quarta-feira, 15 de abril de 2026

Flávio vence Lula com 42% a 40% no segundo turno, diz pesquisa - Diário do Poder.

 

Nas pesquisas anteriores, o primogênito de Bolsonaro e o petista empatavam em 41%

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula (PT) em um possível segundo turno.

O resultado representa um empate técnico dentro da margem de erro. Nas pesquisas anteriores, o primogênito de Bolsonaro e o petista empatavam em 41%.

Presidência da República – 2º Turno

Flávio: 42%

Lula : 40%

Branco/Nulo: 16%

Indecisos: 2%

Poderes precisam de faxina urgente, diz Gaspar, ‘é fedentina pra todo lado’ - Diário do poder.

 

Declaração ocorre após relatório da CPI do Crime Organizado, pedir o indiciamento de ministros do STF.

O relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), defendeu nesta terça-feira (14) que haja uma “faxina” nos Poderes da República.

A declaração ocorreu após o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pedir, em seu relatório final, o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O parlamentar questiona em postagem nas redes sociais, “o que o povo brasileiro está pensando” dessa situação, onde ministros do STF são colocados como indiciados, em uma comissão que investiga o crime organizado.

Ainda na publicação, Gaspar escreve: 

“Este país não aguenta mais tanta sujeira. A Nação brasileira está na lama, é fedentina pra todo lado!”.

PENSANDO FUTEBOL - Wilton Bezerra, comentarista generalista.


• O FORA DE SÉRIE - Quando o futebol foi inventado, se não surgisse jogador de talento na sua prática, não haveria gente para assisti-lo. Com verniz teórico, muita gente acha que o coletivo é o caminho para se obter sucesso no futebol. Uma clara visão de quem secundariza o individual. Não formo nessa corrente, de forma radical. Para mim e certamente quem gosta de futebol, o jogador fora de série é fator de fascínio e desequilíbrio. Indispensável. 

• PAIXÃO PELO FUTEBOL - Segundo Luis Fernando Veríssimo: "A paixão pelo futebol é a única das nossas paixões juvenis que persiste no adulto". E mais: "Paixão que enche os estádios e leva pessoas perfeitamente normais à apoplexia, ou quase isso". 

• AMOR AO CLUBE - Uma coisa que o torcedor gosta de conservar é a crença de que o jogador tem amor ao clube que defende. Num passado recente, havia exemplos de jogadores que, de fato, amavam os clubes. Hoje, bem menos. Difícil até apontá-los.

• ESTATÍSTICA - Um futebol com base apenas nas estatísticas, como imaginam alguns teóricos, tornaria o jogador um robô, incapaz de iniciativas, erros, acertos e improvisações. Futebol como um problema de matemática.  

• RESULTADISMO - "O resultado é a coisa mais importante no futebol. Sou fanático dessa teoria".  Há quem afirme isso a todos pulmões, esquecendo que "a beleza é necessária, porque só os placares não bastam".

Um misto de saudade e nostalgia - Antonio Alves de Morais.

Foto da direita para esquerda : Dra Ana Micaely, Dr. Francisco Alves Pereira,  Antonio Morais, Mariano Pereira e Dr. Menezes Filho.

Saudade sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas. "O que ficou daquilo que não ficou".

Nostalgia é um termo que descreve uma sensação de saudade idealizada, e às vezes irreal, por momentos vividos no passado associada a um desejo sentimental de regresso, impulsionado por lembranças de momentos felizes e antigas relações sociais.

Assim é que neste 28 de Junho de 2024, Antonio Alves de Morais, seu ex-colega do Colégio Estadual Mariano Alves Pereira e o médico Francisco Alves Pereira rebuscaram um passado de lembranças memoráveis e inesquecíveis.

Partindo de Crato passamos por Juazeiro do Norte, Caririaçu, Grangeiro onde visitamos alguns lugares que marcaram a infância do Dr. Francisco Alves Pereira, como sua terra natal,  a casa onde nasceu, residência dos padrinhos, a igreja, o açude  etc. 

