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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 31 de março de 2014

PATATIVA - POR ANTONIO MORAIS

O jornalista Régis Furtado certa vez veio fazer uma palestra no Crato, mas antes da palestra foi com uma cicerone conhecer a famosa feira da princesa do cariri. Chegando à feira a moça falou: Olhe professor aquele cidadão que está vendendo livros é o poeta Patativa do Assaré. O professor manifestou interesse em conhecer o poeta e foram até Lá. Depois das apresentações o Régis comprou o livro “Cante lá que eu canto cá“ pagou, recebeu o troco e começou a folhear outros livros. Quando olhou a hora despediu-se e se esqueceu de pagar os outros livros. Quando chegou no Crato Tênis Clube, local da palestra, lembrou-se que não tinha pago os outros livros e pediu para que a Secretária fosse fazer o pagamento e pedir as devidas desculpas. Quando a moça pediu as desculpas em nome do jornalista, Patativa improvisou essa quadra:

Eu tava desconfiado
Daquela conversa curta
O Régis não é furtado
É ele mesmo quem furta.

video

domingo, 30 de março de 2014

A Sonata da entrevista de Joaquim Barbosa - Por Vitor Hugo Soares.


Carregada de tensão e faíscas elétricas, a entrevista do presidente do Supremo Tribuna Federal (STF), Joaquim Barbosa, que marcou o retorno do programa de Roberto D'Ávila à televisão (agora no canal privado Globo News), foi provocativa e atraente do começo ao fim.

Fatos e informações do mundo da política, da justiça, da comunicação, da cultura, das relações sociais e principalmente da condição humana, espalharam-se fartamente por todos os blocos.

Ainda assim, restaram importantes lacunas jornalísticas, à espera de perguntas e de respostas. Nas questões mais gerais citadas acima, e em várias outras, mais específicas e “da hora”, a exemplo do processo contra o jornalista Ricardo Noblat.

Essa questão foi tangenciada por entrevistador e entrevistado. Ficou em aberto, rondando entre dúvidas, meias palavras e vacilações de parte a parte, até se dissolver no ar.

Uma pena: para o programa, seus personagens e telespectadores.

Mas nem tudo se perde por causa disso. A impressão, no conjunto da obra, é de que algo realmente significativo aconteceu na telinha da TV brasileira. E para todos os gostos: de quem admira e de quem detesta e não tolera Joaquim Barbosa.

Ou para os que ainda observam o jurista (nascido em Minas Gerais das montanhas famosas, mas encantado e atraído desde a juventude pelo planalto central onde fica Brasília), com “aquela incômoda pulga atrás da orelha”

sábado, 29 de março de 2014

O poder do esforço - Por Paulo Nogueira.

Houve dois grandes oradores na antiguidade: Cícero, romano, e Demóstenes, grego. Cícero nasceu com o dom. Demóstenes é uma prova do extraordinário poder do esforço. Foi graças ao treinamento meticuloso, rígido, persistente que Demóstenes, natural de Atenas, se elevou a imortalidade como um símbolo da força avassaladora das palavras. Demóstenes, natural de Atenas, era de uma família rica. Seu pai morreu quando ele tinha oito anos. A herança opulente foi dilapidada por seus tutores, parte por má fé, parte por inépcia. Garoto ainda, Demóstenes, assistiu um julgamento no qual um orador, chamado Calistrato teve um desempenho brilhante e, com sua verve, mudou um veredicto que parecia selado. Pronto, Demóstenes acabara de saber o que queria ser quando crescesse. Esse episodio foi assim narrado pelo historiador e filosofo grego Plutarco “ Demóstenes invejou a gloria de Calistrato ao ver a multidão escolta-lo e felicita-lo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da palavra, que parecia capaz de levar tudo de vencida”. Ele entrou numa escola de oratória. Assim que pode, processou seus tutores. Ganhou a causa. Mas estava ainda longe de ser notável. Um dia, desanimado, desabafou com um amigo ator. Gente bem menos preparada que ele provocava melhor impressão nas pessoas. O amigo pediu-lhe que recitasse um trecho de Euripedes ou de Sofocles, dois gigantes do teatro grego. Demóstenes recitou. Em seguida, o amigo leu o mesmo trecho, com o tom dramático de ator. Era a mesma coisa, e ao mesmo tempo era tudo inteiramente diferente.
Demóstenes montou então uma sala subterrânea na qual se enfiava todo dia por demoradas horas para treinar, treinar e ainda treinar. Chegava a raspar um dos lados da cabeça para não poder sair de casa e assim praticar sem parar. Para aperfeiçoar a dicção, Demóstenes punha pequenas pedras na boca enquanto falava. Fazia também parte de seu treinamento declamar em plena corrida. Olhava-se demoradamente num grande espelho para ver se sua expressão causava impacto. “ Vem daí a reputação de não ter sido bem dotado pela natureza e só haver adquirido habilidade e força oratória pelo trabalho incansável”, escreveu Plutarco. Ao contrario de outros grandes oradores atenienses. Demóstenes não gostava de improvisar. Por isso os inimigos o chamavam de embusteiro.
Quando a Grécia foi ameaçada por Felipe, rei da Macedônia, a voz de Demóstenes ergue-se tonitruante em defesa de seu país. Mais que o exercito grego, Felipe, pai de Alexandre, o Grande, temeu e reverenciou a voz de Demóstenes.
Demóstenes retardou, mas não impediu a queda dos gregos. Fugiu de Atenas para não ser morto, mas estava perdido. Para não ser capturado pelos inimigos que o caçavam, matou-se com veneno. Mas tarde, os atenienses construíram uma estatua para ele na qual gravaram uma sentença celebre: “Se tivesse tido força igual a tua vontade, Demóstenes, o guerreiro macedônico jamais dominaria a Grécia”.
Paulo Nogueira.

Publicidade - Clínica São Raimundo - Cuidando do Povo de Várzea Alegre !

O Blog do Crato e o Blog do Sanharol têm o prazer de fazer a publicidade da Clínica São Raimundo, da cidade de Várzea Alegre - CE, que acredita no nosso trabalho como meio de buscar a integração regional. A Clínica São Raimundo é uma empresa conceituada. Comandada pelos renomados médicos Dr. Menezes Filho e da Dra. Ana Micaely de Morais Meneses. Especializada em pediatria, ultrassonografia, fisioterapia especializada, RPG.

Eis algumas fotos da nossa empresa/parceira que fazemos questão de divulgar:



Acima: A Logomarca oficial da Clínica São Raimundo, em Várzea Alegre.


Acima: O Médico, Dr. Menezes Filho em atividade.

Acima: Dra. Ana Micaely de Morais MenesesCuidando de seus pacientes com carinho e dedicação...



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Rua Dep. Luis Otacilio Correia 129. Várzea-Alegre. Fone (088) 3541-1467.
Especialidade: Pediatria, ultrassonografia, fisioterapia especializada, RPG.

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Se falta o rumo, todas as escolhas são ruins - Por José Serra

O presidente a ser eleito neste ano vai receber a pior herança econômica desde Itamar Franco, cuja posse foi em outubro de 1993 em razão da renúncia de Fernando Collor de Mello, que seria fatalmente colhido pelo impeachment.

No baú de heranças negativas estará a falta de manobra na área externa diante de um ambiente econômico internacional pouco fulgurante para o Brasil e da acelerada desindustrialização, que causa pesados déficits na balança comercial.

Também há a pressão fiscal: custeio em alta contínua, despesas crescentes com juros e subsídios selvagens à área energética, semiestagnação econômica, que freia o crescimento da arrecadação, e Estados em má situação orçamentária devida ao ano eleitoral de 2014.

Não haverá, é bem verdade, risco a curto prazo de calotes nas áreas externa ou fiscal, mas nem por isso as agências internacionais de risco, tão atrapalhadas quanto influentes, deixarão de atazanar as expectativas dos investidores em relação à economia brasileira.

O próximo presidente vai enfrentar ainda problemas agudos nas áreas de saúde e de segurança pública, e há a chaga social provocada pelas drogas. Essas três questões são as que mais afligem dois terços dos brasileiros.

Na economia, a inflação reprimida está à espreita. Tarifaços nas áreas de energia elétrica, combustíveis e transportes urbanos serão inevitáveis em 2014, a menos que se replique entre nós a desastrosa experiência do governo dos Kirchners, na Argentina, comprimindo preços, deteriorando a capacidade de cada um desses setores e expandindo ainda mais desabridamente os subsídios fiscais.

Um analista atento e desapaixonado, não precisa ser da oposição, concordará com a tese de que o pior cenário para enfrentar os problemas nacionais seria o sucesso da reeleição. Invertendo o ditado popular, quem pariu Mateus é o menos indicado para embalá-lo.

Programa do PSB na TV cola imagem de Campos e Marina - Por Ana Fernandes, Estadão


União, mudança e esperança foram palavras-chave no programa partidário do PSB que foi ao ar na noite desta quinta-feira, 27, em cadeia nacional de rádio e TV. Como previsto, o pré-candidato à Presidência da República da legenda, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, buscou unir sua imagem à da ex-senadora Marina Silva.

A peça apostou em um formato em que Campos e Marina ficaram sentados frente a frente, em um ambiente montado como uma sala de estar. Os dois completaram as ideias e frases um do outro ao longo do programa, que durou dez minutos.

