Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Visite e conheça em Várzea-Alegre.


TABERNA DA PIZZA - FORNO A LENHA!

Importou-se  maquinas, equipamentos, conhecimentos e estudos da culinária. Tudo foi preparado com esmero, lhaneza no trato e muito respeito a você consumidor. Um produto da mais fina qualidade e especial paladar.


DEPÓSITO MENEZES - Várzea-Alegre - Ceará.


Depósito Menezes. Rua Duque de Caxias número 68 - Várzea-Alegre - Ceará. Telefone (88)35412749. Organização Dr. Eldinho e Marilena. Pronto para lhe atender bem.


Produtos em geral.


Compromisso e respeito com o cliente. Qualidade e garantia.



Facilidade na sua compra.



Venham conhecer e comprovem.

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR ANTÔNIO DANTAS

Foto de José Alves Feitosa, Dudau, o tabelião citado no Conto. Era primo legitimo e irmão da segunda esposa do Pedro Tenente.

PEDRO TENENTE.


A história de Várzea Alegre é pontilhada de fatos curiosos. Lembro-me muito bem do Pedro Tenente e do Souza. O primeiro era um historiador que não sabia escrever. O segundo, era uma analfabeto que sabia ler.

Pedro Tenente, tinha esse apelido porque o pai dele fora tenente da polícia militar do Ceará e viajava pelo estado todo. Pedro o acompanhava e procurava saber quem era quem nas localidades onde passavam. Ele não sabia escrever, mas ditava as histórias das famílias do Ceará para o tabelião de Várzea Alegre que escrevia pra ele. O tabelião publicava uns livretos, eram simples e fáceis de ler. Meu pai comprava esses livretos na feira e eu lia em voz alta para o pessoal que trabalhava no engenho do meu avo. Eu adorava ouvi o pessoal dizendo – esse menino é inteligente!

Curiosamente, anos depois, lendo a história da família Feitosa, escrito por Chandler, um historiador americano que escreveu também o livro – Lampião, o Rei do Cangaço – pude conferir como Pedro tinha uma memória invejável. As pesquisas do Chandler batiam com a historia dele.

Dizem que certa vez, o finado José Correia pediu a Pedro pra escrever a historia da família dele, e Pedro respondeu – Coronel, esse negócio de família pode dá na cozinha ou no mato!

Professor  Antonio Dantas.

Morre Marco Aurélio Garcia - O Antagonista.


Marco Aurélio Garcia, o chanceler do B de Lula, morreu há pouco de um infarto fulminante.

O ex-assessor internacional do PT ficou famoso ao ser flagrado pela TV Globo supostamente comemorando conteúdo da reportagem do Jornal Nacional que falava de possível defeito técnico da aeronave da TAM (voo 3054) que se acidentou durante pouso em Congonhas.

O acidente que matou 199 pessoas completou dez anos há três dias.

É dando que se recebe - Por Ricardo Noblat

Nada mais natural e ao mesmo tempo moralmente indefensável do que a distribuição de cargos e a liberação de verbas para obras em troca de votos de deputados e senadores.

É o que o governo Michel Temer faz desde o seu primeiro dia quando ainda era um governo provisório. Foi o que fizeram todos os governos que o antecederam. É o que os próximos governos farão, infelizmente.

Seria inimaginável que um presidente em qualquer lugar montasse seu governo com a escalação de adversários para ajudá-lo a governar, desprezando os aliados. Não ficaria de pé por muito tempo.

Mas aqui e em outras partes o que ocorre é outra coisa. Cargos e verbas públicas são usados para que parlamentares abdiquem de suas convicções e traiam seus eleitores. E os cargos servem para que eles façam dinheiro.

Os presidentes não loteiam os cargos com o propósito explícito de que  sejam usados para roubar. Mas sabem que haverá tal uso, discreto ou explícito. É por isso que o sistema político brasileiro apodreceu.

Raros são os políticos que gastam do próprio bolso para se eleger. Pagam suas contas e forram seus bolsos com o dinheiro do fundo do partidário e com o que arrecadam via afilhados bem empregados no serviço público.

É à base do toma-lá-me-dá-cá que são produzidas as mais tenebrosas transações. E ao final quem arca com tudo é o distinto público que paga impostos e continua sendo mal tratado pelo Estado.

É por isso que com frequência governos impopulares como o atual conseguem sobreviver às mais precárias situações. Podem ser fracos da porta da rua para fora. Mas são fortes da porta do Congresso para dentro.

SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ - Por Chico Xavier.

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.

Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, esqueça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: "Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!" Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu... Ser seu amigo... já é um pedaço dele.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Você sabe o que é capitão? - Por Antonio Morais.


Dona Anunciada reuniu as filhas e anunciou : Vejam o que o pai de vocês anda fazendo com o dinheiro da aposentadoria dele e da minha, está faltando mantimentos  na despensa.

As filhas ficaram inhetas, num pé e noutro, foi um afregelo. Esperaram o dia combinado do pagamento no banco.

No dia Belisário acordou cedo, botou roupa nova, espremeu um frasco de perfume mistral no sovaco, colocou chapéu na cabeça e fez finca pé pra cidade. As filhas acompanharam sempre  medindo uma certa distância para que o velho não desconfiasse e caisse na esparrela armada por elas. 

Belisário saiu do banco  e rumou  para o puteiro de Antônia de Canela. De longe as filhas viram o velho todo fiota acomodado numa mesa cometendo pecado  com duas "quenguinhas" no colo tomando cerveja num copo só. 

Belarmina  já queria fazer um barraco ali mesmo, mas, foi impedida pelas irmãs. Calma, espere ele chegar em casa.

Belisário chegou em casa mais desconfiado  que esses bandidos da Lava Jato quando vão a Curitiba falar com o Juiz Sérgio Moro. 

Começou o fuzuê, um cu de boi da muzenga. Belisário nada dizia e as filhas revoltadas de pauta com o diaba.

Por fim,  a caçula olhou para o velho e lascou : Papai eu só queria saber o que o senhor  com 80 anos faz com aquelas quengas?

O velho Belisário respondeu de forma quase teatral : Eu boto pra fazer "capitão".

Fé - Postagem do Antonio Morais.

Uma vez um homem estava sendo perseguido por vários malfeitores que queriam matá-lo. O homem, correndo, virou em um atalho que saía da estrada e entrava pelo meio do mato e, no desespero, elevou uma oração a Deus da seguinte maneira:
"Deus Todo Poderoso fazei com que dois anjos venham do céu e tapem a entrada da trilha para que os bandidos não me matem!"

Nesse momento escutou que os homens se aproximavam da trilha onde ele se escondia e viu que na entrada da trilha apareceu uma minúscula aranha. A aranha começou a tecer uma teia na entrada da trilha. O homem se pôs a fazer outra oração cada vez mais angustiado: "Senhor, eu vos pedi anjos, não uma aranha. Senhor, por favor, com Tua mão poderosa coloca um muro forte na entrada desta trilha, para que os homens não possam entrar e me matar."

Abriu os olhos esperando ver um muro tapando a entrada e viu apenas a aranha tecendo a teia. Estavam os malfeitores entrando na trilha, na qual ele se encontrava esperando apenas a morte. Quando passaram em frente da trilha o homem escutou: "Vamos, entremos nesta trilha!" "Não, não está vendo que tem até teia de aranha? Nada entrou por aqui. Continuemos procurando nas próximas trilhas".
Fé é crer no que não se vê, é perseverar diante do impossível.
Às vezes pedimos muros para estarmos seguros, mas Deus pede que tenhamos confiança n'Ele para deixar que Sua glória se manifeste e faça algo como uma teia, que nos dá a mesma proteção de uma muralha. Que possamos entender as coisas de Deus e o que Ele tem feito em nossas vidas!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Contos varzealegrenses - Por Professor Antônio Dantas


Obrigado por lembrar do meu tio, Luiz Dantas. Aquele foi grande batalhador que deixou saudades muito cedo. Lembro-me da última vez que o visitei, lá pelos idos de 67. Eu estava no penúltimo ano da Universidade e havia casado há pouco tempo. Todas férias eu lecionava português numa universidade vizinha, mas naquele ano, por causa do casamento não pude me deslocar. Assim mesmo, ganhei um bom dinheiro trabalhando durante o dia como salva-vida numa praia de um rio e a noite carregando caminhão de uma empresa transportadora de encomendas. Com a grana na mão, achei que estava na hora de visitar os parentes.

