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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 31 de março de 2011

Escolha da melhor postagem do mês.


Prezados Leitores do Blog do Sanharol.

Aquela ideia de homenagear o autor da melhor postagens do mês, passará a valer a partir do mês de Abril 2011. Neste mês de Março tivemos mais de 270 postagens e como não estavam todos avisados o processo de escolha pode ficar prejudicado. Portanto, sugiro ao leitor que anote as postagens mais interessantes para no final do próximo mês facilitar a escolha.


O autor da melhor postagem terá sua foto colocada a margem direita do Blog e ficará por um tempo determinado. O autor recebera uma medalha ou diploma em memoria do Major Joaquim Alves personalidade marcante de nossa terra. A escolha da melhor postagem será feita pelos leitores e comentaristas nos dois últimos dias de cada mês. Os votos serão colocados na área de comentários da postagem.


Um forte abraço a todos.

JUSTIFICATIVA - Por Mndim do Vale

Estamos reprisando alguns dos nossos trabalhos, mas não é por falta de matérias não.
Pois como vocês todos são sabedores, Várzea Alegre é uma cidade rica em cultura popular. É só ativar a memória que ela vem como cacimba de areia.
A verdade é que estão chegando alguns conterrâneos aqui no Sanharol e
todos eles são merecedores de dividir conosco esses valores.
Reprisamos hoje um trabalho da nossa autoria, que classificamos como o melhor de todos.

Dedicamos aos recém-chegados e aqueles que retornaram.
Sejam todos bem vindos.
Raimundinho Piau.

FUNCIONÁRIOS DE DEUS

TEMA = Raimundo Diniz
COMPOSIÇÃO POÉTICA = Raimundinho Piau.


Neste verso eu vou lembrar
De dois conterrâneos meus
Que no título vou chamar
Funcionários de Deus.
Mãe Antônia Cabeleira
A nossa boa parteira
Tinha o trabalho primeiro.
E Alexandre seu filho
Abraçou com muito brilho
O ofício derradeiro.

As gestantes da cidade
Mãe Antonia assistia,
Pois uma maternidade
Na época não existia.
Fosse dia ou madrugada
Quando ela fosse chamada
Cumpria bem seu dever.
Com carinho e atenção,
Toda a minha geração
Ela ajudou a nascer.

Alexandre um cidadão
Versátil e trabalhador,
Chegou a ser artesão
Foi também agricultor.
Negociou no mercado,
Pioneiro em sal pilado
E também foi enfermeiro.
Trabalhou como cambista
E pra completar a lista
Terminou como coveiro.

Mãe Antônia só fazia
Os ´partos com segurança
Era muito raro o dia
Pra morrer uma criança.
Era o parto natural
Sem recurso de hospital
Como Deus tinha previsto.
A parteira auxiliava,
A criancinha chorava
Como nasceu Jesus Cristo.

Alexandre no final
Fez a vez de mensageiro,
Cuidava do funeral
E também era coveiro.
Aquele irmão que morria,
Alexandre remetia
Para a casa verdadeira.
Quem sabe um dia a cegonha
Traz de volta mãe Antônia
E Alexandre Cabeleira.

Deus colocou neles dois
O poder da caridade
Pois na terra do arroz
Viveram de irmandade.
Não pouparam sacrifícios
Cumpriram bem seus ofícios
Fizera os trabalhos seus.
Mãe Antônia recebia,
E Alexandre devolvia
Novamente para Deus.

AGENDA DE JOÃO DINO - MÊS DE ABRIL - 2011.

Dia 02 - Sábado - Churrascaria Prado - Iguatu (CE)
Dia 08 - Sexta - Feira - Hotel Municipal - Saboeiro (CE)
Dia 09 - Sábado - AABB Cajazeiras (PB)
Dia 10 - Área de Lazer "O PISCINÃO" - Ibiara (PB)
Dia 16 - Sábado - ROTARY CLUB - Barbalha (CE)
Dia 17 - Domingo - Casa de Show REFUCO - Cedro (CE)
Dia 23 - Sábado de Aleluia - Campestre Clube - Catolé do Rocha (PB)
Dia 24 - Domingo - Balneário Pingo D'água - Cajazeiras (PB)
Dia 30 - Sábado - Clube Lavrense - Lavras da Mangabeira (CE).

Concerto - João Dino e o maestro Jose Renato.

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quarta-feira, 30 de março de 2011

O SAGUINÁRIO CORISCO - Por Mundim do Vale

Meu primo e amigo Geraldo Piau,era o que poderia ser chamamado de versátil. Fazia rádio/novela, Falavas idiomas estrangeiros e tocava instrumentos musicais. Quando mais novo desenvolveu uma peça de teatro na Vazante e deu o título de “ O SANGUNÁRIO CORISCO “ Convidaram Luís e Severino, Vieira, Caetano de Zezim, de Matias, Joaquim de Pedro André, João Moreira, Zé Beca e outros mais para compor a peça. Geraldo representava o coronel Furtado um inimigo ferrenho de Lampião e seu bando. Caetano interpretava o cangaceiro Corisco e o restante dos atores representava o bando. Nos ensaios o diretor caprichou mais nos detalhes finais.Quando Corisco assassinaria o coronel Furtado, com uma punhalada no peito. A apresentação foi marcada e anunciada para o domingo seguinte. No domingo pela manhã, Caetano procurou o diretor e disse: - Seu diretor. Eu tenho que fazer um trabalho lá no Mameluco e não vou poder participar da peça. Mas eu falei com Zé Moreira meu cunhado e ele disse que vem. - Pois mande o chamar para ensaiar, que o papel dele é o mais complicado. Quando Zé Moreira chegou, o diretor fez o ensaio sempre alertando: Zé. Você vai ser o cangaceiro Corisco. Preste muita atenção: - Eu vou botar uma bexiga com sangue de boi, debaixo do paletó por cima do peito esquerdo. Quando eu pisar no chão pela segunda vez, pegado no cabo da pistola, eu vou dizer “ Bando de filhos da égua.” Você sobe rampa correndo e crava o punhal. Mas tenha muito cuidado, você tem que acertar na bexiga viu? - Tá certo. - Mas é na bexiga, não esqueça! - Deixe comigo. O cenário era a casa do meu avô Joaquim Piau, onde tinha uma rampa para dar acesso ao alpendre. Aquela casa depois de receber uma reforma ficou pertencendo a família da minha simpática Flor das Bravas. No dia da apresentação o público ficou no terreiro e os atores começaram o trabalho. No momento principal, que era o final da peça, o coronel saiu na varanda, onde ficava o topo da rampa e o cangaceiro Corisco junto com o resto do bando se confundia com o público. Quando o coronel Furtado bateu o pé pela segunda vez gritou: - Bando de filhos da égua. Naquele momento o botão do paletó arrancou-se, a bexiga caiu e saiu rolando na rampa. Corisco correu com o punhal na mão, ficou de cócorase deu várias investidas sem conseguir acertar a bexiga, só teve êxito depois que a bexiga deixou de rolar. O público caiu na risada e a peça que seria trágica transformou-se em cômica. Dedicado a amiga Izabel Vieira e a Flor das Bravas, que indiretamente fez parte da peça.

