terça-feira, 27 de outubro de 2026

Dr. Francisco e Mariano Pereira - Antônio Alves de Morais.

Uma história muito bonita que mostra o lado positivo do trabalho, do estudo, da gratidão e reconhecimento.

Próximo de nossa casa, na Vila Jubilar morava o senhor Raimundo Alves Monteiro, o muito conhecido por todos "Seu Lasquinha". Tinha uma família grande, como de costume, eram todas aquela época de antanho.

Sua profissão era motorista de taxi. Possuía um velho DKW, locado no Posto Crato, na gloriosa Praça Siqueira Campos.

O fato, é que ele focava todos os seus esforços para educação dos filhos. Determinação total. Exigência acentuada e disciplina esmerada.

Assim, conseguiu formar o primeiro filho Dr. Francisco Alves Pereira em medicina pela Universidade Federal do Ceará. Em seguida o Dr. Francisco deslocou-se para a cidade de Campinas - São Paulo a fim de se submeter à prova seletiva em residência médica na área de anestesiologia. 

Foi uma batalha árdua, uma vez que eram vários candidatos oriundos de todo o pais disputando somente 4 vagas. Vencida esta etapa em primeira colocação surge a oportunidade, através de concurso envolvendo prova escrita e oral, de ser professor de medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nos dois concursos mencionados a colocação foi simplesmente primeiro lugar. 

Depois do Dr. Francisco vieram os outros filhos com títulos superiores, O filho médico, tão logo pode, deu um carro novo ao seu pai. Um corcel 4 portas. Um luxo pra época.

No painel, no interior do carro, logo abaixo de onde estava encaixado o rádio, feita com  essa maquininha da foto, estava bem à vista do passageiro a tirinha com seguintes dizeres :

"O carro deu o doutor, e o doutor, deu o carro".

Seu Lasquinha foi proprietário da única Kombi do cariri que possuía seis portas. Por essa razão tal veiculo era foco de muita atenção. Inspirado numa música Seu Lasquinha mandou escrever no parachoque : "Boneca cobiçada".

Fonte  Professor Mariano Pereira e Dr. Francisco Alves Pereira.

FILHO, recomendo a leitura - Antônio Alves de Morais.


Talvez a mais rica, forte e profunda experiência da caminhada humana seja a de ter um filho. Ser pai ou mãe é provar os limites que constituem o sal e o mel do ato de amar alguém.

Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça. Eles chegam à nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.

Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões. Trilham novos rumos, afastam-se da matriz. O tempo se encarrega da formação de novas famílias. Os netos nascem. Envelhecem. E então algo começa a mudar.

Os filhos já não têm pelos pais aquela atitude de antes. Parece que agora só os ouvem para fazer críticas, reclamar, apontar falhas.

Já não brilha mais nos olhos deles aquela admiração da infância. E isso é uma dor imensa para os pais. Por mais que disfarcem, todo pai e mãe percebem as mínimas faíscas no olho de um filho. Apenas passaram-se alguns anos e parece que foram esquecidos, os cuidados e a sabedoria que antes era referência para tudo na vida.

Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mais impertinente. Praticamente não ouvem mais os conselhos. A cada dia demonstram mais impaciência. Acham que os pais têm opiniões superadas, antigas.

Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, as velhas músicas. E tentam fazer os velhos pais adaptarem-se aos novos tempos, aos novos costumes.

Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle. Quando eles estão bem idosos, já não decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber.

Raramente são ouvidos quando tentam fazer algo diferente. Passeios, comida, roupas, médicos, tudo, passa a ser decidido pelos filhos. E, no entanto, os pais estão apenas idosos. Mas continuam em plena posse da mente. Por que então desrespeitá-los? Por que tratá-los como se fossem inúteis ou crianças sem discernimento?

E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor. Naquelas mãos trêmulas, há sempre um gesto que abençoa, acaricia.

A cada dia que nasce, lembre-se, está mais perto o dia da separação. Um dia, o velho pai já não estará aqui. O cheiro familiar da mãe estará ausente. As roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos em um canto qualquer da casa.

