
Limeira:
Aquela viagem foi
Um perigo pra criança,
Se fosse um carro de boi
Tinha maior segurança.
Se o jegue desembestasse,
Corresse e não mais parasse
Eu tava sem salvador.
E o infeliz do jumento,
Caia no esquecimento
Do seu irmão escritor.
Padre Vieira:
Pois é. Eu sou escritor,
Sou vigário e jornalista,
Não quis ser agricultor,
Mas meu pai é ruralista.
Conheço esse sertão,
Como a palma dessa mão
Foi aqui que me criei.
Quando me aperta a saudade,
Eu fujo aqui da cidade
E vou para o Cristo Rei.
Limeira:
Você diz que é escritor
Que seu livro tem respaldo,
Pois eu sou um cantador
Como foi Cego Aderaldo.
Posso até ser mentiroso,
Mas se Deus for generoso
Guarda meu lugar no céu.
Eu nunca fiz edição,
Mas a nossa discussão
Vou editar num cordel.
.
Limeira sentiu-se fraco
Tratou de pedir perdão,
Pôs a viola no saco
E fugiu da discussão.
Passou na Carrapateira,
Dizendo: - O Padre Vieira
Acabou a cantoria.
Era eu danado rimando,
E o Padre apenas pregando
Sobre Jesus e Maria.
Enfrentei Sílvio Granjeiro,
Chico Alves e Aderaldo,
Surrei Pinto do Monteiro,
José Gonçalves e Geraldo.
No estado da Paraíba,
Eu açoitei João Furiba
E Inácio da Catingueira.
Mas o Padre sem viola,
Preparou uma mão de sola
Que acabou com Zé Limeira.

































