quarta-feira, 25 de março de 2026

TIETA - Por Xico Bizerra


Da janela, dia e noite, Tieta ficava a contemplar as nuvens, a contar estrelas. Não devia ter-lhe confessado seu pecado, mas o fez. Pela metade, é bem verdade, mas decidiu assim fazê-lo. 

Talvez ele preferisse nunca ter sabido, não ter aquilo escutado. Por isso, ali ficava Tieta, tão só: seu contar de estrelas nunca passou de uma dezena, quando tinha que recomeçar a contá-las. 

Nas nuvens, carneirinhos e outros bichos passeavam e se desmanchavam no céu, ao sabor do vento. E sua dor prosseguia, estrelas e nuvens brincando no céu, a tudo alheias, insensíveis à dor de Tieta. 

Entre o dito e o não dito, morava um silêncio absoluto que, de tão profundo, doía-lhe os ouvidos, atingindo-lhe a alma. Naquela noite uma lágrima teimosa escorria de seu olho embaçando-lhe a estrela Dalva que acabara de surgir num céu meio azul de saudade, meio cinza de tristeza.

3 comentários:

  1. Esses são comentário divinos que vêm da alma. Ótimo.

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  2. Xico,na comemoração do seu anversário,ffiz um pedido que ficou um poucco estranho:Forró sem acento.
    quero clariar um pouco.

    Veja só o xiquinho
    segurando o dedinho
    dançando de lado
    isto é lamento
    forró sem acento
    é forro forrado

    agora veja o que é candura
    pega na cintura
    e dança colado
    acabou o lamento
    forró com acento
    é forró pesado.

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  3. O Xico com poucas palavras diz muito. Diz Tudo.

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