domingo, 23 de janeiro de 2011

PADRES E CICLITAS - Gol de Amarildo - Por Xico Bizerra

Haviam-lhe dito que todos os alunos teriam seu apartamento e, nele, uma bicicleta para uso individual e privativo. E ele acreditou. Um mês depois estava interno e os sonhos começavam a caminhar para a realidade: o da mãe, de ter um filho padre; o dele, de ter uma bicicleta egoisticamente sua, só sua. À noite, dormitório coletivo e, dia seguinte, nenhuma bicicleta. Rezas, missas, orações, estudos. Nos sábados jogava bola e depois da Ave-Maria e do café das seis e meia, tinha ao seu dispor uma mesa de pingue-pongue, até a hora de dormir. Num domingo, depois das rezas, missas, orações e estudos vibrou com o gol de Amarildo contra a Espanha, abrindo o caminho para o bi. Quase não deu para ouvir, mais ruídos que gritos de gol no radinho do salão de jogos. Alegria maior porque o bedel era espanhol. Nos corredores, apenas Padres e Seminaristas. Hoje, nos fins-de-semana, passeia de bicicleta com a mulher e os três filhos. Faltou-lhe vocação para o sacerdócio. Sobrou-lhe o amor pelo ciclismo.


UMA VISITA - UMA NOVA AMIZADE

Hoje foi o dia de colher a mais nova amizade. O casal Vicente Almeida e Valdênia veio me fazer uma visita. 

O Blog do Sanharol tem me proporcionado momentos inusitados. A harmonia do Blog tem essa característica de fazer a gente se sentir em casa.. 

E, de repente, as portas se abriram e  tenho experienciado grandes alegrias. Começaram a acontecer os primeiros contatos com gente do Blog. Primeiro  foi Dr. Sávio Pinheiro  que me surpreendeu com sua "aparição" na saída da URCA, no mês de dezembro e agora, a concretização de uma outra amizade que já acontecia virtualmente, através do Sanharol.

Os bons textos, o bom humor, os comentários sinceros e  amigos fazem do Sanharol, sob a administração de Antonio Morais um blog diferente. Portanto, só tenho a agradecer por essas alegrias que aquecem minh'alma e meu coração.

Agradeço ao casal por tamanha gentileza...

Meu abraço a todos

Claude

sábado, 22 de janeiro de 2011

MOTE DO SÁVIO - Por Mundim do Vale.

O bom poeta doutor
Zé Sávio da academia,
Pensa na pedagogia
Como um bom professor.
Seu verso tem o valor
De ponto de união,
De livro de admissão,
De lousa, giz e flanela.
ASCENDO MAIS UMA VELA
PENSANDO NA EDUCAÇÃO.

Eu não aprendi a ler
Só porque fui displicente,
Mas mamãe era exigente
Com relação ao saber.
Quem quisesse aprender
Tinha a orientação,
Gerada do coração
Que era a proposta dela.
ASCENDO MAIS UMA VELA
PENSANDO NA EDUCAÇÃO.

Eu sou semi-analfabeto
Porque não quis aprender,
Pois não cheguei a fazer
Nem o primário completo.
Sei que o caminho correto
É aprender a lição,
Pra ter a qualificação
Que o estudo revela.
ASCENDO MAIS UMA VELA
PENSANDO NA EDUCAÇÃO.

Professor é um regente
Da banda da sua escola,
É ele quem desenrola
O saber daquela gente.
É ele quem toma a frente
Para qualquer decisão,
Pois aluno sem noção
A vida lhe atropela.
ASCENDO MAIS UMA VELA
PENSANDO NA EDUCAÇÃO.

O educador ensina
Matemática e português,
Geografia e inglês
Com o dom da disciplina.
Orienta na doutrina
Da boa religião,
Conduzindo pela mão
O aluno pra capela.
ACENDO MAIS UMA VELA
PENSANDO NA EDUCAÇÃO.


