sábado, 4 de julho de 2026

Ela não tinha preço - Nilo Sergio Viana Bezerra.

 

Em um tempo em que reputações são negociadas como mercadorias, a jornalista Malu Gaspar emerge como um raro contraponto de integridade. Segundo relatos recentes, sua trajetória pessoal e profissional resistiu tanto às tentativas de destruição quanto às ofertas de cooptação.

O caso expõe os métodos clássicos usados contra jornalistas incômodos: primeiro, vasculha-se a vida em busca de fragilidades. Depois, busca-se um ponto de pressão. Quando nada funciona, resta a solução mais antiga do poder: comprar o silêncio.

O que surpreendeu os envolvidos foi justamente a ausência do que esperavam encontrar. Não havia dívidas escandalosas, esqueletos escondidos, irregularidades financeiras ou um padrão de vida incompatível com a renda declarada. Detalhes aparentemente banais, como um bom score no Serasa, CNH sem multas e um carro simples, causaram espanto. O que deveria ser a regra para qualquer profissional séria tornou-se, para alguns, quase uma anomalia.

Ainda mais reveladora foi a reação à proposta: R$ 1,5 milhão à vista mais um salário mensal de R$ 120 mil. Malu Gaspar não hesitou. Não se vendeu. Não negociou sua credibilidade.

Esse episódio transcende a história de uma única repórter. Ele ilustra o valor da independência em uma profissão constantemente sitiada por interesses políticos, econômicos e pessoais. Revela também como se tornou rara a noção de caráter em ambientes onde muitos partem do princípio de que “todo mundo tem um preço”.

Malu Gaspar representa, hoje, algo maior que uma colunista: a jornalista que incomoda porque apura sem medo; a profissional que constrange porque não se intimida; a figura pública perigosa exatamente por não oferecer flancos fáceis à chantagem, à vaidade ou à ganância.

Em tempos de profunda desconfiança nas instituições, exemplos como esse importam. Não porque jornalistas precisem ser perfeitos, mas porque a credibilidade da imprensa se constrói, em grande medida, sobre a coragem individual de quem recusa atalhos, favores e pactos silenciosos.

A tentativa de destruir uma pessoa íntegra diz muito mais sobre quem ataca do que sobre quem é atacado. E a disposição para comprar quem não está à venda expõe o desespero de quem só entende o mundo pela lógica da corrupção.

Nem tudo está perdido!

sexta-feira, 3 de julho de 2026

*O TEMPO PASSOU...* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Quando a gente  acompanhava a passagem do tempo pelas folhinhas do Calendário do Coração de Jesus, achávamos que a idade da maturidade demoraria a chegar.

Mas, aí, o surgimento dos cabelos brancos passaram a marcar, também, a marcha arbitrária do tempo.

O que fazer? Ora, agradecer pelo milagre de estar vivo, e reconhecer que valeu à pena.

Ganhamos, entre outras coisas boas, experiência, embora nem precisemos mais tanto dela.

Não ficamos velhos, apenas chegamos na tarde da vida. #chegamos.

Quando não havia Motel - Antônio Alves de Morais.

Já havia mais de 20 pessoas em volta do veiculo e aquela aglomeração me fez apressar o passo, pois, confesso que tenho o vicio da curiosidade. Alcancei o ajuntamento de pessoas e pude ver de que se tratava. Uma colisão em plena avenida. O fato de ter sido uma avenida acentuou sobremodo a movimentação de gente e a desordem  no transito.

Aproximei-me o máximo que pude e assim conseguir ver melhor o veiculo, com as 4 rodas para cima. Não havia mais ninguém dentro e se houve vitima já havia procurado socorro. Não lhes sei dizer o tipo de carro acidentado, pois nada entendo do assunto.

Havia todo tipo de pessoas alimentando sua curiosidade e muitos outros a quem interessava o fato.

