sábado, 25 de fevereiro de 2012

Já vem de outros carnavais -- por José Hildeberto Jamacaru de Aquino (*)

É certo que sem estar dopado de alguma forma não dá para aguentar. A bem da verdade nunca deu, mas hoje especialmente e raros os que não fazem. Antes era à custa de uma pinguinha bruta ou um rum com coca, ou até lança-perfume, que hoje parecem brinquedos inocentes. E disso os jovens atuais parecem ter ciência, não consciência. Daí apelarem para drogas cada vez mais pesadas quanto perigosas.

As cervejinhas - que os artistas, despudoradamente e a troco de um gordo patrocínio estimulam, basta que lhes paguem - já não trazem o efeito esperado. E aí, em que pese as autoridades tentarem impedir que se alastrem no meio da juventude, cada vez mais se consome entre os mais jovens, inclusive meninas que já não tímidas ou reservadas quanto antes - equiparam-se aos rapazes... e esses que se cuidem! Seria para aguentar o "Mamãe eu quero mamar" ou "Me dá um dinheiro aí" de milhões de anos atrás (acabou-se a criatividade)? Ou então suportar o estrelismo das estrelas baianas com seus axés repetitivos que arrastam a pipocada inconsequentemente e livremente solta? Tem até bandas de forró que se atrevem animar o carnaval. É... Tem gosto pra tudo! Se pararmos e, sem estimulantes na cabeça, repararmos bem, até as maiores atrações do carnaval e do mundo que são os desfiles das escolas de samba do Rio e São Paulo já estão recebendo críticas, severas, de pessoas do próprio meio.

Percebam que os carros continuam a quebrar nas avenidas, as baianas mal rodopiam, as coreografias das alas são repetitivas, sem inovações e apenas preenchendo espaços. Aos sambas falta-lhes poesia, inspiração, alma. Juntam-se um punhado de pseudosambistas e em quantidade (não qualidade) cada vez maior formam grupos que escolhem um tema e montam o "samba enredo" geralmente patrocinado. Uns já apelativos porquanto a política já se infiltrou e os carnavalescos direcionam os enredos à serviço desses que até então estão a dever, e muito, à Nação. Dessas mal sucedidas inspirações sai uma colcha de retalhos, sem melodia, sem sentimentos e apenas voltada para conveniências comerciais; samba mesmo não! Um bom enredo e que calharia bem seria "Apuração: Tumulto e vandalismo dos inconformados".
Enfim, escolas que seriam uma força representativa da cultura da comunidade e realce de suas tradições, hoje, comercializadas, o que ainda as salva nos desfiles são o requinte, criatividade e arte dos carros alegóricos e os estrangeiros que, deslumbrados porque nunca viram antes, agora são em número cada vez maior. E a "festa" continua... Mantém-se!

(*) José Hildeberto Jamacaru de Aquino, cratense. No momento residindo em Russas (CE). E-mail: hildebertoaquino@yahoo.com.br

NÃO SOU MAIS RAPAZ - Por Mundim do Vale.


Assis de Zé do Carmo, moço trabalhador era o que podia se chamar de pau pra toda obra. Vivia em Várzea Alegre fazendo todo tipo de trabalho. Capava porco, batia tijolos, Catava oiticica, esgotava cacimbão e ainda era o melhor condutor de caixão de defunto. Mas como ninguém é perfeito, Assis tinha uma falta, quando bebia falava fino e se requebrava.
Assis começou um namoro com Terta de Chico Félix e já falava em casamento. Quando a família de Terta soube foi contra, por conta disto ele roubou a moça e deixou na casa de Zé Raimundo da Vazante a quem ele chamava de padim Zé.
Terta ficou lá ajudando nas prendas da casa enquanto Assis foi
Trabalhar, para no prazo de três meses se casarem.
Não passou nem um mês um guarda da febre amarela carregou Terta pras bandas do Inhamuns. Não houve mais quem tivesse notícias dos dois.
Quando Assis soube da fuga da noiva, endoidou. Deixou o serviço da olaria e saiu na rua bebendo, chorando e se requebrando..
Zé Raimundo mandou um recado para que Assis fosse até a Vazante para falar com ele.Assis atendeu mas quando passava no oitão da casa viu um tamanco que Terta na pressa da fuga deixou cair no pé da janela. Ele pegou esse tamanco cherou o couro, beijou o pau e caiu novamente numa crise de choro e de requebrado. Foi para a frente da casa, sentou na beirada da calçada e ficou lamentando quando Zé Raimundo falou:
- Assis, seja homem. Foi melhor assim, Terta não servia para você.
Assis respondeu:
- É mais quando eu me alembro dela, me dá um disgosto tão grande. Ainda mais agora qui eu achei o tamanquim qui mandei Abidom fazer no dia do anivessaro dela.
- Mas esse negócio já está virando palhaçada, só você foi que não notou ainda
- O sinhô num sabe o qui eu tou sintindo. Pimenta no meu fundo no do
do sinhô é ponche.
- Deixe de conversa besta, esqueça Terta e vá trabalhar.
- Padim Zé só tá dizendo isso é pruque num foi madinha Ana qui fez
cum o sinhô
- Deixe de comparação besta e vá cuidar da vida que é melhor. E se quiser saber mais, Terta nem era mais moça.
- E o que qui tem? Eu tombém num sou mais rapaz!