Minha mãe, que nunca deixou de visitar os parentes todos os anos, já estava em Várzea Alegre me esperando. Quando cheguei lá, Luiz foi de um gentileza que ainda tenho saudade daquela bondade dele. Eu queria visitar meu tio Marcelino, de saudosa lembrança, que morava no recanto a beira do Riacho da Fortuna. Luiz se ofereceu para me levar até o Recanto, onde meu tio Marcelino morava.

Quando chegamos ao Recanto, o alvoroço das primas e da família inteira foi tão grande que as abelhas africanas não aguentaram e partiram para o ataque. Não deu nem tempo abraçar todos. A ferocidade das abelhas foi tão grande que tivemos que correr por dentro uma plantação de milho para nos livrar das ferroadas.

Meu tio, que nunca teve medo de nada, não quis brincadeira. Preparou um facho de fogo e foi direto as colmeias e, sem proteção alguma, destruiu tudo com a mesma vontade das abelhas. As colmeias eram do filho dele que estava fazendo uma experiencia com as africanas. Fiquei devendo o mel ao primo!

Na volta pra Várzea Alegre tivemos dificuldades atravessa o Riacho do Machado e ficamos um bom tempo esperando um caminhão abri caminho. Finalmente, chegamos tarde da noite e no dia seguinte fomos visitar os parentes no Baixio. Cada visita era um momento de grande satisfação. Não posso esquecer!

A viagem foi cheia de surpresa. Quando voltei para o Crato, fui até o correio enviar um telegrama avisando meu irmão que chegaria em Fortaleza lá pelas 4 horas da tarde. A moça que me atendeu no correio foi muito esperta e perguntou – mas o senhor não viaja nesse avião da tarde? – Sim, respondi. Ela olhou pra mim um pouco decepcionada e disse – então não mande esse telegrama, não. Ele vai no mesmo avião.

Ontem o tema dos comentários sobre o conto que você postou foi a saudade. Hoje, você avivou as minhas falando do tio Luiz. Quando lembro das minhas visitas e as saudades apertam. Infelizmente, atualmente no Baixio, existem poucos pra serem visitados, apenas dois tios e a viúva do tio Luiz. Essa é a parte mais triste de toda essas andanças minhas. Quando estamos ausente da terra, temos aquela esperança de que ao voltarmos vamos encontrar todos e tudo do mesmo jeito. A volta não mata a saudades, mas sempre traz alguma tristeza e decepção. Ms precisamos voltar para não ser enganados pelo tempo. Voltar ao Baixio e não encontrar meu avô, Luiz e Zé Carlos é a parte mais dolorosa da viagem. Mas ela é necessária para confirmar e tirar todas as dúvidas.

Certa vez aqui, nos Estados Unidos, reclamei para um amigo das saudades que tinha de minha terra. No dia seguinte, ele chegou lá em casa e me presenteou com um livro, cujo título é: You Can't Go Back Home (Você não pode voltar pra casa). Li o livro e discordei. Lembranças do que é bom não é uma questão de lógica, mas de sentimentos. É isso que nos torna humanos. 
Obrigado, 

Antonio Dantas

"Wilson Gonçalves: cajazeirense que brilhou no Ceará" - Por José Antônio Albuquerque.


“Nasci paraibano sem querer”, afirmava Wilson Gonçalves, cajazeirense nascido em 6 de outubro de 1914, filho de Zacarias Gonçalves da Silva e Adília Gonçalves Cavalcante, que perseguidos por jagunços foram obrigados a fugir do Crato para Cajazeiras.

O conheci em uma de suas visitas a Cajazeiras no armazém de meu pai, a quem visitava para abraçar e conversar sobre política, a coisa que Wilson fazia muito bem e com prazer redobrado. Era irônico, bem informado e inteligente.

Vivia só para a política. Não vendia nem comprava. Não possuía empresas. Não enriqueceu na vida pública e de conduta inatacável e na cidade do Crato, durante as campanhas eleitorais, a única restrição que lhe faziam, residia no fato de ter nascido em Cajazeiras, tangido pela rebelião que derrubou o Presidente Franco Rabelo. Os seus adversários diziam: “porque votar num paraibano, se há tanto cearense candidato!”

Quando faleceu, em 14 de novembro de 2000, todo o estado do Ceará e em especial o Cariri cearense lamentou a morte dele. Foi sepultado em Fortaleza.

Foi advogado, professor, jurista, jornalista, político e ministro do antigo Tribunal Federal de Recursos. Bacharel em Direito, em 1937, pela Universidade Federal do Ceará, tendo exercido a advocacia no Ceará, Paraíba e Pernambuco, até fixar residência em Crato, onde foi secretário-geral da prefeitura e depois prefeito (1943-1945), pelas mãos do interventor Menezes Pimentel. Ingressou no PSD sendo eleito deputado estadual em 1947, período da redemocratização, e em 1951 (pleito extemporâneo) e 1954. Foi ainda vice-governador, em 1958, na chapa de Parsifal Barroso. Eleito senador em 1962, migrou para a ARENA após a deposição de João Goulart, sendo reeleito em 1970. Em 22 de novembro de 1978 foi nomeado para o Tribunal Federal de Recursos pelo presidente Ernesto Geisel.

Tenho tentado encontrar mais fontes sobre a passagem dos pais de Wilson Gonçalves por Cajazeiras, mas no ano de 1914 não havia ainda nenhum jornal na cidade que pudesse registrar este fato. Não temos também informações porque seus pais preferiram a cidade de Cajazeiras para se refugiar, talvez porque já teria sido escolhida para ser sede de Diocese, ou pela proeminência histórica do Padre Rolim ou ainda por ter familiares em Cajazeiras.

Não sei quando e em que tempo a cidade de Cajazeiras vai ter um gestor com sensibilidade e acima de tudo, com devoção e amor e que tenha a capacidade de entender da importância da preservação do nosso riquíssimo “arquivo público e histórico” e um dia talvez, destine um teto para guarda e conservação, para que os futuros pesquisadores possam escrever a nossa história baseada em fontes documentais e que não se repita o “desastre” de 1954, quando da transferência para a nova prefeitura, quando os documentos “velhos” foram incendiados.

Wilson Gonçalves faz parte da galeria dos cajazeirenses ilustres, mas infelizmente esquecido e ignorado, mas que precisamos resgatar a sua história e vinculá-la a de nossa cidade.

Ainda dá para salvar a República? Na crise, parlamentarismo volta ao debate

Fonte: jornal "Folha de S.Paulo", 18-07-2017.
Para Roberto Freire, a resistência ao sistema se deve ao 'atraso de se imaginar um salvador da pátria'

O parlamentarismo voltou ao debate político como resposta à crise, ainda que a viabilidade de implementação desperte ceticismo inclusive entre entusiastas.

Na semana passada, o senador José Serra (PSDB-SP) conversou com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), sobre a instalação de uma nova comissão especial sobre sistema de governo.

Segundo Eunício, a comissão será instalada em agosto.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tratou do tema com o presidente Michel Temer há poucos dias e os dois ficaram de retomá-lo em breve.

