sexta-feira, 6 de março de 2026

Coisas que não exigem talento - Por Antonio Morais

Ser pontual, avisar com antecendência, agradecer, pedir por favor, cumprir o que combina, reconhecer o esforço alheio, ser ético, falar a verdade, dar satisfação a quem se deve, responder com educação.

Coisas que exigem talento, muito talento :

Mentir, ludibriar, corromper e enganar o povo de uma nação inteira por décadas, por eras, e, tentar  mostrar para o mundo que é talentoso.  Falar  em combate a pobreza e se aliar  a ela para se manter no poder. 

02 - Era do Império - Por EQUIPE PEDRO II DO BRASIL.



Dia 11 de dezembro de 1826, sua mãe d. Leopoldina, filha de Francisco I, Imperador da Áustria, faleceu devido complicações de um parto. As razões da morte de Leopoldina para muitos aconteceu de forma gradativa ao longo dos anos de casada. D. Pedro I, mantinha inúmeras amantes e muitas delas, sua esposa tinha o conhecimento.
Porém a grande protagonista dessas traições foi Domitila, a futura Marquesa de Santos, uma mulher ambiciosa e sem muitos pudores para chegar em suas metas.
D. Leopoldina, era uma Habsburgo, uma das famílias mais nobres e prestigiadas da Europa. Uma mulher criada para ser nobre e ter um comportamento nobre, principalmente em relação ao matrimônio. 
Seu marido, foi criado no Brasil, tendo centenas de amantes e aventuras sexuais sem compromissos; etiqueta e nobreza real, eram características que o primeiro imperador não possuía. 
As centenas de cartas que a imperatriz mandava as suas irmãs na Áustria, contando sobre sua grande tristeza e o verdadeiro inferno que vivia aqui no Brasil. 
Em muitas cartas ela escrevia “estou em uma melancolia realmente negra”, hoje em dia conhecida como Depressão.
Continua na próxima postagem.

Socialismo - Por Winston Churchill.



O socialismo é a filosofia do fracasso, a pregação da inveja, a crença na ignorância. Seu defeito marcante é a distribuição igualitária da miséria entre todos, exceto os seus.

01 - Era do Império - Por Equipe Pedro II do Brasil.

Este não tem como assunto principal o Imperador do Brasil, Dom Pedro II, mas sim o menino Pedro, que ficou órfão prematuramente, abandonado em um palácio feio e escuro, aos cuidados de pessoas que não eram de sua família e sendo preparado em todos os sentidos para governar um Império de proporções continentais.

Um Império de mestiços, escravidão, pobreza e corrupção.

Uma criança que antes de seus 15 anos de idade foi coroado o Imperador do Brasil, onde o próprio cetro de sua coroação tinha o dobro de sua estatura. 

Um jovem cheio de mágoas, tragédias familiares, incertezas, sonhos e medos. Um ser humano como qualquer outro, cheio de limitações e inseguranças.

Pedro nasceu em 2 de dezembro de 1825, o parto que trouxe ao mundo o jovem príncipe demorou mais de cinco horas. Sua mãe dona Leopoldina, a Imperatriz do Brasil, esposa de D. Pedro I, já tinha tentado inúmeras vezes engravidar de um filho homem, o único que vingou antes de Pedro, foi D. Miguel que faleceu pouco tempo depois de seu nascimento.

Toda responsabilidade da continuidade de uma monarquia independente conquistada por seu pai, caiu em cima daquele bebê que não fazia a menor ideia do que passaria ao longo da vida para ser considerado o Defensor Perpétuo do Brasil; um defensor de 14 anos.

Continua na próxima postagem.

Criação do Colégio Estadual Wilson Gonçalves - Por Antônio Morais


Tudo começou com uma reunião de amigos na Praça Siqueira Campos. Como o ideário de todos convergia para o consenso da ideia da criação do colégio, foram a casa do Vice-Governador do Ceará a época Dr. Wilson Gonçalves, a rua Bárbara de Alencar em Crato e entregaram a proposta. 

Dr. Wilson prometeu e cumpriu a promessa. Foi fundado em 04 de abril de 1960 com o nome de Ginásio Estadual do Crato, fundamentado na lei nº  6.611 de 04 de fevereiro de 1962.
             
O Colégio Estadual Wilson Gonçalves deve sua fundação ao benemérito cratense Dr. Wilson Gonçalves, daí o seu nome. O Dr. Luiz de Borba Maranhão foi o primeiro diretor que atuou desde a fundação até 1973, portanto 13 anos na direção do Colégio Estadual do Crato.

