sexta-feira, 31 de julho de 2026

Ciro Gomes - Por Ciro Gomes.

Eu conheço os bastidores da política cearense.

Sei quem são, como agem e quais interesses representam. Durante anos acompanhei de perto tudo o que aconteceu no Ceará e no Brasil.

Chegou a hora de falar a verdade sem medo.

O povo cearense merece conhecer os fatos, separar discurso de realidade e enxergar quem realmente está comprometido com o futuro do nosso estado.

Como diz o ditado: chegou a hora de mostrar que o rei está nu.

O Ceará vai voltar a sonhar, mas com os pés na realidade e os olhos abertos para a verdade.

O TAMANHO DE DEUS - Antonio Alves de Morais.


Pai e filho passeavam e conversavam sobre diversos assuntos, até que em determinado momento, o filho pergunta ao pai: Papai, qual o tamanho de Deus?
O pai pensou, pensou, tentando achar a melhor resposta, pois queria que o filho entendesse de forma simples, mas não queria frustrá-lo com uma resposta do tipo :”Ah filho Ele é infinito”, pois talvez o menino continuasse não entendendo. Então ao olhar para o céu o pai avistou um avião, era o maior avião que existe, era um Jumbo e ele perguntou ao filho:
Que tamanho tem aquele avião? O menino levantou a mão pro céu, mediu e disse: Papai, tem o tamanho da palma da minha mão!

Então o pai totalmente empenhado em fazer o filho entender, o levou ao aeroporto em frente aquele mesmo avião (o avião tinha 19,4 metros de altura e 70,7 metros de comprimento, com capacidade pra 467 passageiros) e ao chegar próximo de um avião perguntou: Filho e agora? Qual o tamanho desse? O menino, saltitando de alegria e espantado em ver de perto algo como aquele, disse: Nossa papai! Esse é muito, muito grande! Ele é imenso!

O pai então disse: Filho este é o mesmo avião, e com isso eu quero que você entenda o tamanho de Deus:  ”O tamanho vai depender da distância que você estiver dele. Quanto mais perto você estiver dele maior ele será em sua vida, e quanto mais longe você estiver menor ele será”

O tamanho que Deus ocupará em nossas vidas, depende de nós, não basta apenas saber sobre Ele, para conhecer a grandiosidade do nosso Senhor é necessário um relacionamento íntimo com Ele! Que Deus não ocupe em nossa vida o tamanho da palma da nossa mão, por que Ele nos quer por completo!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

VALE A PENA VER DE NOVO. CARIRI ATUAL, 20 de Março de 2017 - Wilton Bezerra, comentarista geraralista.

Há 50 anos, durante a transmissão de um torneio de futebol de salão da extinta CELCA (Companhia de Eletricidade do Cariri), começava a trajetória de um dos maiores comentaristas esportivos nascidos na região, WILTON BEZERRA( à direita). 

Segundo o Portal de Juazeiro, do historiador DANIEL WALKER, a estreia de Wilton Bezerra aconteceu na Rádio Progresso AM, ao lado de Wellington Amorim e Damião Gomes. 

Com passagens pelas rádios Uirapuru, Cidade, Assunção e emissoras de TVs, Wilton integra a equipe de esportes da rádio Verdes Mares e TV Diário . 

Em 2006, Bezerra foi agraciado com o título de Cidadão Juazeirense, por meio de requerimento do então vereador Aguinaldo Carlos (à esquerda na foto).

DANADO DE BOM - Por Mundim do Vale


O coronel Juca Furtado, inimigo mortal de Lampião, era proprietário da fazenda Sossego, no município da Lardânia. No mês de São João ele convidou vizinhos e amigos para uma quadrilha. Entre os convidados estavam o cambista de Matorzinho Tomaz Pinto e uma bichinha da capital chamada Chiquita bacana.

Acenderam a fogueira, decoraram o barracão e dançaram forró, enquanto chegava a hora. Por volta das nove horas da noite, foram começando a quadrilha, quando chegou lampião com o seu bando todo armado. A surpresa e o medo fizeram com que aquela gente ficasse toda passiva. Lampião por sua vez tomou conta da situação e falou:
Quem vai marcar a quadrilha sou eu. Cavalheiros de um lado e damas do outro.
Chiquita Bacana perguntou:
Capitão e eu fico de que lado?
Do lado de fora! Minha quadrilha é pra homem e mulher, não é pra fresco não.