"Tem de haver uma redução dessa multiplicidade de partidos para que o sistema se consolide. O nosso presidencialismo esgarçou-se demais", observou Gilmar.

"Dos quatro presidentes pós-1988, só dois terminaram os mandatos. Há algo de patológico. Eu quero contribuir para a discussão."

O Brasil, como os EUA, é presidencialista, sistema no qual o presidente é chefe de Estado e de governo. No parlamentarismo, adotado em países como Reino Unido, Portugal e Itália, o governo é comandado por um primeiro-ministro escolhido pelo Poder Legislativo, que pode trocá-lo a qualquer tempo.

A ideia de Serra é colocar em tramitação um projeto de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), senador licenciado e hoje ministro de Relações Exteriores, para implementar o parlamentarismo a partir de 2022.

"Meu plano é que, no próximo mandato, se faça a transição, o que não significa misturar, fazer algum tipo de 'semi', mas é reestruturar as carreiras", diz Serra.

Os cerca de 20 mil cargos de confiança teriam de ser extintos, afirmou, senão, quando houver mudança de primeiro-ministro, será necessário trocar todo o pessoal.

O ministro Mendonça Filho (Educação), um dos articuladores da reestruturação do DEM, que tem o parlamentarismo como bandeira, afirmou que o novo sistema "consagraria maior nível de governabilidade".

Atalho
Se quisesse, o Congresso poderia dar ares mais palpáveis à discussão, que gira em círculos há décadas no país. Uma PEC (proposta de emenda à Constituição) da Câmara já foi aprovada em comissões e está pronta para ser votada em plenário.

De autoria do ex-deputado Eduardo Jorge, à época no PT, com substitutivo de André Franco Montoro (PSDB-SP) e Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), data de 1995, foi questionada no STF e hoje mofa em alguma gaveta na Câmara.

"Passada essa crise e Michel Temer continuando no poder, a questão pode ter alguma vitória", disse Andrada.

Para o deputado Roberto Freire (PPS-SP), o debate não se concretiza "porque as pessoas defendem com receio de que não tenha viabilidade, e aí fica apenas no ideal".

A resistência se deve, segundo ele, "ao nosso atraso de ficar imaginando que vai se ter um salvador da pátria. Quem se posicionou contra na Constituinte? O PDT, que imaginava eleger Brizola, e PT, que imaginava Lula".

Mendonça Filho acrescenta ao rol de dificuldades a "antipatia natural da opinião pública, que confunde parlamentarismo com Parlamento e suas mazelas".

Mas, ele nota, o sistema "tem uma vacina muito importante : o primeiro-ministro não precisa fazer concessão ao populismo para governar", já que é eleito por parlamentares.

Um dos argumentos contrários é a instabilidade se houvesse trocas frequentes de primeiro-ministro.

Freire rebate. "Em Portugal, chamam até de geringonça, porque é um arranjo de maioria. Se o partido que não faz parte do governo não votar a favor, cai o governo, então ele é muito mais responsável, mais estável."

Em 1993, o parlamentarismo foi rejeitado em plebiscito.

Temer declara guerra à Rede Globo e executa dívidas da emissora com a União - Por Jornal O Dia.


O presidente Michel Temer enviou o ministro Moreira Franco para conversar com a cúpula da TV Globo há dois meses, numa tentativa de trégua. 

Mas foi em vão. Temer então declarou guerra. E passou a ordenar a execução de eventuais dívidas da emissora com a União, de impostos e de financiamentos no BNDES.

No contra-ataque, a emissora determinou a aproximação de seus principais executivos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na tentativa de fazê-lo presidente da República. Mesmo que seja por um ano, até a eleição direta.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Retrato de um corrupto - Por Ricardo Noblat


Lula é corrupto. É o que ele é até sentença em contrário. Continuará a ser caso a Justiça em segunda instância confirme a decisão do juiz Sérgio Moro que o condenou a nove anos e seis meses de prisão.

Então ficará impedido de assumir cargos públicos por sete anos. No caso do tríplex do Guarujá, Lula incorreu em dois crimes: corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É réu em mais quatro processos.

Lula insiste em dizer que somente o povo tem o direito de julgá-lo. Como se o exercício do voto em uma democracia dispensasse a existência da Justiça. Prega o desrespeito às leis uma vez chancelado pelo povo.

Se não reconhece que o mensalão existiu, por que admitir os crimes de que o acusam? Mente sem pejo. Na política, a verdade é tudo aquilo o que os políticos querem vender como tal.

Getúlio Vargas chamou de “Estado Novo” o regime autoritário que comandou entre 1937 e 1946. Jânio Quadros morreu repetindo que renunciara à presidência devido à ação de “forças terríveis”. Fê-lo para voltar com poderes ilimitados.

Ao golpe militar de 1964, responsável pela morte e o desaparecimento de 434 pessoas, os militares deram o nome de “revolução” e ainda hoje o festejam assim.

Para tentar sobreviver, Lula jamais abdicará do papel de vítima. Foi vítima do destino ao nascer de mãe analfabeta e de pai mulherengo que a deixou com oito filhos; da seca do Nordeste que o fez embarcar em um pau-de-arara com destino ao sul do país; da miséria na periferia da capital de São Paulo; do torno mecânico que lhe amputou um dedo; da ditadura que o perseguiu; e por fim do preconceito das elites.

É inocente dos seus atos. De não ter estudado por alegada falta de tempo; de não ter-se preparado para entrar na vida pública confiando na própria intuição; do seu primeiro governo ter pagado propinas a deputados; de o seu segundo governo ter parido o maior escândalo de corrupção da história do país; de ter elegido um poste que acabou no chão; e de ter construído uma fortuna à base de obséquios.

Valeu-se da esquerda para alcançar o poder. Governou com a direita, os 300 picaretas que identificou no Congresso, e outros tantos que ajudou a criar.

Emparedado pela Justiça tirou a fantasia de Lulinha Paz e Amor, autor da Carta aos Brasileiros, para vestir a da jararaca venenosa, de volta ao regaço da esquerda. Se ela ensaiava refletir sobre seus erros, o ensaio foi adiado. É refém dele. Seguirá refém.

A condenação de Lula por Moro imobiliza o PT e seus parceiros e unifica os políticos alvejados pela Lava Jato. Todos torcem para que Lula seja bem-sucedido porque isso lhes abriria as portas para que também escapem da punição da Justiça e dos eleitores.

A próxima eleição presidencial se dará mais uma vez à sombra de Lula, como a primeira depois de 21 anos de ditadura e como as posteriores.

Se ele não puder disputá-la, seu apoio ainda valerá ouro para políticos carentes de votos (alô, alô, Renan Calheiros!).

Se ele um dia defendeu José Sarney como “um homem incomum”, a merecer reverências, o mínimo que espera é ser tratado como o mais incomum dos homens, seja pela Justiça ou pelos crentes nas urdiduras do destino. Há que reconhecermos: Lula é de fato um homem especial.

Poderia ter entrado para a História com a maior aprovação popular conferida a um governante. Preferiu entrar como o primeiro ex-presidente da República do Brasil condenado por corrupção.

Prepotência - Por Paloma Amado.



Paloma Amado, psicóloga e filha do escritor Jorge Amado.


Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente, participava da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz.

De repente uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig para Salvador.

Mamãe juntou tudo que mais gostava no apartamento onde não mais votara e colocou nas malas.

Empurrando a cadeira de rodas de papai ela o levou para sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fia da primeira classe. Em seguida chegou um casal que logo conheci, era um politico do Sul, senador ou governador, já foi tantas vezes os dois que fica difícil lembrar. A mulher parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouro, berloques, o jegue na Festa do Senhor do Bonfim. É claro que eu estava de Jeans, e tenis, absolutamente exausta. De repente a senhora bate no meu ombro e diz: moça esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo. Me armei de paciência e respondi: Sim, senhora, eu sei.

