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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 31 de agosto de 2014

Pânico na elite vermelha - Por Guilherme Fiuza, O Globo

Pela primeira vez em 12 anos, os companheiros avistam a possibilidade real de ter que largar o osso. Nem a obra-prima do mensalão às vésperas da eleição de 2006 chegara a ameaçar a hegemonia dos coitados sobre a elite branca. A um mês da votação, surgem as pesquisas indicando que o PT não é mais o favorito a continuar encastelado no Planalto. Desespero total.

Pode-se imaginar o movimento fervilhante nas centrais de dossiês aloprados. Há de surgir na Wikipédia o passado tenebroso dos adversários de Dilma Rousseff. Logo descobriremos que foram eles que sumiram com Amarildo, que depenaram a Petrobras, que treinaram a seleção contra os alemães.

É questão de vida ou morte: como se sabe, a elite vermelha terá sérias dificuldades de sobrevivência se tiver que trabalhar. Vão “fazer o diabo”, como disse a presidente, para ganhar a eleição e não perder a gerência da boca.

O Brasil acaba de assistir à queda de um avião sobre o castelo eleitoral do PT. Questionada sobre as investigações acerca da situação legal da aeronave que caiu, Dilma respondeu que não está “acompanhando isso”, e que o assunto não é do seu “profundo interesse”.

sábado, 30 de agosto de 2014

Marina é favorita para se eleger presidente - Por Ricardo Noblat


O que a pesquisa Ibope mostrou na última terça-feira e a pesquisa Datafolha acaba de confirmar é que Marina Silva, no curto período de três semanas, conquistou a condição de favorita para se eleger presidente da República.

É improvável que Marina se eleja no primeiro turno. Por mais que encolha, Aécio tem um partido e aliados capazes de lhe garantir dois dígitos de intenção de votos nas pesquisas. Aécio é a garantia de que haverá segundo turno.

PT e PSDB amadurecem o melhor modo de desconstruir a imagem positiva de Marina. O problema não é encontrar o modo. É correr contra o tempo que resta para o dia da eleição. Haverá tempo suficiente até lá?

Ganha eleição quem erra menos. Porque todos erram. Esse é o desafio que Marina começa a enfrentar a partir de agora. Não a subestimem. Ela está vendo a chance de vencer. E não está disposta a desperdiçá-la.

O grande trunfo de Marina: rejeição baixa. A dela de apenas 15%. A de Dilma, 35%.

De sua parte, Dilma carece de trunfo para jogar na mesa e, assim, evitar o desastre que se desenha para o PT. Lula deixou de ser um trunfo poderoso desde que ela fracassou como governante.


Jogaram a toalha - Por Ilimar Franco, O Globo

Os estrategistas da campanha do PSDB entregaram os pontos. Os da presidente Dilma ainda têm um fio de esperança. Os especialistas em pesquisas consideram que Marina Silva está a um passo do Planalto.

Explicam que Marina encarna o sentimento de junho de 2013, contra tudo que está aí. E que sua onda é consistente. Lembram que em 2010 ela se formou a uma semana do pleito. Agora, rebentou 40 dias antes.

A análise das pesquisas realizadas até aqui levam cientistas políticos a concluir que a presidente Dilma tem teto: 40%. Os atuais 34% são seu núcleo duro. Pesam contra ela: o cansaço com os 12 anos de PT, escândalos como o da Petrobras e o seu jeito de poucos amigos.

Os dados mostram também que Aécio Neves não parou de cair. O PSDB tem informes, de pesquisas estaduais, que reforçam essa projeção. Isso ocorre, diz um analista, porque a rejeição ao PT é forte, mas há também um sentimento contra o PSDB. Por isso, Aécio não convencia como sujeito da mudança. Essa qualidade foi incorporada por Marina, que ainda tem a vantagem de ser muito conhecida.

A ilusão dos tecnocratas no Brasil - Ana Clara Costa e Gabriel Castro.


Governo ‘técnico’ de Dilma Rousseff não passou de crença esperançosa num Brasil mais eficiente, mas que jamais se concretizou. Dilma Rousseff: o governo que deveria ser técnico não saiu do discurso.

O ano de 2011 foi marcado por uma crise sem precedentes na Europa. Foi o período em que o peso das dívidas públicas de países como Grécia, Irlanda, Portugal e até mesmo a Itália chegou a ameaçar a existência do próprio euro. Com a missão de recobrar a confiança externa e a saúde de suas contas, alguns governos europeus — em especial Itália e Grécia — dispensaram grandes oligarcas da política, como Silvio Berlusconi, e colocaram no poder os chamados tecnocratas. Com perfil técnico e pouca paixão pela política, esse estrato da elite do capitalismo tende a propor saídas pragmáticas para problemas de gestão pública. Naquele ano, tecnocracia era o jargão da vez no mundo econômico — e a chanceler alemã Angela Merkel era sua principal expoente. 

Por obra da máquina de propaganda petista, não demorou para que Dilma Rousseff, antes mesmo de ser eleita, fosse alçada ao posto de técnica exímia. Nove entre dez artigos sobre a presidente em seus primeiros meses de mandato retratavam-na como gestora experiente e "gerentona" características que a distanciavam de Lula, que nada sabia de gestão, mas mantinha notório apreço pela arte do conchavo. Após a "faxina ministerial" que Dilma se viu forçada a empreender no início de seu governo, além de tecnocrata, também passou a ser vista como "pouco tolerante" com a corrupção. Quase quatro anos depois, inúmeros são os fatos que mostram que avaliação que se tinha não passava de ilusão.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Quatro motivos pelos quais Marina incomoda PT e PSDB - Gabriel Garcia


Insatisfação do eleitorado.

Marina conseguiu o que nenhum outro candidato havia conseguido: capitalizar a insatisfação do eleitorado com a política brasileira. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mais de 70% dos insatisfeitos manifestaram intenção de votar em Marina. No ano passado, quando a população foi às ruas protestar, Marina era a preferida de pouco menos de 30% dos eleitores.

Religião e política.

Política e religião acabam vinculados. Em 2010, Dilma perdeu votos por causa da defesa do aborto. Abandonou o tema na campanha. Marina é evangélica. A formação cristã ajuda. Em 2002, Anthony Garotinho disputou a eleição presidencial, conquistando 15,1 milhões de votos, 17,8%. Quase tira o ex-governador de São Paulo José Serra do segundo turno. No primeiro turno, Serra foi votado por 19,7 milhões de eleitores, 23,19%. Lula foi eleito o presidente.

Pai e mãe dos pobres.

O PT, sob comando de Lula, vendia a ideia de que se preocupa com os mais pobres. Sem Lula, Marina Silva torna-se dona de tal retórica. Filha de seringueiros e nascida no Acre, Marina foi analfabeta até os 16 anos de idade. Hoje, concorre à Presidência pela segunda vez. Muita semelhança com o discurso de Lula.

Adeus, segundo turno.

Hoje com 50 deputados, o PSDB vem perdendo espaço na Câmara a cada eleição. Pode haver ainda mais redução neste ano. Além disso, desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente, o partido sempre disputou com chance de vitória. Quando não levou (1994 e 1998), pelo menos foi para o segundo turno (2002, 2006 e 2010). Agora, pode-se tornar mero coadjuvante e ficar fora do segundo turno.


Mercado financeiro celebra a onda Marina Silvan- Carla Jiménez, El País


O Brasil dormiu Dilma Rousseff e acordou Marina Silva nos últimos dias com a reviravolta nas pesquisas eleitorais. A pesquisa do instituto Ibope de quarta-feira, que revelou um salto no número de seus potenciais eleitores, virou o humor do país. Marina, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), tem 29% das preferências, a petista Dilma tem 34%, enquanto Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), 19%.

