terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Marisa Letícia, a fábula - Por Mary Zaidan.

Protagonista de absurdos - dos canteiros em formato de estrela que mandou plantar nos jardins do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto à requisição e obtenção de cidadania italiana para ela e a prole no segundo ano do primeiro mandato presidencial de seu marido -, Marisa Letícia Lula da Silva volta à cena. E em grande estilo. Seria dela a opção de compra do tríplex frente ao mar no Guarujá, alvo de investigações do Ministério Público de São Paulo e da Lava Jato. O mesmo imóvel que já foi, era e nunca foi de Lula.

Idealizado pela Bancoop, cooperativa criada em 1996 pelos petistas ilustres Ricardo Berzoini, hoje ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, condenado a 15 anos e quatro meses pelo juiz Sérgio Moro, o tríplex apareceu na declaração do candidato Lula, em 2006, com um valor irrisório de R$ 47,6 mil. Referia-se a uma parcela do financiamento do Edifício Solaris, então na planta, em que outros petistas, incluindo Vaccari, tinham comprado apartamentos.

Até aí, o anormal era apenas o fato de a Bancoop lançar um empreendimento de alto luxo depois de já ter dado cano na praça, usurpando a poupança e os sonhos de mais de três mil cooperados. Algo que Lula, como sempre, alegará que não sabia.


A estapafúrdia história do tríplex não para aí.

Em 2010, a assessoria de Lula garantiu que o apartamento pertencia ao ex. Quatro anos depois, o Globo publicou reportagem sobre o Solaris apontando que o prédio tinha sido concluído enquanto os mutuários da Bancoop continuavam a chupar dedos. E que a unidade de Lula e sua mulher tinha recebido tratamento de alto luxo da OAS, empreiteira que assumiu o empreendimento: elevador interno, substituição de pisos e da piscina. Tudo supervisionado e aprovado por Marisa Letícia.

De repente, com as investigações esquentando, o frente ao mar do casal (ou de Lula, conforme declaração anterior) virou um negócio exclusivo de Marisa Letícia. Do qual, no papel de The good wife, ela desistiu.

Sabe-se hoje que as idas da ex-primeira-dama ao Solaris causavam frisson. Flores eram colocadas nas áreas comuns, todos ficavam sabendo quando ela chegava. Sabe-se ainda que o presidente da OAS, Leo Pinheiro, condenado pela Lava Jato a 15 anos de reclusão, esteve lá com ela em pelo menos uma das visitas.

E aqui vale a questão: o que faria o dono de uma das maiores empreiteiras do país acompanhar Marisa Letícia na vistoria de uma simples reforma de um apartamento se o imóvel não fosse do ex-primeiro-casal?

Mas há muitas outras perguntas sem respostas. Em um artigo didático, o jornalista Josias de Souza mostra a ausência absoluta de nexo nas explicações de Lula. Argumentos que não explicam, confundem.

Confundir. Talvez seja essa a ideia ou a única saída imaginada por Lula.

Sem conseguir dizer quanto pagou além dos R$ 47,6 mil declarados em 2006 ou apresentar recibos da desistência, com data e valores de reembolso exigidos, tudo que o Instituto Lula fala beira papo para engambelar otário. Nem mesmo a cota nominal para demonstrar que a opção de compra do apartamento foi mesmo de Marisa veio a público. São documentos simples, claros, objetivos. Mostrá-los livraria o Instituto Lula e o próprio ex de torturar os fatos.

Sem isso, resta a Lula, ao PT e aos militantes mais aguerridos atribuir tudo à perseguição histórica ao ex. Tudo – tríplex reformado pela OAS, sítio recauchutado pela Odebrecht, filho que recebe R$ 2,5 milhões por consultoria via Google, os “não sabia” do Mensalão, do escândalo da Petrobras e tantos outros – não passa de uma conspiração para “derreter Lula” e “destruir o PT”, como clama o presidente da sigla, Rui Falcão.

O conto do tríplex ainda vai longe. Mas de cara já se sabe: tem orelha de lobo, focinho de lobo, boca e dentes de lobo. Ninguém vai acreditar que é a vovozinha.


LULA TRATA OS BRASILEIROS COMO SE FOSSEM IDIOTAS - Por Ricardo Noblat

Em respeito à inteligência coletiva, recomenda-se a Lula que invente outra desculpa para a reforma do sítio de Atibaia. A do tríplex não colou.