Então, valorize o tempo de agora com os pais idosos. Paciência com eles quando se recusam a tomar os remédios, quando falam interminavelmente sobre doenças, quando se queixam de tudo.

Abrace-os apenas, enxugue as lágrimas deles, ouça as histórias, mesmo que sejam repetidas, e dê-lhes atenção, afeto...Acredite: dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria.

Coisas do sertão, assinação de carneiros - Antônio Alves de Morais


João Pedro.

Assinar carneiros significa marcá-los nas orelhas para que se saiba a quem o animal pertence. Cada pessoa tem uma marca. Caso a animal seja capturado em outra propriedade olha-se na orelha e sabe-se quem é seu dono.

Neste fim de semana estivemos na fazenda Pitombeira no município do Assaré, propriedade do agro pecuarista Raimundo Menezes para realizar a assinação dos carneiros nascidos  no último semestre.

Vejam João Pedro na captura de um.



Dr. Menezes Filho.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Major Joaquim Alves, sua filha Clara e o casamento com Joaquim Correia Lima - Antônio Alves de Morais

Foto - Joaquim Correia Lima e Clara Alves Bezerra, ela filha caçula do Major Joaquim Alves.

Naqueles velhos tempos, a família era coisa sagrada e, como tal, resguardada e protegida a sete chaves. As mocinhas quando em casa aparecia um viandante estranho, eram trancadas no caritó, evitando-se, assim, comentários ou namoricos. Os pais, temerosos dos bilhetinhos que poderiam as filhas receber ou enviar, não lhes permitiam, sequer, a alfabetização. Bastava as moças aprender os misteres de dona de casa: cozinhar. lavar, passar, o crochet e de quebra, ter filhos, muitos filhos. Tal regra não havia de fugir ao lar do Major Joaquim Alves  e sua esposa Antônia Correia Lima, embora já com um pouco de liberdade.

Aconteceu que um dia, recomendado pelo pai, Leandro Correia Lima, residente no Brejo, apareceu na casa do Major um rapazinho de apresentável aspecto, desinibido e loquaz, que, ali, precisava pernoitar, numa das pausas necessárias, na viagem que empreendia com seus negócios. Era o futuro patriarca Joaquim Correia Lima. Na ausência do marido, que se encontrava na roça, Antônia Correia Lima, sua esposa, recebeu cordialmente, o recém chegado, mesmo porque se tratava de pessoa de sua família, os Correia Lima do Brejo. Não sei se as outras filhas, Tereza Maria, Gloria e Barbara, ficaram encafuadas, o certo é que a menina Clara, uma boneca loirinha, pequenina, de olhinhos claros e vivos, teve licença de aparecer e, até, conversar! Conversa puxa conversa, como se diz e, lá pelas tantas, o mocinho, na frente da mãezinha vigilante, pergunta a garota se ela sabe escrever. A resposta, naturalmente, com assombro -  foi positiva  e isto bastou para que o moço, tirando sua cadernetinha  de bolso e um toco de lápis, pediu  para provar a assertiva, escrevendo o nome dela. Sem maior embaraço e sem recato ela papocou no papel as três palavrinhas: Clara Alves Bezerra.

Quando o Major chegou, sem saber ou sentir que ofendia a dignidade de um lar... o mocinho, dizendo da boa acolhida que recebera, falou da surpresa que tivera, vendo uma mocinha tão bonitinha e tão novinha saber escrever. Inocentemente, mostrou a cadernetinha com o nome da princesa.

Ah, meu Deus, pra que ele fez isto? Nosso Major, possivelmente, torcendo as bagudas, se encheu de revolta e foi claro em dizer ao mocinho que sua casa não ficaria desmoralizada, ia escrever ao pai, exigindo pronto casamento. Tão parecido com hoje, né? Não houve, possivelmente, desentendimento maior, de parte a parte, convinha o casamento e sei lá se o nosso Major, com todo esse esparro, não estava apenas interessado em descontar uma promissória. O certo, na historia, é que houve um final feliz. Muito logo se casou.

