sexta-feira, 6 de novembro de 2026

A razão do sucesso - Antonio Alves de Morais.

Muitas vezes, nos questionamos porque as canções do Roberto e Erasmo Carlos fazem tanto sucesso e se eternizam. Diferentemente dos bagulhos que  a mídia joga goela a baixo e desaparecem  num curto espaço de tempo.

A razão está  no respeito  ao publico. Roberto e Erasmo passavam um ano inteiro para comporem uma musica. Colocavam as palavras uma por uma,  retiravam aqui, substituíam ali, sempre com a doçura que caraterizava  suas canções. Com a melodia a mesma coisa, as notas musicais se escalavam na partitura de acordo  com o sabor exigente de seu publico. No final uma obra de arte. Em 1974,  no seu disco anual, uma musica merece nossa atenção pela melodia, bem com pela letra. "Despedida". Tudo muito bonito.

Ouça: 


Olimpíadas regionais de 1954 - Antonio Alves de Morais.


Terminada as olimpíadas de Paris, rebuscando o tempo e lendo a história vi que Várzea-Alegre e Quixará foram finalistas na modalidade "Caçada de Tatus" nas olimpíadas regionais de 1954.

No dia da disputa final o caçador do Quixará passou o dia banhando e alimentando os cachorros. Enquanto o representante de Várzea-Alegre bebia cerveja gelada no Bar do Geraldo Marinho.

Quando o juiz da competição deu o silvo forte os contendores subiram a "Serra do Quincunkar". 

Ao retornarem, ao amanhecer do dia seguinte o caçador do Quixará trazia um saco com dez tutus e o de Várzea-Alegre trazia uma dúzia. 

Houve um principio de emboança que terminou com uma investigação e anulação da prova. 

Descobriu-se que o caçador de Várzea-Alegre havia levado um bujão de gás pequeno, colocava a mangueira no buraco e soltava o gás. Sufocado o tatu  fazia finca pé e na saído buraco o caçador abrecava e colocava no saco. 

Confirmada e fraude anularam a prova e marcaram outra para o dia seguinte.

Quando os contendores retornaram da segunda prova o caçador do Quixará trouxe meia dúzia de tatus, e, o de Várzea-Alegre dez tatus.

Inconformados, partiram para uma segunda investigação, descobriram que o caboclo de Várzea-Alegre havia levado um pequeno chocalho e quando se aproximava do buraco batia com um martelo : Tengo, tengo, temgo, tengo, então, o tatu  pensava : "É o caba do gás". Tentava fugir e era abrecado na saída do buraco. 

Anularam a prova outra vez e o relatório aguarda julgamento no COI.  Continua indefinido o vencedor.

Soldadinho do Araripe: a ave símbolo da Cariri - por Armando Lopes Rafael

   

 Esta espécie, cujo nome científico é Antilophia bokermanni, é um pássaro que só existe nas encostas da Chapada do Araripe. Trata-se da única ave endêmica do Ceará, ou seja, das mais de 460 espécies de aves que encontramos no nosso Estado, o Soldadinho do Araripe é a única exclusiva do Ceará. Por isso, tornou-se o símbolo para a conservação da Floresta Nacional do Araripe–Flona.

   As riquezas e as diversidades naturais e culturais fazem do Cariri um oásis no centro da região Nordeste brasileira. A água que é armazenada – na temporada das chuvas –, em reservatórios subterrâneos na Chapada do Araripe, desce depois pelas encostas, formando algumas nascentes. E se transforma numa água límpida e cristalina, que se derrama entre a mata e o sopé da chapada, formando – parte inferior da encosta –  tapetes verdes de bela vegetação.  Em torno desses tapetes surgem pequenos regatos. Fica aí o habitat do Soldadinho do Araripe, uma ave ameaçada e extinção. O Soldadinho do Araripe tornou-se um ícone, uma imagem da caririensidade! E está sendo usado como apelo contra a devastação das florestas da nossa Chapada; contra o mau uso das águas das nascentes; em favor da defesa do meio ambiente.

OUTROS TOQUES - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


• "JOGAR BONITO" - Para os que abominam o "jogar bonito" entenderem. A expressâo se refere ao jogo bem jogado, ter a bola em vez de rejeitá-la, não dar chutões, buscar o protagonismo, misturar o coletivo e o individual, ser eficiente. Foi suficiente pra entender? Se não, como posso ajudar mais? 

