quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E LÁ MORA GENTE? - Por Mundim do Vale

Joaquim Vieira, Avô de Geraldo Menezes, Fernando Souza e Valdimiro Vieira, foi embora com a família de V. Alegre para Orós e lá chegando ganhou o apelido de “Véi do Trem.” Certa vez ele estava numa banca de caipira, quando chegou um pescador falando fino e rebolando mais do que a loira do Tcham. A bichinha aproximou-se de Joaquim Vieira e perguntou:
- Ei Véi do Trem. Tu é de Rajalegue?
- Sou. Pruque?
- É divera qui o juiz de lá é uma muié?
- É sim. E é braba feito a gota.
- E é divera qui o pade de lá é casado?
- É. E é macho qui só preá.
A figura pôs as mão nos quartos deu uma rodada e falou:
- Váila! E lá mora gente?
- Mora sim. Mora muita gente. Só num mora mais ainda, pruque o prefeito mandou deixar um bucado de fresco aqui im Orós, prumode pescar no ri Jaguaribe.

Fonte: Josélia Menezes.

Dedicado aos netos do VÉI DO TREM

Frase do dia.

“Reimundo, te preocupes não meu filho, eu e tua mãe faz é tempo que não fazemos "bangalafomenga.”

Chico André.

Historia.

Raimundo Nonato de Morais, meu primo e amigo, professor da Escola Técnica Federal de Crato, foi passar um final de semana no Sanharol com os pais. Andou tomando umas geladas e quando chegou em casa se sentou na cama do casal e a cama se desfez. Foi tabua prum lado e pra outro. Raimundo ficou muito preocupado em recuperar a cama antes de voltar para o Crato. Como não encontrava marceneiro para efetuar o trabalho apresentava-se nervoso e apreensivo. Foi quando tio Chico André disse: Reimundo, te preoculpes não, eu e tua mãe, faz é tempo que não fazemos “bangalafomenga”.

Você pode até não saber o que é Bangalafomenga, mas sabe o que o meu tio quis dizer.

Uma nova chance!

Havia uma homem muito rico, que possuía muitos bens, uma grande fazenda, muito gado e vários empregados a seu serviço...Tinha ele um único filho, um único herdeiro, que ao contrário de seu pai não gostava de trabalho nem de compromissos. O que ele mais gostava era de fazer festas e estar com seus amigos, e de ser bajulado por eles. Seu pai sempre o advertia que seus amigos só estavam ao seu lado enquanto ele tivesse o que lhes oferecer, depois o abadonariam. Os insistentes conselhos de seu pai lhe retiniam aos ouvidos, e logo se ausentava sem dar o mínimo de atenção.
Um dia, o velho pai já avançado em idade, disse aos seus empregados para construirem um pequeno celeiro e, dentro dele, fez uma forca, e junto a ela uma placa com os dizeres:"Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai". Mais tarde chamou seu filho e levou até o celeiro e disse: Meu filho, eu ja estou velho e quando eu partir, você tomará conta de tudo o que é meu, e sei qual será o seu futuro. Você vai deixar a fazenda nas mãos dos empregados, vai gastar todo o dinheiro com seus amigos, irá vender os animais, e os bens, para se sustentar, e quando não tiver mais dinheiro, seus amigos vão se afastar de você. E quando você não tiver mais nada, vai se arrempender amargamente de não ter me dado ouvidos.
É por isso que eu construí esta forca. Sim, ela é para você, e quero que me prometa que se acontecer o que eu disse, você se enforcará nela? O jovem riu, achou um absurdo, mas para não contrariar o pai prometeu, pensando que jamais isso pudesse acontecer. O tempo foi passando, porém o pai morreu e o filho tomou conta de tudo. Mas exatamente como o pai previra, o jovem gastou tudo, vendeu os bens, perdeu os amigos e a própria dignidade. Desesperado e aflito, começou a refletir sobre sua vida e viu que havia sido um filho tolo, lembrou-se de seu pai e começou a chorar e dizer: Ah! Meu pai, se eu tivesse ouvido os seus conselhos... Mas agora é tarde, tarde demais! Pesaroso, o jovem levantou os olhos e longe avistou o pequeno celeiro, era a única coisa que restava. A passos lentos se dirigiu até lá. Entrando, viu a forca e a placa empoeirada, e disse: Eu nunca seguii as palavras de meu pai, não pude alegrá-lo quando estava vivo, mas pelo menos desta vez vou fazer a vontade dele, vou cumprir minha promessa, não me resta mais nada.
Então subiu nos degraus e colocou a corda no pescoço, dizendo: Ah, se eu tivesse uma nova chance e então pulou, sentiu por instante a corda apertar sua garganta. Mas o braço da forca era oco e quebrou-se facilmente. O rapaz caiu no chão, e sobre ele caíram jóias, esmeraldas, pérolas e diamantes. A forca estava cheia de pedras preciosas, e um bilhete que dizia:"Essa é sua nova chance, eu te amo muito. Seu pai".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

