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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Após ser provocado por Renan Calheiros, Deltan rebate e ‘derruba’ senador,


O procurador da República e coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, declarou em uma entrevista que o ano de 2018 será a “batalha final da Lava Jato”. O senador Renan Calheiros não gostou da ênfase dada por Dallagnol e afirmou que muitas investigações são políticas. A resposta do procurador veio rápida e com fortes argumentos.

Na segunda (27), Deltan Dallagnol estava reunido com o núcleo da Lava Jato, no Rio de Janeiro. No encontro ele falou sobre essa batalha final e ressaltou que a maior ameaça contra as investigações vem do Congresso Nacional.

O procurador fez um pedido aos brasileiros. Ele disse que a chance do país ser melhor é tirar esses políticos que não querem combater a corrupção.

As eleições estão chegando e as urnas vão dar a verdadeira resposta contra os criminosos, mas isso depende da escolha do povo. Segundo o coordenador da força-tarefa é importante eliminar aqueles parlamentares que só pensam em si mesmos e que estão envolvidos em crimes de corrupção. É preciso uma renovação do Congresso.

Renan não gostou do que o procurador disse e através de seu Twitter “atacou” a Lava Jato, porém, não citou diretamente o nome de Deltan.

Renan falou que essa “batalha final de 2018” mostra que todas as investigações realizadas são meramente políticas. De acordo com o senador, nunca existiram provas contra os criminosos e as delações foram encomendadas com objetivos pré-determinados. Diante disso, a única coisa que se faz é arquivar tudo, disse Renan.

Resposta de Deltan.

Deltan Dallagnol rebateu as afirmações do senador com argumentos contundentes. “Está errado, senador”, disse Deltan. Segundo o procurador, lideranças políticas que deveriam ser exemplo nos partidos, não são capazes de aprovar projetos para acabar com a corrupção. O procurador ressaltou que a Lava Jato vive sofrendo ameaças desses políticos que estão escondidos atrás do foro privilegiado.

Foro privilegiado.

Políticos ainda possuem este método para não serem punidos pela Justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a julgar esse entendimento e quando estava 7 a 1 para que fosse determinado o fim do foro especial, um dos ministros, Dias Toffoli, pediu vista e acabou travando a votação.

Quando um ministro age assim, é necessário aguardar ele colocar novamente na pauta da Corte a votação. Existem casos, que se demoram anos para isso acontecer. Foi um “banho de água fria” contra o povo o que aconteceu no Supremo. 

183 anos do fuzilamento de Pinto Madeira, o “Mártir da Monarquia” – por Armando Lopes Rafael

(Especial para o Blog Antônio Morais)

    Na última terça feira, 28 de novembro, completaram-se 183 anos do injusto fuzilamento de Joaquim Pinto Madeira, fato ocorrido no mesmo dia e mês de 1834.

      Na véspera da sua morte, levaram o caudilho para o oratório, onde ele se confessou com o padre José Joaquim de Oliveira Bastos, tendo recebido em seguida a comunhão. Pinto Madeira sempre se declarou católico convicto. Na igreja-matriz de Crato, no livro de Assentos dos Irmãos do Santíssimo Sacramento, foi anotada a admissão dele naquela Irmandade,  em abril de 1816, quando Madeira contava 33 anos de idade.

      Consta nos registros históricos, que às 08:00 horas da manhã, saiu o cortejo da cadeia pública de Crato, em direção ao Alto do Barro Vermelho (a poucos metros onde hoje se localiza a igrejinha de São Francisco) conduzindo Pinto Madeira para ser enforcado.

    Os inimigos de Pinto Madeira,  “Mainha (José Francisco Pereira Maia), à frente, este Mainha que fora a  “alma de toda essa tragédia, como comandante geral das tropas, à frente desta, marchava após o juiz de paz, Antônio Vicente de Moura ,e o Capitão Antônio Ferreira Lima, funcionando neste aparatoso ato como substituto do juiz de direito interino, José Vitoriano Maciel, que lhe passara o exercício.
    “Pinto Madeira, “que nunca se acobardou, portando-se sempre com altivez”, suplica:
    – Poupe-me a ignomínia de ser enforcado! Prefiro o fuzilamento.

    “O ato do enforcamento seria uma afronta aos seus brios, dizia... Passado pelas armas era um privilégio a que tinha direito como oficial superior que julgava ainda ser, embora sua patente de há muito houvesse sido cassada.

   “Há divergências de opinião. Discutem, com veemência, os executores. Por alguns instantes ficam indecisos ante o desejo expresso do condenado. Mainha, como que em público querendo reparar a sua infâmia, mas em verdade, no íntimo, vangloriando-se com a desgraça do inimigo da véspera, propende para a vontade última de Pinto Madeira. E vence”.

  “Sentaram o réu numa cadeira presa a uma das traves da forca. O Comandante Maia ofereceu-lhe um lenço para cobrir o rosto. Pinto Madeira recusou-o, desdenhoso, com estas simples palavras:
   – Eu também tenho.

   O cabo tirou-lhe um de seda de ramagem, dos que chamamos de Alcobaça, do bolso da jaqueta, com que lhe tapou a cara”.  

     Com a ordem de – Fogo! A descarga ecoou, prostrando-o. Suas últimas palavras foram de fé, que sempre o guiou, embora com seus erros.
    – Valha-me o Santíssimo Sacramento!

    O soldado da tropa de linha, Gonçalo Roldão, deu-lhe o tiro de misericórdia”
    Morreu virilmente Pinto Madeira. Durante anos a fio, fez-lhe promessas o rude povo dos sertões, considerando-o um mártir, isto é, um santo”.

Fontes Consultadas:
BARROSO, Gustavo. História Secreta do Brasil, volume II. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 1937 – páginas  137–163 
FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri–Volume III. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1966. p.43
PINHEIRO, Irineu. Joaquim Pinto Madeira. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará,  
1946. P.7
SOUSA, Eusébio de. Artigo: “Não tem apelo nem agravo...”. Publicado na Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza. Edição  XLIII ( 1929) editada em conjunto com a edição  XLIV (1930).  págs.  313-317
 Texto e Postagem de Armando Lopes Rafael

    

Nada substitui a experiência - Antonio Morais

O fazendeiro resolve trocar o seu velho galo por outro que desse conta das suas galinhas. Ao chegar o novo galo, percebendo que perderia as funções, o velho galo foi conversar com o seu substituto. Olha, sei que já estou velho e é por isso que o meu dono o trouxe aqui, será que você poderia deixar pelo menos duas galinhas para mim? O que é isso, velhote? Vou ficar com todas. Mas só duas. Ainda insistiu o galo. Não já disse! São todas minhas. Então vamos fazer o seguinte, propõe o velho galo, apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Se eu ganhar, fico com pelo menos duas galinhas, se eu perder são todas suas.

 O galo jovem mede o velho de cima para baixo e pensa que, certamente, ele não será capaz de vencê-lo. Tudo bem, velhote, eu aceito. Já que realmente minhas chances são poucas, deixe-me ficar vinte passos a frente, pediu o velho galo. O mais jovem pensou por uns instantes, e aceitou as condições do galo velho.

Iniciada a corrida, o galo jovem dispara para alcançar o outro galo. O galo velho faz um esforço danado para manter a vantagem, mas rapidamente esta sendo alcançado pelo mais novo.

O fazendeiro pega a sua espingarda e atira sem piedade no galo mais jovem. Guardando a arma, comenta com a mulher: Não estou entendendo, já é o quinto galo gay que agente compra esta semana. O filho da mãe largou as galinhas e estava correndo a traz do galo velho, vê se pode.