Curtindo a MIS - Quarta-feira de cinzas.

Dedicado ao Fernando Sousa que está no vídeo.

Na quarta-feira, trouxeram de volta ao "Barracão da MIS" os carros alegóricos. Alguns tamborins em mãos cadenciadas faziam um batuque, os foliões ainda cansados seguiam até a casa do Tomazinho onde podemos vê-los alegres e descontraídos, mas com um semblante de muita saudade. Veja se você está entre eles.

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terça-feira, 29 de março de 2011

É MESMO QUE TÁ VENDO TONICO BRÁS - Por Mundim do Vale

Um domingo desses, eu me acompanhei com Wilson Dias e outros amigos e fomos a uma casa de forró aqui em Fortaleza, onde acontecem encontros de Varzealegrenses.
Lá chegando, sentamos numa mesa, pedimos cervejas e começamos a beber, quando apareceu duas conterrâneas. Beijinho de um lado, beijinho do outro, oi, oi, tudo bom, tudo bom, tchau, tchau e elas foram ficar em duas cadeiras a trinta metros da nossa mesa, numa posição frontal com a gente.
Uma hora lá Wilson olhou pra mim e falou: Ei macho! Tu já deu fé como Fulana ta velha? Tá a cara de Dona Mimosa.
Eu concordei acrescentando:
-Pois é cara. Mas tu notou que Sicrana tá mais surrada do que bermuda de sapateiro? O bumbum parece mais com um encosto de sofá.
Wilson ficou rindo e repetindo o comentário, quando eu chamei à sua atenção para o comportamento delas:
-Wilson tu já notou que elas estão conversando e olhando pra nós?
-Já e daí?
-E daí é que elas estão dizendo a mesma coisa que nós dissemos com elas.
-E como é que tu sabes?
-É porque eu estou fazendo a leitura labial delas, do mesmo jeito que a Globo mandou fazer dos jogadores, na copa do mundo.
-E o que é que elas estão falando?
-Sicrana tá dizendo assim:- Neguinha! Tu ta vendo como Raimundim Piau tá velho? Tá parecendo com Bastiãozinho.
-E Fulana tá dizendo assim:- Tou Mulher! Mas tu já notou como Wilson tá acabado? É mesmo que tá vendo Tonico.
Mundim do Vale.

Foi a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dá.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Duas personalidades especiais.

Vemos sentadinha Antonieta Bitu, Tietinha no dia em que completou 100 anos. Filha de José Alves Feitosa Bitu e Isabel Bitu de Brito a única viva dos filhos do casal. Tietinha é viúva de António Primo do Sitio Baixio. Do seu lado Ana Leandro Bitu, filha de Manuel Leandro Bezerra e Gloria Alves Bezerra, viúva de Menininho Bitu, e, que também fará 100 anos no próximo ano. As duas nasceram no Sanharol. Parabéns pela graça da longa vida, e, que Deus as abençoe com saúde, paz e felicidades.

AUDITORIA MATERNAL - Por Mundim do Vale

Dedicado a todas educadoras do Blog.

Eu invento de escrever esses causos mas é de teimoso que sou. Pois sempre tive dificuldades com a gramática. Eu nunca aprendi redação, pontuação, acentuação e nem resumo de textos.
Quando estudava no grupo escolar José Correia Lima ( coisa que não faz muito tempo ) Uma vez eu tentei confundir a professora Dolores Meneses de Carvalho.
Foi assim: a professora ditava os textos para os alunos copiarem valendo como prova.
Quando eu tinha dúvida se a palavra cabia ou não o acento, eu usava de esperteza agindo assim: Na palavra século eu colocava um risco sobre a letra” e “ mas bem apagado quase nada. Na palavra alicate eu fazia a mesma coisa no segundo “ a “. A boa educadora recolhia os textos e já era certo me chamar lá na sua mesa:
- Raimundo! venha aqui! A palavra século tem um acent o no “ e “ e você não acentuou.
Eu respondia:
- Acentuei sim ! Olhe direito, que eu botei.
Ela colocava o texto mais perto e concordava com um balanço de cabeça. continuava corrigindo, de repente gritava:
- Raimundo venha Aqui! A palavra alicate não tem acento e você colocou.
Eu respondia:
- Claro que não tem. A senhora tá enganada eu não coloquei não
Ela dizia:
- Botou sim, olhe aqui!
Eu teimava:
- Não senhora isso aí foi quando eu puxei o travessão do “ t “ o lápis escapuliu e triscou sobre o “ a “ não tá vendo que ele tá um pouco apagado.
A boa professora concordava balançando com a cabeça afirmativamente.
O que eu não sabia era que aquela boa educadora munida da responsabilidade de educar, estava mostrando tudo a minha mãe que também era professora no mesmo grupo.
Chegando em casa minha mãe disse que precisava fazer um reforço comigo sem dizer nada do assunto do grupo.
Ela sentou do meu lado e mandou que eu escrevesse enquanto ela ia ditando. Só que os ditados tinham sido desenvolvidos com algumas das palavras do questionamento no grupo.
Com essa auditoria maternal ficou explícita a minha malandragem.sem explicação eu fiquei mais calado do que o ministro José Dirceu, depois do caso Waldomiro. Depois disto as minhas notas baixaram mais do que a popularidade do ex-prefeito Juraci Magalhães.