Se nas redes sociais se estabeleceram os debates contra e a favor do avanço da ambientalista, na Bolsa de Valores de São Paulo ela já é tida como a próxima titular no Palácio do Planalto. A bolsa fechou na quarta-feira em 60.950 pontos, seu melhor resultado desde janeiro de 2013. Os analistas atribuem o desempenho à divulgação da pesquisa eleitoral, que colocou Marina num movimento ascendente, com capacidade de bater Rousseff no segundo turno.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Revendo conceitos - Por Merval Pereira, O Globo


Nos últimos 19 dias, muita coisa mudou para a candidata à Presidência da República pelo PSB Marina Silva, inclusive algumas ideias. Para se manter na condição em que deve aparecer na pesquisa Ibope / Estadão a ser divulgada hoje, à frente do tucano Aécio Neves e abrindo boa vantagem para a presidente Dilma no segundo turno, Marina está tendo que rever alguns de seus conceitos mais arraigados.

No dia 5 de agosto, então candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva elogiou o decreto da presidente Dilma Rousseff que cria conselhos populares em órgãos do governo, medida que teve uma forte reação contrária do Congresso e da sociedade civil independente.

Para Marina, o decreto era tão bom que foi classificado como uma “medida eleitoral” de Dilma, pois já deveria ter sido editado antes. “A participação da sociedade é algo muito bom em um país como o nosso, com essa dimensão territorial e diversidade cultural. É fundamental que os governos façam coisas com as pessoas e não para as pessoas.

Mas isso é para ser feito ao longo de toda uma vida, e não apenas vinculado à eleição. É algo a ser cultivado, independente de ser estratégia eleitoral. É uma inovação na gestão pública”.

A ideia era tão boa que foi parar no programa que o PSB estava organizando para o candidato Eduardo Campos, e que agora Marina herdará. O que se buscaria era o “controle social” da política, com a criação de “instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”.

Política lucrativa - Por José Casado, O Globo


Um dos melhores negócios do mercado brasileiro é ser dono de partido político. Convive-se com 32 deles, dos quais duas dezenas têm bancadas no Congresso. Na essência, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se transformaram num “agregado de pessoas que querem um pedacinho do orçamento”.

Partido político no Brasil se tornou ativo financeiro de alto retorno, sem risco e com recursos públicos garantidos por lei, elaborada e votada pelos próprios interessados.

Em ano de eleição, as doações de empresas representam cerca de 60% das receitas declaradas, mas é do orçamento federal que sai o financiamento das despesas regulares da estrutura e da propaganda partidária (o horário eleitoral gratuito só é gratuito para partidos e candidatos, quem paga a conta é o público, telespectador ou não, via isenção fiscal).

Nunca os partidos brasileiros receberam tanto dinheiro público como neste ano: R$ 313,4 milhões, dos quais 57% já repassados.

O Fundo de Assistência Financeira, que sustenta as máquinas partidárias, aumentou 184,5% nos últimos dez anos. Seu valor nesse período subiu em ritmo muito acima da inflação, da correção da poupança e do salário mínimo, da valorização da Bolsa de Valores (Ibovespa) e do Certificado de Depósito Bancário (CDB).

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Recepcione Dilma e Lula. E ganhe uma dentadura - Por Ricardo Noblat


Sou tentado a acreditar, aos 65 anos de idade e 48 de jornalismo, que já vi tudo. Mas que nada! A vida é surpreendente. Os políticos são surpreendentes. Os governantes então... Nem se fala.

Na semana passada, a prefeitura de Paulo Afonso, no norte da Bahia, recebeu um telefonema do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.

Um funcionário do ministério pediu que se providenciasse uma prótese dentária para a agricultora Marinalva Gomes Filha, dona Nalvina, 43 anos de idade e pessoa muito conhecida no lugar.


Dona Nalvina estava escalada para recepcionar, dali a dois dias, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Os três gravariam cenas para o programa de propaganda eleitoral de Dilma na TV.

Pegaria mal a anfitriã de Dilma e de Lula aparecer com alguns dentes a menos.

Uma vez que a Folha de S. Paulo contou a história, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, foi acionada para sair em socorro de Dilma e de Lula.

A ministra explicou que a encomenda de uma dentadura para dona Nalvina não passou de “uma ação de rotina” do seu ministério. Foi além:

É uma prática nossa. Qualquer situação que a gente identifique, a gente encaminha para o órgão competente - disse.

Quer dizer: dona Nalvina ganhou uma dentadura porque precisava – não porque fosse virar personagem do programa eleitoral de Dilma. Sempre que o ministério sabe de alguém com poucos dentes, aciona as prefeituras. 

Você acredita nisso?

Eu também não.

Teoria e prática - Por Antonio Morais


O problema está na diferença entre a prática e a teoria. A célere frase acima do Ruy Barbosa, que ainda hoje marca as paginas da literatura brasileira mostra a verve dantes como agora.

Ruy Barbosa foi Ministro da Fazenda na transição da monarquia para republica, no governo do Marechal Deodoro da Fonseca, um alagoano como Collor de Melo. Mandou buscar madeira de lei no exterior para fabricar o gabinete do presidente. Com a sobra da madeira, fez o gabinete pessoal em sua casa.

Durma-se com um negocio desses e acredite  em  politico. Veja a frase acima, ela ilude a todos pela aparência e enganação. O Lula aprendeu com o Ruy. Mente pra cacete.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O papel dos partidos - Por Merval Pereira, O Globo

Com o retorno da ex-senadora Marina Silva ao proscênio da vida política brasileira na disputa pela Presidência da República, está em debate a importância dos partidos na democracia representativa. Marina, em reunião com aliados no primeiro dia de candidata, insistiu no descrédito do que chama de “velha política” junto à opinião pública e ressaltou que a aliança que importa neste momento é com a sociedade, não com os partidos.

Em outra ocasião, disse que o presidente “não é propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo”. Sua velha amiga e agora coordenadora da campanha presidencial, Luiza Erundina, do PSB, fizera há algum tempo uma crítica a essa visão de Marina, que agora foi revivida na internet.

Erundina dizia, em síntese, que Marina, embora seja “uma pessoa maravilhosa”, “entra no senso comum da sociedade do ponto de vista de negar a política, de negar o partido. Tanto é que (criou) uma Rede, não partido. Acho que isso desorganiza, deseduca politicamente. Não há política e não há democracia sem partidos. Pode ser um partido dentro da concepção do que ela defende, mas não negando o partido, não negando a política”.

 

O PT não é mais aquele - Por Ilimar Franco, O Globo


O ex-presidente Lula vai intensificar sua presença na campanha do PT na TV. Sua figura é o antídoto para tentar amenizar o desgaste do partido e conter a arrancada de Marina Silva (PSB). A direção petista teme a redução dos votos na legenda para a Câmara e treme com os indicativos de que a presidente Dilma pode ser batida no segundo turno. 

Um dirigente petista diz que, mesmo assim, fica a incerteza: “Não sabemos se vai resolver”.

O staff da candidatura Marina Silva vive grande expectativa com o resultado das pesquisas Ibope e Datafolha. Elas ficam prontas nos próximos dias. No fim de semana, o grupo recebeu pesquisa que confirma o Datafolha, do início da semana passada, com Marina superando a presidente Dilma no segundo turno. Só mudou a vantagem.

O mais alvissareiro, segundo seu time, é que a candidata aparece em empate técnico no primeiro turno com a presidente Dilma. Isso decorre de seu desempenho no Sudeste, no Sul e no Nordeste. Os marineiros comemoram a liderança na juventude, setor da sociedade sempre mais disposto a sair às ruas em defesa de suas ideias, ideais e objetivos.

domingo, 24 de agosto de 2014

Marina Silva diz que Brasil não precisa de gerente - Por Letícia Lins, O Globo


Marina Silva fez na manhã deste sábado seu primeiro ato de campanha como candidata à Presidência da República pelo PSB com caminhada pelo bairro popular de Casa Amarela, no Recife. Sem tempo para refazer o material de campanha, muitos dos cartazes dispostos pelas ruas ainda constavam a imagem e nome de Marina como vice, ao lado de Eduardo Campos, morto na semana passada em acidente de avião.

Após comício no final da caminhada, a candidata do PSB disse que o Brasil não precisa propriamente de um “gerente”, nome muito utilizado pelo PT na campanha passada, para qualificar a presidente Dilma Rousseff.