Dodge e procuradores deixam políticos apavorados após revelarem nova estratégia.


A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, participou da abertura do SGA nesta segunda-feira (27).

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) usou as redes sociais para demonstrar sua insatisfação com a atitude tomada pelos procuradores responsáveis pela força-tarefa da Operação Lava Jato. O deputado Damous criticou a carta aberta divulgada pelos procuradores na qual falam sobre uma série de operações que estão dentro do planejamento para serem executadas no ano de 2018.

A carta divulgada pelos procuradores alertava a população e ao mesmo tempo pedia ajuda da sociedade para combater a corrupção no País. Segundo os procuradores, em 2018, será o ano da vitória para a Operação Lava Jato, se as pessoas que forem votar escolherem candidatos ficha limpa e que estejam disposto a cooperar no combate à corrupção.

Mas se forem eleitos pelo povo os mesmo políticos que estão no poder atualmente, infelizmente, o Brasil terá um futuro muito sombrio. Damous disse que a carta divulgada pelos procuradores ameaçava a democracia.

Outro que também se manifestou contra a carta aberta divulgada pelos procuradores foi o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). Segundo o deputado Pimenta, a atitude dos procuradores foi como os militares do DOI- CODI ao confrontarem Geisel e Figueiredo, pois isso mostra que os procuradores não têm o minimo de respeito pela Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge.

Raquel Dodge pede apoio de procuradores-chefes do MPF.

Nesta segunda-feira (27), durante a abertura do Subcomitê de Gestão Administrativa (SGA), a Procuradora-Geral da República Raquel Dodge solicitou o apoio dos procuradores-chefes das unidades do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo Dodge, o apoio de cada um desses procuradores será muito importante para dar continuidade ao combate à corrupção. Também fornecer os recursos necessários para que os trabalhos sejam executados e para defender os direitos humanos no Brasil.

Durante seu discurso, a procuradora apresentou e ressaltou que das mil manifestações que já foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), apenas 439 são referentes à crimes que estão sendo investigados na Operação Lava Jato.

Dodge também demonstrou muita preocupação com o orçamento feito para o ano e sobre a manutenção dos instrumentos jurídicos que liberam a persecução penal no País, mas afirmou que não irão faltar recursos para que o combate à corrupção continue sendo exercido até que um dia a corrupção acabe.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM - Por Antonio Gonçalo de Souza.

A minha juventude em Várzea Alegre (mais precisamente no Sítio Sanharol), onde nasci e vivi até os 18 anos, foi marcada pela presença de personagens interessantes, às vezes hilários. 

Poderia citar muitos, mas vou me reportar a Maria Grande, mulher de pele suave-marrom reluzente da cor de jabuticaba. De personalidade forte e aparência sincera, mantinha a perseverança e coragem dos seus amigos e parentes do Sítio Unha de Gato, localidade vizinha ao lugarejo onde morávamos. 

Nas fases de entre safras de serviços particulares, trabalhava como doméstica nas casas dos menos afortunados, já que, à época, por quase toda a redondeza se espraiava a linha de pobreza. Às vezes sumia, para só reaparecer quando minha mãe ganhava mais um bebê. Era hora de cuidar do chamado “resguardo” da nova gestante, que demorava exatamente um mês após o parto. Não chegava a ser antipática mas, nas horas decisivas, ralhava com a gente e imprimia comando, tomando atitudes de gerentona, dando ordens emanadas dos nossos pais ou próprias também, suponho. 

Nesses momentos, talvez tentando demonstrar atitudes e experiências, citava exemplos de causos passados, ditos populares e frases de efeito. Em um certo dia, um tanto agitado, meu pai se lamentava pelo fato de ter que adiar uma viagem com sua tropa de burros, em função de uma repentina chuva que chegara. Maria Grande, em um de seus chavões, como se tivesse gratidão pelo acontecido, dando meia volta na calçada exclamou: “há males que vêm para o bem”. E acrescentou, sem rodeios: “só assim vou ter tempo de preparar o jantar para você levar na viagem”.

Eu tinha aproximadamente sete anos à época e, só depois, é que vim interpretar melhor aquele dito popular expresso por nossa colaboradora do lar. Ao longo da vida, pude testemunhar que o paradoxo aparentemente rude de Maria Grande foi correlacionado em ocasiões diversas, tanto de ordem pessoal como de instituições, governos etc.. Quem já não se sentiu feliz por ter sido agraciado por uma benesse do céu o terrena, advinda de uma situação ou caso embaraço anterior?

Chega a ser bizarro citar casos exemplares que a própria sociedade sintetizou. Um deles, é de que as duas grandes guerras mundiais, apesar de terem ceifado milhões de vidas e de terem ocasionado prejuízos materiais incalculáveis, trouxeram avanços importantes nas ciências gerais, nas relações geopolíticas e no desenvolvimento sócio-econômico de muitas nações. No caso particular do nosso Brasil, temos exemplos de paradoxos advindos das ações desastrosas de governos, mais precisamente dos últimos presidentes José Sarney, Collor de Melo de FHC, Lula e Dilma, mas que, na visão do povão e até mesmo da mídia, possibilitaram avanços importantes para a posteridade.

Nos dias atuais, em que o Brasil está margeando a perigosa “desconfiança”, em que a moralidade é incógnita e o pacto civilizatório se revela frágil, em meio à insegurança e tanto desalento, parafraseando Rosemberg Cariry em seu artigo no jornal O POVO, de 22.11.2017, tomo licença metafórica e poética da figura de Maria Grande, fazendo-a pairar sobre o espírito da sociedade que, apesar de interpretar que as autoridades nas esplanadas brasilianas, os fazedores das leis e corregedores da justiça só estão fazendo maldade, no futuro próximo, cairá sobre o Brasil milhares de milhões de vergonha na cara, cento e vinte milhões de insubmissão, quinhentos milhões de auto-estima, três bilhões de senso de liberdade e justiça e cinco trilhões de igualdade e fraternidade. Afinal, “há males que vêm para o bem”.

VOCAÇÃO - Por Wilton Bezerra, Comentarista esportivo da TV Diário e Rádio Verdes Mares.


Ceará e Fortaleza já freqüentaram a primeira divisão do futebol brasileiro.
Mas, desfrutaram  por pouco tempo o gostinho desse sucesso.
O alvinegro foi um pouco mais longe quando logrou participar de forma efêmera da sul americana.
Depois disso, o Ceará voltou para a segunda divisão e o Fortaleza foi esbarrar na terceira.
O tempo de permanência nesses estágios – sete anos – resultou da necessidade de trabalhos seguidos e competentes.
O pior de tudo é que essa situação gerou um sentimento de aceitação de vocação para a estagnação.
Deixou de surpreender uma onda de conformismo que prosperou no reconhecimento que o nosso futebol não tinha condições de figurar na linha de frente das divisões do futebol nacional.
Como aceitar isso se dispomos de uma estrutura de estádios e de público ávido para consumir a emoção que o futebol proporciona ?
Em 2017 conseguimos sair da inércia.
O Fortaleza avançou para a segunda e o Ceará alcançou a elite.
O que nos reserva 2018 ?
Que duras lições serviram para uma visão renovada dos gestores alvinegros e tricolores ?
Ora, se a gestão dos principais clubes de futebol do Brasil está longe de ser profissional como revela um  programa de melhores práticas, imaginem por aqui onde as dificuldades são maiores.
Aí está o maior desafio.
Reconhecer os limites impostos e buscar fazer muito com os recursos desiguais.
Futebol  é resmungar contra o impossível.
O Ceará, ainda sob os efeitos da euforia , tem pela frente uma tarefa mais delicada pelo peso de uma série  A.
No Fortaleza, a maior aposta atende pelo nome de Rogério Ceni.
Não só como treinador.
Vai incursionar, com uso do prestigio que tem, na arquitetura de um Fortaleza de acordo com a sua dimensão.  Por enquanto, vamos nos apoiar no consolo que a esperança proporciona.