CFM diz que apenas 11% das obras de saúde do PAC 2 foram concluídas - Por Aline Valcarenghi, Agência Brasil


Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que apenas 11% das ações previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) para a área de saúde foram concluídas desde 2011, ano em que o programa foi lançado.

Segundo o conselho, das 24.066 ações de responsabilidade do Ministério da Saúde ou da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), pouco mais de 2.500 foram concluídas até dezembro de 2013. As ações prevêem reforma de unidades básicas de saúde (UBSs), unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e obras de saneamento básico.

Conforme o levantamento, entre as regiões do país, o Sudeste apresentou o resultado mais baixo, com a conclusão de 318 ações (7%) das 2.441 previstas.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Petrobrás por todo lado - Por Mara Bergamaschi

Estrela do discurso e da propaganda do PT em duas disputas presidenciais – a reeleição de Lula em 2006 e a eleição de Dilma em 2010 -, a Petrobrás domina agora sem trégua a agenda negativa do governo, que mal recupera o fôlego antes de tentar apagar o próximo incêndio.

Tal propagação do fogo, sempre alimentado por combustível, não se deve apenas aos vários projetos da estatal sob investigação. Não há registro, na política recente, de nota oficial da Presidência da República – exercício formal, em situações adversas, de dizer nada – tão desastrosa quanto à divulgada para explicar o papel de Dilma na compra da refinaria de Pasadena em 2006.

O tamanho do imbróglio evidenciou-se nesta terça-feira, quando um grupo de senadores capitaneado por Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) acionou a Procuradoria-Geral da República diretamente contra a presidente. Citaram a lei 8429/1992 – que trata de improbidade administrativa e prevê punições para agentes públicos cujas ações ou omissões causaram prejuízo ao erário e/ou enriquecimento ilícito.

Relembrando: em resposta à reportagem de O Estado de S. Paulo, o Palácio do Planalto afirmou há uma semana que o Conselho da Administração da Petrobrás, presidido pela então ministra Dilma de 2003 a 2010, autorizou a malfadada operação de Pasadena baseando-se em “resumo técnico e juridicamente falho, pois omitia cláusulas, que, se conhecidas, seguramente não seriam aprovadas.” Disse ainda que o contrato só foi detalhado em 2008.

Na representação, os senadores usaram as próprias informações do Planalto para argumentar que Dilma, “que tinha acesso a todos os documentos e o dever de vigilância sobre o Colegiado, confessou que sequer leu o contrato”. Ou seja: os senadores recorreram à nota oficial para tentar comprovar a suposta omissão da presidente! Eles sustentam que a transação teria causado prejuízo final de US$ 1 bilhão à estatal.

Na era pós-mensalão, em que o Judiciário passou a dar consequência legal aos escândalos políticos, os senadores criaram mais uma tensão e tanto para o Executivo neste ano eleitoral. Pior do que ameaça de CPI, inquérito da PF ou auditoria do TCU. O governo, que tenta restringir os danos ao âmbito da Petrobrás, teve de sair em defesa da lisura de Dilma.

Com seu valor de mercado depreciado, um ex-diretor preso sob acusação de lavagem de dinheiro, outro – o autor do tal parecer falho – demitido em férias com oito anos de atraso, a Petrobrás tem poucas chances de ser novamente a vitrine da campanha. Em 2014 o feitiço virou – e como – contra o feiticeiro.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Práticas de comportamento desumano - Por Roberto Pelegrino.

Sou apenas um médico e escritor, não sou filiado e nem morro de amor por nenhum partido político brasileiro.

Gosto de filosofar e escrever sobre a vida, sobre o comportamento humano, sobre o amor e sobre a paz. Hoje Fugi a regra e resolvi escrever sobre o comportamento desumano. 

Nós passamos por um processo avassalador de três grandes “qualidades”: corrupção, incompetência e cinismo. 

O caso que veio à tona essa semana, embora, antigo, o da PETROBRAS, nada mais é do que um episódio que tentam brincar com a inteligência humana. Podemos discutir ideias, mas não números, se acreditarmos naqueles números, teremos que jogar a matemática no lixo.

Essas três grandes “qualidades” é o pior câncer da sociedade. Elas têm que ser combatidas, independente do partido político, do poder e nos três níveis hierárquico da República. 

Corrupção, incompetência e cinismo são práticas de comportamento desumano. Vamos combatê-las!

O enigma Dilma - Por Merval Pereira, O Globo


Estar em São Paulo entre investidores internacionais no dia em que a agência Standard and Poor’s rebaixou a nota do Brasil é uma experiência interessante.

O sentimento generalizado é o de que não aconteceu uma tragédia, mas há uma genuína ansiedade sobre como o governo brasileiro se comportará diante da adversidade que o rebaixamento representa.

Mesmo que o mercado financeiro se excite com especulações de que Dilma estaria perdendo terreno nas pesquisas eleitorais, como aconteceu na semana passada, na verdade os investidores pragmaticamente tratam a reeleição da presidente como o resultado mais provável do pleito de outubro, o que os faz tentar entender o que será um segundo mandato em dilmês.

Ou até mesmo se ela terá capacidade para dar uma guinada na sua política econômica ainda neste ano eleitoral, para reduzir os danos que vem sofrendo. As respostas são desencontradas, pois ninguém sabe ao certo como Dilma reagirá diante da realidade que tentou evitar a todo custo.

A ida da presidente ao Fórum Mundial Econômico, em Davos, em janeiro, para convencer os investidores internacionais de seu comprometimento com o equilíbrio fiscal teria sido um movimento extremo que muito custou à presidente, e o resultado não veio. O governo considerava que o rebaixamento era inevitável, mas trabalhou duro para adiá-lo para depois das eleições.

terça-feira, 25 de março de 2014

Cinza - Por Elton Simões

Foi-se, se é mesmo que existiu, o tempo em que narrativa precisava fazer sentido. Os fatos eram colocados cuidadosamente em ordem de maneira a levar audiência a acreditar na conclusão. Por isso mesmo, toda historia precisava ter começo, meio e fim.

Desde que as narrativas foram dispensadas de fazer sentido, as coisas se tornaram mais complicadas de entender. A realidade perdeu as cores. Branco não existe preto não há. Tudo parece ser cinza. Tudo parece o mesmo.

Neste mundo pintado de cinza, as explicações variam e se transformam dependendo dos interesses imediatos. Não saber virou qualidade que inaugura a existência o pecado sem pecador.

Parece que nunca antes na história deste país existiram tantas pessoas que não sabiam. E tantos fatos sem explicação lógica. Ou tantas explicações sem sentido. Ou melhor, nunca as explicações foram tão pouco importantes.

Talvez porque acompanhar os fatos tem se convertido em tarefa árdua. A sucessão de fatos novos e escândalos inusitados é tão grande, e tão diversa, que foco passou a ser luxo que a condição humana não permite.

Tudo parece sobrecarregar os sentidos e apagar a memória. Escândalos novos substituem os anteriores, dispensando-os de explicação adequada. Não existe papel, tinta, tempo, ou espaço na memória para acompanhar cada um deles do início ao fim.

Em uma realidade construída de tons de cinza, tudo soa e se parece mais ou menos igual. Ali convivem e colidem sonhos do passado e pesadelos do futuro na ausência de narrativas que emprestem sentido aos fatos.

Tudo seguindo o ritmo acelerado das revelações de fatos não explicados fadados a serem rapidamente substituídos por outros escândalos que, por sua vez, também estarão destinados a permanecerem inexplicáveis. Tudo, de alguma maneira, ocorre sem a que a luz clara do sol possa iluminar e ajudar a entender cada acontecimento. A zona é cinzenta, afinal de contas.

Joaquim x Lula - Por Ricardo Noblat


Em entrevista ao jornalista Roberto D’ Ávila na Globo News, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), sugeriu que Lula tentou fazer marketing às suas custas.

Foi Lula quem o nomeou ministro. E mais de uma vez Lula o convidou para acompanhá-lo em visitas oficiais a países africanos. Joaquim recusou todos os convites.

Quanto ao seu futuro depois que se aposentar do STF... “Deixo a vida me levar”, limitou-se a responder. O programa de D’ Ávila irá ao ar toda semana aos primeiros minutos de cada domingo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Três cidades brasileiras estão entre as dez mais violentas do planeta - G1

No último domingo (16), o Fantástico mostrou como é viver na cidade mais violenta do mundo - San Pedro Sula, em Honduras. Neste domingo (23), os nossos repórteres viajaram pelas três cidades brasileiras que estão entre as dez mais violentas do planeta. Uma delas, vai receber jogos da Copa do mundo.

Nestes locais se mata por qualquer motivo: paixão, discussão, tráfico. “A morte é sempre entre 15, 21, 22 anos. Não passa disso”, destaca um policial.

Uma pessoa assassinada a cada duas horas. O crime é bem perto das autoridades. O que impressiona é que a venda de drogas funciona bem em frente à delegacia.

Durante um mês, o Fantástico percorreu as cidades brasileiras que aparecem no ranking das dez mais violentas do planeta entre as que não estão em guerra: Maceió, Fortaleza e João Pessoa. O levantamento foi feito por um respeitado grupo de estudos mexicano.

Justiça: PT não é obrigado a pagar R$ 100 milhões a Valério - Ricardo Brito, Estadão


O Partido dos Trabalhadores não é obrigado a pagar R$ 100 milhões em empréstimos tomados por empresas ligadas ao empresário Marcos Valério (foto) em bancos que abasteceram o esquema do mensalão.

