segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

5,1% ou 16,6%? O desemprego que o Brasil não quer enxergar - Por David Gertner.

 


O que fica fora da conta oficial e por que isso distorce o debate econômico.

O Brasil vive hoje um paradoxo estatístico. De um lado, o governo comemora uma taxa de desemprego de 5,1%, apresentada como prova inequívoca de sucesso econômico. De outro, a percepção social dominante é a de que o trabalho falta, os empregos são precários e milhões sobrevivem de bicos, auxílios ou desistiram simplesmente de procurar.

A pergunta incômoda é inevitável: o desemprego no Brasil é mesmo de 5,1% — ou estamos diante de uma taxa real próxima de 16,6%?

A diferença entre esses números não é retórica. É metodológica. E, sobretudo, política.

A taxa de desemprego divulgada pelo governo não é calculada sobre a população total, mas apenas sobre a chamada força de trabalho, que inclui exclusivamente duas categorias: pessoas ocupadas e pessoas que procuraram emprego ativamente nas últimas semanas. Quem não se encaixa nesses critérios simplesmente desaparece da estatística.

Hoje, os números aproximados são: cerca de 103 milhões de ocupados, cerca de 5,5 milhões de desocupados oficiais e uma força de trabalho de aproximadamente 108,5 milhões. Com esses dados, chega-se ao índice amplamente divulgado de 5,1% de desemprego.

Tecnicamente correto. Socialmente enganoso.

Ficam fora dessa conta cerca de 15 milhões de brasileiros classificados como subutilizados, desalentados ou inseridos em ocupações precárias, informais ou intermitentes. São pessoas que não têm trabalho estável, não contam com renda digna e dependem, muitas vezes, de auxílios governamentais ou bicos ocasionais para sobreviver. Ainda assim, não entram na estatística do desemprego. Na prática, são tratados como se o problema não existisse.

Se esses 15 milhões fossem considerados desempregados de fato, o cálculo mudaria radicalmente. Os desocupados reais saltariam para cerca de 20,5 milhões e a força de trabalho para aproximadamente 123,5 milhões. Ao aplicar a fórmula padrão, o resultado é claro: a taxa de desemprego subiria para algo em torno de 16,6%.

É importante deixar claro que este exercício não propõe substituir a taxa oficial, mas sim evidenciar o quanto a metodologia vigente subestima a dimensão real da exclusão do mercado de trabalho no Brasil.

Quando comparado a países de renda média semelhante, o contraste torna-se ainda mais evidente. Em economias como México ou Chile, a diferença entre desemprego oficial e subutilização tende a ser significativamente menor do que no Brasil, indicando mercados de trabalho menos excludentes e com maior capacidade de absorção produtiva. Aqui, o desemprego “cai” muitas vezes porque as pessoas saem da estatística, não porque entram no mercado formal.

O debate se torna ainda mais delicado diante de denúncias internas de funcionários do IBGE, outrora uma das instituições técnicas mais respeitadas do país. Relatos apontam para pressões políticas, mudanças metodológicas oportunistas e uma ênfase seletiva nos indicadores mais favoráveis ao governo. Nada disso invalida automaticamente os dados, mas corrói a confiança pública. Estatística oficial não pode servir para propaganda. Seu papel é iluminar a realidade — não maquiá-la.

O problema central não é técnico. É ético. Ao excluir milhões da conta, o governo pode comemorar números, mas não enfrenta o drama de quem trabalha sem direitos, vive de renda instável ou simplesmente perdeu a esperança de ser absorvido pelo mercado formal.

A taxa de 5,1% pode ser verdadeira dentro de um recorte específico. Mas a taxa de 16,6% está muito mais próxima da vida real brasileira. Ignorar isso não melhora a economia. Apenas melhora o discurso — e aprofunda a distância entre os números oficiais e a experiência cotidiana da população.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Braveza - Por Dr. José Flavio Vieira.