....E a vida aconteceu - Postagem do Antônio Morais.


Não tenho pressa. Estou lendo devagar. Leitura prazerosa, por essa razão repetida, por vezes.

Em "...E a vida aconteceu"  do estimado amigo Nilo do Sérgio, era assim que o meu filho o  chamava  em  meados  da década de 80 do século passado quando o conheci.

Até agora dois detalhes interessantes : Na página 17 ele confessa  ter sido avaliado  como pessoa muito inteligente, um superdotado. Na pagina 37 o boletim do Colégio Cearense 1958, tem um 4,70 e um bocado de 6,50. Se perguntassem  ao nobre camarada Chico Francisco por essa inteligência a resposta seria : "Não é esse balaio todo".

Na pagina 44, o homem encarnou José Martiniano de Alencar. Externou todo o seu  romantismo escrevendo :

Não me recordo se Benilce aconteceu nas férias do meio ou do fim de ano. Era uma morena de cabelos pretos, tipo mignon, rosto perfeito na simetria e beleza, voz suave e movimentos  de um corpo  que parecia ter sido moldado por um escultor. Posso lhes assegurar que nunca peguei sequer na mão dela. Beijo? Impossível! Mas para mim era suficiente os longos e lânguidos olhares, e as trocas de frases desconexas em meio a comentários  também sem sentido do grupo ao qual pertencíamos. E por aí vai.

Nilo Sérgio, que Deus te ilumine  e te conserve assim : Bom.

Eu sou um eterno devedor de sua amizade.

No teatro de Brasília, PF já não vigia a bilheteria - Por Josias de Souza.

Em sua penúltima esquisitice, o recém-nomeado diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, decidiu acumular as funções de sindicalista. O investigador negocia com deputados investigados a manutenção de privilégios de sua corporação numa hipotética reforma da Previdência. Quer a aposentadoria integral e a garantia de que os policiais aposentados receberão os mesmos reajustes dos colegas da ativa. É esse tipo de sonho que transforma a Previdência num pesadelo.

Eis o quadro: ignorando o fato de que a PF dispõe de federações e associações de classe, Segovia atropela o seu superior hierárquico, o ministro da Justiça, para defender no Congresso privilégios que o presidente da República prometeu eliminar. Nesta terça-feira, o delegado participou de uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, alvo da Lava Jato.

Além de avaliar que uma mala com propinas não prova corrupção, Segovia acha conveniente negociar com investigados. Não é à toa que, vista de longe, Brasília está cada vez mais parecida com uma comédia mal escrita, com um diretor desprepado e os atores fora dos seus papeis. Ensaiado às pressas para substituir o espetáculo anterior, o governo Temer não agrada à plateia. E o vaivém do delegado Segovia passa a incômoda impressão de que a PF desistiu de vigiar a bilheteria.

Justiça não tem que se ajustar às conveniências de Vargas, diz Moro.


Sérgio Moro negou o pedido de André Vargas, que chegou a ser vice da Câmara pelo PT antes de ser cassado e preso pela Lava Jato, para mudar interrogatório marcado para 1º de dezembro.

A defesa de Vargas pedira outra data alegando que 1º de dezembro é uma sexta, único dia da semana em que o ex-deputado pode receber visitas da família na cadeia.

Moro respondeu que não havia base legal para o pedido e que não cabe à Justiça “ajustar-se às conveniências do acusado”.


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Os precedentes do Lula.


O TRF-4 acelerou o passo.

Os petistas podem imaginar que isso ocorreu apenas para condenar Lula. Mas o motivo, como explicou a Folha de S. Paulo, é outro: os desembargadores julgaram dezenas de criminosos da Lava Jato, e isso criou uma base de decisões precedentes.

No caso de Lula, por exemplo, o TRF-4 já condenou Léo Pinheiro, que lhe pagou o tríplex, e João Vaccari Neto, que negociou a propina.

É mais rápido condenar um criminoso quando seu esquema já foi revelado. Com isso, Lula pode ser condenado no primeiro semestre de 2018.

“De janeiro a outubro, a média de julgamento das ações foi de 14 meses e meio. Se considerarmos apenas novembro, foi de sete meses.

Se a média de novembro se mantiver com o processo de Lula, considerando que há recesso do Judiciário em dezembro e janeiro, o ex-presidente pode ser julgado ainda no primeiro semestre, antes do período eleitoral. Se condenado em segunda instância, ele pode ser impedido de concorrer em 2018.”

Os desembargadores de Porto Alegre sabem que o Brasil tem pressa, porque o governo não pode ser entregue a um criminoso.

Mais uma vez a cidade de Sobral dá uma lição ao Cariri de como conservar o patrimônio histórico – por Armando Lopes Rafael

 
   Temos de “tirar o chapéu” para Sobral e seu povo! Enquanto aqui no Cariri, cidades importantes, a exemplo de Crato, destruíram seu patrimônio arquitetônico, Sobral (no Norte do Estado) conservou os prédios que fizeram a história daquela cidade.
   Com exceção de Barbalha, as demais cidades do Cariri destruíram belíssimas edificações para dar lugar a prédios feios, com fachadas de vidro e colunas quadradas de cimento.. E com exceção da revista “A Província” não se viu, nem se ouviu, qualquer protesto à ação dos vândalos sem cultura que descaracterizaram o centro de Crato.
   Em Sobral foi diferente. Foi a segunda Cidade do Ceará que teve seu sítio histórico tombado em agosto de 1999 pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional- IPHAN. Deste então, todos os bens imóveis inseridos na área tombada estão sujeitas a vigilância e a outros meios de acautelamento e preservação promovidos por aquela instituição.
   Foi concluída agora a restauração da Câmara Municipal de Sobral. E o mais importante: o escudo com as Armas do Brasil Império foi preservado. Uma lição para o Cariri. Parabéns Sobralenses. Gente culta e que sabe escolher bons governantes é outra coisa!

(Fotos de José Luís Lira)

PS– Já em Crato,  no bonito  prédio onde funcionou a antiga Prefeitura e Câmara Municipal  (altos), além da Cadeia Pública (pavimento térreo) administradores sem cultura destruíram o escudo de Armas do Brasil Império que ali existia e substituíram-no  pela estrela das Armas Republicanas. Triste! Aliás, aquele prédio parece que ficou amaldiçoado depois desse crime. Os dois museus que lá funcionavam  foram fechados há mais de 7 anos. Sem perspectivas de reabertura. Pobre ex-Capital da Cultura do Cariri...

Anos de poder atrás das grades - Fernando Gabeira.

Assim como acontece no Rio de Janeiro, é possível desmontar progressivamente o gigantesco esquema de corrupção montado no Brasil

Saí do Rio arrasado com a história de Picciani e dos outros deputados soltos pela Assembleia. Amigos tristes, desolação com o Brasil, enfim, a história de sempre. Sabia que a estrada e o trabalho atenuariam a dor. Em poucas horas, já estava em Brasília, tentando achar um veículo 4 por 4 para chegar até aqui e visitar o Refúgio da Vida Silvestre das Veredas do Oeste Baiano.

