sábado, 10 de outubro de 2026

Crônicas e contos - Dr. Mozart Cardoso de Alencar.

O padre e as duas malas - Doce de Pimenta, Livro do Dr. Mozart Cardoso de Alencar.

Era um ano de copioso inverso. O Bispo havia transferido o padre de uma paróquia para outra. A saída da cidade tinha que ser feita atravessando obrigatoriamente o leito de um rio, que passava ao pé do subúrbio, e nesse dia o rio estava cheio, transbordando.

O padre chega à margem do rio e entrega duas malas ao caboclo, dono de uma balsa de paus flutuantes com que explorava o comercio do transporte de pessoas e de cargas para a outra margem. 

Entrega as malas e vai dizendo: Seu Zé, preste bem atenção: essa mala aqui é da igreja, ela conduz cousas sagradas: o cálice, a âmbula, as hóstias, as galhetas de vinho, paramentos, opas, quadros e estatuetas de santos, tenha todo cuidado com ela! Essa outra é a mala que leva minhas roupas e meu dinheirinho.

O caboclo lança-se sobre o dorso dos vagalhões das águas barrentas guiando a frágil embarcação. Poucos minutos depois, lá do meio do rio, grita o caboclo: Seu padre, o peso é demais! A balsa vai virar! É preciso empurrar dentro do rio uma das malas, qual é a que eu salvo?

Ao que o Padre, aflito, em desespero, respondeu: Salve a do dinheiro – E o poeta ironizou:

Salve a mala do dinheiro!

Deixe a do santo afogada!

Com dinheiro eu compro santo!

Com santo eu não compro nada!

A história está relatada no livro “Código da Vida” - Por Saulo Ramos ex-ministro da Justiça no Governo Sarney.

O ex-ministro da Justiça responsável pela nomeação de Celso de Mello para o STF no governo Sarney

“Terminado seu mandato na Presidência da República, Sarney resolveu candidatar-se a Senador. O PMDB — Partido do Movimento Democrático Brasileiro — negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.

Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

O processo do Presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do Presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão.

CELSO DE MELLO

O Presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.

Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.

O advogado de Sarney era o Dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de Senador e, nos últimos cinco anos, o de Presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.

O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.

Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.

Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.

Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do Presidente.

Claro! O que deu em você?

É que a Folha de S.Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique tranqüilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.

Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:

Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?

Sim.

E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

Exatamente. O senhor entendeu?

Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”

SAULO RAMOS, EX-MINISTRO DA JUSTIÇA

O galo Chantecler - Por Leonel de Moura Brizola.

Leonel Brizola, figura singular da história política brasileira, tinha como uma de suas características a fala através de metáfora. Era mestre neste tirocínio.

Ao reler seus Tijolaços – artigos pagos e publicados em jornais impressos de circulação nacional – este predicado fica mais evidente, e muito mais agudo com sua peculiar ironia e sagacidade.

Uma das figuras que usava era a síndrome do galo Chantecler.

O galo Chantecler, diz a história da fábula do teatrólogo e escritor francês Edmond Rostand, era um galo metido, chamado Chantecler (algo como “canta e clareia”).

O galo acordava de madrugada e cantava a plenos pulmões, para “acordar o sol”. Meia hora depois, o sol despertava e surgia brilhante no horizonte.

“O sol nasce porque eu canto”, proclamava orgulhoso e arrogante, o galo. 

Mesmo diante da contestação de todos, ele repetia: “sou eu que faço o sol nascer”.

Sua decepção profunda veio quando, depois de uma noite mal dormida, o galo acordou muito mais tarde, lá pelas 8 e meia da manhã, e viu, desesperado, o sol brilhando no céu, sem que ele o tivesse determinado.

Na existência humana muitos sofrem desta síndrome e acreditam, piamente serem a razão inconteste do raiar do sol; aprumam as penas e cacarejam a todos os pulmões; olvidando-se de sua reles existência finita, de sua ordinária vulnerabilidade, da sua vil transitoriedade.

Incultos, rasos e arrogantes, são desprovidos da genuína sabedoria de que pouco ou quase nada sabemos, uma vez que a existência é um eterno aprender.

