segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Dr. Jose Bitu Moreno - Por João Bitu

Dr. Jose Bitu Moreno.

Orgulho de nossa família e de todos os seus conterrâneos Varzealegrese por se destacar pelo profissionalismo e competência na área de medicina, tanto nacional como internacional.
Senti muita alegria pelo nosso encontro em Agosto de 2009 na residência dos meus pais no sítio Sanharol, terra de nossas origens. Dr. José Moreno Bitu, competência, simplicidade, humildade, o tripé que faz galgar de prestígios no campo da medicina. Parabéns e que Deus lhe ilumine cada vez mais nas suas atividades do dia-a-dia.

Você é um bom filho
Dotado de sabedoria
Deus é seu protetor
Na ciência e tecnologia
Receba os nossos parabéns
De toda a sua família

Do seu primo

João Bastos Bitu

NOSSA CONTRIBUIÇÃO PARA O RÁDIO ESPORTIVO DE JUAZEIRO DO NORTE - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Quando em 1967 a equipe esportiva da rádio Progresso AM de Juazeiro do Norte começou a ser formada, estávamos lá (pra sorte nossa). 

Com Jussier Cunha, como narrador, se buscou mais um locutor. Dalton Medeiros foi contatado, mas não aceitou a proposta. "Irresponsavelmente", enviei carta para Francisco Silva, o Foguinho, que estava na Emissora Rural de Petrolina. 

O velho Fogo apressou-se e veio bater no meu endereço, na rua Dr. Diniz. 

Com ajuda de João Barbosa, diretor comercial, convenci o Dr. Geraldo Barbosa, gerente e nosso compadre, de que a contratação era cara, mas fundamental. 

Fechou-se a maior contratação do rádio esportivo juazeirense à época. Depois, veio a saída de Foguinho. Para não deixar cair a qualidade e a audiência, foram chegando, pela ordem, Luiz Carlos e Carlos Alencar. 

Até Heron Aquino e Hamilton Lima do rádio cratense narraram pela Progresso por pequenos períodos. 

O nosso poder de persuasão junto aos dirigentes da querida emissora contribuiu para valorização dos profissionais do rádio esportivo da região. 

Tenho o maior orgulho disso. 

Na foto, Wilton Bezerra, Jussier Cunha e Foguinho. Abaixo, da esquerda para a direita, Hamilton Lima, Heron Aquino, Carlos Alencar e Luiz Carlos.

A ópera da vida - Por Dr. Jose Bitu Moreno

Capela de Maria de Bil - Foto de Wiltom Bitu Moreno.

Ontem foi o primeiro dia de abril desse ano de 2007. Ficamos em casa, enquanto lá fora brilhou o sol e os pássaros cantaram até altas horas. Dentro de casa também ouvimos música, e dessa feita foi Carmen de Bizet. Bela ópera, belas melodias, como bela é a vida com seus diversos e misteriosos desígnios. As crianças assistiram pesarosos e excitados o desfecho fatal da ópera. Eu me desloquei do enlevo dado pela beleza que a obra inspira, até à beira do desconforto e da tristeza, aquele negro precipício que às vezes se enxerga quando se debruça na própria alma, ou na arte, ou na beleza superlativa.

Carmen e José morrem a todo instante nesse vasto mundo. Carmen foi a mesma Maria, que um dia Bil matou, por puro ciúme e despeito, sob o sol de meio dia no sítio Inharé, na cidade de Várzea-Alegre, quando ela grávida do terceiro filho, levava comida para o pai na roça. José foi o mesmo que de incontrolável e excessivo amor, ou sentimento de posse, ou não sei que ferida d´alma, matou sua esposa num domingo fatídico, em Marília, e depois se matou ...eu os pude ver no pronto socorro, jogados em macas diferentes, mas por acaso virados um para o outro, e como que mirando-se, no vazio de seus olhos e da existência perdida. Impressionantes os meandros da vida, inescrutáveis seus precipícios, a morte sombreando escandalosamente cada manisfestação vital.

Maria se tornou uma lenda e virou santa para as pessoas da região. De longe se pode ver sua capelinha branca encrustada na serra.

- Carmen um dia existiu, pai? – André me pergunta com uma entonação triste.