Dedicado aos educadores e educadoras do Blog do Sanharol.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MAIS UM ANO DE SUCESSO!


Se um dia eu lhe disser
Aquilo de que  mais gosto
Não posso negar, eu falo:
Harmonia e amizade
Amizade de verdade!
Risos, prosa, liberdade
Onde eu for, sem vaidade
Lealdade, lealdade!

Parabéns ao Sanharol!


Qual a idade que vocês me dão? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Semana Santa de um ano muito bom de inverno. As chuvas caiam copiosamente tornando fértil o solo antes esturricado pela inclemência da seca. A fartura reinava naquele sertão, agora renascido. A paisagem de longe lembrava esse nosso Nordeste tão escaldante. A jovem médica Marília Cruz, da Secretária Estadual de Saúde, convidara um grupo de colegas médicos, todos eles professores da Faculdade de Medicina, para passar os feriados em sua fazenda. Todos os convidados aceitaram aquela oportunidade de um excelente repouso e compareceram acompanhados das respectivas famílias.

Quinta-feira Santa, após o almoço, os convidados repousavam no alpendre em redes ricamente bordadas. De longe, a doutora Marília avistou um vulto, alguém, ainda não identificado se movendo entre a mata verde do baixio. Aos poucos a silhueta ganhava contornos definidos e ela então identificou o seu querido tio Diógenes. Não obstante a idade avançada, ele cavalgava firme sobre o dorso de seu alazão marchando a passos largos em direção à casa grande. A sobrinha nada disse sobre a idade do tio, esperando ver a provocação que ele poderia fazer aos médicos.

Ao chegar, cumprimentou a sobrinha e seu marido, um conhecido deputado estadual, saudou o grupo de doutores, sentou-se no para-peito do alpendre e começou a conversar com os médicos. A principio a palestra versou sobre o bom inverno e a fartura que ele representava para o sertão.

Depois de aproximadamente meia hora, o tio Diógenes conduzia a conversa para o rumo que desejava. Os médicos se deliciavam com a palestra do sertanejo, cheia de sabedoria aprendida com os mais antigos, linguajar um tanto quanto arcaico, herdado dos antepassados, herança de um tempo colonial. A certa altura da conversação o tio Diógenes perguntou:
– Doutores, qual a idade que vocês me dão?
– Oitenta anos – responderam uns.
– Setenta e cinco anos – diziam outros.
Depois de muitos palpites, todos eles errados, o velho Diógenes falou com a sinceridade própria do nosso sertanejo:
– Senhores doutores, vocês precisam estudar mais! Eu tenho 98 anos e ainda trabalha na roça!
Diante da admiração geral, o velho emendou outra pergunta:
– Agora doutores, eu quero que vocês me expliquem por que é que uns morrem tão cedo e outros vivem tanto, assim como eu?
– É por causa de uma vida saudável aqui no campo. Alimentação regrada, sem preocupações. O senhor naturalmente dorme cedo, acorda cedo, nunca bebeu e nem fumou! – exclamaram os médicos a uma só voz.
– Num já falei que vocês precisam voltar à escola? Vão estudar mais! Eu só me alimento de comida forte, buchada, sarapatel, panelada, rabada e mucunzá com torresmo. Fui o maior farrista dessa ribeira. Era o maior namorador que por aqui existia. Bebia e ainda hoje eu bebo e fumo e, não dispenso um bom forró todo fim de semana!
Com essa resposta, os médicos concluíram que o tio Diógenes era uma rara exceção à regra, além de um mau exemplo para se alcançar a longevidade.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Nota do autor: Esse fato aconteceu e me foi contado pela sobrinha do sertanejo. As identidades dos personagens são fictícias.

