Quando
nascemos abrimos os olhos para o mundo, dentro de um ambiente que se nos vai
tornando familiar, à proporção que os anos passam e à medida que nós vamos
integrando nele.
Tudo
em torno de nós começa, aos poucos, a fazer parte da nossa própria vida até
que, toma aspecto comum, sem que disso nós vamos dando conta.
A
vida decorre placidamente, entremeada apenas por ligeiros encrespamentos,
quando o próprio acervo do teatro em que nos movimentamos, desperta, e sai da
sua casa quase letargia.
Nossa imaginação se perde em fantasiar uma
vida mais ativa, mais cheia de imprevistos que nos proporcione algo mais
palpável, para satisfazer os nossos anseios.
O
tempo passa, os primeiros arroubos são amortecidos e aí, então, acontece o que
não esperávamos. Basta que distanciemos da paisagem amiga que nos acolheu e
abrigou para que comecemos a sentir nostalgia e darmos vida a aquilo que, às
vezes, passava despercebido.
Longe
começamos a rever, na imaginação, nos mínimos detalhes, aquele todo que nos pareceu
tão igual, invariável e quase insignificante.
Sentimos
algo se movimentar dentro de nós, uma sensação esquisita, agradável e benéfica
que faz com que nos transportemos, pelo espaço ilimitado, e nos façamos
presente ao tempo longínquo.
Assim
é que sem sabermos por que, aquelas pequenas coisas que nada significavam
outrora, atuam em nosso espírito e despertam sentimentos que não supúnhamos
fossem capazes de existir.
Passamos
a viver com a sombra das imagens de tudo que deixamos para trás, e a dar vida e
movimento ao que, até então, estava inanimado. Veem-se recordações do tempo de
nossa infância em que, livres e despreocupados, percorríamos alegres as veredas
do incógnito para atingimos uma meta até certo ponto imaginária.
Chegamos
à quadra da nossa juventude quando os sonhos e as ilusões preenchiam totalmente
aquela existência descuidada. Entramos então na realidade presente e vemos que
todos esses pensamentos, que povoam o nosso cérebro cansado, são resultantes da
saudade que nos atinge.
Começamos
a nos interessar por informações que constam do nosso banco de dados, algumas
delas contemporâneas, vividas e outras repassadas em conversas com pessoas que
já não se encontram em nosso meio.
Na
ausência de registros oficiais, essas informações verbais vão surgindo, pouco a
pouco, e muitas vezes bem ao gosto das conveniências e dos interesses de cada
época e cada povo, tornando-se reais para as gerações futuras.

Historiadores são recordadores da historia que muitos querem esquecer.
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