Blog do Antonio Alves de Morais
domingo, 19 de abril de 2026
Bodas de ouro - Antônio Alves de Morais
A vida é uma grande Viagem - Antonio Alves de Morais.
A vida é uma grande viagem que poderá nos levar onde nossa consciência determinar.
Poderá ser ao Céu ou ao Inferno! Durante o percurso há estradas íngremes, há testes os mais variados para que a criatura seja avaliada por Deus, e, pela própria consciência.
Deus e o Demônio moram dentro de cada um para que o discernimento determine a quem deseja servir.
O itinerário necessita de reflexão e questionamento, interrogando o próprio coração, onde está o amor?
A boa vontade do viajante, dizem os iluminados, é que torna os desafios suaves. Os papeis vividos nessa trajetória são responsáveis pela credibilidade ou o fracasso da jornada.
Só aprendendo, verdadeiramente, a amar e a viver em harmonia com as pessoas de próprio gregário‚ nutrem-se a consciência de paz, ampliando a fé e o entusiasmo para vencer os obstáculos naturais da vida!...
O amor é aprendido sendo praticado, é traduzido nas relações interpessoais reais e concretas; é amando sem nada temer, como instrumento de paz, sem a especulação abstrata do interesse que seremos exemplos para humanidade.
Os ricos e os famintos - Osvaldo Alves de Sousa.
É de estarrecer o estado de pobreza reinante na periferia do Crato. Quem, por ventura ou desventura, visitar as favelas que proliferam nas circunvizinhanças dos bangalôs dos ricos, volta com o coração amargurado.
Vivendo a sombra da miséria absoluta, convivendo com lastimável estado de pobreza, centenas ou milhares de seres humanos vegetam a míngua de quaisquer assistência dos poderes públicos. Para os que vivem no conforto da modernidade o quadro simplesmente não existe. O problema, alem de trivial, não é deles. Não lhes interessa saber como vivem esses parias da sociedade insensível e ecocentrista.
Tive, oportunidade, há dias, de visitar uma das favelas do Crato. Choca os olhos e amarguram o coração o espetáculo de miséria dos desvalidos. Convivendo, em seu dia-a-dia, com a promiscuidade e exposta aos riscos da contaminação pelas moléstias que grassam na região. A pobreza citadina também é vitima da fome e da desnutrição. Em cada favela da urbes encontramos uma Somália em potencial. Realidade injusta que se confronta com os privilégios dos poderosos e a ladroagem de políticos, das mais diferentes máfias, em todo país.
Construir avenidas, praças bonitas e feéricas, viadutos gigantescos, pontes ornamentais, sambódromos de custos elevadíssimos, meter a mão nos dinheiros públicos, é tripudiar sobre a miséria de milhões de brasileiros e milhares de cratenses, afogados na agonia lenta dos tugúrios.
É bom atalhar a onde dos sofridos, a avalancha dos parias, antes que se consuma o estouro dos miseráveis, à busca da justiça social que lhes tem sido negada.
Croniqueta - Antônio Alves de Morais.
Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança".
sábado, 18 de abril de 2026
Modéstia nascida do berço e do coração - Antonio Alves de Morais.
Foto num momento de descontração : Mariano Alves Pereira, Antonio Alves de Morais e o médico Francisco Alves Pereira.
A palavra modéstia deriva do latim "modestia,ae", que significa moderação e comedimento.
Que não expressa vaidade; que não age com superioridade em relação às próprias conquistas; simplicidade, humildade: "Recebeu o prêmio com modéstia".
Moderação exigida por determinadas situações, deveres; sobriedade: "modéstia diante das conquistas".
Que não se importa com luxo nem ostentações.
Em concordância com as regras morais e éticas de uma sociedade; "decência, humildade, naturalidade, simplicidade, singeleza, desambição, decência, sobriedade, despretensão, moderação".