O Brasil tem essa história. É preciso ter um gerente. Mas a gerente tem que ter argumento. O Brasil pode até precisar de um gerente, mas precisa mesmo é de quem tem visão estratégica. O gerente tem que ter argumento para conversar. O ex-presidente Itamar não era gerente, mas tinha visão estratégica. Fernando Henrique era um acadêmico e também tinha visão estratégica. Lula era um operário e também tinha. Quando se tem visão estratégica, se sabe escolher os melhores gerentes -ressaltou Marina.

A salada - Luiz Fernando Verissimo.


Vivemos na era da comunicação total. Basta ter um computador — ou melhor (ou pior), um telefone esperto — para ter à mão toda a informação de que se precisa. Já existe a tecnologia para transmitir imagens holográficas de pessoas e coisas, que se materializam, em três dimensões, em qualquer lugar, a qualquer distância, como se estivessem lá.

Nas campanhas eleitorais, já é teoricamente possível o candidato ter contato com o eleitorado sem sair de casa. O chamado “corpo a corpo” não tem mais sentido. Ou tem, mas sem os corpos presentes. O candidato pode estar no palanque de um comício em Maceió e num comício em Porto Alegre ao mesmo tempo, dizendo as mesmas coisas. É ele e não é ele, é sua imagem transmitida e multiplicada.

O próprio comício torna-se uma coisa obsoleta. E diminuem as viagens dos candidatos em aviões que às vezes caem, um risco proporcionalmente maior num país deste tamanho. Tudo isto é fazível, mas ainda é ficção científica e vai demorar para ser realidade. Provavelmente nunca será.

A política irá sempre exigir a presença física do candidato, o aperto de mão, a pele contra pele e o beijo no bebê. Entre o que poderia ser e o que continuará a ser há um abismo, e foi nesse abismo que desapareceu o Eduardo Campos, como já tinham desaparecido outros antes dele e (bate na madeira) desaparecerão outros depois.

A morte de Campos e o alvoroço que causou no seu partido e nos partidos coligados, indecisos quanto à confirmação ou não da Marina Silva como candidata da aliança, mostram mais uma vez a salada ideológica e programática que é a política brasileira. Parte da aliança faz restrições a Marina, o que deve levar seus apoiadores a estranhar que as restrições não tenham aparecido quando ela foi escolhida como segunda da chapa.

Qual é a posição da maioria da aliança quanto às posições da Marina, como sua crítica ao mega-agronegócio, por exemplo? Não se duvida do socialismo sincero da sigla PSB, mas que espécie de socialismo une o resto da aliança? A salada não exclui ninguém, nem o PT, com suas chamadas “alianças espúrias", epitomadas naquela visita à casa do Maluf, uma cena da qual o Lula poderia ter nos poupado.

Nenhum eleitor brasileiro sabe exatamente no que está votando, nessa mistura do pragmatismo dos grandes partidos com o oportunismo dos partidos caroneiros, que não representam nada a não ser sua própria gula por um naco de poder. Uma salada decididamente indigesta.

sábado, 23 de agosto de 2014

Polarizações - Por Merval Pereira, O Globo


Esta, sem dúvida, será uma eleição diferente das demais. Estamos vendo se configurarem duas polarizações, uma, a tradicional, entre PT e PSDB. Outra, uma novidade, entre a autointitulada “nova política” e a política tradicional, que se esboçou em 2010 mas chega madura à eleição deste ano, com a mesma protagonista, Marina Silva, disputando espaço prioritariamente com o mesmo partido, o PSDB, para enfrentar o PT, de onde veio e que está no governo há 12 anos, sendo que praticamente oito deles tendo em Marina uma de suas estrelas.

É de se notar que as polarizações se colocam entre partidos, mas não no caso de Marina, uma liderança individualista que tanto faz estar no Partido Verde, como em 2010, ou no PSB agora, sempre terá de ocupar todo espaço de comando, como se já estivesse na sua própria Rede, criada à sua imagem e semelhança, até mesmo na incapacidade de organização demonstrada ao não obter o registro a tempo e hora de disputar a eleição presidencial, o que só conseguiu graças à “providência divina”.

É claro que houve um excesso de zelo provocado por interesses políticos dos tribunais eleitorais, notadamente o da região do ABC, área de influência de Lula, para barrar Marina logo na largada. Mas se a Rede tivesse sido menos amadora no recolhimento de assinaturas e mais profissional nos cuidados jurídicos, não teria dado pretextos para a impugnação. A saída de cena de Carlos Siqueira, coordenador da campanha de Eduardo Campos, um quadro político de peso do PSB, mostra bem que a transição de candidaturas não se processou de maneira amena, e se falta a intermediação de Campos, não haverá sintonia entre Rede e PSB.

O fato é que Marina entrou no páreo do tamanho que saiu em 2010 e, ao contrário do que muitos supunham, inclusive eu, parece ter espaço para crescer numa campanha que, diferente da anterior, busca um nome que personifique o desejo de mudança registrado pelas pesquisas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Como vota o brasileiro - Por Antonio Morais


O brasileiro vota por varias razões. Por paixão,  por  raiva, porque o candidato é pobre, por que é palhaço, porque tem apenas 9 dedos nas mãos, por dinheiro e, por aí vai. Os motivos mais ordinários são:  porque é mulher e por que é nordestino.

Vi um cidadão afirmar  na eleição passada que ia votar na Dilma porque era mulher, até onde sei, honestidade e competência não tem  sexo. A Dilma reuniu varias mulheres em ministérios e  autarquias. O que  vimos: Ministra  passeando  no exterior  custeado com o cartão corporativo, foi demitida, e, atualmente podemos ver o lamaçal que a presidente  da Petrobras transformou a maior empresa brasileira. Homens e mulheres existem  honestas, honradas éticas, como também existem sebosas e  corruptas.

Por ser nordestino, outra idiotice e imbecilidade sem tamanho. O Brasil  já teve 11 presidentes da Republica nordestinos. Pergunto,  o que ganhou  Alagoas com os seus três presidentes. Como pode ser  o estado  mais pobre do Brasil ao lado do Maranhão que teve  outro presidente, José Sarney? 

Quer votar certo,  escolha alguém que se aproxime  do JK.

Engula seu orgulho - Por Antonio Morais


"Orgulho, pra que? Se a humildade triunfa! Engula seu orgulho. O orgulho é o inimigo numero um da humanidade. Temos dois exemplos de comportamentos antagônicos. Francisco de Assis, que abdicou dos prazeres do mundo, trocando a fortuna pela pobreza e pela solidariedade, é bem o que se pode chamar de exemplo de humanidade. Suas palavras, cheias de puro amor, ecoam ainda hoje em todo mundo, quase novecentos anos depois de sua morte. A oração a ele atribuída é uma das belas paginas da literatura mundial. Ele se coloca dentro da dimensão de sua pequenez humana e recorre a Deus, pedindo que haja “amor onde houver ódio; que haja paz onde houver intriga: que haja luz onde houver trevas” e caminha por aí, pedindo o que for de melhor para seu próximo. Seu espírito de doação emociona quando ensina que “é dando que se recebe e que é morrendo que se nasce para a vida eterna”. Claro, Francisco de Assis é Francisco de Assis e nem todos poderiam ser iguais.

Assim como houve Francisco de Assis, houve também apenas um Benito Mussolini, embora este ultimo tenha encontrado centenas de outros muito parecidos no comportamento. Contrastando com a humanidade franciscana, a Historia nos mostra, de corpo inteiro, o orgulho mussoliniano. Não vamos discutir aqui os benefícios que possa ter feito para sua gente. Mas se um governante é louco, pode levar seu povo à loucura. E isso aconteceu na Itália durante a segunda guerra mundial que acabou transformando a humanidade. O orgulho de Mussolini era tão grande que sua megalomania falou mais alto que os interesses italianos. Seu grande erro e desastre total para seu povo foi à submissão a outro louco chamado Adolfo Hitler, de cuja memória se envergonha a espécie humana. Mussolini mandou cunhar medalhas e imprimir folhetos com sua fotografia, no mesmo estilo de sempre, onde aparecia com ar de poderoso, sem conseguir, no entanto esconder sua empáfia, com as palavras que revelavam toda sua mania de grandeza.


