quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Vamos pegar o rato? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Relembro com saudades do companheiro rotariano Jósio de Alencar Araripe, um grande amigo, que a vontade maior, que vence a todos nós, roubou do nosso convívio.

O companheiro Jósio era um forte crítico das idéias desprovidas de inteligência e, principalmente do regime político que vigorou em nosso país por longos vinte e um anos.

Quando o Rotary Clube do Crato ainda se reunia no Crato Tênis Clube, a notícia que mais teve repercussão no noticiário daquela época foi a declaração de Nelson Chaves, um conhecido nutricionista pernambucano, que receitava uma dieta de ratos para acabar com a fome do nordestino. 

Na reunião plenária da semana em que essa notícia era o prato do dia, Jósio se inscreveu no “Período de Comunicações” para comentar a infeliz declaração do cientista pernambucano, que era ligado a uma agência governamental de combate à fome. Iniciou sua fala comentando que a Checoslováquia tinha muitas represas próprias para criação de peixes. 

Era uma excelente maneira de matar a fome do povo daquele país. Que o nordeste precisa de açudes e o Ceará com os açudes do Orós e do Castanhão, naquela época, ainda um projeto distante, poderia se transformar num grande criatório de peixes. 

Ele lembrou ainda, que o governo poderia montar um programa de construção de pequenos açudes, exclusivos para criação de peixes. E assim o companheiro Jósio encerrou sua comunicação: 

“O nosso sertanejo não tem o costume de comer peixe. Mas seria muito mais fácil habituá-lo a comer peixes do que ratos. Mas como esse governo tem muita propaganda, pode ser que investindo em uma maciça campanha publicitária, convença nosso povo a comer ratos. Agora, difícil mesmo vai ser pegar o rato...”

2 comentários:

  1. Caro Morais

    O Dr. Jósio era muito amigo do meu pai, desde o tempo em que eu era ainda criança. Depois, porque casei com uma prima da sua mulher, nos tornamos muito amigos. Tinha cada tirada dele que era impressionante.
    Abraços e um Feliz Natal.

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  2. Mais rescente, o Secretario de Saude de Fortaleza Pedro Timbó, se não me falha a memória lançou também essa ideia, com uma finalidade a mais: diminuir a quantidade de ratos existentes. A ideia fracassou, talvez pelas razões apresentadas pelo Dr. Josio: a dificuldade em pegar os ratos. Dr. Jósio era padrinho de batismo da minha esposa Nair.

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