Sem despesas pessoais, pelo menos, durante os 8 anos em que governou o país, e tendo recebido rios de dinheiros de empreiteiras para fazer palestras e, desconfia-se, lobby, nada mais natural do que Lula dispor de renda suficiente para comprar um tríplex com vista para o mar na praia do Guarujá, e reformar seu sítio em Atibaia, interior de São Paulo.

Mas não é disso que se trata. Trata-se do que existe de escandaloso, de imoral, de agressão à ética pública em se aceitar “agrados” de empreiteiras fornecedoras do governo.

Vejam que nem falo da suspeita de que as reformas do seu apartamento no Guarujá e do sítio em Atibaia serviram para que a OAS e a Odebrecht o remunerassem por fora.

Caberá ao Ministério Público e, mais tarde à Justiça, dizer se a suspeita tinha cabimento ou não.

Um homem público não pode aceitar regalos de quem quer que seja, muito menos de quem está sujeito aos efeitos de suas possíveis decisões.

É por isso que mesmo um presidente da República, ou principalmente ele, é proibido de receber presentes que excedam determinado valor.

A condição de ex-presidente ou de ex qualquer coisa que dependa do voto, não libera ninguém da obrigação de se comportar com sobriedade, bom senso, e respeito ao que manda a lei ou o consenso social.

Lula não é um ex-homem público. Continua sendo um homem público. E costuma apresentar-se como a “alma viva mais honesta” do país.

Ou, num surto de modéstia incontida, como uma das almas vivas mais honestas. De resto, como ele mesmo admite, ainda poderá ser candidato à presidência da República. Seria a sexta vez.

Só um idiota acreditará na história de que a OAS gastou mais de um milhão de reais para reformar um tríplex que poderia ou não vir a interessar a Lula.

Ela o reformou, sim, para atender às exigências do casal Lula da Silva, que só renunciou ao mimo porque a maracutaia acabou descoberta.

Quanto ao sítio, onde a Odebrecht gastou, pagando com dinheiro vivo, mais de R$ 500 mil: certamente Lula dirá que não lhe pertence. Que está registrado em nome de dois sócios de um dos seus filhos.

Isso significa que a Odebrecht gastou uma boa nota com um sítio de terceiros só porque o ex-presidente, de vez em quando, lá se hospeda.

Quanta generosidade! Quanto cinismo!

Em respeito à inteligência coletiva, recomenda-se a Lula que invente outra desculpa para a reforma do sítio de Atibaia. A do tríplex não colou.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Diário Brasil.

De líder confiante e dono do mundo, restou apenas um idoso destruído. O fim do papudo pode ser na Papuda.

Parece que Lula já gastou todos os trunfos que tinha. Ele fez de tudo. Indicou ministros para o STF, recrutou políticos da pior espécie, corrompeu, ameaçou, negou (como sempre) ,chantageou, desafiou  e fez um pacto com tudo o que não presta.

Lula ordenou, mandou, pediu. implorou, se humilhou e esgotou seus recursos. Agora já era.

A cada detalhe jurídico do STF, enlameado com a falta de ética dos Teori e Levandowski da vida, Moro e Cia criavam um antídoto. Trabalho meticuloso. Mescla de xadrez, prevendo lances futuros.

Paciência, sabendo esperar a hora certa para pegar o touro na unha.

A Coisa foi tão bem cercada, que o STF, guiado por interesses puramente politico partidários, quase colocou em xeque toda a credibilidade do judiciário brasileiro.

Lula não tem não tem força. Agora é esperar a mordida. A jugular está exposta.

Da imagem do líder arrogante, confiante e dono do mundo, restou um velho destruído, derrotado, sem controle de seu destino, com problemas de saúde física e mental.

O retrato de um moribundo que tende a se agravar. O tsunami mal começou. Familiares temem até uma tentativa de suicídio, vindo de “outrem”.

Em Terra que avião cai sem caixa preta, ser suicidado não é improvável. Batata sempre assa, antes de arquivo começar a queimar. Ele está no chão e cada dia mais solitário. Seguidores “leais” estão a lhe dar um sonoro dane-se, e crescem em sequência geométrica.

As provas contra o barbudo não param de chegar. Mas a Policia Federal quer mais. Quer se alinhavar de tal forma para que tudo seja executado num bote só.

O fim do papudo poderá ser na Papuda, em companhia de velhos “cumpanheros”. Quando lá chegar, certamente não será bem recebido. Tem gente lá dentro, louco pra servir seu fígado no jantar.