• PROVA - Confesso que não encaixo bem a frase comumente usada por jogadores: "Não preciso provar mais nada a ninguém". Nem Pelé disse isso. Mesmo que as fases não fossem tão favoráveis, não ficou ruminando esse papo de que "não precisava provar mais nada". Depois do fracasso do Brasil na Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966, Pelé mostrou, em 1970, no México, que ninguém jogava mais do que ele. 

• É O FUTEBOL, AMIGOS - Na história do futebol, são vários os exemplos de times inesquecíveis sem taças. Tanto que não venceram ao cruzar com adversários apenas pragmáticos. O que parece perfeito desaba em um jogo, e tchau. Como diria aquele narrador: "É o futebol, amigos!". 

• FRASE - “Retranca é a tática do morcego: 11 jogadores pendurados na trave”. Caszely 

Por onde andam? - Antonio Alves de Morais

Dois Rubis - Petrucio Amorim.

Turma de 1971 - Colégio Estadual Wilson Gonçalves - Crato - CE. Eramos 31 alunos. 12 meninas e 19 marmanjos. Formávamos uma verdadeira família, ficávamos  mais tempo junto nas atividades escolares, do que em nossos lares. Entre as meninas uma se destacava pela exuberância e simpatia. Morena, cor de canela, uma florzinha de laranjeira, olhos ligeiros, de indefiníveis cores, não sei bem, ao certo,  se verdes, castanhos ou pretos. Nunca os definir. 

A verdade é que os marmanjos todos estavam sempre  de olhos nela, inclusive eu. Terminado o curso, nos espalhamos todos mundo a fora como os chumbos de uma espingarda soca-soca que dispara sem direção. 

Meio séculos mais tarde, vinha eu dirigindo o carro, a ouvir a Elba cantar "Dois Rubis",  e, o telefone toca. Do outro lado da linha, uma voz inconfundível pergunta: Antônio?  Você ainda mora no Crato? Eu estou no Crato e, quero te ver. Pois num é que era a danada. A definição veio na hora. Os olhos pareciam "Dois Rubis". O que a musica não é capaz de fazer!.

Dedicado aos ex-colegas: Jflávio, Chico Rainha, Leirton, Antônio Primo, Antonio e Aluisio Mendes, Helmano Lobo, Os paraibanos Dê e Demir, Cesario Saraiva Cruz, Pedro Airton e Anário o mais sem vergonha da turma.    

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Tropeiros de Várzea Alegre – Batista de Lima.




     Antônio Gonçalo de Sousa escreveu o livro “Tropeirismo nosso”. O autor é formado em Administração, além de ser técnico agrícola. É funcionário de carreira do Banco do Nordeste. Telúrico e saudosista, pesquisou sobre os tropeiros, para depois estudar a figura do seu avô, Antônio Gonçalo Araripe.

      Antônio Gonçalo Araripe, nasceu em Várzea Alegre, em 1896 e lá faleceu em 1973. Sua vida foi toda dedicada ao tropeirismo, sendo pioneiro nessa profissão naquele município. Durante toda a primeira metade do século XX, Antônio Gonçalo Araripe vasculhou a região Sul do Ceará, com sua tropa de burros na prática da almocrevia. Fixou residência no sítio Sanharol. E com sua tropa de burros trabalhou o suficiente para educar os filhos e netos. Partindo de Várzea Alegre, ele transportava mercadorias num circuito que ia de Iguatu ao Crato, de Lavras da Mangabeira a Farias Brito.

     Com seu trabalho conseguiu adquirir terras para moradia e cultivo. Chegou a comprar até uma casinha, na cidade de Várzea Alegre, para passar as festas de São Raimundo Nonato. Da religiosidade ao lazer, a presença de sua família era indispensável. Eram Renovações do Sagrado Coração de Jesus, missas na igreja de São Raimundo Nonato, numa integração que envolvia também o futebol e o carnaval. Basta que se conheça a história da Escola de Samba Mocidade Independente do Sanharol.