Cultura Popular - Onde nós vamos parar - João Dino.

“Hoje eu durmo lá em cima, na casa das primas... Na casa das primas... Uma quenga por baixo e a outra por “riba”... Na casa das primas... Na casa das primas...

"Com a mãozinha no joelho vai descendo até o chão dê uma mechidinha que é a posição da rã....

"Ei, tu quer beber? Ei, tu quer fumar? Ei, tu é boiola? Ei tu quer sair, tem duas gatas para escolher?

"Vou sim, quero sim, posso sim... a mulher não manda em mim...


Amigos, eu sou o Seresteiro JOÃO DINO, que durante muitos anos cantei, participei e promovi bailes carnavalescos em algumas Cidades da Paraíba.

Acredito que algumas pessoas do Cariri recordam os bailes carnavalescos realizados na AABB de Juazeiro, pelo saudoso promoter Jonathan Quiss; o carnaval de rua, de fevereiro de 2000 realizado aqui, nas proximidades da Praça da Matriz, o carnaval na Praça da Sé do Crato, em fevereiro de 2001. Nesses eventos eu participei como cantor e produtor da orquestra carnavalesca.

Aquela orquestra, com 15 componentes, inclusive trompetes, trombone, Sax Soprano, Sax Tenor, custou aos cofres públicos, na época, o equivalente a 5% do valor que atualmente é pago às bandas de AXÉ, FUNK, RAPP e FORRÓ ELÉTRICO.

Para formar aquela orquestra eu costumava selecionar músicos profissionais e ensaiava durante três meses, a fim de prepará-los, antes de expor ao público.

A maioria das bandas de hoje, selecionam os componentes procurando jovens, de boa aparência, que aceitam pequenos cachês. E os ensaios são realizados nos palcos, durante as apresentações.

A minha orquestra de carnaval tinha um repertório de 100 músicas. Marchas rancho, marchinhas, frevos e sambas de todos os tempos. As bandas de hoje têm, em média, seis músicas no repértorio. E não precisa mais que isso.

Para os carnavais de rua os gestores públicos anunciam 10, 20, 30 atrações. Entretanto, cada uma se apresenta executando o mesmo roteiro musical, ou seja: a meia dúzia de “obras” que estão sendo veiculadas na mídia nacional, por ingerência dos próprios produtores musicais do momento. E o dinheiro público desliza para todos os lados. Sobra para a corrupção eleitoral, álcool, drogas, prostituição, subornos de autoridades etc.

Mas o que eu vejo de mais grave nessas inversões de valores, são as letras das músicas. As antigas enalteciam as belezas naturais do nosso país, as nossas celebridades como Marta Rocha, Rui Barbosa, Garrincha, Pelé, Tom Jobim, As cantoras do rádio etc. Outras, recheadas de bom humor, satirizavam os maus políticos, e de uma forma inteligente e indireta abriam os olhos do povo para eventuais desmandos administrativos.

As letras das “obras musicais” de hoje se limitam a denegrirem e detratarem as mulheres. E a coisa é tão séria, que tanto as jovens de pouca cultura das periferias de nossas cidades, quanto aquelas das classes média e alta, moças prendadas e de boas famílias, vibram, aplaudem, viram macacas de auditório e acham a coisa mais linda quando os vocalistas das bandas dizem: quem gostou bate palmas e canta comigo... Só as raparigas agora... Só as cachorras... Só as safadas... Só as molecas sem vergonha..., Só as “fuleiras”...

Normalmente essa interação do cantor com o público, é feita quando os gestores estão sobre o palco/palanque, ao lado de suas famílias, sendo filmados para sair na televisão (Estou narrando aqui o que eu vejo na TV).

E quando o cantor diz: dinheiro na mão... calcinha no chão. Dinheiro acabou... calcinha voltou...

A gargalhada é geral. Tudo é felicidade. Que banda boa.

Nesse momento muito oportuno, o Empresário da banda dá aquele aperto de mão caloroso, e diz ao gestou, aos berros: Eu não lhe falei que com essa Banda junta gente...

A verdade fica engasgada. Tem que ser dita: Eu sinto vergonha de mim.

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O Blog da irmã do Caetano Veloso.

Não sei se voce teve acesso as controversias da doação pelo Ministerio da Cultura de dois milhões de reais para o Blog da Maria Betania divulgar a poesia. Não sei tambem se voce se lembra do intusiasmo do reporter do SBT para mostrar a farsa da bolinha de papel atirada em um candidato a presidente da republica. O fato, é que pelo menos o SBT tinha por tras um Banco quebrado, esperando um socorro de tres Bilhoes de reais para se salvar. Os brasileiros ficam, uns defendendo, outros atacando, dependento de suas paixões, e, outros protestam satirizando como faz o Lobão neste video.


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domingo, 27 de março de 2011

Do Seriado “Coisas da República”:Prescrição do crime de formação de quadrilha esvazia processo do mensalão em agosto deste ano

(Texto auto-explicativo...)


22 réus do processo sobre o pior escândalo da Era Lula vão estar livres de uma das principais acusações


Fonte: O Estado de S.Paulo, 27-03-2011

BRASÍLIA - O processo de desmantelamento do esquema conhecido como mensalão federal (2005), a pior crise política do governo Lula, já tem data para começar: será a partir da última semana de agosto, quando vai prescrever o crime de formação de quadrilha.



O crime, citado por mais de 50 vezes na denúncia do Ministério Público - que foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) -, é visto como uma espécie de "ação central" do esquema, mas desaparecerá sem que nenhum dos mensaleiros tenha sido julgado. Entre os 38 réus do processo, 22 respondem por formação de quadrilha. Para além do inevitável, que é a prescrição pelo decorrer do tempo, uma série de articulações, levantadas pelo Estado ao longo dos últimos dois meses, deve sentenciar o mensalão ao esvaziamento.