CORREDOR POLONÊS - Por Mundim do Vale

Certa vez um grupo de alcoólatras de Várzea Alegre resolveu formar um pelotão de guerra. Era coronel, major, capitão, tenente,
sargento, cabos e soldados. Escolheram a rua do juazeiro para treinamentos, o fuzil era representado por pau de lenha e o cantil por meiota de cachaça. Na barraca de Bié eles fizeram acampamento, paiol e alojamento. O horário para treinamentos era sempre das duas da madrugada até o dia amanhecer.
O silêncio da madrugada era rompido pelos gritos de comando:
- Sentido! Em forma! Direita volver! Esquerda volver!Dispersar!
O grito de guerra era repetido várias vezes:
O sargento já tomou/ A cachaça do tonel,
O cabo Hélio furtou/ O quepe do coronel.”
Os moradores da rua do juazeiro fizeram queixa ao delegado, que Era um tenente da polícia militar que depois de reformado foi nomeado delegado civil, em V. Alegre.
Chegando ao acampamento o tenente Josias apresentou-se e pediu ao comandante para colocar a tropa em forma, que ele queria fazer um comunicado.
Depois das formalidades militares o delegado falou:
- Bem. Eu tenho recebido várias reclamações sobre o barulho e os palavrões, portanto vocês terão que suspender os treinamentos. Mesmo porque eu não tomei nenhum conhecimento de que a nossa cidade estivesse ameaçada de guerra. Eu lamento dizer a vocês que se continuar esse treinamento, eu vou poupar apenas os oficias superiores em respeito a hierarquia, mas de sargento abaixo eu vou botar tudo no xadrez.
Naquele momento um soldado assustado saiu de forma e foi tentando fugir quando o coronel Gonçalves gritou
- SD Chagas! Se você abandonar a tropa eu vou ter que lhe levar a corte marcial, como desertor de guerra.
Nessa hora chegou a diretora do grupo escolar, uma Senhora de cinqüenta e dois anos que foi logo dizendo:
-Tem que prenderem todos eles, não tem o menor fundamento essa anarquia todas as madrugadas. Não há mais quem possa dormir nessa rua.
O coronel deu um passo a frente encarou a educadora e falou com voz autoritária:- A Senhora deixe de conversar besteira aí, senão eu lhe boto no corredor polonês.
- Ái vai! E o que é que venha a ser esse tal de corredor Polonês?
- É assim. eu coloco todos os meus praças em fila dupla e a Senhora vai ter que passar no meio. Aí cada um deles vai lhe dar uma dedada com todo respeito.
Depois dessa, a hierarquia militar deixou de ser respeitada e o alojamento do pelotão foi transferido para a cadeia pública.

Reprise dedicada ao tenente Klécio Fiúza.

SEXTA DE TEXTOS – Sávio Pinheiro

A BURRINHA GASOLINA
Dedico ao escritor Flávio Costa Cavalcante

A cidade Várzea Alegre,
De Mundim e Clementino,
Palco de boas histórias,
Que desenham o seu destino,
Apresenta pra vocês
A ação de um cretino.

Esse fato aconteceu
Com um garoto adolescente,
Fedelho muito precoce,
Namorador pertinente,
Que sem nem entender a vida
Já Imaginou fazer gente.

Numa noite de domingo
Teve idéia original:
- Vou roubar a namorada
E levá-la ao matagal
Imitando a natureza
Como faz todo animal.

Da forma que imaginou
Ele o fez com esperteza,
Combinou com a sua amada
Mostrando delicadeza:
- Se o seu pai achar ruim
Seguirei pra Fortaleza!

Como haviam combinado
O seu plano se mostrou.
Num cavalo bem selado,
O seu amor, nele montou
E cavalgando na serra
Bom lugar, ele encontrou.

O pai da jovem donzela
Amalucado ficou.
Sem saber onde encontrar,
Onde o casal pernoitou,
Ficou tão atarantado,
Que o dia se findou.

Segundo dia de luta
A procura do impostor
O pai sem se orientar
Procura um vereador,
Este não ajuda em nada
Aumentando a sua dor.