        O livro de Antônio Gonçalo de Sousa – o neto de Antônio Gonçalo Araripe – foi editado em 2016, pela Expressão Gráfica, de Fortaleza. Tem 298 páginas. Lê-lo é acompanhar a tropa de burros de carga, dirigida por Antônio Gonçalo Araripe, transportando gêneros de consumo dos habitantes da região, para abastecimento de armazéns, mercearias e bodegas.

 (*) Excertos de um artigo do escritor e professor Batista de Lima, publicado no “Diário do Nordeste” de 24-07-2018

NA MEDIDA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

  


• AJUDA DE DEUS - Vemos com frequência jogadores agradecendo a Deus pelas vitórias obtidas. Depois de um gol, correm para as câmeras e apontam para o alto, agradecendo a Ele. Bonito gesto de devoção. Mas, bem que a boleirada poderia melhorar a sua participação. Pelo visto, a contribuição divina é que salva o futebol da ruindade total. 

• FUTURO GRANDIOSO - Um País será grandioso por sua riqueza em ferro, ouro, diamantes e florestas? Isso equivale a dizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas? Claro que não. Acreditamos que o que faz um quadro não é a tinta. São as ideias que moram na cabeça do pintor. O que temos a ver com essa argumentação? 

• CLUBES E SELEÇÃO - A fonte de onde os selecionadores tiram o pé de obra é o clube. É o clube que forma jogadores, investe em preparação e estrutura, salários, etc, etc. Por isso mesmo, deve estar acima dos interesses das seleções de qualquer País. Só que, no Brasil, a CBF inverte essa ordem e fica por isso.  

• REPETECO - O futebol é importante porque revela nosso gosto pela competição física. Mais ainda: o gosto pela vitória, pelo simbolismo (seleção brasileira é um simbolo) e por servir como simulação das nossas possibilidades motoras e lúdicas. Sem futebol, a vida seria sem graça. 

• TOQUES

- As explicações de Autuori são um festival de lugares-comuns. 

- Impossível fazer futebol de magia sem os magos. 

- O bom meio-campista tem que armar e desarmar igual cadeira de praia. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Cococi, de cidade a uma localidade fantasma - ANTONIO ALVES DE MORAIS

De próspera fazenda de gado, do início do século XVIII, passou a símpático núcleo urbano e, depois, a cidade extinta. Hoje, referem-se àquela planura de nome indígena usando o tenebroso termo "cidade fantasma", para outros, a classificação fica a cargo da origem da maioria de seus habitantes, por isso, também ser conhecida como "a cidade dos Feitosa".

 

No princípio, e desde milênios, era tudo terra dos índios, conforme confessa o nome, Cococi, que, para alguns, significa "coco pequeno" (coco + ci = pequeno); para outros, é palavra de origem cariri, "cocotsi", igualmente, coqueiro. 

Curioso é o fato de a palavra "có", de origem tupi, está ligada, geralmente, à roça, como aponta a tradução de outros lugares cearenses, a exemplo de Icó (i=água+có=roça) e Acopiara (aco=roçado+pi=limpar+ara=o que cultiva). 

Na minha grande ignorância, bem que Cococi poderia ser traduzido como roças pequenas ou pequenas roças. Mas só o povo originário daquela época para nos dizer o real significado. 

O fato é que, depois da guerra civil cearense de 1724, o coronel Francisco Alves Feitosa, oriundo de Penedo/AL, guiado pelos índios Jucá e Jenipapo, depois de passar por Sirinhaém/PE, Icó/CE, Cariri/CE e Missão dos Jucás (hoje, Arneiroz/CE), subiu pelo Rio dos Jucás e, próximo às margens desse rio seco construiu sua casa de fazenda, em taipa, talvez, por volta de 1725, para fugir das autoridades e da vingança dos Montes, estes, seus parentes e inimigos acérrimos. 

De frente à casinha de taipa de pilão, no ano de 1740, iniciou a construção de uma capelinha, estilo barroco, devotada à Nossa Senhora da Conceição. Aí, depois de ter desposado duas viúvas, casou-se pela terceira vez com outra senhora que havia perdido o marido, vivendo nesse lugar o resto de seus dias, fugindo do seu passado de guerra; lembrando-se da perda do filho mais velho, assassinado nas contendas fratricidas de 24. 