Apontado pelo Ministério Público como o "chefe" do esquema, o ex-ministro José Dirceu parece estar mais próximo da absolvição. O primeiro sinal político concreto em prol da contestação do processo do mensalão foi dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao deixar o governo, ele disse que sua principal missão, a partir de janeiro de 2011, seria mostrar que o mensalão "é uma farsa". E nessa trilha, lentamente, réus que aguardam o julgamento estão recuperando forças políticas, ocupando cargos importantes na Esplanada.



Na Corte. Um dos fatos dessa articulação envolveu a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e mostrou a preocupação do governo com o futuro do mensalão na Corte Suprema. Numa sabatina informal com Fux, um integrante do governo perguntou ao então candidato: "Como o senhor votará no mensalão?". Fux deu uma resposta padrão: se houvesse provas, votaria pela condenação; se não houvesse, pela absolvição. Foi uma forma de Fux não se comprometer.



No governo. Há também em curso costuras políticas para fortalecer petistas réus do mensalão. Um exemplo recente dessa movimentação foi a nomeação do ex-deputado José Genoino, na época do escândalo presidente do PT, para o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa pelo ministro Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo, a pedido de petistas. O PT também conseguiu eleger para a comissão mais importante da Câmara, a de Constituição e Justiça (CCJ), João Paulo Cunha (PT-SP), outro réu do mensalão. Segundo políticos que acompanham o processo, a indicação para a CCJ pode garantir-lhe uma certa blindagem.

SOU O VALE DO MACHADO - Por Mundim do Vale

O verso vai para Luís Lisboa e o acróstico para a educadora Flor das Bravas.

Eu sou desse vale amado
Que São Raimundo adotou,
Um lugar abençoado
Onde Deus mais caprichou.
Sou papa de carimã,
Ova de curimatã
E ponche de araticum.
Sou recado de patrão,
Boneco de Damião
Sou criança no tutum.

Sou a pedra que rolou
Da serra até o riacho,
Bananeira que vingou
Mil bananas só num cacho.
Sou Luizão da cachaça,
Sou um comício na praça
Lotado de imbecil.
Sou um voto encabrestado,
Sou eleitor enganado
Nesse canto do Brasil.

Eu sou bacabal jogando
Na posição de zagueiro,
Sou Perna Santa pegando
Numa trave de goleiro.
Eu sou a mão de pilão,
A boca do cacimbão
E o pé de bode afinado.
Sou um canto de bendito,
Sou o careta Antonito
Numa festa de reisado.

Eu sou Zé Júlio fazendo
Pão nosso de cada dia,
Sou João Moreira batendo
Tijolos na olaria.
Eu sou o pistom de Prejo,
Sou rapadura do Brejo,
Sou parelha de verdura.
Sou a rua Antão Bitu,
Beco de Zé de Ginu,
E Alto da Prefeitura.

Eu sou Antônio Firmino
Vendendo fumo na feira,
Sou uma récoa de menino
No banho da Cachoeira.
Eu sou o cine Odeon,
Sou tamanco de Abidom
E Harmônica de Bié.
Eu sou a velha avenida,
A lagoa poluída
E a praça de Cuné.

Eu sou Inacim falando:
- Esse ano vai chover!
Sou André do bar botando
Chico Danga pra correr.
Eu sou o motor da luz,
Sou retrato de Jesus
E marreca de represa.
Sou carrapicho em carneiro,
Sou chuva de fevereiro
Sou piau na correnteza.

Sou Manoel de Pedim,
Sou Chico Segunda Feira,
Sou os versos de Bidim
Sou Banca de Bolandeira.
Sou o Arroz embuchando,
Sou o milho pendoando
E sou cabaça de mel.
Sou Recreio Social,
Sou jogo no Juremal
Sou poço de Seu Abel.

Eu sou o bolo ligado
Que João de Adélia fazia,
Sou o primeiro dobrado
Da salva do meio dia.
Sou lagoa do arroz,
Sou queijo e baião de dois
Sou um homem do roçado.
Sou gente que resistiu,
Sou um pedaço do BrasilItálico
SOU DO VALE DO MACHADO.

Acróstico da minha terra.

Verde como uma vazante
Alegre por natureza
Rimada como amante
Zelada como princesa,
Esculpida é diamante
Agredida é indefesa.

Amada por sua gente
Local de paz e alegria
Espaço para a semente
Germinar a poesia.
Recanto sempre atraente
Estrada da harmonia.

Mundim do Vale

No Rancho Fundo - Chitãozinho & Xororó

Para os/as amigos/as do Blog do Sanharol



Aqui a música completa:


Uma música que faz a gente sentir saudade de nossa terra...

sábado, 26 de março de 2011

Esgotar o Cacimbão.

Todo dia era a mesma cantilena. A mesma piega. Bezinha, a irmã mais velha, estava para perder o resto dos cabelos da cabeça e reclamava sempre. A água do cacimbão estava acabando. Todo dia eu falo, reclamo e vocês não levam a serio o que digo. A lama acumulada no fundo do cacimbão está entupindo as veias e não permitem que a água aflore. Tem que fazer a limpeza retirando a lama. Esse era o clima de arenga na casa dos meus parentes, filhos de Raimundo Teté e Raimunda, do Sitio Serrote. Não se tinha mais sossego, todo dia na hora do rango, horário em que se reuniam todos os filhos era um aperreio só. Um dia, depois de muita reclamação de Bezinha, Antão, apelidado Tãozinho, perdeu a paciência e como bom poeta que é, pois é sobrinho do Zé Pequeno e Trineto do Manuel António de Sousa, do sitio Varzinha, improvisou:

Bezinha deixe de confusão,
Deixe-me almoçar em paz,
Aqui próximo do fogão.
Eu lhe peço, por favor,
Faça do cu um motor
E esgote o cacimbão!