O Coronel Gumercindo Braveza era um matozense da gema. Nascera por ali, há mais de 70 anos e defendia sua terra, se preciso fosse, de trabuco na mão. Também pudera! O velho Gumercindo carregava no peito a honra de fazer-se a quarta geração dos bravezas – fundadores da pequena vila. Parte do sitio onde o Coronel vivia – São Vicente de Matozinho - dera origem ao povoado, ainda nos meados do século XIX. Ali tomara posse de umas terras devolutas o primeiro Braveza que ainda ostentava o fraque e o bigodão, em um retrato na sala de visitas do casarão da fazenda. As terras do Coronel já não tinham a fertilidade de outrora. Aos canaviais antigos substituiu o capinzal, e o eito e a bagaceira agora estavam representados pelo gado que preenchia toda a paisagem da fazenda e rumina dentro do velho engenho, hoje de fogo morto. O Coronel, no entanto, mantinha o orgulho, a vaidade, e a empáfia de outrora. Longilínea como vareta de soca-soca vestia-se de palito de linho branco, chapéu Pinto Vilela e cromo alemão. Educado, profundamente cerimonioso, Gumercindo falava pausadamente, com um silencio quase teatral, entre uma frase e outra. Sua palavra, em geral, devia aceitar-se como definitiva, ele não engolia discordância: sabia ser ríspido e bravo quando necessário. Neguinho que fizesse munganga ou querequequé nas barbas do Coronel podia se preparar para mão de pilão no toutiço ou tiro de sal no mucumbu. O homem não tinha muito senso de humor: era sim-sim, não-não. Por outro lado, o velho não se apresentava muito festeiro não. Em tempos remotos, no verdor dos anos, gostara de um arrasta-pé e até fundara o primeiro bordel da cidade, na chamada Rua do Caneco Amassado. Uma necessidade, explicava, para conseguir manter os homens no final de semana em Matozinho. Senão escapavam todos, sorrateiramente, para as cidades vizinhas. As cãs, no entanto, lhe impingiram também, um pouco a contra gosto, as insalubridades da virtude. Agora, comparecia a Vila, apenas aos sábados, no dia da feira, para rever os amigos, resolver algumas pendências e comprar alguns piqualhos para o São Vicente. Permanecia na sua casa da Rua Cerbelon Braveza, até a missa do domingo, quando, à tardinha, retornava para a labuta do sitio. Dizia-se que o escritório do Coronel, na vila, estava montado no café de Dona Ridinaura. Ali, em geral, tomava o caldo de mocotó pela manha, almoçava um porco na rola e, muitas vezes, jantava um prato mais leve como mungunzá ou buchada. Aproveitava, também, para atualizar-se com as ultimas fofocas de Matozinho. Dona Rirri, como carinhosamente a chamavam, mantinha uma espécie de SNI naquelas brenhas. Ela especulava tudo, mantinha um exercito de fofoqueiros amestrados, descobria mofados, inventava verdadeiros dossiês contra desafetos e disseminava as noticias com uma velocidade invejável. O slogan da casa era: Quem com quem dona Rirri? Gumercindo, no entanto, mantinha-se impassível, não perguntava nada, ouvia tudo com a cara de quem não estava gostando, mal disfarçando a curiosidade. Brigava, freqüentemente, com Rirri, por outra razão, a velha tinha fama de careira e gostava de explorar: o preço dependia da cara de leso de cada cliente. Pois bem, um belo dia o velho Gumercindo caiu doente. Fumante de um escora carroça, desde os quinze anos, com dimensões de charuto cubano, começou a mostrar-se rouco, piorando do pigarro habitual. Enrabou as meizinhas do boticário Janjão, sem demora. A pedido de um filho botou-se para capital, e lá se constatou tratar-se de um câncer na laringe. Semana depois, Dona Rirri deu a noticia no café: Gumercindo sofrera uma operação muito grande para tirar um quisto canceroso da goela e agora estava quase sem falar.
Alguns meses depois, correu a nova na vila: Coronel Gumercindo voltara. Alguns amigos mais chegados foram visitá-lo, evitando, no entanto, falar na doença e entrar em detalhes sobre aquela voz metálica e aquele lenço branco no pescoço, que, ao que se dizia, cobria um buraquinho por onde, agora, o Coronel respirava. O velho estava um pouco abatido, mais brabo do que sempre e o povo evitava perguntar qualquer detalhe: menos por consideração e mais por medo da resposta.
No sábado, Gumercindo, por fim, rompendo as resistências, voltou ao escritório: o café da dona Rirri. Foi recebido com festa: a velha olhava para ele com uma curiosidade nunca vista. Aparentemente medindo o tempo de sobrevida que o Coronel teria depois daquela operação. Rirri estava num pé e noutro para perguntar detalhes, esforçando-se para entender aquela voz de Pato Donald que saia do pescoço do Coronel. Mas cadê coragem? Se o homem já era mais grosso do que apito de navio quando estava bom, imagine agora acossado por uma doença deste tamanho! Rirri serviu o porco na rola do Coronel e ficou rodeando o homem como um mestre salas, esperando uma deixa, um mote, para entrar em detalhes sobre o quisto canceroso. O Velho manteve na maior cara de pau, o tempo todo serio que só boi mijando. Dona Rirri debulhou o mundo de fofocas acumuladas durante sua ausência, mas Gumercindo ouviu tudo calado, sem dar muita bola. No fundo, sabia que qualquer comentário abriria margem para perguntas pessoais que alimentariam os comentários do café, nas próximas semanas. Terminado o almoço, rápido pediu a conta e se escandalizou com o preço da dolorosa. Forçou a voz carvenosa que parecia sair de dentro de um barril e sapecou: Vinte e cinco reais! Tá ficando doida Rirri, que exploração é esta? Duas vezes mais caro do que na capital. Isso é um roubo, um assalto, um comunismo! Ridinaura, finalmente, teve o mote que esperava: Mas Coronel, tudo tá na maior carestia. Tudo subiu! A carne subiu! O arroz subiu! O sal subiu! O feijão subiu! A farinha subiu! O café subiu! Por falar nisso, o que é este buraquinho que o senhor tem aí no gogó? O Coronel disparou o trabuco:
É o cu, Dona Rirri! O cu! Tudo num subiu? Pois o cu subiu também e agora ta aqui no pescoço!