Minha pousada nesta pequena cidade de Goiás não tem TV. Na primeira noite, vi rapidamente, no bar, uma declaração do novo chefe da PF que pareceu estranha. Ele acha que apenas a mala cheia de dinheiro ainda é pouco como prova. Mas na terça à noite, ao chegar moído pelos buracos, lamas e poças da estrada, soube que Picciani e os dois outros estavam presos de novo. E que Raquel Dodge questionaria o STF sobre a a autonomia da Alerj para libertar os seus.

Sempre imaginei que a Constituição, ao dizer que o Congresso pode soltar um parlamentar, em certas condições, refletia um momento: o país acabava de sair de um longo período autoritário. Era uma pequena salvaguarda política. Da mesma forma, o foro privilegiado surgiu da necessidade de se poder votar e falar com liberdade. Seu sentido foi desvirtuado, assim como o poder de libertar um congressista.

Eles começaram a roubar descaradamente e a usar os instrumentos que, teoricamente, protegiam ideias para proteger assaltos e outros crimes. A Constituição acabou se voltando contra nós, sobretudo porque os políticos corruptos souberam encontrar apoio entre ministros do STF.

No passado, o Congresso decidia sobre prisão. O STF resolveu ampliar esse poder, estendendo-o, no caso Aécio Neves, também para medidas cautelares, como, por exemplo, não sair de casa à noite. Os ministros podem até alegar ingenuidade. Mas era evidente para os que conhecem a vida política no Brasil que a sua decisão iria se espalhar como um rastilho de pólvora. Nas assembleias estaduais, a disposição é a de libertar os deputados sempre, independentemente do que fizeram de errado.

Não tenho condições de prever em detalhes a saída para esse impasse. Vendo as coisas de forma realística, o STF é o lugar onde é possível corrigir algo. O movimento dos ministros foi o de agravar o problema, pois estavam em vias de reduzir o foro privilegiado e acabaram dando uma ajuda à impunidade no caso Aécio Neves. Eles precisariam voltar atrás e concluir a votação da reforma do foro privilegiado. Ela foi suspensa porque o ministro Alexandre de Moraes pediu vista, possivelmente para agradar aos políticos que o colocaram lá. Seria a boa notícia da semana.

O movimento, na verdade, é apenas uma etapa na luta contra a corrupção no Brasil. Algumas pessoas pensavam que a batalha seria simples: bastava denunciar, comprovar e prender. Isso só seria pensável num outro sistema mais avançado. Os políticos que desviam dinheiro público no Brasil o fazem há muitos anos. São eles que escolhem cargos de confiança, indicam e aprovam ministros para o STF.

Seria fácil expulsá-los se fossem estranhos no ninho. Mas foram eles que construíram o ninho, ajuntaram cada pedaço de palha: um ministro aqui, um chefe de polícia ali, o controle dos meios de comunicação em seus remotos estados. A arquitetura é sólida e complexa.

Para derrubar isso tudo, será preciso tempo e muita luta. Se as pessoas acham que a trama será desfeita por si própria, apenas com a descoberta dos escândalos, estarão enganadas. O Brasil é dominado por esquemas criminosos. Essa dominação foi fortemente atingida pela Lava-Jato e outras operações. Mas os próprios juízes, procuradores e delegados sempre advertiram que seu trabalho não basta para resolver o problema.

A situação é tão desanimadora que, às vezes, há gente defendendo uma quadrilha no governo com o argumento de que a quadrilha afastada pode voltar. Nisto há uma certa resignação. No entanto, nos países que, de certa forma, superaram a fase aguda do problema, é impensável escolher quadrilhas mais ou menos devastadoras.

A esta altura da vida, com a precária conexão, não sei se Picciani e os outros seguirão presos. No meio da semana, foi a vez de Garotinho e Rosinha. Detrás das grades, 20 anos de poder no Rio nos contemplam. Assim como acontece aqui, é possível desmontar progressivamente o gigantesco esquema de corrupção montado no Brasil.

Isso passa por melhores escolhas eleitorais, mas também por uma nova atitude no cotidiano. Muitos grupos dedicados à transparência já existem. Se cada pequena unidade de trabalho conseguir romper seu isolamento, se houver um permanente intercâmbio sobre o tema, é possível encontrar uma estratégia que transcenda as eleições, pois todos sabemos que santos não se candidatam a cargos públicos.

O movimento caiu na armadilha da aceitação da imprensa. Os comentaristas pensam claramente como um engenheiro: se houver muita gente, sucesso, menos gente, fracasso. Não é assim que se escreve a história dos protestos. Se dependesse de multidões, por exemplo, o Greenpeace já tinha morrido.


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

“COISAS DA RÉ PÚBLICA”: Até tu, Tiririca? Nem os palhaços se salvam em Brasília

O último representante da moralidade pública, um palhaço, acaba de tropeçar e cair na lama
Fonte: VEJA ––Por Maicon Tenfen 
Tiririca (Partido da República-PR-SP) já foi considerado um "deputado exemplar", mas o uso de verba pública para passagem particular destruiu a sua única contribuição para a política brasileira (Gabriel Castro/VEJA)

Quando Tiririca se elegeu deputado federal, a gritaria tomou conta dos jornais, da internet e da própria televisão. Se um palhaço profissional podia ocupar uma cadeira do legislativo, então tínhamos a prova definitiva de que o brasileiro é irresponsável enquanto eleitor.
Você se lembra disso?
Participou das ladainhas de indignação?
Ou foi da turma que acreditava na eleição de Tiririca como uma forma de protesto?
Tempos atrás, quando o eleitor estava de saco cheio com os políticos, limitava-se a rasurar a cédula. Essa rasura, normalmente acompanhada de palavrões, mandava uma mensagem bastante clara ao sistema político: “nenhum dos f… d… p… inscritos serve para o cargo”.

O advento da urna eletrônica extinguiu essa modalidade de manifestação. Como escrever um palavrão para indicar que nenhum dos candidatos interessa? Como votar no Macaco Tião, já que o número e a foto dele não aparecem na telinha? Os candidatos folclóricos ou francamente ridículos surgiram como uma duvidosa saída pela tangente.
E assim teríamos uma explicação menos vexaminosa de como um nome como o de Tiririca pôde chegar ao Congresso Nacional.
O mais intrigante é que o tempo passou e a imprensa — mais de deboche do que pra valer — começou a retratar Tiririca como um “deputado exemplar”. Não que tivesse a capacidade de promover ou aprovar projetos relevantes, não era isso, mas o fato é que ele nunca faltava às sessões e, até onde podíamos saber, nunca tinha metido a mão em dinheiro público.

E isso, para Brasília, está mais do que bom. Chegamos a um grau tão elevado de descrença que o simples fato de o político não se envolver em jogadas ilícitas já o qualifica como um exemplo a ser seguido.
Eis que de repente somos informados dos desvios do palhaço-deputado. De acordo com nota de Gabriel Mascarenhas publicada no Blog Radar, da Veja, Tiririca usou dinheiro público “para viajar e fazer show”. Ciscou a verba de gabinete para comprar uma passagem de Ipatinga (MG) para Brasília.

Até tu, Tiririca?
No horário eleitoral gratuito, o humorista usava o slogan “pior que tá não fica”. Pois ficou. O último bastião da moralidade pública, um palhaço, acaba de sucumbir.
Até na piada a esperança chegou ao fim.

Sucessão vive prévia entre os crus e os podres - Por Josias de Souza.

No Brasil, o eleitor costuma espantar-se pouquíssimo. Se a conjuntura servir uma sopa de ratazanas, a maioria não fará a concessão de uma surpresa. São ratazanas? Pois que venham. E com pimenta. De repente, na antessala de 2018, as pesquisas eleitorais empurram o brasileiro para um ponto de fastio com a política, forçando-o a concentrar-se nos dois extremos do espectro culinário: os crus e os podres.