SÓ SE FOR AGORA - Por Mundim do Vale

Reprisado a pedido de uma sobrinha do tabelião.
Certa vez o tabelião João Francisco, jogava baralho com alguns amigos, quando chegou Leví de Sá Maria, que tinha um grau de juízo no mesmo nível da sua irmã Francisca.
Leví pegou um tamborete e sentou atrás de João para apiruar o jogo. De repente começou a falar besteiras:-
Eita! Qui num tem quem tome essa partida de Seu João.- Essa é nossa.
Seu joão já tá armado.
João tentando se livrar do inconveniente falou:-
Leví vá olhar se eu tou lá na esquina.
Leví respondeu:-
SÓ SE FOR AGORA!
Levantou-se foi até a esquina da casa de Jocel Batista, passou um tempo por lá e quando voltou foi dizendo:-
Seu João, eu fui oiá, mais o Sinhô num tava lá não. Eu inté preguntei a Zé de Ginu, mais ele disse qui num tinha visto o Sinhô não.
Sentou-se novamente no tamborete e começou com o mesmo lenga-lenga.João Francisco falando mais sério disse:-
Leví, vá olhar o que é que a sua mãe tá fazendo.
O peru puxou o tamborete e falou:- SÓ SE FOR AGORA!
Quando voltou foi dizendo:-
- Seu João. Sabe o que qui mãe tava fazendo?
- Sei não.
- Apois ela tava catando pioi im Francisca minha irmã
Sentou novamente no tamborete e deu seqüência ao discurso de loucuras.
João já um tanto aborrecido disse:-
Leví. Vá dar o rabo, vá!
- SÓ SE FOR... – Deu uma pequena pausa e continuou – ADISPOIS QUI EU VIRAR FRESCO. VIU SEU JOÃO?

Amigos do Blog do Sanharol

Da esquerda para direita: Dr. José Savio, António Morais, Cláudio Sousa. o poeta Mundim do Vale, Claude Bloc, Nadjela Rolim, Dr. Rolim e Fideralina.
Numa manhã aprazível de um domingo de Carnaval, esses amigos se encontraram para um papo alegre, descontraído, cheio de lorotas, historias mirabolantes e muita graça. Um grande abraço a todos.

Quem roubou não roube mais – por Antônio Mourão Cavalcante (*)


Nunca antes na história desse país o povo mostrou-se tão organizado e consequente.

Naquele instante havia uma generalizada indignação e era preciso fazer alguma coisa. Foi que nasceu a ideia de colher assinaturas e propor uma lei conhecida como Ficha Suja. Ela simplesmente proíbe que indivíduo com processo julgado por colegiado e condenado se candidate. Depois de muitas resistências, a lei foi aprovada no Congresso. Virou a expressão mais lídima do sentimento popular. Tal como reza a nossa Carta Magna: “todo poder emana do povo.”

Mas estávamos enganados. “Havia uma pedra no meio do caminho.” E, de repente, não mais que de repente, a lei virou cinzas! Na correlação de forças, faltava-nos convencer o Supremo Tribunal Federal. Esse, mostrando-se mais soberano que a vontade popular, simplesmente cassou a lei. Só vale depois...
Senhores ministros, os senhores sabem o que representa essa afronta ao desejo popular? Os senhores entendem o que significa pegar uma lista e sair convencendo seus pares? Aliás, nessa lei não se defende a manutenção ou criação de privilégio a qualquer grupo social. Ela diz apenas que quem roubou não pode se candidatar para representar o povo porque vai novamente roubar...
As filigranas que os senhores, com inusitada maestria, conseguem encontrar e aplicar – sempre monitorando os anseios populares – é uma tremenda ducha de água fria em quem acredita e luta por mudanças nos costumes políticos. Lamentavelmente, a instância que poderia dar legitimidade (de legis, lei) ao anseio popular “prende o jumento, porque é sábado”, como diz a passagem bíblica. Do ponto de vista moral e ético a pretensão popular é soberana.
A tendência natural será a descrença nas instituições. “É tudo farinha do mesmo saco”, disse-me um amigo, ontem, profundamente decepcionado. De minha parte, prefiro crer, que amanhã será melhor, porque vamos nos organizar mais e não aceitaremos jamais que a vontade popular seja jogada na lata do esquecimento.
(*) Antônio Mourão Cavalcante, Médico, antropólogo e professor universitário.
a_mourao@hotmail.com

sexta-feira, 25 de março de 2011

MINHA POESIA - Por Claude Bloc

 Dedicado a Fafá Bitu

 A poesia estava bem aqui
nessas nuvens tão claras
Nessa cidade que canta
Nessa lua que espia
Essa noite esguia.

De repente a saudade
Invadiu a cidade
E levou o sossego
Que caminhava na rua
 Levou o sorriso
Que passeava na praça
levou cada palavra
que eu disse um dia,
eu e a lua...

E no silêncio da tarde
No florescer do dia
Flor de Lis amanhece
e escreve a história
de uma cidade que dorme
e que deixa seus passos
nessa folha sem pauta
da minha poesia...

Claude Bloc

Casa de taipa.

Casa de taipa - Por João Pedro.

Mes passado estive na fazenda Pitombeira, do meu avô Raimundo Menezes, no municipio do Assaré na companhia do meu pai, do tio Enio, tio Helder, Vovô Raimundo e do meu primo Italo. Foi um fim de semana maravilhoso e inesquecivel. Nesta casa moram os amigos Zuca Cunha, a esposa Nilza e os filhos. A casa mostra a singeleza e humildade daquele gente forte, boa, amiga e de coração grandioso. Ali eu comi a melhor tapioca de minha vida. Ali eu presenciei a vida sendo vivida e compartilhada de forma sublime, pura e humana.