 No verso de sua efígie ou de sua fotografia, estava escrito: Se eu avançar, segui-me; se eu morrer, vinga-me; se eu trair, matai-me. Na verdade, depois de muitos sacrifícios e humilhações, a Itália não seguiu a Mussolini que ainda tentou avançar. Benito Mussolini, que arrastara seu pais a uma aliança desastrosa com a Alemanha hitleriana, não foi vingado, muito pelo contrario, foi morto por sua própria gente que o linchou e o pendurou num poste ateando fogo ao cadáver. Toda empáfia, todo orgulho e toda a pseudo-grandeza do simples professor primário que se transformou no maior ditador europeu por mais de vinte anos, acabaram confirmando o pensamento de Young “Aqui Jaz”. Sua memória é hoje lembrada com tristeza porque a seu povo ele fez mais mal do que o bem. Enquanto a humildade triunfa, o orgulho leva a nada, e todos, um dia, estaremos sob uma pedra fria enfeitada por um apitafio com as indefectíveis palavras: aqui Jaz".

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um desastre chamado Dilma! - Por Ricardo Noblat


William Bonner empurrou a presidente Dilma Rousseff para o canto do ringue. E ficou batendo nela até cansar. Até resolver lhe dar algum refresco, quando ofereceu um minuto e meio além dos 15 previstos para que ela fizesse suas considerações finais.

Como Dilma, atarantada, não conseguiu respeitar o tempo que lhe coube, Bonner e Patrícia Poeta decretaram o fim da terceira entrevista do Jornal Nacional com candidatos a presidente. As duas primeiras foram com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

De longe, a entrevista com Dilma foi um desastre. Para ela. Não chamou Bonner e Patrícia de “meus queridos”, como costuma fazer quando se irrita com jornalistas que a acossam com perguntas incômodas. Mas chegou perto.

Passou arrogância. Exibiu uma de suas características marcantes – a de não juntar coisa com coisa, deixando raciocínios pelo meio. Foi interrompida mais de uma vez porque não conseguia parar de falar, e fugia de respostas diretas a perguntas.

Perguntaram-lhe sobre corrupção. Dilma respondeu o de sempre: nenhum governo combateu mais a corrupção do que o dela. Bonner perguntou o que ela achava de o PT tratar como heróis os condenados pelo mensalão. Foi o pior momento de Dilma (terá sido mesmo o pior?).

Dilma escondeu-se na resposta de que como presidente da República não poderia comentar decisões da Justiça. Ora, a resposta nada teve a ver com a pergunta. E Bonner insistiu com a pergunta. E Dilma, nervosa, valeu-se outra vez da mesma resposta. Pegou mal. Muito mal.

Quando foi provocada a examinar o estado geral da economia, perdeu-se falando de “índices antecedentes”. Provocada a dizer algo sobre o estado geral da saúde, limitou-se a defender o programa “Mais Médicos”.

Seguramente, nem em público, muito menos em particular, Dilma se viu confrontada de modo tão direto, seco e sem cerimônia como foi por Bonner e Patrícia. Jamais. Quem ousaria? Surpreendida, por pouco não se descontrolou.

Velório de Eduardo Campos - Por Augusto Nunes.


Lula ouve o aviso em forma de choro: até um bebê de colo sabe que oportunismo tem limite 

Os políticos presentes ao velório de Eduardo Campos cumprimentaram com sobriedade a viúva, sussurraram duas ou três palavras de consolo a algum parente que estivesse por perto e saíram do foco das câmeras. Os limites da circunspecção foram respeitados por todos - com uma única e previsível exceção. Lula, vaiado na chegada, não perdeu a chance de produzir uma imagem que sugerisse um alto grau de intimidade (que nunca existiu) com a família do morto.

Ao topar com Renata Campos, o palanque ambulante capturou o caçula Miguel, até então posto em sossego nos braços da mãe, e posou para os fotógrafos beijando a testa do garotinho de sete meses. O truque eleitoreiro resultaria numa cena e tanto se o pequeno coadjuvante não tivesse rasgado o roteiro: assim que foi levantado por Lula, Miguel caiu no choro. Até bebê de colo sabe que oportunismo tem limite.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Quem tem medo de Marina? - Por Ruth de Aquino, ÉPOCA


Os olhos de Marina Silva falaram muito na semana passada. Sombrios, avermelhados, estavam ora cabisbaixos, ora elevados ao céu em conversa particular com seus santos. Nenhuma maquiagem. Acima dos olhos, as sobrancelhas espessas, sem depilação. Abaixo dos olhos, as olheiras escuras, sem disfarce.

O coque, a echarpe preta, a austeridade, sem choro ou afobações. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, nascida no Acre em fevereiro de 1958, filha de seringueiros migrantes cearenses, contaminada por mercúrio aos 6 anos, analfabeta até os 16, aluna do Mobral, ex-empregada doméstica, formada em história, sobrevivente de malárias, hepatites e uma leishmaniose, continua a mesma. É evangélica, sempre se despede com um “vá com Deus”, mas não busca abertamente o voto dos crentes. Essa coerência assusta a quase todos. Não é normal no Brasil.

Não desistam do Brasil - Por Rosiska Darcy de Oliveira, O Globo


Quando um acidente fatal acontece instala-se um sentimento de absurdo. Aconteceu como poderia não ter acontecido. E, entre essas duas possibilidades, seja para uma família ou para um país, cava-se um abismo. A vida que poderia ter sido e a que, doravante, será. E, contra todas as expectativas, um aprendizado: o acaso tem sempre a ultima palavra.

A desgraça que se abateu sobre Renata Campos e seus cinco filhos é difícil de aceitar. O Brasil perde com a morte de Eduardo um dos raros homens públicos que despertavam entusiasmo em tempos em que políticos têm merecido da população indiferença, quando não asco. Sua última entrevista ao “Jornal Nacional” na véspera da tragédia mostrou, sob duro questionamento, alguém capaz de olhar nos olhos de seus eleitores. “Não vamos desistir do Brasil” foi sua última mensagem, que calou fundo mesmo em almas gastas pelos dissabores.

Eduardo teria sido eleito? Como teria governado? Silêncio. O que não quer dizer que a esperança que tinha e que despertava morra com ele. Renata, uma mulher forte, há de saber, com o poeta Drummond, que “as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão”. Os filhos de Eduardo vão crescer — o mais velho, João, já se manifestou nas redes pró-candidatura de Marina Silva com um límpido argumento: não teria sentido apoiar Dilma, que era sua adversária, em detrimento de Marina, que seria sua vice. O que se lhes pode desejar é que não percam o gosto da política que trazem no sangue e o olhar atento sobre as injustiças.

As voltas que o mundo dar - Por Antonio Morais


" O destino conduz aquele que consente e arrasta o que lhe resiste".

Os cartórios eleitorais do grande ABC paulista não se sabe, ao certo, se a serviço do PT deixaram  de registrar  milhares de filiações da REDE DE SUSTENTABILIDADE,  partido idealizado pela Marina Silva. Duas ou vezes mais as que faltaram  para o coeficiente  exigido em  lei.

Em virtude  do fato  Marina  se filiou ao PSB, e, hoje é  a candidata natural para substituir  Eduardo Campos à próxima eleição.

Sabe-se que  tínhamos uma eleição fria, morna, sem nenhum entusiasmo. Com  a entrada da Marina Silva  vai esquentar e balançar  os ânimos.

O testamento de Campos - Por Merval Pereira, O Globo


A oficialização da candidatura de Marina Silva à Presidência da República pelo PSB está sendo encaminhada sem grandes turbulências, embora aqui e ali surjam boatos que ainda tentam inviabilizar a escolha, que tem praticamente a unanimidade não apenas nos partidos aliados como também na família de Eduardo Campos, empenhada em reafirmar seu legado durante a campanha eleitoral.

Cotada até mesmo para a vice na chapa com Marina, o que dificilmente acontecerá, a viúva Renata Campos está disposta a fazer campanha com Marina, levando a mensagem de seu marido aos programas eleitorais, comícios e passeatas, especialmente em Pernambuco.