Deste casamento em 1858  nasceram :

01 - Raimunda Correia Lima
02 - Coronel Antônio Correia Lima
03 - Coronel Joaquim Correia Lima
04 - Coronel José Correia Lima
05 - Pedro Correia Lima
06 - Gervásio correia Lima
07 - Dr. Leandro Correia Lima
08 - Coronel Gustavo Correia Lima
09 - Coronel Virgílio Correia Lima
10 - Petrolina Correia Lima
11 - Emília Correia Lima
12 - Maria Correia Lima.

*TODA RUINDADE SERÁ CASTIGADA* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 


Fácil perceber que o futebol brasileiro tem regredido. Basta observar a bola murcha dos nossos principais times.

Placares apertados e atuações ruins, decisões por penalidades e a feiúra varrida para baixo do tapete.

O torcedor, com a cabeça feita pelos resultadistas, vai se habituando a conviver com a ruindade do seu time.

Quando o poderoso Flamengo se engasga com o Estudiantes da Argentina, o berreiro é grande.

Aí, não adianta dizer "eu quero mamãe". É tarde e a Inês já foi para o brejo, com bezerro e tudo.

Como foi feio. 180 minutos e caqueradas, sem marcar um gol (com perigo de levá-lo) e um desatre nas cobranças de penalidades.

O Palmeiras, o outro bicho papão, suou o equivalente a 20 ou mais uniformes para tirar o Fluminense do seu caminho.

Para quem se acostuma com o que não presta, tá tudo bem. 

Mas, podem ficar certos de que toda ruindade será castigada. 

Do Crato para o mundo - Por Antonio Alves de Morais


Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo, nasceu no dia 24 de junho de 1878 na cidade do Crato – CE. Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá, no mesmo estado. Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho. Quinze dias depois que seu pai morreu ( 25 de março de 1896 ), quando tinha 18 anos e trabalhava como maquinista na estrada de Ferro de Baturité-CE, sua visão se foi depois de uma forte dor nos olhos. Pobre, cego e com poucos a quem recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu dom para cantar e improvisar.

Ganhou uma viola a qual aprendeu a cantar. Mais tarde começou a tocar rabeca. Algum tempo depois, quando tudo parecia estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou andar pelo sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando. Em 1914 se deu a famosa peleja com Zé Pretinho ( maior cantador do Piauí ). Depois disso voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando resolveu conhecer o Padre Cícero. Rumou para Juazeiro onde o próprio Padre Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido – feito em versos – de ter um revólver do cangaceiro.

Tentando mudar o estilo de vida de cantandor, em 1931, comprou um gramafone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o que queria, mas o povo ainda o queria escutar. Logo depois, em 1933, teve a idéia de apresentar vídeos. Que também deu certo, mas não o realizava tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, onde veio abrir uma bodega na Rua da Bomba, nº 02. Infelizmente o seu traquejo de trovador não servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um prejuízo considerável.

Desde de 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguindo ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores.

Cego Aderaldo morreu em Fortaleza aos 89 anos, sem nunca ter casado, criando porém 24 filhos adotivos.

CARIRIENSIDADE (por Armando Lopes Rafael)


Rio de Janeiro ganhará primeiro monumento ao Padre Cícero

     Desde 28 de dezembro de 2016, Dom Fernando Panico deixou a função de Bispo Diocesano de Crato, passando, automaticamente, à condição de “Bispo-Emérito” desta diocese. Mas seu novo status, ou seja, sua condição atual, não o impediu de continuar participando de diversos eventos realizados em memória do Padre Cícero Romão Batista. No início deste mês de novembro, Dom Fernando viajou para a cidade do Rio de Janeiro, onde pregou retiro para o clero da Arquidiocese de São Sebastião da antiga capital brasileira.

     Durante o retiro, o Pároco da Paróquia de São João Batista, de Rio das Pedras (zona oeste do Rio de Janeiro), Pe. Marcos Venício, convidou Dom Fernando Panico a celebrar uma missa para os devotos do Padre Cícero, residentes naquele subúrbio carioca. Foi uma festa! Muitos fiéis já conheciam Dom Fernando por informações. Outros já o tinham visto pessoalmente. Uma surpresa aguardava Dom Fernando: a notícia de que, no próximo dia 09 de dezembro de 2018, o Cardeal Dom Orani João Tempesta celebrará missa e inaugurará a Praça Padre Cícero, em Rio das Pedras, logradouro que terá uma estátua do “Padim Ciço”, a primeira construída no Estado do Rio de Janeiro.