Reprisado para o meu povo da Vazante.

O BICHO COMEU.

Depois de sete anos desse acontecido Terta chegou em Várzea Alegre sem o fiscal e arrastando cinco meninos desnutridos.
A primeira pessoa que ela procurou foi Assis. Conversaram um pouco e depois da conversa Assis foi procurar o seu padrinho e consultor Zé Raimundo da Vazante:
- Padim Zé. Eu vim aqui cunversá cum o Sinhô pruque Terta chegou im Rajalegue, Padim salembra dela, num salembra?
- Me lembro Assis. Foi ela que fez você sofrer quando estava pra casar com você e fugiu com aquele fiscal da febre amarela.
- Apois é. Mais ela me dixe qui tá arripindida, pruque o fiscal fez cinco minino nela e quando acabar fugiu cum a muié do batedor de repique, lá pras banda de Orora.
Ela vei me preguntá se eu quiria sajuntá cum ela, prumode ajudar a criar os bichim.
- Tem futuro não Assis. Ela já fez uma vez e não custa nada fazer novamente.
- Apois eu vou sajuntá cum ela! Padim Zé num sabe qui o qui é do ome o bicho num come?
Sei Zé. Só que no caso específico O BICHO COMEU.

Festinhas do Planalto.

Gastos do governo com festas crescem 314%  nos últimos cinco anos. Nem a queda de sete ministros por
suspeitas de corrupção, muito menos os cortes orçamentários e a estagnação de programas carros-chefes do governo como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida atrapalharam o governo federal de bancar festividades oficiais e homenagens ao longo de 2011, quando os gastos em comemorações atingiram R$ 54,2 milhões, 19,5% a mais do que no ano anterior (R$ 45,4 milhões). Se levarmos em conta os dispêndios para esse tipo de evento nos últimos cinco anos o crescimento é de 314%.
Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), divulgados pela ONG Contas Abertas, em 2007, primeiro ano do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tais despesas somaram pouco mais de R$ 17 milhões.
No ano seguinte, tiveram um acréscimo de 40% e saltaram para R$ 24 milhões. Já em 2009 o aumento foi de 30%, ultrapassando os R$ 31 milhões. Em 2010, ano das eleições presidenciais, o governo desembolsou R$ 45,5 milhões, o que representou um aumento de quase 45% em relação ao ano anterior.
O levantamento mostra que esses gastos têm crescido de forma significativa. E essa rubrica (festividade) acaba sendo utilizada por inúmeras unidades gestoras. Podemos ver uma homenagem aqui, outra festividade ali. Mas de grão em grão a galinha enche o papo. Um valor que chega a R$ 54 milhões é um gasto relevante diz o economista Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas.
Essa é uma das despesas em que é possível o governo fazer um esforço para reduzir os gastos. É um conjunto de solenidades muitas vezes que pouco podem acrescentar. O que não pode acontecer é esses gastos se generalizarem - critica ele. 
Fonte : Blog do Noblat.

Lampião Moderno - Carlos Araújo - Na locução de Agnaldo Silva.


Cantiga por Luciana - Evinha - Trio Esperança.

Bom para os ouvidos. Limpa-os. Salva-os dessa poluição atual que os transforma em pinicos.

Andrezadas III - Por A. Morais

O ano não interessa, mas André Junior e Daniel de Chico Piau num determinado carnaval se vestiram de mulher, puseram umas perucas loiras e deram um show de simpatias nas avenidas. 

No CREVA, resolveram  tomar banho de piscina com as vestes  do carnaval, em pleno baile, o que causou grande fuzuê e rebuliço. Os primos do Lions chamaram a policia e só não houve prisão porque  tomamos a frente, os retiramos do Clube e levamos para casa do Chico Piau onde foram dormir. 