Marina, mais do que nunca, representaria um eleitorado que quer uma experiência extrema de não política tradicional no poder. Os que defendem seu nome dizem que as ruas não perdoarão o PSB se, mais uma vez, Marina for impedida de se candidatar à Presidência por uma manobra de bastidores comandada pelo Palácio do Planalto.

Marina seria a candidata das ruas, e tentarão fixar em Aécio Neves, do PSDB, a imagem de que é o candidato dos políticos. Essa definição pode afetar a receptividade de Aécio em parte do eleitorado que rejeita a política tradicional, mas o que ele tem de mais eficiente são as negociações de bastidores para montar sua base de apoio, o que faltará a Marina, mesmo que hoje ela tenha no PSB uma organização partidária maior do que a do Partido Verde em 2010. 

domingo, 17 de agosto de 2014

Enigmas eleitorais - Por Ruy Fabiano

Eduardo Campos e Marina Silva nunca foram vinhos da mesma pipa. Estavam juntos, mas não misturados. Portanto, a substituição do candidato falecido por sua vice, embora obedeça a um ritual quase sumário, não é tão simples assim.

Campos era um político na acepção da palavra: negociador, flexível, disposto a fazer um governo conciliador, com um viés de esquerda, mas sem assustar o setor produtivo e financeiro.

Marina, nem tanto. Pouco afeita a negociações, cultiva certezas e procura impor um tom quase místico a suas convicções. Não receia (nem esconde) a inflexibilidade. Daí sua biografia conflituosa, que a fez sair ressentida do PT e do governo Lula.

A junção de ambos foi obra de Eduardo Campos, que obviamente não previu a circunstância presente. Provocou controvérsias no partido, cujo agora presidente, Roberto Amaral, ex-ministro de Lula, preferia apoiar a candidatura Dilma a lançar candidato próprio. Cabe-lhe agora presidir o imbróglio partidário.

A agenda de Marina Silva é confusa. De um lado, sustenta os mais ortodoxos princípios do ambientalismo; de outro, admite manter fundamentos da economia de mercado. Só não explica como conciliá-los – o que não é impossível, mas requer esclarecimentos, até hoje não fornecidos.


sábado, 16 de agosto de 2014

Tragédia repetida - Por Antonio Morais


"Meu filho tão amado e querido por todos, tão bonito. Por que ele e não eu, que já cumpri minha tarefa"?
Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União e mãe de Eduardo Campos.


Esta frase também foi dita por Antonio Carlos Magalhães no dia da morte do seu filho Luiz Eduardo Magalhães. Nos dois casos o Brasil saiu perdendo.

A reeleição e a Petrobras - Por Rogério Furquim Werneck


Voltas que o mundo dá. A presidente Dilma agora acha que a Petrobras deve ser preservada da campanha eleitoral. “Se tem uma coisa que tem que se preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e sentido de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Não é correto, não mostra qualquer maturidade."

Quem agora diz isso é a mesma candidata que, a partir de 2009, transformou a partidarização do papel da Petrobras no pré-sal em plataforma de lançamento de sua candidatura à Presidência. É difícil que alguém já tenha se esquecido da sua campanha eleitoral em 2010, saturada por cenas em que a candidata aparecia, em sondas, plataformas e navios, com mãos lambuzadas de petróleo, envergando indefectíveis capacetes e macacões da Petrobras.

O problema é que, desde então, a Petrobras converteu-se em inesgotável poço de temas espinhosos, que a presidente preferiria não ter de tratar na campanha da reeleição. O Planalto tem boas razões para estar preocupado. O potencial de desgaste político é, de fato, grande. 

Chute a santa, mas adore Dilma - Por Reinaldo Azevedo.


No Brasil, é permitido chutar a santa.

No Brasil, é permitido dizer que Jesus Cristo era um banana.

No Brasil, é permitido sacanear com igual ignorância ou sabedoria o sagrado e o profano.

E não esperem ler aqui a defesa de alguma forma de censura. Cada um diga o que quiser. E arque com as consequências aceitáveis na democracia. É a natureza do jogo.

Mas um território se pretende verdadeiramente divino e imune à crítica: o do petismo, incluindo os espaços que ele diviniza. Os quatro analistas do Santander, como sabemos, foram para a fogueira em razão de um texto sacrílego.

Nesta semana, mais uma não-notícia ganhou ares de escândalo, inflamando o espírito jihadista. A consultoria Rosenberg Associados, numa síntese notável, considerou que Dilma ainda é a favorita, mas emendou: “O cenário mais provável é a continuidade da mediocridade, do descompromisso com a lógica, do mau humor prepotente do poste que se transformou em porrete contra o senso comum”.

É só a opinião de uma consultoria. Fez-se uma gritaria danada na imprensa. Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e autor da lista negra de jornalistas (estou lá, o que me honra), afirmou que o partido iria ignorar a avaliação. Mas o seu exército pediu que se queimassem as bruxas.

O tucano Aécio Neves está padecendo nas mãos do espírito miliciano deste tempo. Um candidato de oposição, Santo Deus!, é constrangido a evitar críticas ao governo, ou pesará sobre ele a suspeita de que, se eleito, vai punir os pobres. Não era diferente com Eduardo Campos, tornado agora um respeitável sonhador morto. Quem o viu no “Jornal Nacional” pode ter ficado com a impressão de que era candidato à Presidência não porque tivesse algo a dizer, mas porque não tinha como escapar dos entrevistadores. Outro elogia o homem “que buscava o sonho”. Huuummm… Só não conseguia aceitar o político que buscava outra… realidade! Admiro o decoro com cadáveres, desde que se respeitem os vivos.

Por baixo dos panos - Por Merval Pereira, O Globo



Ao sentir que existe o perigo de o PSB tomar um rumo diametralmente oposto ao traçado por Eduardo Campos em sua campanha, apoiando oficialmente ou em uma aliança branca a reeleição da presidente Dilma Rousseff, sua família não se furtou a definir uma posição a favor da candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência da República.

Seu irmão, também membro do diretório nacional do partido, disse que a vontade de Campos seria que Marina o sucedesse. O filho mais velho, João, postou no Facebook uma mensagem direta: as bandeiras de meu pai precisam ser levadas adiante.

Quem as representará melhor? Marina, que era sua vice, ou Dilma, que era seu alvo preferencial?

Enquanto a direção nacional do partido, tendo o novo presidente Roberto Amaral à frente, se escudava no luto oficial para adiar a discussão da sucessão, por baixo dos panos as negociações já começaram, especialmente através do ex-presidente Lula, para que o PSB não lance candidato próprio, ou lance um nome de sua base política que não seja Marina, a pretexto de preservar a estrutura partidária.

Na verdade, além do interesse político de recolocar o PSB na base aliada governista, há a preocupação de ala importante da direção nacional da legenda de não perder o controle sobre a máquina partidária. Com a assunção de Marina Silva à condição de candidata oficial do condomínio PSB-Rede, o controle da campanha passará naturalmente para os seus aliados. É Marina, e não qualquer outro político do PSB, que detém hoje uma expectativa de poder altamente avaliada, e por isso os candidatos pelo país afora devem também pressionar a direção nacional para que ela seja a escolhida.
 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Eduardo Campos, o homem - Por Antonio Morais


A mais perfeita e sublime  criação que Deus deixou para humanidade foi a família. Quando o Papa Pio XII foi  consagrado papa e assumiu o Vaticano só pode receber sua mãe em audiência um mês depois. Na hora e dia marcados, ao  se aproximar do filho  ele  estirou a mão e orgulhoso disse: Mãe, beija este anel! 

Ela com  humildade e sabedoria respondeu: Filho, beija primeiro esta aliança, pois se não fosse ela você não seria papa.

O Brasil acaba de perder não só um politico honesto e  honrado, perde muito mais, perde um  chefe de família com  um legado exemplar de  filho, neto, pai e esposo. 

Que Deus  se apiede e proteja seus familiares.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O fim do ciclo dos Gomes - Professor Uribam Xavier.