Depois dele, vieram muitos outros, com mesmo sobrenome e sangue, criando gados, vivendo também outros conflitos, interpolados por sambas, paixões, vinganças e uma história de 300 anos que enlaça os curiosos. 

Em meio a essas histórias vertem muitas lendas, como a de uma uma serpente que, em noites de lua cheia, emerge de um velho túmulo de um antigo e cruel coronel enterrado no cemitério do Cococi, atrás da referida capela. 

A verdade é que a cidade do Cococi deixou de existir no plano físico para fazer parte do imaginário dos Inhamuns.

Fotos - Capela que resiste ao tempo, casa  onde  se localizava  a prefeitura, câmara municipal e residência do prefeito e José Eufrásio Alves Feitosa, major Feitosa prefeito  em exercício quando   retirou o status de município.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Amor Frustrado - José Clementino - Messias Holanda.

NA MEDIDA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.


• SÉRIE B - Nos aproximamos do final do Campeonato Brasileiro da série B, competição em que o torcedor aprendeu a sofrer. Tivemos partidas horríveis e a média de público mostra que muita gente deixou de ir aos jogos. Nem mesmo as equipes que lideram são de meter medo. A crônica ficou meio perdida no julgamento das partidas, pelo baixo nível de futebol jogado. 

Adotou-se uma espécie de "futebol prático", com vitórias obtidas tropegamente, e o "importante é ganhar três pontos, etc, etc, etc". Os treinadores ficaram naquela de explicar tudo por meio das coletivas. Explicar o quê? O Fortaleza, tomara, deve voltar à série A. O Ceará não vai cair para a C. 

• INDECENTES - Impossível normalizar o Brasil trilhando o caminho de "Sodoma e Gomorra", com Vorcaro à frente. Impressionantes as indecências que somos obrigados a assistir, diariamente. Sem escolha, acrescente-se, e já admitindo que vem mais por aí. Somos faixa-preta em corrupção.

FRASE

“Todo time tem uma torcida. O Corinthians é a única torcida que tem um time”. José Roberto de Aquino. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Bibo critica partidos de direita aliados de Lula: ‘São esquerda e devem assumir’ - Diario do poder.

 


Deputado defende Bolsonaro e Flávio como referências do movimento conservador e reafirma alinhamento à chamada 'Direita Raiz'

O deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) defendeu o protagonismo do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na articulação da direita brasileira.

O parlamentar também cobrou maior espaço para lideranças conservadoras de outros partidos e criticou legendas que, embora se apresentem como de direita, mantêm alianças com o governo Lula (PT).

Para Bibo, Jair Bolsonaro continua sendo a principal referência do campo conservador no país, seguido por Flávio, que recebeu quase 60 milhões de votos na disputa presidencial de 2026.

“O maior líder da direita no Brasil é Jair Bolsonaro e depois Flávio, com seus quase 60 milhões de votos. Precisamos também de lideranças de direita em outros partidos”, afirmou em postagem na rede social X, antigo Twitter.

O deputado também citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um exemplo de liderança ligada ao bolsonarismo.

O parlamentar destacou que Tarcísio construiu sua trajetória política com o apoio do ex-presidente e sempre esteve alinhado ao movimento.

Bibo ainda direcionou críticas a partidos que se identificam como de direita, mas apoiam o governo petista. Na avaliação do político, essas legendas deveriam assumir uma posição diferente da que dizem representar.

“Partidos ditos de direita que se aliam a Lula não têm meu respeito. São esquerda e devem assumir”, declarou.

Ao final, o deputado reafirmou sua identificação com a ala mais ideológica do movimento conservador e resumiu sua posição: “Sou Direita Raiz!”

sábado, 31 de outubro de 2026

NA MEDIDA - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


• TEMOR DA VELHICE - Embora se procure dourar a pílula da velhice, ela é um dos maiores temores humanos. Entanto, diríamos que o primeiro temor de quem fica velho e aposentado é não poder pagar um plano de saúde. Embora sejam eles os que provocaram mais reclamações nos organismos de defesa do consumidor. Tem jeito? 