Um homem, de macacão oleado e roto, com letras sujas pelo peito, era o que mais examinava o veiculo. Não só examinava olhando, pegava, passava  a mão, esfregava, puxava os fios, palmeava as portas. É! No mínimo o conserto da maquina vai pra umas dez milhas.

Um cidadão de mala de executivo, bigode ralos e jeans informou serio e sozinho: Será que se encontrava no seguro?

Por fim apareceu outro cidadão de boné e farda, com uma tabuleta e lápis na mão. Mediu o asfalto. Mediu os rastros dos freios, olhou para os dois lados da avenida, atravessada pela rua. Fez anotações e dialogou com outro fardado, que ajudava na perícia: Sem duvida nenhuma, este motorista entrou errado  no sinal.

Duas garotas infiltradas na massa, chegaram-se até onde eu estava, muito perto da maquina escamoteada. Eram estudantes uniformizadas. Uma que arrumava o cabelo com uma mão e apertava o braço da amiga, exclamou: Olha, Cristina! Os faróis de milha. O volante esporte de corrida, ajuntou a outra.

Vidros Ray-ben.

E baixinho as duas exclamaram: Bancos reclináveis....

Eu não tinha percebido este detalhe.

O Templo - Antônio Alves de Morais.

O Templo, lugar de apresentação de Jesus, também foi o lugar de muitos embates na sua vida adulta. 

Lugar de corrupção denunciada por Ele, lugar de falta de fé. Lugar onde a aparência era primordial e a fé apenas um detalhe. 

Isso nos leva a pensar as nossas formas de nos relacionar com Ele. Será que somos verdadeiros? Será que não está escondido em nosso peito aquele desejo de recompensa, de amargura, porque Deus não nos atende quando queremos? 

Olhe bem lá no fundo e não deixe que sentimentos assim dominem a sua oração.

Zaqueu, a autoridade - Antonio Alves de Morais

A cidade de Cedro devido ser isolada apresenta algumas dificuldades para os visitantes. Transportes por exemplo não é fácil encontrar. Se perder os de hoje pode esperar pelos do amanhã. Certa feita eu retornava do Icó e resolvi vi por dentro, passando pelo Cedro. Por volta das três horas da tarde já na saída da cidade vi aquele homão saindo de um quiosque em direção a estrada balançando os braços no maior desespero: pare aí, pare aí! Do carro conheci o Zaqueu. Inicialmente ele perguntou se eu podia levá-lo até Várzea-Alegre. Depois que me conheceu disse: Como vai o amigo, agora você vai esperar que eu tome o resto da minha cerveja! Está vendo que abusado?
Fiquei no carro olhando o Zaqueu no maior pagode, na maior folia com uma cabocla tomando a cerveja. Depois de terminar a cerveja, Zaqueu sentou-se na poltrona e demos seqüência à viagem. Na chegada de Várzea-Alegre tinha uma blitz da policia militar. O policial se aproximou do carro, deu boa tarde e perguntou: se vier alguma autoridade civil, eclesiástica ou política se identifique: Zaqueu lascou: tem eu, fui candidato a vereador “os fela da puta dos eleitores” deram de garra de minhas enxadas todas e votaram noutro corno. O policial quase morre de rir e nos liberou, eu deixei Zaqueu em Várzea-Alegre e voltei para o Crato.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Velho e viúvo - Por Mundim do Vale



Chico Luís viajava com a família para passar um fim de semana num sítio, quando chegaram num sinal da Av. Duque de Caxias, Chico avistou uma velhinha caminhando com passos curtos e a mão direita segurando um terço, tremia mais do que pano de bandeira. Chico Luís apontou para a anciã e falou :  Olha aí gente! A Zilma quando ficar mais velha.

O pessoal ficou rindo da brincadeira mas Zilma não gostou. Logo em seguida surgiu um velhinho com uma bengala, que estava mais maltratado do que bermuda de sapateiro, o ancião se conduzia com passos curtos, como se estivesse cobrindo arroz no baixio do Machado.

