terça-feira, 3 de janeiro de 2023

UM DIA DESSES - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Marcados pelo peso da idade, nos tornamos olímpicamente nostálgicos.

Dentro da nossa caretice, enfrentamos, "surfisticamente", ondas cascas grossas e desaguamos em um recolhimento para ler e escrever.

É o que gostamos de fazer, hoje.

Para falar a verdade, é o que nos dá equilíbrio e "suporte" ao peso do cotidiano.

Os ciclos da existência passam e a gente nem percebe. Tudo vai se modificando em nosso redor e pouco notamos.

E o pior é não saber mais, em termos cronológicos, colocar os acontecimentos em ordem nas décadas de 80 e 90.

Pergunto pela vida que tínhamos um dia desses e imagino, de maneira absurda, que é possivel  recuperar tudo.

A vida, com os prazeres da feliz convivência, era uma coisa sem gestão ou direção clara, que foi acontecendo.

Tempo de pouco entendimento para idealizar as coisas. Viver o momento era o que importava.

A risada como arma, sem moderação.

Que saudade das noitadas do restaurante Belas Artes, da avenida Pontes Vieira, o nosso "Maxim's".

Como é possível que tanta gente boa daquela confraria tenha nos deixado.

Enorme falta nos faz Airton França Rebouças, Assis Furtado, Betão Ponce de Leon, Oliveira da Serraria, Déo Monteiro, o "macho véi", e muitos outros.

Patota perene de alegria, que portava permissão para viver assim e acreditava que as coisas eram para sempre.

De fato, as coisas realmente importantes nunca mudam.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Porque acredito no Sérgio Moro - Antônio Alves de Morais.

Eu acredito no Sérgio Moro por duas razões : Não tem amigos e filhos corruptos que precisem do acobertamento dos tribunais para não serem alcançados pela justiça. E, sobretudo porque já mostrou como juiz o que deve ser feito com corruptos.

Num pais que a máxima da justiça é : Não punir, não deixar punir e punir quem pune.

Praça da Sé - Antonio Alves de Morais.

Um logradouro, coberto de oitizeiros, árvores frondosas que atraem não só os pássaros,  como as pessoas que buscam a paz e a harmonia que reinam no lugar.

Ali contemplando a Sé Catedral e os monumentos erigidos em homenagens aos antigos bispos do Crato, a saudade do Crato antigo, da inocência, da festa da padroeira, da passagem e encontro diário com as estudantes do Colégio Santa Tereza de Jesus,  com suas saias vermelhas, blusas e meias brancas.

Na praça antiga via-se o monumento a Nossa Senhora da Assunção, construído pelo então vigário da Sé Catedral, Mons. Rubens Gondim Lóssio e, em local de destaque, o busto de Dom Quintino, primeiro bispo do Crato.

Hoje, a praça está mudada. destruíram-se os monumentos de inestimável valor histórico, mutilaram-se prédios e ruas,  como a rua Dr. Miguel Lima Verde onde,  nos remotos tempos, existia um prédio revestido de azulejos portugueses, da era colonial.

No centro da Praça da Sé, como exigência de uma época mais moderna, construiu-se um coreto que, na verdade, não serve para nada. apenas um monumento frio, sem nenhum utilidade.

É bom, saudável, olhar para o passado, relembras  as praças do Crato, mergulhar no tempo e sentir saudades de um mundo florido, onde a vida borbulhava cheia de amor,  e esperança.

Francisco Pedro de Oliveira.

domingo, 1 de janeiro de 2023

Contraste - Padre Antônio Thomáz.

Quando partimos no verdor dos anos, 

Da vida pela estrada florescente,

As esperanças vão conosco à frente,

E vão ficando atrás os desenganos.


Rindo e cantando, céleres e ufanos, 

Vamos marchando descuidadosamente...

Eis que chega a velhice de repente,

Desfazendo ilusões, matando enganos.


Então nós enxergamos claramente

Como a existência é rápida e falaz,

E vemos que sucede exaramente.