Cavalheiros cumprimentam as damas. – Damas cumprimentam os cavalheiros. – Grande roda. – Lá vem a chuva. – Todo mundo nu. - Um dedo na boca e outro na bunda. - Trocar de dedos. – Coluna por um. – Olha o trem. – Aperta o trem. – Damas deitadas. – Cavalheiros em pé. – Cavalheiros fazer apoio de frente. – Passeio.

Quando a neta do coronel passava pelada com um comprador de algodão, Virgulino arrastou, abraçou e disse:
Você é minha!
O par da moça falou:
Mas capitão essa é a minha dama.
Era. Agora é minha. Vá buscar Chiquita Bacana pra você.

Nessa hora o coronel Juca que estava na mira de dois rifles gritou:
Mas tá danado!
Lampião apontou um terceiro rifle e perguntou:
Danado de que coronel?
Danado de bom.

Depois de todo esse constrangimento, o bando saiu batendo no povo e levando cuecas e calcinhas nos fuzis, como se fossem bandeirinhas. Um cangaceiro poeta ainda improvisou esse verso de despedida, para desmoralizar mais ainda o coronel Juca.

“ Lampião marcou quadrilha
Na fazenda do Sossego,
Coronel Juca cagou-se
Depois foi pedir arrego.
Quando a dança terminou,
Virgulino amancebou
Uma branca com um nego.”

Quando lampião já estava no cavalo, Tomaz Pinto Gritou:
Capitão quando é qui o sinhor vai maicar uma quadrilha dessa lá im Matorzinho?

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NELSON RODRIGUES: "PELÉ, UM REI DA CABEÇA AOS PÉS" - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Terminada mais uma Copa do Mundo, cessam as comparações (algumas absurdas) de craques de hoje com Pelé. 

Nem é preciso a desculpa de que seja difícil conversar com uma época. Pelé foi um jogador-atleta fora do comum. 

Foi o que constataram os exames médicos dele para ingresso no Cosmos. Vai ver que estava lá: "Rei da cabeça aos pés", como definiu Nelson Rodrigues.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Um Vaqueiro andando a pé - Por Carlos Eduardo Esmeraldo.

Outro dia, vi num desses programas rurais que passam nas manhãs de domingo nas nossas tevês, uma inacreditável reportagem mostrando um vaqueiro tangendo o gado montando uma moto e vestido com calças gins e camisa polo. 

Confesso que fiquei com saudades dos tempos em que os nossos vaqueiros não se separavam de seus cavalos e do gibão. Bons tempos aqueles! Ah que falta do João Bentivi, Raimundo Manezim, e Pedro Mandú! Aqueles sim, eram vaqueiros de verdade! 

Não como esses janotas, que montados em cavalos mangas-largas, derrubam bois maltratados em um campo aberto. Ao lado de uma faixa de corridas, uma turba de idiotas a ovacionar seus tristes feitos. 

O vaqueiro de verdade enfrentava a caatinga e seus perigos com muita coragem. Ele e o cavalo eram criaturas que somente se separavam para dormir. Parece que nossos autênticos vaqueiros foram sepultados por essa coisa idiota chamada vaquejada, promovida por empresários de barulhentas e intoleráveis bandas de ruídos, que eles pensam ser forró. O verdadeiro vaqueiro jamais era visto andando em carros, motos ou mesmo a pé. Para qualquer lugar que ele fosse era montado em seu cavalo.

A propósito de vaqueiros, lembrei-me de uma pequena historinha da tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Ela era professora e com quase 80 anos, continuava sendo a única catequista do Sítio São José. Morava com o seu irmão, meu tio Zeco Esmeraldo e sua mulher Hélia Abath. 

Toda tardinha, um monte de crianças se reunia num calçadão existente na casa do tio Zeco para as aulas de catecismo. Certo dia, entre indagações de “o Pai é Deus?” “Sim o Pai é Deus”, repetiam as crianças. 

De repente, ouviu-se a voz da tia Esmeraldina, interrompendo seus ensinamentos, e exclamando com muita admiração, apontando para a estrada que passava a cerca de uns cem metros: “Olhem meninos, que coisa interessante, um vaqueiro andando a pé!” 

As crianças olharam e uma delas mais desinibida ousou discordar: “Dona Esmeraldina, aquilo lá não é vaqueiro coisa nenhuma. É um doido nu.” “Para dentro de casa todo mundo!” Falou minha tia, cortando deste modo a natural curiosidade das crianças.

Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 26 de julho de 2026

Trezena de Santa Genoveva - Por JFlavio Vieira


Dona Siderina, este é um dos únicos consensos da cidade, possui a língua mais afiada de Matozinho. Ligua dessas de se usar em cartucheira, de se pensar, muitas vezes, em exigir aumento no estoque de soro antiofídico. Sua casa é uma espécie de radio, de amplificadora da vila: não tem dia em que não apareça furo de reportagem! O noticiário é fornecido, estrategicamente, por temas, em ordem crescente de picardia: os boletins periódicos daqueles que estão no pé da cova, com o rigoroso agravamento de suas mazelas e macacos, as fraudes e roubos dos grandes da vila; os crimes de correr sangue; os namoros mais arrochados; com detalhes das apalpadelas repetidas e dos escândalos; as prenhas solteiras e, por, fim, à sorrelfa, sai a sempre atualizada lista das casadas que andam costurando pra fora. Siderina tem ainda um verdadeiro arquivo morto com o histórico minucioso de todos os escândalos da Vila, facilmente acessível e acessável, bastando um rápido toque no teclado da sua memória de elefante.
Algum ano atrás se pensou até que a Vila perderia de vez o seu Arquivo Municipal. Segundo a regra, um filho de uma filha de Siderina lhe deu um tremendo desgosto, fazendo opções sexuais esdrúxulas e difíceis de serem digeridas numa cidadezinha tão minúscula. 

Todos os matozenses imediatamente gritaram: língua falou, cu pagou! Mas Siderina, mais que de repente, recobrou-se do golpe e voltou com a carga e a saliva todas, para o temor de alguns e a curiosa alegria de muitos. A historia que se segue me narrou Lilian Wite Fibe de matozinho, quando, um dia, não sei a que propósito, lhe indaguei sobre as sempre animadas festas da Padroeira da cidade, a Imaculada Santa Genoveva.

A Trezena de Santa Genoveva, celebrada no mês de Setembro, enchia e vila de pompa e de orgulho. A praça única de Matozinho, capitaneada por sua Matriz, via-se atapetada de barracas, de carrocinhas e de carrosséis. Enquanto as beatas tiravam a trezena, os homens embebiam-se em cachaça e os meninos chupavam roletos de cana e rodopiavam nos parques de diversões. O Sagrado e o profano se mesclavam ludicamente como, alias, em tudo nesta vida, naquele ano, no entanto, me conta Siderina, havia um clima tenso na vila, um ar de pânico, de previsível sobressalto. Dias antes, tinham assassinado, a troco de nada, o velho Ptolomeu Gaudêncio, conhecido amavelmente por Pitó. Ele era comerciante prospero na cidade, tinha montado o primeiro Mercantil daquelas brenhas: uma bodega metida à besta, como definiam todos. 

A família estava inconformada e já havia ameaçado por todos os lados: ia haver vingança, a coisa não ia ficar assim. O criminoso tinha fugido a tempo, mas possuía muitos familiares em Matozinho, inclusive filhos, que, certamente, poderiam, de uma hora para outra, saldar a divida de sangue. Toda festa naquele ano, transcorria neste clima de medo e expectativa: todo mundo preparado para, no primeiro estampido pegar o gramear num urgente e salvador pernas pra-que-te-quero.

Os temores iam se diluindo com o passar dos dias. Santa Genoveva parece que tinha apaziguado os ânimos, com sua doçura. Chega então o ultimo dia da trezena, o ponto culminante da festa. A igreja estava superlotada de fieis fervorosos que depositavam na padroeira muitas das suas derradeiras esperanças. Lá fora até os parques aguardavam o termino da reza, para voltar as suas atividades. As barracas contavam apenas com os mais renitentes deodatos da cidade, que pastoreavam as mesas, como soldados de Pompéia. Perto do templo, Juvenal Fogueteiro atiçava os fogos que céleres iam aos céus e pipocavam ritmadamente, em homenagem a santa padroeira. De repente, deu-se a tragédia. Um dos fogos de Juvenal, desobediente, cortou o firmamento em vôo rasante, e no telhado do templo onde se celebrava o ato religioso. 

Quando o fogo explodiu, a acústica da capela amplificou o estrondo para uma platéia já sobressaltada com as possibilidades de vingança. Não bastante isso, um sem vergonha, aproveitando o eco do estampido, gritou no meio da Igreja: Por favor, não mate o homem!