EM HOMENAGEM AO ZÉ CLEMENTINO

EM HOMENAGEM AO ZÉ CLEMENTINO
EM 10 DE OUTUBRO DE 1993
Raimundo Lucas Bidinho

Um dia lindo e risonho
Perante a mil convidados
Um casal de namorados
Contraíram matrimônio
Realizaram esse sonho
Pela ordem do destino
As aves cantaram um hino
Na véspera do casamento
E desse feliz evento
Nasceu José Clementino.

Nasceu em Juazeirinho
No ano de trinta e seis
Dia dois de fevereiro
Do ano segundo mês
O seu feliz nascimento
Cobriu de contentamento
Seus pais e toda família
Muitos cantaram louvores
Com os seus progenitores
Lourival e Dona Emília.

O conheci na infância
E o tempo foi passando
Foi crescendo e foi mostrando
Ser um jovem inteligente.
Quem estava a sua frente
Admirava o menino
Ainda tão pequenino
Fazer versos como prece
Hoje o Brasil reconhece
Quem é José Clementino.

Conhece por suas músicas
Que são todas de alto porte
Diariamente cantadas
Ouvidas de sul a norte
Vinte e uma gravações
Animando as multidões
Das capitais aos distritos
Levando aos contingentes
Mais alegria aos contentes
Reanimando ao aflitos.

Contrastes de Várzea Alegre
Uma ótima gravação
Sou do Banco e Capim Novo
E o Jumento Nosso Irmão
Lembranças e Sertão Sedente
Mostrando a nossa gente
Muita coisa a desejar
Mais outras músicas criou
Foi ele quem colocou
A Várzea Alegre no ar.

O hino de Várzea Alegre
Ou hino municipal
Escrito em estilo nobre
Num sistema colossal
Que fala da sua gente
Da sua origem abrangente
Sem mentira, sem chantagem
Pelo seu merecimento
Recebe neste momento
Tão merecida homenagem.

Várzea Alegre, 10 de outubro de 1993

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Xico Bizerra recebe titulo de cidadão recifense.

Recebemos do colega aposentado, Xico Bizerra, o seguinte convite: "Por iniciativa do povo recifense, representado pela unanimidade dos vereadores da Cidade, receberei, com muito orgulho, o título de Cidadão do Recife. Gostaria muito de compartilhar dessa alegria com você, no dia 20 de Agosto, na Câmara de Vereadores do Recife, às 10 horas da manhã."

“Proposta do Vereador Josenildo Sinesio aprovada por unanimidade pelos Edis Recifenses, Requerimento 1731, Decreto Legislativo 09/2010. Sessão Solene a ser realizada em 20.08.2010, as 10 horas, Câmara Municipal do Recife”.
Francisco José Bizerra de Carvalho, conhecido por Xico Bizerra, trabalhou por 28 anos como Analista do Banco Central. Aposentado desde 2005, se dedica à música nordestina, sendo autor de 8 CDs do seu projeto Cultural FORROBOXOTE. Hoje, é reconhecido como grande compositor e poeta, autor de mais de 400 canções, sendo, inclusive, o autor mais gravado na Região nos últimos 5 anos. Xico Bizerra tem suas canções interpretadas por mais de 200 cantores e cantoras por todo o Brasil; dentre eles, Dominguinhos, Elba Ramalho, Quinteto Violado, Amelinha, Xangai, Maciel Melo e Santanna. Sua música SE TU QUISER, lançada em 2002, já conta com 107 gravações por artistas distintos.

