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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 4 de maio de 2010

CRATO - FRAGMENTOS DA SUA HISTÓRIA - Por Vicente Almeida

Na primeira metade do século XX, o Crato era o centro de uma grande região para onde tudo convergia. A grande feira semanal e o movimentado comércio, atraíam compradores e vendedores, que em lombos de animais acondicionavam as mercadorias que taziam para comercializar e levavam aquelas que compravam para revenda ou consumo. Crato negociava com os Estados de Pernambuco, Piaui, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O prédio desta foto, (pena não ser colorida) de magnífica arquitetura, estilo barroco, que floreceu no século no XVI permanecendo até o século XIX.

Era sua fachada bem elaborada, revestida com azuleijo (provavelmente português) muito comum naquela época, com arcadas ogivais e a incansável criatividade do artezão, carregada de atmosfera artística e cultural.

As 20 portas visíveis com arcadas em alto relevo, davam harmonia e graça ao trabalho artistico da alvenaria.

Se observar as arcadas ogivais das 20 portas, (12 na face voltada para a rua e 08 na face voltada para a Praça Siqueira Campos) o leitor se surpreenderá com os detalhes. Somente 05 portas davam acesso ao interior do prédio. Esse estilo arquitetonico, pouco a pouco vai desaparecendo e virando poeira na noite dos tempos, restando apenas saudosas lembranças como esta. Não foi detectado sinais de iluminação pública. Se desejar vizualizar a foto em detalhes, use Softwares tipo: Picasa 3, Corel photo-paint x3, ou similar.

Este cenário fotográfico, localizava-se na antiga Rua do Commércio com o seu calçamento de pedra tosca, e foi palco de grandes descisões financeiras, que promoveram o progresso do Crato, da Região do Cariri e estados vizinhos, pois aqui, foi instalada em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará: O Banco do Cariry (Cariry – ortografia antiga), graças aos esforços e arrojado desempenho de D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo da recém criada Diocese do Crato. Nas duas placas, uma acima do transeunte e a outra em frente a Praça Siqueira Campos, está escrito “Banco do Cariry”.

Após 1930, a Rua do Commércio passou a denominar-se: Rua Dr. João Pessoa.

Vale observar que até o século XX, nas cidades interioranas que normalmente se iniciavam com pequenos vilarejos, a rua onde se aglomeravam as casas de comércio (secos e molhados, tecidos e confecções, artigos de armarinho, ferragens, e tudo o mais) era denominda pela população de rua do Commércio (commércio – ortografia antiga), mas, no caso do Crato, já no século XIX, essa rua era popularmente conhecida por Rua Grande.

A antiga Rua do Commércio terminava na Praça Siqueira Campos. Essa Praça foi inaugurada em 1917 pelo Prefeito Cel. Teodorico Teles de Quental. Lá no cantinho da Praça, o leitor atente para o trabalho também artezanal da copa bem cuidada do pequeno pé de benjamim, demonstrando a preocupação do governo municipal com o cartão postal da cidade. Tempo bom aquele!

O QUE MUDOU EM QUASE UM SÉCULO

A sede do Banco do Cariri, em 1947 foi transferida para a Rua Senador Pompeu, onde funcionou o Banco do Brasil. Em 1972 foi incorporado pelo Banco do Juazeiro e passou a denominar-se BIC - Banco Industrial do Cariri. Já com o poder acionário em mãos da família Bezerra a sua sede foi mais uma vez transferida, desta vez para a Rua Bárbara de Alencar, em frente a nova sede do Banco do Brasil. Em 2000 a agência encerrou suas atividades no Crato.

O prédio antigo, pela força natural do progresso, cedeu seu lugar à estrutura de concreto armado da foto abaixo, denominado Edifício Nossa Senhora da Penha, inaugurado em 12/10/1963. Temos agora a Rua Dr. João Pessoa asfaltada, e a Praça Siqueira Campos com a sua área reduzida.

Contudo, o pé de benjamim da foto antiga está ai, engrossou e ganhou altura, tornando-se uma frondosa e imponente árvore que o tempo só a tornou mais útil e mais bela. Mas, ninguém percebe a sua beleza. É triste dizer; A sua copa hoje parece com cabelos desgrenhados. Está muito desprezado pelo homem que tem a sua sombra como um refrigério em dias ensolarados!!!

5 comentários:

  1. Prezado Vicente.

    Parabens pela postagem. Fato historico que possivelmente seria esquecido com o passar do tempo. Voce resgata para posteridade a historia de um povo empreendedor e progressita. Estas fotos são testemunha de uma epoca em que o Crato era forte, destemido e pioneiro no cenario social e politico do Ceara.
    Parabens.

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  2. Uma excelente matéria.
    Parabéns Vicente Almeida.

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  3. Vicente,


    Que formidável resgate histórico e ecológico. Acabou-se o prédio mas ficou a árvore para mostrar o tesemunho de um tempo.

    Parabéns pelo belo texto.

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  4. Vicente,

    O que acontece em algumas cidades nossas é que a história está sendo apagada aos poucos com a falta de preservação de prédios que marcaram a vida de uma cidade no tempo e no espaço. Cada vez que vejo um prédio antigo demolido morro um pouco por dentro de tristeza.

    Seu texto resgatou esse tempo bonito.

    Parabéns!

    Claude

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  5. É...

    Morais, Glória Pinheiro, Sávio e Claude Bloc.

    O passado é tão bonito que vale a pena estudá-lo e transmitir as suas informações para a posteridade.

    A história narrada é obtida através da tradição ou de momentos contemporâneos do narrador.

    Mas, a história fotográfica é tanto quanto ou mais importante, pois ao observarmos uma foto, nos transportamos para aquele momento, podendo ser observado in loco, detalhes nos hábitos, costumes e arquiteturas.

    Por mais que se descreva um fato, a nossa visão ficará um pouco embaçada, pois o que não conhecemos visualmente, encontraremos certo grau de dificuldades para assimilar os formatos descritos.

    *****************************

    Obrigado a todos pelo estímulo.

    Vicente Almeida

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