Dr. Jose Flavio.

INQUIETAÇÕES - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

A gente escreve para, entre outras coisas, tirar as pixilingas da cabeça. Ou seria por obrigação?

Não é para dizer tudo que a humanidade precisa saber. Imagina.

Empilhamos palavras e frases e esbarramos na angústia do cotidiano e na conformação em sobreviver. Como se sobreviver bastasse.

Por que se repete a ladainha "os tempos estão difíceis?" Quando foi que os tempos não foram difíceis?

As pessoas, quase sempre,  viveram em conflitos. A filha da empregada acaba de fugir com o palhaço de um circo da periferia e a bronca está no Mundo. A menina é "de menor".

Parece que o estado natural do homem é de viver sempre em conflito.

Nos "tempos difíceis" atuais, tem a ditadura da mesmice, da imbecilização, mistura de cinismo e vulgaridade.

Uma dose do individualismo generalizado dá para mostrar que o contigente comprometido com a alegria é muito pequeno.

Se os poderes têm liberdade para usurpar outros poderes, diga-se que os lobos vão acabar com a família dos cordeiros.

Por que tanta coisa fora do eixo para consumir nossa beleza? Hein?

E nisso que dá, quando a gente escreve se metendo com a realidade.

Corremos o risco de perder a pista do que procuramos

Bem feito.