Foto da esquerda para direita, Dr. Menezes Filho, Dra Ana Micaely, Mariano Alves Pereira, Antonio Morais e o médico Francisco Alves Pereira.

Em Várzea-Alegre paramos para o almoço na residência do casal Dr. Menezes Filho e Dra Ana Micaely. 

Conversa animada e prazerosa. 

Para concluir o giro seguimos para Farias Brito e finalmente o Crato. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Tua doença é maior do que a dele - Antonio Alves de Morais.

A pior coisa do mundo é ver o olhar triste de uma criança causada pela fome e miséria. Causada pelas guerras sem sentidos comandadas por homens rígidos e impiedosos que nunca percebem que a guerra só terá fim quando um dos lados desisti.

O tempo não apaga nada. Agente finge que esqueceu. Doe hoje e vai doer mais um pouquinho amanhã 

Pode ser que tempos depois melhore, pode ser que não. Mas, um dia passa, disso tenha certeza. Porque assim como a felicidade não é eterna, a tristeza também não há de ser.

Se você não sente a dor do teu irmão, a tua doença é maior do que a dele.

Dona Glorinha - Antonio Alves de Morais.

 


Você, como eu, já deve ter lido diversas histórias a respeito de Glorinha e sua casa de diversão.

Autores diversos com versões e julgamentos os mais diferentes.Talvez você não conheça a história que passo a contar a seguir.

A sociedade cratense era muito criativa. Bons clubes, bons conjuntos musicais, os bailes iam do concurso de missis, rainhas dos estudantes, da Exposição, da padroeira etc. Para tudo havia um motivo para sociedade se reunir e festejar.

Em meados da década de 70 do século passado houve uma festa no Crato Tenis Clube para eleger a "Rainha do Estudante".  

Durante o dia do evento os salões de belezas da cidade estavam todos lotados de pessoas.

Uma amiga minha e parenta estava aguardando sua vez já que era candidata no evento da noite. Do seu lado tinha uma jovem e se deu a presente revelação:

Minha amiga perguntou a desconhecida : Você vai participar do  desfile no Crato Tênis Clube?

Não, eu trabalho na Boite de Dona Glorinha.

Você é do Crato?

Não, eu sou de João Pessoa, na Paraiba. 

Como você veio parar aqui?

Eu sou filha de familia de nobre, familia tradicional, família de igreja. Meu namorado me seduziu e foi embora, fugiu, desapareceu. 

Quando os meus pais tomaram conhecimento que eu estava grávida me jogaram na rua, expulsaram-me de casa.

Fui morar com uma amiga. Tive a criança, uma menina. 

Soube que aqui no Crato tinha uma pessoa, uma casa que acolhia, amparava jovens na minha situação. 

Deixei minha filha com a minha amiga e estou trabalhando para sustentar a amiga, a minha filha, e, fazendo economia, juntando alguns trocados para quando poder ir embora cuidar de minha menina.

A história terminou aí. Ela se despediu e se retirou.

Coisas que não exigem talento - Antonio Alves de Morais

Ser pontual, avisar com antecendência, agradecer, pedir por favor, cumprir o que combina, reconhecer o esforço alheio, ser ético, falar a verdade, dar satisfação a quem se deve, responder com educação.

Coisas que exigem talento, muito talento :

Mentir, ludibriar, corromper e enganar o povo de uma nação inteira por décadas, por eras, e, tentar  mostrar para o mundo que é talentoso.  Falar  em combate a pobreza e se aliar  a ela para se manter no poder. 

A EXPULSÃO DO JEGUE - Por Mundim do Vale

Hoje eu me lembrei de uma partida de futebol entre a seleção de Várzea Alegre e a do Sanharol, no então campo da Vazante, hoje estádio Juremal. As seleções estavam prontas, mas faltava o juiz. 

Um torcedor gritou da margem do campo:

Bota Pedro Piau pra rifirir o jogo!