Queria ter dito que eu pagaria minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse a mulher, bem alto para que eu escutasse: Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos. Eu só sorrir. Terminei o check in e fui encontrar meus pais. Pouco depois bateram a porta, era casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a puta que pariu, apesar de desejar fazê-lo. Educadamente disse não. Hoje, quando vi na TV o senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou o seu chip, fiquei muito arretada. Me deu uma crise de mariasampaismo, e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.

O safado se chama Roberto Requião.

Paloma Amado - Pscologa, filha do escritor Jorge Amado.

A República sobreviverá? Partidos fazem campanha antecipada para Lula

Fonte: Estado de Minas, 17-07-2017.
Depois da primeira condenação do ex-presidente Lula, os partidos iniciam os movimentos para a eleição presidencial do ano que vem. A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quarta-feira antecipou as análises de cenários dos partidos para as eleições de 2018.

Esquerda e direita, embora em plena articulação de bastidores, se esquivam de apontar saídas seguras para o próximo pleito de 2018.

As controvérsias que envolvem os atuais líderes da pesquisa – o próprio Lula e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – podem abrir caminho para nomes novos, que ainda poderão surgir na complicada disputa à Presidência.

A possibilidade de Lula não participar da corrida dá fôlego aos outros partidos, que começam a costurar nomes que possam ter força para, mas gera dúvidas no PT. O desafio do partido, se o principal representante, de fato, se tornar inelegível, é encontrar um nome para entrar na disputa.

O discurso da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), é que não há plano B, mas isso deve ser desconstruído ao longo dos próximos meses, acredita o coordenador de análise política da consultoria Prospectiva, Thiago Vidal.

Caso o PT pretenda se manter entre as opções, ele precisa de tempo hábil para construir um candidato alternativo a tempo de conquistar apoios. “Se Lula sair da disputa, o PT terá que fazer o que já devia ter começado há algum tempo: pensar em uma alternativa. Mas dificilmente fará isso de forma pública”, pondera Vidal.

Nesse cenário, entra o nome de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, muito cotado por analistas e parlamentares, mas ainda uma dúvida no partido. Na capital paulista, Haddad foi eleito em 2012, mas ficou de fora do segundo turno em 2016.

Petistas citam ainda o ex-ministro da Justiça e advogado da ex-presidente Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, e Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul. Outro nome que tem sido citado nos bastidores para representar a esquerda, embora de forma mais tímida, é Jaques Wagner, que foi governador da Bahia e ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

“O PT não tem um candidato a nível nacional que seja trabalhável. Dificilmente Lula conseguirá passar para esses candidatos os votos que seriam para ele. Seria uma participação simbólica”, pontuou Vidal. “No fundo, a campanha vai ser em torno Lula sendo transferidor de votos. O PT indicará um candidato com boa condição de desempenho, mas que talvez não chegue nem ao segundo turno. Ele conseguiu eleger Dilma no auge do sucesso, mas, da segunda vez, já foi difícil”, avaliou o advogado Murillo de Aragão, cientista político da Arko Advice Pesquisas.

A outra opção do PT, caso Lula não possa se candidatar e o partido não queira um novo nome, é apoiar outro candidato da esquerda, como Ciro Gomes, opção mais forte do PDT, e montar uma coalizão de centro-esquerda. Mas o mais provável é que o PT busque um nome próprio, acredita Aragão. “É um partido muito hegemônico. Dificilmente aceitaria apoiar um candidato de fora, salvo uma crise”, comentou o especialista. Na avaliação de Vidal, se Lula não perder os direitos políticos, dificilmente Ciro será candidato, porque isso dividiria os votos da esquerda. “Provavelmente, ele seria candidato a vice ou algo assim. É difícil disputarem a mesma base de votos, porque seria ruim para os dois.”

Renovação

Vidal lembra que a eleição do ano que vem será de “renovação”. “Qualquer figura política associada ao atual governo dificilmente terá chances de se reeleger, seja deputado, governador ou presidente. Isso abre espaço para os partidos que não estão colados a este governo, sobretudo os mais novos”, disse Vidal.

O deputado Major Olímpio (SD-SP) também se diz descrente de vencedores que sejam conhecidos, na atual conjuntura. “Acho muito precoce qualquer discussão sobre 2018. Talvez quem vá disputar, ganhe a eleição por W.O. Acho que os brancos e nulos é que terão maioria”, disse. O deputado apostou em novos nomes, como Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e, quem sabe, o apresentador Luciano Hulk. “Seja quem for, terá uma chance enorme. O pior cenário são os atuais. Seria o ruim contra o pior”, declarou o deputado.

Nesse núcleo de “renovação”, também entram candidatos de centro-direita, como João Doria, atual prefeito de São Paulo e um dos nomes mais cotados para disputar a presidência pelo PSDB em 2018. O tucano, no entanto, é uma opção muito mais viável caso Lula não seja impedido de ser candidato, avalia Vidal. Ele é visto como uma figura “anti-Lula”, mas não como um candidato individualmente forte, a não ser que tenha amplo apoio do PMDB e do DEM. “Ele teria chances, porque assim teria uma força partidária boa. Essa é a equação: candidato forte com estrutura forte”, disse Aragão.

A outra opção do PSDB seria o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que, no entanto, pouco tem a ver com renovação. Ele disputou as eleições presidenciais de 2006 e perdeu, mas continua com nome forte dentro do partido, especialmente entre os integrantes mais antigos. “Hoje, ele é a opção mais viável do partido. Se o PT começar a discutir publicamente uma alternativa a Lula, o Doria não seria o candidato ideal. Já o Alckmin tem agido, está se movimentando para barrar a oposição interna”, argumentou Vidal. O deputado Major Olímpio destacou que as apostas do PSDB ou estão envolvidas em escândalos, ou sendo processadas. Doria está limpo, mas vai ter que lutar contra o próprio criador (Alckmin). “Para Lula, é questão de andamento do processo. Tem que ser preso. Bolsonaro tem 15% ou 25% do eleitorado. Não chega a 50% mais um dos votos. Marina Silva também não passa dos 20%”, pontuou.

Para os eleitores e aliados de Bolsonaro, a vitória é certa se Lula não for preso. Torcem, inclusive, para que o líder do PT só seja condenado após o pleito de 2018. A situação para o militar só se complicaria se outros entrarem na disputa. Para o deputado Capitão Augusto (PR-SP), que circula de farda pela Câmara, a sociedade não terá dúvidas em tirar o ex-presidente da República. “Com Lula, Bolsonaro vai para o segundo turno e ganha. Ele leva vantagem pela rejeição do oponente”, disse. O Delegado Éder Mauro (PSB-PA) lembrou que Bolsonaro já encostou em Lula na corrida presidencial. “Lula só tem os 30% da esquerda. Pelo Brasil, perdeu força. Ao contrário do Jair que está crescendo. A única coisa que precisamos é que todos os outros partidos venham a se unir a nós. Bolsonaro ainda não tem coligações”, disse.

Brasilidade - Postagem do Antônio Morais.


Nos grupos escolares de épocas passadas, duas matérias eram consideradas de grande importância na formação do estudante.

Organização social politica do Brasil e educação moral e cívica. Os intelectuais do ministério da educação, atual, acharam que tudo era bobagem e elas sumirão dos programas educacionais.

No nosso país, não se hasteia mais a Bandeira brasileira, nem nos quarteis, que passaram a ser administrados como simples órgãos civis. 

Em alguns países os cidadãos amam o símbolo  maior de sua pátria, a Bandeira, fazem questão de ostentá-la frequentemente.

