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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Bispo afastado pelo Papa Francisco da Diocese de Tyler - Texas - Por Dom Etrickl

O silêncio dos pastores diante do mal e os esforços para encobrir a verdade em vez de limpar a bagunça é o que escandaliza os fiéis.

Dom Joseph E. Strickland.

240 - O Crato de antigamente - Por Antônio Morais.

O Lions Clube de Crato Centro foi o segundo Clube de Lions do Ceará, o primeiro foi o Fortaleza Centro. 

Data da fundação - 08 de Dezembro de 1955.

Clube padrinho - Lions Clube de Fortaleza Centro.

Primeira  diretoría : 

Presidente : Raimundo Quixadá Felicio.

Secretario : Otacilio Anselmo e Silva.

Tesoureiro : Francisco Tavares Bezerra, Tarcisio Leitinho.

Sócios fundadores :

Raimundo Quixadá Felicio.

José Wilson Machado Borges.

Otacilio Anselmo e Silva.

Pedro Felicio Cavalcante.

Francisco Sousa Nascimento.

José Maria da Cruz.

Edson de Almeida Castro.

Expedito Gomes Silva.

Cândido Figueiredo.

Edson Donizete Coelho.

Cicero Barbosa de Carvalho.

José Wilson Marques.

Antonio Machado.

Ernani Brigido e Silva.

Manuel Mauricio Almeida.

Jaime Dorcy Bezerra.

Antonio Alves de Queiroz.

Otaviano Dustam Pessoa Monteiro Filho.

José Leandro Correia, Gessy.

O Lions Clube de Crato Centro disseminou a semente do leonismo na região. O primeiro Clube criado foi Várzea-Alegre seguido por Brejo Santo, Barbalha, Campos Sales, Juazeiro do Norte e diversas cidades da região. 

O Lions Clude de Varzea-Alegre foi um clube muito atuante. Nenhum empreendimento naquela cidade deixou de ter a participação e colaboração do Lions Clube,

A construção do Creva - Clube Recreativo de Várzea-Alegre foi ação do Lions Clube. 

Permitam-me contar uma historinha de uma promoção para angariar fundos para o edificação do suntuoso prédio do Creva. Representação de todas as cidades circunvizinhas. O Crato Centro fazia-se representado pelos casais : Albino Oliveira e Doralice, Arlindo Matias e Julita, Francisco José Pierre e Marlene,  José Leandro Correia, Gessy e Maria Astrês Aires.

Terminado o desfile, eleita a "Rainha da festa", Joaquim Honório de Oliveira, Quinco Honório teve a brilhante ideia de levar a leilão uma prenda inusitada, "uma dança com as rainha eleita".

Assim é que o empresário cratense e membro do Lions Clube de Crato Centro Francisco José Pierre arrematou por 83 mil ( do dinheiro da época ) o direito de dançar com a rainha do evento. 

Dançou, um pouco desajeitado, ele não era nenhum pé de valsa, mas causou inveja a todo mundo no baile.

O Lions Clube de Várzea-Alegre sempre teve participação destacada nas convenções leonística da região, especialmente nas da cidade do Crato.

CALENDÁRIO? - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

O calendário do futebol brasileiro revela uma paixão pelo trabalho mal feito.

Os problemas se acumulam e os dirigentes agem como se não acontecesse nada.

O que chamam de calendário é apenas o lixo de temporadas passadas. Não se reestrutura, se espreme.

Os jogadores são massacrados por uma programação que os impede de treinar. Não é disso que os treinadores reclamam?

Jogar inacreditáveis 78 partidas por ano é um absurdo para um atleta.

Cãimbras e distensões comem de esmola, como temos visto. Uma "dieta" de jogos em cima de jogos.

A riqueza já foi medida pela quantidade de ouro ou prata nos estoques. Hoje, a maior riqueza está concentrada na inteligência que faz os negócios prosperarem. 

Infelizmente, a cartolagem do futebol brasileiro não pensa assim.

239 - O Crato de antigamente - Por Antonio Morais.

Noventa estava muito bem acomodado na sua carrocinha em frente ao Banco Caixeiral do Crato. Quando ouviu um lamento de duas esposas de funcionários do Banco do Brasil que estavam sendo forçados a aceitar a demissão voluntária do governo, do famigerado com licença da palavra : Fernando Henrique Cardoso. 

Noventa interferiu na conversa : Minhas senhoras, não digam que foi eu que disse, mas consigam uns empregos para os maridos de vocês neste banco, apontando para o Banco Caixeiral. 

Daí só sai quando morre.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

238 - O Crato de antigamente - Por José Figueiredo de Brito Filho.

O SOLDADO DUZENTOS.

Eu não sabia por quais artimanhas - era conhecido por ter botado pra correr, sozinho o temível, Lampião e seus numerosos bandoleiros.

Somente anos depois vim saber a verdade, narrada pelo próprio ex-policial. O nome do personagem era João Paulo da Silva, natural da cidade paraibana de Sapé, casado com a brejo santense dona Vitoria. 

O soldado Duzentos, sem o auxilio de outros praças, botou o quadrilheiro e seus asseclas pra correr. Antes de atacar a cidade, Virgulino, cautelosamente, despachou um de seus capangas como olheiro para estudar e avaliar o terreno. Regressando o espião, perguntou-lhe o famoso chefe cangaceiro : 

E então cabra... Quantos macacos estão acampados? E ele trocando as bolas na pressa da informação, ao invés de dizer: Só vi o soldado "Duzentos", foi enfático : Eu só vi "Duzentos" soldados.

Nem é preciso dizer que o destemido Capitão Virgulino Ferreira, prudentemente, mas que depressa, pegou o caminho da mata, seguido por sua cabroeira, deixando assim  o sortudo povoado em paz. E, pra sorte do próprio soldado Duzentos. 

ALGUNS TOQUES - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

O futebol que o torcedor comenta depois do jogo nunca é aquele que de fato aconteceu no estádio. Porque são emoções narradas com o coração e não com a memória.

Há várias maneiras de abordar a vida de um herói. A mais comovente delas é pelo seu fracasso.

Preto e branco, o Botafogo é ao mesmo tempo a ausência e a soma de todas as cores.

Neymar - Decadente e infantilizado, para participar bem da Copa do Mundo, terá que fazer "da queda um passo de dança", como disse Fernando Sabino.