O contrário dos tempos de  rapaz:

Os desenganos vão conosco à frente

E as esperanças vão, ficando atrás.

sábado, 31 de dezembro de 2022

MORRE UM SANTO - Por Robson Pereira Sales.

Quando um santo é santo sua luz brilha, resplandece no meio de nós, pois ninguém acende uma vela para deixá-la embaixo do alqueire. Morreu aos 95 anos, Joseph Ratzinger, o Papa bom, do silêncio, da contemplação, da oração. 

Nunca pensei que escreveria sobre a morte do Papa Bento XVI. Há homens que pensamos que são eternos, tendo em vista sua resiliência e profunda paz interior que nós transmitem. Ratzinger, provou para o mundo, que Deus dispersa os soberbos e eleva os humildes, como Maria assim falara no Magnificat. 

Na sua pequenez imitou à Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote. Suas encíclicas, obras, cartas, me fizeram amar ainda mais à Igreja. Sua renúncia, uma nova missão, orar pela Barca de Pedro, que em meio a tantas tempestades tende a vacilar em meio ao caminho. 

Teólogo do mesmo nível de Agostinho, Abrósio de Milão, Bernardo de Claraval e Tomás de Aquino. Em oração para que interceda por nós e para que ele esteja na Jerusalém Celeste, onde há o repouso eterno e a luz nunca se apaga. Requiescet in pace!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

OS DEUSES NÃO MORREM - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Pelé, o Deus de todos os estádios, não morreu.

Deve estar encantado por aí, executando as jogadas com as quais conquistou o reinado na arte de jogar futebol.

Para nossa glória, nasceu no Brasil, lugar "onde o sucesso é um insulto pessoal", segundo Tom Jobim.

Foi tramado, nove meses antes de nascer, por Seu Dondinho e Dona Celeste em Três Corações, Minas Gerais.

O casal, depois de usar a fórmula única de parir um rei, jogou-a fora.

Tostão, que atuou com o rei na melhor Seleção Brasileira de todos os tempos, declarou: "A perfeição não é humana. Pelé é uma exceção."

"Rei da cabeça aos pés" foi como se sentiu, ainda menino, na observação profética de Nelson Rodrigues.

Sim, porque a bola foi uma extensão biológica do corpo de Pelé.

Esse rei vai continuar jogando um futebol divino na lembrança dos seus súditos em todo Mundo.

Mesmo o futebol ocupando grande parte da minha vida, nunca ousei desenvolver uma teoria para explicar a genialidade do maior jogador de todos os tempos.

Isso, sempre julguei, "é tarefa reservada para os luminares do pensamento".

Mais apropriado, me parece, é ficar com a afirmação do

neurocientista Miguel Nicolelis: "Não me venham com Messi e Maradona. Como Pelé não houve, não há e jamais existirá."

Viva o rei!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O REI E O PRÍNCIPE - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Quando esteve em Juazeiro do Norte, com o Santos, na década de 70, o Rei do Futebol, Pelé, recebeu a visita de Pedro Bandeira, o Principe dos Poetas Populares.

O encontro foi pautado pela cordialidade, quando Pelé recebeu o livro de Pedro Bandeira, sendo saudado pelo poeta com os seguintes versos:

“Outro dia fui a Santos

Visitar o Rei do Pé

Disse: eu sou Pedro Bandeira

Ele disse: eu sou Pelé

Você já sabe eu quem sou

Eu já sei você quem é”.


Futebol e poesia: tudo a ver.

Lula não é honesto - Por Augusto Nunes.


Na mais recente missa negra celebrada no Instituto Lula, com um bando de blogueiros de joelhos caprichando no papel de coroinha sabujo, Lula comunicou no meio do sermão que é ele o detentor do título de campeão brasileiro de honestidade. “Se tem uma coisa que eu me orgulho neste país é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu”, louvou-se o pregador. “Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da igreja católica, nem dentro da igreja evangélica. Pode ter igual. Mais, eu duvido”.