Carmen, José, o amor, a vida, a paixão desenfreada, o ciúme, o egoísmo, a fatalidade, a loucura, o instinto homicida...

- Sim, André, um dia Carmen existiu, viveu em Sevilha, na Espanha – Eu lhe respondo com convicção, sabendo que vida e arte são ao final um só corpo, mistura de ficção e realidade. Carmens e Josés vivem e morrem a cada instante dentro de cada um de nós.

Dr. Jose Bitu Moreno.

domingo, 2 de agosto de 2026

DANÇA LENTA - Antonio Alves de Morais.

Alguma vez voce já observou crianças brincando num carrocel? Ou ouviu a chuva batendo no chão? Alguma vez seguiu o vou erratico de uma borboleta? Ou fixou o olhar no sol no crepusculo? É melhor voce diminuir o passo. Não dance tão depressa. 

O tempo é curto, a musica vai acabar. Voce corre atraz de cada dia voando? Quando você pergunta "como vai"? Voce escuta a resposta? Quando o dia finda, voce fica deitado na cama, com os proximos afazeres rolando por sua cabeça? É melhor voce diminuir o passo. Não dance tão depressa. O tempo é curto, a musica vai acabar.

Voce disse alguma vez a uma criança "vamos deixar para fazer isto amanhã?" E na sua pressa não viu a tristeza dela? Perdeu contato, deixou uma boa amizade morrer porque voce nunca tinha tempo para ligar e dizer "Oi"? É melhor diminmuir o passo. Não dance tão depressa. O tempo é curto, a musica vai acabar.

Quando voce corre tão depressa para chegar a algum lugar, voce perde metade da satisfação de chegar lá. Quando voce se preocupa e se apressa em seu dia todo, é como se fosse um presente que não foi aberto. Um presente jogado fora. A vida não é uma corrida. Leve-a mais devagar. Ouça musica. Antes que a canção acabe.

Vivamos sem odio, sem magoas, sem machucar pessoas, principalmente as pessoas que vivem mais proximas da gente. Pessoas que nos amam como somos e com as quais somos verdadeiros, sem mascaras, com nossas dificuldades e somos perdoados.

Que bela canção!

sábado, 1 de agosto de 2026

Habeas Pinho - Dr. Arthur Moura

Em 1955, em Campina Grande, na Paraíba, um grupo de boêmios fazia uma serenata numa madrugada do mês de Junho, quando chegou a policia e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em juízo para que fosse liberado o violão. Aquele pedido ficou conhecido como “Habeas Pinho” e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praias no nordeste. Eis a famosa petição:
Exmo. Senhor Juiz de Direito da Segunda vara desta Comarca:

O instrumento do crime, que se arrola
Neste processo de contravenção.
Não é faca, revolver nem pistola,
É simplesmente, Doutor, um violão.

Um violão, Doutor, que na verdade,
Não matou nem feriu um cidadão,
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade,
Ao crime ele nunca se mistura,
Inexiste entre eles afinidade.

O Violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida,
Que cantam as mágoas e que povoam a vida,
Sufocando suas próprias dores.

O Violão é musica e é canção,
É sentimento de musica e de alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório
Porem seu destino se perpetua,
Ele nasceu para cantar na rua,
E não para ser arquivo de cartório.

Mande soltá-lo pelo amor da noite.
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite,
De suas cordas leves e sonoras.

Libere o violão Dr. Juiz,
Em nome da justiça e do direito,
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe encheu o peito?

Será crime, e, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua o desgraçado,
Deixando ali as suas dores?

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento,
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
E pedimos também deferimento.

Ronaldo Cunha Lima - Advogado


Despacho do Juiz.

O Juiz Arthur Moura, sem perder o ponto, deu a sentença no mesmo tom:

Para que eu não carregue remorso no coração,
Determino que seja entregue ao seu dono,
Desde logo, o malfadado violão.

Recebo a petição escrita em verso,
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo, que há de belo no universo.

Que seja o sol, ainda que a desoras,
E volte a rua, em vida transviada
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de lua, plena madrugada,
Venha tocar a porta do Juiz.

A chegada de George Gardner a Crato - por Armando Lopes Rafael

Crato, 1859 - aquarela de José Reis, acervo do Museu de Artes de Crato.