Quem melhor retratou o crescimento do idiota no Brasil foi Nelson Rodrigues, estudioso do assunto.

Não devemos fazer hoje o que podemos fazer melhor amanhã.

A vida é um único e linear plano, sequência com vários tempos mortos.

É ruim quando, com o passar do tempo, as amizades vão se espaçando. Numa paisagem humana tão empobrecida, a amizade faz falta.

"Eu te digo: quando alguém vai embora, alguém permanece. O lugar por onde um homem passou nunca mais será ermo. Somente estará solitário, de solidão humana, o lugar por onde ainda nenhum homem passou". _*César Vallejo, poeta .peruano.

domingo, 29 de dezembro de 2024

O protesto do mel de cana-de-açúcar - Por Norma Novais Miranda.


Os nossos patrões não aguentaram a cobrança de tantos impostos para um produto tão barato. A nobreza dos engenhos "só nós sentia".

para me deixar assim num ponto cheiroso e efervescente, muita coisa se mexia : o corte da cana, os "cambiteiros", o transitar de burros, o espalhar do bagaço, os tanques de garapa, o curral com os chocalhos tinindo vida rural...Tudo era movimento.

Ninguém pôde fazer nada para que eu seguisse fervendo, tornando-me rapadura.

Na certa, os homens de Brasília e de outras terras não gostam de comer rapadura quente na casca do pau da lenha.

Eu, enquanto mel, achava bonito me derramarem na gamela para fazer mexido. Também, achava uma beleza as rapaduras se desprendendo das caixas em cima do bagaço.

Já não caia na gamela efervescendo-me. Evaporou-se o meu cheiro inebriante exalado do fundo do tacho. O mestre já não precisa dar o ponto para se obter a melhor rapadura, e, nem o tocador de fogo se esforçará para colocar o bagaço seco na boca da fornalha.

Patativa já dizia que os "ingem de pau" iriam se acabar. O engenho de ferro também, sábio poeta nosso.Aquela beleza da cana "pendurada". E eu choro um choro amargo de não puder fabricar a doce rapadura.

Os engenhos de pé de serra de Porteiras e muitos de Barbalha foram para a sepultura. Para o investidor sabido vale mais a cana, o açúcar, o álcool e outros negócios mais sofisticados e não artesanais.

Mas, achei mais que luto rural os trabalhadores e os patrões chorarem porque não teriam mais moagem. E a vida desses homens que aprendenram a acordar cedo e só sabiam o manejo do engenho ou de alguma rocinha feita com enxada? E as famílias deste povo de engenho?

Eu, como mel, esfriei no fundo do meu tacho e neste achado de falar, quero esquentar ferver as consciências dos que fizeram a destruição dos engenhos em nome do que se chama progresso ou coisa parecida.

A saudade, a memória, o aperreio de vida, a aventura desastrosa de ir para São Paulo... tudo torna-se uma loucura só nossa, amamos os engenhos.

Na verdade, no meu protesto como mel, que agora se deixa queimar de indignação, os engenhos tornaram-se uma bagaceira por parte dos poderes públicos e de tudo e todos que contribuíram para nossa sucumbência.

O verde vale continua fértil e majestoso. Talvês desgostoso de não escutar mais os apitos dos engenhos, o meu cheiro e o do bagaço fresco. 

O verde vale já não vale tanto. Deixou que o seu doce amor, a rapadura se acabasse. 

E eu, mel, como não fervo mais, sou uma frieza sócio-econômica e histórica que se cala nos engenhos abandonados.

FOCO X DESATENÇÃO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Quando a gente acha que já sabe tudo, não conhece nem a metade.

Vejam, por exemplo, que uma das nossas lutas se dá entre o foco e a desatenção.

Até no futebol é comum se dizer que um time "perdeu por falta de foco", de entender o  jogo e por aí vai.

A velocidade da informação nos cria uma dificuldade de fixá-la e refletir sobre o seu significado.

Há quem diga que a nossa falta de concentração (ou de foco) se deve à presença do celular e da internet em nossas vidas.

A tecnologia captura, excessivamente, a nossa atenção.

Com isso, fica em falta a capacidade de se concentrar em coisas mais sérias.

Como ser moderado com essa situação?

Não perguntem o que fazer. Não tenho resposta.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Inexoravelmente o tempo passa - Por Antonio Morais.

Inexoravelmente o tempo passa. Se esvai e não volta nunca mais.  Sobremaneira, aquele que colhe, somente colhe  aquilo que  plantou. Quem plantou Lula não vai colher coisa diferente. 

Entrando para o terceiro ano de governo o presidente Lula continua o mesmo. 

Acuado.

Apesar de ter  corrompido o judiciário,  o congresso nacional, a imprensa, de está com todo o aparato  debaixo do braço e, o pior,  ter hipinotisado o povo. 

Falta competência, honestidade e seriedade.  Sobram denúncias de mal feitos nos meios de comunicação que ainda  não se venderam.

As estatais vivem o seu pior momento, o dólar nas alturas, dados fabricados de encomenda pelo IBGE, mentirosos e falsos, bem ao estilo de todo governo.

Não há perspectiva de futuro promissor.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Efeito contrário - Por Ronald Reagan.

No Brasil governos populistas e malandros cagam goma e contam vantagens pelo número de pessoas que são adicionadas aos programas sociais.

Veja o que diz um governante sério e honesto :

"Devemos medir o sucesso dos programas sociais pelo número de pessoas que deixam de recebê-lo e não pelo número de pessoas que são adicionadas".

Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos.

DONA JUSTA ESTÁ NUA - Por Xico Bizerra.

 


              

Procura-se roupa decente para vestir a Justiça. Qualquer pano, qualquer trapo ou retalho que não seja uma toga. Sem venda a lhe tapar os olhos, despida de princípios de pesos justos em sua balança e com a espada embainhada contra os costados do humilde povo, a outrora honrada dona Justiça desfila nua pelas ruas, palácios e tribunais, pelas esquinas sinistras do Planalto, escarnecendo a todos e assumindo sua porção prostituída de caráter duvidoso que não resiste ao menor tilintar de moedas à sua frente. 

A origem do metal vil que corrompe – diretamente ou não, é o que menos importa: de Empresários ou Políticos provenientes, ele perverte da mesma forma e avilta com a mesma força. Pobre de quem nela um dia acreditou. 