Era a faísca única que faltava para o estouro da boiada. Foi um rapa-pé de tal monta que só é possível dar uma idéia clara do que aconteceu naqueles terríveis instantes, utilizando a língua de sabre de Dona Siderina: Meu Senhor, a coisa foi feia! O velho Vanderico, que já tem mais de noventa, diz que rodou esta igreja mais de dez vezes, nunca com menos de seis cabras na corcunda! 

Pedro Engembrado, quem há mais de dez anos pede esmola na praça, lembrou que foi um dos primeiros a escapar do liquidificador em que se transformou a capela e só teve uma idéia do que acorreu, quando ao chegar em casa, sua mulher lhe perguntou onde é que ele tinha deixado a cadeira de rodas: tornara-se sua companheira inseparável há mais de uma década. 

Padre Velderico, depois de rastejar como cobra, nadar num mar de braços e cabeças, dar varias bunda-canastras e plantar bananeiras por mais de cinco vezes, afirmou, após a catástrofe, ter escapado passando direto da sacristia para o adro da igreja. Quando lhe perguntaram como conseguira o feito, já que existe um muro enorme, separando as duas áreas, ele foi categórico: rapaz, quando eu passei lá não tinha muro não.

No outro dia, as faxineiras fizeram um levantamento total dos espólios no campo de batalha As portas da igreja estavam abrindo nos dois sentidos: para dentro e para fora. Acharam setecentos e cinqüenta e seis sapatos, mas nenhum perfazia um par, com outro qualquer. 

Coletaram ainda, vinte e cinco chapas inferiores, seis olhos de vidro, quatro muletas, uma perna de pau, oito fundas de hérnia, um marcapasso de coração, quarenta e três armações de óculos, sem qualquer sinal das lentes. 

E concluiu Dona Siderina: Só para você ter uma base do que foi a fricção naquela balburdia: quando varreram o chão, as mulheres ainda apuraram dezessete litros de botão.

sábado, 25 de julho de 2026

JOSÉ DO VALE ARRAES FEITOSA : 42 ANOS ININTERRUPTOS DE PRÁTICA DOCENTE EM ESCOLAS DO SEMIÁRIDO CEARENSE.

Madele Maria Barros de Oliveira Freire, pedagoga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, campus Picuí. e-mail: madele.freire@ifpb.edu.br

José Lucínio de Oliveira Freire, professor do Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia – IFPB, campus Picuí. e-mail:lucinio@folha.com.br

Luíza Gabriela Barros de Oliveira Freire, graduanda do Curso de Direito da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, Campina Grande, PB. e-mail: luizagabrielab@live.com

Um professor, por 42 anos ininterruptos, exercendo o seu ofício em escolas do semiárido, tende a deixar um sólido legado a várias gerações. Esse trabalho contextualizou a prática docente de José do Vale Arraes Feitosa e os momentos históricos à época, bem como sua importância para a Educação do Cariri cearense. 

A análise das informações permitiu concluir que, na sua prática docente, o professor mesclou a Linha Pedagógica Tradicional, de Herbart, com a Pedagogia Nova, de Dewey, e a Pedagogia Libertadora, de Paulo Freire.

A história da educação no Brasil é pródiga em avanços e retrocessos. No período político entre o início do Estado Novo (1937) e a denominada Nova República (1989) ocorreram muitas reformas educacionais e o desenvolvimento de várias correntes pedagógicas.

Na Constituição brasileira de 1937, a política educacional se caracterizava pela centralização autoritária e pela preocupação em equacionar as questões da relação trabalho-escola. 

Para Vieira (2007), é clara a concepção da educação pública como aquela destinada aos que não podiam arcar com os custos do ensino privado. 

O velho preconceito contra o ensino público, presente desde as origens de nossa história, permaneceu arraigado no pensamento do legislador estado-novista. 

Sendo o ensino vocacional e profissional a prioridade, nesse período é flagrante a omissão com relação às demais modalidades de ensino. A concepção da política educacional no Estado Novo estava inteiramente orientada para o ensino profissional, para onde seriam dirigidas as reformas encaminhadas por Gustavo Capanema.

De acordo com Bello (2001), no estado-novista o ensino ficou composto por cinco anos de curso primário, quatro de curso ginasial e três de colegial, na modalidade clássico ou científico. O ensino colegial perdeu o seu caráter propedêutico, de preparatório para o ensino superior, e passou a se preocupar mais com a formação geral. 