Dois anos fazia que George Gardner viajava pelo Império do Brasil, pois aqui aportou em 22 de julho de 1836.
Ele chegou ao Ceará, ao meio dia de 22 de julho – na data que completava dois anos do seu desembarque no Rio de Janeiro. Certamente, foi com alívio e alegria que o Botânico inglês contemplou a foz do Rio Jaguaribe, emoldurada pelas areias brancas do litoral cearense, ponto final da travessia. Mas só no dia seguinte, 23 de julho, utilizando um bote, ele desceu pelo rio, até atingir, a pouca distância, a vila de Aracati.

Gardner não demonstrou interesse em conhecer a vila de Fortaleza que, desde 1810 era a capital do Ceará. Optou por percorrer outras povoações do interior. No Ceará, o roteiro traçado pelo pesquisador incluiu, além de Aracati – porto por onde se exportava o couro e o charque produzidos na Província – a vila de Icó, importante entreposto comercial, em pleno sertão. Seu destino final, na Província do Ceará, era a vila de Crato, menor e mais atrasada que as duas acima citadas e localizada ao sopé da Chapada do Araripe.
As redondezas de Crato eram dotadas de exuberante vegetação – com boa variedade de fauna e flora nativas – possuindo dezenas de fontes naturais, além de depósitos de fósseis do período Cretáceo Inferior. Era isso que atraía o interesse do intelectual inglês. Gardner demorou cerca de 12 dias em Aracati. No dia 3 de agosto, sob forte chuva, rumou, com seus ajudantes e algumas malas, em busca de Icó, onde faria uma parada antes de atingir Crato.
Ao final da tarde do dia 9 de setembro de 1838, após ter cavalgado sobre terra plana e arenosa, de ter contemplado grandes plantações de cana, onde sentiu o cheiro do mel vindo dos engenhos de rapadura, a invadir a atmosfera com seu aroma adocicado, avistou Crato. Extasiado com a beleza da localidade, ele escreveu as linhas abaixo:

"Impossível descrever o deleite que senti, ao entrar neste distrito, comparativamente rico e risonho, depois de marchar mais de trezentas milhas através de uma região que, naquela estação, era pouco melhor que um deserto.

A tarde era das mais belas que me lembra ter visto, com o sol a sumir-se em grande esplendor por trás da Serra do Araripe, longa cadeia de montanhas, a cerca de uma légua para Oeste da Vila, e o frescor da região parece tirar aos seus raios o ardor que pouco antes do poente é tão opressivo ao viajante, nas terras baixas.

A beleza da noite, a doçura revigorante da atmosfera, a riqueza da paisagem, tão diferente de quanto, havia pouco, houvera visto, tudo tendia a gerar uma exultação de espírito, que só experimenta o amante da natureza e que, em vão eu desejava fosse duradoura, porque me sentia não só em harmonia comigo mesmo, mas “em paz com tudo em torno".
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

Profeta de chuvas - Antonio Alves de Morais

Em 1970, fui colega do Pedro Norões no Banco do Cariri S/A. Tinha um profeta de chuvas pras bandas do sitio Araçás, que anotava todas as previsões num caderno e trazia para Pedro Norões datilografar numas folhinhas de papel, rejuntar e deixar igual um livrinho com as previsões. Um almanaque.
Para ver se o profeta prestava bem atenção ao que fazia, Pedro Norões mudou a previsão de uma chuva do dia 14 de outubro a tarde para o dia 15 pela manhã.
Assim, oito dias depois, estava o profeta a reclamar: Dizia, olhe seu Pedro Norões a chuva é no dia 14 a tarde e o senhor anotou para o dia 15 pela manhã! Então, Pedro Norões morrendo de dar risadas disse: compadre, eu estou planejando queimar minha broca no dia 14, por essa razão passei a chuva para o dia 15.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Ciro Gomes - Por Ciro Gomes.

Eu conheço os bastidores da política cearense.

Sei quem são, como agem e quais interesses representam. Durante anos acompanhei de perto tudo o que aconteceu no Ceará e no Brasil.

Chegou a hora de falar a verdade sem medo.

O povo cearense merece conhecer os fatos, separar discurso de realidade e enxergar quem realmente está comprometido com o futuro do nosso estado.