Leri de Vicento Totô que ia jogar pela seleção de Várzea Alegre gritou:

Pêdo Piau eu num aceito não, qui ele vai punir pelo Sanharol, qui ele é de lá.

Colocaram Deda de Zé Augusto e ele nomeou Antônio Pagé e Mundim da Varjota para bandeirinhas.

Enquanto começava o jogo, vinha chegando Soarim puxando um cabresto de um jumento com dois caçuás de laranjas para vender aos torcedores. Amarrou a cabresto no pau da barraca de Manoel Balbino e foi para lateral do campo torcer pelo time do Sanharol.

Na seleção de V. Alegre tinha um moreno apelidado de Tinteiro que de vez em quando fazia um gol impedido. O juiz e seus auxiliares sem conhecer bem as regras do futebol deixavam passar.

Lá numa hora de um ataque, Tinteiro já estava quase dentro do gol, quando Soarim entrou no campo com os braços levantados e gritou:

- Ei seu Refe! O Sinhor num tá vendo isso não? Esse neguim tá de ofiçaide. Ele já passou dos dois beque e já tá quage agarrado cum o quipa.

Naquele mesmo momento Zé Moreira soltou uma bomba rasga lata, debaixo do jegue de Soarim. Com o barulho o jegue assustou-se e saiu arrastando a barraca pelo meio do campo, seguido de alguns torcedores que tentavam segurá-lo.

Foi naquele momento que o juiz muito autoritário, paralisou o jogo e expulsou Tinteiro, Soarim, o jegue e os dois bandeirinhas.

O artilheiro do jogo foi Tinteiro com 14 gols.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cel Filemon - Um mestre na arte de fazer politica - Antonio Alves de Morais


Um dia um correligionário lhe trouxe a terrível noticia: no sitio Cipó dos Tomaz havia uma família que não podia nem ouvir falar em seu nome. No outro dia, o Cel Filemon chamou o motorista e disse: abasteça o carro que nós iremos fazer uma visita no Cipó dos Tomaz, preciso falar com os familiares de fulando de tal. 

O motorista conhecia a historia de intolerância daquela família com o Cel. Filemon, mas não discordou e, no outro dia cedinho chisparam para o Cipó. 

Quando estacionaram o carro a Dona da casa deu uma rabissaca e embocou casa a dentro no que foi seguida pelas filhas e filhos. O dono da casa ficou com a cara amarrada igual a um touro nelore. 

O Cel Filemon deu bom dia, se aproximou, deu a mão e foi direto ao assunto: Meu amigo, eu soube que você tem uns filhos muito trabalhadores e responsáveis, eu estou precisando de duas pessoas com estas qualidades para trabalharem comigo na prefeitura e por essa razão aqui estou para lhe pedir estes préstimos. 

A seguir, já se ouviu o cocoricó da galinha caipira cevada nas mãos da mãe dos rapazes sendo sacrificado para o almoço. Os rapazes já queriam vi para o Crato no mesmo dia no carro com seu Filé e, o pai se tornou o maior cabo eleitoral a partir do mesmo dia.

PRESSÃO FORA DE CONTROLE* - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Agressões físicas ou morais a jogadores (nos estádios ou fora deles) por parte de torcedores fazem da profissão de futebolista, a única que  normaliza sofrer violência enquanto é exercida.

Caçar jogadores para tomar satisfações por resultados em aeroportos, restaurantes e outros lugares é coisa de trogloditas.

Considerar isso como paixão pelo clube, é inaceitável.

*SEM INVENÇÕES*

Vá lá que a "anarquia organizada" de certas formas de jogar tenham o seu valor.

Mas, em duelos de times de igual categoria, o jogo não seria mais interessante utilizando-se um 

4-3-3, com naturais variações?

Dois extremas, com a dinâmica das posições, e um centroavante.

E olha a pitada para melhorar o tempero: dois meias chegando pelos lados nas ações ofensivas.

Seria uma boa medida: atacar com cinco e se defender, na perda da bola, com um mínimo de cinco.