Dona Zilma encontrando a oportunidade da vingança apontou para o idoso e falou: - Olha aí gente! Chico Luís quando tiver mais velho.

Chico para não perder a oportunidade de defesa disse: - É gente, velho e viúvo.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

CONTROLE E DIFICULDADE - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Contra o Japão, o Brasil colocou linhas adiantadas, teve posse de bola e imprensou o adversário nas cordas.

Só que, imperturbáveis, os  japoneses aguardaram um erro do Brasil para atacar.

Foi só o que aconteceu, quando Danilo bobeou e Sano guardou.

Bloqueado em todos os setores avançados, a seleção de Ancelotti sentiu. Só teve oportunidade com Matheus Cunha.

Não rodou a bola, ficou lenta e não conseguiu as jogadas de ruptura pelos lados.

Voltou para o segundo tempo livrando-se da tensão, acelerou e abusou da jogada área para vantagem da defesa do Japão.

Mas, foi em um cruzamento, pelo alto, de Gabriel Magalhães, que Casemiro meteu a cabeça na bola para empatar o jogo aos 19 minutos.

Vini Junior, que não ganhou tantos duelos, fez sua melhor jogada na partida e acertou na trave do goleiro Suzuki.

Com o controle do jogo e jogando melhor, o Brasil encontrou dificuldades para ultrapassar a resistência defensiva do Japão.

As entradas de Martinelli, Endrick e Danilo Lopes contribuíram com a melhor produção.

Nos estertores da partida, Bruno Guimarães (de destacada atuação)  encontrou Martinelli na área e o Brasil assinalou o gol da virada.

Foi um alívio. Toquemos em frente.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Caboclo do Rosario - Antonio Alves de Morais

Outro dia cedinho, sair com o meu neto João Pedro para o Mercadinho próximo de casa para comprar um chilitos. Na volta, ele se deliciava dos flocos de queijo com uma voracidade nunca vista. Notei que ele estava temeroso que eu entrasse de sócio no consumo e disse: Coboclo do Rosário pode comer tranqüilo que eu não quero dos seus chilitos. Ele me encarou e perguntou: porque o senhor me chamou de Caboclo do Rosário? Então passei a contar-lhe um pouco do que ouvir dizer e falar de Caboclo do Rosário.
Neto de Jose Raimundo do Sanharol, Pedro Alves de Lima, o conhecido Caboclo do Rosário, era proprietário de uma vasta área de terras no sitio Rosário. Casado em primeiras núpcias com Clara Alves de Menezes e em segundas núpcias com Matilde César Ferreira. Não houve filhos dos dois casamentos. Dizem que era muito econômico, suvina e não admitia desperdício, qualidades indispensáveis, mas que alguns a consideram como não muito agradáveis e simpaticas.
Certa vez, fez uma viagem ao Crato com o seu primo Jose Raimundo de Meneses, o conhecido Jose Raimundo do Canto, e, quando chegaram à altura da localidade Monte Pio, por volta das duas horas da tarde, Jose Raimundo apanhou o fumo e uma palha de milho fez um cigarro e acendeu. Em continente Caboclo meteu a mão no coxim e desenrolou um guardanapo com duas tapiocas temperadas com amendoim. Tirou uma e escondeu novamente a outra. Enquanto consumia a primeira dizia: Zé Raimundo não quer: está fumando! Jose Raimundo se preparou. Eu quero ver se ele vai comer a outra sozinho. Duvido que consiga. Passaram por Dom Quintino, depois pela Ponta da Serra e quando já avistavam as casas da Palmeirinha, onde finalizavam a viagem, Jose Raimundo acendeu outro cigarro. Caboclo retirou a outra tapioca e disse: Zé Raimundo não quer, está fumando! João Pedro não entendeu bem a conversa, mas no futuro ele vai entender o quando fumar é prejudicial e dar prejuizo.