Dona Justiça hoje habita o mais degradado dos cabarés e se entrega, lânguida e voluptuosamente em lascívia permanente com os poderosos e seus interesses inconfessáveis. Dona Justa está nua e sua venda a esconder-lhe a visão nada mais é que uma fraude.

“Se a monarquia é um sonho, a república que temos é um pesadelo” - Por Armando Lopes Rafael.


    Não custa repetir a íntegra desta afirmação, do historiador Armando Alexandre dos Santos (escreveu e publicou 64 livros), professor da Universidade Sul Catarinense: “Na verdade, a monarquia, longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou por desconhecimento, mas ela é, a meu ver, um caminho viável para o Brasil atual. Pode parecer um sonho, mas, como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Por outro lado, se a monarquia parece um sonho, a república que temos, sem dúvida, é um pesadelo”.

   Verdade. À época do Império do Brasil, mais precisamente no reinado de Imperador Dom Pedro II, tivemos um longo tempo de estabilidade política e progresso em todas as áreas da sociedade. O velho Imperador foi o responsável pelo nosso vertiginoso desenvolvimento. O Brasil recebeu os avanços tecnológicos que surgiram nos EUA e na Europa. Ademais, deve-se a nossa Família Imperial a extinção da maior injustiça que havia no Brasil: a escravidão do negro. 

   No Parlamento tínhamos estadistas, ou seja, políticos que atuavam acima dos interesses partidários e dos próprios interesses pessoais. Sobre este tema, Rui Barbosa, que segundo alguns historiadores teria se arrependido profundamente do golpe republicano, escreveu:  "O Parlamento do Império era uma escola de estadistas, o Congresso da República transformou-se em uma praça de negócios." (Rui Barbosa)

    Pedro II foi o maior estadista de nosso país. São inúmeros os exemplos onde ele coloca os interesses da nação à frente de seus próprios interesses e dos interesses da elite brasileira de então.

Lei do Caminhão do Lixo - Colaboração Jose Eudes Mamedio.


Um dia peguei um taxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa, quando de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente. O taxista pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz!

O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para o cara, fazendo um sinal de positivo. E ele o fez de maneira bastante amigável. Indignado lhe perguntei: 'Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!' Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo de "A Lei do Caminhão de Lixo."Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por ai carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento.

À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu! Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas. Fique tranquilo.... respire e deixe o lixeiro passar.

O princípio disso é que pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo. Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem. A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe! Tenha uma ótima semana.

Livre-se de lixo.

Quando não havia Motel - Postagem do Antonio Morais.


Já havia mais de 20 pessoas em volta do veiculo e aquela aglomeração me fez apressar o passo, pois, confesso que tenho o vicio da curiosidade. Alcancei o ajuntamento de pessoas e pude ver de que se tratava. Uma colisão em plena avenida. O fato de ter sido uma avenida acentuou sobremodo a movimentação de gente e a desordem  no transito.

Aproximei-me o máximo que pude e assim conseguir ver melhor o veiculo, com as 4 rodas para cima. Não havia mais ninguém dentro e se houve vitima já havia procurado socorro. Não lhes sei dizer o tipo de carro acidentado, pois nada entendo do assunto.

Havia todo tipo de pessoas alimentando sua curiosidade e muitos outros a quem interessava o fato.
Um homem, de macacão oleado e roto, com letras sujas pelo peito, era o que mais examinava o veiculo. Não só examinava olhando, pegava, passava  a mão, esfregava, puxava os fios, palmeava as portas. É! No minimo o conserto da maquina vai pra umas dez milhas.

Um cidadão de mala de executivo, bigode ralos e Jeans informou serio e sozinho: Será que se encontrava no seguro?

Por fim apareceu outro cidadão de boné e farda, com uma tabuleta e lápis na mão. Mediu o asfalto. Mediu os rastros dos freios, olhou para os dois lados da avenida, atravessada pela rua. Fez anotações e dialogou com outro fardado, que ajudava na perícia: Sem duvida nenhuma, este motorista entrou errado  no sinal.

Duas garotas infiltradas na massa, chegaram-se até onde eu estava, muito perto da maquina escamoteada. Eram estudantes uniformizadas. Uma que arrumava o cabelo com uma mão e apertava o braço da amiga, exclamou: Olha, Cristina! Os faróis de milha. O volante esporte de corrida, ajuntou a outra.
Vidros Ray-ben.
E baixinho as duas exclamaram: Bancos reclináveis....
Eu não tinha percebido este detalhe.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

237 - O Crato de antigamente - Por Antonio Morais.

Todas as esquinas da cidade de Crato amanheceram enfeitadas com cartazes que anunciavam o evento : "Grande tourada, venham ver Ramon Del Carlos".

as radiodoras  nos seus sons sensacionalistas apregoavam as façanhas do manolo e solicitavam àqueles que estivessem interessados, mandarem seus barbatões para o matador enfrenta-los.

A arena foi armada com bastante antecedência, talvez uma jogada de marketing. A inssistencia na divulgação do evento irritou a rapasiada da Praça Siqueira Campos que decidiram boicotar o evento. 

Onde arranjaremos o touro"?

Tonhão respondeu : O Major Ramiro Monteiro empresta gado para todo mundo.

Assim foi pensado, decidido e concretizado.

Escolham o melhor.

Vamos levar o guzerá!

Que nada rapaz, vamos levar o nelore!

Este também não serve. 

Chama Antonio Mascarenha, um vaqueiro experiente para escolher e levar o touro para arena.

E qual é? 

O mestiço de zebu com holandez.

No dia da festa estava tudo pronto como prometido. Na porteira do jiqui o apresentador falou ao microfone : Este fuleiro vai ser o primeiro que é para negrada rir. 

A algodoeira, "cachaça" rolava gratis, o patrocinador era Gessy Leandro, proprietário  da industria de aguardente.

Senhoras e senhores, com vocês Ramom Del Carlos!

Palmas, ovação.

O toureiro entrou na arena mais enfeitado do que burro de cigano.

Esse espécime sem raça definida, não tem procedência, veio da Chapada do Araripe, abram o jiqui!

Meu amigo, quando o alçapão subiu não deu tempo que o toureiro usasse o pano vermelho. 

O mestiço deu uma cipoada que foi chapeu para um lado, adereços para outro e o toureiro no chão.