Apesar dessa divisão do ensino secundário, entre clássico e científico, a predominância recaiu sobre o científico, reunindo cerca de 90% dos alunos do colegial.

Com base nessa ideologia e prática educacional, deu-se a formação escolar de José do Vale Arraes Feitosa, quando, segundo Feitosa (2003), fora apresentado pelo cônego Manoel Feitosa ao Seminário São José de Crato, em 1936, para concluir os cursos primário e ginasial. 

Em 1942, como ex-seminarista, José do Vale foi indicado pelo monsenhor Pedro Rocha para auxiliar o padre Francisco de Holanda Montenegro, no então Ginásio do Crato.

José do Vale Arraes Feitosa foi um professor que exerceu o seu mister, de 1947 a 1989, nas mais tradicionais instituições de ensino médio do município do Crato, encravado no centro socioeconômico e político do Vale do Cariri cearense: Colégio Diocesano do Crato (escola privada pertencente à Igreja Católica), Colégio Estadual Wilson Gonçalves (escola pública) e Colégio Agrícola do Crato (hoje, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, campus Crato). 

Começou a sua prática docente já sob os auspícios doutrinários da Constituição de 1946, concluindo-a já sob a égide da Constituição Federal de 1988, que prescrevia o início de um debate propriamente pedagógico, visando-se, entre outras metas, recuperar a escola pública, aviltada e empobrecida nos períodos precedentes.

FLIMAN III - Dr Sávio Pinheiro.



Cinco varzealegrenses paidéguas.

Tivemos a grata satisfação de participar da fenomenal III Feira Literária de Mangabeira (FLIMAN), evento que cresce de forma surpreendente a cada edição.

Batista de Lima, idealizador da feira, ao lado de pessoas da melhor cepa, como Pedro Luiz e Fátima Lemos — dois poliartistas de reconhecido talento —, demonstrou, por meio de uma organização impecável e de uma programação diversificada, a extraordinária capacidade artística, intelectual, musical e literária do povo de Mangabeira.

A FLIMAN consolidou-se como um verdadeiro celeiro de cultura, reunindo escritores, artistas, músicos e leitores em um ambiente de celebração da literatura, da arte e da identidade regional. É um evento que orgulha o Cariri e inspira todos aqueles que acreditam na força transformadora da cultura.

Estiveram presentes ao evento, membros do Instituto Cultural do Cariri, da Academia dos Cordelistas do Crato, o memorialista Antônio Morais e os escritores Sávio Pinheiro, Linda Lemos, José Bitu Moreno e José Flávio Vieira num sábado de Expo Crato. Eis a importância da feira. 

Bons tempos - Crato Tenis Clube - Antonio Alves de Morais.


No dia l7 de Julho de 1950 o Crato Tênis Clube foi inaugurado. Os tempos eram outros.  Até o inicio da 
década de 70 do século passado para frequentar uma simples vesperal de Domingo teríamos que nos apresentar de terno e gravata, em trajes a rigor. Imaginemos uma festa social para escolha da "misse mirim" do ano, cuja a vencedora foi "Salambó" filha do saudoso, nobre e honrado professor e dentista Dr. Gutemberg Sobreira. 

Os meus colegas Colégio Estadual Anário, Severiano e Zé Leite Dias infucaram de ir, me seduziram, fui junto. A grana era pouca ou quase nada. 

Lá estávamos nós nos salões muito chique, Severiano parecia o apóstolo Judas, Anário com a calsa pegando marreca e o paletó com medo de bufa e o Zé Leito aleijado, torto, uma parte do terno no joelho e a outra no sovaco. O Anario havia colocado uma pedra de três quilos no bolso do paletó dele! Eu, vou deixar que eles me descrevam.

Pedimos quatro cubas montila ao Fuim, garçom muito conhecido do meio social a época. Ele nos serviu sob o olhar desconfiado do Paulo Frota, dono do restaurante do clube. Passamos a festa andando pelos corredores girando os cubos de gelo com o dedo. Nenhum dos quatro dançou na festa, ninguém se arriscou a levar uma mala. Uma aventura, hoje  não  me arrependo das estripulias que cometi, lamento por não puder fazê-las novamente. 

Estas lembranças objetivam resgatar a foto abaixo do "Conjunto do Hildegardo", pelo que representou para sociedade e para os jovens cratense, naquela que foi a fase mais dourada de nossas vidas. 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Reza atrapalhada - Antonio Alves de Morais

Moravam no sitio Formiga, entre a sede do municipio e o Roçado Dentro, local onde a cada 13 de Dezembro reuniam-se centenas de fieis e devotos de Santa Luzia para venerá-la.