A eleição de 2014 marcará o fim do ciclo dos Ferreira Gomes no poder. Até pouco tempo, parecia que, no Ceará, a vontade do governador Cid Gomes seria a única a definir o processo de sucessão. Todavia, a movimentação do senador Eunício Oliveira [PMDB], a partir de janeiro, criou racha na aliança comandada pelos Gomes. Essa foi a primeira derrota e baixa sofrida pelo governador e pelo PT. A consolidação da candidatura de Eunício abriu palanque forte para a candidatura Aécio Neves à presidência. Essa foi a segunda derrota do governador e do PT. Todavia, mais do que a segunda derrota, Eunício criou aliança com força para dividir os grupos políticos locais em condições de ganhar as eleições.

Já Cid não conseguiu indicar candidato de seu partido [Pros] e acabou indicando do próprio PT. Essa foi a terceira derrota. O que parecia eleição segura nas mãos do governador, tendo o PT como coadjuvante, passa a ser campo de rivalidades pela conquista do poder, onde o vencedor fica com as oportunidades de configurar este poder, como diz Maquiavel, para permanecer e se perpetuar nele, e o perdedor, enfraquecido, cai sob a dependência de alguém. Nesse cenário, Cid é perdedor, já está na dependência do PT e continuará, mesmo que Camilo Santana ganhe.

Na forma como o PT se organiza não há espaço para os Ferreira Gomes, portanto seus vínculos com PT irão se manter por favores. Camilo, eleito, vai querer ter vida própria. Se perder, Cid terá sua quarta derrota e verá os fisiologistas do Pros migrarem para o PMDB ou para partidos pequenos que comporão a base do novo governo. Eunício, se perder, volta ao senado com capital político maior do que antes das eleições; se sair vitorioso, será a nova força política do Ceará.

A competição Eunício x Camilo se caracteriza por disputa de poder e não de projeto. Tratam-se de candidatos querendo disputar a legitimidade para conduzir o projeto de desenvolvimento iniciado por Virgílio Távora e atualizado em 1986 pelo “governo das mudanças” de Tasso. Projeto que vem agregado a algum componente estrutural e ganho social, mas sem alterar sua lógica que combina crescimento econômico, concentração de renda e poder patrimonial.

A competição Eunício e Camilo é a disputa pela continuidade de projeto de colonialidade do poder, onde os dirigentes, colonizados por uma visão econômica euro-estadunidense, reproduzem, de forma imitativa, as grandes obras estruturantes com total desrespeito ao meio ambiente, à nossa cultural e às nossas alternativas locais. Trata-se de modelo onde as mentes subalternas assumem papel de “Policarpo Quaresma”, que contribui para o triste fim da maioria da população. Assim, o fim do ciclo dos Gomes não representa o fim do modelo de desenvolvimento em curso, mas a mudança do seu grupo gestor.

Não se meta, Dilma! - Por Ricardo Noblat

O que essa gente do governo Dilma Rousseff, ela incluída, imagina mesmo que somos? Um bando de idiotas? Ou de ignorantes? Incapazes de distinguir entre o falso e o verdadeiro?

Vai ver parecemos dispostos a ser enganados desde que não nos apertem os bolsos. Nem revoguem direitos e benefícios obtidos a duras penas. Ou que nos foram concedidos em troca de votos.

Pois é...

Os aloprados estão de volta!

Perdão. Os aloprados não estão de volta. Estão de volta aqueles que a cada eleição tentam por meios escusos influenciar seus resultados.

Lula chamou de aloprados os membros de sua campanha à reeleição que montaram um falso dossiê para enlamear a imagem dos candidatos do PSDB a presidente da República (Geraldo Alckmin) e ao governo de São Paulo (José Serra).

Aloprado é um tipo inquieto. Ou amalucado. Sem juízo. Apenas isso.

Na época, ninguém contestou o uso impróprio do inocente adjetivo para identificar, de fato, manipuladores da vontade popular. Sinto muito, mas era disso que se tratava.

Agora será diferente?

Como qualificar os que agiram para transformar a CPI da Petrobras numa despudorada farsa? Uma CPI que poderia afetar o resultado da próxima eleição presidencial.

Ali havia um grave malfeito a ser investigado capaz de alcançar Dilma a poucos meses da sua sucessão. A Petrobras fez um dos piores negócios de sua vida ao comprar a refinaria de Passadena, nos Estados Unidos.

O negócio foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia presidido por Dilma. Respondam com franqueza: o que foi feito da gestora tida por Lula como exemplar?

Dilma alegou que se baseara num parecer técnico “falho” quando avalizou a compra da refinaria. E que o autor do parecer já fora demitido da diretoria da Petrobras.

Descobriu-se, afinal, que o demitido, assim como a atual presidente da companhia, receberam de véspera as perguntas que lhe seriam feitas por senadores do governo escalados para integrar a CPI.

Uma ação entre amigos. Ou melhor: um crime!

Sob pressão do governo, o Tribunal de Contas da União (TCU) retirou o nome de Dilma da lista dos eventuais culpados pelo prejuízo de US 792,3 milhões contabilizados pela Petrobras.

Deixou de fora da lista o nome da presidente da Petrobras, Graça Foster. E por fim adiou o julgamento do caso. Graça não poderia dispor de melhor advogado de defesa – Dilma, que a nomeou para o cargo.

Lembram-se da vez que Lula se referiu a Sarney como “um homem incomum?” Foi a maneira que achou para socorrer o fiel aliado, suspeito de alguma tramoia.

Graça é “uma mulher incomum”, sugeriu Dilma. Que decretou: “Nós não achamos que pese contra ela qualquer processo de irregularidade”. Nem contra o marido de Graça, prestador de serviços à Petrobras.

Seria mais razoável que Dilma correspondesse ao que se espera de quem ocupa o cargo mais importante da República, deixando o TCU livre para decidir se lançará o nome de Graça no rol dos responsáveis pelo negócio de Pasadena.

Ninguém pediu a opinião dela sobre Graça. Ninguém. E não interessa ao tribunal – e não deve interessar - o que pensa Dilma de sua amiga de fé, irmã, camarada.

O poder costuma cegar quem o exerce.

Embora carente de talento para estar onde foi posta por Lula, Dilma entende que merece se reeleger porque fez um governo estupendo, inesquecível.

Por certo, inesquecível, sim...

De resto, é tamanha a fraqueza dos seus adversários que ela tem tudo para se reeleger. Se os fados ajudarem, no primeiro turno.

domingo, 10 de agosto de 2014

PAI - Por Antonio Morais


Havia um homem muito rico e que possuía muitos bens, acumulados ao longo da sua vida à custa de muito trabalho. Ele tinha um único filho, que, ao contrário do pai, não queria nada com o trabalho nem com os estudos. O que ele mais curtia eram mulheres e festas com os amigos. Seu pai sempre o advertia sobre a importância do trabalho e dos estudos. Os amigos só estariam ao seu lado enquanto ele tivesse algo para lhes oferecer. Os conselhos e ensinamentos do pai chegavam aos ouvidos do jovem, mas ele não assimilava nada continuava com sua vida vazia de conteúdo e sem objetivos.

Um dia, o velho pai mandou os empregados construírem um pequeno celeiro nos fundos da casa e, dentro dele, uma forca com os seguintes dizeres: "Eu Nunca Ouvi os Conselhos do Meu Pai".

Mais tarde ele chamou o filho, levou-o ao celeiro e disse: Meu filho, já estou velho e quando eu morrer, tudo isso será seu. Se você fracassar quero que me prometa que vai-se enforcar nesta forca. O jovem, incrédulo com aquela louca proposta riu, achou tudo um absurdo, mas, para não discutir com o pai, fez a promessa pensando consigo mesmo que jamais faria aquilo.

O tempo passou, o velho pai morreu e o filho herdou todos os seus bens, assumindo os negócios da família; mas, como havia sido previsto, gastou muito em festas, perdeu dinheiro em negócios malfeitos e começou a vender o patrimônio. Em pouco tempo perdeu tudo. Perdeu os amigos e, desesperado, lembrou-se do pai, cujos conselhos jamais ouvira e então começou a chorar copiosamente. Pesaroso, levantou os olhos vermelhos e avistou ao longe o velho celeiro e aí se lembrou da promessa feita a seu pai. Deprimido e enfraquecido caminhou. até lá e, lendo as palavras escritas na placa, entrou novamente em choro convulsivo, decidiu então cumprir a promessa, já que nada mais lhe restava na vida.