Dom João VI, esse injustiçado – por Armando Lopes Rafael


Percorrendo, outro dia, uma locadora de filmes, deparei-me com um DVD que reunia todos os capítulos de uma antiga minissérie da Rede Globo: O Quinto dos Infernos. Quem ainda se recorda dessa minissérie da Rede Globo”? Sabemos que a maioria da programação das nossas emissoras de televisão é feita de programas medíocres. Dentre esses, existem alguns piores. Foi o caso de O Quinto dos Infernos...
Num país onde até as pessoas de nível universitário pouco conhece da nossa história, fica no telespectador, -- após assistir ao O Quinto dos Infernos -- a visão errônea de que são verdadeiros os fatos falseados pela Rede Globo. O próprio autor da novela afirmou que tudo não passava de uma mistura de ficção e criação lúdica (brincadeira, divertimento) para garantir audiência. No entanto a imensa maioria dos telespectadores não sabem disso e assimilam como se verdade fosse o que aquela minissérie mostrou de Dom João VI, como se ele fosse apenas um glutão, despreparado, omisso e preguiçoso.
Nada mais falso!
Os historiadores honestos dizem exatamente o contrário. Evaldo Cabral de Mello afirmou: “O Quinto dos Infernos revela muito mais a cabeça dos telespectadores do século XXI do que a realidade do início do XIX”.

O escritor inglês Marcus Chekek, no livro Carlota Joaquina (Livraria José Olympio Editora, 1949, pagina 210), após minuciosa pesquisa, assim descreveu Dom João VI: “Era acessível ao mais humilde de seus súditos. Foi sempre um fervoroso católico e um protetor da música. Era caridoso, profundamente leal para com seus amigos, leal com os aliados de seu país, sentimental, fácil de levar e muito apegado à fisionomia e cenas familiares. A afeição e o respeito que gozou entre o seu povo foram postos à prova em inúmeras ocasiões. Os defeitos do seu caráter eram, em geral, os excessos das suas boas qualidades. Um homem menos bondoso ter-se-ia livrado de suas dificuldades com um divórcio, ou imposto disciplina a seus filhos pela severidade”.

Já o historiador Oliveira Lima, no livro “O Império Brasileiro” (Itatiaia, SP, 1989, página 182) escreveu: “Foi moda, durante muito tempo, difamar D. Pedro I e zombar o mais possível do bom Rei D.João VI, a quem o Brasil deve sua organização autônoma, suas melhores fundações de cultura e até seus devaneios de grandeza”.
É verdade.


Basta ver o que ele fez quando aqui chegou, com a Família Real, em 1808. Foi Dom João VI quem abriu os portos do Brasil às outras nações; criou o Banco do Brasil, a Biblioteca Pública, o Jardim Botânico, e tantas outras repartições que consolidaram o Brasil como nação, como o ensino médico, o curso de agricultura, a Imprensa Oficial, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios e o Curso de Cirurgia dentre outros.
Lamentável. Profundamente lamentável que a Rede Globo de Televisão tenha prestado mais este desserviço ao Brasil, num momento em que nosso país precisa retomar o civismo, o patriotismo e o interesse pelo estudo da nossa história.
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

A Bandeira do Ceará -- por Armando Lopes Rafael

Após o golpe militar de 15 de novembro de 1889 – que nos impôs, sem consulta ao povo, o regime republicano – foi criada uma nova bandeira para o Brasil. Esta, se constituía numa imitação barata da norte-americana. Era composta de listas horizontais verdes e amarelas, e um quadrado azul – na parte esquerda de cima – com estrelas brancas a representar os Estados, antigas Províncias. (veja ao lado a primeira bandeira republicana que só durou 4 dias, de 15 a 19 de novembro de 1889).
A reação à nova bandeira republicana foi tão negativa junto à população do Rio de Janeiro, que as novas autoridades republicanas, após quatro dias, voltaram atrás. Resolveram manter a bandeira do Brasil Monárquico, substituindo apenas o belíssimo escudo imperial por uma esfera azul, cortada com a frase positivista Ordem e Progresso.


Vale o registro: a bandeira do Brasil Império foi criada por inspiração do Imperador Dom Pedro I. Este escolheu o verde (cor da Casa Real dos Bragança) e o amarelo (cor da Casa dos Habsburgo, da Imperatriz Leopoldina). Coube ao pintor Debret fazer o desenho da bela bandeira verde-ouro, que continua a ser o nosso maior símbolo pátrio, apesar das modificações republicanas, acima citadas. (veja a Bandeira do Império ao lado)

.
Dos atuais pavilhões dos estados brasileiros, o único a lembrar a Bandeira da Monarquia é o do Ceará. A bandeira do Ceará surgiu assim: o comerciante fortalezense João Tibúrcio Albano tinha por hábito – no início do século passado – hastear, nas datas importantes, a bandeira do Maranhão, terra da sua esposa. Como cearense João Tibúrcio Albano ficava frustrado, pois seu torrão natal ainda não possuía uma bandeira oficial. Um dia, teve a ideia de adaptar as armas (escudo oficial) do Ceará numa bandeira brasileira. Para tanto, mudou a cor da esfera. Tirou o azul com estrelas do pavilhão brasileiro e substituindo-o pela cor branca. (veja a Bandeira do Ceará ao lado)
Consta no Anuário do Ceará: “por muito tempo a bandeira idealizada por João Tibúrcio Albano serviu de modelo a muitas outras que tremularam nas sacadas dos nossos educandários. Só em 1922 o Presidente Justiniano de Serpa assinava decreto instituindo o pavilhão cearense, determinando fosse este formado do retângulo verde e o losango amarelo da bandeira nacional, tendo ao centro um circulo branco em meio do qual deveria situar-se o escudo do Ceará”. Em 1967 o Governador Plácido Castelo assinou a Lei 8.889 que definia a composição da bandeira do Ceará.

A história do Estado tem desses fatos interessantes!

Como o da Consagração do Ceará ao Sagrado Coração de Jesus, feita por iniciativa do nosso primeiro bispo, Dom Luiz Antônio dos Santos, com anuência das mais altas autoridades civis e militares da então Província, em 15 de setembro de 1878. Talvez por isso, apesar da insânia e violência dos dias atuais, o Ceará – terra de gente religiosa e pacífica – continua a trilhar os caminhos da civilização cristã.
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

APRESENTANDO A FAMÍLIA - Por Mundim do Vale


O JARDIM DOS MEUS AMORES

Foi nesse jardim que eu desenvolví o ofício de jardinheiro.

Eu sempre pensei comigo,
Que jardim é um abrigo
De hospedar Nosso Senhor.
Há se eu fosse um passarinho,
Aquele bem ligeirinho
Que chamam de beija-flor.