Professores na fase inicial:
Dr. Luiz de Borba Maranhão, Manuel Batista Vieira, José do Vale Feitosa, Alderico de Paula Damasceno, José Hermínio Rebouças, Astres Aires Alencar, Agnelo Damasceno, Adalgisa Gomes de Almeida, Tereza Pinheiro Teles, Stela Pinheiro Couto, José Edmílson Félix, Tereza Cristina Gesteira, Ivone Pequeno, João de Borba Maranhão, Marília Feitosa Ferro, Gutemberg Sobreira de Menezes, e, tantos outros que não lembro no momento.


Foto de 1971, reminiscentes da turma iniciada em 1969.  Capitaneada pelo nobre  diretor e professor Manuel Batista Vieira, Vieirinha.

Dedicado aos ex-colegas Luiz Antônio Andrade Feitosa, Cesário Saraiva Cruz, Antônio Primo Emídio, José Flávio Pinheiro Vieira, Aluísio Mendes de Oliveira, Anario de Sá Cavalcante, os irmãos Paraíba "Dê e Demi" e toda turma de 1969/1971.

Quando vejo ou escuto um professor reclamando das traquinagens, peraltices e estripulias dos alunos de hoje, não tenho nenhuma surpresa ou admiração. O nobre e preclaro professor está longe  de ter conhecido a turma de 1969 a 1971 do Colégio Estadual Wilson Gonçalves, em Crato.

Ali sim, não se sabia quem era mais levado da brega. Para não melindrar filhos e netos, não vou falar da maioria. Porém, não posso deixar de lembrar do Anário, este colega que nunca se afastou dos amigos do cariri, e, sempre provocou encontros, de modo que aquele ambiente de fraternidade do colégio não tivesse fim. 

Em nossa ultima reunião, ele chegou no local do encontro com uma hora de atraso. Chegou com seu jeitão manso, alegre, já com a esposa do quinto casamento e se abancou. Com um riso nos lábios, gesto característico, contou-nos uma ocorrência dos tempos do colégio.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Basta um sorriso para um estranho na rua - Por Pedrinho Sanharol.

Não carece beijar, abraçar ou apertar as mãos. Basta, sempre que for possível, um sorriso a um estranho na rua.

Pode ser o único gesto de amor que ele tenha no dia.

O riso é a única atitude humana que merece revide.

Croniqueta - Por Antônio Morais.


Ainda que deseje, um rio não pode correr mais do que corre. Não pode apressar o seu passo. Não pode mudar o seu curso. O oceano o espera e lá chegará.

Perguntei a um grupo de amigos: ”O que vocês fariam se soubessem que morreriam dentro de vinte e quatro horas?”. As respostas de alguns foram mais ou menos assim: “Amaria mais, perdoaria mais, viveria de forma mais intensa”.

Ninguém pode apressar ou diminuir o passo da existência. O amor e o perdão devem ser exercitados por toda a vida. O prazo de vinte e quatro horas é muitíssimo pequeno para uma mudança radical. Mas é tempo mais que suficiente para uma reflexão profunda, um arrependimento sincero e uma aproximação de Deus.

O “bom” ladrão da cruz tinha pouco tempo de vida. Estava na hora da morte, mas reconheceu seus erros e pediu, com humildade de coração, que Jesus se lembrasse dele quando estivesse no céu. Foi o bastante para ser alcançado pela graça divina. Não espere pelo último momento.

terça-feira, 3 de março de 2026

NA MEDIDA, APRIMORAR - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

No futebol, mesmo um contumaz vencedor precisa se aprimorar, sempre. Não adianta ser campeão hoje e cair amanhã. O negócio é sério, gente boa. Difícil a caminhada para a glória, fácil o despencar. Quer comprovação disso? Dê mole. A concorrência é forte. 

TRAUMA - Fiquei com o sentimento de que nem a conquista de cinco copas faz sarar a ferida provocada pelos 7x 1 para a Alemanha. Foi, para este comentarista, como se o País tivesse morrido no gramado do Mineirão. Até hoje, não consigo rever nem lances daquele jogo. Nunca me senti tão humilhado no futebol. 

TEMPO PERDIDO - Nada mais surreal do que convidar dirigentes de torcidas organizadas para discutir como acabar a violência no futebol. Isso aconteceu em incontáveis vezes. Quanto tempo perdido pelas autoridades. 

