Ele tinha 69 anos quando mandou às favas quatro mandatos de governador, milhões de eleitores paulistas, os parceiros de tantas campanhas, os incontáveis ataques a Lula e à roubalheira do PT, o terço de carola praticante, o partido que ajudara a fundar e a vergonha na cara, fora o resto — tudo para infiltrar-se na chapa do inimigo como candidato a vice-presidente.
Apostava no fator biológico: é sete anos menos velho que Lula. Em 2001, era vice de Mário Covas quando o governador morreu. Convertido em esquerdista, filiou-se ao PSB, aprendeu a cantar a Internacional Socialista, a gritar “Viva Lula!” com o entusiasmo de cantor à caça de patrocínio.
Aos 73 anos, faz o possível para disfarçar a decadência política.
No início da campanha presidencial, foi escalado para melhorar o desempenho dos companheiros no Estado que governou. Ou pelo menos em Pindamonhangaba, onde nasceu e foi prefeito. No primeiro turno, Lula teve perto de 27 mil votos. Flávio Bolsonaro passou de 52 mil.
Se conseguir a reeleição, o vice continuará duplamente atormentado pela desconfiança dos petistas, que não aceitam recém-chegados, e pelo desprezo do Brasil que pensa e presta.
Neste segundo turno, aliás, de passagem por Pindamonhangaba, o governador Tarcísio de Freitas foi abordado por dois desconhecidos. “Somos parentes do Alckmin”, disse um deles. “Mas votamos no senhor e no Flávio”, esclareceu o outro.
O vice de Lula é hoje um morto político porque se achava vivo demais.
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O eleitor brasilero não gosta de traidor. Geraldo Alckmin jogou fora o legado que herdou do Mario Covas e se transformou politicamente num defunto putrefato que só falta ser sepultado. Geraldo Alckmin se converteu em tudo que ele falava do Lula.
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