Mesmo os maiores opositores se rendem. Moro é muito bom no que faz. Corre à boca miúda:

Depois da queda do Chefe, vai atrás de determinados magistrados marionetes. Esse o Brasil levanta pra aplaudir.

Congresso inicia 2016 sob escombros de 2015 - Por Josias de Souza.

Termina nesta terça-feira o recesso parlamentar. Quem olhar para o Congresso verá o pretérito passando diante dos olhos. Deputados e senadores abrirão o ano legislativo de 2016 sob os escombros de 2015. Vivo, Cazuza definiria a agenda legislativa do ano como um museu de novidades: o impeachment, as contas de Dilma rejeitadas pelo TCU, a DRU, a CPMF… Tudo isso sob o comando dos suspeitos de sempre: Eduardo Cunha e Renan Calheiros —o primeiro mordendo Dilma Rousseff na Câmara. O segundo soprando a presidente no Senado.

O Congresso saiu em férias pouco depois de o petista Nelson Barbosa assumir o Ministério da Fazenda, com o compromisso de virar a página do ajuste fiscal que o governo não deixou Joaquim Levy executar. E volta à ativa uma semana depois de Dilma informar aos membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, que a página do ajuste será virada para trás. Contra a recessão, ideias velhas como a oferta de R$ 83 bilhões em crédito subsidiado. Contra o rombo nas contas públicas, a recriação da CPMF.

Noutros tempos, os 45 dias de férias talvez dessem aos parlamentares uma perspectiva renovada do Brasil, pois enxergariam o antes e o depois sem a dispersão que os distrai nos plenários da Câmara e do Senado. Hoje, se um congressista pergunta aos colegas o que estão achando do Brasil na volta ao trabalho, arrisca-se a ouvir uma mesma resposta: como piorou, né?

Como manda a Constituição, Dilma enviará ao Congresso uma mensagem para ser lida na primeira sessão do ano. Nela, a presidente prestará contas do que imagina já ter realizado e informará o que ainda se julga capaz de fazer. Em fevereiro de 2015, a mensagem de Dilma partia de premissas frágeis, para chegar a conclusões equivocadas. A credibilidade da peça pode ser medida em dois trechos.

Num trecho, a presidente prometia ajustar a economia sem “recessão e retrocesso.” Noutro, sustentava que seu governo tem “combatido sem trégua a corrupção.” Em 2016, o Brasil caminha para o terceiro ano de recessão. E a Lava Jato já se acerca até de Lula. A despeito disso, Dilma manterá o timbre otimista na nova mensagem ao Legislativo. Anotará que o país sairá da crise mais forte e competitivo. Para facilitar, pede a abertura de um diálogo inspirado no lema dos mosqueteiros: um por todos, todos por hummmm…

Prevalecendo o modelo preconizado por Dilma, o sistema econômico vigente no Brasil não será nem o capitalismo nem o socialismo, será o crédito consignado. Os brasileiros se dividirão em credores (poucos) e devedores (todo o resto). O crédito (empresarial e pessoal) será a nova religião. O diabo é que, já mergulhados em dívidas, os devotos talvez prefiram se abster.

Com a inflação a pino, Dilma atravessa seu sexto ano no poder. Há cinco anos, ela achou que era hora de enfrentar o tigre. Por algum tempo, acreditou poderia continuar correndo na frente do tigre. O tigre pegou o Brasil. Agora, Dilma tenta o milagre de convencer o Congresso e o país que foi melhor assim, que o tigre não é tão ruim quanto parece e, pensando bem, é bom ser devorado pelo tigre. Desde que o Congresso colabore e o brasileiro se finja de bobo. Pelo bem do Brasil.

Ateismo, moda e status - Antonio Alves de Morais



"O ateísmo, que por sinal, hoje é moda e status não é coisa nova. No tempo de Cristo havia milhares e milhares de incrédulos e perseguidores.

Tinham um coração de pedra, fechados nos seus preconceitos. Os pecados dos homens não incomodavam tanto a Cristo, mas sim a falta de fé. Para os pecadores ele se torna amigo, mas quando se trata da falta de fé repreende severamente.

Vergonha não é ter uma fé, uma religião. Ridículo é negar a Deus por ter vergonha de segui-lo".


Lulinha na mira da Lava Jato - Revista Veja


O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, aceitou contar para a Lava Jato detalhes sobre a compra da Gamecorp, de Lulinha.

Diz a Veja:

Azevedo dirá que a antiga Telemar, que foi rebatizada de Oi, comprou cerca de 30% da Gamecorp, por 5 milhões de reais, em 2005, a pedido de Lula.