Como diz o ditado: chegou a hora de mostrar que o rei está nu.

O Ceará vai voltar a sonhar, mas com os pés na realidade e os olhos abertos para a verdade.

O TAMANHO DE DEUS - Antonio Alves de Morais.


Pai e filho passeavam e conversavam sobre diversos assuntos, até que em determinado momento, o filho pergunta ao pai: Papai, qual o tamanho de Deus?
O pai pensou, pensou, tentando achar a melhor resposta, pois queria que o filho entendesse de forma simples, mas não queria frustrá-lo com uma resposta do tipo :”Ah filho Ele é infinito”, pois talvez o menino continuasse não entendendo. Então ao olhar para o céu o pai avistou um avião, era o maior avião que existe, era um Jumbo e ele perguntou ao filho:
Que tamanho tem aquele avião? O menino levantou a mão pro céu, mediu e disse: Papai, tem o tamanho da palma da minha mão!

Então o pai totalmente empenhado em fazer o filho entender, o levou ao aeroporto em frente aquele mesmo avião (o avião tinha 19,4 metros de altura e 70,7 metros de comprimento, com capacidade pra 467 passageiros) e ao chegar próximo de um avião perguntou: Filho e agora? Qual o tamanho desse? O menino, saltitando de alegria e espantado em ver de perto algo como aquele, disse: Nossa papai! Esse é muito, muito grande! Ele é imenso!

O pai então disse: Filho este é o mesmo avião, e com isso eu quero que você entenda o tamanho de Deus:  ”O tamanho vai depender da distância que você estiver dele. Quanto mais perto você estiver dele maior ele será em sua vida, e quanto mais longe você estiver menor ele será”

O tamanho que Deus ocupará em nossas vidas, depende de nós, não basta apenas saber sobre Ele, para conhecer a grandiosidade do nosso Senhor é necessário um relacionamento íntimo com Ele! Que Deus não ocupe em nossa vida o tamanho da palma da nossa mão, por que Ele nos quer por completo!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

VALE A PENA VER DE NOVO. CARIRI ATUAL, 20 de Março de 2017 - Wilton Bezerra, comentarista geraralista.

Há 50 anos, durante a transmissão de um torneio de futebol de salão da extinta CELCA (Companhia de Eletricidade do Cariri), começava a trajetória de um dos maiores comentaristas esportivos nascidos na região, WILTON BEZERRA( à direita). 

Segundo o Portal de Juazeiro, do historiador DANIEL WALKER, a estreia de Wilton Bezerra aconteceu na Rádio Progresso AM, ao lado de Wellington Amorim e Damião Gomes. 

Com passagens pelas rádios Uirapuru, Cidade, Assunção e emissoras de TVs, Wilton integra a equipe de esportes da rádio Verdes Mares e TV Diário . 

Em 2006, Bezerra foi agraciado com o título de Cidadão Juazeirense, por meio de requerimento do então vereador Aguinaldo Carlos (à esquerda na foto).

DANADO DE BOM - Por Mundim do Vale


O coronel Juca Furtado, inimigo mortal de Lampião, era proprietário da fazenda Sossego, no município da Lardânia. No mês de São João ele convidou vizinhos e amigos para uma quadrilha. Entre os convidados estavam o cambista de Matorzinho Tomaz Pinto e uma bichinha da capital chamada Chiquita bacana.

Acenderam a fogueira, decoraram o barracão e dançaram forró, enquanto chegava a hora. Por volta das nove horas da noite, foram começando a quadrilha, quando chegou lampião com o seu bando todo armado. A surpresa e o medo fizeram com que aquela gente ficasse toda passiva. Lampião por sua vez tomou conta da situação e falou:
Quem vai marcar a quadrilha sou eu. Cavalheiros de um lado e damas do outro.
Chiquita Bacana perguntou:
Capitão e eu fico de que lado?
Do lado de fora! Minha quadrilha é pra homem e mulher, não é pra fresco não.

Cavalheiros cumprimentam as damas. – Damas cumprimentam os cavalheiros. – Grande roda. – Lá vem a chuva. – Todo mundo nu. - Um dedo na boca e outro na bunda. - Trocar de dedos. – Coluna por um. – Olha o trem. – Aperta o trem. – Damas deitadas. – Cavalheiros em pé. – Cavalheiros fazer apoio de frente. – Passeio.

