terça-feira, 31 de março de 2026

*O TEMPO E A CARESTIA* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Nos "papos-água" da nossa adolescência, dizíamos que o passar do tempo deveria ser lento para não ficarmos velhos.

Ao mesmo tempo, na ânsia de ser "de maior", desejávamos o contrário.

A curiosidade sobre  filmes proibidos para menores de 18 anos acelerarava nossa ânsia pela rápida passagem do tempo.

"Ficar rapaz", o mais  rápido possivel, para ver Brigitte Bardot nua na tela do cinema.

Hoje, por uma outra razão, somos tomados pelo desejo de que o tempo corra.

Engolidos por uma tal de carestia (que hoje chamamos de inflação), mal chega o dia 20, nosso rico dinheirinho acaba e o mês continua.

Aí, a torcida é grande para que o tempo passe e chegue logo o fim do mês. 

Com "dinheiro novo" na mão, o início de um novo período de agonia.

Acrescente-se ao drama a situação enganosa dos índices inflacionários anunciados.

É na hora da conferência nas gôndolas dos supermercados.

O grande artista e compositor Mário Lago é que mandou essa: "No fim do mês, sobrava um dinheirinho. Agora, no fim do dinheirinho sobram meses”.

segunda-feira, 30 de março de 2026

O JUMENTO NOSSO IRMÃO - Postagem Pedrinho Sanharol.

 

Quando foi lançado o livro “O jumento é nosso irmão“ da autoria do meu conterrâneo Padre Vieira, aconteceu uma verdadeira confusão em Várzea-Alegre.

Algumas pessoas diziam que o padre estava debochando a humanidade e outras diziam que era uma falta de respeito com o povo.

Amélia Danga conversava com Maria Curta e dizia: Tu acha muié? Essa arrumação qui o pade Vieira anda inventando, qui coisa mais sem fundamento. 

Ora! Chico Danga meu irmão qui é gente, já veve me dando o maió trabai. quidirá se eu tivesse um irmão jegue.

Maria Curta Disse: Vôte Neguinha! Apois eu acho qui o pade ta ficando é abilolado, donde já se viu uma erisia dessa?  Gente é gente e animá é animá.

Eu cheguei no café de Domicilia estavam João Doca e Joaquim Fiusa comentando esse assunto. 

Aproveitei a deixa e fiz essa décima que guardei em segredo até hoje, com receio de que fosse ofender o grande escritor. 

Valei-me Frei Damião

Me salve dessa aventura

O Padre Vieira jura

Que o jumento é nosso irmão.

O jegue não é cristão

É somente um animal,

Que quando fica imoral

Acaba até uma feira.

Acho que o Padre Vieira

Precisa é de hospital.

Caiado será o candidato à Presidência do PSD - O Antagonista.

 

Governador de Goiás concederá entrevista coletiva na sede do partido em São Paulo nesta segunda-feira, 30 de março

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD, foto), irá conceder na tarde desta segunda-feira, 30, uma coletiva de imprensa na sede do partido, em São Paulo.

O evento será realizado às 16 horas, conforme o convite encaminhado a jornalistas.

53,3% afirmam que Lula não merece ser reeleito presidente -Diario do poder.

 

Avaliação contra recondução do petista ao Planalto avançou 3,3 pontos desde janeiro

O levantamento nacional de intenções de votos da Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira (30), expôs que 53,3% dos brasileiros avaliam que o presidente Lula (PT) não merece ser reeleito, nas eleições de outubro. Enquanto 43,7% afirmam que o petista merece ter seu mandato renovado.

A avaliação contrária à recondução de Lula ao comando do Palácio do Planalto avançou 3,3 pontos, desde janeiro deste ano eleitoral, quando 51% já acreditavam que falta merecimento para a reeleição do petista. No sentido contrário, caiu 1,6 ponto a avaliação de que renovação do mandato seria um mérito para Lula, no mesmo período.