Uma consulta a qualquer dicionário informa que só leva a sério o palavrório de Lula gente que acharia muito justa a vitória do seu colega Marcola no concurso que elegeu o Presidiário Modelo. O verbete ensina que o adjetivo honesto só é aplicável a alguém que seja 1) honrado, probo; 2) consciencioso, sério, digno de confiança; 3) justo, escrupuloso; 4) imparcial; 5) veraz; 6) decente, decoroso, virtuoso; 7) casto, pudico, recatado. Nem Marilena Chauí ousaria enquadrar seu santo padroeiro numa das sete opções.

O ex-presidente nasceu desprovido do sentimento da honra, nunca rimou com seriedade, inspira tanta confiança quanto um hipnotizador de circo mambembe, desconfia que escrúpulo é nome de inseto, é mais parcial que torcida organizada, mente como Dilma Rousseff, é tão virtuoso quanto Rosemary Noronha e acha que decência é coisa de otário. Para o homem que liderou a execução do projeto criminoso de poder, o único pecado mortal é perder eleição. A eternidade no poder é o fim que justifica todos os meios - do furto do cofrinho da bisavó à venda da mãe em suaves prestações.

Se os dicionários berram em coro que Lula não é honesto, o vídeo acrescenta que nunca foi. Os 22 segundos iniciais reproduzem a discurseira em que o camelô de empreiteira revelou aos blogueiros estatizados que será aprovado com louvor no Juízo Final. Os 68 segundos restantes registram o momento mais assombroso da conversa ocorrida em 25 de março de 2004 entre o então presidente e um faxineiro que, dias antes, havia devolvido ao dono a sacola com 10 mil dólares que encontrara no banheiro do aeroporto de Brasília.

Graças ao exemplo de honradez, o faxineiro Francisco Basílio Cavalcante conseguiu alguns minutos de notoriedade e um encontro com Lula no Palácio do Planalto. O visitante lutava pela sobrevivência permanentemente acossado por contas atrasadas. O anfitrião já entrava sem bater no clube dos milionários. Era o chefe supremo de um partido com os cofres abastecidos por dinheiro público ou negociatas com empresários generosos. E já havia pacificado o Congresso com a farra do Mensalão, que só seria descoberta em meados de 2005.

Você acha que tem muitos brasileiros que fariam o que você faz? - pergunta Lula de saída, com a expressão de quem contempla uma esquisitice nativa.

Tem - responde Francisco sem titubeios.  Tive alguns amigos que me disseram para ficar com o dinheiro, mas esse é o lado desonesto.

Mas nem é desonestidade, não - discorda o presidente. - Quem acha um dinheiro assim, sem dono, pensa em melhorar de vida. Os que têm a consciência muito forte como você são muito poucos.

Ele nunca esteve entre esses “muito poucos”. Se fosse ele o faxineiro, o dono da sacola nunca mais veria a cor do dinheiro. Lula faria com os 10 mil dólares o que fizeram com os bilhões da Petrobras os canalhas que escolheu e apadrinhou.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

TEORIZANDO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Mais uma vez, fiquei insatisfeito com o que a seleção brasileira ofereceu na Copa.

Não sou partidário da ideia de que nada prestou. Mesmo porque não esperava do escrete um futebol de primeira linha.

Me convenci de que as coisas funcionariam dentro de um certo pragmatismo.

Me reporto ao excesso teórico que cercou o time brasileiro, antes que a bola rolasse.

No rame-rame de suas entrevistas, Tite deixava a impressão de que tinha uma sacada nova para por em prática, a cada jogo.

É nesse ponto que fiquei encafifado. Teorizou-se demais, com resultado prático pífio, no geral das atuações.

O problema não foi dancinha nem cabelos coloridos. "A dança é a imagem escondida da alma", disse Martha Graham.

Imaginei ver em campo um movimento de jogo diferente do que estamos habituados, que justificasse vasta comissão técnica, explanação teórica e possibilidades.

Diante dos cenários que se apresentaram, foi tudo para lá de normal.

Reconhecemos que alguns desempenhos individuais, ruins ou irregulares, atrapalharam.

Não dobramos no tempo normal o mais difícil adversário, a Croácia. A seleção brasileira foi até inferior na primeira etapa. Na prorrogação, ficamos, também, no empate.