Na política, esta síndrome se acentua: o poder, o dinheiro, o status, as facilidades, são agentes imperiosos para o cacarejo Chantecler. Muitos acreditam serem o centro do universo com seu egocentrismo e sua ganância, entre outros atributos mais deletérios.

Desta forma, fica cada vez mais perceptível e escandaloso a perda da conectividade com a vida e o sofrimento real de nossa população, em prol da infatigável busca por holofotes e poder.

Afinal, a política para alguns é apenas o instrumento basilar para aumentar suas síndromes, sua ganância e sua estupidez. O povo é apenas um detalhe, cinicamente, manipulado para a manutenção do poder.

Porém, um dia o despertar se atrasará, o sol brilhará e o cacarejar será apenas ruído de quem um dia se conjecturou ser a razão primordial e insubstituível da existência; e quem sabe assim perceberá sua pequenez e sua finitude.

Até porque o poder – cedo ou tarde – castiga, os insaciáveis galos Chantecler. 

Enviado por Dr. Francisco Alves Pereira.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Marinho: ‘Moraes e Dino deixaram a imparcialidade para fazer política’.

 

Líder da oposição ao presidente Lula no Senado critica ministros do STF e sugere que deixem o Judiciário e disputem voto

O líder da oposição ao presidente Lula (PT) no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), denunciou nesta quinta-feira (6) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sofreu uma intervenção contínua de ministros Supremo Tribunal Federal (STF), ao longo desta campanha presidencial. Após se encontrar com o presidente do STF, Edson Fachin, o senador aliado do candidato Flávio Bolsonaro (PL) relatou que os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino abandonaram a imparcialidade para atuar politicamente com interesse partidário.

“Moraes e Dino deixaram a imparcialidade de lado para fazer política. Isso ficou ainda mais escancarado no primeiro turno, a sociedade percebeu e respondeu nas urnas. Quem quer fazer política que deixe a toga e dispute o voto. Juiz julga, não faz campanha, nem veste camisa de partido. O Brasil exige equilíbrio entre os Poderes e respeito à Constituição!”, escreveu Marinho, ao publicar na redes sociais um trecho de sua entrevista.

No vídeo, o líder da oposição a Lula relata dificuldade de dialogar com Moraes e Dino, por causa do viés político que denuncia em seus comportamentos. “Acho que política é para os políticos. A minha preocupação é com a interlocução com o Judiciário. Não me nego a conversar com eles. Mas vou deixar passar o processo eleitoral para procurá-los, oportunamente, se for o caso. Porque, hoje, me parece que, claramente, o viés político tem dominado as ações desses dois senhores”, concluiu Marinho.

O trecho é parte de uma entrevista concedida na saída do encontro com Fachin, em que Marinho inclui o ministro decano Gilmar Mendes entre integrantes do Supremo que têm feito intervenções na Justiça Eleitoral. E lembra de casos em Roraima e no Rio de Janeiro, como indefinição da linha de sucessão ao governo fluminense que mantém como governador, desde março, o desembargador Ricardo Couto de Castro, que presidia o Tribunal de Justiça, apesar de o Legislativo já ter como presidente o deputado Douglas Ruas (PL), eleito governador em 1º turno, no último domingo (4).

“Nunca é demais lembrar que, até agora, nesse exato momento, nós estamos com uma intervenção que significou a quebra da cadeia sucessória no estado do Rio de Janeiro e com um e com um julgamento que foi paralisado. Temos lá, de fato, uma situação completamente anômala. O Rio de Janeiro demonstra a sua irresignação e a sua revolta. E boa parte da votação que ocorreu também se dá pela indignação que a sociedade tem hoje, da maneira como estão acontecendo as intervenções do Judiciário na política”, conclui Rogério Marinho.

O Diário do Poder enviou à assessoria de imprensa do TSE um pedido pelos posicionamentos dos ministros citados por Marinho. E publicará eventuais respostas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Vamos pegar o rato? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Relembro com saudades do companheiro rotariano Jósio de Alencar Araripe, um grande amigo, que a vontade maior, que vence a todos nós, roubou do nosso convívio.

O companheiro Jósio era um forte crítico das idéias desprovidas de inteligência e, principalmente do regime político que vigorou em nosso país por longos vinte e um anos.