Tive a honra de receber em nossa casa dois amigos, dois irmãos, o ex-colega do Colégio Estadual Wilson Gonçalves : Mariano Alves Pereira e o médico Francisco Alves Pereira fundador e proprietário da "Clínica de Dor", em Campinas - São Paulo.
Politica - Por Platão.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Dr. Francisco e Mariano Pereira - Antônio Alves de Morais.
Uma história muito bonita que mostra o lado positivo do trabalho, do estudo, da gratidão e reconhecimento.
Sua profissão era motorista de taxi. Possuía um velho DKW, locado no Posto Crato, na gloriosa Praça Siqueira Campos.
O fato, é que ele focava todos os seus esforços para educação dos filhos. Determinação total. Exigência acentuada e disciplina esmerada.
Assim, conseguiu formar o primeiro filho Dr. Francisco Alves Pereira em medicina pela Universidade Federal do Ceará. Em seguida o Dr. Francisco deslocou-se para a cidade de Campinas - São Paulo a fim de se submeter à prova seletiva em residência médica na área de anestesiologia.
Foi uma batalha árdua, uma vez que eram vários candidatos oriundos de todo o pais disputando somente 4 vagas. Vencida esta etapa em primeira colocação surge a oportunidade, através de concurso envolvendo prova escrita e oral, de ser professor de medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nos dois concursos mencionados a colocação foi simplesmente primeiro lugar.
Depois do Dr. Francisco vieram os outros filhos com títulos superiores, O filho médico, tão logo pode, deu um carro novo ao seu pai. Um corcel 4 portas. Um luxo pra época.
No painel, no interior do carro, logo abaixo de onde estava encaixado o rádio, feita com essa maquininha da foto, estava bem à vista do passageiro a tirinha com seguintes dizeres :
"O carro deu o doutor, e o doutor, deu o carro".
Seu Lasquinha foi proprietário da única Kombi do cariri que possuía seis portas. Por essa razão tal veiculo era foco de muita atenção. Inspirado numa música Seu Lasquinha mandou escrever no parachoque : "Boneca cobiçada".
Fonte Professor Mariano Pereira e Dr. Francisco Alves Pereira.
Não volte - Antonio Alves de Morais.
Não volte para onde um dia você foi feliz, é uma armadilha da melancolia, tudo terá mudado e nada será igual, nem mesmo você.
Não tente procurar as mesmas paisagens, nem as mesmas pessoas, elas não estarão, o tempo joga sujo, e terá se encarregado de destruir tudo o que um dia te fez feliz.
Não volte para o lugar onde um dia você foi feliz, mantenha-o sempre na sua memória, como era, mas não volte.
Não volte ao passado, você já o conhece, a vida continua e há novos caminhos para percorrer, novos lugares para visitar e outras pessoas que nos esperam.
Rubem Alves.
Filho - Antônio Alves de Morais
Acredite: dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria.
Lembrando o Segundo Científico do Colégio Diocesano do Crato, turma 1960 - Antonio Alves de Morais.
Professores à frente sentados : Maria de Castro, Monsenhor Francisco de Holanda Montenegro, diretor do colégio, Padre David Augusto Moreira, Padre Edmilson Macedo, professor Dr. José Nilo Alves de Sousa e professor José do Vale Arraes Feitosa, vice diretor.
Alunos segunda fila : Cidália Luma, Marlena Barbosa, Ana Lúcia Lemos, Marília Feitosa Ferro, Evaldo Alves Rocha, Gilberto Sobreira de Menezes, Francisco Aguiar Bezerra, Edmilson Pereira Felix, Camardele.
Alunos terceira fila : Wagner, Antônio Édson Libório, Aremilton, Edilson Tavares, Luciano Lira de Macedo, os irmãos Tarcisio e Tércio Siebra e Geraldo.
Estes mestres foram os semeadores da semente do bem, do conhecimento, dos bons costumes, da educação e da cultura. Os alunos são o terreno fértil onde as sementes foram semeadas e germinadas.
Primeiro carro do Crato - Antonio Alves de Morais.