O bicho sem interromper a disparada rumou em direção a galera, arrebentando uma cerca de sete fios de arame farpado e sumiu na direção da Batateira.  

Ramon Levantando-se, bateu a poeira e fugiu seguido pela mundiça gritando - Ramon! Ramon! Ramon!

Pelo que sei, esta foi a primeira e última tourada cratense.

SOBRE JUAZEIRO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Volto a falar de Juazeiro do Norte, tomado pela nostalgia.

Em um dos meus livros, fiz uma crônica sobre a cidade, com o título de um sucesso musical: "Você mudou demais".

Deixei a terra do Padim Cícero em 1979. Num curto espaço de tempo, o lugar cresceu e mudou.

Em Juazeiro, dobra-se uma esquina e se sai em outro tempo.

É como se a antiga cidade estivesse passando e tudo mudasse de mãos.

Os costumes, percebe-se, são compatíveis com os novos tempos.

Não é mais, para nós que saímos, a cidade onde todos se conheciam.

O que escutamos nas conversas com velhos habitantes é um muxoxo: "Ninguém conhece mais ninguém".

As marcas do passado não são protegidas. 

De qualquer forma, dá para se orgulhar da evolução da cidade. Como previu o Padre Cícero.

236 - O Crato de antigamente - Por Antonio Morais.

Quando a Praça da Sé, em Crato ainda era toda atapetada de capim de burro e ostentava também suas touceiras de tabocas, ali realizava-se a maior parte dos eventos sociais, esportivos, politicos e religiosos.

Em um desses acontecimentos não faltou um "pau de sebo", talvez o mais alto já erguido para uma festa daquela natureza e no seu topo, além de uma nota de 50.00, o  passaporte para o vencedor era receber o beijo de uma americana do norte, que até hoje não se sabe como ela aportou por aqui e concordou em destribuir cortesias ao vencedor.

Quando Zezinho de Tobias viu a loura "platinada" endoidou.

Ele era campeão na subida nos coqueiros da Casa de Caridade. 

Aceitou o desafio de imediato. 

Espojou-se na areia, foi logo se assungando.

Sob palmas arrancou as prendas e a descida foi facil. 

Quando tocou o chão a gringa cumprimentou-o :

Hello! Hello!

E ele ofegante : O que você acha?

Relou foi tudo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Visão e grandeza, paixão e tristeza - Postagem do Antônio Morais.

A historinha predileta de JK é feita de sonhos, de beleza e grandeza. 

Dois dedicados operários trabalham lado a lado. O mais velho sempre produz muito mais. Ninguém sabe por quê. 

Certo dia um menininho perguntou o que estão fazendo!

O mais jovem:

Assentando tijolos.

O outro.

Construindo uma Catedral.

Rio de Janeiro, Praia de Copacabana, inicio dos anos 60. 

A carioquinha de cinco anos é encantada por JK, amigo do pai Augusto.

Provoca a babá :

Quem fez o céu!

Foi Deus.

E o mar!

Foi Deus.

E eu!

Também foi Deus. Foi Ele quem fez tudo, menina.

É, mas Brasília foi o Juscelino.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Cora Coralina - Por Cora Coralina


Sou feito de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. 

Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de 'nós'.

Cora Coralina.

Ninguém quer deixar um cartão de Bolsa Família para os filhos - Por Carla Jiménez, El País


Poucas coisas se tornaram unanimidade no Brasil nos últimos anos, como o Bolsa Família. Todos os candidatos têm propostas de mantê-lo, com variações no modelo de gestão. Criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi no governo Lula que ele ganhou força, com a expansão para todo o país.

Num primeiro momento, despertou amor e ódio, pois se era implementado com a legítima função de tirar o Brasil das vergonhosas estatísticas de pobreza, o benefício era apontado como um instrumento eleitoral, que acomodava as famílias de baixa renda para que não trabalhassem. Mas, quem acompanha o assunto, garante que ninguém quer deixar um cartão de Bolsa Família como herança para seus filhos.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Croniqueta - Por Antonio Morais.

Antigamente você sabia quem eram os seus inimigos. Eles não falavam com você. Não faziam questão de ficar perto de você.

Hoje eles entram na sua casa. Beijam o seu rosto. Até dizem que te amam, e, na primeira oportunidade te apunhalam pelas costas.

Você nunca verá uma pessoa ingrata bem sucedida. Um dos princípios do sucesso é a gratidão. 

Cuidado, nos dias de hoje temos dois  mundos paralelos. O das pessoas que dizem versículos bíblicos perfeitos e bonitos e o dos que não fazem nada do que dizem.

A amizade é  um tecido delicado que não aceita remendos. 

Pesquisa revela aversão dos brasileiros ao STF - Diário dfo Poder.

Apenas 12% do total avaliam os ministros do Supremo positivamente.

Se os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) achavam que estavam “abafando”, a verdade nua e crua de pesquisa nacional, nesta sexta-feira (19) foi uma ducha de água gelada. 

Levantamento do instituto Poder Data em 196 municípios nos 26 Estados e no DF encontrou apenas 12% dos brasileiros fazendo avaliação positiva (ótimo/bom) dos ministros do STF, enquanto 43% a consideram negativa, na soma de “ruim” e “péssimo”. 

A desaprovação cresceu no período em que o STF assumiu papel político que não lhe compete, incluindo o viés “legislador”. A informaação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do  Poder.

O declino de reputação começou na posse de Lula e início da retaliação do STF aos acusados de “golpe” ou pelo badernaço de Janeiro de 2023.

A pesquisa detecta um milagre de união de contrários: 43% dos eleitores de Lula e 42% dos eleitores de Bolsonaro se unem na repulsa ao STF.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

O silêncio ajuda sempre - Por Antônio Morais.

Quando ouvimos palavras infelizes.

Quando a maledicência nos procura.

Quando a ofensa nos golpeia.

Quando alguém se encoleriza.

Quando a crítica nos fere.

Quando escutamos a calúnia.

Quando a ignorância nos acusa.

Quando a ingratidão nos atinge.

Quando o orgulho nos humilha.

546 - Precioidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antonio Morais.

Violência na visão dos leigos.

Eu tenho uma admiração inveterada pelo sertanejo nordestino. Durante boa parte de minha vida eu possui uma propriedade rural adquirida do senhor Alencar Severino, a criatura mais amiga, honrada e pura que conheci na vida.