Quando o Rotary Clube do Crato ainda se reunia no Crato Tênis Clube, a notícia que mais teve repercussão no noticiário daquela época foi a declaração de Nelson Chaves, um conhecido nutricionista pernambucano, que receitava uma dieta de ratos para acabar com a fome do nordestino. 

Na reunião plenária da semana em que essa notícia era o prato do dia, Jósio se inscreveu no “Período de Comunicações” para comentar a infeliz declaração do cientista pernambucano, que era ligado a uma agência governamental de combate à fome. Iniciou sua fala comentando que a Checoslováquia tinha muitas represas próprias para criação de peixes. 

Era uma excelente maneira de matar a fome do povo daquele país. Que o nordeste precisa de açudes e o Ceará com os açudes do Orós e do Castanhão, naquela época, ainda um projeto distante, poderia se transformar num grande criatório de peixes. 

Ele lembrou ainda, que o governo poderia montar um programa de construção de pequenos açudes, exclusivos para criação de peixes. E assim o companheiro Jósio encerrou sua comunicação: 

“O nosso sertanejo não tem o costume de comer peixe. Mas seria muito mais fácil habituá-lo a comer peixes do que ratos. Mas como esse governo tem muita propaganda, pode ser que investindo em uma maciça campanha publicitária, convença nosso povo a comer ratos. Agora, difícil mesmo vai ser pegar o rato...”

Petistas se estranham e culpam Lula: ‘Ele achava que nada ameaçava a reeleição’ - Diario do poder.

A lavação da roupa suja está de vaca não reconhecer bezerro no governo, por isso o PT chegou a censurar até mesmo o discurso do próprio Lula, ontem. Com o hábito de terceirizar responsabilidades, Lula apontava o dedo para Edinho Silva, presidente nacional, reclamando da desorganização da sua campanha, quando a transmissão da reunião pelo canal do PT no Youtube foi abruptamente interrompida. Lula não escapa das críticas internas, que o apontam o único culpado pelo fiasco.

Faltou motivação

Além de abandonar o “varejo”, que em política é se dedicar aos aliados que trazem votos, Lula é acusado de não articular a própria candidatura.

Soberba derrota

“Ele achava que nada ameaçava a reeleição, a ficha só caiu quando viu na TV que estava perdendo”, diz um dirigente ligado a Edinho Silva.

Sem apoio externo

“Vai herdar votos da Tebet?”, ironiza outro, para quem Lula não articulou candidaturas de outros partidos que tirassem votos do adversário.

Herança bendita

Petistas acham que Flávio é quem soube garantir no 2º turno o apoio de candidatos que ficaram para trás no 1º. Esse diferencial Lula não tem.

Observadores da OEA avaliam que STF e TSE geraram incerteza na campanha - Diario do Poder.

Relatório preliminar de missão de observadores cita decisões individuais de ministros, mas elogia a organização da votação e a urna eletrônica

A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou nesta terça-feira (6) que decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) geraram “incerteza e confusão” durante a campanha. O relatório preliminar também avalia que a votação foi organizada e classifica o sistema eletrônico brasileiro como “exemplo de excelência eleitoral para a região e para o mundo”.

O documento registra relatos de que algumas decisões podem “afetar a equidade em alguns momentos da disputa” e defende “máxima segurança jurídica” para o segundo turno. Segundo o relatório, atores políticos ouvidos pelos observadores manifestaram preocupação com o que classificaram como “ativismo ou um protagonismo judicial que colocou os ministros de ambos os tribunais no centro da campanha eleitoral”.

Entre os exemplos, a OEA citou decisões sobre regras de combate à desinformação e divergências sobre a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate da TV Globo. De acordo com a missão, esses episódios introduziram “distorções no desenrolar natural da campanha e condições de incerteza jurídica para os atores do processo”.

Divergência entre STF e TSE

O relatório menciona ainda a divergência entre as duas cortes e cita o ofício enviado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, ao presidente do STF, Edson Fachin. O documento foi encaminhado em 28 de setembro, depois que o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu uma decisão de André Mendonça tomada no TSE. A decisão de Mendonça havia determinado a remoção de publicações sobre Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida.