Somente na região Nordeste Lula tem a maioria de 54,8% acreditando que ele merece ser reeleito. E a região Sul é a que mais avalia que o petista não tem méritos suficientes para renovar seu mandato, com 66,1%.

domingo, 29 de março de 2026

É a cara do sertão - Por Mundim do Vale

Meu nome é Mundim do Vale
Do vale da precisão,
Nesse verso eu vou fazer
Pequena comparação.
Uma casa abandonada,
Um mendigo na estrada
É a cara do sertão.

Uma galinha caipira
Catando pedras no chão,
Um couro velho espichado
Na parede de um oitão.
Um jegue atrás da jumenta,
Levando coice na venta
É a cara do sertão.

Político botar no bolso
Dinheiro da educação,
Estudante pendurado
Em grade de caminhão.
Os mais pobres sem escola,
E os pais pedindo esmola,
É a cara do sertão.

sábado, 28 de março de 2026

LAMENTAÇÕES DE UM COMENTARISTA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Até onde nossa vista alcança, dá para perceber que falta humanidade.

Quase nada para se aplaudir. Muito menos o que levar a sério.

Só se fala em relacionamento abusivo. Esforço para engolir a raiva.

Sem freios, quando o assunto é escândalo. Nada mais parece absurdo.

Nenhuma memória carinhosa para se guardar.

Há quem discorde que as coisas pioraram neste mundo de exterminados e exterminadores.

Os crimes continuam a ser praticados pelos mesmos motivos.

Não me venham enfiar a palavra satisfação, quando as estatísticas se referem à inflação, corrupção, incompetência, qualidade de vida, saúde e segurança.

Nem tentem vir com esse papo de "país melhor". Conversa de boi com sono.

Olha a faca!

Fica calmo, foi só uma "sugesta". Para espalhar o sangue.

NO CAMINHO DE LAMPIÃO - Dr. Napoleão Tavares Neves.

Quatro anos antes de Napoleão nascer, Lampião passou pela casa de Né Rosendo pedindo para deixar sua montaria descansando e pegar emprestados oito cavalos, para chegar bem apresentado em Juazeiro do Norte. 

Obviamente, Manoel não negou. Pediu para o filho Rosendo Miranda, então com oito anos, ir ao curral buscar os bichos para o cangaceiro. Esperto, o menino tentou uma façanha arriscada: escondeu os cavalos que ele mais gostava e trouxe oito burros de cambito, que Lampião aceitou. A cozinheira da casa de Né, Antônia Lúcia, contou a Napoleão outra passagem de Lampião pelo Saco: quatro de seus cabras se juntaram ao temido Horácio Grande para roubarem a fazenda. Antônia e Manoel, armados com os dois únicos rifles da casa, colocaram os homens para correr. José Roque, também morador do avô, contou a ele que, em 1927, andando pelo meio do mato, entre Porteiras e Jardim, foi surpreendido pelo bando de Lampião. Roque só conseguiu fugir quando começou um tiroteio entre os cangaceiros e policiais que apareceram de repente.

Em 1938, Lampião morreu em Sergipe enquanto Napoleão acompanhava tudo arrastando o dedo indicador pelo mapa do Nordeste e ouvindo as narrações através do único rádio de Porteiras – o da sua casa. “Eu soube pela voz de João Ramos, da rádio PRE9, que Lampião tinha morrido na grota dos Angicos”, recorda, com uma memória espetacular. 

No ano seguinte, forçado a largar as brincadeiras no canavial e as viagens com os vaqueiros, Napoleão se mudou para Jardim, a fim de estudar. A tia Beatriz Neves, professora normalista na cidade, preferiu educar o garoto em sua casa, em vez de mandá-lo para a escola. Nos anos que se seguiram, Napoleão foi alfabetizado, se preparou para o exame de admissão no ginásio e acompanhou o desenrolar da II Guerra Mundial pelo rádio, correndo sempre para o mapa múndi. Foi quando descobriu que o mundo era maior do que o vale encantado do Saco.