O comerciante Manoel Siqueira Campos, nascido em Porteiras - Ceará, se estabeleceu no Crato no início do Século XX, após conseguir grande fortuna trabalhando em Triunfo - Pernambuco.
No dia 29 de Setembro de 1919, ele trouxe o primeiro automóvel para o município, comprado em Recife, no Pernambuco, sua chegada fez história na Princesa do Cariri, atraindo muitos curiosos.
Antes disso, criou a primeira "Fábrica de bebidas" da região.
O empresário, por conta própria, construiu os primeiros calçamentos das ruas centrais da cidade e ajudou os flagelados da seca de 1915 que chegavam aos campos de concentração na região. Especialmente no Muriti - Crato.
A praça erguida em sua homenagem resiste ao tempo firme, altaneira e bela, porém o busto em sua homenagem foi retirado, não se sabe que fim levou.
Lamentável.
Histórias do João Dino - Antônio Alves de Morais.
Mandapulão era gabola e bossal demais. A melhor bicicleta, o melhor revólver, o melhor rádio, a melhor mulher, os meninos mais bonitos e mais sarados.
Tudo dele era melhor.
Quando se aposentou pelo DNOCS em 1972, Mandapulão botou a mudança em cima do caminhão de Seu Lourival e veio morar na Rua das Flores em Juazeiro do Norte.
Conheço essa história porque na época eu cursava o 1º científico no Colégio Estadual Wilson Gonçalves do Crato, e sempre que tinha jogos importantes no Romeirão eu vinha assistir em Juazeiro. E o almoço era sempre na casa dele.
Um belo dia Mandapulão se encontrou com Agamenon Angelim na “Feirinha da Troca”. Local onde são negociados alguns produtos roubados. Nessa feirinha cidadãos se misturam com marginais, nas proximidades do Romeirão.
Eles eram compadres. E tome conversa. Isso é muito natural. Quando a gente encontra um conterrâneo pelo meio do mundo. O que não falta é assunto.
E Agamenon Angelim se lembrou de umas conversas que se falava muito no Icó, e comentou: Compadre, e sobre os larápios aqui de Juazeiro que tem a mão ligeira e que batem carteiras, que roubam tudo das casas etc, isso é verdade?
Mandapulão respondeu: Tudo mentira compadre. Estou aqui há dois anos e nunca fui roubado. Compadre sabe que eu sou ativo. Eu não dou chance a ladrão. Talvez eles se aproveitam de pessoas abestadas. Eu até duvido que alguém me passe a perna.
Na hora da despedida ele sentiu que a carteira não estava no bolso, e falou: Compadre Agamenon, pague aí essa continha que eu esqueci minha carteira de dinheiro no bolso do meu palitó lá em casa. Inclusive, compadre, quando vier com mais tempo, vá rever sua comadre Luciana. Nós moramos aqui nessa rua, nº tal.
Um rapaz desses desocupados, cheio de tatuagens, estava ouvindo a conversa deles desde o início e teve uma idéia genial: Adquiriu um peru e foi até a casa de Mandapulão. Acionou a campainha, e com a maior intimidade já foi dizendo: D. Luciana, Seu Mandapulão está ali na “Feirinha da Troca”, encontrou com o compadre de vocês, Sr. Agamenon Angelim, lá de Icó, estão tomando umas cervejinhas, e ele mandou esse peru para a senhora fazer o almoço.
D. Luciana estranhou muito essa atitude do marido. Mas mesmo com aquele olhar de desconfiança recebeu o peru e amarrou na perna da mesa. Voltou e fechou a porta.
O educado rapaz tocou a campainha novamente e disse: Ah meu Padim Ciço, como eu sou esquecido. Já ia me esquecendo. Seu Mandapulão falou para a senhora mandar a carteira dele que está no bolso do palitó, dentro do guarda-roupas.
D. Luciana não teve dúvidas: Entregou a carteira do jeito que estava, com todo dinheiro, aquela gentileza em pessoa.
Pouco tempo depois ele chegou. Ela estranhou e disse: Oh xente. Tu já veio almoçar? Eu ainda nem matei o peru.