No ofício, Nunes Marques alertou para um “risco de captura institucional” do TSE e manifestou “preocupação com episódios reiterados de indevida sobreposição de competência e de violação ao juiz natural”.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Crônica - Socorro Moreira.


Escritora e poetisa Socorro Moreira.

Meu bem,

Depois de 25 anos escrevendo memorandos, e em oitavados, especializei-me em listas de supermercado.
Queijo branco.
Pão integral, frutas, azeite e uma garrafa de vinho.
Casamento fora do papel merece carta de amor pensado, escrita, perfumada, e manchada de batom.
Amassei. Não gostei.
Vou tentar novamente.

Meu amor.

A noite também chegou por aqui, já me fez cumprir todos os rituais, antes de dormir. Só falta uma espiadinha na janela, e fecha-la seguramente, pra que ela não me rapte de ti.
Li alguns textos no Blog, apaguei e-emails, encaminhei alguns, abrir Windows sucessivos, restarei artigos, que vi na lixeira. Na falta do fogo para queimá-los, salvei-os.
Procurei-te nos sites de musicas, e Diana Kral deu-me teu recado: Fly Me To the Moon. Depois foi o Chico, que pegou pesado, cantando Vitrines... E o Vinicios, que também postou um poema: Conjugação da ausente.
Pesquisei sonetos de J. G. de Araújo Jorge. Achei-os melosos demais, e fiz umas trocas. Edu Lobo com Cacasos, na Toada, e com Torquato Neto, no Pra dizer Adeus.

Do Livro - Vários Autores Cariricaturas.

RESGATE HISTÔRICO E CULTURAL DE VÁRZEA-ALEGRE - ANTONIO ALVES DE MORAIS

Fundado em 1965 com 28 socios o Lions Clube de Varzea-Alegre nasceu grande.  Já em 1967, dois anos depois  recebia  o premio de "Melhor Delegação" na Convenção Leonística da cidade de Sobral. Teve atuação marcante em todos o segmentos  da sociedade notadamente na construção do CREVA - Clube Recreativo de Varzea-Alegre. 

O video a seguir  resgata  um dos encontros do Lions em nossa  cidade com a presença de leões de varias regiões, inclusive  do Armando Martins Governador do Distrito de Lions por varias vezes. O video resgata também parte da nossa cultura.  Os bonecos do Damião são um show a parte, sem se falar "Nos Caquim" meninos bons de sanfona. No geral um  bom video que vale a pena ser visto por aqueles que gostam de cultural  e arte..

Abraços a todos.



Saudades, muita saudade do casal Jose Batista Rolim e Iacy Menezes Rolim - Estão no video.

Lula é parte da promiscuidade no STF - Crusoé.

Presidente defendeu investigação sobre André Mendonça, que quebrou sigilo das conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

O presidente Lula (foto) afirmou nesta segunda, 5, que “estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira, depois dessas denúncias“.

Quando fala “dessas denúncias“, Lula provavelmente se refere às conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu colega de Corte, Alexandre de Moraes.

Os diálogos foram revelados após uma quebra de sigilo ordenada pelo ministro do STF André Mendonça, em 1º de setembro.

Mas Lula não tem moral para reclamar da promiscuidade no Supremo Tribunal Federal (STF).

Isso porque a reação do presidente foi atacar Mendonça e preservar Moraes.

As denúncias dão conta de que a esposa de Moraes assinou um contrato com Vorcaro, que foi editado por Moraes, e o magistrado conversou diversas vezes com o banqueiro, que lhe pedia favores. Moraes poderia estar realizando advocacia administrativa.

Mendonça enviou no dia 1º de setembro as informações para o presidente da Corte, Edson Fachin, recomendando que o plenário se manifestasse. A sessão aconteceu na terça, 15 de setembro.

Nesse dia, revelou-se uma articulação entre os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes para inviabilizar uma investigação sobre Moraes e, ao mesmo tempo, forçar a abertura de uma investigação sobre Mendonça.

Dois dias depois, Lula defendeu que o STF decidisse no mesmo dia sobre abrir investigação sobre Moraes e outra sobre Mendonça em uma entrevista para a rádio Itatiaia.