Naquela época, o presidente sabia que o banqueiro Daniel Dantas apresentara uma oferta para se tornar sócio da Gamecorp. 

Como queria Dantas longe de seu filho e de seu governo, o petista, segundo Azevedo, pediu aos donos da Telemar/Oi, entre eles a Andrade Gutierrez, que apresentassem uma oferta agressiva de compra dos papéis da empresa de seu primogênito. 

"Assim foi feito”.

Janot assina acordo de delação da Andrade Gutierrez, que implica Sérgio Cabral, dois senadores e um ministro - POR LAURO JARDIM.


Depois de quase cinquenta dias, Rodrigo Janot assinou, enfim, o acordo de delação premiada da Andrade Gutierrez. Ou mais precisamente dos onze executivos do grupo.

O que está prometido atinge diretamente gente graúda da política, como Sérgio Cabral (foto), os senadores Edison Lobão e Jader Barbalho, e o ministro Eduardo Braga.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Equipe desfalcada - Antonio Alves de Morais.


Em pé, da esquerda para direita: Pedro, Vitorino, Raimundo de Borginho, Buita, Raimundo Vaca Velha, Tigela. Sentados mesma ordem: Olímpio, João de João Doca, Negrinho de seu Totô, Ronaldo e Vicente Boca de Fogo.


Já temos contado e recontado historias e estorias de futebol em Várzea-Alegre das mais diversas. Esta é simplesmente inusitada.

Várzea-Alegre  era tradicional em ter  grandes equipes até que construíram um bom estadio e depois dele nunca mais formou  um bom time.

Vamos ao que interessa. Na década de 60 do seculo passado, tivemos varias equipes mirins. A mais conhecida era o Alvorada coordenada pelo desportista Azarias Martins.

Na equipe tinha dois irmãos cujo pai não queria saber de filho jogando bola. Pra ele  futebol era coisa de malandro.  Nos jogos, o pai, vez por outra, dava uma olhadinha no estadio pra ver se os filhos estavam jogando. Se tivessem era cipó no lombo a perder de vista.

Com essa ameaça os meninos ficaram espertos, jogavam de olho na plateia para se prevenirem do perigo, da peia.

Numa decisão importante, o juiz notou que um time uma hora tinha 9 jogadores, outra hora voltava a ter os 11. E, curioso com aquela situação quando notou que só estavam  9 jogadores em campo, deu um grande silvo e parou a partida. 

Procurou saber porque apenas 9 jogadores? Foi aí que o capitão  do time lhe disse: Se importe não seu juiz, é que  o pai de dois dos nossos jogadores é muito valente e se os vi jogando a chibata canta. Então, quando ele aparece no campo os filhos se escondem por trás daquela moita de jurema. 

O velho vai já embora e eles retornam.

Lula e o PT não perceberam que a história da vítima já não cola mais - Por Reinaldo Azevedo.

Quando os brasileiros imaginavam que Lula era realmente um homem pobre — ou com uma vida tão remediada como a deles —, então colava essa conversa de preconceito contra o operário, de tentativa de destruir Lula, de esforço para dar fim ao PT

O ex-presidente Lula se reuniu nesta sexta com sua equipe de advogados para traçar a estratégia jurídica e de comunicação que deve adotar diante das investigações da fase Triplo X da Operação Lava Jato e da investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo.

O Instituto Lula divulgou à tarde uma nota em defesa do petista. O comunicado diz que “são infundadas as suspeitas do Ministério Público de São Paulo e são levianas as acusações de suposta ocultação de patrimônio”. A nota termina com a seguinte frase: “A verdade ficará clara no correr das investigações”.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, saiu mais uma vez em defesa do chefão petista. Em nota publicada em uma rede social, afirmou que as investigações têm o objetivo de tentar “derreter o Lula” para destruir o PT.

Falcão escreveu: “Eles sabem qual é a liderança, qual é a força política que tem o PT. Isso já vinha antes de a gente ter a Presidência. Tem uma série de episódios para tentar destruir o PT e destruir o Lula. São os mitos: casa do Morumbi, fortuna do Lula, conta no exterior, uma série de ataques. Não passarão”.

Falcão fala por falar. Fala para falar alguma coisa. Fala para não ficar calado. Sabe, no entanto, que não há verdade no que diz. Desta feita, não se trata de lendas urbanas, de um diz-que-diz-que… A propriedades-problema têm uma série de desculpas, mas não têm explicação.