No terceiro dia, então,
Refletindo, ao natural,
Procura a delegacia
Presta queixa, coisa e tal,
Conversa com o delegado
Confundindo o seu astral.

Delegado Antônio Costa
Sente-se na obrigação
Sendo padrinho da moça
Tinha que dar atenção
Pergunta do ocorrido,
Como foi a relação.

- Compadre Chico, me diga,
O que foi que sucedeu?
Conte-me bem detalhado
Como o fato aconteceu.
Quero saber os detalhes,
Que você entristeceu.

- Meu compadre Antônio Costa
Quero saber do senhor:
Já deu tempo desse traste
Deflorar a minha flor?
Pois cabra ruim, há três dias,
Deu uma de sedutor.

- Compadre e amigo Chico
Eu não sou nenhum vidente,
Mas grande interesse eu tenho
De lhe dizer, certamente:
Se o casal é jovial
O caso é muito evidente.

Quando eu muito cavalgava
E cumpria a minha sina
Gostava de passear
Na burrinha Gasolina,
Que faceira desfilava
Com trejeitos de menina.

Com a sua filha eu não sei,
Se algo de ruim se encerra...
Porém, a minha burrinha,
Que comigo escorrega,
Eu a amava três vezes,
Só na descida da serra!

Fim.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

UM CAUSO - Por Claude Bloc

Seu Mané Danta
(Dedico a Mundim do Vale)


Não é só em Rajalegre que as coisas acontecem... na Serra Verde também havia muita gente engraçada e cheia de lorotas. Não sei se Morais chegou a conhecer, mas um dos personagens mais engraçados da Fazenda era seu Mané Danta. Ele morou por um tempo na Serra dos Cavalos, (encostadinho a Rajalegre) depois em Lagoa do São Bento e finalmente em cima da Serra, perto da casa da gente. 

Neste final de semana que passei em D. Quintino, fiquei hospedada exatamente na casa de Toim, filho dele, que é outro bom contador de causos.

Conversa vai, conversa vem, como não tenho o dom de Mundim do Vale pra escrever essas histórias, gravei uma das presepadas de seu Mané e vou dividir esse causo aqui com vocês. Mas este é apenas um deles.

Ao ficar com a idade mais avançada seu Mané Danta aprontou algumas. Desde novo, foi muito ligado em dinheiro e era sovina que só o cão. Pra ninguém saber o que ele “pissuia”, guardava escondido tudo o que ganhava nos tubos (silos) de feijão, tudo amarradinho num bisaco. Isso só descobriram depois que ele morreu, mas o que lá existia era apenas um monte de dinheiro antigo e sem mais valor.

Quando conseguiu ser aposentado, Seu Mané ia ao banco fantasiado de “quase inválido”. Tirava a dentadura (guardava no bolso) e ficava batendo “os queixo”, pegava um bordão feito com vara linheira e saia se fingindo de corcunda, caminhando com as mãos trêmulas para conseguir furar a fila. Nesse tempo não havia ainda a fila dos idosos e ele usava esse pretexto pra se ver livre bem ligeirinho da maçada. Pensando bem,, creio que foi bem ele que deu essa idéia dos direitos dos idosos pro Governo conceder esse “privilégio” .

Numa dessas saídas do banco, onde ia receber os “apusento”, seu Mané encontrou-se com seu “cumpade” Mané Nune. Este, muito matreiro, encostou em Mané Danta e “dixe”:

-Cumpade Mané, sabe cuma é que tá a vida, né cumpade? Minha roça num deu quais nada, meus animá tão tudo só os lóro, eu intão quiria pidir pro cumpade me imprestá 500 conto...

Mané Danta, fechou a mão imitando uma concha e a encostou na orelha direita falando:
- Oxente cumpade, o que é que tu tá babujando aí? Só vejo tua boca se mexendo e num oiço nada. Tu tá falando cum eu?