Aos pouquinhos, vão-se os crus — os genuínos, como Sergio Moro e Luciano Huck, saltam da gôndola. Os disfarçados, como João Doria, são abandonados na prateleira. Os dissimulados, como Jair Bolsonaro, se oferecem para ser consumidos in natura. Mas basta abrir a boca para revelar a presença de elementos tóxicos.

Logo, logo, só restarão os podres. Condenado, Lula, tornou-se repugnante para o paladar comum, e, portanto, só é digerido pelos 35% que ainda engolem o PT. Michel Temer, moído por um par de denúncias criminais, passou a fazer pose de Tartare, a carne picada que os franceses servem crua. Mas a podridão no governo já atingiu aquele estágio em que a comida come a si mesma. Quem está perto já foi devorado, como Aécio Neves. Ou está na fila, como Henrique Meirelles,

Geraldo Alckmin, com aparência de leite estragado, se finge de queijo fino ou de iogurte de chuchu. O diabo é que seu prazo de validade só poderá ser conferido quando o Superior Tribunal de Justiça levantar o sigilo do processo que recebeu do Supremo Tribunal Federal. Algo que precisa ser feito o quanto antes. De preferência ontem.

José Ataide - Por Antônio Morais.


Já ha um bom tempo sem  andar em Várzea-Alegre visitei a cidade no ultimo fim de semana. Num encontro casual na barbearia do Raimundo Santiago encontrei o velho amigo José Ataíde foto acima  colhida pelo Dr. Menezes Filho.. 

Não conheço na minha terra outro desportista de tamanho igual. Jogador, treinador, dedicou toda sua vida a pratica do esporte. 

Quando vejo a distribuição de homenagens agraciando  medalhistas na base da bajulação  e do pucha saco eu me pergunto :  cadê a medalha do Ataíde? 

Em Várzea-Alegre como no mundo todo "As pessoas estão cultivando ídolos errados". 

domingo, 26 de novembro de 2017

A apatia e a despolitização no Rio de Janeiro - Por Antagonista.


Em matéria sobre a crise ética no Rio de Janeiro, ancorada na descrição do estado por Raquel Dodge como “terra sem lei”, O Globo ouviu especialistas, entre os quais O Antagonista destaca o cientista social Marcelo Burgos, professor da PUC-Rio:

“O Rio não conseguiu desenvolver partidos com relação orgânica com a sociedade. Em São Paulo, fortaleceram-se partidos com mais lastro com a sociedade civil, como o PT, junto à classe operária, o PSDB, à classe média. Aqui, tivemos o que se diria um populismo de esquerda, nos tempos de Brizola, um arranjo pragmático-clientelista (Garotinho) até chegar à máquina política super blindada de Cabral e Picciani.

Seja pela névoa produzida pelos grandes eventos, ou pelo efeito anestésico das UPPs, fechou-se o ciclo perfeito: bênção, e investimentos, do governo federal do PT, uma Alerj transformada em extensão do Executivo, TCE e agências reguladoras sem desempenhar seu papel, Ministério Público impotente, mesmo a imprensa… Cabral e companhia são frutos deste cenário.

Acho que teremos abstenção enorme em 2018. Deve aumentar a apatia e despolitização da população, que é uma das causas deste quadro.”

Como comentamos em Reunião de Pauta, a apatia e a despolitização da população são – em todos os sentidos – crônicas no Rio.

Com raras exceções, a imprensa tende a continuar deslumbrada com efeitos anestésicos como as UPPs e os grandes eventos; os pobres tendem a continuar querendo mais Estado; e os ricos tendem a continuar querendo apenas mais praias, festas e viagens.

Rio: clima de terra sem lei

A frase da procuradora-geral, Raquel Dodge, traduz uma sensação palpável, com a prisão de três ex-governadores e dois ex-presidentes da Assembleia

Fonte: VEJA desta semana -- Por Thiago Prado, Luisa Bustamante, Maria Clara Vieira 

 Os ex-governadores Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral e os deputados estaduais Paulo Melo (PMDB) e Jorge Picciani (PMDB) (Futura Press/Agência o Globo)

A quarta-feira, 22, entrou para os anais do Rio de Janeiro por um dado vergonhoso: todos os governadores eleitos desde 1998 e todos os ocupantes da presidência da Assembleia Legislativa desde então estavam encarcerados sob a acusação de se alimentar de propinodutos que lhes encheram os bolsos enquanto dilapidavam o caixa estadual. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, resumiu a situação fluminense com uma frase cortante: “Há um clima de terra sem lei que domina o Rio”. A prisão dos ex-governadores Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha, ambos do PR, e dos deputados do PMDB Jorge Picciani (presidente da Alerj), Paulo Melo e Edson Albertassi ilustram a percepção de Dodge.

Mas a corrupção sistêmica no Rio de Janeiro não surgiu no século XXI. VEJA desta semana mostra que os relatos de desvio de verba pública para fins privados existem desde o Brasil colonial. Um dos primeiros governantes da então capitania do Rio de Janeiro acusado por malfeitos foi o português Salvador Correia de Sá e Benevides. Em 1637, acabou preso por receber propina para autorizar irregularmente navios holandeses a carregarem o açúcar brasileiro para fora do país. No decorrer dos séculos, pouco se fez para separar o lícito do ilícito, por convicção ideológica ou interesses escusos.  Um exemplo mais recente é que, desde os anos 1980, governantes têm sido mais do que lenientes com contraventores que tocam o carnaval carioca e o jogo do bicho.

"COISAS DA RÉ PÚBLICA": Presidente do Partido da República-PR continua foragido -- por Armando Lopes Rafael

O Brasil virou uma nação aflita e sem esperança que necessita de uma luz no fim do túnel
Desde que o golpe militar de 15 de novembro de 1889 enfiou “goela a baixo” da população a forma de governo republicana, o Brasil já teve 6 (seis) Constituições (um recorde mundial!) e cada uma delas foi sendo arruinada. A realidade republicana não condiz com as frases escritas pelos homens da República. A atual Carta Magna, a de 1988, focou prioritariamente os Direitos Humanos e garante,em tese, o acesso da população brasileira à saúde, educação e bem estar social.
Garante no papel. Na prática, é o que vemos e sofremos no dia-a-dia. O Rio de Janeiro é o exemplo diário, bastando que assistamos aos noticiários da mídia para comprovar. Como disse a Procuradora Geral da República: O Rio de Janeiro é uma terra sem lei!

Como se não bastasse o fracasso reconhecido da República no Brasil, políticos ainda tiveram a coragem de criar, em 26 de outubro de 2006, o Partido da República–PR. Estão lá nos seus estatutos as razões de criação do PR, dentre elas cito:
• Proibir a propaganda de cerveja para crianças na televisão aberta (ADI da propaganda de alcoólicos);
• Reduzir os juros cobrados pela rede bancária;
• Proibir a cobrança de juros sobre juros em contratos de empréstimo e financiamento.
• Proibir o bloqueio do WhatsApp por meio de proteção legal para o funcionamento de aplicativos de mensagens na internet do Brasil (ADI do WhatsApp).
• Garantir a criação de um fundo nacional para que o salário do professor nunca seja menor que 6,9 salários mínimos, através da chamada PEC do professor.
***   ***   ***
     Pronto, o PR está agora entre os 33 partidos políticos que vivem a encher o saco da população com seus periódicos programas de televisão, o chamado Horário Gratuito da Propaganda Eleitoral. Entre os  líderes do PR estão: Antônio Carlos Rodrigues (presidente da sigla e ex-ministro de Transportes de Dilma Rousseff), ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, José Roberto Arruda (todos presos acusados de corrupção). Aliás, todos não. O Presidente da sigla,  Antônio Carlos Rodrigues está foragido e sendo caçado até pela Interpol.
Como se pode ver, o Partido da República-PR, faz jus ao nome. É a cara do atual estágio de crise  que o Brasil vem atravessando...