Em uma decisão do mês passado, a Justiça do Distrito Federal considerou que os empréstimos contraídos entre fevereiro de 2003 e outubro de 2004 nos bancos Rural e BMG eram fictícios, o que desobriga o partido a arcar com as despesas das operações.



De corpo e alma - Por Merval Pereira, O Globo


A primeira entrevista mais longa para a televisão do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, dada ao jornalista Roberto D’Ávila no seu programa de estreia na Globonews, é um depoimento revelador de como pensa e age um dos principais atores da atual cena pública brasileira.

Ele não apenas anuncia formalmente que não será candidato a nada nas eleições deste ano, como faz questão de separar sua atuação da vida política, da qual diz preferir se manter alheio.

Ocupando um dos principais gabinetes na Praça dos Três Poderes, ele se diz distante de “tudo o que se passa aqui (nessa Praça dos Três Poderes) que tenha caráter político”.

Retira também do processo do mensalão, do qual foi relator e alvo das críticas dos petistas, qualquer caráter político na sua atuação, mas reconhece que ele trouxe “um desgaste muito grande, com uma carga política exagerada, um pouco turbinada pela mídia também”. Ressalta que, por estratégia, tomou sempre as principais medidas ouvindo o plenário.

Certas penas não foram muito pesadas?, pergunta o entrevistador, e Barbosa rebate: “Ao contrário. Eu examino as penas aplicadas nesse processo e as comparo com as penas aplicadas aqui no STF pelas turmas, só que em casos de pessoas comuns, e (quem fizer a comparação) vai verificar que o Supremo chancela em habeas-corpus coisas muito mais pesadas”.

Ele não atribui à transmissão pela TV das sessões um papel importante nas atuações dos ministros, e fala de sua própria experiência: “A televisão me incomodava muito nos primeiro meses, depois me acostumei e nem noto que há televisão”.

Durante toda a entrevista o ministro procurou colocar-se como uma pessoa diferente do que o pintam, tanto em relação à sua carreira quanto ao seu comportamento na vida pública.

“No Brasil a vida pública é quase um apedrejamento. Acompanho a vida institucional de alguns países e noto uma diferença fundamental. Noto no Brasil um processo paulatino de erosão das instituições e esse apedrejamento parece fazer parte disso. 

Campos levanta suspeita de desvalorização proposital da Petrobras - Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo


Ao comentar sobre as suspeitas de irregularidades em contratos da Petrobrás, o governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, levantou suspeita sobre uma possível desvalorização proposital no valor de mercado da empresa, durante um evento realizado neste sábado, em Salvador.

"Às vezes, fico desconfiado se isso não faz parte de um jogo para desvalorizar e vender a Petrobrás", disse o presidenciável.

domingo, 23 de março de 2014

Eduardo Campos


Como todos os brasileiros, estou muito preocupado com a situação da Petrobras. Ela não pertence a um partido ou a um governo, ela pertence ao País e é fruto da luta do nosso povo. A má gestão, como a compra de uma refinaria deficitária nos Estados Unidos, fez com que, nos últimos três anos, a Petrobras perdesse metade do seu valor e visse sua dívida ser multiplicada quatro vezes.

Vimos também o dinheiro da venda do primeiro bloco do Pré-Sal, que iria alavancar investimentos em Educação, ser usado para fechar as contas do governo no final do ano. Temos 40 usinas de álcool fechadas em São Paulo, milhares de pessoas desempregadas e milhões de dólares indo para fora, para o Brasil comprar combustível do estrangeiro. A gestão da Petrobras está desarrumada e os brasileiros merecem esclarecimentos sobre isso.

Ninguém quer ver a Petrobras ser colocada no jogo político raso da disputa eleitoral. Ela sempre foi muito importante para o Brasil, e será importante amanhã também. E ela tem um patrimônio enorme que são seus funcionários, centros de pesquisa com grandes craques que não podem ser confundidos com essas práticas.

Nós queremos esclarecer o que vem acontecendo, justamente para melhorar a Petrobras, porque nós ficamos até desconfiados se este processo não é para desvalorizar a Petrobras para fazer com que ela seja privatizada no futuro.

O mensalão e Pasadena - Por Ilimar Franco, O Globo


Quando Roberto Jefferson denunciou o mensalão, ao ex-presidente Lula foi sugerido afirmar: “eu não sabia”. Mas seus conselheiros rejeitaram essa ideia. Prevaleceu a versão na qual Lula confirma Jefferson e, depois, pede para que seus líderes na Câmara verificassem e que nada fora encontrado.

No caso Pasadena, o “não sabia” foi adotado, afetando a credibilidade da versão do Planalto. Um de seus ministros avalia que um enredo “precisa ficar de pé”. E que, para isso, teria sido fundamental que o Planalto e a Petrobras contassem a mesma história. Não foi o que ocorreu. O diagnóstico dos aliados é o de que faltou profissionalismo e sobrou voluntarismo.

sábado, 22 de março de 2014

Hidrelétricas sem reservatórios foram tiro pela culatra - Globo


Como um país que dobrou sua capacidade de geração de energia elétrica em um período relativamente curto, de menos de vinte anos, pode se ver na contingência de racioná-la, mesmo que o consumo não tenha se expandido em igual proporção? A razão é que essa expansão de capacidade não tem igual correspondência com a chamada energia firme, aquela que é efetivamente assegurada.

A maior parte das hidrelétricas, por exemplo, só consegue assegurar ao longo de um ano ano, em média, o equivalente à metade de capacidade de geração. Nos momentos que os rios estão cheios, no máximo de sua vazão, tais usinas podem até operar a plena capacidade.

A futura usina de Belo Monte, no Rio Xingu, contribuirá pouco para o sistema interligado em alguns meses do ano, enquanto só no período da cheia poderá operar a 100%. As usinas eólicas também costumam assegurar energia equivalente a menos de 40% de sua capacidade, e isso quando há bons ventos.

A vantagem é que há uma complementaridade com o sistema hidráulico; geralmente venta mais quando chove pouco no Nordeste, e vice-versa . E, à noite, quando o consumo de energia diminui na região, os ventos são mais predominantes, e, nesse horário, usinas hidráulicas podem ser menos acionadas, possibilitando o enchimento de reservatórios. E aí está o xis da questão.

Na matriz elétrica brasileira, a energia precisa ser armazenada sob a forma de água acumulada nos reservatórios. No passado, essa acumulação de água possibilitava o planejamento da oferta de energia por cinco anos à frente.

Esse horizonte foi se estreitando à medida que novas hidrelétricas foram construídas sem reservatórios. No quadro atual, a energia acumulada nos reservatórios existentes só poderia suprir o país por cinco meses. Usinas com reservatórios de acumulação são aquelas em que a vazão dos rios permite que, ao menos durante uma fase do ano, se guarde parte da água junto (a montante) às barragens.

As demais usinas são a fio d’água, porque não há essa acumulação, e o volume de água que chega às barragens é o mesmo que passa pelas turbinas e pelas comportas dos vertedouros. Assim, quando os rios estão cheios, as usinas podem operar a plena carga. Por causa da altura das barragens, uma usina a fio d’água pode represar água a montante, como é o caso de Itaipu, mas tecnicamente o lago formado não é considerado reservatório.

A topografia muitas vezes ajuda a formação de reservatórios e esse é o caso dos vários existentes. Nas regiões mais planas, reservatórios podem ser menos profundos e se estender por vastas áreas, o que não se admite nos critérios de proteção ambiental

Esse foi o argumento que acabou prevalecendo no Brasil para se banir do cenário a construção de novas hidrelétricas com reservatórios de acumulação. Mas, se o propósito foi proteger o ambiente, o tiro saiu pela culatra, pois a alternativa tem sido construir usinas térmicas, bem mais caras e com impacto muito mais poluente.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Desvendar o lado oculto de negócios na Petrobras - O Globo


Maior empresa brasileira, uma corporação gigante na América Latina e no ranking mundial do setor, a Petrobras não costuma ter um sistema de governança com a transparência condizente com seu caráter de companhia de capital aberto, com incontáveis acionistas minoritários, dentro e fora do país.

Estatal, com uma história muito ligada a corporações militares, a Petrobras desenvolveu uma cultura de opacidade. Mais combatida ou menos, a depender do governo de ocasião.

O certo é que bilhões de dólares trafegam pelo caixa da empresa sem a devida transparência para o acionista e o contribuinte.

Costumam existir rumores de grandes negociatas feitas com dinheiro da empresa, a maior investidora e compradora individual de máquinas, equipamentos, e muitos outros itens no mercado interno. E estes rumores não são de hoje.

No momento, porém, transcorrem casos que requerem rigorosa investigação. Um deles, inclusive, com a participação involuntária da presidente Dilma.

É a incrível operação de aquisição de uma refinaria localizada no Texas (EUA), comprada por um grupo belga por US$ 42,5 milhões e cuja metade foi vendida à Petrobras, um ano depois, por US$ 360 milhões.

Mais grave: depois até de luta judicial, a refinaria saiu para a estatal por US$ 1,2 bilhão. A operação foi engendrada no primeiro governo Lula.