Eu já rimei essa cena,
Falando da flor morena
Que Fátima trouxe pra mim.
Agora rimo outra flor,
Que foi regada com amor
Para enfeitar meu jardim.

Eu sou um bom jardineiro,
Fui eu que fiz o canteiro
Sou eu que mantenho a guarda.
Agora o jardim floriu,
Porque um botão abriu
A flor Maria Eduarda.

Meu jardim tá tão florido,
Que já estou resolvido
A numerar essas flores.
Essas três rosas estão,
Guardadas no coração
Porque são meus três amores.

Esse jardim que eu fiz,
Que cuidei desde a raiz
Fátima foi a flor primeira.
Ilka foi a flor do meio
Maria Eduarda veio
Para ser a flor terceira.

Meu jardim não tem espinho,
Porque reguei com carinho
E adubei com amor.
Ainda guardei lugar,
Para Diogo ocupar
Me levando a quarta flor.


Reprisado para as flores do blog que abriram por último.

SEXTA DE TEXTOS – Sávio Pinheiro

O ENCONTRO DE SÃO RAIMUNDO NONATO COM GETÚLIO VARGAS NA FESTA DE AGOSTO
Dedico ao Major Joaquim Alves

Quarta e Última Parte:

31 de AGOSTO

A chegada de Getúlio
Transformou toda a cidade.
Trouxe muita empolgação,
Euforia e vaidade;
Oradores, bons poetas
E gente de toda idade.

Às sete horas da manhã,
Sentindo grande emoção
Assistiu bonita missa,
Antes da celebração,
Realizada pelo bispo
Em solene comunhão.

Enobrecendo o momento
Houve aula magistral
Realizada, às onze horas,
No salão paroquial,
Um pouco antes da salva
Da banda municipal.

Este evento grandioso
Foi bastante aplaudido
Com muitos participantes
E sucesso garantido
Tendo, na pauta, um bom tema
Ainda pouco discutido.

O assunto apresentado
Nesta aula inaugural
Rezava sobre a mudança,
De forma descomunal,
De mudar nome de rua
Desrespeitando a moral.

Do Cedro, participaram
Luiz Moura e BC Neto,
Barros Alves, jornalista,
Um trio muito completo,
De cultura avantajada
E prestígio, além do teto.

O Arievaldo e O Klévisson,
Rouxinol e Zé Maria
Formaram forte quarteto
Sem demonstrar euforia
Demonstrando para a mesa
Uma grande sintonia.

Padre Vieira chegou
Com Otacílio e Bidinho,
Tendo o major Joaquim Alves
Se acomodado, sozinho.
Lá atrás, Chiquinho de Louso
Assistia num cantinho.

Getúlio começa o evento
Mostrando a sua versão:
Diz numa conversa franca
Da grande decepção
Ao encontrar a sua rua
Nos braços de outro, então.

Nesse momento, o major
Joaquim Alves, bem ciente,
Fala que tem grande mágoa,
Um desgosto permanente,
Por não ter mais o seu nome
Na via que se fez gente.

Reconhece em Otacílio
Um soberbo cidadão,
Que ganhou a sua vida
Com muita dedicação
Ao trabalho e ao seu povo
Sem se opor à razão;

Que sendo senhor do tempo
Teve um marco estrutural,
Foi um grandioso empresário
De fama nacional
E foi eleito por sua gente
Deputado Estadual;

Que apesar de trabalhar
Sua vida com dureza,
Tinha um senso de humor
Externando a sua grandeza,
Não esquecendo a origem,
Grande ato de nobreza.

Relembro aqui o seu destino,
Que lhe deu o Deus amado
Por vir morrer nessa terra,
O seu berço abençoado,
Encerrando assim um ciclo
No sertão idolatrado.

Porém, apesar de ver,
Que a mudança ocorreu
E sentindo em Otacílio
Um homem que mereceu
Fiquei muito magoado
Com o que me aconteceu.

Encerrando a sua fala
Muito emocionado
Relembra papai Raimundo
O seu pai idolatrado
Dirigindo a palavra
Para outro contemplado.

Padre Vieira o saúda
Pela sua citação
Relembrando ao grande público
Uma enorme doação,
Que em vida ele ofertou
Pra cidade em construção.

Mas o padre do jumento
Vendo o major magoado
Lembrou que não foi só ele,
Que se sentiu chateado,
Recordando santo Ambrósio,
O São Braz injustiçado.

Para aqueles que não sabem,
Num passado mais profundo,
A imagem de São Braz
Passou-se por São Raimundo
Até que um novo vigário
Sanasse o erro fecundo.

São Raimundo anuncia
Pra findar, se manifesta,
Que haverá a apuração
Isso ninguém lhe contesta
E que uma grande caminhada
Encerrará a nobre festa.

Encerrando o grande encontro
Padre Vieira incrementa
Um contraste improvisado
Por Bidinho, que comenta,
E este com a sua viola
Bonito mote apresenta:

Várzea Alegre traz a graça
Dos contrastes naturais
Onde os fatos bem reais
A população abraça.
Chora no meio da praça
A tradição que perdeu.
Novo contraste nasceu
Com decisão descabida
A guerra não combatida
O major morto perdeu
.

O Poder Legislativo
Que nomeia toda a rua
Na cantiga da perua
Dá um bote bem ativo.
Muda o nome primitivo
Da rua de seu Dirceu.
Deu cabo a quem já morreu
Sem a defesa merecida
A guerra não combatida
O major morto perdeu.

Major Joaquim Alves tem
Pra nós, passado fecundo
Pois para papai Raimundo
Foi um filho muito além.
Ao povo ele fez o bem
E a cidade o agradeceu.
Nome de rua lhe deu
Agradecendo a sua lida
A guerra não combatida
O major morto perdeu.

Amigo vereador,
Representante da gente,
Você abriu um precedente
Histórico de valor.
Mudou na rua o primor,
Que o povo lhe concedeu.
O passado não valeu
Nem a luta destemida
A guerra não combatida
O major morto perdeu.

Fim da Quarta e Última Parte.