Essa tática do PT envelheceu, e Lula e seus companheiros ainda não se deram conta. Quando os brasileiros imaginavam que Lula era realmente um homem pobre — ou com uma vida tão remediada como a deles —, então colava essa conversa de preconceito contra o operário, de tentativa de destruir Lula, de esforço para dar fim ao PT.

Agora não mais. Agora o PT é poder, Lula é um homem rico, e já não se encaixa mais no figurino da vítima.

Diz-se muito que a melhor defesa é o ataque. É bom Lula repensar a máxima. No seu caso, a melhor defesa é mesmo tentar se defender.

sábado, 30 de janeiro de 2016

“Os bebês do PT” - Por Reinaldo Azevedo

A Bolsa Microcefalia é a cara da nossa miséria moral. É a cara da nossa solidão ética. É a cara do nosso desatino civilizacional. Não que eu seja contra. Como ser? O governo diz que vai pagar um salário mínimo por mês a bebês acometidos pela doença que pertençam a famílias com renda per capita de até R$ 220.

Parece exagero o que vou escrever, impróprio para o meio, mas a notícia me deu enjoo físico mesmo, não metafórico. É preciso saber a hora de dar um murro na mesa da isenção técnica. Sem um pouco de indignação, leitor, é bom que você nem se levante da cama. Fique lá enterrado nos humores do sono.

O zika é o mais triste e terrível símbolo dessa gente asquerosa que usou as urnas para assaltar o poder; que violou não apenas uma penca de dispositivos do Código Penal, mas também os fundamentos mais comezinhos do Estado de Direito. E o que é pior: ela o fez em nome de uma utopia, de uma redenção, de um valor alternativo.

No seu 14º ano de poder, não houve vício do atraso, do patrimonialismo, do mandonismo, do compadrio e, sim, da safadeza a que o partido não tenha emprestado uma dimensão superior, profissional, verdadeiramente técnica.

Agora o partido atinge o seu estado de arte. Os bebês com microcefalia, tornados bolsistas permanentes, são um testemunho de um modo de fazer política.

Eles são a evidência de que o petismo é também uma abominação moral.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sem o Congresso, Conselhão é uma inutilidade - Josias de Souza.

“O Brasil está sedento por consensos, estabilidade e soluções para hoje e para o futuro”, disse Dilma Rousseff aos membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. “Conto com vocês para fazer a travessia ao porto seguro da retomada do desenvolvimento e da geração de oportunidades a todos.”

Num esforço de interpretação, pode-se dizer que, nesse trecho do seu discurso, Dilma quis dizer que aquela mulher voluntarista e autossuficente que ela foi até o Réveillon não existe mais. A presidente que produziu a ruína governando na base dos rompantes e sob o lema do padrinho Lula —‘Nós contra eles’— deu lugar a uma cultora de consensos.

Consenso no Conselhão? Ainda não foi inventado nome mais apropriado para papo furado. O conselheiro Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria, quer que Dilma patrocine “reformas contundentes” na economia—entre elas a da previdência e a trabalhista. O conselheiro Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores, avisa que sua tribo não aceita reformas que suprimam direitos previdênciarios e trabalhistas.

Dito e feito. Tudo o que a presidente queria dizer para exibir sua nova pose foi dito na reunião do Planalto. Mas mesmo Dilma, um ser pouco afeito às mumunhas da política, sabe que sem o Congresso nada será feito. Sem o Legislativo, o Conselhão do Executivo é uma inutilidade que almeja a pompa, mas tropeça nas circunstâncias.

Em privado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, desdenha da agenda que Dilma chama de “positiva”. CPMF? Não passa, sentencia Cunha. Reforma da Previdência? Sem o PT, pode esquecer. DRU? Deve passar, mas não do dia pra noite. Antes, será necessário decidir sobre o impeachment, ainda pendente de votação.

Líder de Dilma na Câmara, o petista José Guimarães quer retirar do caminho o pedido de afastamento da presidnete na primeira semana depois do Carnaval. Líder do DEM, o deputado Mendonça Filho, retruca: “Não tem necessidade de tanta pressa. Esse tema terá de ser muito bem refletido, seguirá o rito normal. Decisão, só em março. Talvez abril.”

E quanto à mão que Dilma parece estender no rumo da oposição? “Para haver diálogo, precisaria existir uma pauta”, diz Mendonça. Essa agenda da Dilma não existe. A única coisa concreta é o aumento da carga tributária. Não dá para conversar. Por civilidade, podemos cumprimentar os negociadores do governo. Boa tarde, boa noite. E passar bem!”