PS– O político que obteve a maior votação para deputado federal, em 2010, filiado ao PR, foi, digamos, o humorista TIRIRICA (PR-SP). Precisa acrescentar mais alguma coisa?

Lembranças de um Crato que não volta mais - Por: Dihelson Mendonça

Era um tempo muito bom, muito diferente de hoje. A vida era mais tranquila, os costumes eram outros. Havia mais respeito e educação entre as pessoas, que se cumprimentavam. Não existia violência nas ruas, nunca se ouvia falar em assaltos...a gente poderia andar tranquilamente para qualquer lugar da cidade, se divertir, ir à festas...voltar de madrugada, e ninguém sabia o que era assalto.

Claro que não tínhamos as comodidades de hoje, como a internet, celulares, mas a gente não sentia falta. Existia TV, Rádio, Telefones, que faziam chamadas DDD e DDI ( Isso já nos anos 70, que a gente chamava de interurbano. Antes, era com auxílio da telefonista. A cidade era silenciosa de tal forma, que se alguém ligasse um rádio, daria para ouvir em todo o quarteirão. Éramos revestidos de natureza, íamos tomar banho nos pés de serra, na cascata, no Serrano, na AABEC, nas grotas, nas fontes que brotavam da Chapada do Araripe...oh tempo bom !

E não sei se vocês alcançaram...ali onde fica hoje a Caixa Econômica Federal, na esquina da Rua Santos Dumont com a Mons. Esmeraldo, havia uma ( Pasmem ), Fábrica de biscoitos ( A GESSY ), e o cheiro dos biscoitos perfumava as ruas do centro do Crato de forma indescritível. A fábrica tinha as laterais vazadas, e quem passava, via imensas esteiras rolantes e barulhentas, máquinas enormes, e milhares de biscoitos deliciosos nessas esteiras. Toda criança queria entrar lá, mas haviam grades. Ali na rua Almirante Alexandrino, que vai dar lá no hotel Tabajara, não havia ainda essa rua da HONDA para o canal, era tudo um imenso prédio onde funcionava uma fábrica de óleos vegetais ( A SINBRA, se não me engano ): Fabricavam o Óleo Crato, que era bastante considerado, e mais dois outros, cujos enormes desenhos das latas, estavam estampados na parede externa da fábrica, próximo à residência dos Arraes. A fábrica era enorme e tinha uma chaminé altíssima que dava para ver nos céus do Crato.

Tenho tantas recordações daquele tempo, em que ainda não existia a estação rodoviária, os ônibus paravam na Rua Nelson Alencar, principalmente os da Viação Rio Negro, que faziam a linha Crato-Fortaleza, que por sua vez, concorriam com a viação Rápido Juazeiro, do mesmo proprietário: Raimundo Ferreira. Os ônibus que iam para São Paulo, da Expresso Real Caririense ( ERC ) e Viação Varzealegrense paravam ali próximo ao restaurante Guanabara ( O Neném ). Eu fui uma vez para São Paulo no ERC, levou 3 dias para chegar, ( rs ), mas a viagem foi cheia de beleza.

As ruas eram cheias de gente, as feiras, enormes, vendia-se de tudo. Ela se espalhava por boa parte do centro. Dia de feira, ( segunda ), era o dia de vir ao Crato, porque aqui era o centro dos negócios, o centro de tudo, de comércio, de indústrias, de hospitais bons, maternidade...o cariri nasceu aqui. Tinha matuto que vinha só para admirar o prédio do Banco do Brasil...rsrs . Nos domingos, casais flertavam nas praças da cidade, principalmente na Siqueira Campos, e na Praça da Sé. Havia mais comunicação, as famílias eram mais próximas, iam à igreja e depois, as praças ficavam abarrotadas de gente.

A vida doce do Cratinho de açúcar se perdeu em alguma veia da história, uma vida que quem viveu, há de lembrar para sempre. Um tempo bom, um tempo feliz, que não volta mais."

 Dihelson Mendonça

sábado, 25 de novembro de 2017

"Coisas da Ré Pública": Gasto com servidor provoca desequilíbrio, aponta Banco Mundial

Estudo da instituição expõe o custo elevado do funcionalismo público brasileiro - e como os seus privilégios agravam a desigualdade de renda no país  como os seus privilégios agravam a desigualdade de renda no país
Fonte: VEJA desta semana,Por Giuliano Guandalini 

Sem caixa - Prefeitos foram a Brasília pedir mais verbas: Estado falido (Marcelo Camargo/VEJA)

Todos são iguais perante a lei. Assim se lê na abertura do artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. Mas essa mesma Constituição criou uma classe específica de brasileiros: os servidores públicos. Ao contrário da avassaladora maioria dos brasileiros, eles ganharam o direito de se aposentar recebendo o valor integral de quando estavam na ativa — e isso sem falar nas gratificações. O privilégio foi concedido como maneira de ampliar o apoio à nova Constituição, que à época enfrentou a oposição feroz do PT e de diversos sindicatos, e também como instrumento para atrair profissionais qualificados para o governo. Com o passar dos anos, porém, o custo dessa prerrogativa extrapolou os limites do razoável. Há 1 milhão de servidores federais aposentados e eles custam aos cofres públicos 77 bilhões de reais ao ano (ou 77 000 por beneficiado). No regime privado, há 29 milhões de aposentados que custam 150 bilhões de reais (pouco mais de 5 000 por beneficiado). Ou seja, proporcionalmente, um buraco muito menor.

Esse é apenas um dos desequilíbrios analisados no estudo do Banco Mundial intitulado “Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil”, divulgado na semana passada. A partir de comparações internacionais, fica evidente como o governo brasileiro gasta muito — e mal. Pior: em vez de cumprirem o papel de favorecer os pobres e dirimir injustiças, os gastos públicos favorecem pessoas de rendimento elevado e contribuem para o aumento da desigualdade. A aposentadoria média dos trabalhadores da iniciativa privada é de 1 240 reais e o teto é de 5 531,31 reais. No mundo da fartura do setor público, o valor máximo equivale ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de 33 763 reais, mas existe muita gente que fatura acima do limite.

O Crato em 1915 -- por Armando Lopes Rafael

Às vezes, os historiadores e memorialistas deixam de registrar fatos que foram importantes para a vida de uma comunidade. Na crônica abaixo -- publicada há quase três  anos, ou seja em 1º de janeiro de 2015 -- temos um exemplo prático do que deixou de ser registrado nos anais da Heráldica Cidade de Crato

   "Bons tempos, aqueles de 1915 – há cem anos – nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara! A julgar pelo que ficou registrado para a história (e louve-se a preservação dos fatos feita pelo historiador Irineu Pinheiro através do seu livro “Efemérides do Cariri”) o Ano da Graça de 1915 não teve nenhum acontecimento digno de registro na então mais do que centenária Freguesia de Nossa Senhora da Penha de França.

   Para não deixar passar totalmente em branco, Irineu Pinheiro registrou apenas duas anotações – para lembrar 1915 – na sua famosa obra memorialística. Ambas no mês de junho. E, mesmo assim, essas duas efemérides se restringem a dois telegramas expedidos pelo Padre Cícero, a partir da cidade de Juazeiro. Noutras palavras: nem do Crato partiram as duas mensagens telegráficas preservadas para assinalar 1915 por Irineu Pinheiro. Fico matutando o que teria levado o nosso historiador maior a ser tão avaro para os fatos municipais de 1915...