O JARDINEIRO - Por Claude - Flor da Serra Verde

Dedicado a Mundim do Vale


Beija-flor vem  de mansinho
No frio da madrugada
Com seu jeito passarinho
Beija a lua orvalhada.

As flores vão se enfeitando
Para o dia esperar
Lá se vem o jardineiro
Para seu jardim regar


O perfume inebria
O pobre do beija-flor
Imitando a borboleta
Deixa seu rastro de amor

E lá na sua casinha
Se abriga o jardineiro
Cuida de todas as flores
Cada dia, o ano inteiro.

Claude Bloc
(Obs.: Tentei dar aspecto de xilogravura às fotos)

NE ME QUITTE PAS - Com Jacques Brel

Para Flor de Lis - Fafá Bitu
(avec mon amitié)

quinta-feira, 24 de março de 2011

CASINHA DE TAIPA... Por Claude - Flor da Serra Verde


 Dedicado a Dr. Rolim e família
...e a todos aqueles que um dia viveram a paz e a harmonia do sertão

Uma casinha de taipa
Com os pés fincados no chão
As telhas desembeiçadas
Lá fora, majericão
No terreiro dois banquinhos
Tamboretes no salão
As redes sempre armadas
Café com pão no fogão.
Onde está essa casinha
Que guardo com emoção?
Será que ainda vejo
Essa casa do sertão?
Mãe Mina fazendo renda
Diva fiando algodão
Seu Mané vindo da roça
Zeca com os pés no chão
Tixixa moendo milho
Dinha fazendo feijão
Água no pote friinha
E os canecos de latão
Zefinha lá no terreiro
Correndo atrás de um capão
Chiquim indo buscar lenha
No jumento de Antão
No terreiro a cajarana
Se espalhando pelo chão
E nos galhos escondidos
A zuada do cancão
Espantado com o ritmo
De Maria no pilão
Na cerca se espalhavam
As vaquinhas de melão
Era assim essa casinha
Do chão batido de terra
Que ficava lá na serra
Onde está meu coração.

Claude - Flor da Serra Verde

DISTANTE DO MEU JARDIM - Por Mundim do Vale

Mundim do Vale
Mundim do Vale

Esse é o meu trabalho aqui em Jatí. A edificação de um mini-presídio.
Tem horas que fico triste, por estar longe de Fortaleza, de várzea Alegre, de vocês e dos meus jardins.
Em outras horas eu fico feliz, porque aqui também eu fiz muitas amizades.
Abraço para todos do blog do Sanharol.

O PAU DE SANTO ANTÔNIO - Por Mundim do Vale - Reprisado para, a Flor das Bravas e a Flor de Lis.

Francisca Farias Mota ( Chica do Rato ) No dia que estava mais ajuizada corria pelada em Várzea Alegre.
Certa vez eu estava lendo a revista Cuzeiro no oitão da igreja, quando Chica chegou e sentou-se ao meu lado. Em seguida colocou uma trouxa no chão e começou a tirar coisa de dentro. Só parou quando encontrou um almanaque Capivarol, onde tinha uma página
com a foto de Santo Antônio. Eu simulei que estava envolvido com a leitura para observar o comportamento dela. Chica aproximou bem a foto do rosto e começou a falar
numa mistura de oração com revolta;
- Meu Santim Santo Ontõe! Já faz muito tempo qui eu sou devota do sinhor. Mais eu tou disconfiada qui o sinhor num vai arranjar um casamento pra eu não. Ói aquele Reginaldo da costeleta de sapato premeteu qui ia casar cum eu, mais aquela assanhada
fia de Seu Chico Francisco deu inriba dele e eu fiquei no caritó. Eu dei muita irmola pru
Sinhor naquela capela da praça, mais quem se casou premêro foi Zabé Andrade e eu fiquei só. Inté Ana Alves já se casou será se ela é mió do qui eu? Oberto siebra tombém
Premeteu se casar cum eu mais peidou no rabicho, adispois qui cunheceu aquela moça das Brava. É todo mundo arranjando casamento e eu nada. Se o Sinhor num dá de conta
Do sirviço, diga logo qui eu vou precurar um santo mais trabaiador, pruque quem num pode cum o pote num pega na rudia.
- Salembra daquela vez qui eu fui cum Dona Armicinda pra sua festa im Barbáia? Salembra né? Apois naquele dia eu agarrei no seu pau e ainda tirei uma casquinha prumode ficar fazendo chá. Mais de nada adiantou, ninguém quer casar cum eu. Agora eu vou é rasgar seu retrato, pruque de Santo preguiçoso eu já tou é cheia. Eu vou é me amancebar cum Brandão e ficar sendo devota de São Binidito, pruque aquele é um criolim qui gosta de trabaiar.

Finalmente a Ordem Legal é observada.

Qualquer criança sabe que uma mudança na lei, por mais insignificante que seja, só pode ser aplicada no ano seguinte a sua criação. Portanto, a aplicação do Ficha Limpa não poderia ser aplicada para as eleições da 2.010. O governo anterior era useiro na utilização de metodos inusitados, e, a propria corte o deixava a vontade para ser a lei ou decidir por ela. Houve caso como o do Italiano, que o Supremo virou um "Samba do Criolo Doido" e não decidiu nada, findou deixando a lei a criterio do presidente: o que ele entendesse de decidir seria a lei. Fato nunca visto antes na historia.
A lei é importante, muito boa, nasceu da vontade popular, mas, teremos a partir de agora, novamente, figuras ilustres povoando um Congresso Nacional que já não era esses balaios todo.
O Supremo tem que observar a lei. A lei não tem culpa. A responsabilidade, por exemplo é dos quase dois milhões de eleitores que elegeram o Senador Jader Barbalho.

quarta-feira, 23 de março de 2011

MOMENTO DA POESIA - Dedicado aos poetas do Blog do Sanharol

Sem Pressa
- Claude Bloc -

Olhar calado,
envolto
nas vestes do tempo
redemoinho
nas mãos do pensamento.
Vento,
sopro de vida
que retorna
e se vale
dos meus versos.

Poeta do olhar
tua boca não fala,
só teu olhar se expressa
a todo instante,
sem pressa...
de voar.



Claude Bloc