Aprovado no exame de admissão no Colégio Diocesano, ele se mudou para o Crato, de onde voltava a cada 15 dias. O velho Farosa ficou sendo o portador que o acompanhava no trajeto a cavalo. Saindo do Saco às 5 horas da manhã, os dois chegavam no Crato às 17h. Era um dia inteiro de cavalgada e muita história, enquanto o caboclo sábio ia deixando seu conhecimento com o amigo ainda adolescente. 

Em um desses dias, descansando na mata em Barbalha, Napoleão viu um morro com cinco cruzes. “O que é isso, Farosa? É um cemitério?”, ele perguntou. “Não. Aí estão enterrados os Fuzilados do Leitão”, explicou onde estavam os corpos de Lua Branca e outros quatro homens supostamente envolvidos com o cangaço, fuzilados em 1928. Lua Branca era o último dos irmãos cangaceiros de Barbalha que ficaram conhecidos com Os Marcelinos. Bom de Veras e João 22 já haviam sido assassinados, sobrando apenas o mais novo deles. Quando a Associação Pró-Memória de Barbalha quis reconstituir o local onde os fuzilados estão sepultados, Napoleão foi a única pessoa a saber onde estavam.

Vox populis no Sanharol - Por Antônio Morais.


Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populis.

Naquela eleição do Lula contra o Serra, uma pesquisadora  do Vox Populis, instituto  tendencioso  e vendido  que ainda hoje se atreve a  informar que  Lula é o mais  cotado, foi parar na casa de  Luzia de Zé Lula Goteira no Sanharol. 

Perguntou para Luzia : Pra quem a senhora vai votar?

Resposta seca - Serra.

Mas, porque razão minha senhora?  O Lula é nordestino,  é pobre como nós, a alma mais honesta deste pais, falta-lhe um dedo.

Minha filha se o Lula-Lá for tão ruim como  o Lula-cá o Brasil está é fodido.

DESRESPEITO PELOS SÍMBOLOS - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Escrevi, dias atrás, que quem destrói símbolos importantes de sua história tende a definhar.

Vejam as camisas de times de futebol, cujas cores e modelos são apelos maiores para conquistar adeptos.

Antes, um time possuía, no máximo, dois modelos imaculados de camisa.

Hoje, são até seis diferentes, para atender à uma tara pelo lucro em suas vendas.

Muitas delas chegam a  desrespeitar a tradição dos clubes.

Estampam tanta publicidade que não são mais tratadas de "mantos sagrados".

E, agora, o buxixo da hora gira em torno das novas camisas da seleção brasileira.

Em primeiro lugar, é bom adiantar o seguinte: a camisa do nosso escrete é um pedaço de pano amarelo, considerado  sudário do futebol Mundial.

Mas, parece não merecer respeito pelos idealizadores de seus modernos padrões.

Sugere que o brasileiro trate a seleção como "brasa". No uniforme azul, exorta-se o diabo.

Sinceramente, além da sanha mercadológica, a que se destina esse absurdo? 

Como diria a patuleia: "É muita ciência".

Um certo Nelson encontraria outra explicação: "Os idiotas perderam a modéstia".

sexta-feira, 27 de março de 2026

COLHEITAS DO BEM – Por Xico Bizerra

Toda semente plantada por um Poeta há de se transformar em frondosa árvore que frutifica sabores diversos, doces e saudáveis. Nem importa o tempo da gestação pela certeza da colheita num tempo de luz e paz.

Os versos se dependurarão na sombra dos sonetos, se juntarão às rimas, enfeitando pomares da ventura e alegrando o paladar dos homens de bem. Estrofes de um vento feliz se espalharão pelos ares.  

Que passe o mal, que a cura não se demore, que os ventos sejam de felicidade plena. Os abraços reclamam e o sorrir precisa libertar-se de máscaras. O bem há de prevalecer. A gente merece ser feliz.    