Deus - Casimiro de Abreu


Eu me lembro! Eu me lembro! Era pequeno
E brincava na praia, o mar bramia
E erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?

Minha mãe a sorrir olhou pros céus
E respondeu – Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão! Meu filho, é - Deus.

Casimiro de Abreu, Dezembro de 1858.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

VITÓRIA X VEXAME - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Nesta segunda-feira, 28/06, o torcedor brasileiro preparou o seu espírito para uma vitória convincente do Brasil contra um respeitável adversário, o Japão. 

Nesse caso, os nossos impulsos primitivos não nos deixam aceitar outro resultado que não seja o triunfo.

Do contrário, a palavra vexame será ouvida do Oiapoque ao Chuí.

*INEXPLICÁVEL*

Há placares em um jogo de futebol que nunca serão compreendidos.

Esse 0 x 0 de Portugal e  Colômbia, por exemplo.

Foi o tipo do jogo cuja qualidade as grandes plateias merecem.

A Colômbia, que mereceu vencer, ofereceu uma exibição-show de três jogadores: Puerta, Árias e James Rodrigues.

O empate sem gols foi uma judiação. 

domingo, 28 de junho de 2026

Bicentenário de nascimento de um ilustre cratense -- Armando Lopes Rafael


Dr. Leandro Bezerra Monteiro
   

     Ao longo da sua história, Crato serviu como “torrão-natal” de ilustres personalidades. Uma delas foi Leandro Bezerra Monteiro (1826-1911), deputado geral no Brasil Imperial, líder católico e “advogado de nomeada”. Dr. Leandro possuía o mesmo nome do avô, o legendário Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro (1740–1837). Este, o patriarca do clã Bezerra de Menezes no Cariri cearense. Dr. Leandro Bezerra Monteiro, o neto homônimo, fez seus primeiros estudos em Crato, sua terra natal. Depois frequentou escolas nas cidades de Jardim e Icó, sendo posteriormente aluno do Liceu, em Fortaleza, capital do Ceará. O curso de humanidades, concluiu-o no Colégio das Artes de Olinda (PE). Em 1847, com 20 anos de idade, iniciou o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, aonde recebeu o título de Bacharel, em 1851, aos 25 anos de idade.

   Em 1852, já vamos encontrá-lo residindo em Sergipe. Lá, em 31 de janeiro daquele ano, ocorreu o seu casamento com uma parenta, Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra, oriunda de um dos clãs mais importantes da então província de Sergipe del Rey. Durante seis anos, Se. Leandro foi magistrado em Sergipe. E sempre conservou – no decorrer da sua existência – as mesmas convicções morais, religiosas e políticas que caracterizaram seu avô, o Brigadeiro.

    Atraído pela política, Dr. Leandro foi eleito vereador e presidente da Câmara de Maruim (SE). Dos seus eleitores sergipanos, também recebeu o mandato de deputado provincial (hoje deputado estadual). Em 1860 conseguiu ser eleito Deputado Geral do Império (que corresponde hoje a deputado federal), pela Província de Sergipe del Rey. Em 1863, já residindo no Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, teve seu mandato de deputado encerrado, em face da dissolução da Câmara, prática comum no sistema parlamentarista, vigorante àquela época. Sem mandato, o Dr. Leandro mudou-se com a família para a cidade de Paraíba do Sul, interior da província do Rio de Janeiro, onde passou a atuar como advogado, em sociedade com seu primo, o cratense Dr. Leandro Ratisbona. Em pouco tempo, Leandro Bezerra conquistou a simpatia da população daquela região, mercê a sua postura exemplar, aliada à competência profissional. 