Fico a pensar como seria enfrentar seleções mais fortes. Aguentaríamos o rojão?

O futebol tem coisas fora da curva. O treinador Scaloni não tem experiência nem títulos conquistados e acabou tri-campeão, dirigindo a Argentina.

Seria uma versão do Fernando Diniz?

Walid Regragui assumiu a seleção do Marrocos (a grande surpresa da Copa), seis meses antes dos marroquinos desembarcarem no Qatar.

Enquanto isso, o tempo dado a Tite e seus comandados foi o de duas Copas.

Resultados finais bem diferentes.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Vavá, "Leão da Copa". "Peito de aço", em Juazeiro do Norte - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

22 jogos pela Seleção  Brasileira. 14 gols marcados. Nove em Copas do Mundo. Artilheiro na Copa do Chile, em 1962, ao lado de Garrincha, com quatro gols.

Foi jogador do Sport do Recife, Vasco da Gama, Atlético de Madrid e Palmeiras, deixando sempre a sua marca de goleador.

Quando esteve em Juazeiro do Norte, como treinador do Madureira, sugerimos à Associação Juazeirense de Imprensa uma homenagem a um dos heróis do bicampeonato mundial de 1962.

Foi no Romeirão, antes do jogo do time carioca contra o Guarani, que Vavá recebeu um troféu como homenagem, vestindo a camisa do rubronegro juazeirense.

Ressalte-se que Edvaldo Izídio Neto, o “Vavá”, foi revelado por um time rubro-negro negro, o Sport do Recife.

Dos bicampeões de 62, outros três pisaram o campo de jogo do Estádio Mauro Sampaio, o “Romeirão": Garrincha, Pelé e Pepe (também, como treinador).

Vavá faleceu em 2002, no Rio de Janeiro com 67 anos, de parada cardíaca.

Estou ao lado de Vavá, na foto, exibindo os meus 63 quilinhos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O MELHOR LUGAR DO MUNDO É AQUI, MESMO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Calma!

Aqueles que enxergam proselitismo politico em tudo, não precisam organizar a escalada de insultos ao escriba.

Quem é que não sabe ser nossa Nação grávida de desigualdades.

Sabemos, também, que liberdade de expressão por nossas bandas pode significar cadeia. Mesmo porque liberdade não tem muitos amigos sinceros

Não precisam me dizer que corrupção nas terras cabralinas não é mais amoralidade política a ser levada em consideração.

Nem por isso deixo de achar que, faça sol ou chova canivete, o melhor lugar para se viver é no Brasil.

Não se tratam, essas mal traçadas, de nenhuma "crônica exaltação". Nem pregação conformista. Não confundam jacaré com cobra d'água.

Dessa banda dos trópicos, os tempos mortos são poucos. O vento sopra e o sol brilha. Não tem Cacique Cobra Coral que os modifiquem tanto.

A cerveja e a caipirinha rolam soltas nas conversas jogadas fora. Vá lá que não seja isso que garanta o ganha pão. Mas, o que há de se fazer?

É tanta beleza espalhada que cansa a vista do cidadão.

Para quem mora no Nordeste, "cuma nós", na hora de comer é prazer a mais da conta.

Baião de dois, com pequi e torresmo, galinha caipira, com pirão, e carne de bode com macaxeira.

E outra: nosso caviar é feito de ova de curimatã no óleo de côco. Muito mais gostoso e baratinho.

Praias lindíssimas a perder de vista, música e futebol. Se quiser o céu, diga logo!

Quando saí do Brasil, a trabalho, me imaginei na condição de exilado. Sem chance, pensei. Impossível.

Melhor uma boa morte.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Os raimundos e raimundas de Várzea-Alegre - Antônio Alves de Morais.

Os Raimundos e as Raimundas de Várzea-Alegre não são consequência de Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo. 

A história sustenta que os homens daqueles tempos se casavam duas, três ou mais vezes, em consequência da viuvez por morte de suas esposas na hora do parto. 