O PAÍS DAS ALMAS - Dr. Napoleão Tavares Neves.

“O Saco é o país das almas. Lá todo mundo vê alma”, Napoleão explica antes de contar a mais estranha de todas as histórias que ele presenciou,.

“A única vez que eu vi darem uma surra num defunto foi lá”. O fato aconteceu enquanto ele acompanhava o carregamento do corpo de um homem que morreu empurrando lenha no talhado do engenho. “Eles vinham descendo com o defunto em uma rede, até que um deles reclamou: ‘o defunto tá pesando’. Aí o mais sabido gritou: ‘Para, para, para! Isso é porque o diabo não quer que a gente leve ele pra igreja. Aí se escancha em cima da rede e faz pesar’. Eu fiquei todo arrepiado quando ele disse isso. Depois entrou no mato, tirou um galho de pau e deu uma pisa no morto. Enquanto ele dava, os outros descansaram”, contou. Quando testaram o efeito da surra, alguém elogiou: “Ah, agora tá manêro”.

Aos 12 anos, acompanhando o aboio de 200 reses de uma fazenda a outra, Napoleão viu outro acontecimento, no mínimo mágico, digno de passagem em livro de Guimarães Rosa. A caravana se deparou com a caveira de um boi morto na estrada e, em vez de seguir caminho, todas os bois se puseram em torno do corpo do bicho e choraram. “Uma coisa que eu nunca vi na minha vida. A coisa mais linda. Os bois cavando em torno do irmão e urrando. Todo o gado, sem faltar um. Os vaqueiros então tiraram o chapéu, puseram no peito e baixaram a cabeça”. Maravilhado com o Cariri, o menino Napoleão começou a desconfiar que havia muita história a ser contada. Ele então adquiriu os hábitos que definiram sua personalidade e serviram para resgatar memórias dos caririenses: ele aprendeu a perguntar e a ouvir. Em sua biblioteca, uma estante que vai do chão ao teto guarda quase duas mil crônicas que já foram lidas em rádios de Barbalha e Crato, contando o que ele escutou ou viu em seus 86 anos de vida.

Se Napoleão não conseguia dormir, amedrontado pelos cangaceiros, não haveria como fugir: a sua avó materna, Ana Pereira Neves, a Donana, foi madrinha de Luiz Padre, o famoso cangaceiro de Serra Talhada. Para completar, o Saco era passagem de quem ia para Juazeiro do Norte através da Chapada. O caminho de Lampião no Cariri era sempre o mesmo: ele entrava por Macapá (atual Jati), ia direto para a Fazenda Piçarra (onde morava o amigo Antônio Teixeira Leite), subia a serra pela Ladeira da Salva Terra (entre Brejo Santo e Porteiras, onde Napoleão morava), até chegar na Serra do Mato (entre Barbalha e Missão Velha). Para entender a peregrinação do rei do cangaço e seus cabras, Napoleão recorria ao mapa sempre que ouvia as histórias da avó.

“Donana me contava muita coisa e eu fui gravando tudo na cabeça”, recorda. Devota do Padre Cícero, ela se comunicava com o sacerdote por cartas. Uma correspondência em particular, Napoleão se recorda. Donana escreveu se lamentando: “Meu padrim, não posso subir ladeira, que me sinto cansada”. Ao que Cícero respondeu: “Isso é anemia. Vá em Porteiras e compre ferro em pó”. O doutor pondera: “Ele era muito prático, muito inteligente – pra a época e pra onde vivíamos”.

A terra encantada do Saco, em Porteiras, onde Napoleão viveu a infância.

domingo, 16 de julho de 2017

Humildes reflexões sobre a conjuntura política do Brasil – por Armando Lopes Rafael (*)



   O domingo amanheceu com um sol convidativo a curtir o dia, portanto propício a algumas reflexões. 16 de julho é o dia consagrado a Nossa Senhora do Carmo. Desde a juventude recebi das mãos de um sacerdote o Escapulário do Carmo. E o conservo no pescoço há 49 anos.

    Mas o que queria mesmo era externar algumas reflexões, oriundas da enxurrada de mensagens recebidas no Whats App, desde que Lula foi condenado – pelo juiz Sérgio Moro – a nove anos e meio de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Petistas raivosos postam mensagens afirmando que Lula foi condenado sem provas. Também o goleiro Bruno foi condenado sem provas, pois o cadáver de Elisa Samudio jamais apareceu. E nunca vi cena de solidariedade ao goleiro condenado sem prova.

   O que restou para a esquerda brasileira foi improvisar uma solenidade de apoio ao ex-presidente. A atmosfera do ambiente mais parecia um velório. Basta olhar a expressão dos olhos melosos do deputado José Nobre Guimarães.

   Aliás, a condenação de Lula, por Sérgio Moro, deixou uma grande lição para esta república caótica. Ninguém está mais acima da lei mesmo com o Brasil em frangalhos. Acabou o tempo em que os poderosos não enfrentavam a Justiça. Restou a Lula apenas fingir que é vítima, encenando uma comédia de perseguido político que não vai levar a nada. Lula não é mais aquele líder que a maioria dos brasileiros achava que ele era. “Deu xabu”, como se dizia antigamente.

   Alegam os seguidores de Lula – ainda no Whats App – que a troca de parlamentares na Comissão de Constituição e Justiça–CCJ, da Câmara Federal, para rejeitar a abertura de processo contra o Presidente da República é uma manobra ilegal. Não tenho simpatias por Michel Temer, mas – infelizmente ou felizmente – não há nenhuma ilegalidade nisso, como definiu amplamente o Supremo Tribunal Federal em recursos feitos nos governos Lula/Dilma.

     Também não entendo porque atacam tanto Michel Temer se ele é oriundo da chapa que elegeu Dilma Rousseff, em duas eleições. Ora, quem votou em Dilma automaticamente votou em Temer. Tinha até a foto dele na urna eletrônica quando a opção era votar em Dilma. Eu, por exemplo, nunca votei em Temer porque nunca votei em Dilma. Como bem afirmou um leitor de um jornal de São Paulo: “Os esquerdistas que hoje apedrejam Temer sãos os que, usando as mesmas pedras, ajudaram a pavimentar o descaminho dos 13 anos da roubalheira petista”.

       No mais, os episódios da semana apenas ratificam uma verdade que a maioria finge não ver: a República Federativa do Brasil chegou ao fundo do poço.
(*) Armando Lopes Rafael, historiador.

Políticos trocam espírito de corpo pelo de porco - Por Josias de Souza.

Sitiado por investigações criminais, o sistema político brasileiro entrou em convulsão. É como se a desfaçatez tivesse virado um vírus que transmite aos políticos uma doença devastadora. Abateu-se sobre Brasília uma epidemia pilântrica. Quem presta atenção se desespera. Há políticos admiráveis em cena. Mas os outros 99,9% dão a eles uma péssima reputação.

Num instante em que Lula oscila entre duas possibilidades —retornar ao Planalto ou ir para a cadeia—, o deputado petista Vicente Cândido (SP) sugere enfiar dentro de uma suposta reforma política uma cândida novidade: a partir de 2018, nenhum candidato poderá ser preso nos oito meses que antecedem a eleição.

Pior do que a emenda de Cândido, só mesmo o soneto do companheiro Carlos Zarattini (SP), líder do PT na Câmara: ''Essa proposta não é para o Lula e sim para todos os candidatos.” Ele explica que o objetivo é “dar uma maior segurança ao processo eleitoral.'' Ai, ai, ai…

Segurança para quem?, indaga a plateia ao se dar conta de que Lula está mais perto do xadrez do que da urna, que sua sucessora Dilma Rousseff também chafurda no lodo, que o rival Aécio Neves recebe malas de dinheiro de Joesley Batista, que Michel Temer é um presidente sub judice e que seu substituto é Rodrigo Maia, o “Botafogo” da planilha da Odebrecht. Um cenário assim pede camburão, não proteção.