COM QUE ROUPA EU VOU? - Por Mundim do Vale

Houve um tempo em Várzea Alegre, que a principal atração para as crianças e adolescentes, eram as corridas de cavalos no prado. Uma vez Chico Tida tava ajudando a sua mãe Darca, na lavagem da casa e de impacto puxou esse assunto: Ô mãe. Eu tava cum tanta vontade de ir oiá a currida de cavalo lá no prado dos Grossos. Hoje o cavalo Fiapo de Migué Ogusto, vai corrê contra o o cavalo preto de Seu Erotide.
- E porque num vai?
Cum qui rôpa eu vou?
- Vá com aquela que você vestiu no natal.
- Pera. Mãe! Aquela rôpa do natal, faz tempo qui eu butei ela na báia.
Pois peça uma de seu padrinho Zé Leonardo.
- Mãe tá ficando broca? Num tá vendo qui a rôpa de meu padim Zelunardo, fica frouxa neu.
- Pois arrume uma, com Seu Dudu.
- Tombem num dá não mãe. Pra dá certo neu, tinha qui ser uma de Zé de Ermina, ou onton-se, de Dedé de Frazo.

Eleição terá lideres de escandalos.

Personagens de todos os grandes escândalos políticos dos últimos 20 anos estão mais uma vez concorrendo a uma vaga de deputado, senador ou governador. Não houve lei, punição, investigação ou processo que afastasse essas pessoas da política. Ao contrário, elas são favoritas na eleição deste ano, a primeira disputada sob a Lei da Ficha Limpa, aprovada para barrar candidatos condenados pela Justiça.
O Estado levantou as principais crises ligadas à corrupção desde a eleição de Fernando Collor à Presidência em 1989. O próprio Collor, candidato a governador de Alagoas, abre essa lista.
Ganha a companhia de figuras carimbadas dos escândalos das duas últimas décadas, entre elas Jader Barbalho, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Renan Calheiros, os "mensaleiros" de PT, PSDB e DEM, além de Anthony Garotinho, José Carlos Gratz e os governadores cassados Jackson Lago, Marcelo Miranda e Mão Santa. Juntos, somam pilhas de processos na Justiça e R$ 200 milhões de patrimônio declarado nesta campanha eleitoral.
Três deles já conheceram de perto as celas policiais: Jader, Maluf e Gratz. Outros fugiram de processos de cassação ou foram absolvidos pelos colegas. E todos têm uma folha corrida nos tribunais.
Fonte o Estadão.

domingo, 8 de agosto de 2010

DEBATE POÉTICO - Por Mundim e Bidim

O HOMEM QUANDO ENVELHECE

- Completei no mês de julho
Oitenta anos de idade
Espero com humildade
Da morte o triste barulho!
Que nos valeu o orgulho
Quando a velhice aparece?
O corpo inteiro esmorece
Se torna torto e corcundo.
Fica por fora do mundo
O HOMEM QUANDO ENVELHECE...

Chega um tal estalicido
Nem que abandone o cigarro
Este, traz tosse e escarro
E um piado em cada ouvido!
O velho fica esquecido,
Ao mesmo tempo emoquece;
Dói um dente, o outro cresce,
Vai recorrer ao dentista
Termina curto da vista,
O HOMEM QUANDO ENVELHECE.

Um armazém de saudade
Possuímos na velhice
Dos dias da meninice
Dos tempos da mocidade,
Depois de avançada idade
O prazer desaparece
Sabe o que mais acontece?
Caso um dia enviuvar,
Não presta nem pra casar,
O HOMEM QUANDE ENVELHECE!