Eram quase uma dezena de moradores, Nada mais prazeroso do que sentar na alpendrada da casa e ficar conversando arezia com eles.

Jeová era o mais desmantelado de todos. Todo dia tomava um porre. Quando estava bêbado batia nos meninos. Dona Zefa, a esposa ia socorrer a criança e ele mandava cipó no lombo, apanhava também.

Um dia, Dona Cicera, esposa de seu Luiz, falou : "Muier cuma é que tu aguenta apanhar todo dia uma surra e num reage? As coisas mudaro, eu escutei no rádio que tem a lei Maria da Penha para proteger as muié!

Zefa emendou : Cicera, tu acha que quando ele largar os cabo de vassoura neu, se eu gritar, chega Maria da Penha me acode, ela vem acudi eu? 

Para todo aquele, por mais leigo que seja, analisando bem o mundo que vivemos, Zefa tinha razão. 

O efeito das leis no Brasil perdeu a validade. 

FUTEBOL E POLITICA - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

É comum a comparação entre política e futebol.

Há casos no ludopédio em que um time perde para ele mesmo.

O adversário maior não é o contendor e sim as estratégias erradas para o jogo.

Ainda tem a história do “salto alto”, a sensação antecipada de poder maior sobre o adversário.

Na política, é a mesma coisa, com o papo do “já ganhou”.

Entre as dificuldades para se governar no Brasil, aponta-se como o maior entrave a política de coalisão.

Dessa forma, a única saída é o fisiologismo o que, convenhamos, emporcalha as relações, com “o toma lá dá cá”.

A maldade humana diz que São Francisco existe e mora em Brasília. É dando que se recebe.

O governante é obrigado a adotar esse jogo sujo?

No futebol, seria o mesmo de garantir boa campanha a um time, subornando os adversários.

Há outra situação ilustrada por Nelson Rodrigues: “Os vencedores de hoje serão os derrotados de amanhã.”

Os vencedores atarracham uma tremenda máscara e os derrotados transformam a humilhação do fracasso numa lição.

Como disse o Dr. Ernando Uchoa Sobrinho: “Aceite a derrota como lição e nada lhe pesará”.

Outro aspecto é a sistematização tática.

Um time se habitua a um esquema viciado e previsível de jogo e não se renova.

Na política, da mesma forma, os detentores temporários do poder imaginam que, apesar da manutenção dos vícios, vão permanecer no comando para sempre.

Futebol e política, duas atividades humanas que metaforizam a vida.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Trote, um mal que ainda hoje existe - Por Antonio Morais.

No Crato dos anos 50 e 60 existia um sistema telefônico muito primitivo, como o antigo PABX manual, da empresa STIL- Serviço Telefonico do Interior Ltda. 

Os aparelhos telefônicos pretos eram acionados por uma manivela que dava sinal a uma telefonista que atendia na central. 

O sistema  estava exaurido e vieram os trotes:

Alô, a ligação está boa?

Estique o fio!

Está bem esticado?

Está sim.

Pois, então, enfio no.....

Outro :

Alô, é da  fabrica de gelo?

É, sim senhor.

Aí tem gelo?

Tem sim.

Tem uma barra bem grande?

Sim. Tem barra de um metro.

Pois sente em cima dela, que daqui a pouco eu passo aí para conhecer um fresco.

O ousadia de quem se prestava a essa vil brincadeira não conhecia limites.

Alô, de onde fala?

Do Convento das filhas de Santa Teresa de Jesus.

Desejo falar com a Irmã Virgem.

Aqui não tem nenhuma Virgem.

Eu bem que desconfiava!

Do Livro : Historias que vi, ouvi e contei.

Carlos Eduardo Esmeraldo.

‘Autoridade climática’, se sair, só no próximo ano - Diario do Poder.

Com a suspensão das atividades nas comissões da Câmara dos Deputados, para que o plenário foque nas pautas econômicas, não corre o risco de a autoridade climática sair do papel ainda este ano. Em setembro, após Lula prometer mais uma vez a criação do cargo, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) falou que a função precisa de legislação específica para ter pleno funcionamento. Só que o projeto não anda desde junho, está parado na Comissão de Meio Ambiente.

Longo caminho

Se aprovado, o projeto ainda tem que passar pelas comissões de Finanças e de Constituição e Justiça e, enfim, ir para o Senado.

Em chamas

Enquanto o projeto dormita, o Monitor do Fogo mostra recorde de queimadas em novembro: 2.205.794 ha. Equivale ao estado de Sergipe.

Só piora

O líder de queimadas é justamente o Pará (869.767 hectares), estado que vai sediar a COP 30 em novembro do próximo ano.

Seja o que Deus lhe criou para ser - Por Antônio Morais.

No mundo em que você pode ser o que quiser ser, seja quem Deus te criou para ser.

Nunca dependa de ninguém, só de Deus. 

Porque até a tua sombra te abandona quando você está na escuridão.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Democracia com desemprego e fome - Vicente Limongi Netto é jornalista.

Desembargadores usando tornozeleira eletrônica, general de exército preso pela Policia Federal, ex-presidente da República inelegível por 8 anos. Os três poderes da república funcionando sem restrições. Tudo sem barricadas, tiros, bombas ou atropelos sociais. 

Evidenciam que a democracia brasileira segue altaneira. Firme e forte. Como a saúde do presidente Lula. 

Pronto para voltar ao trabalho. Para tentar amenizar a miséria e o desemprego,  que atingem milhões de famílias. As desigualdades sociais são tenebrosas. O tempo urge. Nada mais triste e cruel do que criança com fome. Sem nada para comer em casa. Esmolando nas esquinas e semáforos.  

Mãos à obra, Lula. Com alma aberta. com altivez.  Sem vinganças no coração. Que não levam a nada. A não ser retornar, logo, breve, ao Sirio Libanês.

No oba obra global de final do ano da cretina Globo platinada, com engomados famosos e sorrisos falsos e engessados,  na hora singela do cineminha homenageando, com fotos,  mortos famosos de 2024, esqueceram de lembrar do respeitado e competente Sebastião Nery. 

Semelhante empulhação e canalhice fizeram com Hélio Fernandes, há alguns anos. Protestei e lamentei, na época, como faço agora. Nenhum dos boçais do grupo globo, têm competência para engraxar os sapatos de Nery e Hélio.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

O Panamá - UOL.