São Raimundo Nonato, como o próprio nome já diz "Nonato - Nascido" foi fruto da primeira cesariana realizada no mundo, foi retirado com vida da barriga de uma mãe morta, sendo portanto considerado o protetor da gestante.

Em Novembro de 1788, casa-se Raimundo Duarte Bezerra, Papai Raimundo com Tereza Maria de Jesus. 

A devoção por São Raimundo Nonato começou com Tereza Maria de Jesus, segunda esposa de papai Raimundo, que mandou buscar na Itália a imagem de São Raimundo Nonato, que ficava num quarto de sua casa, a pequena imagem que se encontra atualmente na Casa de Saúde que leva o seu nome.

Tereza Maria de Jesus tinha uma inabalável fé e devoção a são Raimundo Nonato, cuja imagem em pequeno vulto possuía em sua casa num quarto de orações que mandara construir.

Costuma-se encontrar famílias em que o esposo é Raimundo, a esposa é Raimunda e ainda tem filhos chamados Raimundo ou Raimunda, mas, estudando-se a genealogia ascendente nada tem a ver com Papai Raimundo, e, sim com a fé do povo no santo padroeiro.  

Houve época que  a maioria da população da cidade era descendente de Papai Raimundo.  Nos dias atuais a grande maioria não é, e o pior, nem sabe quem foi  papai Raimundo.  

sábado, 24 de dezembro de 2022

A relevância da beatificação de Benigna Cardoso – por Armando Lopes Rafael

   Na minha opinião o fato mais relevante que ocorreu no Cariri, neste 2022 findante, foi a solenidade de 24 de outubro, da beatificação da Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade. Qual a relevância dessa beatificação para o Ceará e, particularmente, para a Diocese de Crato? Sabe-se que a Igreja Católica Apostólica Romana não cria o santo, apenas o reconhece. Nunca é demais recordar a célebre frase de São Josemaria Escrivá, o fundador do Opus Dei: “Verdadeiramente a crise do mundo é “crise de santos”. Ou seja, todos os desacertos morais da humanidade – e os sofrimentos daí advindos – decorre, em grande parte, do pouco número daqueles que hoje se sacrificam e oram por si e pelos outros.

    Através das beatificações e das canonizações, a Igreja dá graças a Deus pelo dom dos seus filhos que corresponderam heroicamente à graça divina concedida por ocasião do batismo. Ao honrar esses Beatos e Santos, a Igreja incentiva seus filhos a invocá-los como nossos intercessores junto a Deus. 

    Interessante conhecer a história da menina Benigna. Nascida na pequenina cidade de Santana do Cariri, desde a mais tenra infância, Benigna ficou órfã de pai e mãe. Foi adotada por uma família da zona rural. Viveu apenas treze anos, no segundo quartel do século XX.  E viveu em meio aos humildes trabalhos domésticos daqueles tempos difíceis. Vivenciando uma fé comum, simples, sem êxtases ou visões. Sem ocorrência de milagres ou fatos extraordinários. Benigna não realizou prodígios. Atravessou o anonimato do seu cotidiano, fiel a sua crença expressada num profundo, exemplar e singelo amor a Deus e na caridade para com o próximo. Rezando as orações diárias. Enfrentando a poeira e o sol quente, no verão, e a lama na temporada de chuvas, para ir à cidade, a fim de assistir as missas e comungar.

      Em meio a isso, sofria um tenaz e penoso assédio sexual, da parte de um rapaz que era seu colega de escola. Contudo Benigna resistiu bravamente em defesa da sua virgindade e pureza. Até que um dia, desesperado pelas recusas da menina, seu algoz a feriu mortalmente com uma arma cortante.  Ao resistir bravamente e heroicamente à investida do mal, Benigna não apenas preservou sua virgindade. Foi além. Consolidou eternamente sua amizade com Jesus. A futura Beata Benigna Cardoso é hoje um exemplo de santidade leiga, na qual realizou plenamente o Projeto do Deus Uno e Trino para a humanidade...

Armando Lopes Rafael é historiador. Integrou a comissão formada pela Diocese de Crato para a beatificação de Benigna Cardoso da Silva.