Receita simples para um futebol mais interessante de se ver.

domingo, 12 de abril de 2026

JOGO DIFICIL - Antonio Alves de Morais.

Estádio Romeirão .

De tempos em tempos sempre se destacaram  alguns  atletas  nos selecionados de Várzea-Alegre. 

Na década de 80 do século passado foi a vez de Pantica com desempenho fora de serie. Atleta por demais querido e que levou nosso excrete a memoraveis  vitorias. 

Várzea-Alegre foi pagar um jogo de volta na cidade de Juazeiro contra o Guarany  e o técnico local  escalou os reservas, você sabe,  reservas gostam de mostrar serviços, dão a alma  para aparecerem e conseguirem a  confiança do treinador. 

Assim é que  faltando 05 minutos para o jogo terminar o placar estava 12 X 0 para o Guarany, e, eu  como torcedor solitário,  de minha terra fui denunciada pela tristeza e vergonha do placar. 

Pra completar, do meu lado um cabrão de dois metros de altura, pesando uns 180 quilos, se levantou e gritou a todo pulmão: Empata o jogo Pantica.....

Emidio da Charneca - Antonio Alves de Morais


Foto rara do Emidio da Charneca.

Quem conhece a parte territorial do município de Várzea-Alegre deve estranhar porque aquela ribeira iniciada no sitio Gamelas, passando pelo Capão, Amaro, Charneca, Unha de Gato e parte do Riacho do Meio, apenas a Charneca, a parte ao centro não pertence ao nosso município e sim a Cariús.

Fontes serias asseguram que nas décadas de 40 e 50 um cidadão conhecido por Emídio Teatônio, agricultor e analfabeto, de uma hora para outra virou doutor. 

Em breve os caminhos e as veredas que levavam ao lugar estavam cheias de pessoas achegando-se ao local para se receitar. 

Por conhecimento ou adivinhando filas eram atendidas, Emídio fez fama e clientes é o que não lhe faltava. Pessoas das mais distantes localidades e de outros municípios acorriam em seu socorro e o homem receitava remédios que eram encontrados em quaisquer farmácias e de efeito positivo.

Várzea-Alegre sempre foi uma cidade adiante das demais circunvizinhas, e, nesta época já tinha médico, e, dizem, não sei se é verdade, que este vivia na cola de um erro qualquer do Emídio para denunciá-lo a justiça e proibi-lo da prática que já era um hábito e pelo médico considerada curandeirismo. 

Para fugir destas perseguições e das autoridades locais, Emídio se valeu do então Deputado Estadual  Mário da Silva Leal que por meio de um decreto desmembrou aquela área do município para fugir as possíveis penalidades impostas ao Emídio. 

Assim a Charneca deixou de pertencer a Várzea-Alegre e se integrou ao município de Cariús. 

TAPAJÓS E CARAJÁS - FURTO, FURTEI E FURTAREI - JOSE RIBAMAR BESSA FREIRE



DIÁRIO DA AMAZÔNIA - PADRE ANTÔNIO VIEIRA E O PLEBISCITO.