E o Lula botou um chapéu Panamá e foi para a casa. O Sírio-Libanês disse que está tudo bem com o presidente, mas que não pode viajar de avião, então tem que ficar em São Paulo. 

Aí, ele resolveu dar uma entrevista para a Sonia Bridi do Fantástico e foi pego no contrapé. Ele disse que queria que o Brega, digo, Braga Netto tivesse o devido processo legal e a chance de se defender, coisa que ele não teve. 

A Sônia Bridi disse que ele teve sim direito de defesa, que se defendeu em todos os processos e que só foi preso porque na época o Supremo entendia que podia ter prisão depois de condenação em segunda instância. 

Aff!!!

Mas a dor de cabeça mesmo vai vir com o dólar batendo recorde de novo e o pacote fiscal nas mãos de Lira.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Desemprego de ‘6,8%’ do IBGE exclui 44 milhões - Diário do Poder, Cláudio Humberto.

Cresce a desconfiança sobre dados de desemprego do IBGE, órgão do governo federal presidido pelo petista Marcio Porchmann, ex-Instituto Lula. “A conta não fecha”, dizem economistas. Para o IBGE, são apenas 7,3 milhões de desempregados, mas a conta não inclui os 37 milhões de adultos sem-trabalho do Bolsa Família. O IBGE leva em conta só os que dizem ter procurado emprego em vão. Os demais são “desocupados” e excluídos da contagem, como os quase 5 milhões de jovens adultos da “geração nem-nem”, segundo estima o próprio Ministério do Trabalho.

São 44 milhões

Somando os 37 milhões de desempregados do Bolsa Família, são 44 milhões de sem-emprego e não os 7,3 milhões que o IBGE enxerga.

Exatos 40,9%

Somando os adultos que de fato não têm emprego formal, dizem os economistas, o desemprego seria de 40,9% e não de curiosos “6,8%”.

Ficção mal explicada

Não é fraude, apenas “ficção”, na avaliação de Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do IBGE, ao defender maior transparência na metodologia.

domingo, 15 de dezembro de 2024

JOÃO “PÉ DE ABELHA” EXISTIU - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Por muito tempo, ouvi o nome dessa pessoa ser pronunciado em Juazeiro do Norte, sem que me ocorresse saber de quem se tratava.

Depois, tomei conhecimento de que João “Pé de Abelha” assim se chamava porque produzia “remédios” populares na sua “colmeia”.

Não era um “raizeiro”. Pelo contrário, ele se  frustrava por não realizar o sonho de ser grande empresário da indústria farmacêutica. Faltava dinheiro e estrutura científica para tal.

Mas, dentro de suas parcas condições, João “Pé de Abelha” alimentou esse sonho, produzindo “medicamentos” populares para várias enfermidades.

A maldade popular, também, espalhava que seus remédios não curavam nem dor de dente. 

Com muita sorte (me interesso por esses personagens), consegui uma única conversa com “seu” João, no Bar do Moura, localizado em frente à estação da RFFSA.

Foi quando o proprietário, “seu” Moura, militar aposentado, o chamou para um papo. Nessa “entrevista”, indaguei sobre as condições de funcionamento de sua “indústria” de remédios e pude perceber que os seus olhos brilhavam, quando se referia a produtos que foram sucessos de vendas.

A relação dos itens, cujo mostruário não era pequeno, saia da cabeça de João “Pé de Abelha” aos borbotões. Um, em particular, foi vendido aos montes e à sorrelfa, no interior da Bahia. Tinha composição simples: fruto do fícus benjamim (a folha ainda minúscula), com um pequeno banho de maizena líquida, amido de milho.

Segundo João “Pé de abelha”, era um santo remédio para dores do estômago e intestinos. Não se tem noticia de quantos escaparam aos efeitos dessa medicação.

Indaguei se não tivera algum problema com as autoridades sanitárias, e ele afirmou categoricamente que não.

Moura, assistindo à conversa, o desmentiu: “Eu me lembro de tê-lo visto na Delegacia de Juazeiro, uma  vez.” Pois bem, depois de breve discussão, chegou-se à conclusão de que foram duas idas à Delegacia e não apenas uma.

A conversa foi longa e, no final, quando nos despedimos, fiquei à admirar, por alguns instantes, aquele empreendedor de enorme disposição, apesar de tantas dificuldades para sobreviver nesse seco Nordeste.

Certo dia, recebi telefonema de um amigo (não vou dizer seu nome) de Juazeiro, me confessando que, na noite anterior, tinha tentado o suicídio, por não suportar mais as vicissitudes da vida. Foi mais longe, me dizendo ter ingerido vários comprimidos de um medicamento, no intuito de partir dessa para outra.

Para sua surpresa, acordou vivo, sem maiores problemas colaterais causados pela ingestão dos comprimidos. Desconfiava que os comprimidos engolidos não fizeram efeito, provavelmente, por serem genéricos.

Ouvindo aquela narrativa patética, num impulso humorístico (que até hoje não sei explicar como foi possível) eu reagi dizendo o seguinte: “Também, macho, tu fostes logo escolher, pra este ato, um produto de João “Pé de Abelha”!

O suicida, do outro lado da linha, irrompeu numa gargalhada tremenda e quase não paramos de rir. Os “medicamentos” à moda João “Pé de Abelha” acabaram “salvando” o amigo, exatamente porque não tiveram efeito nenhum.

A vida é um teatro - cada um com o seu papel. Trágico ou cômico.

sábado, 14 de dezembro de 2024

O politico Roberto Requião - Por Paloma Amado.



Paloma Amado, psicóloga e filha do escritor Jorge Amado.


Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente, participava da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz.

De repente uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig para Salvador.

Mamãe juntou tudo que mais gostava no apartamento onde não mais voltara e colocou nas malas.


Empurrando a cadeira de rodas de papai ela o levou para sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fia da primeira classe. Em seguida chegou um casal que logo conheci, era um politico do Sul, senador ou governador, já foi tantas vezes os dois que fica difícil lembrar. 

A mulher parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouro, berloques, o jegue na Festa do Senhor do Bonfim. É claro que eu estava de Jeans e tênis, absolutamente exausta. 

De repente a senhora bate no meu ombro e diz: moça esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo. Armei-me de paciência e respondi: Sim, senhora, eu sei.