Sente dor no espinhaço,
Pontadas no tornozelo!
Dormença no cotovelo
Reumatismo em cada braço.
Na perna esquerda um cansaço,
A outra perna enfraquece,
A cãibra nos dedos cresce
Dor de cabeça e tontura
Sente enxaqueca sem cura
O HOMEM QUANDO ENVELHECE.

BIDIM - 01 de fevereiro de 1.995.




ACUMULA EXPERIÊNCIA
O HOMEM QUANDO ENVELHECE.

Este mote foi feito com muito respeito,
Como resposta ao qualificado verso:
“ O HOMEM QUANDO ENVELHECE “
Do poeta conterrâneo Raimundo Lucas
Bidinho ( Bidim ).

Mundim do Vale.

O meu avô já dizia
Que não tinha nesse mundo
Um primeiro sem segundo
Pra ficar velho um dia.
O homem perde a garantia
Quando já velho enfraquece,
Mas nem doente ele esquece
De transmitir competência.
ACUMULA EXPERIÊNCIA
O HOMEM QUANDO ENVELHECE.

Escola desenvolvida
Deixa o jovem adiantado,
Mas o velho faz mestrado
Na faculdade da vida.
No longo da sua lida
A capacidade cresce,
De tudo um pouco conhece
Nos seus anos de vivência.
ACUMULA EXPERIÊNCIA
O HOMEM QUANDO ENVELHECE.

Pra não ficar sem ninguém
Quando o velho enviuvar,
Ele tem que procurar
Uma viúva também.
A viúva sabe bem
De que um velho carece,
E o homem não mais padece
Nem vive mais de carência.
ACUMULA EXPERIÊNCIAO HOMEM QUANDO ENVELHECE.

O Homem velho subiu
Cada degrau da escada,
Na busca da escalada
Que com esforço atingiu.
Muita coisa adquiriu
Mas não esquece da prece
E a Jesus muito agradece.
E pede mais paciência.
ACUMULA EXPERIÊNCIA
O HOMEM QUANDO ENVELHECE.

É do velho experiente
Que sai a melhor lição,
Conselho de ancião
Educandário da mente.
Uma aula de presente
De quem a vida conhece,
Que de graça oferece
Na sua velha aparência.
ACUMULA EXPERIÊNCIAO
HOMEM QUANDO ENVELHECE.

MUNDIM

Parabéns aos pais do blog do Sanharol.

A casa e a bola - Por Xico Bizerra.

Na esquina, a casa e, fronteiriça com ela, separada apenas por uma cerca de arame farpado, o improvisado campinho de pelada. Inevitável que, vez por outra, a bola caísse naquele terreno, às vezes quebrando o vidro da janela, às vezes batendo em alguém, às vezes nada acontecendo, mas sempre irritando o pai de Teté.
Quando ele estava em casa, nessas situações a bola ficava retida e só era devolvida uma semana depois. Considerava o castigo justo para quem não atendia aos seus pedidos de cuidado. Pior era na casa da outra fronteira: seu Armindo furava a bola, na hora. Em ambos os casos o jogo terminava antes dos 45 do segundo tempo. Quando seu pai não estava, o pequeno Teté devolvia a bola e continuava assistindo ao jogo, sentado à beira do ‘gramado’, do lado de cá da cerca. Ainda hoje, 50 anos depois, Teté gosta de futebol e de vez em quando sonha ter sido jogador de futebol. Ainda hoje devolveria as bolas se por acaso elas caíssem no terreno de sua casa.

sábado, 7 de agosto de 2010

O MACHADO VINGADÔ -Mais uma enquete do Mundim

Nóis vivia assuguedao
Lá no sítio Lamarão
Tinha lá nosso roçado
Pra prantá mí e feijão.
No sabo eu ia pra fêra
Comprá lá im João Teixêra
Café, querosene e cana.
No domingo ia caçá
Matava peba e preá
Mode cumê na sumana.

Era assim qui nóis vivia
Num tinha coisa mió,
Nóis se amava todo dia
Vicença era meu xodó.
Lá nóis tinha animação
De dibúia de feijão
E fuguêra no terrêro
Tinha zeca aboiadô
Zé Raimundo imboladô
E Juvená violêro.