Mané Nune, sabido que nem raposa foi logo remendando:
-Cumpade, eu só tava preguntando se o cumpade pudia me imprestá 1000 reais.

Mané Danta olhou pra cara do seu compadre e lascou a resposta:
- Oxente homi, e nestante tu num tava pedindo só 500?

Bom, foi Toim que contou tudo isso. Se é verdade só Deus sabe.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A MÁXIMA DE DONA LAURA - Por Poliana Lima de Almeida


UMA LIÇÃO DE VIDA

Nas minhas andanças, acredito ter contribuído um pouco para amenizar a dor e sofrimento de pessoas abandonados por suas famílias em asilos, e até a sua própria sorte. Sempre cultivei este hábito, a partir do Crato onde nasci e vivi meus primeiros 23 anos.

Quando cursava Enfermagem, em uma dos meus trabalhos voluntários ao asilo VIVÊNCIA FELIZ no Jabaquara aqui em São Paulo, conheci uma senhora miudinha de nome “LAURA”!! Esta pequena senhora era um grande ser humano! Mal se podia imaginar que por trás daquela figurinha comum se encontrava uma poliglota, conhecedora de vinhos, roupas e comidas refinadas. Ao longo dos seus 90 anos, já havia percorrido toda a Europa e adquirido um vasto conhecimento de costumes e hábitos tão longínquos das nossas terras.

Esta senhora pequenina, de fino trato visível, e a quem desejo homenagear, faria 98 anos de idade dia 20/01/2011. Ela me ensinou muitas lições, mas uma especificamente desejo compartilhar com todos vocês:

Depois que nos tornamos amigas fieis, decidi perguntar por que ela nunca procurou os filhos após de ter sido enganada e abandonada no asilo, porque nunca foi à justiça para reaver o que lhe pertencia.

Ela sorriu-me e disse: quando eu morava na minha casa, cercada de luxo e conforto, sempre fazia todas as minhas refeições sozinha, a maior parte dos meus amigos moravam fora do Brasil ou já haviam falecido. Aqui no vivencia passei a ter amigos, fazer refeições sempre em grupo e jogar um pouco de trunco para me distrair, sem falar que tem bingo beneficente a cada 15 dias!!!.

Então, enquanto eu olhava com admiração as fotos de toda a sua glamorosa vida, perguntei: mas e toda a sua fortuna D. Laura!!??

Ainda sorrindo ela respondeu: Para que serviria na minha idade, tantos bens se eu não tinha mais com quem compartilhar!? Seu esposo já havia falecido a 5 anos. O tempo, com o tempo, vai mostrando para nós que a riqueza, bens materiais e luxo em excesso na realidade, só servem para atrair interesseiros e oportunistas. Eu já estava cansada disso!

Na verdade, meus filhos me salvaram e nem perceberam.

Ousei mais uma pergunta: E a Senhora Nem ao menos desconfiou do que estava para acontecer quando eles a fizeram assinar aqueles documentos?

Ela me olhou fixamente enquanto segurava as minhas mãos e disse: guarde o que vou lhe falar para o resto da sua vida: “É MAIS VERGONHOSO DESCONFIAR DAQUELES QUE AMAMOS, DO QUE SERMOS TRAÍDOS POR ELES”. E eu amo demais meus filhos!!

Confesso que senti uma espada atravessando o meu peito ao ouvir isto, senti-me tão envergonhada de algumas atitudes minhas que chorei....

Estamos sempre tão preocupados em desconfiar das pessoas que nos cercam, que acabamos muitas vezes, por deixar de viver os pequenos momentos de felicidade que a vida nos oferece devido a tantas desconfianças.

Uau!! Jamais as palavras da D. Laura me abandonaram.

Depois desta lição, todas às vezes que começo a desconfiar da atitude de alguém para comigo, entra em cena essa maravilhosa MÁXIMA DA D. LAURA.