IRRELEVÂNCIA - Num futebol de transformações, é triste ver grandes times brasileiros perdendo a relevância que tiveram. Equipes com capacidade maior de alavancar receitas, estão com gestões que só dão passos para trás. Podem, nunca mais, passar no funil de quem vai ter relevância de novo. 

DNA BRASILEIRO - Desejar que o futebol brasileiro retorne totalmente às suas raízes é querer ser mais romântico que o romantismo. Quando propomos a preservação do DNA brasileiro dos jogadores vindos da base, não imaginamos chegar a tanto. Afinal, o futebol mudou demais com a adoção de novos conceitos. 

FRASE - "Precisamos entender o futebol como paixão do povo brasileiro, fator de integração e de representação do que somos". WB.

Lula é aconselhado a se livrar da má influência de Amorim em sua política externa - Claudio Humberto, Diario do Poder.

Petistas mais moderados dizem ter recomendado a Lula (PT) reavaliar o que dita ao seu ouvido o assessor Celso Amorim, ministro de fato das Relações Exteriores, cujas recomendações têm feito o Brasil se situar sempre no lado errado das disputas – da invasão na Ucrânia às ações no Irã, passando pela guerra de Israel contra os terroristas do Hamas. Acometido de um radicalismo tardio, Amorim, 83 anos, fica cada vez pior à medida que a vida encurta. Ele tem sido péssimo conselheiro para o chefe de governo, na opinião desse grupo.

Seu nome é atraso

A cabeça atrasada de Amorim tem contribuído para a perda progressiva de prestígio de Lula mundo afora, segundo avaliam esses assessores.

Assessor não fala

Acharam o fim da picada Amorim dar entrevistas atacando o governo dos EUA por “matar o líder de um país” etc. Não lhe cabe esse protagonismo.

Queridos ditadores

Amorim também fez Lula defender o ditador corrupto Nicolás Maduro e outros tiranos amigos, situando o Brasil na escória que defende tiranias.

Cavalo de pau

Os petistas palacianos querem Lula com atitude atualizada, moderna e democrática, priorizando interesses do País, não de ideologia decadente.

Diário do Poder - Cláudio Humberto.

Com o desgaste reputacional do Supremo Tribunal Federal (STF), a conclusão dos seus ministros é que a situação “virou”, a Corte perdeu apoio da mídia tradicional e a indignação superou o medo, após o escândalo de envolvimento de dois dos ministros com o Banco Master. A maioria avalia, em conversas reservadas, que em 2027 processos de impeachment de ministros do STF serão “inevitáveis”, seja qual for o vencedor nas presidenciais e ainda que a direita não controle o Senado.

Pá-de-cal

Sentenças raivosas contra opositores de Lula desgastaram o STF, mas o Master, em avaliação interna, pode ter o significado de “pá-de-cal”.

Contenção

Para ministros, o impeachment será usado para contenção do STF, com apoio explícito de partidos de centro, de direita e de setores da esquerda.

Fim da letargia

A maioria via a imprensa “sob controle”, mas a letargia cessou após “autoritarismo estarrecedor” apontado pela Transparência Internacional.

Libertação

O caso Unafisco e ameaças de retaliação, avaliou um ministro à coluna, “deu o motivo que jornalistas esperavam para se libertar desse vínculo”.

Parte VII - Luiz Lua Gonzaga e José Clementino - Por Antonio Morais


Luiz Lua Gonzaga e José Clementino do Nascimento.

Quer saber um pouco da Cultura de Várzea-Alegre? Um pouco do Zé Clementino? Leia este texto.

José Clementino do Nascimento, o bom poeta do Boi do Banco.

Já o conhecia de nome, de fama, através de sua parceria com o Rei do Baião Luiz Gonzaga. Pessoalmente, este ano, numa animada roda de amigos, em um dos pontos mais frequentados pela sociedade de Várzea-Alegre, conheci Zé Clementino, quando o prefeito local sentenciou: "Agora Clementino, você vai interpretar Eu sou do Banco e vai ser filmado também. Com espanto voltei-me para um moço, cabelo um tanto ou quanto grisalhos, não em função da velhice, e que atendeu de imediato ao pedido de Pedro Sátiro. Interessante, quantas vezes me encontrei no INAMPS, pelas ruas da cidade, no Bar do Alagoano, em muitos locais da mui amada capital do Cariri, sem saber que o dito cujo era aquele compositor de tantos grandes sucessos de Luiz Gonzaga.