  Sabemos, no entanto, que outros acontecimentos regionais ocorreram, naquele ano, causadores de grande repercussão na vida da pacata população cratense de então. Para começar, 1915 registrou uma das piores secas da história do Nordeste brasileiro, forçando a emigração de milhares de cearenses para escapar da fome. Naquele ano, o prefeito de Crato era o coronel Teodorico Teles de Quental, respeitado pela sua autoridade e honestidade. Ele certamente teve de ajudar a muitos pedintes que se postavam em frente à Intendência (era assim que se chamava a Prefeitura naquela época), localizada na Praça da Sé, onde hoje funciona (ou funcionou?) o Museu de Arte (na parte superior) e o Museu Histórico (parte inferior) do vetusto edifício.

    Teodorico Teles foi o construtor da Praça Siqueira Campos, na sua primeira versão. Para fazê-la, mandou derrubar a primitiva capela de São Vicente Ferrer, causando pesar a muitos católicos cratenses que choraram com a demolição do humilde templo. Deve-se a ele também a construção dos primeiros calçamentos das ruas centrais da cidade e o estudo para implantar a luz elétrica em Crato, cuja caldeira – no dizer de Lindemberg de Aquino –, foi transportada por possantes bois, muitos dos quais morreram nessa travessia, inclusive 12 touros que pertenciam ao genro do prefeito, o agropecuarista Sr. Cícero Pinheiro.

    Outros eventos de importância também aconteceram naquele ano, nesta cidade. Na área religiosa, por exemplo, depois da criação da segunda diocese do Ceará, vamos encontrar nos escritos de J. Lindemberg de Aquino – mais precisamente no seu livro “Roteiro Biográfico das Ruas de Crato” – que “A 10 de março de 1915 (Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva) foi preconizado primeiro Bispo de Crato, sendo, aliás, essa nomeação a primeira feita pelo (novo) Papa Bento XV”. Ainda sobre Dom Quintino, Lindemberg registra que “Ocorreria a 31 de outubro de 1915 a solenidade de sua sagração, na cidade de Salvador, Bahia”. Bem já encontramos outros fatos relevantes para a memória histórica desta comunidade, fora os parcos registros de Irineu Pinheiro.

  É crível supor que a imensa maioria da população cratense, em 1915, sequer sabia o nome do Presidente de plantão dos  "Estados Unidos do Brazil" (este o nome e a grafia oficial do nosso país, mudado após o golpe militar que enfiou, goela abaixo, dos brasileiros a nova forma de governo republicana). Havia apenas 25 anos Deodoro e seus generais  tinham derrubado a Monarquia (que vinha de ano 1500, ou seja desde a descoberta)  e rasgado a Constituição do Império, que durara 67 anos sem ter nunca sido violada pelos nossos dois imperadores. Todos os cratenses, daquele tempo, sabiam de cor e salteado,  que durante 67 anos apenas dois imperadores tinham reinado no Brasil: Pedro I e Pedro II. Mas, em 1915, apenas 25 anos depois do golpe republicano, o Brasil já estava sendo governado pelo seu 9º (nono) Presidente da República, o que dá uma média de 2 anos e 5 meses por mandato presidencial. Tínhamos retroagido ao status de  uma banana-republic.Haja esculhambação!
   
    E dentre esses nove presidentes, estão incluídos dois ditadores, exatamente os dois primeiros que exerceram esse cargo na nova res pública. Para matar a curiosidade do leitor informo: o presidente do Brasil em 1915 era Wensceslau Braz, um mineiro escolhido para concorrer ao posto pelas elites de São Paulo e Minas Gerais, os dois estados que dominaram por muito tempo o rodízio da Presidência, dentro do famoso esquema eleitoral do “café-com-leite”, destinado à manutenção do poder republicano. Wenceslau obteve 532.107 votos contra 47.782 votos dados ao candidato da oposição, o jurista baiano Rui Barbosa. O café-com-leite, dos paulistas e mineiros, representava, naqueles tempos, o que hoje se chama eufemisticamente de “base de sustentação do governo”. Esta todos nós sofremos as consequências.

    Faz cem anos hoje que teve início 1915, um ano de muita movimentação na antiga Vila Real do Crato, embora Irineu Pinheiro não tenha atentado para tantos fatos, como os que narrei acima. Quem sabe se 2015, também não venha com esse jeitão de pouca importância e termine sendo um ano de prufundas modificações no cenário sócio-econômico nacional, com sérios reflexos no município de Crato? Boas modificações , diga-se de passagem. Afinal, a única certeza da vida é o imprevisível... A Mãe do Belo Amor -- primeira devoção mariana desta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara -- nos ajude para que esses augúrios se tornem  realidade. Amém."

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O dono da bola - Merval Pereira.

Dias Toffoli pode segurar o processo sobre o foro privilegiado por tempo indeterminado.

“Chama-se tecnicamente ‘pedido de vista obstrutivo’ o que o ministro Dias Toffoli fez ontem no julgamento do STF sobre a restrição ao foro privilegiado dos parlamentares federais. Seguindo um roteiro previamente organizado, depois de encontro com o presidente Michel Temer fora da agenda, Toffoli impediu que a decisão majoritária do plenário do Supremo se materializasse. Nesse caso, ele ganhou de 1 a 7, como se a Seleção brasileira pudesse reverter o resultado do jogo contra a Alemanha na Copa do Mundo pedindo vista.

O pedido obstrutivo tem mais uma característica: o ministro, para atingir seu objetivo, fica com o processo vários meses, na tentativa de tornar inútil ou anacrônica a decisão da maioria.  O próprio Toffoli fizera anteriormente um pedido extemporâneo de vista de outro processo, o que definia que políticos na linha de substituição do presidente da República não podem ser réus.

Essa decisão já tinha maioria em plenário, mas Toffoli pediu vista e, passadas nove sessões, não devolveu o processo, embora o regimento do STF seja expresso quando diz que o processo deve ser devolvido até a segunda sessão ordinária subseqüente.”

Apresentada no Senado Federal a “Sugestão Legislativa” para um referendo visando à restauração da Monarquia no Brasil, bem como sobre as comemorações – em 2022 – do Bicentenário da Independência.


Tramita na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, (ainda aguardando a designação de um relator) um pedido assinado por mais 33 mil brasileiros, visando à realização de um referendo (plebiscito) para a restauração da Monarquia Constitucional no Brasil.

Essa iniciativa busca também o resgate dos símbolos históricos brasileiros, além de honrar os grandes vultos do Império, como os Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, as Imperatrizes Dona Leopoldina, Dona Amélia e Dona Teresa Cristina, bem como a Princesa Dona Isabel e o Conde d’Eu, que tanto fizeram e sacrificaram pela grandeza da Pátria.

A Ideia Legislativa propõe o hasteamento da Bandeira do Império em instituições públicas e particulares, durante toda a Semana da Pátria, e, em 2022, durante todo o mês de setembro, em comemoração pelo Bicentenário da Independência – altura em que, com a graça de Deus, a Monarquia já terá sido restaurada.
(Postado por Armando Lopes Rafael)

Supremo revela tendência à autodesmoralização - Por Josias de Souza.

A questão é de enorme relevância. E deveria preocupar a todos. Tomado por suas decisões mais recentes, o Supremo Tribunal Federal tomou gosto pelo comportamento de alto risco. O pedido de vista do ministro Dias Toffoli, que interrompeu o julgamento sobre a restrição do foro privilegiado, confirma uma estonteante tendência para a autodesmoralização.