Felicidades D. Laura, minha inesquecível e querida amiga...


São Paulo, 19 de Janeiro de 2011
Poliana Lima de Almeida

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Barriga Branca - Por Patativa

No dia 21 de Setembro de 1983, Patativa remeteu uma poesia com o titulo de “Barriga Branca” para o medico e extraordinário poeta Dr. Mozart Cardoso de Alencar. Já li alguns livros do imortal Patativa e não me recordo de tê-la visto. Para tornar o seu acesso mais fácil, deixo esta que é uma obra prima:

Quando vive o marido atravancado,
De cabresto, cambão, canga e tamanca,
Aos caprichos da esposa escravizado,
Recebe o nome de Barriga Branca.

Nunca pode fazer o que ele quer,
O pobre diabo, o tal Barriga Branca.
Sempre cumprindo as ordens da mulher,
Ele é o dono da casa e ela, da tranca.

Ele escuta calado sempre mudo,
Sua esposa da lingua de tarisca,
Ela é quem manda e quem comanda tudo,
Ele só corta por onde ela risca.

Em qualquer festa do melhor brinquedo,
Se ela nota que o pobre está contente,
Logo lhe ordena com um gesto azedo:
Vamos voltar! Está doendo um dente.

Na sua ordem rigorosa e dura,
Ninguém pode tirar suas razões,
Dos amigos do esposo ela censura
E procura cortar as relações.

Tu és Barriga Branca um desgraçado,
Por onde passas todos te dão vaias,
Teu destino é viver subordinado
Sob o jugo humilhante de uma saia.

Tu és um carro que não sai da pista,
Rodas constante, velozmente e bom,
Tua esposa é o único motorista,
Pé no teu freio e mão no teu guidom.

È lamentável teu sofrer profundo,
Nunca serás autoridade franca,
Tens um inferno nesse nosso mundo:
È muito triste ser Barriga Branca.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O resto não importa
- Claude Bloc -
.

As palavras escorregavam serenas e naturais. Voltei àquela casa e era como se eu a conhecesse há muito tempo - ou como se ela me conhecesse há mais tempo ainda. E nos conhecíamos de fato. Éramos quase um só corpo e matéria. Uma simbiose fundindo-se no tempo. Deve ter sido por isso que deixei que as horas se encostassem à margem do relógio. Fui ficando.  Não podia esquecer o motivo de ter ido lá. Eu, que tanto ansiava por aquele pedaço de tempo estendido ao longo dos anos, acenei para mim mesma e pensei:  vamos!
.
Senti-me em casa novamente. Observei os pequenos trejeitos das pessoas me acolhendo, as pequenas imperfeições nas paredes toscas, percebi quase todas as minhas hesitações e o sentido dos olhares amigos e afáveis que velavam minha presença ali. 
.
Eu tinha razão: o espaço estava envelhecido e de repente me pareceu demasiadamente abandonado para receber minha música, minha presença que deveria ser tão envolvente quanto a emoção que eu sentia. O chão de taco, a cortina que não abria mais, as letras lá no alto: FrançAlegre, tudo parecia olhar-me com uma grande saudade. Como se eu ou aquela música que íamos ouvir – aquele estilo de vida que hoje eu transportava – fosse uma espécie de profanação de um local onde a vida fora tão exuberante e plena. E eu me postava tão séria, naquele momento. Tão consciente que me doíam as têmporas. Como se o coração pulasse dentro de mim sem trégua e eu deixasse vazar minha emoção por todo o ambiente.
.
Encostei-me para trás e pousei as mãos no parapeito, naquela posição de espera tão tipicamente minha, embaralhando os sonhos pela bainha da chapada. Da janela, avistei o alto da serra, altiva em seus tons celestes. O azul se espalhou pelo recinto. Mas tudo já entrava em palco. A cena. O cenário.
.
O resto não importa. Voltei!