A Centelha -- por J.Flávio Vieira


     Um dia, ouvindo uma saudação minha a um ex-professor, ela confidenciou a amigos que gostaria que fosse  eu o escolhido par saudá-la em alguma solenidade. Achou, em meio a minhas palavras laicas, mas banhadas de poesia, que havia alguma coisa de sagrado nelas, afinal a poesia é sempre  um tipo de  prece, de oração .
O tempo passou, encontramo-nos tantas e tantas vezes, pelas ruelas da vida e, infelizmente, o momento da saudação nunca chegou.
Hoje, ela partiu e as palavras já não ressoam e já não parecem ter força ou sentido.

       A rigor, diante de uma vida tão longa e pródiga, nem deveríamos ter motivos para blues e tristezas, mas para celebração pela dádiva de uma existência tão fulgurante. Nossa madre foi uma criatura ímpar. Profundamente espiritualizada,  dirigiu os destinos de muitas gerações de caririenses, sem ranço, com profunda compreensão dos conflitos de idade, usando sempre o amor como mola mestra do educar.

      Soube acompanhar os tempos e suas mudanças,  vezes cataclísmicas e estonteantes, sem estardalhaço, com os pés fincados sempre no chão da sua religiosidade, mas com os olhos fitos no futuro.  Lembro que convidado para fazer uma palestra no seu colégio, sobre Gravidez na Adolescência, alguns professores preocuparam-se sobre a necessidade de apresentar imagens anatômicas e meios anticonceptivos, temendo mexer com sua susceptibilidade.

         Madre Feitosa assistiu a toda a apresentação com uma tranquilidade monástica, em nenhum instante demonstrou qualquer excessivo pudor ou mostrou-se incomodada  com as fotografias e as imagens projetadas. Sabia que, no fundo, o amoral reside na alma das pessoas e nas suas disformes relações com o mundo e não em frágeis palavras ou meras ilustrações.

           Sempre imaginei que a possibilidade de melhorarmos o planeta depende do nosso esforço em ampliar o sentido de família. Quando o homem conseguir entender que somos parte de uma imensa parentela, muito além do simples clã sanguíneo, e que nossa casa chama-se Terra, que somos todos irmãos, independentemente de cor, de raça, de reino, de religião, de condição social, a sobrevivência sustentável do planeta estará assegurada. Nossa Madre  não teve filhos biológicos, mas tornou-se uma invejável matrona bíblica, pelo simples fato de adotar  milhares de alunos como rebentos seus.

         Cuidou-os e orientou-os utilizando o mais poderoso instrumento pedagógico: a compreensão substituindo a punição; o diálogo aberto ao invés do autoritarismo; a força do exemplo  antepondo-se ao vazio das palavras. Não bastasse isso, nossa Madre Feitosa fez-se o esteio espiritual de muitos pais e amigos, orientando vidas, mostrando caminhos, confortando e amparando pessoas nas fases mais tenebrosas de suas trajetórias. Próximo dela tínhamos a certeza de que sua espiritualidade fluía das regiões mais abissais da sua alma. Não era um simples verniz, um mero adereço. Era uma pessoa de muitas certezas e poucas dúvidas.  A autoridade saltava do seu sorriso, das suas palavras doces, pausadas e medidas. E foi, certamente, esta centelha interior  que a manteve lépida, atuante, vívida por quase um século.

          Queria ter dito todas estas palavras antes da solenidade final a que todos um dia estaremos sujeitos. Mas teimo em encontrar no meio do desapontamento da perda, motivos de celebração e de regozijo. Turva-me a tristeza da impermanência, mas louvo e congratulo-me com vida por nos ter privilegiado por tanto tempo com sua presença. Destituídos da couraça material, sobrevivemos nas obras que edificamos.

        Alguns esculpem na lâmina das águas, poucos na dureza magmática das rochas. Madre Feitosa burilou almas, lavrou na seara do espírito. Seu sorriso e seu doce continuarão vivos , fulgurantes em todos aqueles que um dia dela se acercaram. A luz com que ela iluminou nossos caminhos era um mero reflexo da centelha do divino que dela se irradiava.