Queria ter dito que eu pagaria minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse a mulher, bem alto para que eu escutasse: Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos. Eu só sorrir. Terminei o check in e fui encontrar meus pais. 

Pouco depois bateram a porta, era casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a puta que pariu, apesar de desejar fazê-lo. Educadamente disse não. 

Hoje, quando vi na TV o senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou o seu chip, fiquei muito arretada. Deu-me uma crise de mariasampaismo, e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. 

Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.

O safado se chama Roberto Requião.

Paloma Amado - Psicologa, filha do escritor Jorge Amado.

Croniqueta - Por Antônio Morais.

 

Não há nada mais perigoso do que ser feliz diante de um invejoso. O invejoso não quer ter o que você tem. Ele quer que você não tenha.

A falsidade aperta tua mão, sorrir na tua frente e te ataca pelas costas.

Quando até o laço do sapato tentar te derrubar, ande sozinho, ande descalço, mas não pare de andar.

A maldade não deve ser devolvida, deixe o tempo cobrar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Preciosidades da Catedral de Crato: a imagem de Nossa Senhora de Fátima -- por Armando Lopes Rafael (*)

  

Escultor José Ferreira Thedim e uma imagem da Virgem de Fátima 
por  ele esculpida

A origem da imagem

   Existe, numa capela lateral, no braço sul da Catedral de Crato, uma belíssima imagem de madeira de Nossa Senhora de Fátima. Medindo cerca de um metro de altura, essa estátua foi produzida em Portugal, em 1954, pelo escultor José Ferreira Thedim.  Este artesão foi o mesmo que esculpiu as demais imagens peregrinas da Virgem de Fátima, que percorreram o mundo na década 50 do século XX. Em novembro de 1953, Crato recebeu a visita de uma dessas imagens peregrinas. Foi um acontecimento apoteótico, marcante para os fiéis católicos desta cidade.  

   A tal ponto, que muitos fiéis cratenses pediram ao então Cura da Catedral, monsenhor Rubens Gondim Lóssio, para encetar uma campanha visando adquirir uma imagem similar para aquela igreja. A estátua foi então encomendada à oficina de José Ferreira Thedim, localizada na cidade de São Mamede do Coronado, em Portugal. Para confeccioná-la ele utilizou um toro de cedro brasileiro, ofertado pelo cratense João Bacurau.  Um ano depois, em 8 de dezembro de 1955, monsenhor Rubens Gondim Lóssio inaugurava uma capela lateral, na Catedral de Crato, construída para abrigar a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Quem foi José Ferreira Thedim

   Nascido em São Mamede do Coronado, em 1892, José Ferreira Thedim foi um renomado escultor sacro português. Ele ficou conhecido após esculpir várias imagens de Nossa Senhora de Fátima que peregrinaram pelo mundo. O pai de Thedim e seus irmãos também foram escultores. São Mamede do Coronado, localizada no concelho da Trofa, é conhecida, desde o século XIX, por sua produção de imagens sacras, esculpidas em madeira. Entretanto foi somente no século XX, que esta cidade ganhou maior projeção, devido à produção das imagens de Nossa Senhora de Fátima.  

    A primeira estátua de Nossa Senhora de Fátima, esculpida  em madeira de cedro,  media 1,10m. Esta estátua, Thedim realizou após ter conversado com  Lúcia dos Santos, uma das videntes das Aparições de Fátima, que seria a futura Irmã Lucia. A primeira imagem, bem como as seguintes, esculpidas para peregrinações pelo mundo, foram feitas em madeira de cedro do Brasil, vinda dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

   Tal foi a fama adquirida por Thedim, após esculpir essas imagens, que em 6 de dezembro de 1929, o Papa Pio XI procedeu a solenidade de bênção de uma estátua da Virgem de Fátima, executada por este escultor e destinada  a nova capela do Colégio Português em Roma, que é dedicada a Nossa Senhora de Fátima. O trabalho de Thedim ganhou fama internacional a ponto de o Papa Pio XI conceder-lhe o título de Comendador da Santa Sé. 

     Em agosto de 1941, a Irmã Lúcia fez novas revelações acerca da aparição de 13 de julho de 1917, na qual Nossa Senhora mostrou aos videntes o seu coração Imaculado. Foram então esculpidas novas imagens, agora sob a invocação do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria. A primeira delas, também da autoria de José Ferreira Thedim se encontra no Convento das Carmelitas de Coimbra, em Portugal. 

    Em 1947, Thedim decidiu criar uma nova estátua da Virgem Maria. E, novamente, conversou com a Irmã Lúcia, para conseguir informações mais fidedignas de Nossa Senhora de Fátima. Paralelamente, o Bispo de Leiria escreveu à Irmã Lúcia sobre a possibilidade de enviar a imagem existente na Capelinha das Aparições (na Basílica de Fátima),  para visitar diversas partes do mundo, a fim de atender a inúmeros pedidos de fiéis católicos que desejam conhecer a representação da Virgem de Fátima. Em resposta, por carta, Irmã Lúcia sugeriu que a nova estátua, ora em finalização pelo escultor Thedim, fosse utilizada como imagem peregrina, por possuir semelhança com o rosto da santíssima Virgem. 

    O Bispo de Leiria acatou a sugestão da Irmã Lúcia. E no dia 13 de maio de 1947, ele procedeu à benção, denominando-a Estátua Peregrina Internacional de Nossa Senhora de Fátima. No entanto, dada a quantidade de solicitações, vindas de muitas nações, para a receber essa Imagem Peregrina, foi esculpida uma segunda estátua por José Ferreira Thedim. Ambas as imagens percorreram a maioria das nações do globo. Uma delas visitou a cidade de Crato no dia 13 de novembro de 1953. Essa imagem consolidou a veneração do povo cratense por Nossa Senhora de Fátima.  Hoje,

   Crato tem um monumento de Nossa Senhora considerado o maior do mundo para essa invocação. Existe outro pequeno monumento de Nossa Senhora de Fátima, onde funcionou o extinto Aeroporto de Fátima, localizado na Chapada do Araripe, município de Crato. Nesta cidade foi criada, também, uma paróquia dedicada a Virgem de Fátima. Sua igreja-matiz é ampla e acolhedora. Quanto a José Ferreira Thedim, ele morreu em 1971, em São Mamede do Coronado, aos 79 anos de idade.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

Francisco Gentil de Lima - Por Antonio Morais.

