bandidos entram na política para fazer o mal. Não é para ajudar o povo.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Historias de varzealegrenses - Antonio Alves de Morais


Coronel Antonio Correia Lima.
Fazia pouco mais de um mês, tinha chegado a Varzea-Alegre, vindo de Mauriti, onde fizera umas estripulias, um morenão parrudo, solteiro, de seus 30 anos, mãos calejadas, fisionomia serena e poucas conversas. Ofrasio foi pedir moradia a Padrim Tonio. O Coronel, na sua calma, olhou-o com um olho fechado e, sabedor dos seus antecedentes, deu-lhe uma casa, no Graviel, recomendando, no entanto, não beber, não provocar arruaças, evitar problemas. O morenão olhou para o meu avô e, candidamente, disse: seu Coroné, eu num sou home de briga, nem quicé eu tenho. Agora, se eu tiver com um porrete de jucá, com uma correia ensebada, preso no punho, num tem home que diga que eu sou feio. Meu avô riu e pensou que tudo era farofia. Pois, sim!

Nem lhe conto: foi numa feira de Agosto, dessas mais movimentadas, que se deu o causo. Ofrasio foi pra feira comprar seus biscates e vender umas esteiras de melão-caetano que fizera. Estava sentadinho, no seu cantinho, direitinho, serio, respeitador, paciente, oferecendo seu produto. Foi quando um praça dele se aproximou, magro, cheio de cacoetes e, cismou com a cara do home! Começou por mostrar sua otoridade perguntando de quem eram as esteiras e qual era o preço. Atendido respeitosamente, nas suas inquirições, achou de dizer: Você tem cara de ladrão. Meu Deus! pra que falou isto? O morenão, que estava sentado num monte de esteiras, passou a mão por baixo delas, apanhou seu anjo da guarda, um porrete de jucá, de uns setenta centímetros, tipo casse-tete, tamanho família, destes que os mantenedores da ordem usam, hoje. De pé, olhou o meganha e lhe disse, calmamente: Seu Salgente, se voicemincê ripiti o qui dixe, Meu padim Cico qui mi perdoe. Nem esperou que ele abrisse a boca – mandou-lhe o jucá na caixa dos peitos, foi bater e cair! Dois outros soldados que estavam na bodega de Chico Cecilia – em frente ao incidente – se jogaram da calçada ao chão. Um deles, por azar, foi apanhado no ar por uma cacetada que o deixou sem poder se levantar. Foi bem na canela. O outro não ficaria sem sua recompensa: Ofrasio mandou-lhe uma cipoada na marra do chocalho, que o quepe foi cair longe e ele caiu mais perto. O destacamento tinha sido minosiado.

Feira livre.

Na maior calma, Ofrasio pegou duas esteiras que sobraram, pôs debaixo do braço e partiu para casa. Nu momento do sururu, aquele trechinho de rua virou um fuzuê. Um corre-corre danado e uma morena, na queda, engachou o pé na azelha de uma mala de rapadura e, vendo o guarda caído ao seu lado, abriu a goela: Mi laiga seu praça, mi dexa seu peste. Na sua marcha serena e tranqüila, Ofrasio deu uma cacetada numa pedra enorme que existia em frente da igreja, que retumbou na rua. Acidentalmente, meu avô ia passando. Ao vê-lo, o caceteiro tirou o chapéu e, respeitosamente falou: Eu num li dixe, seu coroné. Pra que mexero cumigo. Manha, de manha eu vou simbora. Mi adiscuipe e obrigado. Vou por esse mundo percurá onde possa viver em paz. Na manhã da segunda, a casa estava vazia.
J. Ferreira
Do Livro Varzea-Alegre
Minha terra e minha gente.

O QUE É VIVER BEM? - Antonio Alves de Morais.


Cora Coralina

Um repórter perguntou a CORA CORALINA (poeta que viveu até 95 anos): - o que é viver bem? Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.  E digo prá você: não pense. 

Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e  isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. 

O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. 

Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de  mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. 

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço,  com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.

"Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

Cel Antonio Correia Lima - Antonio Alves de Morais

Cel. Antonio Correia Lima, nasceu no dia 17 de Julho de 1864, no sitio Varzinha-Varzea-Alegre- Ceara. Filho de Joaquim Correia Lima e de Clara Bezerra Lima. Foi da sexta geração de um dos fundadores do município de Várzea-Alegre o Alferes Bernardo Duarte Bezerra. 

Antonio Correia Lima casou-se em 17 de Julho de 1881, aos 17 anos com Maria Vitória Lima, nascida aos 24 de Setembro de 1862 de cujo matrimonio nasceram 11 filhos, sendo que três deles faleceram crianças e restaram sete mulheres e um homem. 

Metilde, Emilia, Constancia, Santa, Ester, Anália, Edite e Jose Correia Sobrinho. Foi prefeito de Varzea-Alegre de 1912 a 1926 e de 1937 a 1939. Grande lider politico juntamente com o irmão Cel Jose Correia Lima e seus descendentes estiveram a frente do executivo municipal desde a criação do municipio em l870 até 1962, quase cem anos de dominio politico.

O Cel. Antonio Correia faleceu em 30 de março de 1939 e sua esposa Maria Vitória faleceu em março de 1946.

John Lennon - Imagine

Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.

John Lennon