Um dos primeiros sintomas do surto pilântrico que varre Brasília é a perda do recato. Os políticos se esquecem de maneirar. Noutros tempos, o toma-lá-dá-cá era mais sutil. Agora, para facilitar o trabalho do governo, os congressistas andam com o código de barras na lapela.

Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Temer comprou à luz do dia a rejeição da denúncia em que é acusado de corrupção. O Planalto não se preocupou nem em tirar da decisão a marca do preço. Animado$, os aliados do presidente enxergam a próxima batalha como mais uma oportunidade a ser aproveitada.

Os partidos governistas transformaram o plenário, onde a denúncia contra Temer será votada a partir de agosto, numa espécie de câmara funerária com taxímetro. Quanto mais tempo demorar o percurso até o sepultamento da denúncia, maior será o preço. Nesse jogo fisiológico, o contribuinte brasileiro entra com o bolso.

O Congresso, como se sabe, é vital para a democracia. Mas a cleptocracia brasileira parece dar razão ao ex-chanceler alemão Otto von Bismarck, que dizia no século passado: “É melhor o povo não saber como são feitas as leis e as salsichas.”

Abespinhados com a colaboração judicial de Joesley Batista, grande fabricante de salsichas e produtos afins, os aliados de Temer tramam alterar as regras do instituto da delação. Querem restabelecer a lei da omertà, que garantia a cumplicidade e potencializava os trambiques.

Imaginava-se que a política fosse um imenso saco de gatos. Mas delações como as de Joesley e Wesley Batista ou as confissões de Emílio e Marcelo Odebrecht indicaram que, na verdade, a política virou um saco de ratos.

A mutação genética parece ter sido acelerada por um vexame do Tribunal Superior Eleitoral. No mês passado, submetido ao julgamento mais importante de sua história, o TSE livrou Michel Temer da guilhotina e poupou Dilma Rousseff da inelegibilidade.

Para isentar a chapa Dilma-Temer, a Corte eleitoral jogou no lixo confissões assinadas, documentos bancários, registros sobre o vaivém de malas de dinheiro sujo e otras cositas más.

Os parlamentares concluíram que Deus pode até existir, mas terceirizou a Justiça Eleitoral ao Tinhoso. Desde então, a doença do sistema político só piora. Nada se cria, nada se transforma na política. Tudo se corrompe. Transfigurou-se até o mecanismo de autoproteção. O velho espírito de corpo foi substituído pelo espírito de porco.

Três amigos - Postagem do Antônio Morais.


Conversa entre três amigos com mais de 60 anos, já aposentados : O que você tá fazendo na vida, Oswaldo? (ex-executivo da Pirelli) - Eu montei uma recauchutadora de pneus. Não tem aquela estrutura e organização que havia quando eu trabalhava na Pirelli, mas vai indo muito bem.

E você, José? (ex-gerente de vendas da Shell) - Eu abri um posto de gasolina. Evidentemente também não tenho a estrutura e a organização do tempo que eu trabalhava na Shell, mas estou progredindo.

E você Marcos? (ex-funcionário do Congresso Nacional) - Eu montei um puteiro. Um puteiro? ÉÉÉÉÉÉ! Um puteiro! É claro que não é aquela zona toda que é o Congresso Nacional, mas também tá dando lucro!
Na próxima eleição troque um ladrão por um cidadão!

sábado, 15 de julho de 2017

Republicanos agredidos pela realidade iniciam campanha: "Queremos o nosso Brasil de volta" -- por Armando Alexandre dos Santos

Do ponto de vista da análise psicológica, um fenômeno muito curioso a ser estudado é o do conflito interior, passado no âmbito mais recôndito da psique de cada indivíduo, entre monarquia e república.

Por trás da opção pela forma de governo – vitalícia, hereditária e familiar nas monarquias; temporária, eletiva e individualista nas repúblicas – existe toda uma visão do universo, toda uma filosofia de vida.

A opção monárquica concebe a nação como um imenso conjunto de famílias que, historicamente, são governadas desde tempos muito remotos por uma família soberana. Já a opção republicana, fundamentalmente individualista, concebe a nação como um conjunto de cidadãos que, a título estritamente individual, escolhem um cidadão para, em caráter transitório, exercer o poder a título também individual. Um dos grandes argumentos brandidos pelos republicanos do século XIX é que as monarquias eram muito custosas, pois precisavam sustentar não apenas o monarca, mas toda a sua família, enquanto as repúblicas seriam muito econômicas, já que as esposas, os filhos e demais consanguíneos dos presidentes eram cidadãos comuns e nada precisariam receber do estado...

Cândida ilusão!

A concepção monárquica prevê que não haja disputas nem preferências na escolha do herdeiro, que é determinado pela ordem de sucessão e de primogenitura, de geração em geração; e procura capacitar esse herdeiro, por meio de uma adequada educação, para o exercício pleno de suas funções. Já o sistema republicano prevê que a passagem do poder seja exatamente da forma oposta, ou seja, em meio a uma disputa eleitoral em que se enfrentam os candidatos, se engalfinham em luta inclemente, se agridem, se insultam, se acusam, por vezes se caluniam... tudo como meio de conseguir as preferências de um eleitorado volúvel, mutável e cambiante, ao qual se atribui a função de eleger, para a suprema magistratura, o cidadão mais capacitado para reger os destinos do país. De fato, em tese os candidatos a uma eleição presidencial são os melhores dentre os melhores, os mais talentosos, mais capazes, mais brilhantes e mais patrióticos dentre todos os cidadãos do país. Os propagandistas republicanos do Novecentos diziam que o perigo das monarquias era um príncipe incapaz suceder ao pai e subir ao trono... mas não pareciam prever a possibilidade de um presidente incompetente – ou, em termos brasileiros, uma “presidenta incompetenta” – chegar ao poder por via eleitoral.

A concepção monarquista sabe que os homens são iguais na sua essência, mas se diferenciam acidentalmente em muitos aspectos, e que dessas diferenciações decorre uma hierarquia de situações que em si mesma nada tem de injusta ou indignificante. A concepção republicana é teoricamente igualitária, mas na prática embute a mais cruel das desigualdades. Muita razão tinha Machado de Assis quando, aos 27 anos de idade, escreveu: “peço aos deuses que afastem do Brasil o sistema republicano, porque esse dia seria o do nascimento da mais insolente aristocracia que o sol jamais alumiou” (crônica de 5/3/1867, citada por Roberto Pompeu de Toledo em “Veja”, 9/11/2016).

Enfim, tantas e tantas são as diferenças entre monarquia e república que poderíamos nos estender longamente sobre elas. Mas não é esse o objetivo do meu artigo de hoje. O que quero destacar é que, dentro do interior de cada mentalidade individual, convivem de certa forma essas duas mentalidades opostas, correspondentes às duas visões do universo antagonicamente inconciliáveis. Parece “non sense” o que estou afirmando, mas sustento que por mais que uma pessoa seja monarquista, ela não pode deixar de ter, no seu interior, ainda que implicitamente e no campo do subconsciente, algumas pitadas de republicanismo, ou pelo menos certos movimentos interiores tendentes ao republicanismo. E por mais que alguém seja republicano, jacobino e antimonárquico, não pode deixar de ter, dentro de si, algumas vagas simpatias, às vezes sentidas e disfarçadas, às vezes nem sequer conscientemente explicitadas, por tudo aquilo que, no imaginário coletivo, caracteriza a velha e tradicional monarquia.