O enredo do negócio é estonteante, a ponto de, por meio de nota do Planalto, na terça, Dilma Rousseff, à época ministra e presidente do conselho de administração da estatal, admitir ter sido enganada por um parecer “falho” da diretoria internacional da Petrobras.

STF manda prender deputado que trocou cirurgia por voto - Veja


O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, nesta quinta-feira, os últimos recursos do deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA, foto abaixo) e determinou a prisão de mais um parlamentar no país. O deputado foi condenado em 2011 a três anos, um mês e dez dias de prisão pelo crime de esterilização irregular: em troca de votos nas eleições de 2004, ele oferecia cirurgias de laqueadura.

Ao site de VEJA, Bentes afirmou que, a exemplo do ex-colega de partido Natan Donadon (RO), que está encarcerado na Papuda (DF), não vai renunciar ao mandato. Primeiro deputado-presidiário do Brasil, Donadon só teve o mandato cassado neste ano. “Não cometi nenhum crime, mas entenderam que eu conhecia os fatos. Não quero sair da Câmara pela janela. Só saio em duas condições: quando perder as eleições ou decidir não concorrer”, disse.

Comentario do Blog - Ontem, em visita ao Pará, Dilma no palanque com o Asdrubal, fez questão de cumprimentá-lo. " Quero cumprimentar o deputado Asdrubal Bentes" disse a Dilma.  Seria pela prisão? 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Com quantos ministérios se faz um governo? - Por Joaquim Falcão.


Quantos ministérios teria eventual governo de Aécio Neves? Quantos teria o de Eduardo Campos-Marina? Esta é pergunta que os eleitores gostariam que fosse logo respondida.

A estrutura visível do governo deve ser um dos temas preferidos nos debates na TV entre os candidatos. É uma mensagem de fácil comunicação para o eleitor. Concretiza para o senso comum a discussão abstrata sobre o tamanho do estado. E com certeza diferencia candidatos.

Existe crescente percepção na opinião pública de que nem a administração pública, nem mesmo o próprio governo precisa de 39 ministros. Em vez de ajudar a governar, ajudam a desgovernar. Em vez de viabilizar a liderança da presidência, a paralisa.

Foi o que vimos agora na reforma ministerial: uma Presidenta tentando se livrar da gula fisiológica exacerbada estimulada pela existência de tantos ministérios.

Como lembra Roberto Paulo Cezar de Andrade, um dos mais respeitados empresários brasileiros: “não há país civilizado onde o Congresso abrigue 19 partidos (são trinta os existentes) e o Presidente tenha 39 ministérios. Numa empresa privada, os acionistas certamente despediriam o Presidente que contratasse 39 diretores. Teriam que fazê-lo rapidamente antes que a empresa entrasse caoticamente em falência.”

A multiplicação dos ministérios acaba sendo um mecanismo disfarçado de aliciar votos, diz Roberto Paulo Cezar. A democracia brasileira precisa arranjar uma nova política onde o Congresso convirja com a Presidência, sem ser por Mensalão ou ministérios.

Dilma aprovou compra de refinaria que provocou prejuízo de US$ 1 bi à Petrobras.


Anuência da presidente foi dada em 2006, quando chefiava a Casa Civil. Hoje, ela afirma que só concordou porque recebeu 'documentos falsos' para análise

Um dos mais malsucedidos negócios da história da Petrobras foi fechado com a anuência da presidente Dilma Rousseff, quando ela ainda era ministra-chefe da Casa Civil e comandava o conselho da estatal. Documentos revelados nesta quarta-feira em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostram que Dilma votou, em 2006, a favor da compra de 50% de uma refinaria em Pasadena, no Estado americano do Texas. A outra metade ficou com a trading belga Astra Oil. 

A parceria foi desfeita em junho de 2012, depois de acirrada disputa judicial. A Petrobras, então, adquiriu as ações da Astra Oil e ficou como única dona da refinaria – e também com um prejuízo superior a 1 bilhão de dólares. O caso, revelado por VEJA, está sob análise do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público, que investigam suspeitas de superfaturamento

quarta-feira, 19 de março de 2014

NIÓBIO.



Leia - Voce precisa saber.

Vocês já ouviram algo a respeito ?

Nióbio, o metal que só o Brasil fornece ao mundo. Uma riqueza que o povo brasileiro desconhece e tudo fazem para que isso continue assim.
Como é possível o fato de o Brasil ser o único fornecedor mundial de nióbio (98% das jazidas desse metal estão aqui), sem o qual não se fabricam turbinas, naves espaciais, aviões, mísseis, centrais elétricas e super aços; e seu preço para a venda, além de muito baixo, seja fixado pela Inglaterra, que não tem nióbio algum? EUA, Europa e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro. Como é possível em não havendo outro fornecedor, que nos sejam atribuídos apenas 55% dessa produção, e os 45% restantes saíndo extra-oficialmente, não sendo assim computados.
Estamos perdendo cerca de14 bilhões de dólares anuais, e vendendo o nosso nióbio na mesma proporção como se a Opep vendesse a 1 dólar o barril de petróleo. Mas petróleo existe em outras fontes, e o nióbio só no Brasil; podendo ser uma outra moeda nossa. Não é uma descalabro alarmante?

O publicitá rio Marcos Valério, na CPI dos Correios, revelou na TV para todo o Brasil, dizendo: “*O dinheiro do mensalão não é nada, o grosso do dinheiro vem do contrabando do nióbio*”. E ainda: “*O ministro José Dirceu estava negociando com bancos, uma mina de nióbio na Amazônia”.*

Ninguém teve coragem de investigar… Ou estarão todos ganhando com isso? Soma-se a esse fato o que foi publicado na Folha de S. Paulo em 2002: “Lula ficou hospedado na casa do dono da CMN (produtora de nióbio) em Araxá-MG, cuja ONG financiou o programa Fome Zero”. As maiores jazidas mundiais de nióbio estão em Roraima e Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Raposa – Serra do Sol), sendo esse o real motivo da demarcação contínua da reserva, sem a presença do povo brasileiro não-índio para a total liberdade das ONGs internacionais e mineradoras estrangeiras.
Há fortes indícios que a própria Funai esteja envolvida no contrabando do nióbio, usando índios para envio do minério à Guiana Inglesa, e dali aos EUA e Europa. A maior reserva de nióbio do mundo, a do Morro dos Seis
Lagos, em São Gabriel da Cachoeira (AM), é conhecida desde os anos 80, mas o governo federal nunca a explorou oficialmente, deixando assim o contrabando fluir livremente, num acordo entre a presidência da República e os países consumidores, oficializando assim o roubo de divisas do Brasil.
Todos viram recentemente Lula em foto oficial, assentado em destaque, ao lado da rainha da Inglaterra. Nação que é a mais beneficiada com a demarcação em Roraima, e a maior intermediária na venda do nióbio brasileiro ao mundo todo. Pelo visto, sua alteza real Elizabeth II demonstra total gratidão para com nossos “traíras” a serviço da Coroa Britânica. Mas, no andar dessa carruagem, esse escândalo está por pouco para estourar, afinal, o segredo sobre o nióbio como moeda de troca, não está resistindo às pressões da mídia esclarecida e patriótica.
*Cadê a OAB, o MFP, o Congresso Nacional *

*Os bandidos são mais honestos.*

Menino Lenheiro - Por Loudes Morais Cesar.



O menino chora. Tem uns 12 anos, mas aparenta bem menos. Seu corpo franzino, castigado pelo sol escaldante desaba no chão, num choro sentido.
Tamanho de menino, responsabilidade de homem.
Sobre o lombo do jumento está a carga de lenha, que deverá ser vendida a fim de comprar alguma coisa para o almoço.
Mas o jumentinho cansado resolve parar e não levanta de jeito nenhum para seguir a jornada. Ainda falta mais  da metade do caminho até a ¨Rua¨.
Ao menino, restam somente as lágrimas. Ou talvez uma oração pedindo a Deus que se compadeça e que faça com que o danadinho do jumento genioso se levante e siga em frente.
Em sua cabeça, a lista de compras que sabe de cor: farinha de mandioca,  feijão de corda e rapadura. A irmã mais velha e os irmãos pequenos esperam pela sua volta.Sua mãezinha descansa lá no céu...
Ele sabe que tem que ir, vender logo essa carga e voltar bem rapidinho para que a irmã possam preparar o que trouxer ainda para o almoço.
Mas o jumento, nada...
Ainda torce para que possa realmente vender a lenha e pegar algum dinheiro, porque algumas vezes, tinha que deixar toda a carga como pagamento de seu pai a algumas senhoras que lhe haviam prestado certos favores. Favores estes que ele não entendia muito bem.
Mas, êta que o jumento resolveu levantar! Ainda faltam muitas léguas até a cidade, é melhor se apressar antes que o companheiro se canse de novo e resolva parar!
Um dia,quem sabe, este caminho se torne mais curto...
E essa carga não seja tão pesada...
Para o jumentinho cansado...
E para o menino...
Magrinho...
Toinho.

Alianças pragmáticas - Por Merval Pereira, O Globo


A crise entre o PT e o PMDB está servindo de mote para o presidenciável Eduardo Campos assumir cada vez mais a postura de candidato de oposição, e não apenas ele. A sua provável vice, ex-senadora Marina Silva, segue na mesma batida, ela que, na eleição de 2010, não assumiu a condição de oposicionista nem no primeiro turno e talvez por isso não tenha ido mais longe do que foi. No segundo, recusou-se a apoiar qualquer dos candidatos, iniciando a pregação contra PT e PSDB, colocando-os no mesmo nível.