No outro dia, pela manha, Chico Piau foi  fazer a inspeção nos quartos e viu os dois dormindo na mesma cama. Chico chamou Dona Lourdes e perguntou: Lourdes, pelo amor de Deus, onde foi que Daniel encontrou  essa quenga tão feia? 

Quando André Junior chegou no Sanharol, desconfiado que só frango capado, a historia do banho do CREVA já estava espalhada, corria de boca em boca mundo a fora. No Sanharol os "cabas" gostam de uma conversinha. Então o velho José André, o avô, pegou três sabonetes e cinco toalhas e disse: meu filho, vá ao banheiro e tome "vinte" banhos seguidos, atrás um do outro, para nunca mais ser preciso usar a piscina dos homens.

A samambaia e o bambu - Enviado por Rogeanny Santana.

Certo dia decidi dar-me por vencido, renunciei ao meu trabalho, às minhas relações, e à minha fé. Resolvi desistir até da minha vida. Dirigi-me ao bosque para ter uma última conversa com Deus. “Deus," eu disse "Poderias dar-me uma boa razão para eu não entregar os pontos?” 

Sua resposta me surpreendeu: “Olha em redor Estás vendo a samambaia e o bambu?” “Sim, estou vendo”, respondi. "Pois bem. Quando eu semeei as samambaias e o bambu, cuidei deles muito bem. Não lhes deixei faltar luz e água. 
A samambaia cresceu rapidamente, seu verde brilhante cobria o solo. Porém, da semente do bambu nada saía.  Apesar disso, eu não desisti do bambu.  No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais brilhante e viçosa. E, novamente, da semente do bambu, nada apareceu. Mas, eu não desisti do bambu. No terceiro ano, no quarto, a mesma coisa… Mas, eu não desisti. Mas… no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra. 
Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até insignificante. Seis meses depois, o bambu cresceu mais de 50 metros de altura. Ele ficara cinco anos afundando raízes. Aquelas raízes o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver. A nenhuma de minhas criaturas eu faria um desafio que elas não pudessem superar” E olhando bem no meu íntimo, disse: Sabes que durante todo esse tempo em que vens lutando, na verdade estavas criando raízes? Eu jamais desistiria do bambu. Nunca desistiria de ti. Não te compares com outros. “O bambu foi criado com uma finalidade diferente da samambaia, mas ambos eram necessários para fazer do bosque um lugar bonito”. “Teu tempo vai chegar” disse-me Deus. “Crescerás muito!”
Quanto tenho de crescer? perguntei. “Tão alto como o bambu” foi a resposta. E eu deduzi: Tão alto quanto puder! Um escritor de nome Covey escreveu: "Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava." 
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos...Especialmente no nosso trabalho, (que é sempre um grande projeto em nossas vidas) Devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão. Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a Persistência e a Paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos! 
É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.
Nunca te arrependas de um dia de tua vida.

Psicologia.

A palavra psicologia é formada de duas palavras gregas: psique, que significa alma, e logos, que significa estudo, ciência. Portanto, etimologicamente, psicologia significa estudo da alma.

Com o passar do tempo, a palavra psicologia tem sido usada para indicar o estudo da alma, da mente e ou do comportamento. Atualmente, para a maioria dos psicólogos, indica o estudo do comportamento dos organismos.

Desde muito tempo, tem aparecido estudos e teorias sobre a mente humana, mas a psicologia só foi considerada ciência no fim do seculo XIX, quando os estudiosos empregaram métodos de observação cuidadosos e sistemáticos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pery Ribeiro morre aos 74 anos.

Morreu hoje  (24), no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Niterói, aos 74 anos, o cantor e compositor Pery Ribeiro. Ele sofreu um enfarte fulminante.
A mulher de Pery, a empresária Ana Duarte, informou que o cantor estava internado havia 30 dias para tratamento de uma endocardite e tinha alta programada para esta semana. O velório será na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia.
Peri Oliveira Martins nasceu no Rio de Janeiro no dia 27 de outubro de 1937. Era filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Tinha seis irmãos (quatro por parte de pai, um de pai e mãe, e uma irmã adotiva, por parte de mãe). Foi um grande admirador da obra artística de seus pais, e através deles conseguiu se decidir e apreciar a música, seguindo a carreira de cantor.
Despontou como cantor ainda na infância, e logo se tornou sucesso. Na chegada à adolescência passou a fazer shows profissionais.
Mais tarde no anos 50, passou a adotar o nome artístico de Pery Ribeiro, por sugestão do radialista César de Alencar. O primeiro disco foi gravado em 1960, mesmo ano em que estreou como compositor com a música "Não Devo Insistir", com Dora Lopes. Em 1961 foi o intérprete de Manhã de Carnaval e Samba de Orfeu, ambas de Luiz Bonfá e Antônio Maria.
Pery gravou a primeira versão comercial da canção Garota de Ipanema, sucesso em todo o mundo, além de 12 discos dedicados à Bossa Nova. A partir da década de 1970, desenvolveu trabalhos mais jazzísticos, ao lado de Leny Andrade, viajando pelo México e Estados Unidos, onde atuou também ao lado do conjunto de Sérgio Mendes.
Entre os 50 troféus e 12 prêmios que ganhou, estão o Troféu Roquette Pinto, o troféu Chico Viola e o Troféu Imprensa. Foi apresentador de programas de televisão e participou de alguns filmes no cinema nacional.