Mandapulão: Tá ficando doida? Que peru?
D. Luciana: O peru que você mandou prá fazer o almoço para compadre Agamenon Angelim, lá de Icó. Está aí debaixo da mesa o peru. E tem mais, o rapaz que veio deixar esse peru levou sua carteira de dinheiro para lhe entregar.
Caiu a ficha. Mandapulão pegou ar: Isso é um inferno. Pela primeira vez na vida eu fui roubado. Mas eu vou já pegar o safado que me roubou. Foi alguém dali de perto que estava ouvindo minha conversa com compadre Agamenon.
Botou o revólver na cintura e saiu para a “Feirinha da Troca” a fim de pegar o ladrão e entregá-lo nas mãos da polícia, como se fazia antigamente no Icó.
De volta ao mesmo quiosque ele começou a bradar: Mas rapaz, pela primeira vez na vida eu fui roubado. Um vagabundo foi lá em casa deixar um peru e pegou minha carteira de dinheiro.
E ficou contando a história e repetindo. Mas eu vou pegar esse cachorro e entregar a polícia.
O distinto rapaz ouviu atentamente a história dele. Colocou um chapéu, um óculos fundo de garrafa, mudou de roupa, e voltou ao mesmo endereço para terminar o serviço. Para Mandapulão criar marra, deixar de ser gabola e de contar vantagem.
D. Luciana mais uma vez atendeu a campainha. O sujeito já foi dizendo: A senhora é a esposa de Seu Mandapulão, cabra valente e destemido de Icó? Preste atenção minha senhora, seu marido está lá na Delegacia da Polícia Civil. Ele pegou o ladrão, recuperou a carteira de dinheiro, deu uma surra no safado, e foi entregá-lo à polícia.
A confusão lá está grande porque o acusado está negando. Por causa disso o Delegado mandou dizer que a senhora mandasse o peru. O peru vai servir como prova do crime.
D. Luciana rezou por alguns segundos agradecendo a Deus por esse milagre. Desamarrou o peru da perna da mesa e o devolveu ao ladrão.
Para quem nunca tinha sido roubado foi uma boa experiência.
Mandapulão é de saudosa memória. Esse ladrão talvez não tenha consciência do grande trauma que causou ao nosso conterrâneo.
Na velhice, caducando, Mandapulão ainda relatava esse fato e dizia: Ah se eu tivesse pegado aquele ladrão.
Canena, a Dona Benta da Praça da Estação - Antonio Alves de Morais.
Com meio século de atividades culinárias ininterrúptas, Maria Joaquina da Conceição exerceu o seu comércio na Praça da Estação, na cidade do Crato.
Desafiando o tempo e os cabelos grisalhos, Canena, como era conhecida na intimidade do povo, era dessas pretas de ferro, forte, de temperamento acessível e afável. Jamais se aborreceu com nenhum de seus fregueses, na maioria carregadores.
Nascida em 1887, Canena, a preta do coração de ouro, era dos tipos populares do Crato mais queridos, pela sua bondade nata e pela persistência com que, desde de 1926, vendia as mesmas coisas, na mesma praça, no mesmo jardim, usando talvês o mesmo banco, nas horas de maior cansaço.
Tinha um tratamento só para todos. Gregos e troianos, isto é, do chapeado ao doutor ela os tratava com a mesma ternura, paciência e dedicação.
Quando Canena iniciou a sua atividade de "Mestre Cuca" e proprietária do pitoresco restaurante ao ar-livre, da Praça da Estação a especialidade de sua cozinha tem sido a mesma : Tapioca com fígado de boi e foçura de criação.
A mesa onde Canena vendia suas gulozeimas mudava de canto, mas a praça sempre foi a mesma a da Estação Ferroviária.
Ela mesma contava que só abria exceção às quinta e sextas-feiras da semana santa. Dias de reza e penitência que ela respeitava religiosamente.