Eduardo Campos, para dar a ideia de como vê o governo de coalizão de que participou até recentemente, diz que a presidente Dilma distribui cargos e ministérios como quem distribui bananas e laranjas. Já Marina diz que a crise é exemplar da disfuncionabilidade do sistema.

Os dois têm razão: no Brasil, uma interpretação distorcida do que seja o papel dos partidos políticos no apoio a um governo levou a que a corrupção e o fisiologismo se tornassem elementos fundamentais da chamada “governabilidade”.

O problema será como a dupla PSB/Rede vai lidar com essa distorção que já está introjetada na vida pública brasileira. Agora mesmo estamos vendo as dificuldades enfrentadas pelos dois para definir os palanques estaduais. Os critérios de Campos são bem mais elásticos do que os da Rede de Marina, e ajustar esses pontos de vista para tirar da união o melhor efeito eleitoral é tarefa delicada.

Há na Rede a ideia de que é preciso dar limites a Campos, acostumado que estaria às práticas antigas da política. Já no PSB há a certeza de que é preciso adequar os anseios da Rede às realidades regionais para viabilizar eleitoralmente a chapa.

O caso de São Paulo é emblemático de como transformar limão em limonada. O veto de Marina ao apoio ao governador tucano Geraldo Alckmin a princípio trouxe problemas para Campos, pois a maioria esmagadora do PSB paulista queria apoiar o PSDB.

O samba-enredo do superávit primário - Por Gil Castello Branco, O Globo


É conhecido o provérbio: “Devo, não nego, pagarei quando puder.” Lembrei-me da frase quando o governo federal, estrategicamente na sexta-feira de carnaval — ocasião em que os brasileiros já estavam mais preocupados com Momo do que com Mantega —, anunciou o resultado fiscal de janeiro.

É impossível dissociar o primeiro mês de 2014 com o que aconteceu no fim do ano passado. À época, com intenção clara de exibir números que não decepcionassem, ainda mais, o mercado financeiro e as agências de risco, o governo postergou despesas de dezembro para janeiro deste ano, inflando o superávit primário de 2013.

Certamente não foi a primeira vez — e não será a última — que um burocrata maquia o resultado de um determinado período, sobretudo em ano pré-eleitoral. A contabilidade postergada é popularmente chamada de “pedalada”.

De 2013 para 2014, entretanto, foi um verdadeiro “Tour de France”. O absurdo foi tal que, pela primeira vez, desde o início da série histórica do Banco Central, em 1997, as despesas de janeiro superaram as de dezembro.

Os truques que fizeram as despesas de dezembro desaparecerem para ressurgirem em janeiro de 2014 passaram, entre outras mágicas, pelo crescimento de 27,8% dos restos a pagar processados (quando só falta o pagamento do serviço prestado), pela emissão de bilhões de reais em ordens bancárias nos últimos dias do ano — para que fossem sacadas apenas nos primeiros dias de 2014 — e também pela retenção de receitas estaduais e municipais.

Em dezembro, do dia 1º ao dia 27, a União pagou R$ 2 bilhões em investimentos (obras e equipamentos). No entanto, entre os dias 28 e 31 foram lançados R$ 4,1 bilhões.

terça-feira, 18 de março de 2014

Pior do que o diabo - Por Mary Zaidan


Especialidades do ex-presidente Lula, criticar as elites, estimular e manter em alta o antagonismo entre ricos e pobres, sempre lhe valeram bons frutos. Como ninguém, Lula consegue com o mesmo gogó desancar e afagar os endinheirados. E ainda usufruir deles.

Mas essa habilidade de iludir o público, xingando aqueles que o patrocinam – a ele e ao PT – é única. Seria prudente, portanto, que Dilma Rousseff nem mesmo tentasse se arriscar nessa seara, sob pena de despencar no ridículo, como na sexta-feira, em Araguaína, no Tocantins.

Irritada com as vaias durante inauguração de um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida, Dilma acusou os manifestantes de terem nascido “em berço esplêndido”. E extrapolou ao se referir ao cartão Minha Vida Melhor, que financia compra de eletrodomésticos, afirmando que só não valorizam o programa aqueles que “nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama, um colchão".

O que Dilma não sabia – e ninguém contou a ela - é que o grosso dos apupos vinha de moradores do conjunto ao lado, entregue há dois anos pelo mesmo Minha Casa Minha Vida, já com rachaduras e sem equipamentos sociais.

Suas palavras agrediram pobres mais pobres do que os pobres que ela, durante a inauguração, dizia beneficiar.

Não satisfeita, também reagiu atabalhoadamente aos que protestavam contra o Mais Médicos, ao afirmar que antes do programa havia profissionais de saúde “somente para as camadas mais ricas". Ou seja, até o segundo semestre do ano passado, o SUS de Dilma só atendia “ricos”. Um desrespeito absoluto aos milhões e milhões de brasileiros que dependem da saúde pública.

Ao que tudo indica, Dilma foi instruída a promover ao máximo a tática vitoriosa de Lula de rivalizar ricos e pobres. Mas Dilma não é Lula. E, sendo Dilma, confundiu todas as bolas.

Tropeços à parte, causa estranhamento a escolha dos marqueteiros pela desgastada aposta na luta de classes. Especialmente para uma candidata que lidera as pesquisas com larga margem de vantagem e um governo que se orgulha de ter promovido mais de 30 milhões de pessoas à condição de classe média. Ainda que a nova média – rendimento de R$ 301 a R$ 1.090,00 – esteja muito aquém de garantir o mínimo.

Sem saber onde colocar esse batalhão de gente, Dilma continuará animando a disputa entre pobres e menos pobres.

Como estratégia eleitoral, difícil crer que esse tipo de discurso tenha alguma serventia com a protagonista Dilma. Mas suas consequências vão além do fazer o diabo para vencer a eleição. Promovem e alimentam o ódio; criam divisões devastadoras, muitas vezes intransponíveis. Isso é tudo de que o Brasil não precisa.

Revista francesa detona a Copa no Brasil - Revista "So Foot"


Desta vez é verdade. Um mês depois da polêmica gerada por um texto falso atribuído à revista France Football que criticava fortemente a organização da Copa do Mundo no Brasil, o site da revista esportiva francesa "So Foot" publicou uma extensa reportagem sobre a preparação do Brasil para o Mundial. O texto, carregado de sarcasmo e humor ácido, mostra a que veio já no título: "Viva a Bagunça Brasileira!" (Vive Le Bordel Brésilien!). Em francês, a palavra bordel serve tanto para designar casas de prostituição quanto uma grande bagunça.

A reportagem divide as cidades-sede em três grupos: as que realmente deveriam estar sediando a Copa e que valem a viagem, mas que nem por isso estão livres de problemas (Les villes où ça devrait le faire), as sedes em que inevitavelmente a Copa será uma bagunça ("Les villes dans lesquelles ce sera forcément le bordel"), e aquelas onde o melhor mesmo é deixar para ver os jogos pela televisão ("Les villes dans lesquelles on verra peut-être un match, mais à la télé de préférence").

No primeiro grupo, estão Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Nessas cidades, a revista identifica problemas menores, como problemas de conexão com a internet e falhas nos telões no estádio do Beira-Rio, na capital gaúcha. Já sobre Brasília, a reportagem destaca o alto custo de construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, em uma cidade que não possui clubes de expressão no cenário nacional.

Já no segundo grupo, o da bagunça inevitável, estão São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Natal. O Aeroporto do Galeão (RJ) é descrito como "indigno de uma capital turística": "Edifícios degradados, pistas saturadas nas altas estações e paralisação das atividades em cada chuva forte prometem grandes doses de diversão", ironiza a publicação.

Sobre São Paulo, a reportagem afirma ser a cidade "irmã da Cidade do México e prima do Cairo (capital do Egito)", centros urbanos conhecidos mundialmente pelo trânsito caótico. Já Salvador teria um trânsito difícil na hora do rush. "Considerando que o estádio [Arena Fonte Nova] fica em uma região central da cidade, vai haver sofrimento".

Finalmente, no grupo das cidades em que seria melhor ver os jogos pela TV, estão Cuiabá, Manaus e Curitiba. O aeroporto da capital mato-grossense é descrito como "um campo de barro". "[O aeroporto] é do tamanho de uma cozinha, mas há que um lindo papagaio pintado na parede. Nenhuma grande nação vai jogar em Cuiabá. E depois dizem que o sorteio é aleatório". Já Curitiba é tratada como a "grande emoção pré-Mundial", com a dúvida até o último minuto sobre se o estádio estará ou não pronto a tempo.

A reportagem critica não só a situação dos estádios, aeroportos e infraestrutura em todas as 12 cidades-sede brasileiras. Sobrou também para a Fifa, para o seu presidente, Joseph Blatter (descrito como alguém que, no Brasil, nunca havia colocado os pés fora do Copacabana Palace), e para o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. A revista afirma que o turista que vier à Copa vai encontrar: filas em todos os lugares, voos atrasados chegando às cidades dos jogos após o término das partidas e torcedores enfurecidos por perderem o espetáculo.