Claude Bloc

Caros amigos do Blog Sanharol,
Estive ausente  por uns dias porque estava em D. Quintino para os festejos de S. Sebastião e naquele distrito não tive acesso à internet. 
Um abraço a todos
Claude

Petistas controlam 60% dos cargos do governo federal

A hegemonia do PT no governo Dilma Rousseff se revela mais pelo domínio dos cargos na administração federal do que pelo controle das verbas orçamentárias. Um levantamento apontou que os ministérios entregues aos petistas, que movimentam pouco mais de 30% de todo o Orçamento da União, abrigam algo em torno de 60% dos cargos de livre nomeação existentes na Esplanada.

Em potencial, são 13,4 mil postos de comando e assessoria, incluindo os do gabinete presidencial, a serem oferecidos a especialistas do setor privado ou apadrinhados políticos, aos servidores públicos mais talentosos ou os mais alinhados às chefias. No total, o Executivo dispõe de 21,7 mil cargos desse tipo, disputados pelos partidos e conhecidos no jargão brasiliense pelas siglas NES (Natureza Especial) e, principalmente, DAS (Direção e Assessoramento Superiores) --cujos níveis vão de um a seis, crescentes conforme a posição do nomeado na hierarquia federal.

MÁQUINA PÚBLICA
Trata-se de um número elevado para os padrões do mundo desenvolvido, no qual uma burocracia estável prevalece nos postos de gerenciamento, de forma a preservar o funcionamento da máquina pública nas trocas de governo e reduzir o risco de ingerência partidária na gestão de pessoal.

O levantamento utilizou os dados mais atualizados disponíveis sobre cada ministério, tirando da conta o Banco Central, que possui um sistema próprio de cargos, e os comandos militares. Os resultados estão sujeitos a pequenos ajustes, porque são comuns remanejamentos de funções entre as pastas.

Sob o comando do PT estão os seis ministérios com mais cargos de livre nomeação --pela ordem, Fazenda, Saúde, Planejamento, Justiça, Desenvolvimento Agrário e Educação. A supremacia ajuda a entender a insatisfação dos aliados, como o PMDB, interessado em manter ao menos os postos no segundo escalão da Saúde que obteve no segundo governo Lula.

Os petistas também encabeçam as pastas onde é maior o peso dos cargos de confiança na força de trabalho, casos da Secretaria de Direitos Humanos e do Ministério do Desenvolvimento Social, além, é claro, do gabinete presidencial e seus arredores, de vocação política mais evidente.

ALIADOS
Juntos, os ministérios entregues a partidos aliados não chegam a abrigar um quarto dos cargos totais. Principal sócio do PT no governo, o PMDB conta em suas pastas com 14% dos cargos existentes no Executivo, percentual semelhante ao dos ministros sem partido.

Mais de 3.000 cargos foram criados ao longo da gestão petista, em boa parte devido ao aumento do número de pastas, de 26 para 37. Entre os partidos brasileiros, o PT é o que tem mais tradição na cobrança de uma parcela do salário de seus governantes, parlamentares e militantes instalados em cargos públicos --a última modalidade foi vedada em 2007 pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Com o argumento de que é preciso oferecer remuneração competitiva para atrair profissionais qualificados, a equipe de Dilma Rousseff estuda reajustar os valores dos DAS, atualmente entre R$ 2.116 e R$ 11.500 mensais. Como servidores de carreira podem acumular parcialmente seus vencimentos e as comissões, o ganho médio dos nomeados é mais alto: varia de R$ 10,6 mil (DAS-1) a R$ 21,3 mil (DAS-6).