Crato, 28/12/2019

sábado, 31 de janeiro de 2026

DUAS LUAS - Por Xico Bizerra

Estava reparando o céu e avistei mais de uma lua. A de São Jorge estava lá, com dragão e tudo. A outra, vazia de santos e animais, clareava tanto quanto aquela. 

Sempre me ensinaram que apenas uma lua morava num céu tão grande. Para que tantas estrelas e uma lua só? Todos a vêem grande, solitária e indecifrável. 

Fiquei a imaginar que aquela segunda lua talvez se prestasse para substituir a lua primeira quando chegasse o sol. Mas não: quando o sol desponta a lua não mais há, já foi passear no Japão ou noutras terras distantes. 

E agora? Como vou explicar ter visto duas luas? Só posso garantir que jamais vou esquecer que numa noite de setembro beirando o outubro que se achegava reparei o céu e vi mais de uma lua e elas clareavam o chão com a mesma intensidade. 

No meu céu cabe uma lua dupla e ambas são verdadeiras. Melhor guardá-las só pra mim, acreditar na verdade das duas luas e esconder de todos que as vi para que não digam que estou aluado. Duplamente aluado.

Xico Bizerra

Tempos apocalípticos -- por Paulo Brossard

Minha filha Magda me advertiu de que estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta; semana passada, certifiquei-me do acerto da sua observação, ao ler a notícia de que o douto Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária, em decisão administrativa, unânime, resolvera determinar a retirada de crucifixos porventura existentes em prédios do Poder Judiciário estadual, decisão essa que seria homologada pelo Tribunal. Seria este “o caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de Estado laico” e da separação entre Igreja e Estado.

Tenho para mim tratar-se de um equívoco, pois desde a adoção da República o Estado é laico e a separação entre Igreja e Estado não é novidade da Constituição de 1988, data de 7 de janeiro de 1890, Decreto 119-A, da lavra do ministro Rui Barbosa, que, de longa data, se batia pela liberdade dos cultos. Desde então, sem solução de continuidade, todas as Constituições, inclusive as bastardas, têm reiterado o princípio hoje centenário, o que não impediu que o histórico defensor da liberdade dos cultos e da separação entre Igreja e Estado sustentasse que “a nossa lei constitucional não é antirreligiosa, nem irreligiosa”.

É hora de voltar ao assunto. Disse há pouco que estava a ocorrer um engano. A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em reverência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à História.

Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre os sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo Da Vinci imortalizou. No seu artigo “O justo e a justiça política”, publicado na Sexta-feira Santa de 1899, Rui Barbosa salienta que “por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz”… e, adiante, “não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”. Em todas as fases do processo, ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida.

Não é tudo. Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui concluiu seu artigo, “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.

Faz mais de 60 anos que frequento o Tribunal gaúcho, dele recebi a distinção de fazer-me uma vez seu advogado perante o STF, e em seu seio encontrei juízes notáveis. Um deles chamava-se Isaac Soibelman Melzer. Não era cristão e, ao que sei, o crucifixo não o impediu de ser o modelar juiz que foi e que me apraz lembrar em homenagem à sua memória. Outrossim, não sei se a retirada do crucifixo vai melhorar o quilate de algum dos menos bons.

Por derradeiro, confesso que me surpreende a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa. A propósito, alguém lembrou se a mesma entidade não iria propor a retirada de “Deus” do preâmbulo da Constituição nem a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro durante os dias e todas as noites.

Paulo Brossard, ex-senador da República, ex-ministro da Justiça, Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O PASSADO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Há quem ache uma bobagem contemplar o passado.

Como se não lançássemos mão do passado para explicar o presente.

De vez em quando, vemos a vida pelo retrovisor. Não há nenhum mal nisso.

É saudável lembrar pessoas e lugares que nos fizeram felizes.

