Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 29 de março de 2022

OS BANHOS NA NASCENTE E O FUTEBOL - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Inesquecível o tempo de minha infância, no Crato, onde cheguei com nove anos de idade, em 1957.

E nela, claro, está cravado o futebol, como parte integrante.

Era o complemento para outras traquinagens que incluíam a exploração do sopé da serra do Araripe.

Tempo dos banhos da nascente, sem nenhum balneário construído na área.

Os riachos eram limpos e a água não era largamente barrada por tanques de cimento.

Tinha a subida do Lameiro, sem um trago de aguardente, mas com muita "danação" da meninada criada solta.

Escapulidas que Seu Martins cobrava até onde o cinturão alcançava.

Passadas as dores, o saldo dos momentos felizes é que importava.

Tudo tem seu preço, incluindo a felicidade.

Mas sabem? O que sempre me puxou como um ímã foi o futebol.

Como os meninos da minha época não tinham dinheiro, ver o futebol, que só existia ao vivo exigia o esforço de "pular o muro".

Foi o que fiz muito nos Estádios Wilson Gonçalves (campo do Sport) e Pinto Madeira (campo do Cariri).

A não ser quando o bondoso dirigente Raimundo Nascimento permitia que eu e meu irmão Ítalo entrássemos "de graça", por conta de uma contribuição financeira que o meu pai dava para o Sport.

Todos os sacrifícios valiam a pena para ver de perto os ídolos municipais Anduiá, Idário, Panquela, Bebeto, Binda e tantos outros.

"Pular o muro" tinha o gosto de façanha exagerada, na resenha da meninada.

As temporadas com times de fora aguçavam ainda mais o nosso interesse pelo futebol.

O Ferroviário cearense, de Damasceno, Wellington, Aldo e Garrinchinha foi o primeiro time profissional que vi jogar em 1961, em amistoso contra Seleção Cratense, no Estádio Wilson Gonçalves.

O Ferrim venceu por 4 x 3 e um veterano, Antenor, fez os gols da Seleção do Crato.

Depois da satisfação em ver o jogo, veio o desejo de jogá-lo e me tornar jogador de futebol.

Foi no aspirante do Sport que despontei para o anonimato.

Aí, já é uma outra história (mal sucedida) para ser contada.

Um comentário:

  1. Um passeio da saudade. Saudade de uma Crato que era bem melhor do que hoje. Especialmente no segmento futebol.

    ResponderExcluir