A exemplo do líder do DEM, o presidente do PSDB, Aécio Neves, está à procura da agenda de Dilma: “O governo, mesmo depois de 13 anos no poder, não tem ainda convicção do que fazer. Qual a proposta do governo de reforma tributária? Qual a proposta do governo de reforma da previdência? Qual a proposta do governo para retomar os investimentos no setor de petróleo? Simplesmente não sabemos.”

Deve-se a suposta disposição de Dilma para o diálogo à flacidez do bloco governista. Apoiada por uma megacoligação partidária que soma perto de 400 deputados e mais de 50 senadores, a presidente poderia continuar governando de costas para a oposição. Mas a infidelidade dos aliados do Planalto aumenta na proporção direta da queda da popularidade de Dilma.

Vem daí que, à frente de um governo endividado até a raiz dos cabelos do contribuinte, Dilma tornou-se refém de um conglomerado partidário 100% custeado pelo déficit público. Em ano eleitoral, como 2016, quando acabam de comer o queijo, os governistas costumam entregar ao Planalto os buracos. A falta de credibilidade de Dilma eleva o preço da fatura. Não há conselhão que dê jeito nisso.

MP marca depoimento de Lula e Marisa para depois do Carnaval - Por Robson Bonin.


É a primeira vez que Lula prestará depoimento como investigado. Ministério Público apura crime de ocultação de patrimônio no caso do tríplex do Guarujá. No dia 17 de fevereiro também serão ouvidos o empreiteiro Léo Pinheiro e o engenheiro Igor Pontes, que acompanhou Lula durante visita ao apartamento

O ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, terão pouco mais de duas semanas para elaborar uma versão para as várias perguntas que permanecem sem respostas no caso do tríplex do Guarujá, que a OAS construiu e reformou para a família presidencial. 

Responsável pela investigação, o promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, marcou o interrogatório de Lula e dona Marisa para o dia 17 de fevereiro. No mesmo dia, o promotor irá interrogar o empreiteiro Léo Pinheiro, amigo de Lula e ex-presidente da OAS, e o engenheiro Igor Pontes, que fazia o papel de guia de Lula e Marisa durante as visitas do casal ao tríplex. 

Como VEJA revelou em sua edição mais recente, o Ministério Público paulista investiga o ex-presidente Lula e dona Marisa pelo crime de lavagem de dinheiro decorrente da ocultação da propriedade do apartamento.

Causos dos compadres - Antonio Alves de Morais

QUÉ QUI EU VÁ LHE AJUDÁ, CUMPADE?
O velho Chico Biloto gostava muito de chamar pelo diabo. O seu vizinho e compadre, Zé Maurício, tinha o mesmo hábito. Um dia eles estavam trabalhando cada qual na sua vazante, divididas por cercas, roçando mato. Num descuido, o Zé Maurício cortou-se e começou a dizer nomes: “diááábo, diááábo, diááábo...” O Chico Biloto ouvindo, gritou de lá: “qué qui eu vá lhe ajudá chamá pelo diabo, cumpade?

NO INFERNO...
Estava fazendo um grane verão, a lavoura já secando, mas, todas as noites avistavam um relampinho bem longe no rumo do nascente. Amanhecia o dia e chuva nada. O Chico Biloto, aproveitando a viagem que um vizinho seu teve que fazer ao Aracati, a fim de comprar cereais, em costas de burros, disse para a mulher: “Rosara, eu vou pu Aracati tombem, quero vê onde diabo é aquele relampo todo dia!. Chegou no Aracati, sempre avistando o relampinho em frente. Deixou os companheiros e foi até a beira da praia, e de lá avistou o mesmo ralampinho bem longe, no alto mar. Danadinho de raiva voltou. Quando chegou em casa a mulher perguntou: “aonde é o relampinho, Chico? E ele ainda com muita raiva, respondeu: “no infermo...” A mulher que era muito católica, começou a se benzer, dizendo: “Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria...”

INTREGUE PU DIABO...
Outro ano, também fazendo muitos dias de verão, o Chico Biloto sentado no alpendre de sua casa, à noite, olhando para o nascente e sem avistar nenhuma garrinha de nuvem, disse: “meu Deus, já qui o sinhô num ta pudeno mais dá conta deste mundo, u meno intregue pu diabo...”

Fonte
Mombaça online.