Manifestação católica em Rio das Pedras, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro

Maceió festeja 148 anos da ordenação do Padre Cícero

        Esta semana Dom Fernando Panico esteve em Maceió, aonde foi a convite do Arcebispo da capital de Alagoas, Dom Antônio Muniz, para celebrar nos festejos pelos 148 anos de ordenação sacerdotal do Padre Cícero. Em Alagoas, Padre Cícero é sempre lembrado e amado pelos fiéis católicos. É comum nas procissões comemorativas às festas dos padroeiros(as) das cidades alagoanas contarem com um segundo andor (geralmente ricamente ornamentado com flores) com a imagem do Padre Cícero Romão Batista.


 O primeiro colégio para mulheres criado no Cariri

 Colégio Santa Teresa de Jesus, em Crato. Foto do início da década 50 do século passado

        A criação do Colégio Santa Teresa de Jesus resultou de um sonho, dos vários sonhos alentados e concretizados por Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro Bispo de Crato. Àquela época, as escolas secundárias funcionavam separadamente para homens e mulheres. Inexistiam as escolas mistas como é praxe, nos dias atuais. E, neste Estado, as poucas escolas de segundo grau para mulheres só funcionavam na capital cearense, distante mais de 600 km de Crato, num tempo quando não havia estradas regulares, nem facilidade de comunicação. 

       Os contatos entre o Cariri e Fortaleza eram feitos unicamente por telegramas e cartas. Por isso, no território da nova Diocese de Crato, somente as moças pertencentes às famílias bem afortunadas financeiramente podiam se deslocar para a cidade de Fortaleza, a fim de estudar. Assim, depois de criar um Ginásio para homens (atual Colégio Diocesano de Crato) e reabrir as portas do Seminário São José para formar novos padres, Dom Quintino procurou a Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, possuidora de um colégio na cidade de Fortaleza, para abrir uma filial no Cariri. As tratativas não chegaram a bom termo. Não desanimou o bispo de Crato. Uma segunda tentativa foi feita junto às Irmãs Ursulinas, que tinham uma casa em Salvador (BA). No final de 1922, a diretora das Irmãs Ursulinas escreveu a Dom Quintino mostrando a impossibilidade de enfrentar o desafio que lhe fora proposto pelo Bispo de Crato.

            Mas Dom Quintino conhecia uma senhorita, residente na cidade de Jardim, dortada de muita fé e muita disposição para enfrentar desafios. Era Anna Álvares Couto (a futura Madre Ana Couto), mais conhecida como Naninha Couto que aceitou o desafio que lhe foi proposta pelo Bispo de Crato.     
   
Surge o Colégio Santa Teresa de Jesus de Crato

 Madre Ana Couto, co-fundadora da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus

          No dia 04 de março de 1923, às 5 horas da manhã, a população do Crato foi acordada com uma estrepitosa salva de fogos, anunciando o início das atividades de um novo colégio na antiga Vila Real do Crato. Dom Quintino havia atingido dois coelhos com uma só cajadada, pois concretizou dois dos seus mais alentados sonhos: o de criar uma congregação religiosa feminina (Filhas de Santa Teresa de Jesus) destinada a acolher jovens vocacionadas da sua diocese; e fundar – no Sul do Ceará –, o primeiro colégio para educação de mulheres. Dois pioneirismos de magnitude, considerando o fato de a Região do Cariri cearense – ainda atrasada em relação aos distantes centros evoluídos do litoral nordestino – ter passado a sediar as duas instituições acima citadas.