    Consta que Dr. Leandro nunca aceitou advogar contra os fracos e, sempre que possível, procurava um acordo que não prejudicasse as partes litigantes. Em Paraíba do Sul, foi colaborador dos jornais “O Paraybano” e “O Provinciano”. Naquela cidade fundou a Casa de Caridade e o Asilo Nossa Senhora da Piedade, destinados ao tratamento de doentes e à educação gratuita de crianças pobres. Em reconhecimento por esses serviços, foi vereador por doze anos, oito dos quais como presidente da Câmara Municipal de Paraíba do Sul.

   No seu segundo mandato como deputado geral, conseguiu um lugar na História Brasil, por ter sido um desassombrado defensor dos bispos Dom Vital Gonçalves de Oliveira, (de Olinda e Recife), e Dom Antônio de Macedo Costa (de Belém do Pará), ambos presos e condenados a trabalhos forçados, no triste episódio da chamada “Questão Religiosa”. Em 15 de novembro de 1889, um golpe militar, comandando pelo Marechal Deodoro da Fonseca, derrubou do trono o Imperador Dom Pedro II e instaurou a forma de governo republicana no Brasil. Monarquista convicto, desgostoso com esse golpe de estado, Dr. Leandro abandonou definitivamente as atividades políticas. Passou a utilizar suas horas vagas ensinando o catecismo e preparando crianças para a primeira comunhão.  Findou sua exemplar existência terrena em 15 de novembro de 1911, aos 85 anos, na sua casa, no bairro Fonseca, em Niterói.

Cronologia

1826 – Em 11 de junho, nasce Dr. Leandro Bezerra Monteiro na cidade de Crato (CE).

1847 - Inicia o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, com vinte anos de idade.

1851 – Recebe o título de Bacharel, aos vinte e cinco anos de idade. 

1852 – Fixa residência na Provincia de Sergipe del Rey, onde se casa, em 31 de janeiro, com uma parenta, Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra.

1860 – Eleito deputado geral (hoje deputado federal), por Sergipe, mandato interrompido em 1863 por dissolução da Câmara. 

1864 – Fixa residência na cidade de Paraíba do Sul, estado do Rio de Janeiro.

1872 – Eleito, mais uma vez, Deputado Geral por Sergipe. Nessa legislatura ganha destaque nacional pela defesa que faz dos bispos de Olinda, Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira e do Pará, Dom Antônio Macedo Costa, processados e presos pelo Governo Imperial.

1877 – Eleito, novamente, deputado geral, agora pelo Ceará, mandato interrompido em 1878 pela ascensão do Partido Liberal.

1880 – Em 31 de julho é iniciada construção da Casa de Caridade de Paraíba do Sul, que foi concluída e inaugurada em 4 de abril de 1883.

1889 – No dia 15 de novembro um golpe militar, comandando pelo Marechal Deodoro, derruba do trono o Imperador Dom Pedro II e instaura a forma de governo republicana no Brasil. 

1911 – No dia 15 de novembro morre no bairro Fonseca, em Niterói.    


Fontes de Consulta:

Pesquisas na Internet

https://pt.wikipedia.org/wiki/Leandro_Bezerra_Monteiro  - Consulta feita em 06 de novembro de 2023.


Pra que serve verador - Antônio Alves de Morais

Em 1912, o prefeito de Várzea-Alegre Cel Antônio Correia Lima perguntou ao Tabeleão José Alves Feitosa, o conhecido Dudau: Pra que serve verador? Sim, não houve erro de digitação, é verador mesmo.

Dudau, homem de  sabedoria impar  e vasto conhecimento, andou explicando: para criar leis, ajudar na fiscalização da aplicação dos recursos etc.

"Ora mais essa", disse o Coronel prefeito, eu não preciso que me ensinem a gastar o dinheiro meu que dirá o dinheiro dos outros!

Um século depois, desta celebre pergunta, eu me pergunto: Pra que serve uma câmara de vereadores manipuláveis e subservientes.

Nem pra dar nomes a ruas serve mais.

Li ontem, no Blog do Crato, um texto do Historiador Armando Lopes Rafael, no qual ele narra com precisão uma aberração da Câmara de Vereadores do Crato.