“Eu acho que, se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se os telefonemas são verdade, se o Luiz Fux está envolvido, se o André Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE Kassio Nunes Marques está envolvido. 

Vamos saber quem está envolvido para apurar”, disse Lula, sem citar Moraes.

NA MEDIDA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

• OBVIEDADES - Polarizações cegas e surdas geram decisões desequilibradas. Corrosão politica e judiciária completam a receita para o desastre. Não estamos descobrindo nada.

• NÃO SE IMPORTE - Quando uma pessoa falar mal de você, tire de letra. Vai que essa pessoa tem vontade de ser como você e fazer o que você faz. Na verdade, a inveja é um elogio. 

• É O SEGUINTE.... 

- Corpo sarado, siliconado, tatuagens espalhadas e piercings. Pessoas que mudam o corpo por achar que mudam o Mundo. 

- Bem que eu gostaria de voltar à infancia e encontrar os lugares que foram meus. Estamos sempre esperando algo que nunca chega ou que já passou. 

- Quem consagra o "saber sofrer" no futebol diminui o prazer do seu desfrute. 

- O que sai de sua boca é o que está em sua mente. 

- Ri por último quem não entendeu a piada. 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Lula diz carregar “nas costas” a “promiscuidade” do STF - O Antagonista.

Presidente defende discutir critérios para escolha de ministros da Suprema Corte e afirma que “ninguém está acima da lei”

O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda, 5, que está “carregando nas costas” a “promiscuidade” de ministros do Supremo Tribunal Federal.

O petista atribuiu parte de seu resultado negativo no primeiro turno à crise envolvendo integrantes do STF.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

STF já é o grande derrotado da eleição - O Antagonista, Rodolfo Borges.

Vandalizado pelos próprios ministros, Supremo Tribunal Federal precisará ser reconstruído depois desta eleição para voltar a ter alguma serventia para o Brasil

Independente de quem será eleito presidente da República na eleição deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) deixará o pleito como o grande derrotado.

Sob a alegação de evitar interferência de colegas no processo, o decano do tribunal, Gilmar Mendes e Flávio Dino foram muito além da rígida e controversa atuação de Alexandre de Moraes em 2022 e direcionaram decisões claramente em benefício de Lula, para liberar o reajuste eleitoreiro do Bolsa Família e liberar mentiras evidentes, além de melar o debate da TV Globo em benefício do petista.

Esses mesmos ministros evitaram a abertura de investigação sobre as relações entre Moraes e Daniel Vorcaro, também sob a alegação de que a comprovação da relação entre o ministro do STF e o ex-banqueiro do Master foi trazida a público por motivos eleitorais.

Dino tentou justificar as intervenções eleitorais, feitas a partir de petições teleguiadas direto para suas mãos, mas usou exemplos ruins, até porque é injustificável o que ele e Gilmar fizeram.

Filtro desrespeitado.

O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, anunciou a criação de um filtro para evitar a escolha de juízes por meio de processos antigos. Mas o decano do STF, que não é exemplo para ninguém, seguiu despachando sobre questões eleitorais no fim de semana.

Gilmar cassou uma decisão que dava direito de resposta ao senador Sergio Moro (PL-PR), candidato ao governo do Paraná, passando por cima do filtro de Fachin.

Esses ministros do STF perderam qualquer pudor numa tentativa de autopreservação que vem desde a derrubada da Operação Lava Jato e desembocou no escândalo do Banco Master.

Auxílio.

No cenário de reeleição de Lula, caberá a esses juízes tentar levar o governo do petista até o final, como ocorreu neste terceiro mandato, aliás. Diante de um Congresso Nacional hostil, Lula buscou auxílio do Supremo diversas vezes para reverter suas derrotas no parlamento.

No cenário de eleição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), projeta-se a realização do primeiro processo de impeachment de um ministro do STF, mas o risco é que a correção do tribunal fique por aí, com a entrega da cabeça de apenas um ministro, em nome de uma acomodação.

O STF precisará ser reconstruído depois desta eleição, pois foi submetido por seus próprios membros a uma sessão de vandalismo judicial que dificilmente será superada no futuro.