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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 8 de março de 2019

Rebuscando o tempo - Por Antônio Morais.


Eu sou um saudosista inveterado. Viver uma vez já é uma dadiva divina e o que dizer de reviver rebuscando o tempo. Rebuscar o passado me faz lembrar os velhos dos meus tempos de menino. Um punhado de homens austeros, trabalhadores, exemplares pais de família, daqueles que não precisavam, sequer, dar um fio de bigode para juramentar seus compromissos.

Sempre os admirei e respeitei, vendo neles figuras distintas, pessoas diferentes, a quem deviam todos devotar o máximo de atenção e cortesia.

Os velhinhos da minha meninice, pobres ou ricos, tinham dignidade no vestir, compostura no andar, decência nos seus gestos e atitudes. Uns, na modéstia de suas posses, vestiam caqui Floriano, mescla Tamandaré ou brim e os mais abastados usavam linho, cambraia, gabardine  e mescla santa Isabel.

No dia  primeiro de Julho de 1971, fui admitido  no Banco do Cariri S/A, instituição  financeira  da Diocese  do Crato.  Localizado  a glorioso Praça Siqueira Campos - Crato. O banco tinha um raio de atuação de  aproximadamente 200 km.  Vinham fazer os seus  empréstimos  clientes residentes em Araripina, Campos Sales, Araripe, Santana do Cariri, Assaré,  Brejo Santo, Milagres, Lavras de Mangabeira e outras localidades. 

Lembro de todos eles, mas,  Dorimedonte Teixeira Férrer, de Lavras de Mangabeira me chamava  atenção : Homem  alto, forte, vestido num conjunto de calça e camisa do mesmo tecido e da mesma cor, chapéu de massa  na  cabeça,  elegante e muito educado. 

Os empréstimos tinham  prazo máximo de 90 dias, de três em três meses ele vinha ao Crato.  No primeiro  dia resgatava o título, e, no segundo fazia um novo empréstimo e retornava  a Lavras de Mangabeira, meio de transporte "o trem".

Tenho saudades  das pessoas, dos exemplos e dos bons costumes.

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