Chegamos mesmo a enxergar sorrisos e ouvir risadas dos "melhores momentos" da vida.

Nesse mundo dominado pela pressa, Alceu de Amoroso Lima definiu: "Passado não é o que passou. É o que ficou".

Uma grande sacada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Princesa Isabel: redentora ou santa? -- por Dom Antônio Augusto Dias Duarte (*)

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira.
Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.

Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil.

No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador: “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”.

Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.

Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.

Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a varrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus.

O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade. O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, principalmente, da nossa época moderna e pós-moderna.

A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem.
Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as crianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antivalores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tolerância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao diálogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões africanas, enfim, por todos que têm amor pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel.

Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel, o frei Galvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar.

Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja.

“É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (…). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).
(*) Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ
                                                          

DEPOIMENTO DE RITA LEE - Recomendo a leitura.


Rita Lee.

"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem ir resistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. "Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda." 

Pão Diario - Postagem do Pedrinho Sanharol.

Recentemente fui ao supermercado para fazer uma pequena compra. Vi na sessão de frutas e verduras uma prateleira cheia de lindas flores. Embora não estivessem em minha lista, fiquei tentado a levar algumas para oferecer à minha esposa. Comprei um feixe de dez tulipas amarelas. Uma beleza! Terminei as compras, voltei para casa, pus as flores num vaso próprio que enchi com água fresquinha. 

Lá elas ficaram sobre a mesa da sala, tão lindas, para a alegria da minha esposa quando as encontrou.  No dia seguinte, domingo, fomos à igreja. Um lindo dia de sol que invadiu a casa através da janela. As flores recebiam o sol quente, demonstrando satisfação. Entretanto, quando voltamos, elas estavam completa-mente murchas - não eram mais aquelas lindas flores da manhã. Fiquei muito triste e fui investigar a razão. A água viva, fresquinha, com a qual tinha enchido o vaso, havia-se evaporado com o sol forte que entrava pela janela. 

Imediatamente tratei de repor a água do vaso e fiquei à espera, ansioso para que as flores se reanimassem e voltassem a ser o que eram. A água fez o seu efeito, à tardinha começaram a dar sinal de vida, e de repente estavam firmes, cheias de vigor e lindas novamente. 

A vida do cristão é assim também. Ele é chamado a viver cheio de esperança e alegria. Se Jesus viver nele por meio do seu Espírito, essa vida transparecerá nele, mas se o Senhor for esquecido, sua vida não apresentará a beleza de quem o conhece. 

Se Jesus dominar, não importam o sol escaldante, os problemas, as lutas de cada dia, as dúvidas, as doenças e tantas outras dificuldades, o cristão sempre terá dentro de si uma fonte de vigor e alegria – terá aprendido o segredo de viver feliz. 

A água da vida está à disposição para reanimar quem quiser recebê-la.

Enviada por Rogeany Santana.

Versador - Por Jose de Moraes Brito.

Dê-me uma ampola que está dor evite!
Que desta dor de ouvido estou farto
Dizem que é terrível a dor do infarto.
Que é imsuportavel a tal bursite.

A maior dor que existe é a pulpite...
Dizem alguns que é a dor do parto,
Mas que esta dor apenas dói 1/4
Da cólica renal, da meningite.

São estas tais as dores mais temidas
Que atormentam tanto  nossas vidas
Tornando nossa paz um pesadelo

Mas a uma dor não cabe analgesia
Nem bolsa d'água quente ou fria
É a chamada "Dor de cotovelo".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Coronel Raimundo Augusto - Por Antônio Morais

