Quando foi lançado o livro “O jumento é nosso irmão“ da autoria do meu conterrâneo Padre Vieira, aconteceu uma verdadeira confusão em Várzea-Alegre.
Algumas pessoas diziam que o padre estava debochando a humanidade e outras diziam que era uma falta de respeito com o povo.
Amélia Danga conversava com Maria Curta e dizia: Tu acha muié? Essa arrumação qui o pade Vieira anda inventando, qui coisa mais sem fundamento.
Ora! Chico Danga meu irmão qui é gente, já veve me dando o maió trabai. quidirá se eu tivesse um irmão jegue.
Maria Curta Disse: Vôte Neguinha! Apois eu acho qui o pade ta ficando é abilolado, donde já se viu uma erisia dessa? Gente é gente e animá é animá.
Eu cheguei no café de Domicilia estavam João Doca e Joaquim Fiusa comentando esse assunto.
Aproveitei a deixa e fiz essa décima que guardei em segredo até hoje, com receio de que fosse ofender o grande escritor.
Valei-me Frei Damião
Me salve dessa aventura
O Padre Vieira jura
Que o jumento é nosso irmão.
O jegue não é cristão
É somente um animal,
Que quando fica imoral
Acaba até uma feira.
Acho que o Padre Vieira
Precisa é de hospital.

Raimundo Nonato Bezerra de Morais, Mundim do Vale, meu primo tem um acervo de mais de duas mil poesias e causos publicados no Blog do Antonio Alves de Morais.
ResponderExcluirCada um melhor do que o outro.
Memoria prodigiosa cuja caracteristica própria era escrever no populacho gostoso de ler.
Resgatava em cada personagem a fala, os gestos e o modo de falar. As vezes critico, mas sempre coerente com o tema que escolheu escrever.