O texto continua: "Nenhuma cidade-sede tem capacidade de entregar a tempo o trio de obras 'estádio + aeroportos + obras de mobilidade urbana'. No caso dos aeroportos, os processos de licitação das obras só foram lançados após as eleições de 2010. Quanto à mobilidade urbana... não se moderniza um país em seis meses, especialmente um país como o Brasil. E por mobilidade urbana entende-se os meios mais básicos de transporte: vias de acesso a locais turísticos, estradas, corredores de ônibus, metrô e trens urbanos etc. Logo, serão os seus pés os que farão a maior parte do trabalho."

De acordo com a reportagem, parte da culpa para que se tenha chegado à marca dos 100 dias para o início da Copa na situação em que se chegou é também da entidade que comanda o futebol mundial. "A Fifa, do seu lado, é prisioneira de um Brasil com quem ela briga/late/chicoteia a cada semana, como se tivesse tratando com uma criança, com um sentimento vago de que é tarde demais".

Sobrou até para o "jeitinho brasileiro": "Joseph Blatter, então, agora se mostra chocado: 'Nenhum país teve tanto tempo para se preparar quanto o Brasil', e ele está certo. Errado ele estava em 2007 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa], ao impor ao país um "padrão Fifa" que estava distante demais de sua realidade, e que culturalmente não sabe dizer não. Mas sabe dizer, porém, quando já tarde demais, "desculpe, mas teremos que fazer alguns arranjos".

A reportagem foi publicada no dia 3 de março. No dia seguinte, a revista publicou novo texto sobre o Brasil e a Copa, desta vez destacando as manifestações que varreram o país em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, apontando que o povo brasileiro está insatisfeito com o alto custo da preparação do país para a Copa, majoritariamente custeados pelos cofres públicos.
     

segunda-feira, 17 de março de 2014

Eletrocutada, a inépcia vira empulhação - Por Elio Gaspari, O Globo


Em dezembro a comissária Gleisi Hoffmann lastimou as inundações do verão dizendo o seguinte: “Não temos como evitar chuvas". Sábia senhora, reconheceu que até lá não vão os poderes petistas.

O problema é que, não podendo também evitar a estiagem (“estresse hídrico", no dialeto do poder), o governo desorganizou o setor elétrico, apostou contra o clima, perdeu e, como não poderia deixar de ser, a conta vai para a patuleia.

Na hora de explicar, a doutora Dilma (ex-ministra de Minas e Energia) continuou cuidando do PMDB e mandou para a vitrine uma equipe de eletrotecas que fizeram o possível, mas não responderam à principal pergunta: quem pagará o buraco de R$ 12 bilhões? (Ervanário equivalente a todos os investimentos do governo em janeiro).

Em fevereiro o ministro Edson Lobão já avisara: "A repercussão não será imediata". Óbvio, ela chegará no ano que vem, depois da eleição. É nesse ponto que a inépcia associa-se à empulhação.

Um governo que mobilizou sua máquina de marquetagem quando baixou as tarifas não teve a lealdade de reconhecer que precisa aumentá-las logo.

Numa trapaça da fortuna, no dia em que os eletrotecas anunciaram as novidades, o ministro Guido Mantega recebia uma missão da Standard & Poor’s que veio estudar as contas do país para avaliar a credibilidade do governo. Ecoava impropriamente o tempo das missões do FMI.

Nem a S&P tem essa bola toda, nem deveria ser mimada com cerimonial e exibicionismo. Mesmo assim, infelizmente, se o negócio é credibilidade bastava que assistissem à entrevista dos eletrotecas.

sábado, 15 de março de 2014

Pois é…- Por Reinaldo Azevedo.


Já sei. Muitos de vocês já tinham até comprado Anapyon (ainda existe?) só para preparar o gogó e vaiar a Dilma Rousseff, presidente do Brasil, e o Joseph Blatter, presidente na Fifa, na abertura da Copa, em São Paulo, e no encerramento, no Rio? Podem esquecer! Não vai haver discursos. Mantenham a garganta limpa e higienizada para comemorar os gols da Seleção Brasileira e, espero eu, o título. Então só restou mesmo vaiar a Dilma nas urnas. Vocês sabem como.

Em entrevista à agência alemã DPA, Blatter falou sobre a sua decisão de suspender os discursos justamente ao comentar as vaias que ele e Dilma receberam na Copa das Confederações, em junho de 2013: “Não dá para saber o que vai acontecer [se haverá ou não protestos durante a Copa]. Não sou profeta. Estou convencido de que a situação se tranquilizou. Vamos fazer a cerimônia de uma maneira que não aconteçam discursos”.

A Fifa tentou negar depois que a decisão tenha alguma relação com o risco de vaias. Mas não é preciso ser muito bidu, não é?, para entender os motivos. Uma decisão como essa não é tomada sem uma avaliação objetiva da situação. E o risco de uma vaia estrepitosa certamente foi considerado altíssimo. Ainda que a entidade seja a dona do campeonato e decida quem fala e quem não fala, não se muda assim a cerimônia oficial sem um prévio entendimento com o Palácio do Planalto — que, claro, diz ignorar a decisão.

Uma sonora vaia em julho — a três meses da eleição — seria devastadora para a campanha eleitoral de Dilma. Haja, depois, horário eleitoral para tentar compensar o desagaste. Imaginem a audiência da cerimônia de abertura. E, no caso, meus caros, não tem barriga-me-dói, como se diz em Dois Córregos: é a vaia sair, ela tem de ir ao ar, com toda a sua convincente sonoridade.

Aliás, na era digital, com telões, celulares etc., a simples exibição da imagem de Dilma pode desencadear manifestações de, digamos, agravo. Mas é evidente que o desgaste é muito menor do que não conseguir falar. E a presidente não chega a ser, assim, um Rui Barbosa ou um Padre Vieira, que nunca perdiam o fio.

A Fifa diz que pode ainda rever a decisão. Claro que sim! É o tipo de coisa que pode ser decidida até minutos antes do evento. Tudo vai depender de como as coisas caminham até lá. Mas não há muitas razões para a população achar que a saúde, a educação, os transportes e a segurança pública atingiram, finalmente, o tal “Padrão Fifa”.

É impressionante o que conseguiu a incompetência gerencial do PT! Como já observei aqui, aquele que deveria ser o grande trunfo de Dilma neste 2014 está se mostrando uma das maiores pedras que ela tem no caminho. Sem a Copa do Mundo, ela estaria numa situação mais confortável. Lula achou que já tinha dado o pão e que complementaria a sua obra com o circo. A população, no entanto, começou a pedir um pão de mais qualidade. Não deixa de ser um avanço.

Pilantragem inconsequente - Por Antonio orais



Em 1970, no entusiasmo do tri-campeonato mundial o prefeito de São Paulo Paulo Maluf premiou cada jogador da seleção brasileira com um fusca. Um fusca... Com o tempo os partidos de oposição, especialmente o PT questionaram a doação e  a intervenção  da justiça forçou  Maluf devolver os recursos aos cofres públicos. Muito bem.

Ontem, li num jornal, que o governo premiou cada jogador campeão com 100 mil reais alem de uma  aposentadoria  vitalicia de 4.100 reais.

Num pais que a miséria campeia de ponta a ponta, que falta medico em hospitais, remédio nos postos de saúde, não se sabe quem é mais safado,  pilantra e inconsequente:  Dilma Roussef que concedeu a premiação ou Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, e tantos outros que a aceitaram.


quinta-feira, 13 de março de 2014

A bolha começou a estourar – Exame

UM MERCADO CÍCLICO

O mercado imobiliário comercial é cíclico — algo natural, uma vez que acompanha os altos e baixos típicos de uma economia de mercado. No início da última década, houve uma queda brusca no preço dos aluguéis, o que vitimou empresários como o gaúcho Rafael Birmann, um dos grandes construtores do país (sua empresa tinha 400 funcionários e hoje tem 20). O bilionário Donald Trump pediu falência nada menos do que quatro vezes — e sempre voltou a construir assim que o mercado renasceu. Claro, há bolhas e bolhas. Como se sabe, a última euforia generalizada no setor imobiliário americano derrubou a economia mundial. Naquele caso, o que potencializou o problema foi o excesso de dívida envolvida. Tanto donos de casas quanto construtores de prédios tomaram dinheiro demais emprestado de bancos. Quando o mercado virou, em 2008, não tinham mais dinheiro para pagar suas dívidas — criando uma bola de neve que arrasou os bancos e levou a economia como um todo para a recessão. A cidade de Detroit, que já não vinha bem antes da crise imobiliária, pediu falência depois dela: hoje, há quase 80 000 imóveis vazios na cidade. Nossa bolha imobiliária terá efeitos semelhantes? Felizmente, não corremos esse risco. O volume de dívida contraída pelas empresas que constroem imóveis comerciais é relativamente baixo. Do total de crédito concedido pelos bancos às empresas do setor imobiliário, apenas 18% vão para as companhias que constroem escritórios, galpões e shoppings (o restante c direcionado ao segmento residencial). O crédito imobiliário equivale a 75% do PIB americano. No Brasil, a apenas 8%. Isso não quer dizer que a crise atual passará sem consequências. As varejistas que operam em shoppings estão perdendo dinheiro com o movimento baixo. Em fevereiro, as empresas de shoppings e as varejistas se reuniram num evento com 400 pessoas num hotel em São Paulo, para tentar chegar a um “acordo de paz” e repensar a estratégia daqui para a frente. Milhares de investidores estão pagando a conta pelos excessos do setor. Em cinco anos, o número de fundos imobiliários disponíveis no Brasil triplicou. Esses fundos são lastreados em imóveis que recebem aluguéis e, há três anos, eram propagandeados pelos bancos como uma opção segura de investimento. O total de cotistas saiu de 20 000 em 2011 para 104 000 em junho de 2013. Atualmente, quase 90% desses fundos estão no vermelho. É o caso do Cidade Jardim Continental Tower, que investe numa torre comercial ao lado do shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e desvalorizou quase 50% em 12 meses. Mais de um terço do prédio está sem inquilinos.