Ali estava o menino inteligente mas peralta, o filho do Seu Lourival Clementino do Nascimento e de Dona Emília Maria da Silva, nascido naquele distante 02 de fevereiro de 1936, no Sitio Juazeirinho, distrito de Canindezinho, em Várzea-Alegre.

Num momento de evocação dos bons tempos da meninice, da infância de garoto pobre, de menino da roça, Zé Clementino falou sobre o seu primeiro professor, o velho e querido mestre Joaquim Sampaio Teixeira de Oliveira. Com muita saudade recordou as aulas da professora Santa Teixeira Siebra e Amália Correia Lima, quando frequentava as escolas particulares da cidade. Mudando de escola como se muda de roupa. Zé Clementino foi parar no único grupo da cidade, o José Correia Lima, de onde, por peraltice, foi expulso. Tempos depois, pelas mãos de outro velho educador, professor Walquirio Correia Lima, voltou aos estudos, até que. Em Fortaleza, no Liceu do Ceara, concluiu o ginasial, encerrando aí, o seu ciclo de estudos.

Região - Você não esbarrou aí certamente, porque depois nasceria o poeta, o compositor...

Clementino - Exatamente. Depois que abandonei os estudos, fui trabalhar. Fui lavador de garrafas na Fabrica de Bebidas de João Francisco, pesador de algodão na Usina de Luiz Proto. A partir de 1962 as coisas melhoraram. Ingressei no serviço publico federal, como Postalista do antigo DCT. Com a transformação do Departamento em empresa, fiquei um longo período em disponibilidade, ate que fui remanejado para a Previdência Social, onde hoje trabalho na agencia de Crato. Foi nessa fase que descobri que tinha tendencia para a poesia, para a composição musical.

Região - Quando conheceu Luiz Gonzaga?

Clementino - Foi em 1964, na residencia de Manoelito Parente, por apresentação do seu filho Paulo Parente, grande amigo do Luiz Gonzaga. Veio o primeiro LP com composições de minha autoria: Oia eu aqui de novo, contendo, entre outras, Xote dos cabeludos, Contrates de Várzea-Alegre e Xenehnnehn.

Depois surgiram outros como: Jumento nosso irmão, Sertão Setembro, Capim Novo, Apologia ao Jumento, Sou do banco.

Região - Das composições de sua autoria qual a que mais marcou sua vida?

Clementino - Tenho muitas composições, delas inéditas, mas a que marcou profundamente foi a do Hino do município de Várzea-Alegre, por ser uma homenagem toda especial a meu torrão natal.

Xote dos Cabeludos.





Parte VI - Luiz Gonzaga - Por Antonio Morais

Regressando ao Exu, dezesseis anos depois, conversando com o velho Januário, minha mãe e irmãos, procurei relembrar as antigas musicas de um passado já bem distante, foi aí que minha mãe disse: Luiz, voce não se lembra daquela musica, daquela outra, e Asa Branca? Respondi que Asa Branca não dava, era muito mole. Muito capenga. Engano meu, de volta ao Rio, ao apresentar uma porção de composições sertanejas a Humberto Teixeira, entre elas, Juazeiro, Respeite Januário, e outras, o velho e querido compositor perguntou-me se não tinha mais. Respondi-lhe que tinha outra, mas que não servia, era meio fraca.

 Humberto insistiu para que eu apresentasse. Ao encerrar, ele disse euforico: ó compadre, essa aí é um primor. O resultado foi que todos sabem: sucesso absoluto e total. Mesmo assim, no dia em que fui gravar Asa Branca, o negocio era tão parecido com cantiga de cego que Canhoto, do regional de Lacerda, pegou um chapéu e saiu correndo nos músicos, imitando Luiz Gonzaga.

Região : Isso, Luiz, representou Humberto Teixeira para você, em vida. O que representa agora depois de morto?

Gonzaga - Para lhe ser franco neste momento, o que gostaria de fazer, a partir de hoje, era não fazer mais nada novo. Era sair só cantando Assum Preto, Respeita Januário, Asa Branca, Pé de Serra, Estrada de Canindé, Juazeiro, Légua Tirana. As coisas da mais profunda sensibilidade que eu e Humberto fizemos juntos. Mas, como continuo sendo um profissional, continuo gravando, tenho que lançar coisas novas, mesmo que não sejam para sucesso.

