segunda-feira, 9 de março de 2026

Bolsa Família: de compra de votos a escravidão moderna - Por André Brito, Diario do Poder.

 


O programa Bolsa Família, criado como factoide pelo governo Lula no final de 2003 devido ao fracasso do Fome Zero, foi divulgado como um grande programa de transferência de renda para tirar da extrema pobreza e dar dignidade às famílias mais carentes do Brasil. 

Apesar de não trazer, de fato, nenhum elemento novo e tão somente unificar auxílios diferentes sob um mesmo nome ligado ao PT, seria leviano partir do pressuposto que a ideia inicial não tenha sido genuína. 

Porém, como diz o ditado popular, a oportunidade faz o ladrão e Lula e o PT se viram diante de uma gigantesca e imperdível.

Depois dos efeitos catastróficos do Mensalão que culminou com a prisão de parlamentares e integrantes da cúpula do governo petista como o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, por manterem um esquema de pagamento de propina a deputados e senadores para garantir aprovação de projetos no Congresso, Lula e sua trupe viram no Bolsa Família a propaganda capaz de apagar o Mensalão da memória do eleitor. 

Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome mostram que, entre janeiro de 2004 e junho 2006, o número de inscritos no programa saltou 208%, de 3,6 para 11,1 milhões de famílias, garantindo a reeleição de Lula.

Os milhões de reais despejados em propaganda fizeram com que o disparate fosse ignorado na imprensa, salvo algumas exceções como a Coluna Cláudio Humberto dando voz a políticos importantes como o ex-governador e ex-senador por Pernambuco Jarbas Vasconcelos (MDB) que definiu o Bolsa Família como “o maior programa de compra de votos do mundo”. 

Em vez disso, o programa virou notícia internacional como grande sucesso na transferência de renda.

A cruel evolução

Logo após a abolição, ex-escravos se viram sem ter para onde ir ou o que fazer, uma vez que sempre foram escravos e fizeram o que lhes era ordenado. Agora livres, mas sem perspectivas melhores, acabaram firmando contratos de trabalho com antigos donos para permanecerem nas fazendas, mas agora recebendo por seu suor. 

Contudo, o que antes não lhes era cobrado, alojamento e comida, por exemplo, passou a sê-lo. Os antigos senhores instalaram mercearias, conhecidas como Barracão, em suas próprias terras onde vendiam itens essenciais a preços superfaturados, mas tinham em seus ex-escravos uma clientela garantida, pois a distância para qualquer outro comércio tornava impraticável o deslocamento, além de a imensa maioria proibir que comprassem em outro local. 

Assim, os libertos gastavam mais do que ganhavam e se tornaram escravos por dívida.

O povo brasileiro é honesto por natureza, não tenho dúvida disso, mas também é certo que os desonestos contam com isso para tirarem proveito próprio. Depois de garantir a reeleição de Lula e Dilma, o Bolsa Família continua sendo exaltado por ter tirado “milhões de famílias da pobreza”. 

A verdade, entretanto, muito se assemelha ao que ocorreu com escravos no Brasil após a abolição. Não houve surto de independência financeira, capacitação e prosperidade, mas sim a elevação do valor do benefício para tornar as famílias dependentes do governo, garantindo milhões de votos nas eleições ao manter os mais humildes sob constante ameaça de perder o auxílio.

As 11,1 milhões de famílias em 2006 representavam cerca de 36,6 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE. Em dezembro de 2025, o número já era de 18,7 milhões de famílias ou cerca de 49 milhões de pessoas, de acordo com dados do governo atual, isso significa que aproximadamente um a cada quatro brasileiros (24,1%) recebe Bolsa Família por ter renda familiar mensal até R$ 218 por pessoa.

O objetivo, com aumento de impostos e criação de novos auxílios, é manter a maior parte da população na pobreza e “escrava” dessa dívida pelo máximo tempo possível. Quantos não são os casos de pessoas que rejeitam empregos formais por medo de ultrapassar a renda mensal e perder o Bolsa Família.

É ano de eleição e Lula, Haddad e outros senhores de engenho modernos vão bater na tecla do desemprego em 5%, enquanto têm seus Barracões abertos para negociar e manter escravos por dívida os 49 milhões de brasileiros que dependem do Bolsa Família.

Um comentário:

  1. Politica de um governo malandro, pilantra e mentiroso. Que se utiliza da pobreza para se manter no pode e nada é feito para melhorar a situação do povo.

    ResponderExcluir