O mercado imobiliário é um espelho da atual situação econômica brasileira.

Um segmento (o comercial) depende de empresas investindo, confiança no futuro da economia, sensação de que as coisas vão melhorar. Como se viu, esses são artigos um tanto raros no Brasil de hoje. Mas o outro segmento (o residencial) parece estar situado em outro país. Nele, o que importa é a combinação de desemprego baixo com crédito em alta. Nesse país, tudo vai bem. O crédito para a compra de imóveis residenciais dobrou nos últimos três anos, e pouca gente espera que vá parar de crescer tão cedo. O principal motivo para isso: esse tipo de empréstimo é um baita negócio para os bancos, que conseguem manter o relacionamento com os clientes por duas, três décadas — e, em caso de calote, podem, atualmente, retomar o imóvel com relativa facilidade. Isso ajuda a explicar por que o preço de casas e apartamentos continua crescendo enquanto o resto do mercado cai. Quanto tempo o mercado residencial resistirá? O economista Eugene Fama, que dividiu o Nobel com Robert Schiller, gosta de provocar seu colega ao lembrar que ele falava da bolha imobiliária americana anos antes do estouro. Segundo a maioria dos especialistas, o mais provável daqui para a frente é que o preço dos imóveis residenciais pare de subir de forma tão acelerada e passe a acompanhar mais de perto a taxa de inflação. Mas, de novo, é o consenso de que tudo está bem que leva os preços a subir mais do que devem. Em algum momento os preços cairão. Nessa hora — não importa se daqui a um, cinco ou dez anos —, lá estará Robert Shiller, o caçador de bolhas, dizendo: brasileiros, eu avisei.

Programa do PSB - Próximo dia 27.


Está ficando ótimo o programa nacional do PSB que vai ao ar no próximo dia 27. Eu e Marina Silva gravamos juntos um debate sobre o futuro do Brasil e vamos apresentar caminhos para retomarmos o crescimento do País, de uma forma mais justa e humana. Estamos abordando tópicos como a necessidade de uma renovação da política brasileira para aperfeiçoarmos a Saúde, a Educação, a Segurança, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros.
Vocês estão desde já convidados a assistir. E conto com todos para divulgar aos amigos.

Mercado já rebaixou o Brasil, dizem ex-presidentes do Banco Central - Roberta Scrivano, O Globo.

Os ex-presidentes do Banco Central Arminio Fraga e Gustavo Franco, que participam nesta quarta-feira do seminário '20 anos depois do Plano Real: um debate sobre o futuro do Brasil", afirmaram que o mercado já rebaixou o rating do Brasil. Em explicações dadas separadamente, os dois disseram que os indicadores de risco soberano do país, que são mensurados pelos derivativos de crédito, já indicam o rebaixamento.

O mercado já rebaixou o Brasil — disse Arminio a jornalistas à tarde ao final da sua participação no seminário.


O motivo para o rebaixamento é atribuído à atual maneira como é conduzida a política econômica, com impacto nos preços dos derivativos de crédito de calote brasileiro. Pela manhã, o ex-presidente do BC havia afirmado que a política macroeconômica do governo federal é “esquizofrênica” e que a “economia vive um momento de grande frustração e grave perigo”.

quarta-feira, 12 de março de 2014

PMDB, PT e as vísceras da política brasileira - Por Bruno Lima Rocha.


O presidencialismo de coalizão – ou a aliança de ocasião para assegurar a tal da governabilidade – sempre chega ao ápice em momentos de rearranjos de forças ou sucessão. A atual crise política na relação do Palácio do Planalto com o partido do vice-presidente Michel Temer não escapa disso. Embora a presidente Dilma Rousseff tenha declarado que “o PMDB só me traz alegria”, tais palavras não refletem os dados de realidade nem uma análise simples.

A legenda do senador alagoano Renan Calheiros não é o mesmo partido do deputado federal fluminense Eduardo Cunha, embora formalmente seja. Trata-se de uma federação de oligarquias estaduais controlada por uma cúpula com origens na base política do regime militar e sua transição.

Em termos de propostas de governo ou posicionamento ideológico, Sarney e companhia não diferem dos que dele tanto reclamam. Estes têm a Cunha como cardeal porta-voz do famigerado baixo clero, artífice do blocão do Congresso, representando 242 deputados, equivalendo a 47% da Câmara espalhados entre PDT, PSC, PP, Pros, PMDB, PTB e PR. São contra o governo enquanto pleiteiam a maior barganha possível, baseados numa relação simples.

Ou o Planalto apóia sua “maioria” ou esta base bloqueia a pauta, trancando o parlamento. É o caso do Marco Civil da Internet e a urgente necessidade de assegurar a neutralidade da rede.

Domar essas bancadas é tarefa dura, ainda mais quando a interlocução oficial se dá pela ministra Ideli Salvatti. Mais penosa é a tarefa de articular politicamente o partido do finado Orestes Quércia, cabendo esta função ao ex-ministro dos Transportes de FHC, o deputado gaúcho Eliseu Padilha. A disciplina partidária é rarefeita e a organicidade menor ainda.

O tumulto não termina no Congresso. O ambiente peemedebista conflituoso pesa em dobro na interna da organização política de Raupp, Alves e Jucá. O PMDB tem cinco ministérios, mas as oligarquias estaduais afastadas da cúpula do partido reclamam justamente de ser alvo do dirigismo que elas mesmas exercem nos diretórios estaduais. Assim, os jogadores hegemônicos são contestados pelos demais, embora todos tenham comportamento absolutamente idêntico. Não há mocinho nesta briga.

As vísceras da política brasileira estão expostas. Os peemedebistas desgostosos com o governo, afirmam que neste ano, o PT e o Executivo só se preocupam em assegurar os seis minutos de TV no horário eleitoral. Não deixa de ser verdade, embora ninguém em sã consciência possa esperar muito mais desta aliança.

A bolha começou a estourar – Exame

OBRAS NA ALTA, ENTREGA NA BAIXA

Construir imóveis comerciais é coisa de quem tem coração forte. Faz-se o projeto num país. Entrega-se a chave em outro. A torcida é sempre para que o segundo seja melhor do que o primeiro. Mas, no caso brasileiro, aconteceu o contrário. Os empreendimentos que estão ficando prontos hoje foram desenhados no país do pibão, mas chegam no país do pibinho. Os efeitos desse descompasso são visíveis: há imóveis vazios, e os preços estão desabando. Segundo um levantamento da consultoria imobiliária Cushman & VVake-field. a taxa de escritórios vagos subiu de 13% para 18% no último ano — é o percentual mais alto desde 2005. Há prédios inteiros vazios ou com meia dúzia de inquilinos. Um caso emblemático é o edifício Pátio Malzoni, erguido num dos terrenos mais caros de São Paulo, na avenida Faria Lima. Quando foi inaugurado, em 2012. tinha 0 metro quadrado mais caro do país para aluguel. O valor pedido era 240 reais. Mas, até hoje, só há locatários em uma das torres. A outra, de 19 andares, está vazia. Seus donos, um grupo de bilionários árabes, dizem que só vão alugar quando o preço voltar a subir — hoje, só há interessados em pagar 180 reais por metro quadrado.

Quem não pode se dar ao luxo de esperar por dias melhores está tendo de aceitar preços mais baixos. Em média, 0 aluguel comercial caiu 15% em São Paulo, 10% no Rio de Janeiro e 7% em Recife de 2012 a 2013. Na região de Al-phaville, no entorno da capital paulista, um quarto dos imóveis está desocupado. Os donos de salas comerciais estão fazendo qualquer negócio para ocupá-las. “O que está acontecendo no mercado imobiliário comercial é consequência da desaceleração da economia, que está se espalhando por mais setores. A indústria não foi bem na década passada, e agora começa a haver problemas no setor de serviços”, diz o economista Marcos Lisboa,vice-presidente da escola de negócios Insper. Num cenário de expansão, mais empresas planejam investimentos e buscam imóveis comerciais maiores ou mais adequados à sua estratégia. Quando as perspectivas pioram, o que não saiu do papel geralmente vai para a gaveta, e a demanda por prédios costuma cair rapidamente.

Em nenhum mercado os sinais de uma bolha estourando são tão claros quanto no de shoppings. O setor vive os efeitos de uma expansão caótica na última década. A premissa que levou a essa expansão era realmente tentadora. Os brasileiros compram menos em shoppings do que os consumidores de outros países emergentes e desenvolvidos. De acordo com um relatório do banco UBS. 21% das vendas no Brasil acontecem em shoppings. ante 38% no México. 56% nos Estados Unidos e 65% no Canadá. Portanto, concluíram os empresários do setor, há espaço para mais empreendimentos do tipo. “Muitas cidades médias receberam três shoppings ruins em vez de um bom. Todos achavam que seu projeto era melhor, atrairia mais gente, mas um acabou roubando o público do outro”, diz Henrique Cordeiro Guerra, diretor executivo da Aliansce. uma das maiores administradoras de shoppings do país.