Rua cuja denominação a historia registra, sendo rebatizada com uma outra personalidade. Maior absurdo três ruas com o mesmo homenageado.

Diante destas aberrações repito a frase do Coronel Antonio Correia Lima: Pra que serve verador? E querem aumentar o número deles !

sábado, 27 de junho de 2026

Quatros Mãos em defesa do Brasil -- Humberto Mendonça – empresário



     Dias atrás, li um artigo – escrito pelo jornalista Alexandre Garcia – mostrando os descalabros nos setores administrativo/político do Brasil atual. Seria ocioso repetir a súmula daquele artigo, o qual foi amplamente divulgado nas redes sociais e, por isso mesmo, já é de amplo conhecimento dos brasileiros bem informados. No entanto, inspirado no que escreveu Alexandre Garcia, eu acrescento outras análises, feitas por mim. Sou um velho e calejado observador  do quadro caótico imposto ao Brasil. Por isso faço   esta reflexão a quatro mãos. As minhas e as de Alexandre Garcia.

   A recente operação da Polícia Federal contra o senador e líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) – extensiva ao banqueiro Augusto Ferreira Lima – gerou um desgaste político imediato e dividiu, ainda mais, a base política do atual governo Lula.  A Polícia Federal investigou se o senador Jaques Wagner teria recebido propinas para favorecer o Banco Master, incluindo, no Congresso Nacional, pautas sobre crédito consignado e prejudicando o Fundo Garantidor de Créditos– FGC, do Banco Central. Não deu outra. As buscas e apreensões em imóveis do senador citado, resultaram  em novas acusações a Jaques Wagner. Uma delas: ele teria recebido um apartamento de luxo e feito viagens caríssimas – pagas pelo Banco Master –   em troca da defesa dos interesses escusos do Banco, nos altos escalões administrativos do Brasil. Sem detalhar na grande quantia de dinheiro, em moedas estrangeiras, apreendida no apartamento de Jaques Wagner.

   As investigações da 9ª fase da “Operação Compliance Zero”, atingirem diretamente o núcleo político do governo Lula. Este, nocauteado, sentiu o profundo impacto gerado na base governista; provocando tensões com o STF e desmantelando a articulação política no Senado às vésperas da corrida eleitoral deste ano. O desgaste do governo Lula a menos de 100 dias das eleições do próximo 4 de outubro, atingiu o entorno dos desafios na economia cambaleante. Aumentou a fadiga eleitoral e a pressão da oposição. Pesquisas recentes indicam que 47% da população brasileira avalia que a corrupção aumentou durante o atual governo. Esse cenário de desconfiança tem sido alimentado por outras investigações em andamento. Uma delas os desvios indevidos nos salários dos aposentados do INSS.

   Mas Lula não enfrenta somente escândalos de corrupção. Neste terceiro mandato, ele está envolvido noutros desafios estruturais em várias frentes. As principais dificuldades concentram-se no descontrole da dívida pública, que pressiona as contas do país. Nunca antes na história, os brasileiros pagaram tantos tributos ao governo federal. A dívida pública brasileira, no entanto, já cresceu mais de R$ 3 trilhões de reais, desde o início do atual governo, passando de R$ 7,2 trilhões em 2022 para os atuais R$ 10,4 trilhões, o que representa cerca de 80% a 91% do PIB (Produto Interno Bruto). A inflação voltou a superar o teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. E em meio a tudo isso, Lula tenta administrar as tensões constantes com um Congresso Nacional de perfil conservador e clientelista, onde os bilhões gastos com as “emendas parlamentares” só faz crescer... Encerrando: para quem está buscando um desabafo ou querendo entender o sentimento do brasileiro sobre as dificuldades do país, a famosa moda de viola "A Coisa Tá Feia", de Tião Carreiro e Pardinho resume a situação desta desorganizada república...