Gente de todas as localidades compareciam para pagar promessas e ex-votos. Dos filhos da família, em numero de 12, tanto as moças quanto os rapazes eram de finíssima hospitalidade e de tanto escolherem pretendentes a altura, não se casaram, ficaram todos na prateleira.

A união reinava naquela casa, um cuidava do outro como quem cuidava de um filho que não tivera. Quando atingiram a idade de 50 e 60 anos, firmaram maior fervor na sua religiosidade. Todo dia, à noitinha, se reuniam, na sala da casa e, rezavam o terço, coisa bastante difícil nos dias atuais.

Na introdução cantavam " A nós descei e Queremos Deus", e a seguir Josefa, a irmã mais velha, ia tirando a reza enquanto os demais respondiam.

Na sala, existia uma pequena mesa onde, em cima, se colocava um santuário com as imagens e embaixo um cachorro costumava fazer o seu merecido descanso.

Um belo dia, de repente, surgiu uma catinga desagradável e se deu essa tragedia:

Josefa disse:

Ave Maria cheia de graças,
O Senhor é convosco.
Bendita sois vós,
Chico ponha pra fora esse cachorro,
Que está bufando fedorento,
Entre as mulheres,
Bendito fruto do vosso ventre.....

Imediatamente foi atendida. O cachorro foi retirado da sala, mesmo sem se ter tanta certeza que ele era o responsável pela contaminação gasosa.

Havia uma desconfiança, pois no almoço fora servido um baião de dois com fava, farofa com cebola, batata doce e toucinho torrado.

Demorou pouco e a catinga de bufa dominou novamente o ambiente, e desta feita, o cachorro já não poderia receber a culpa, faltaram com respeito a Santa Luzia. Foi, então  que Zefa encarou o irmão dizendo:  Chico crie vergonha e vá cagar no terreiro.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

*A INFÂNCIA DO FUTEBOL* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Se as ruas de terra ou calçamentos eram ruins para carros e transeuntes, para o futebol da garotada serviam muito bem.

Não havia coisa mais importante na nossa infância do que o futebol.

Tão natural como acordar e escovar os dentes.

Mas, tinha a escola. De fato, tinha a escola.

Mas, na escola mesmo, nos 15 minutos de recreio, escondidos dos olhares dos diretores, se improvisava uma pelada com uma bola de papel.

Quando da escola retornávamos, o destino era a bola e a rua.

Aí, começava o aprendizado. Educava-se o corpo para chutar, driblar, "matar a bola" no peito e na coxa, do jeito que ela chegasse.

Não é mais assim que a garotada de hoje se inicia no futebol.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Um deforete - Antonio Alves de Morais


Nada há no mundo para marcar mais o ser humano do que a musica. Um dia o meu professor Manuel Batista Vieira definiu saudade como sendo: presença e ausência, ou seja, você traz para o presente o que lhe é ausente. Assim sendo a musica é saudade, porque têm a propriedade de resgatar as alegrias, as felicidades do acervo vivido outrora. 

 Quando cheguei a Crato, Março de 1969, nossa turma de colégio gostava de fazer tertúlia na casa de colegas. Tudo muito simples. Um emprestava a radiola de pilhas, aquele mais dengoso conseguiu com os pais a casa, e, os discos cada um trazia o seu. Nunca se passava das 10 da noite. Quando o dono da casa era mais liberal, tínhamos também, em cima da mesa, um caldeirão cheio de caipirinha. 

 Nós tínhamos uma colega muito bonita, que era também, uma especialista em dar fora em nego. Ela dava uma cordinha e quando o caboclo se aproximava levava uma tremenda mala. Um dia um colega confessou para mim e para a José Flávio  que estava pretendendo falar namoro com a talzinha. 

Nós demos uma boa corda. O José Flávio até ensinou um palavrado romântico a ser usado. Depois de uma talagada da caipirinha, o colega criou coragem, tomou chegada, e, partiu para a ação. Sem rodeios lascou: eu vi saber se você quer namorar comigo porque o Morais e José Flávio mandaram! - Ela respondeu no ato: volte e diga pra eles que eu não quero. Foi a mala mais bem aplicada que vi. O colega saiu atordoado, morava prum lado e saiu em outra direção.