Que o vinho amargo seja derramado e a Paz vencedora vença o canhão, como digo no meu samba Léos, Vinas e Bernardos.    

Plantemos o Bem! 

quinta-feira, 26 de março de 2026

HERÓIS MUNICIPAIS - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


Seleção do Crato. 59/60. Em pé. Esq. p/dir. - Bossué, Sílvio, Miguel, Couto, Armando e Laudemiro. Agachados: Idário, Bebeto, Anduiá, Pedro e Panquela.

Nossos primeiros heróis de infância foram jogadores de futebol do Crato. 

O ídolo maior, um centroavante goleador chamado Anduiá, do Esporte. Tinha também Panquela, um craque.

No Cariri, nossas admirações foram Ângelo (goleiro), Sílvio (zagueiro raçudo), Idário e Bebeto.

O Crato Atlético, time de Anildo Batista, "o Bode", tinha endereço na nossa rua. 

O quase vizinho Idemar Xenofonte era o seu centroavante, o que nos fazia, também, torcer por ele.

A Liga Cratense de Desportos contava com outros filiados, como o Palmeiras, de seu Rosalvo, e o Magarefe, onde jogava um excelente extrema direita chamado Tonico, baterista do conjunto de Hidelgardo Benício .

As partidas do campeonato eram jogadas nos extintos "estádios" Wilson Gonçalves (do Esporte) e Pinto Madeira (do Cariri) 

Alí,  pelos anos 59, 60, 62 e 63, não existia coisa melhor para ser apreciada na nossa infância.

Ah, como era bom!

STF julga prorrogação da CPMI e terá de optar entre Alcolumbre e a coerência - Diario do Poder.

Ao solicitar referendo dos colegas da decisão que prorrogou a CPMI do INSS, o ministro André Mendonça acabou aplicando involuntário “xeque-mate” no xadrez político em que se transformou o Supremo Tribunal Federal (STF). 

A maioria tem interesse em neutralizar o Congresso como instância investigadora e zero interesse em desapontar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, única autoridade com a prerrogativa de decidir sobre abertura de processos de impeachment de… ministros do STF.

Serviços prestados

Na pressão contra Mendonça, aliados lembram os serviços prestados por Alcolumbre como engavetador-geral de pedidos de impeachment.

Como o diabo da cruz

Alcolumbre quer o fim da CPMI que tenta investigar seu ex-chefe de gabinete por receber R$3 milhões do esquema que roubou aposentados.

E o precedente?

A maioria não quer a CPMI, mas para isso terá de jogar no lixo o próprio precedente: o STF apoiou a liminar de Barroso criando a CPMI da Covid.

Aos amigos, tudo

O STF já mudou de ideia pelo interesse político, como quando recuou da após condenação em 2ª instância e nas descondenações na Lava Lato.

quarta-feira, 25 de março de 2026

TIETA - Por Xico Bizerra


Da janela, dia e noite, Tieta ficava a contemplar as nuvens, a contar estrelas. Não devia ter-lhe confessado seu pecado, mas o fez. Pela metade, é bem verdade, mas decidiu assim fazê-lo. 

Talvez ele preferisse nunca ter sabido, não ter aquilo escutado. Por isso, ali ficava Tieta, tão só: seu contar de estrelas nunca passou de uma dezena, quando tinha que recomeçar a contá-las. 

Nas nuvens, carneirinhos e outros bichos passeavam e se desmanchavam no céu, ao sabor do vento. E sua dor prosseguia, estrelas e nuvens brincando no céu, a tudo alheias, insensíveis à dor de Tieta. 

Entre o dito e o não dito, morava um silêncio absoluto que, de tão profundo, doía-lhe os ouvidos, atingindo-lhe a alma. Naquela noite uma lágrima teimosa escorria de seu olho embaçando-lhe a estrela Dalva que acabara de surgir num céu meio azul de saudade, meio cinza de tristeza.