Vicença minha muié
Num inzigia fartura,
Nunca pegô im meu pé
Era a mió criatura.
Só saía da paioça
Pra levá café na roça
Ou lavá rôpa no ri.
Nóis já tinha apreparado,
Tava inté incumendado
O nosso premêro fí.

Mais quando o pobe tá queto
Parece qui o cão dá fé,
Manda vim um disafeto
Pra prisiguí a muié.
Eu tava lá inucente
Acentado im meu batente
Quando chegô Ricardão.
Entrô sem pidí licença,
Premeêro oiô pra Vicença
Adispois me deu a mão.

Cumeçô falá bunito
Queren do me alugiá,
Eu cunfiei no maldito
Qui falava sem pará:
- Um ome Cuma você
Que trabáia pra vencê
Esse lugá num convém.
Eu arrumei um trabái
Hoje mermo você vai
Trabaiá lá no Pecém.

Você vai num caminhão
Mais Vicença vai ficá,
Eu vpu prestá atenção
Num dêcho nada fartá.
Ela vai tê assistença
Num savexe cum Vicença
Qui eu faço o qui pudé.
Aqui num vai tê pirigo
Qui você é meu amigo
E Vicença tombem é.

Tu vai trabaiá num porto
Qui o gunverno tá fazeno
O Dinhêro corre sorto
Já tem gente inriquiceno.
Cunfiei no condenado,
Currí lá dento avexado
E ajuntei meus terem.
Peguei a truxa cá mão,
Me apiei no caminhão
E me danei pru Pecém.

Andei quais noventa légua
Inriba do caminhão,
Pra quem só andava im égua
Foi a maió afrição.
Finarmente eu cheguei lá
Butaro eu pra trabaiá
Num açude bem grandão.
O bicho tava tão chei,
Qui eu num sei onde era o mei
Nem parêde e nem porão.

O feitô chei de istrupiço
Se dizeno sê letrado,
Mandô faze o serviço
Sem cunhecê o ditado:
- Água mole im peda dura,
Tanto bate até qui fura
É assim no meu lugá.
Tudo qui nóis lá fazia,
Vinha água e distruia
Num se agüentei por lá.

Pidí o meu pagamento
Num quisero me pagá
Eu me escanchei num jumento
Fui batê na capitá.
Foi adonde vei corage,
Pruque me dero a passage
Pra voltá pro Lamarão.
Mais na hora de chegá,
Foi qui fui disconfiá
Do safado Ricardão.

Inquanto eu aviajava
Pra miorá minha vida,
Ricardão atormentava
Minha Vicença quirida.
Dixe qui eu tinha murrido,
Qui no má tinha sumido
Amostrando um telegrama.
A coitada da Vicença,
Qui tinha pôca sabença

Num discunfiô da trama.
Chamô ela pra rezá
No quarto qui nóis drumia,
Mandô ela se adeitá
E abriu logo a barguia.
A pobe discunfiô
Mais ele logo agarrô
Pió qui a gôta serena.
Vicença fez tanto isforço,
Quebrô inté o pescoço
Mais num evitô a sena.

Cheguei no rancho quirido
Dixe: - Ô de casa Vicença!
Quando iscutei um gimido
Pirdí logo a paciença.
Entrei feito um furacão
Vicença tava no chão
Acabano de morrê.
Me contô tudo chorando
E me dixe soluçando:
- Sempre arrespeitei você.

Dei de garra dum machado
Qui eu guardava no oitão,
Afiei bem afiado
E fui atrás de Ricardão.
Quando cheguei no Quexado,
Avistei o condenado
Contando o qui tinha feito.
Eu dividi ele im dois,
Qui era prumode adispois
Doutô nenhum dá mais jeito.

O Lamarão nunca viu
Ôta istóra desse jeito
Nunca mais ninguém buliu
Cum as muié de respeito.
Se chegá gente de fora
O povo com a istora
Do preveço Ricardão.
Qui a mando do Satanás,
Acabô cum minha paz
Lá no sítio Lamarão.