É precisamente por isso que se costuma dizer que em todo republicano há um monarquista que dorme – frase cuja autoria é desconhecida (já a vi atribuída até a Ruy Barbosa), mas que, em todo o caso, a experiência de muitos anos de propaganda monarquista revela ser verdadeira. Vale lembrar, a propósito, que num estudo clássico, intitulado “O Patriarca e o Bacharel” (São Paulo: Livraria Martins Editora, 1953), Luís Martins analisou o caso de uma geração de jovens que saudaram com esperança o advento do regime de 1889 e pouco a pouco, ao longo da vida, foram se desiludindo com a república, chegando à idade madura francamente como saudosistas do velho regime imperial. E é de se notar a ênfase com que, em nossos dias, multidões bradam, de norte a sul do Brasil, a frase “Quero meu Brasil de volta!” depois de nossos conturbados 127 anos de república.

Em “Ordem e Progresso” (Rio de Janeiro: José Olympio, 1957), Gilberto Freyre também alude ao mesmo fenômeno. São exemplos clássicos de “republicanos agredidos pela realidade”, nos quais acabou despertando o velho monarquista adormecido. Consta que, no fim da vida, até Júlio de Mesquita Filho, diretor do republicaníssimo jornal “O Estado de São Paulo”, não escondia seu saudosismo monárquico, a ponto de dizer que não entendia como seu pai, sendo homem inteligente, tinha podido defender a República (cfr. José Maria Mayrink, Trajetória de um jornalista liberal, “O Estado de São Paulo”, 25/11/2009).

Um exemplo característico de monarquista dormindo ou dormitando num republicano confesso pode ser encontrado em recente artigo do historiador e professor da UNICAMP Leandro Karnal, publicado precisamente no velho jornal dos Mesquita (O Real da realeza, “O Estado de São Paulo”, 4/1/2017), no qual comenta o seriado televisivo “The Crown”, que vem sendo exibido em todo o mundo e já conquistou um número imenso de aficionados.

Karnal aponta vários aspectos do seriado que o impressionaram. Por exemplo, a cena da velha rainha Mary se inclinando respeitosamente diante da sua jovem neta no momento em que esta recebia a notícia do falecimento de seu pai. Morto Jorge VI, a realeza britânica continuava viva, sem qualquer solução de continuidade, na pessoa de sua filha Elizabeth. “The King never dies”... O fato de a velha mãe do monarca falecido se curvar diante da neta – que naquele instante já não era apenas a neta, mas personificava uma instituição venerável, um ideal, uma nação, uma História, a recordação de um passado e ao mesmo tempo a esperança de um futuro para todo um Povo e, mais do que isso, para um conjunto de povos que constituiriam a Commonwealth – tem inegável grandeza. A cena impressionou Karnal, que a comenta e, sem ocultar certa nota de melancolia:

“O trono é mais poderoso do que seus ocupantes. Mary se inclina enfaticamente e demonstra que não existe mais Elizabeth de Windsor, mas apenas a rainha Elizabeth II. Essa é parte da magia das monarquias: a liturgia do cargo antecede e se amplia sobre as pessoas. No campo simbólico, as repúblicas sempre falharam miseravelmente diante da força histórica e sagrada do trono. A célebre música de Haendel usada em coroações, Zadok the Priest, com sua grandiosidade épica, seria inconcebível numa posse em Brasília”.

Não foi essa a única cena do seriado que fez Karnal lembrar melancolicamente da capital brasileira. Afinal de contas, se a Inglaterra, aferrada ao seu passado glorioso, insiste em se manter de pé, à maneira de uma mítica ilha de sonho, também nós, no Brasil republicano temos uma “ilha da fantasia” – como se costuma designar, com claro intuito pejorativo, a Brasília republicana. Karnal se impressionou com uma cena do velho Churchill discursando e não lhe foi possível deixar de compará-lo aos “estadistas” brasileiros da atualidade. Passo de novo a palavra a ele:

“Eu falei de ligeira melancolia. Sim, porque ouvir Churchill discursando me remete aos discursos atuais sob o trópico da crise. Temos homens preparados e já houve até pessoas cultas na presidência. Mas a falência da nossa retórica é brutal. Os políticos falam mal, pronunciam de forma péssima e, quase sempre, expressam ideias pouco elaboradas. Insultam-se, matando o decoro, a inteligência e a esperança num Brasil melhor. Por que melancolia? Porque um dia os discursos estiveram inscritos nas páginas da literatura mundial; hoje, amiúde, constam em autos judiciais de acusações recíprocas de rapinagem. Moldura e tela ficaram de qualidade duvidosa”.

As palavras com que conclui seu artigo são ainda mais expressivas da mentalidade de um intelectual desorientado, mas inteligente que, agredido pela realidade republicana, sente dentro de si, latente, a atração pela monarquia:

“Na nossa República, a mediocridade é exaltada e a ribalta política traz à tona o caráter tosco e raso dos nossos líderes. Não sou um monarquista, mas confesso que ser republicano está cada dia mais árduo... God save the Queen! Que Marianne, símbolo da República, tenha uma ou duas aulas de etiqueta e de dignidade”.
 (*) Armando Alexandre dos Santos é professor, historiador, genealogista, escritor e jornalista. Este artigo foi publicado na edição número 48 do boletim “Herdeiros do Porvir”, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março do corrente ano.

Em VEJA desta semana: O bando dos quatro

No poder, Lula, Dilma, Dirceu e Palocci eram a encarnação do PT, que representava a esquerda ética e intolerante com a corrupção. Era só discurso 
 Há mais de meio século, a bandeira do combate à corrupção era levantada pelos partidos conservadores no Brasil. Mas, antes mesmo de encerrado o ciclo da ditadura militar (1964-1985), a defesa da ética e da lisura com a coisa pública foi tomada por um partido novo: chamava-se Partido dos Trabalhadores. Na cena brasileira, era a primeira vez que uma legenda de esquerda considerava a corrupção uma questão central — e não apenas uma preocupação lateral, quase pequeno-burguesa, que nada tinha a ver com projetos de caráter revolucionário, reformista ou transformador.

E assim o PT chegou lá.Ao conquistar a Presidência da República, Lula era o portador de grandes esperanças, inclusive a de que fizesse um governo intransigente com o desvio de verbas públicas. “O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo. É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública”, disse Lula em seu discurso de posse, no Congresso, em janeiro de 2003. “Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar. É também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos focados em resultados sociais concretos”, acrescentou. Agora, Lula e seus colegas do PT estão atrás das grades ou lidam com processos judiciais justamente por “roubar e deixar roubar”. A sentença do juiz Sergio Moro é outra peça nesse processo da desconstrução da imagem do partido.
O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo.
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2003

As promessas de ética extrema estiveram nos discursos de todos os cardeais petistas (veja frases ao longo desta reportagem). José Dirceu, ex-ministro que sonhava em suceder a Lula na Presidência e encontra-se em prisão domiciliar, dizia ter aprendido com o seu pai que os valores éticos e morais eram a coisa mais importante da vida. Antonio Palocci, outro que tinha o mesmo sonho de virar presidente e está preventivamente atrás das grades, assumiu postos de alta relevância — Fazenda e Casa Civil — prometendo “a mais estrita legalidade”. Quando os dois se tornaram carta fora do baralho presidencial, Lula sacou Dilma Rous­seff, que assumiu prometendo que não haveria “compromisso com o desvio e o malfeito”. Dilma caiu pelas pedaladas fiscais, mas agora grama para livrar-se de acusações de que sabia de tudo, inclusive de uma conta de 150 milhões de dólares no exterior, destinada a bancar sua campanha.