• CIVILIZAÇÃO - Nada pior para um País quando ele sofre uma estiagem de civilidade. Na direção do que disse José Saramago: "Uma sociedade começa a se perder quando o hábito faz com que a injustiça pareça uma coisa normal". Não faltam exemplos nos dias de hoje.  

• TESTES GLOBAIS - Estaríamos exagerando ao constatar que temos uma educação de segunda mão? A indagação se dá pelo seguinte: em todos os testes educacionais globais a posição do Brasil tem sido sempre vexaminosa. Um País sem educação se destrói um pouco a cada dia. 

• EFEITOS DELETÉRIOS - As trevas parecem ter tomado a cabeça dos brasileiros. Basta apurar o nível de discussão em torno das eleições presidenciais. E mais: observar o que de ofensivo e de negativo isso tem trazido no relacionamento entre amigos e familiares. Não se tinha notícias de efeitos tão deletérios como agora.

• FRASE - “No nosso futebol, a regra é uma caixinha de surpresas”. PVC.

• FRASE - “Tomamos o futebol como uma riqueza natural, tal qual o café, a soja e o minério de ferro”. WB.

História de sertanejo - Antônio Alves de Morais.


Historias de Sertanejos - Antonio Morais.

O Cacimiro Bento, do Açude Velho, município de Piquet Carneiro, de início, era uma pessoa normal. Casou-se, nasceram muitos filhos, porém depois de quarenta anos, apareceram uns problemas e ficou amalucado. Não era totalmente débil mental, mas, muito ingênuo mesmo. As conversas dele não tinham pé nem cabeça. Enviuvou, e passou a morar na casa dos filhos, uns dias na de um, outros dias na casa de outro, e assim por diante.

Quando se encegueirava por uma coisa não tinha quem o arredasse. No começo da década de 1940, cismou de ir passar uns meses na casa de uma filha em São Paulo. Insistiu até arranjarem dinheiro para ele viajar, àquela época de navio, em companhia de pessoas conhecidas. Passou por lá um ano ou mais e, de novo, começou a insistir para voltar. Era no quente da segunda grande guerra, de vez em quando se sabendo notícias de navios afundados pelos alemães, por isso, a filha temia em deixar seu pai viajar de navio, pois, naquele tempo não havia outro meio de transporte, porém, insistiu tanto que o jeito foi ela concordar embora sabendo do grande perigo.

Arranjou passagem, embarcou ele no porto de Santos e telegrafou para a família. Aconteceu que com oito ou nove dias de viagem o navio foi torpedeado. Correu a notícia: “o navio que Cacimiro viajava afundou e não se salvou ninguém”. A família em Piquet Carneiro quando soube, ficou muito aflita e botou luto. Passados uns dois ou três anos, eu estava um dia hospedado na casa do meu parente, o Chico do Zeca, em Fortaleza, saí pra rua e quando voltei avistei o Cacimiro bem sentado na casa onde eu estava hospedado, e sem querer acreditar, perguntei: “É o Cacimiro Bento mesmo?” E ele com aquela mesma cara de pateta, só fez dizer “éééé”.

Ai fomos quebrar cabeças para saber como foi que ele se salvou do naufrágio do navio. Ele contou uma estória que quase não acabava mais e no final tiramos à conclusão de que o caso aconteceu mais ou menos assim: quando o navio chegou ao Rio de Janeiro demorou um pouco; o Cacimiro então saiu e foi pedir para um rapaz desconhecido trocar uma cédula de dez mil réis; o rapaz respondeu que não podia, mas, se ele quisesse ia ali trocar o dinheiro e voltaria já; ele concordou e depois de esperar muito pelo rapaz, faltou à paciência e saiu para procurá-lo na rua; nem encontrou e nem acertou mais voltar; começou a se lastimar de rua em rua, até que um senhor se compadeceu e o levou para a casa, onde ficou trabalhando, zelando o jardim; depois, este mesmo senhor arranjou uma passagem e o mandou para o Ceará, visto que a guerra já havia terminado.

Passou mais de três anos na casa desse senhor. No dia seguinte viajávamos de trem para o interior, sentados na mesma cadeira, e de vez em quando eu o notava querendo rir. Perguntei-lhe porque estava rindo e ele respondeu: “maginano, quandeu chegá lá, o avoroço do povo cum medo deu”....