Hoje vivo sem ninguém
Sem paz e sem paciença
Vivo sem amô tombem
Pruque vivo sem Vicença.
Vivo sem terra e sem teto,
Fugindo sem tê afeto
Nesse mundo sofredô.
Mais eu inda tem guardado
E nunca sai do meulado
O MACHADO VINGADÔ.

Quem foi o autor?
Essa vai confundir muita gente.

Se não gostar de cigarro não chegue perto de mim - Mundim do Vale

Enviado por Magnolia Fiuza. Estes versos o Mundim fez antes dos "carões" que recebeu dos amigos do Blog. Ei-los:

Um poeta amigo meu
Vive chamando atenção
Do meu cigarro na mão
Quando ele estar comigo
Diz que o fumo é inimigo
Que fede igual a cupim
Mas todo vicio é assim
De fumar eu não esbarro
Se não gostar de cigarro
Não chegue perto de mim

Já fumei continental
Também cachimbo e charuto
Cigarro de fumo bruto
E até mesmo mistral
Eu sei que o fumo faz mal
E tem que gente que acha ruim
Que é melhor tá num jardim
Do que aonde tem sarro
Quem não gostar de cigarro
Não chegue perto de mim

Se esta incomodado
Por causa do meu consumo
Fume também como eu fumo
Deixe o orgulho de lado
Se não quer comprar fiado
Peça um cigarro a Joaquim
Ou então a Soarim
E deixe de tanto esparro
Se não gostar de cigarro
Não chegue perto de mim

Meu colchão já foi queimado
Quando eu fumava dormindo
Jurei ao fogo subindo
Que só fumava acordado
Também fui prejudicado
Num carnaval em Fortim
Que uma moça disse assim
Com fumante eu não me agarro
Se não gostar de cigarro
Não chegue perto de mim

Poeta fique a vontade
Gostei de sua virtude
Zelar por minha saúde
É prova de amizade
Já fiz de tudo é verdade
Para no vício dar fim
Tou ficando até doidim
Mas morro e não desgarro
Quem não gostar de cigarro
Não chegue perto de mim

Sou viciado no fumo
Mas nunca fumei maconha
Sou um homem sem vergonha
Conheço bem o meu rumo
Mas vou ver se me aprumo
Tomando Chá de alecrim
Pedindo a São Serafim
Que me afaste dessa coisa
Só para ver Cláudio Sousa
Rimando perto de mim.
Mundim do Vale

Eleições no Crato de antigamente - Antonio Alves de Morais

Praça Siqueira Campos - Crato.

Postagem dedicada ao amigo do Blog - Carlos Eduardo Esmeraldo.

No Crato tivemos campanhas politicas memoráveis. Grandes personalidades, Deputado Federal, Deputado Estadual, vice-governador, presidente da Assembléia Legislativa, Senador da Republica e por ai vai. Tudo isso o Crato já ofereceu ao Ceará. Temos muitas proezas contadas das nossas eleições e muitos exemplos de homens publicos.
Numa delas, em décadas do século passado, Zé Tinino era candidato a Deputado Estadual. Num discurso emocionado, em cima de um palanque completo de grandes lideranças, Zé Tinino afirmava para uma platéia atenta e curiosa que: "Eu estou a poucos metros da Assembléia Legislativa do Ceará". Chico Soares, observando o movimento a certa distancia arrematou com um grito retumbante: "A 600 KMs mermo"!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DESAFÍO- Por Mundimdo Vale

POR CAUSO DE ZÉ MULATO

O lugá Cachoeirinha
Você sabe onde é que fica,
Tem até uma oiticica
Das gaias assim bem baixinha.
Pois bem, aquela casinha
Logo depois da cancela,
Morava eu e Maristela
Todo dois trabaidô.
Um cachorro caçadô
E um papagai tagarela.

Lá nós fizemo morada
Se danemo a trabaiá
Cavando o chão com as enxada
Até o sol esfriá.
Semeando sem pará
A vida que nós queria,
Vendo nascer todo dia
Bem distante da cidade,
Os pés de felicidade
Fulorando de alegria.