Almoçando o inimigo antes que ele nos jantasse, Cel. Raimundo Augusto dá combate a Lampião no sitio Tipi em Aurora. Entre os cometimentos atribuídos ao Cel. Raimundo Augusto figura o combate que este frente a seus cabras teria sustentado contra o bando de Lampião, no ano de 1927. Muito bem armado com os fugis e os mosquetões recebidos de Floro para dar perseguição a Coluna Prestes, o famoso bandoleiro demorava no sitio Tipi, em Aurora, enquanto planejava o ataque contra Lavras da Mangabeira. A cidade de São Vicente Ferrer com o seu comercio e as suas riquezas havia despertado a cúbiça no temível cangaceiro, encorajando-o a praticar o saque. Já os donos do Tipi eram inimigos declarados do Clã lavrense. Então, por que esperar? Almoçar o inimigo antes que ele nos jante, decidiu o Coronel. E, assim foi feito. Sem perda de tempo Raimundo Augusto reuniu seus cabras e arrojou-se de surpresa sobre o bando facinoroso. Após breve combate Lampião e os do seu bando fugiam, deixando no local da refrega armas, mantimentos e vários cavalos de montaria do bando, que não puderam conduzir. Dias depois, na propriedade do Coronel António Joaquim de Santana, na Serra do Mato, onde o bando costumava esconder-se, António Ferreira, irmão de Lampião, recriminava em versos, ao som da sanfona, a imprudência do irmão:

Lampião bem que eu te disse,
Que deixasse de asneira,
Que passasse bem por longe,
De Lavras da Mangabeira.

O galo Chantecler - Enviado pelo Dr. Francisco Alves Pereira.

Leonel Brizola, figura singular da história política brasileira, tinha como uma de suas características a fala através de metáfora. Era mestre neste tirocínio.

Ao reler seus Tijolaços – artigos pagos e publicados em jornais impressos de circulação nacional – este predicado fica mais evidente, e muito mais agudo com sua peculiar ironia e sagacidade.

Uma das figuras que usava era a síndrome do galo Chantecler.

O galo Chantecler, diz a história da fábula do teatrólogo e escritor francês Edmond Rostand, era um galo metido, chamado Chantecler (algo como “canta e clareia”).

O galo acordava de madrugada e cantava a plenos pulmões, para “acordar o sol”. Meia hora depois, o sol despertava e surgia brilhante no horizonte.

“O sol nasce porque eu canto”, proclamava orgulhoso e arrogante, o galo. 

Mesmo diante da contestação de todos, ele repetia: “sou eu que faço o sol nascer”.

Sua decepção profunda veio quando, depois de uma noite mal dormida, o galo acordou muito mais tarde, lá pelas 8 e meia da manhã, e viu, desesperado, o sol brilhando no céu, sem que ele o tivesse determinado.

Na existência humana muitos sofrem desta síndrome e acreditam, piamente serem a razão inconteste do raiar do sol; aprumam as penas e cacarejam a todos os pulmões; olvidando-se de sua reles existência finita, de sua ordinária vulnerabilidade, da sua vil transitoriedade.

Incultos, rasos e arrogantes, são desprovidos da genuína sabedoria de que pouco ou quase nada sabemos, uma vez que a existência é um eterno aprender.

Na política, esta síndrome se acentua: o poder, o dinheiro, o status, as facilidades, são agentes imperiosos para o cacarejo Chantecler. Muitos acreditam serem o centro do universo com seu egocentrismo e sua ganância, entre outros atributos mais deletérios.

Desta forma, fica cada vez mais perceptível e escandaloso a perda da conectividade com a vida e o sofrimento real de nossa população, em prol da infatigável busca por holofotes e poder.

Afinal, a política para alguns é apenas o instrumento basilar para aumentar suas síndromes, sua ganância e sua estupidez. O povo é apenas um detalhe, cinicamente, manipulado para a manutenção do poder.

Porém, um dia o despertar se atrasará, o sol brilhará e o cacarejar será apenas ruído de quem um dia se conjecturou ser a razão primordial e insubstituível da existência; e quem sabe assim perceberá sua pequenez e sua finitude.

Até porque o poder – cedo ou tarde – castiga, os insaciáveis galos Chantecler. 

Sábio, Leonel Brizola!