Dom Quintino, primeiro Bispo de Crato

Algumas alunas ilustres

          Milhares foram as alunas que passaram pelos bancos escolares do Colégio Santa Teresa de Jesus. Muitas ganharam destaque. Citá-las nos levaria a incorrer em graves omissões. No entanto, vêm-me agora à lembrança algumas ex-alunas: a atual deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo– a maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo; Maria Alacoque Bezerra, nascida em Juazeiro do Norte, a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República; Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaseau, que foi Secretária de Cultura do Ceará e Reitora da Universidade Regional do Cariri e Madre Feitosa, uma das mais respeitadas educadoras do Ceará. Esta além de aluna foi também diretora daquele colégio.  

Existe potencial para criar a  “Paisagem Cultural”  no entorno da Catedral de Crato

Madre Ana Couto, co-fundadora da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus

          No dia 04 de março de 1923, às 5 horas da manhã, a população do Crato foi acordada com uma estrepitosa salva de fogos, anunciando o início das atividades de um novo colégio na antiga Vila Real do Crato. Dom Quintino havia atingido dois coelhos com uma só cajadada, pois concretizou dois dos seus mais alentados sonhos: o de criar uma congregação religiosa feminina (Filhas de Santa Teresa de Jesus) destinada a acolher jovens vocacionadas da sua diocese; e fundar – no Sul do Ceará –, o primeiro colégio para educação de mulheres. Dois pioneirismos de magnitude, considerando o fato de a Região do Cariri cearense – ainda atrasada em relação aos distantes centros evoluídos do litoral nordestino – ter passado a sediar as duas instituições acima citadas.


Dom Quintino, primeiro Bispo de Crato

Algumas alunas ilustres

          Milhares foram as alunas que passaram pelos bancos escolares do Colégio Santa Teresa de Jesus. Muitas ganharam destaque. Citá-las nos levaria a incorrer em graves omissões. No entanto, vêm-me agora à lembrança algumas ex-alunas: a atual deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo– a maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo; Maria Alacoque Bezerra, nascida em Juazeiro do Norte, a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República; Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaseau, que foi Secretária de Cultura do Ceará e Reitora da Universidade Regional do Cariri e Madre Feitosa, uma das mais respeitadas educadoras do Ceará. Esta além de aluna foi também diretora daquele colégio.  
Entorno da Catedral de Crato em 1914, ano de criação da Diocese de Crato

     Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura– UNESCO: “O patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e o transmitimos às futuras gerações. Nosso patrimônio cultural é fonte insubstituível de vida e inspiração, nossa pedra de toque, nosso ponto de referência, nossa identidade”. Acrescenta ainda a UNESCO que “O patrimônio cultural é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas”.

    Entre algumas exigências da UNESCO, para que um edifício, ou conjunto de edificações, se constituam em bens culturais, exige-se que esses bens “devem estar associados diretamente ou tangivelmente a acontecimentos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, ou com obras artísticas ou literárias de significado excepcional”.

      Em qualquer uma dessas exigências se enquadra perfeitamente o conjunto da edificação da atual Catedral de Nossa Senhora da Penha e o seu entorno, localizado no centro da cidade de Crato.


      Pode-se agregar ainda à riqueza desse patrimônio cultural – oriundo das edificações e das atividades humanas da Catedral de Nossa Senhora da Penha – todas as manifestações populares – danças, folguedos, grupos folclóricos, apresentações cênicas, coreografias, músicas etc. – conservadas ao longo de sucessivas gerações, e ainda hoje repassadas às novas gerações –, por ocasião de comemorações e datas festivas, pois elas se constituem no Patrimônio Cultural Imaterial ou Intangível. 

      Ressalte-se, por oportuno, que essas manifestações da tradição popular – que compreendem uma gama de expressões de vida de grupos e indivíduos do município de Crato e adjacências – estão sendo objetos de catalogação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. 

        Diante de tudo acima exposto, preocupado com a destruição sistemática que vem sendo feita ao Patrimônio Arquitetônico e Cultural da cidade de Crato, imbuído da responsabilidade como Cura da Sé–Catedral de Nossa Senhora da Penha, Pe. José Vicente Pinto Alencar da Silva, estuda enfrentar o desafio de salvaguardar a paisagem cultural no entorno da Sé Catedral de Crato.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Uma verdade latente - Armando Lopes Rafael.