Brasil tem assessores demais, diz estudo

Estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aponta que o modelo brasileiro de DAS compreende um número exagerado de cargos, não oferece transparência nos critérios de nomeação nem avalia o desempenho dos nomeados.
Pela avaliação, o sistema mistura diferentes objetivos, como preenchimento de postos políticos, recrutamento de especialistas do setor privado e ascensão profissional de servidores de carreira. Isso ajuda a explicar os cerca de 22 mil cargos envolvidos, em uma força de trabalho de 570 mil funcionários no Poder Executivo.
Em comparação citada no documento, nos Estados Unidos há algo como 7.000 postos de livre nomeação, listados pelo Congresso após a eleição presidencial. Há ainda pouco mais de 8.000 vagas para o alto escalão, metade delas reservada a servidores que são submetidos a um processo de seleção. Os números são muito mais modestos em outros países citados: na Holanda, são 780 vagas no governo, distribuídas em cinco níveis hierárquicos; no Chile, 837, em apenas dois níveis.

CONSEQUÊNCIAS
Quantidades não são, porém, a preocupação do estudo, até porque comparações entre países devem ser relativizadas em razão das diferentes estruturas do Estado. A análise se concentra nas consequências do modelo de DAS na gestão do governo. “É difícil para o público brasileiro saber onde termina a atividade política e onde começa a administração profissional”, diz o texto.
“Não há descrições publicamente disponíveis das competências requeridas para as posições ou dos méritos das pessoas selecionadas.” Relata-se que o governo Lula, em 2005, reservou para servidores públicos 75% dos cargos DAS de um a três e 50% dos DAS-4, mas a eficácia da medida para a profissionalização do sistema é vista com ceticismo.
Sem mecanismos transparentes de seleção, avalia o documento, a reserva de vagas não consegue impedir a ingerência política. “Potenciais candidatos a cargos de comando podem querer evitar incômodos aos ministros”, exemplifica-se.
Quase 70% dos cargos DAS são ocupados por servidores, numa definição ampla que abrange funcionários ativos ou aposentados dos governos federal, estaduais e municipais, além de empresas estatais. No DAS-6, a proporção cai para 56%.
Para a OCDE, o modelo brasileiro de DAS apresenta pelo menos a vantagem de introduzir alguma flexibilidade em uma burocracia que, embora de qualificação acima da média latino-americana, é engessada devido à organização das carreiras e a aversão a premiações individuais por desempenho. (Com informações da Folha de São Paulo)

Extraído do site do Jornal O Estado.

PEDRA DE QUILO - Por Mundim do Vale

Há muitos anos passados, houve um inverno pesado emVárzea Alegre e fez com que uma pedra grande rolasse da serra até o sítio Riacho do Meio. No deslizamento a pedra desceu derubando árvores e deixando no seu percurso uma abertura, que mais parecia uma estrada. Nunnca mais nasceu mato naquele local. A parada final da pedra foi exatamente no meio do riacho, onde desviou o curso do río em dois ramais.
Anos depois o espirituoso Pé Véi trabalhava com Fatico na colheita de algodão. Um dia lá Pé Véi zangou-se com Fatico e pediu as contas.
No domingo seguinte Fatico estava na calçada conversando com alguns amigos, quando passou Pé Véi com uma trouxa e falou:
- Fatico. Inté ôto dia. Eu vou trabaiá catando argodão lá no Riacho do Mei, me dixero qui Leó paga muito bem.
Fatico com aquele jeito sereno que só ele possuía, respondeu:
- Seja feliz, Pé Véi. Mas se por lá não der certo, as portas do Buenos Aires estão abertas.
Na segunda feira seguinte, por volta das 18 horas, Fatico estava conversando no mesmo local com os mesmos amigos, quando avistou Pé Véi retornando. O ex patrão vendo que seu ex empregado retornava de mala e cúia perguntou:
- Já de volta Pé Véi? O que foi que houve? Você adoeceu?
Aduecí não Fatico. Eu vou ficar é por aqui mermo, pruquê a peda de quilo de Leó, é aquela qui rolou de riba da serra.
Dedicado a Zé Haroldo Fiuza.