Como os varejistas não estão dispostos a pagar essa conta, o resultado é que shoppings têm sido inaugurados sem lojas que garantam um movimento mínimo. Em 2013, só 14 dos 38 empreendimentos inaugurados tinham mais de 85% de ocupação. Há casos dramáticos, como o Pátio Arapiraca Garden Shopping, no interior de Alagoas, que abriu com 28 das 180 lojas, e o North Shopping Jóquei, de Fortaleza, inaugurado com 25 das 223 lojas previstas. Sorocaba, a 100 quilômetros de São Paulo, se tornou um símbolo dos excessos desse mercado: apenas de setembro a novembro do ano passado a cidade, de pouco mais de 580 000 habitantes, recebeu mais três shoppings, que se somaram aos quatro já existentes. Diferentemente do que começa a ocorrer no exterior, onde mais shoppings vêm oferecendo atrações variadas aos visitantes, aqui a oferta ainda é basicamente de lojas, restaurantes e cinemas. O maior shopping do mundo, em Du-bai. nos Emirados Árabes, tem um aquário externo com mais de 30 000 animais marinhos. A ideia é atrair os turistas que vão passear por causa do aquário para as lojas. Naturalmente, as ações das empresas brasileiras do setor estão caindo — em alguns casos, mais de 40%. Assustada com a burocracia e o aumento da concorrência, a americana Simon, maior empresa de shop-pings do mundo, suspendeu uma parceria com a brasileira BR Malls e adiou os planos de operar aqui.

O que torna o problema ainda mais complexo é a perspectiva de mais e mais inaugurações de prédios, shop-pings e galpões nos próximos anos. De novo, é gente que começou projetos numa realidade e não pode simplesmente desistir deles. 0 jeito é entregar e se adequar ao novo cenário. O número de prédios comerciais a ser entregues em 2014 deve ser equivalente ao do ano passado. Com isso, a taxa de vacância continuará subindo. Segundo a gestora de recursos Rio Bravo, há dois cenários possíveis, dependendo do desempenho da economia. Na estimativa mais otimista, a taxa vai alcançar 20% neste ano e 21% em 2015. Na pessimista, a previsão é que fique em 22% em 2014 e 26% no ano seguinte. Seria um recorde histórico. No setor de shoppings a situação também é crítica. Estão previstas 43 inaugurações para 2014, novo recorde. Quem pode pisa no freio. Até seis meses atrás, estava prevista a construção de mais 1,4 milhão de metros quadrados de galpões neste ano. O número caiu para 1 milhão de metros quadrados, segundo a consultoria Colliers. “Havia de fato um excesso nesses mercados, e a correção de preços no último ano tornou as coisas mais razoáveis”, diz André Freitas, gestor de fundos imobiliários do banco Credit Suisse Hedging-Griffo. “A quantidade de imóveis vazios deverá crescer até 2015, então é possível que os preços caiam ainda mais.”

terça-feira, 11 de março de 2014

A bolha começou a estourar – Exame


POUCO ANTES DE RECEBER O PREMIO NOBEL DE ECONOMIA, no ano passado, o americano Robert Shiller fez uma viagem a São Paulo. Shiller ganhou fama internacional como uma espécie de caçador de bolhas — aquele fenômeno financeiro marcado por preços que descolam da realidade para depois cair subitamente. No fim da década de 90. ele escreveu que a obsessão do mercado americano por ações de empresas de tecnologia acabaria mal. Acertou em cheio. Uma década depois, demonstrou que o preço dos imóveis nos Estados Unidos estava beirando a loucura e despencaria logo. Shiller, que estuda o mercado imobiliário americano há décadas, acertou de novo. Pois, em sua visita a São Paulo, ele analisou o que estava acontecendo com os imóveis no Brasil. Como qualquer brasileiro sabe, faz quase oito anos que o preço de apartamentos e casas nas principais cidades do país sobe sem parar. Os sinais de exuberância irracional são os mais variados. Um “apertamento” de 35 metros quadrados recém-lançado em São Paulo costuma ultrapassar o valor de 1,1 milhão de reais. No bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, o metro quadrado dos imóveis mais chiques vale 50000 reais. Shiller olhou isso tudo, achou que já tinha visto esse filme antes e cravou — é bolha.

Mas é mesmo? O mais famoso caçador de bolhas do mundo achou mais uma? () preço dos imóveis está prestes a desabar? Para começar a conversa, é preciso deixar claro que essas são perguntas impossíveis de responder com precisão. O futuro do preço das coisas é, por definição, incerto. Em muitos casos, ondas de valorização são seguidas por mais ondas de valorização — já que há boas razões econômicas por trás delas. Por outro lado, uma bolha só se forma porque, até o dia em que estoura, há uma espécie de consenso em torno dos bons “fundamentos” da alta nos preços. A saúde do mercado imobiliário interessa, por razões óbvias, a milhões de brasileiros. Saber se estamos ou não em meio a uma bolha é, portanto, uma das discussões econômicas mais importantes do pais. Mas os números mostram que Shiller atirou no que viu e acenou no que não viu. Há. de fato. uma bolha imobiliária no Brasil. E ela já começou a estourar. Mas não onde Shiller imagina.

Os maiores símbolos da bolha imobiliária brasileira não são quitinetes de 1 milhão de reais, mas prédios comerciais vazios, shopping centers novos às moscas e galpões industriais sem uso. A bolha brasileira, em suma, está localizada no mercado comercial, e não no residencial. Durante a última década, houve nesse segmento uma espécie de fúria construtora. Em 2012 e 2013. os lançamentos somaram 25 bilhões de reais, maior volume da história. Cidades onde só havia edifícios acanhados, como Vitória e Recife, passaram a receber empreendimentos modernos. Um marco do oba-oba nesse segmento é o megaprojeto de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Animadas pelas obras de reurbanização prometidas pelo governo, incorporadoras nacionais e estrangeiras disseram que lançariam 1 milhão de metros quadrados de escritórios na região, o que corresponde a dois terços da disponibilidade atual de imóveis comerciais em toda a cidade. Só o bilionário americano Donald Trump se comprometeu a erguer cinco torres de 38 andares ali.

A promessa, em todos os casos, foi a mesma. O crescimento da economia e a chegada de novas empresas multiplicariam a demanda por áreas de escritórios. Quem não aproveitasse para construir perderia a maior oportunidade da história no Brasil. Deu-se o mesmo nos dois outros principais segmentos do mercado imobiliário comercial — os shoppings e os galpões. Também nesses casos a perspectiva de boom econômico levou a um recorde de construções. A área de galpões disponível no pais cresceu nada menos do que 120% em apenas três anos. São hoje 8,1 milhões de metros quadrados para estocar a produção industrial brasileira. Também nunca se construiu tanto shopping center. Até mesmo cidades com 200 000 habitantes, como Sobral, no interior do Ceará, e Arapiraca, em Alagoas, ganharam o seu.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Campos: 'Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma'


Futuro candidato à Presidência, governador de Pernambuco disse que a presidente Dilma Rousseff "foge do debate" e "não sabe tocar o Brasil"

O governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), decidiu subir o tom das críticas à presidente Dilma Rousseff. Em diferentes eventos, Campos afirmou que a futura adversária nas eleições de outubro "foge do debate" e que o Brasil "não aguenta mais quatro anos" de Dilma no poder.

"Não dá para ter mais quatro anos da Dilma [Rousseff], o Brasil não aguenta", disse o pernambucano, no sábado, no município de Nazaré da Mata. Foi a primeira vez em que ele citou nominalmente a presidente, em meio aos constantes ataques tem feito ao governo federal. Depois, ampliou a carga durante encontro político promovido pelo PSB: "A presidenta não soube tocar o Brasil do jeito que precisava ser tocado", afirmou. "Quem acha que sabe tudo não sabe de nada", continuou, ao reiterar que o Brasil "parou de crescer como estava crescendo".

Nesta segunda-feira, Campos mais uma vez atacou a petista em palestra na Associação Comercial de São Paulo. "O Brasil não pode admitir que se fuja do debate. A presidenta da República, nós todos respeitamos ela, mas ela não tem direito de fugir do debate, ela tem que vir para o debate."

Apesar das críticas à gestão Dilma, Campos tem elogiado a administração do ex-presidente Lula numa estratégia de reverenciar o governo do petista e responsabilizar a sucessora por não dar continuidade ao que foi realizado pelo seu padrinho político. "O povo elegeu um retirante que saiu daqui (Pernambuco) tangido pela seca e pela fome e se transformou numa grande liderança sindical da área industrializada do Brasil, que chegou à Presidência da República depois de esgotado politicamente o modelo que estava em vigor, e teve a sabedoria, a inteligência, a capacidade de ouvir, a humildade de construir com diálogo um tempo de mudança no Brasil. Um tempo de mudança que fez o Brasil voltar a crescer como não crescia."

O governador disse ainda que o país não pode assistir aos problemas serem "jogados para baixo do tapete" postergados para novembro, após as eleições presidenciais. "Nós estamos brincando com nosso futuro", afirmou. "Há gente que não quer esse debate para melhorar o Brasil."