“Um país democrático é aquele que dá voz ao povo. Isto não é só representado pelo voto, como a Constituição configura. A democracia só existe quando o povo é consultado e seus anseios respondidos. É verdade que a democracia está muito mais presente em uma Monarquia: sabemos que dos dez países mais democráticos do mundo, sete são Monarquias.” 

(Dom Rafael de Orleans e Bragança, quarto na linha de sucessão ao Trono e à Coroa do Brasil).



quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O vice de Lula é hoje um morto político - Augusto Nunes.

 

Ele tinha 69 anos quando mandou às favas quatro mandatos de governador, milhões de eleitores paulistas, os parceiros de tantas campanhas, os incontáveis ataques a Lula e à roubalheira do PT, o terço de carola praticante, o partido que ajudara a fundar e a vergonha na cara, fora o resto — tudo para infiltrar-se na chapa do inimigo como candidato a vice-presidente. 

Apostava no fator biológico: é sete anos menos velho que Lula. Em 2001, era vice de Mário Covas quando o governador morreu. Convertido em esquerdista, filiou-se ao PSB, aprendeu a cantar a Internacional Socialista, a gritar “Viva Lula!” com o entusiasmo de cantor à caça de patrocínio. 

Aos 73 anos, faz o possível para disfarçar a decadência política. 

No início da campanha presidencial, foi escalado para melhorar o desempenho dos companheiros no Estado que governou. Ou pelo menos em Pindamonhangaba, onde nasceu e foi prefeito. No primeiro turno, Lula teve perto de 27 mil votos. Flávio Bolsonaro passou de 52 mil.

Se conseguir a reeleição, o vice continuará duplamente atormentado pela desconfiança dos petistas, que não aceitam recém-chegados, e pelo desprezo do Brasil que pensa e presta. 

Neste segundo turno, aliás, de passagem por Pindamonhangaba, o governador Tarcísio de Freitas foi abordado por dois desconhecidos. “Somos parentes do Alckmin”, disse um deles. “Mas votamos no senhor e no Flávio”, esclareceu o outro. 

O vice de Lula é hoje um morto político porque se achava vivo demais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Nossa praça, nosso orgulho - Por Osvaldo Alves de Sousa.



Construída na administração do prefeito Alexandre Arraes, em 1938, Praça Francisco Sá era um dos orgulhos do Crato e, porque não dizer, uma das belezas mais expressivas da região do Cariri.

Encimada pelo Cristo Redentor, a Coluna da Hora, denominação criada pela população, é simbolo eterno da cidade. Durante anos, o Cristo triunfante foi admiração para os que aqui chegavam e bênção para os que daqui partiam no único transporte coletivo existente na época, o velho trem da R.V.C.

Fartamente arborizada, ostentando o colorido das flores, de bem cuidados jardins, uma fonte luminosa a espargir a beleza estonteante das águas multicoloridas, a praça teve seus dias de gloria, admirada pelos visitantes e frequentada pela população no dias-a-dia de seu laser. Não era sem razão que o belo logradouro alardeava o título de sala de visita da cidade.

Palco de congressos eucarísticos memoráveis, de concentrações cívicas e politicas e de outros eventos que marcaram época, a Praça Francisco Sá recebeu de braços abertos, na expressão do Cristo Redentor, figuras marcantes da vida publica do país. A minha geração contemplou e viveu nos sonhos de crianças de décadas passadas, as belezas da praça e a alegria de serem meninos numa terra de passado heroico, de gente laboriosa e administradores competentes.

Com tristeza e amargura. vejo hoje a pracinha de minha infância feliz, relegada e inqualificável despreza, sendo, pouco a pouco, destruída no que ela ostentava de mais belo e pujante, os seus jardins, a sua fonte, a iluminação, dantes moderna e feérica.

À noite, tem servido de refugio a viciados e marginais perigosos. Sala de visita, cartão postal da cidade, rainha dos logradouros públicos do Crato, a Praça Francisco Sá nada mais é, hoje, do que a triste imagem do abandono e da desolação.

É uma pena.

Este texto foi publicado em 1999 - Andanças e Lembranças - nunca foi tão atual

Ministro Aires de Brito - Antonio Alves de Morais.