Tristeza.


SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

VERDADEIRO AMOR

- A senhora tem de dormir, vovó! Tome, ao menos, este comprimido!
- Não quero! – Falava, com segurança, dona Francisca. – Pois vou ter que lhe levar ao médico para uma consulta. Não existe outra solução, já que a senhora se recusa a tomar qualquer calmante.

Dona Francisca era a esposa de seu Manuel, recém-falecido de câncer de mama, neoplasia, que apesar de rara no sexo masculino, existe. Ele, como ela, também tinha pavor a médicos e a medicamentos. Recusara-se, até o último momento de sua vida, a procurar um serviço de saúde para tratamento especializado. Neste caso, a família também foi conivente diante de tão importante decisão.

Dia seguinte, a agente comunitária de saúde conduz o médico para uma visita domiciliar na casa de sua avó. Dona Francisca, já trocada e sempre choramingando, conversa com o profissional de forma monossilábica. Os sintomas variavam de uma vaga tristeza até crises fortes de choro, passando por desilusão e falta de vontade para viver. Não ia mais à missa, nem tampouco participava das reuniões sociais, que antes gostava tanto no seio de sua pequena comunidade rural.

O médico, após conversa reservada com outros membros da família, descobriu que a vida naquela residência estava muito desregrada. A matriarca não dormia, nem permitia o sono tranquilo dos outros. Chorava o tempo todo e já começava a verbalizar ideias suicidas. Não restava outra opção, senão tratar de forma medicamentosa e com dosagens fortes de remédios aquela descompensada depressão.

- Até breve, dona Francisca. – Bradou o médico após preencher o receituário com uma medicação para tratar aquele mal que tanto maltrata as pessoas, deixando-as melancólicas e chorosas.

Três semanas depois, tempo necessário para que a medicação alcançasse o seu efeito máximo, o esculápio volta àquela casa para rever a sua paciente, apesar de já ter sido avisado da grande melhora alcançada com a sua prescrição.

- E aí, dona Francisca, está se sentindo melhor? Já fui informado que parou de chorar e que já ensaiou algumas gargalhadas. Fiquei muito feliz com o resultado do tratamento.
- É verdade, doutor. Aquela tristeza que eu sentia, eu não sinto mais. Porém, quero que o senhor suspenda, imediatamente, toda a medicação, pois não vou tomar mais nenhum comprimido.
- O médico, sem entender, indaga. – Mas por que, minha senhora?
- É que o senhor passou um remédio para eu esquecer o meu falecido marido. E eu não quero isso para mim!

- Ao médico, restou apenas o consolo de mais uma história pitoresca para a sua coleção.

CBCC - Cesta Básica da Cultura e do Conhecimento - Por Manoel Monteiro

Dedicado aos poetas - Israel Batista, Sávio Pinheiro, Mundim do Vale e Claudio Sousa.

Brasil, País do futuro,
Aonde, já no presente,
Precisamos plantar letras
Nas terras férteis da mente,
Tal plantação, se benfeita
Amanhã boa colheita
Advirá certamente.

Se o povo tivesse livros,
Fome não existiria,
Livro em sendo o pão da alma
Negar livros é grosseria
Oh, bendito o que semeia
Livros, livros de mão cheia
Castro Alves nos diria.

Quem lê tem ao seu dispor
Passaporte pra viagens,
Visita a terra e a lua,
Se não gostar das passagens
Por um motivo qualquer
Volta na hora que quiser
É só trocar as passagens.

A CBCC dos livros
Não deveria faltar
Nas escolas mais distantes
Para o leitor mergulhar
Na piscina da cultura
De agua doce, limpa e pura
E ao espirito refrescar.

O MEC e as Secretarias
De Educação dos Estados
Devem hastear a bandeira
Dos livros cordelizados,
Porque ler traz alegria
E, se o texto é poesia,
Os encantos são dobrados.