Pensava ele: "Pelo menos agora vou alegrar meu pai, cumprindo minha palavra". Subiu na forca, pendurou a corda no pescoço e jogou-se no ar, sentindo por um instante o aperto em sua garganta. Mas o braço da forca era oco e. quebrou-se antes que o rapaz morresse. Ele caiu ao chão e do braço oco da forca, caíram jóias, esmeraldas e diamantes. 

Uma pequena fortuna que trazia junto um bilhete com os seguintes dizeres: "Esta é a sua nova chance, Eu o Amo Muito, SEU PAI". 

Todos temos direito a uma segunda oportunidade, mas, se ouvirmos os conselhos dos mais experientes, o preço desta segunda oportunidade poderá ser muito menor.

Aloprados agora atacam do Planalto - Editorial, O Globo


O termo foi lançado com propriedade pelo presidente Lula, na campanha para a reeleição, em setembro de 2006, depois que petistas foram presos pela Polícia Federal, em São Paulo, quando se preparavam para comprar um dossiê falso contra a candidatura de José Serra ao governo paulista. Um bando de “aloprados”, tachou Lula, até como forma de manter distância daquela operação atrapalhada de sabotadores incautos. Entre os “aloprados”, estavam pessoas próximas a ele e de sua campanha.

O tempo correu, o PT ampliou o exército de militantes na internet, e cresceu, também, o número de sites/blogs chapas-brancas, bancados com dinheiro público, até que, na campanha presidencial seguinte, em 2010, soube-se de nova operação aloprada. No ano anterior, o sigilo fiscal do candidato tucano, adversário de Dilma Rousseff, José Serra, fora quebrado na agência da Receita Federal em Mauá, na Grande São Paulo. Arquivos com informações pessoais, sigilosas, sob a guarda do Estado, haviam sido invadidos. E também de familiares do candidato.

A atuação do PT na internet é ponto forte do partido. Mérito dele. O problema é a atuação criminosa na rede de computadores a serviço de interesses partidários.

A mais recente ação aloprada foi cometida a partir do Palácio do Planalto, de onde acessaram-se os perfis na Wikipedia dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, para difamá-los. Por uma dessas irônicas coincidências, trabalha hoje no Planalto, como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, presidente do PT em 2006, e acusado por Lula, na época, de ter escolhido aqueles “aloprados” para trabalhar na sua campanha.

A seriedade do fato, agravada pelo local em que ocorreu, exige investigação profunda, séria. O governo, pela Secretaria de Comunicação do Planalto, lamentou o uso da rede do Palácio para o ataques aos profissionais, porém alegou ser impossível localizar-se registros dos acessos, para se identificar o(s) culpado(s).

Há controvérsias. Técnicos garantem que as informações podem ser resgatadas dos servidores de Palácio. E, se lá não estiverem, a identidade de quem as retirou terá ficado gravada.

Mais este escândalo reafirma a incapacidade de militantes que chegaram ao poder em 2003 de conviver com a independência e diversidade de pensamento. Portanto, com o jornalismo profissional. Na sua intolerância, agem como fascistas. Por isso, constituem ameaça à democracia.

O fato denuncia, também, o fácil trânsito em palácios desses agentes do autoritarismo. Nada surpreende, nem a constatação de que este é mais um ataque de aloprados mantidos nas cercanias dos poderosos do turno, como ferozes cães de guerra. Tudo faz parte de uma mesma cultura política, partidária e ideológica que não tem pudor de mobilizar todos os meios para se manter nos aparelhos instalados dentro do Estado.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A lista - Por Osvaldo Montenegro

Reflita:

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

video

A máquina age - Por Merval Pereira, O Globo

O que de mais grave está acontecendo nos últimos dias, especialmente no caso da Petrobras, é a banalização das ações intervencionistas do governo, como se transformar uma CPI em farsa ou pressionar um órgão fiscalizador como o TCU fossem tarefas de um governo democrático que tenha um mínimo de postura legalista.

O caso do banco Santander já se transformou num exemplo de pressão governamental bem-sucedida graças à fragilidade da sua direção. É preocupante que, em diversos níveis, de meros assessores a ministros de Estado, passando pela própria presidente da República, se tente justificar o injustificável, a ingerência de uma máquina pública para tentar travar as investigações sobre falcatruas promovidas na Petrobras.

Ontem, se viu pela primeira vez na história do Tribunal de Contas da União (TCU) um advogado-geral da União fazer a defesa oral de ex-diretores da Petrobras acusados de prejuízos causados à estatal. O que incomoda os ex-diretores não é a acusação, aprovada por unanimidade, de terem causado prejuízos à Petrobras, mas terem tido seus bens pessoais bloqueados.

Até mesmo a presidente da estatal, Graça Forster, já entrou com ação preventiva no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir que venha a ter os seus bens bloqueados quando o TCU decidir se deve incluí-la na lista dos culpados, pois era diretora na época em que o negócio da refinaria de Pasadena foi discutido na Justiça dos Estados Unidos, tendo aumentado o prejuízo da estatal brasileira.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Um pouco da Historia de São Raimundo - Por Armando Rafael.

São Raimundo Nonato era espanhol e viveu no século XIII. Ele se rebelou contra a escravidão que na época era tida como natural por muita gente. Em 1224 entrou na Ordem dos Mercedários, que era dedicada a resgatar os cristãos capturados pelos islâmicos, que eram levados para prisões na Argélia.

São Raimundo não queria apenas libertar os escravos, mas lutava também para manter viva a fé cristã dentro deles. Capturado e preso na Argélia, converteu presos e guardas, mas teve a boca perfurada e fechada por um cadeado para não pregar mais. Após sua libertação, foi nomeado em 1239 cardeal pelo papa Gregório IX, todavia no início de seu caminho a Roma padeceu violentas febres pela qual morreu.
Recebeu a alcunha de Nonato (em catalão Nonat) porque foi extraído do ventre de sua mãe, já morta antes de dar-lhe à luz, ou seja, não nasceu de uma mãe viva, mas foi retirado de seu útero, algo raríssimo à época. É festejado no dia 31 de agosto e é considerado o patrono das parteiras e obstetras.

domingo, 3 de agosto de 2014

DATAS QUE FIZERAM HISTORIA - Por Antonio Morais


1.718.
Chega em Várzea-Alegre o alferes Bernardo Duarte Pinheiro. Aquilo tudo, por ali, era mata virgem, um entranhado de sabiá, jurema, catingueira, mofumbo, juazeiro e outros pés de pau. Iniciava-se o que depois veio a ser povoado, vila e cidade.

1.788.
Casaram-se Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo e Teresa Maria de Jesus. Desse casal descende grande parte da população do município.

1.823.
Morre Maria Teresa de Jesus, mulher de fé  fervorosa e devota de São Raimundo. Tombou morta ao receber a noticia do nascimento de seu primeiro netinho, pegá-lo nos braços e dar um retumbante viva a São Raimundo.

09 de Fevereiro de 1.832.
Várzea Alegre pertencia a Lavras da Mangabeira, houve rigoroso inverno e, as tropas de Pinto Madeira e do padre "Benze Cacetes" se encontram com as tropas legalistas do Governo do Estado José Mariano de Albuquerque Cavalcanti, na região do sítio Periperi, deixando mais de 200 mortos e muitos presos, inclusive Pinto Madeira.

1.852.
Se ordena o Padre José Pontes Pereira, filho de família do Assaré. Radicando-se em Várzea-Alegre sendo o primeiro capelão do povoado.

02 de fevereiro de 1856.
É inaugurada a primeira capela de Várzea-Alegre pelo Padre Manuel Caetano.

11 de Maio de 1859.
Morre Padre José Pontes Pereira de cólera, doença até então incurável.

30 de Novembro de 1863.
Criação da Paroquia de São Raimundo Nonato, pela lei 1076 emanada de Dom Antônio dos Santos primeiro bispo do Ceara. Padre Benedito de Sousa rego foi o primeiro padre.