Essa foi a vaia mais estrondosa e demorada de toda a história da Amazônia. Começou no dia 4 de abril de 1654, em São Luís do Maranhão, com a conjugação do verbo furtar, e continuou ressoando em Belém, num auditório da Universidade Federal do Pará, na última quinta-feira, 6 de outubro, quando estudantes hostilizaram dois deputados federais que defendiam a criação dos Estados de Tapajós e Carajás.
A vaia, que atravessou os séculos, só será interrompida no dia 11 de dezembro próximo, quando quase 5 milhões de eleitores paraenses irão às urnas para votar, num plebiscito, se querem ou não a criação dos dois Estados desmembrados do Pará, que ficará reduzido a apenas 17% de seu atual território caso a resposta dos eleitores seja afirmativa.
A proposta de divisão territorial não é nova. Embora o fato não seja ensinado nas escolas, o certo é que Portugal manteve dois estados na América: o Estado do Brasil e o Estado do Maranhão e Grão-Pará, cada um com governador próprio, leis próprias e seu corpo de funcionários. Somente um ano depois da Independência do Brasil, em agosto de 1823, é que o Grão-Pará aderiu ao estado independente, com ele se unificando.
Pois bem, no século XVII, a proposta era criar mais estados. Os colonos começaram a pressionar o rei de Portugal, D. João IV, para que as capitanias da região norte fossem transformadas em entidades autônomas. O padre Antônio Vieira, conselheiro do rei de Portugal, D. João IV, convenceu o monarca a fazer exatamente o contrário, criando um governo único do Estado do Maranhão e Grão-Pará sediado inicialmente em São Luís e depois em Belém.
Para isso, o missionário jesuíta usou um argumento singular. Ele alegava que se o rei criasse outros estados na Amazônia, teria que nomear mais governadores, o que dificultaria o controle sobre eles. "É mais fácil vigiar um ladrão do que dois", escreveu Vieira em carta ao rei, de 4 de abril de 1654: “Digo, Senhor, que menos mal será um ladrão que dois, e que mais dificultoso será de achar dois homens de bem que um só”.
Num sermão que pregou na sexta-feira santa, já em Lisboa, perante um auditório onde estavam membros da corte, juízes, ministros e conselheiros da Coroa, o padre Vieira, recém-chegado do Maranhão, acusou os governadores, nomeados por três anos, de enriquecerem durante o triênio, juntamente com seus amigos e apaniguados, dizendo que eles conjugavam o verbo furtar em todos os tempos, modos e pessoas. Vale a pena transcrever um trecho do seu sermão:
- “Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Esses mesmos modos conjugam por todas as pessoas: porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantos para isso têm indústria e consciência”.
Segundo Vieira, os governadores "furtam juntamente por todos os tempos". Roubam no tempo presente , "que é o seu tempo" durante o triênio em que governam, e roubam ainda "no pretérito e no futuro". Roubam no passado perdoando dívidas antigas com o Estado em troca de propinas, "vendendo perdões" e roubam no futuro quando "empenham as rendas e antecipam os contrato, com que tudo, o caído e não caído, lhe vem a cair nas mãos".
O missionário jesuíta, conselheiro e confessor do rei, prosseguiu:
"Finalmente, nos mesmos tempos não lhe escapam os imperfeitos, perfeitos, mais-que-perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais se mais houvesse. Em suma, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar, para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles como se tiveram feito grandes serviços tornam carregados de despojos e ricos; e elas ficam roubadas e consumidas".
Numa atitude audaciosa, Padre Vieira chama o próprio rei às suas responsabilidades, concluindo: "Em qualquer parte do mundo se pode verificar o que Isaías diz dos príncipes de Jerusalém: os teus príncipes são companheiros dos ladrões. E por que? São companheiros dos ladrões, porque os dissimulam; são companheiros dos ladrões, porque os consentem; são companheiros dos ladrões, porque lhes dão os postos e os poderes; são companheiros dos ladrões, porque talvez os defendem; e são finalmente, seus companheiros, porque os acompanham e hão de acompanhar ao inferno, onde os mesmos ladrões os levam consigo".
Os dois novos Estados – Carajás e Tapajós – se criados, significam mais governadores, mais deputados, mais juizes, mais tribunais de contas, mais mordomias, mais assaltos aos cofres públicos.
Por isso, o Conselho Indígena dos rios Tapajós e Arapiuns, sediado em Santarém, representando 13 povos de 52 aldeias, se pronunciou criticamente em relação à proposta. Em nota oficial, esclarece:
"Os indígenas, os quilombolas e os trabalhadores da região nunca estiveram na frente do movimento pela criação do Estado do Tapajós, porque essa não era sua reivindicação e também porque não eram convidados. Esse movimento foi iniciado e liderado nos últimos anos por políticos. E nós temos aprendido que o que é bom para essa gente dificilmente é bom para nós".