Recebi o livro "Francisco Gentil de Lima, um exemplo de vida a ser modelado", da autoria de Leonilda Lima.

Um livro sobre ascendência e descendência familiar. Escrito com a caneta da saudade, com palavras sensatas e sinceras saídas do que coração está cheio.

Recomendo a leitura às gerações atuais, como exemplos de honradez, decência, bons costumes e caráter elevado para as gerações futuras. 

Parabéns aos familiares, em especial ao meu amigo, meu colega de trabalho nos tempos do Bicbanco José Nuestil de Lima, pessoa por quem tenho grande estima e elevada admiração. 

O nosso aplauso legítimo a autora Leonilda Lima.

O prepotente - Por Antônio Morais.

O prepotente é o extremo oposto do humilde. São pessoas abusadas e se excede com extremo mau humor quando descobre que tem poder. Quer conhecer a criatura, outorgue-lhe poderes. 

O prepotente, não aceita aconselhamento sobre suas atitudes iníquas.  Não aceita nenhuma lição de ética, de respeito  pelos demais. 

O prepotente jamais assume a culpa pelos erros praticados e arranja culpados pelos seus enganos. Acha que a sua egoidade é sabedoria e, o próprio espelho, é seu único conselheiro! 

O prepotente ouve só quem lhe dar razão O prepotente é iníquo, contraria a justiça. É o inferno da reprovação social, produzindo, nos outros  feridas mortais. São os que, estando no poder, causam o terror. São a insegurança e o medo. São os que provocam acidentes nas caminhadas da vida.

Prepotentes são os injustos que geram decepções propositadas. São os que destroem o caminho após as jornadas e desagregam as chances de quem vem atrás.

A alma dos prepotentes é o espírito atrasado e nocivo. É mesquinho e malvado, é o próprio desafio de ser humano.  É o tipo malévolo que só causa dor. 

É o responsável pela miséria de todos. É o necrotério da paz e o instinto da perturbação social.  É um tirano que recusa a opinião dos sensatos. Tem mania de tudo ser professor, embora seja um asno que jamais evolui.

SUA MAJESTADE O FUTEBOL - Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Já afirmei, várias vezes, que essa nossa "vida de bailarino" é fogo.

Para explicar e definir muitas coisas, temos que nos valer de palavras alheias.

Não sei se li, ou ouvi, só sei que usei, em textos passados, essa jóia de definição: "Futebol enfeitiça, encanta e cativa. Como toda boa paixão, é a suspensão temporária do juízo". 

Chega arrepia, não é não? Eu deveria ter sido o autor dessa tradução. Mas, não fui, paciência. 

Só me resta acrescentar algo mais, com as minhas palavras,  sobre esse esporte fascinante.

O futebol é, entre várias coisas, elemento de agregação, troca de cultura e investimento.

No caso do Brasil, o País passou a ser conhecido no Mundo através de um negro, Pelé, e um mestiço, Garrincha.

Além do que o futebol ajudou o brasileiro a conhecer melhor suas manias, defeitos e potencialidades.

Viva o futebol.

545 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antonio Morais.

 José Gonçalves Bezerra, Zezito e a esposa Toinha Bezerra.


Mas, eu peço permissão para contar uma historinha do Zezito, o homem mais humano, bom e amigo que se ouviu falar naqueles tempos. 

Um varzealegrense que não revelo o nome nem sob tortura chegou em São Bernardo num período de safra ruim para emprego. 

Com um certo tempo estava devendo a pensão que ocupava e se desesperou. Procurou Zezito e contou sua historia, Zezito lhe perguntou, o que  você deseja que eu faça por você? Eu quero que você me empreste uma quantia para eu pagar umas pendências e voltar para Várzea-Alegre. De lá eu te mando. 

Informado a importância Zezito entregou o numerário. Quando o rapaz chegou na pensão estava  a convocação para o emprego. Um mês depois recebendo o primeiro ordenado procurou Zezito para pagar a dívida. 

Zezito falou : Você já está podendo pagar?  Já resolveu seu problema? Eu pensava que você tinha retornado a nossa terra?

O nosso sertanejo quitou a divida  monetária, agradeceu, ficou devendo o obséquio, a consideração e a gratidão. 

Hoje, conta esta história bonita, solidária, humana e que honra o nosso inesquecível José Gonçalves Bezerra, Zezito.

235 - O Crato de antigamente - Por Antônio Morais.


Dr. Heldon Cariri.

Eram admiráveis a paciência, a calma e a lhaneza no trato com que Dr. Heldon Cariri abordava os pacientes diante dos seus problemas.

Certa feita, eu levei um morador com uma filha que precisava de atenção médica. Depois de examiná-la a mocinha se retirou do consultorio e Dr. Heldon falou para o pai : "sua filha está gravida". 

Esta informação naquela época para um sertanejo, diante do preconceito e ameaça de ter uma filha mãe solteira não podia ser pior. 

O homem respondeu com a voz embargada - "Vou matar ela e o cabra safado que fez isto"!

Dr. Heldon perguntou educadamente : O senhor já foi preso?

Não senhor. 

O senhor já pensou ser preso, ser privado de sua liberdade e carregar o remorso de ter assassinado uma pessoa, seu neto e a sua próprio filha?

O homem descontraiu os musculos da face, voltou a viver, nos retiramos do consultório e de volta pra casa eu falei para ele - "Nunca esqueça as palavras do médico".

Diferentemente, outro morador não teve a mesma sorte. Procurou um médico na cidade do Potengi, com um problema de manchas na pele, doença de fácil tratamento que não representava nenhum risco para ele ou para os outros. 

Bastava seguir a orientação da ciência e procurar a medicação gratuita no posto de saúde do município e o problema estava resolvido. 

O médico que não me lembro o nome e não o conheci, era de Juazeiro do Norte e prestava serviços naquela cidade, olhou para o paciente de soslaio e afirmou de modo "descuidado e com desprezo" : "Você está com lepra"!

Ao retornar para casa, o sertanejo apanhou a espingarda e cometeu suicidio, deixando a mulher viúva e três filhos na orfandade.

A medicina é uma atividade sublime e divina quando conduzida com fraternidade e humanismo, o médico é um servo de Deus.