Judiciário subserviente, que decide de acordo com os interesses da copa e da cozinha palaciana, trai a cidadania e corrompe a Constituição.

Juiz covarde, receoso de retaliações é um juiz que trai a sua missão.

Ministro Aires de Brito.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

O galo Chantecler - Por Leonel de Moura Brizola.

Leonel Brizola, figura singular da história política brasileira, tinha como uma de suas características a fala através de metáfora. Era mestre neste tirocínio.

Ao reler seus Tijolaços – artigos pagos e publicados em jornais impressos de circulação nacional – este predicado fica mais evidente, e muito mais agudo com sua peculiar ironia e sagacidade.

Uma das figuras que usava era a síndrome do galo Chantecler.

O galo Chantecler, diz a história da fábula do teatrólogo e escritor francês Edmond Rostand, era um galo metido, chamado Chantecler (algo como “canta e clareia”).

O galo acordava de madrugada e cantava a plenos pulmões, para “acordar o sol”. Meia hora depois, o sol despertava e surgia brilhante no horizonte.

“O sol nasce porque eu canto”, proclamava orgulhoso e arrogante, o galo. 

Mesmo diante da contestação de todos, ele repetia: “sou eu que faço o sol nascer”.

Sua decepção profunda veio quando, depois de uma noite mal dormida, o galo acordou muito mais tarde, lá pelas 8 e meia da manhã, e viu, desesperado, o sol brilhando no céu, sem que ele o tivesse determinado.

Na existência humana muitos sofrem desta síndrome e acreditam, piamente serem a razão inconteste do raiar do sol; aprumam as penas e cacarejam a todos os pulmões; olvidando-se de sua reles existência finita, de sua ordinária vulnerabilidade, da sua vil transitoriedade.

Incultos, rasos e arrogantes, são desprovidos da genuína sabedoria de que pouco ou quase nada sabemos, uma vez que a existência é um eterno aprender.

Na política, esta síndrome se acentua: o poder, o dinheiro, o status, as facilidades, são agentes imperiosos para o cacarejo Chantecler. Muitos acreditam serem o centro do universo com seu egocentrismo e sua ganância, entre outros atributos mais deletérios.

Desta forma, fica cada vez mais perceptível e escandaloso a perda da conectividade com a vida e o sofrimento real de nossa população, em prol da infatigável busca por holofotes e poder.

Afinal, a política para alguns é apenas o instrumento basilar para aumentar suas síndromes, sua ganância e sua estupidez. O povo é apenas um detalhe, cinicamente, manipulado para a manutenção do poder.

Porém, um dia o despertar se atrasará, o sol brilhará e o cacarejar será apenas ruído de quem um dia se conjecturou ser a razão primordial e insubstituível da existência; e quem sabe assim perceberá sua pequenez e sua finitude.

Até porque o poder – cedo ou tarde – castiga, os insaciáveis galos Chantecler. 

Enviado por Dr. Francisco Alves Pereira.

Rogério Marinho é nome forte do PL para disputar presidência do Senado - Diario do Poder.

 


Fortalecido no PL pela boa condução da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o senador Rogério Marinho (PL-RN) chegou a ser cotado para ocupar um relevante ministério em um eventual governo Flávio. A coluna apurou que este não deve ser o destino do político potiguar, ao menos não no início da gestão. Flávio escalou Marinho para disputar a Presidência do Senado com uma missão principal: destravar os pedidos de impeachment de ministros do STF.

Linha definida

Caso mude os ventos e Marinho não dispute a cadeira, o PL não tem planos de apoiar Davi Alcolumbre (União-AP), tampouco larga a bandeira

Sem esculhambação

Não se fala no PL em “faca no pescoço” do Supremo ou impeachments de maneira deliberada, mas Alexandre de Moraes não deve escapar.

Missão dada

Vencida esta etapa, aí sim, caso não tente a reeleição, o senador teria cadeira garantida na Esplanada desenhada por Flávio Bolsonaro.

Pode escolher

Marinho não deve sofrer veto em nenhuma pasta, mas as apostas dentro do PL pendem para a Casa Civil, sempre muito poderosa.