Os petistas jamais admitiram a lama em que se jogaram no mensalão, no petrolão e nas adjacências da criminalidade no governo. Os poucos que fazem uma autocrítica, quase sempre anonimamente, dizem que o partido começou bem-intencionado em relação ao combate à corrupção, mas, uma vez alçado ao poder, entregou-se a práticas históricas de fisiologismo, desvio de dinheiro, propina. É verdade que são práticas históricas — como a Lava-Jato está revelando —, mas dizer que o ambiente era corrompido em nada absolve a roubalheira petista. Afinal, o PT sabia que não havia lisura na cena pública, e tanto sabia que prometia fazer um trabalho limpo. E deu no que deu.

Para nenhum outro partido do país o efeito da Lava-Jato foi, até agora, tão devastador como para o PT: nos últimos três anos, foram presos três ex-ministros, um ex-líder do governo no Senado, um ex-vice-presidente da Câmara e dois ex-tesoureiros, entre demais integrantes da legenda. Alguns se sentaram no banco dos réus, outros foram condenados. Ao todo, mais de trinta petistas estão na mira de diversos inquéritos em andamento em Brasília, Curitiba e São Paulo. É um cenário altamente desmoralizador para um partido que se dizia ético.

A própria presidente do PT, a senadora Gleisi Hoff­mann, é investigada por suspeita de que suas campanhas teriam recebido 5 milhões de reais em propinas da Odebrecht. Além disso, a parlamentar se tornou ré por sua eleição ao Senado em 2010 ter sido financiada com 1 milhão de reais desviados da Petrobras. O marido de Gleisi, o ex-ministro Paulo Bernardo, também é réu em dois processos da Lava-­Jato — e chegou a ser preso, em junho do ano passado, suspeito de ter feito parte de um esquema que drenou 100 milhões de reais do Ministério do Planejamento. “O PT se posicionava contra a cultura do fisiologismo, mas acabou incorporando muito dessa cultura que predomina na política tradicional”, admite o petista Humberto Costa, líder da oposição no Senado. Como se sabe, o PT foi muito além de acomodar-se no fisiologismo apenas. A roubalheira petista não só destroçou o partido como arranhou a própria esquerda de um modo geral.

A Lava-Jato revirou as entranhas da roubalheira na Petrobras. Em vez dos 175 milhões de reais desviados no caso do mensalão, o dinheiro surrupiado chegou à casa dos bilhões de reais. Há muitas evidências de que o assalto não visava somente a sustentar o projeto político do PT, mas a fazer a fortuna de gente graúda. Dirceu recebeu 17 milhões de reais em propina. “O mais perturbador em relação a José Dirceu de Oliveira e Silva consiste no fato de que ele praticou o crime inclusive enquanto estava sendo julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 (mensalão)”, declarou o juiz Moro em uma das duas sentenças que condenaram o ex-ministro a 32 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Por isso, é muito conveniente simplesmente culpar a “cultura do fisiologismo” ou dos vícios da “política tradicional”. Lula, Dilma, Dirceu e Palocci estão aí para prová-lo.

Publicado em VEJA de 19 de julho de 2017, edição nº 2539

Segundo Folha de São Paulo, Moro deu decisão técnica e difícil de ser questionada - Por CARLOS ARI SUNDFELD



Ao rejeitar parte da denúncia, Moro fortaleceu sentença.

Moro foi técnico no processo penal em que condenou Lula. Era natural que a importância do caso e a postura agressiva da defesa fizessem o juiz tomar cuidado no relato e análise do processo e dos fatos apurados. A sentença saiu longa e bem elaborada, como esperado, e não deixou muito espaço para uma anulação por falhas apenas formais.

Houve absolvição quanto ao que, ironicamente, o ex-presidente havia chamado de “tralhas”. A OAS de fato pagou de forma oculta as despesas com o armazenamento. E Moro não deixou de anotar que isso estava errado. Mas não bastaria para se falar em corrupção. É que não se demonstrou a ligação entre esses pagamentos e alguma atuação irregular de Lula como autoridade pública. Também não ficou claro o caráter pessoal do benefício. Ao rejeitar essa parte da denúncia, a sentença acabou se fortalecendo contra o discurso da defesa, que durante todo o processo vinha tentando desacreditar o juiz, chamando-o de político e parcial.

Mas houve condenação quanto ao tríplex. Qual a diferença? Para desqualificar a acusação de que fosse o dono do apartamento, Lula colocou ênfase no argumento de que não havia qualquer escritura em seu nome. Sempre foi um argumento frágil, apenas formal, mas fácil de entender e muito útil para a militância. Mas era previsível que o juiz não se impressionasse, até porque corruptos sempre ocultam com terceiros os bens que adquirem com seus crimes. Isso, aliás, é lavagem de dinheiro, outro crime.

Mas a base da condenação não é propriamente a fragilidade da defesa formal na questão da propriedade. Lula também se defendeu dizendo que se limitara a visitar o apartamento como possível comprador, mas não tinha gostado do que viu. Aí as inúmeras provas falaram mais alto, segundo a sentença: as relações da família de Lula com o apartamento ficaram comprovadas não só pelas testemunhas e documentos, mas também pelos detalhes da reforma personalizada. É verdade que a demonstração de Moro impressiona, mas é claro que o recurso vai tentar chamar atenção do tribunal para outra leitura dos mesmos fatos. Aí serão outros juízes, outras cabeças.

O último ponto importante da sentença foi o exame da ligação entre o tríplex e o propinoduto que, a partir de contratos com a Petrobras, teria sido montado pela OAS com o grupo político de Lula. Há muitos elementos de prova quanto a isso, segundo a sentença. O ponto mais delicado, em que o tribunal vai ter de se dedicar com equilíbrio, foi a conclusão quanto à liderança e o envolvimento de Lula. Os executivos da OAS disseram que o tríplex foi descontado da conta da propina do PT. Moro levou isso em consideração na leitura de outras provas, que deram indicações no mesmo sentido. Mas é um ponto difícil, que o recurso vai atacar.

Clínica São Raimundo - Cuidando da Saúde de Várzea-Alegre !


O Blog do Crato ( E agora o Blog do Sanharol ) tem o prazer de fazer a publicidade da Clínica São Raimundo, da cidade de Várzea Alegre - CE, que acredita no nosso trabalho como meio de buscar a integração regional. A Clínica São Raimundo é uma empresa conceituada. Comandada pelos renomados médico Dr. Menezes Filho e Fisioterapeuta Dra. Ana Micaely de Morais Meneses. Especializada em pediatria, ultrassonografia, fisioterapia geral e especializada ( RPG , neurológica e  uroginecológica) .

Eis algumas fotos da nossa empresa/parceira que fazemos questão de divulgar:

Acima: A Logomarca oficial da Clínica São Raimundo, em Várzea Alegre.



Acima: O Médico, Dr. Menezes Filho em atividade.



Acima: Dra. Ana Micaely de Morais Menezes



Cuidando de seus pacientes com carinho e dedicação...




Clinica São Raimundo.
Rua Dep. Luis Otacilio Correia 129 Centro Várzea-Alegre Ce. Fone (088) 3541-1467.
Especialidade em Pediatria , ultrassonografia , fisioterapia geral e especializada( RPG , neurológica e uroginecológica).

"Cuidando com carinho da saúde do povo de Várzea Alegre !"

Anuncie no Blog do Crato.
Contatos:
blogdocrato@hotmail.com
Tel: 088-3523-2272

Para refletir - Por Antonio Morais.


Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:
"Deixe-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio àqueles que aprontaram tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. Todavia, o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos". E ele continuou:
"É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, este é cheio de raiva. Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma. Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".
O garoto olhou intensamente nos olhos de seu Avô e perguntou:
"Qual deles vence, vovô?"
O Avô sorriu e respondeu baixinho:
"Aquele que eu alimento mais freqüentemente".