10 de Outubro de 1870.
A lei provincial cria o município de Várzea-Alegre desmembrado-o  de Lavras da Mangabeira.

14 De Junho de 1910.
Nasceu no Sítio Lagoa dos Órfãos, no Sopé da Serra dos Cavalos Padre Antônio Batista Vieira, uma de nossas maiores inteligências. 

24 de Outubro de 1911 - O coronel Antônio Correia prefeito do município representa Várzea-Alegre na reunião denominada Pacto de Juazeiro. Movimento  liderado por Padre Cicero para fortalecer a região.

21 de Novembro de 1912.
Nascia em Várzea-Alegre o Jornalista Joaquim Correia Ferreira.

1915.
Se forma  em medicina, pela universidade da Bahia o primeiro filho de Várzea-Alegre Dr. Leandro Correia.,

05 de Novembro de 1922.
Padre José Alves de Lima casa Maria Firmino e Bil além de mais 21 casais.

11  de Março de 1926.
Maria  Firmino é assassinada pelo marido.

10 de novembro de 1926.
Conflito armado entre os aliados de Antônio Correia  e grupos políticos de oposição, que durou cerca de quatro horas, fato conhecido como "A Guerra de 26". O prefeito era Coronel José Correia Lima, eleito pelo  voto popular.

1928.
Padre José Ferreira Lobo inicia os trabalhos de demolição da igreja edificada em 1904 e inicia a construção do atual templo.

20 de maio de 1931.
O então Governo Provisório Manuel Fernandes Távora assina o decreto 193 extinguindo o Município de Várzea Alegre e anexando-o ao município de Cedro, tal medida seria para humilhar os "Correias".

04 de Dezembro de 1933.
O município é restaurado pelo decreto 1.156 de 1933.

08 de Dezembro de 1936.
Se forma em medicina o segundo filho de Várzea-Alegre  Dr. José Correia Ferreira.

20 de Janeiro de 1957.
É construída por José Alves de Oliveira, Zé Pretinho, uma capela  onde Maria Firmino foi assassinada por Bil.

04 de Outubro de l971.
Falece o Jornalista Joaquim Correia Ferreira.

15 de abril de 1977.
Numa noite de chuva, a torre da matriz de São Raimundo desabou, causando comoção aos devotos e católicos de nossa cidade, tornando-se um dos fatos mais marcantes na memória do nosso povo.

02 de dezembro de 1997.
Várzea Alegre foi surpreendida com o primeiro assalto a banco em nossa cidade, deixando a cidade em pânico e assustada. O episódio teve um final desastroso, na fuga os bandidos mataram o gerente do Banco do Brasil Manoel Daniel da Silva, a mando do bandido José Adauto Lima de Souza, conhecido como Zé Roberto, 37, já assassinado no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS , junto com o irmão Cairo Lima de Sousa em julho de 2006 ).

19 de abril de 2003.
Morre aos 93 anos de idade o Padre  Antônio Batista Vieira.

16 de Fevereiro de 2004.
Várzea Alegre amanhece isolada do restante do pais. Todas as vias interrompidas pelo desabamento de duas pontes na BR-230 Cachoeira Dantas e São Cosme, portanto antes e depois da sede do município, e a Ponte dos Grosso na estrada do Algodão). 

A cidade amanheceu sem energia, telefone, celular, internet, e a população em pavorosa com medo do Açude Olho D'água viesse a romper a parede, que chegou a faltar poucos centímetros para transbordar.

O açude sangrou pela primeira e única  vez, causando a maior enchente do Riacho do Machado nos últimos 100 anos.

Peniscídio - Por Mundim do Vale.

Houve um tempo em que um crime passional abalou o Brasil em virtude do local da lesão e pela delicadeza que a imprensa usava para transmitir a noticia. Nesse mesmo período Joaquinzão passeava em Várzea-Alegre quando escutou a noticia pela Radio Cultura: Mulher corta o membro do marido.

Voltando a Fortaleza, Joaquinzão se encontrava na casa de Valzenir Correia quando o Jornal Nacional começou e o repórter deu destaque: Mulher corta o pênis do marido.

 Terminada a matéria Joaquinzão falou indignado: " Arre égua, mas essa muié tá uma mulesta dos cachorros. Lá na Rajalegre eu escutei o locutor da radia cutura dizendo que ela tinha cortado o membro do marido, agora no Jorná Nacioná tão dizendo que ela cortou tombem o pênis. Se não butar logo essa individa na cadeia é arriscado ela querer cortar inté o carái dele".

sábado, 2 de agosto de 2014

Nos estados, nenhum candidato do PT lidera pesquisas.


A nova rodada de pesquisas Ibope mostra que o PT não lidera em nenhum lugar do país. Confirma os levantamentos anteriores. Perde no Rio Grande do Sul com Tarso Genro para Ana Amélia, na Bahia com Rui Costa para Paulo Souto, no Paraná com Gleisi Hoffmann para Beto Richa, em São Paulo com Alexandre Padilha para Geraldo Alckmin, no Rio de Janeiro com Lindbergh Farias para Garotinho, no DF com Agnelo Queiroz para, José Roberto Arruda, no Ceará com Camilo Santana para Eunício Oliveira, e já empata tecnicamente em Minas Gerais, onde o seu candidato Fernando Pimentel começou campanha muito antes do candidato tucano Pimenta da Veiga. 

O quadro é desesperador, pois com o início da campanha na TV a rejeição ao PT deve acertar em cheio a candidatura Dilma. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Meus filhos, foram 55 bons anos - Enviado por Amigos de Deus.

Um famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o casamento. Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando este se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio.
O mestre disse que respeitava sua opinião, mas lhes contou a seguinte história: Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia a escada para preparar o café e sofreu um enfarto. Meu pai correu até ela, levantou-a como pode e quase se arrastando, a levou até à caminhonete. Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava morta. Durante o Velório, meu pai não falou. Ficava o tempo todo olhando para o nada. Quase não chorou.  Eu e meus irmãos tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos engraçados. Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o caixão e falou com sentida emoção :"

" Meus filhos, foram 55 bons anos...Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que é o compartilhar a vida com alguém por tanto tempo." Fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou. Ela e eu tivemos juntos muitas crises. Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade. Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam. Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal, e perdoamos nossos erros...
Filhos, agora ela se foi e eu estou contente. E vocês sabem por quê ? Porque ela se foi antes de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso. "Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim..."

"Quando meu pai terminou de falar, meus irmão e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolava, dizendo :" "Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa." E por fim o professou concluiu : " Naquele dia entendi o que é o verdadeiro amor. Está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam duas pessoas realmente comprometidas."
Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar. Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam. O verdadeiro AMOR se revela nos pequenos gestos,  no dia a dia e por todos os dias.
O verdadeiro AMOR não é egoísta, nem é presunçoso, nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.

A inútil irritação oficial com o mercado - Editorial - O Globo

O governo enfrenta, nos últimos dias, uma crise no relacionamento com os fatos econômicos. A primeira grande rusga ocorreu em torno de uma análise feita no Santander para clientes preferenciais.

O banco entrou na mira da artilharia oficial e da campanha à reeleição da presidente, por citar algo já conhecido: a bolsa tem subido quando saem pesquisas negativas para o projeto da reeleição, e vice-versa.

Essas oscilações relacionadas a sondagens eleitorais são interpretadas como reação de investidores em ações de empresas estatais que pagam alto preço devido ao intervencionismo característico da administração Dilma.

A Petrobras é o exemplo mais evidente, forçada a acumular perdas majestosas por subsidiar o preço interno de combustíveis, e com isso adiar pressões sobre a inflação. O investidor em ações faz uma dedução lógica: se Dilma não se reeleger, a empresa deixará de perder dinheiro, e ele, acionista, receberá mais dividendos.

Logo em seguida, na terça, veio o desgosto, expresso pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o Fundo Monetário Internacional. Agora, devido a um relatório em que se alinham pontos críticos da economia brasileira. 

Também aqui, nada de novo. São questões que há tempos estão no mapeamento dos problemas brasileiros feito por analistas independentes.