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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Nossa praça, nosso orgulho - Por Osvaldo Alves de Sousa.



Construída na administração do prefeito Alexandre Arraes, em 1938, Praça Francisco Sá era um dos orgulhos do Crato e, porque não dizer, uma das belezas mais expressivas da região do Cariri.

Encimada pelo Cristo Redentor, a Coluna da Hora, denominação criada pela população, é simbolo eterno da cidade. Durante anos, o Cristo triunfante foi admiração para os que aqui chegavam e bênção para os que daqui partiam no único transporte coletivo existente na época, o velho trem da R.V.C.

Fartamente arborizada, ostentando o colorido das flores, de bem cuidados jardins, uma fonte luminosa a espargir a beleza estonteante das águas multicoloridas, a praça teve seus dias de gloria, admirada pelos visitantes e frequentada pela população no dias-a-dia de seu laser. Não era sem razão que o belo logradouro alardeava o título de sala de visita da cidade.

Palco de congressos eucarísticos memoráveis, de concentrações cívicas e politicas e de outros eventos que marcaram época, a Praça Francisco Sá recebeu de braços abertos, na expressão do Cristo Redentor, figuras marcantes da vida publica do país. A minha geração contemplou e viveu nos sonhos de crianças de décadas passadas, as belezas da praça e a alegria de serem meninos numa terra de passado heroico, de gente laboriosa e administradores competentes.

Com tristeza e amargura. vejo hoje a pracinha de minha infância feliz, relegada e inqualificável despreza, sendo, pouco a pouco, destruída no que ela ostentava de mais belo e pujante, os seus jardins, a sua fonte, a iluminação, dantes moderna e feérica.

À noite, tem servido de refugio a viciados e marginais perigosos. Sala de visita, cartão postal da cidade, rainha dos logradouros públicos do Crato, a Praça Francisco Sá nada mais é, hoje, do que a triste imagem do abandono e da desolação.

É uma pena.

Este texto foi publicado em 1999 - Andanças e Lembranças - nunca foi tão atual

Um comentário:

  1. Lendo este texto do Osvaldo publicado em 1999 vê-se o Crato atual. Abandono e desolação. Triste. Quem tiver a desventura de passar na Praça construída por Alexandre Arraes depois das 9h da noite vai se surpreender.

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