Quando a neta do coronel passava pelada com um comprador de algodão, Virgulino arrastou, abraçou e disse:
Você é minha!
O par da moça falou:
Mas capitão essa é a minha dama.
Era. Agora é minha. Vá buscar Chiquita Bacana pra você.

Nessa hora o coronel Juca que estava na mira de dois rifles gritou:
Mas tá danado!
Lampião apontou um terceiro rifle e perguntou:
Danado de que coronel?
Danado de bom.

Depois de todo esse constrangimento, o bando saiu batendo no povo e levando cuecas e calcinhas nos fuzis, como se fossem bandeirinhas. Um cangaceiro poeta ainda improvisou esse verso de despedida, para desmoralizar mais ainda o coronel Juca.

“ Lampião marcou quadrilha
Na fazenda do Sossego,
Coronel Juca cagou-se
Depois foi pedir arrego.
Quando a dança terminou,
Virgulino amancebou
Uma branca com um nego.”

Quando lampião já estava no cavalo, Tomaz Pinto Gritou:
Capitão quando é qui o sinhor vai maicar uma quadrilha dessa lá im Matorzinho?

quarta-feira, 29 de julho de 2026

NELSON RODRIGUES: "PELÉ, UM REI DA CABEÇA AOS PÉS" - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Terminada mais uma Copa do Mundo, cessam as comparações (algumas absurdas) de craques de hoje com Pelé. 

Nem é preciso a desculpa de que seja difícil conversar com uma época. Pelé foi um jogador-atleta fora do comum. 

Foi o que constataram os exames médicos dele para ingresso no Cosmos. Vai ver que estava lá: "Rei da cabeça aos pés", como definiu Nelson Rodrigues.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Um Vaqueiro andando a pé - Por Carlos Eduardo Esmeraldo.

Outro dia, vi num desses programas rurais que passam nas manhãs de domingo nas nossas tevês, uma inacreditável reportagem mostrando um vaqueiro tangendo o gado montando uma moto e vestido com calças gins e camisa polo. 

Confesso que fiquei com saudades dos tempos em que os nossos vaqueiros não se separavam de seus cavalos e do gibão. Bons tempos aqueles! Ah que falta do João Bentivi, Raimundo Manezim, e Pedro Mandú! Aqueles sim, eram vaqueiros de verdade! 

Não como esses janotas, que montados em cavalos mangas-largas, derrubam bois maltratados em um campo aberto. Ao lado de uma faixa de corridas, uma turba de idiotas a ovacionar seus tristes feitos. 

O vaqueiro de verdade enfrentava a caatinga e seus perigos com muita coragem. Ele e o cavalo eram criaturas que somente se separavam para dormir. Parece que nossos autênticos vaqueiros foram sepultados por essa coisa idiota chamada vaquejada, promovida por empresários de barulhentas e intoleráveis bandas de ruídos, que eles pensam ser forró. O verdadeiro vaqueiro jamais era visto andando em carros, motos ou mesmo a pé. Para qualquer lugar que ele fosse era montado em seu cavalo.

A propósito de vaqueiros, lembrei-me de uma pequena historinha da tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Ela era professora e com quase 80 anos, continuava sendo a única catequista do Sítio São José. Morava com o seu irmão, meu tio Zeco Esmeraldo e sua mulher Hélia Abath. 

Toda tardinha, um monte de crianças se reunia num calçadão existente na casa do tio Zeco para as aulas de catecismo. Certo dia, entre indagações de “o Pai é Deus?” “Sim o Pai é Deus”, repetiam as crianças. 

De repente, ouviu-se a voz da tia Esmeraldina, interrompendo seus ensinamentos, e exclamando com muita admiração, apontando para a estrada que passava a cerca de uns cem metros: “Olhem meninos, que coisa interessante, um vaqueiro andando a pé!” 

As crianças olharam e uma delas mais desinibida ousou discordar: “Dona Esmeraldina, aquilo lá não é vaqueiro coisa nenhuma. É um doido nu.” “Para dentro de casa todo mundo!” Falou minha tia, cortando deste modo a natural curiosidade das crianças.

Carlos Eduardo Esmeraldo