Tem muita gente aí de talento, fazendo coisas interessantes, mas Humberto e Zé Dantas foram realmente o ponto máximo do meu sucesso. Zé Dantas morreu muito mais jovem. Parece-me que com 41 anos. Humberto desaparece com 64. Para mim uma figura impressionante. Dificilmente desaparecerá da minha mente. Sua morte representa para mim uma perda irreparável. Um grande sujeito. Uma extraordinaria figura humana.

Luiz Gonzaga canta Asa Branca junto com diversos artistas entre eles Clara Nunes. Na próxima postagem falaremos do Jose Clementino, o poeta varzealegrense.

Parte V - Luiz Lua Gonzaga - Por Antonio Morais

Os primeiros vous da Asa Branca - Postagem e vídeo dedicado a professor Antônio Dantas.

Região: Asa Branca foi e é a composição mais laureada, mais difundida dentro e fora do Pais. É tida como uma especie de hino nacional da musica popular brasileira. É natural que lhe perguntemos: como surgiu a notável composição?

Gonzaga - Quando menino, aqui em Exu, eu era também um moleque fazedor de musica. Naquela época não existia desenvolvimento cultural capaz de induzir na gente a importância daquilo que se estava produzindo. Era um fazer por um simples fazer. Mesmo assim, aquelas mais do agrado do povo eram por ele selecionadas e guardadas. Eram sempre as mais simples. Essas coisas que fazia com a ajuda do meu pai Januário, principalmente na conclusão da frase, saia cantando, por aí, nos forros de pé de serra. Foi nesta fase de minha adolescencia que me inspirei para fazer Asa Branca. Corria uma das grandes secas no Nordeste, castigando duramente o sertão. Interessante é que, ao chegar ao Rio, em 1939, quando tentava conseguir fazer algo como sanfoneiro, frequentava a zone do Mangue e, nos fins de semana, aqueles famosos programas de calouros de Ary Barroso. Quando comecei a tocar era um verdadeiro assassino. Assassinava grandes compositores e cantores como Carlos Gardel, Frazão e Násser, Pedro vargas, Elvira Rios, tentando imita-los, pois, para mim, o importante era tocar e cantar coisas modernas, de gente grande e famosa.

Quem estava na moda, evidentemente, era essa gente toda. O negocio era imitar, sem dar bolas para aquilo que, na verdade, me levou a fama e ao sucesso dos dias atuais: a musica popular, a musica do meu pé de serra. tempos depois foi que acordei para realidade. Nessa fase de transformação, de passagem de um pólo para outro, quando imitava os interpretes famosos da musica moderna, musica erudita, muito devo a um grupo de cearenses. Foi o seguinte: O cafe onde eu tocava era muito frequentado por estrangeiros. Principalmente marinheiro. Nessa época o mundo inteiro usava o mar, o principal meio de transporte era marítimo. Isso na década de trinta, para começo de quarenta. Nesse ambiente, eu ganhava um dinheirinho dos gringos.

È aí que entra a historia dos estudantes cearenses, universitarios. Esse grupo tinha uma republica na Lapa e sempre ia assistir-me. Depois que fizeram intimidade comigo, passaram a exigir tocasse musica daqui, musica do sertão. Insistiram a ponto de ameaçarem que jamais, a partir daquela data, me dariam dinheiro, como vinham dando, numa colaboração com as minhas apresentações no citado local. Disse para eles que aquilo não dava, musica sertaneja não dava para aqueles ambientes, e mesmo eu queria tocar musica de gente, musica de sucesso.

Dias depois, apos meditar muito, resolvi mudar de ideia. Em casa, preparei algo como eles gostariam de ouvir. Preparei um forró bruto mesmo, legitimo do pé de serra. Quinze dias depois, para surpresa minha e da rapaziada do Ceará, lancei a musica que tinha preparado, e foi aquele sucesso. O local ficou apinhado de gente que foi preciso o dono do bar chamar a policia para manter a ordem, pois todos queriam ver a minha presentação do puro baião, do puro forró. Nesse dia, como costumava fazer, coloquei um pires para receber as contribuições dos presentes. Encheu ligeirinho, ligeirinho. Findei enchendo uma bandeja. A vibração dos estudantes foi maior do que a minha. Bom, velho, boa, cabra paidegua. Não lhe dissemos? Daí pra frente as coisas começaram a andar com maior rapidez. Tempos depois estava diante daquela figura admirável de Humberto Teixeira.

Creusa Morena - Valseado.