Muita gente está empenhada em chamar a atenção do Supremo. Foi assim no caso do afastamento meia-sola de Renan Calheiros da linha sucessória da Presidência da República. Os alertas soaram também quando o STF lavou as mãos no caso de Aécio Neves. Mas isso parece agravar a situação. Quanto mais se critica a Suprema Corte, mais desmoralizada ela se empenha em ficar.

A instância máxima do Judiciário brasileiro demonstra uma incapacidade atroz de resistir aos impulsos autodestrutivos. Já é possível concluir, sem qualquer margem para dúvidas, que o Supremo caminha para igualar-se em desmoralização ao Legislativo e ao Executivo. Com uma diferença: os políticos foram arrastados para o caldeirão pela Lava Jato. O Supremo pula no melado ardente voluntariamente.

Por 7 votos a 1, prevaleceu o voto do ministro Luiz Roberto Barroso. Por esse voto, o foro privilegiado valerá apenas para os crimes cometidos durante o exercício do mandato, se tiverem alguma relação com o exercício da função pública. Dito de outro modo: o privilégio seria exceção. Como regra geral, todos seriam igualados perante a lei. Ao pedir vista, sabe-se lá em nome de quais interesses!, Dias Toffoli comportou-se como menino dono da bola que interrompe uma partida que perdia de goleada.

Aos pouquinhos, vai se solidificando a impressão de que um pedaço do Supremo opera para oferecer proteção a malfeitores. Foi à lata do lixo todo o prestígio que a Suprema Corte amealhara no julgamento do mensalão. Mas não se deve dizer isso em voz alta. Aí mesmo é que o Supremo pode atear fogo às togas. Impossível prever o comportamento de um suicida.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Dom Pedro II - Postagem do Antônio Morais.


O patriotismo é “um sentimento de orgulho, amor, devolução e devoção à Pátria e aos seus símbolos. É a razão do amor dos que querem servir a seu país e ser solidário com seus compatriotas”. O sentimento patriótico não se traduz somente em viver sob a égide do mesmo ordenamento jurídico e do respeito, com maior ânimo, aos interesses dos outros sobre seus próprios.  

Manifesta-se com maior intensidade em defesa da Pátria ante a uma injusta agressão estatal que põe em risco a nossa independência nacional e nossa autodeterminação. Essa injustificada agressão já é real. Este é o momento de reagirmos, porquanto a nossa liberdade não pode ser negociada.

As prerrogativas acima só os monarcas tiveram. E, estão a faltar, hoje em dia,  nessa republiqueta  de  ladrões.

Temer joga R$ 15 bi no ralo e apregoa o colapso - Por Josias de Souza.

Relator da Previdência, Arthur Maia expõe a versão light da reforma durante jantar no Alvorada

Os deputados que aceitaram o convite de Michel Temer para jantar no Alvorada na noite passada foram submetidos a uma atmosfera indigesta. Ecoado pelo ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e por economistas como Marcos Lisboa, o anfitrião trovejou sobre os comensais previsões apocalípticas. Temer declarou no discurso de abertura que a economia sofrerá um “colapso” se a reforma da Previdência não for aprovada. Horas antes, o orador autorizara sua infantaria legislativa a aprofundar o rombo previdenciário em pelo menos mais R$ 15 bilhões.

Enquanto os deputados digeriam a versão lipoaspirada da proposta previdenciária, exposta no Alvorada pelo relator Arthur Maia, o Congresso, reunido em sessão conjunta da Câmara e do Senado, derrotava o presidente. Derrota consentida por Temer. A pretexto de obter o apoio de prefeitos à reforma, o presidente concordara com a derrubada de um veto de sua autoria. Com isso, foi ressuscitada uma mágica chamada “encontro de contas”. Prevê que prefeituras penduradas na Previdência poderão abater de suas dívidas os créditos que afirmam ter no governo.

O veto de Temer havia sido encomendado pela equipe econômica. A perda de R$ 15 bilhões é uma estimativa otimista. Numa conta mais salgada, feita pela Confederação Nacional dos Municípios, estima-se que a renegociação reduza as dívidas das prefeituras em até 50%. O espeto cairia de R$ 75 bilhões para algo como R$ 45 bilhões. Nessa matemática, a União deixaria de receber R$ 30 bilhões.

Com as prefeituras quebradas, esses recebimentos eram incertos, diz um apologista de Temer. O importante é aprovar a reforma, acrescenta. O diabo é que nada insinua, por ora, que a Previdência será reformada no atual governo. O Planalto precisa de pelo menos 308 votos na Câmara. Auxiliares de Temer sustentam que ele já dispõe de algo como 250 votos. Juram que compareceram ao jantar do Alvorada quase 200 votos. Quem esteve no recinto contou algo como uma centena de deputados.

Antes do repasto, o governista Fábio Ramalho (PMDB-MG), vice-presidente da Câmara, revelou o que enxerga em sua bola de cristal: “Ninguém vai votar a reforma da Previdência. Se tiver 100 votos é muito.” Para desassossego de Temer os prefeitos não votam no Congresso. Os governadores, com quem o presidente almoçou, também já não têm tanta ascendência sobre suas bancadas. pouco já não controlam suas bancadas. Mal comparando, Temer vai ganhando a aparência do sujeito que vende o carro para comprar gasolina.

Recomendo a leitura - Postagem do Antônio Morais.


Dom Quitino.

Lá pelas tantas das quantas, uma noticia alvoroçou a pequenina Várzea-Alegre: Dom Quintino, bispo do Crato, a cuja jurisdição pertencia nossa paróquia, ia fazer a desobriga costumeira e estaria, breve, entre nós. 

Não sei por que cargas d’agua, fui escolhido para saudá-lo, na sua visita a escola, item infalível de sua jornada. Talvez, porque Papai fosse capaz de fazer meu “improviso”. Jamais, pela minha eloqüência, que eu nunca demonstrara, antes. 

Instruções foram dadas, em todos os sentidos: como fazer a sua chegada, como bater palmas, como falar, educadamente, o comparecer com a roupinha limpa, bem passada, os quinaipes limpos etc e tal. Não sei, não me lembro se fiquei envaidecido ou um tanto aperreado com a incumbência. 

O certo é que papai escreveu, la, umas caprichadas linhas, que eu decorava, lendo varias vezes por dia, com inflexões e gestos medidos, nas vésperas do grande evento. Coisa de fazer inveja a Nabuco. Tava na ponta da lingua Por segurança, no entanto, no dia, levei o discurso escrito, no bolsinho da blusa. Perfeito tribuno, pronto a enfrentar as massas, no seu verbo inflamado e eloqüente.

Mas menino você sabe como é. Na hora de arrastar o improviso, o papelzinho tinha desaparecido, o haviam tirado. Embora o soubesse de cor, fiquei todo sem jeito, de todas as cores do espetro, suava e tremia e, até da existência da língua, tinha minhas duvidas. Santo Deus. 

Pelas janelas da sala já se via a comitiva que se aproximava, solene, imponente, respeitável. Como o sol que penetrasse na sala, Sua Excia Reverendíssima adentra o templo, Majestoso, no colorido esplendor de suas vestes de alto dignatário da igreja. Olhei para o homem e pensei: - Tô lascado. 

Buscando forças que não tinha, dei um passo a frente, como havia sido ensinado. Do discurso, inteiramente apagado em meu bestunto, não me restava uma só palavra. Por salvação, lembrei-me de papai quando, em casa, recebendo um amigo, sempre dizia: "Vá entrando, a casa é sua". Num plagio vergonhoso, só mudei uma palavra: Vá entrando, Senhor Bispo, a casa é sua.

Dr. J. Ferreira.