Peço até perdão premêro
Se isso for algum pecado
Mas num precisava gado,
Terra, cavalo, dinhêro,
Roupa e água de chêro
Falta isso num fazia,
Riqueza nós pissuia
Que era eu ter Maristela
E ela ter, eu perto dela
Que um sem outro, morria.

Pra nós ficá sastifeito
Bastava ouvi os trovão,
As água caí no chão
E os rio corrê nos leito.
Dava alegria no peito
Nós oiá a prantação,
De arroz, mi e feijão
Que cum suó nós regava.
Até onde a vista alcançava
O verde cobria o chão.

Na noite que num chovia
Nós corria pra calçada,
Ei ia cantá toada
Ou então fazer cantoria
Com o cabôco Zé Maria
Que em vinte légua pra frente
Era o maió no repente.
E nós bebendo cachaça,
Fazia o povo achar graça
Chorá e ri novamente.

Assim nós fumo levando
De vizim tinha um bocado
Mas cada um do seu lado.
E o que tava se passando,
Ninguém tava arreparando.
As coisa partícula
Ficava no seu lugá
Todo mundo era feliz.
Ninguém metia o nariz
Onde num devia entrá.

Aí foi nascendo os fí
Tudo bonito e corado,
Foi tanto do batizado
Quase acaba a água do ri.
Nunca mais eu esqueci
Do pequeno Valdemá,
Tinha Zefa, João, Sinhá,
Rosa, Vicente e Mané,
Expedito, Josué,
Carmelita e Juvená.

Depois eles foro crescendo
E sem precisá mandá,
Gostava de trabaiá
Dava gosto que só vendo
Os caboquim aprendendo,
Fazendo as obrigação,
Com muito calo nas mão,
Mas sem recramá de nada.
Saindo de madrugada
Voltando com a escuridão.

Todo ano nós colhia
Boa safra de algodão,
Que rendia algum tostão
Por que sempre nós vendia.
Até que chegou um dia
Um cabra dos ói de gato
Por nome de Zé Mulato
Faladô que era danado
E dos negoço atrapaiado
Que só carrêra de pato.

O danado foi chegando
Batendo palma, entroô,
Puxou um banco, sentô
E foi logo especulando.
Fez as conta calculando
Meteu as mão pelos pés
E acho que bicho em vez
De somá mutripicô
E o diabo é que calculô
Par mais de cem conto de réis.

Passou mais de duas hora
E depois de enchê o bucho,
Não comprô nem um capucho
Levantou-se e foi embora.
E pensando nisso agora
É que fico encabulado
De num tê desconfiado,
Que o infeliz queria
Era fazer vistoria
Pra robá os meus trocado.

Pois foi só eu me virá
Que o danado chegô
Na minha casa e robô.
E se fosse só robá
Minha raiva ia acalmá.
Mas num perdôo ninguém
Que pra levá uns vintém,
Feito um cabra bom de peia
Faça desgraça tão feia
E tenha de matá alguém.

Eu fui chegando e fui vendo
A casa toda queimada,
As coisa tudo espaiada
E meu cachorro correndo.
Eu fui logo me benzendo
Santa mãe imaculada
A famía tá acabada.
Subiu-me um fogo na veia,
Que quase me incendeia
O que inda tinha sobrado.

Peguei o meu bacamarte
Desses de pórva de ouvido
E num tô arrependido
De tê feito essa tal arte.
E foi aí nessa parte
Que eu com a bicha carregada,
De raiva, prego, ôi de enxada
Segurando a lazarina
Disse: - Agora ela lhe ensina
A num fazê conta errada.

Fui seguindo rastro e chêro
Que o cabra tinha deixado
E vi ele amofumbado
Na sombra de um juazêro.
Tava contando o dinhêro
E eu fui logo disparando
O ódio que eu ia levando.
Foi um tiro tão medonho
Que chega até o demonho
Vêi vê o mundo acabando.

Quando a puêra sentô
Eu já num tava mais lá
Corri até me cansar
E nem sei o que sobrô
Do caba que me robô.
Mas de mim, isso é verdade
Sobra uma grande saudade
Da casinha da cancela,
Onde eu e Maristela
Prantemo a felicidade.