A linguagem do cordel
É popular e direta,
Toca a alma e instrui
Por ser escrita correta.
Desde que se tem lembrança
O adulto e a criança
Gostam de ouvir o poeta.

Uma aula feito em versos
É mais um divertimento,
Por isso que a Cesta Básica
Cultura e Conhecimento
Alimenta a consciência
Com a mesma eficiência
Que uma cesta de alimento.

Quero ver por toda esquina,
Biblioteca, escola e praça,
O direito garantido
De se ter livro de graça,
O que há de permitir
O sucesso no porvir
Que o pincel do saber traça.

Saúde.



"A Saúde no Brasil está se transformando, cada vez mais, em caso de polícia".

Pedro Simon, senador (PMDB-RS), sobre a morte do filho do presidente da Embratur, Flávio Dino, em um hospital em Brasília

Andrezadas II - Por A. Morais


Outro dos André mandou o filho André ir o mercearria comprar uma rapadura. O garoto pegou a bicicleta e saiu em disparada. A reca de irmãos que ficou em casa não via a hora do André retornar com a mercadoria e fazer o guisado. 

O portador  comprou a encomenda e voltou para casa, mas não teve a devida paciência de esperar chegar junto aos outros irmãos para dividir  o saboroso doce. Começou pelos cantos, quebrava um, depois o outro e de dentada em dentada a rapadura ficou redonda. Onde já se viu engenho  com forma redonda. 

O dos André, pai do garoto, era  disciplinador e carrasco. Não permitia filho com esse tipo de comportamento. Diante disso o André com o buchim cheio e com medo de ser castigado atirou o restante da rapadura no "Riacho do Feijão" e engenhou uma historia cabeluda que convenceu até o pai: a rapadura caiu  do bagageiro da bicicleta e ele não viu.

Neste dia a meninada restante ficou com o bico doce, ficou só na vontade. Não é difícil identificar o autor dessa "Andrezada", pois  no caminho o Riacho do Feijão foi a grande salva guarda e defesa do André sabidinho. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

OURO BRANCO - Por Mundim do Vale


OURO BRANCO, era como chamavam o algodão nas décadas de 50 e 60.
Eu fui testemunha dos benefícios trazidos por aquela cultura. Principalmente para nós nordestinos. Ganhava o governo com as divisas geradas pelos impostos de importação, ganhava os usineiros com o beneficiamento do algodão e seus derivados, como o resíduo, o óleo, o sabão e outros mais. Ganhavam os agricultores, que com poucas arroubas vendida, cercavam a propriedade, faziam cacimbões e compravam algumas cabeças de gado. Ganhavam os colhedores que trabalhavam ganhando por quilo colhido.
Na nossa pequena Várzea Alegre, o comércio estendia o crédito de janeiro a agosto aos agricultores, para receber depois da colheita. E é bom que se diga que não tinha nenhuma alteração no valor, em virtude de não haver inflação.
Era o ouro branco que garantia aos nossos conterrâneos dos sítios:
Uma roupa nova, um calçado, a esmola de São Raimundo, a cerveja gelada na barraca de Bié e a sopa no café de Domicília.
O jornal Correio do Ceará estampou uma vez na sua primeira página a seguinte matéria. “ Em Iguatu o agricultor Chagas Neves, colheu na sua primeira apanha 16 mil arroubas de algodão.”
Respeitando as devidas proporções, foi naqueles anos que a paróquia de várzea Alegre, recolheu mais esmolas para o padroeiro.
Mesmo com as poucas e distantes faculdades da época, foi graças ao ouro branco, que alguns dos nossos conterrâneos formaram se nos mais diversos cursos.
A colheita de algodão era uma festa, as crianças participavam sem nenhum compromisso de trabalho, eles catavam o algodão mais baixo, para assim pouparem as colunas dos mais idosos.
Se aquela cultura tivesse continuado como foi um tempo, a história do nordeste hoje seria contada diferente.
Há quem diga que os benefícios advindos do governo como: Bolsa família, aposentadoria por idade e outros mais, vieram para compensar a falta do ouro branco. Perdoem-me os que assim raciocinam, Mas eu não concordo pelos motivos a saber:

. O ouro branco beneficiava ocupando.
. O governo beneficia desocupando.

Dedicado a Flor da Serra, filha e neta de agricultores e usineiros do ouro branco.

Nota do autor;
Para que não pareça que eu sou o dono da razão, disponibilizo o espaço abaixo para comentários e até debate se for o caso.
Abraços.
Mundim do Vale.