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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Na Várzea tem de tudo - Por Antonio Morais


Existem historias e estorias que não devem ser expostas para não melindrar as pessoas, mas que devem ser mostradas para que  se tenha conhecimento do quanto o ser humano é capaz  na arte de bajular ou puchar o saco. Boa parte  dos varzealegrenses é mestre. É o caso desta  historia  acontecida  com três varzealegrenses há poucas décadas do seculo passado.

O fato é que não se bajula por acaso, o bajulado é aquele  cidadão que se destaca, tem prestigio e puder econômico e  politico. O bajulador é geralmente  aquele que  se submete a ridicularidades diversas para demonstrar agrado.

Assim é que  os três conterrâneos estarão presentes  na historia com a numeração ordinal - Primeiro, Segundo e Terceiro.

Primeiro  - aquele conterrâneo que  teve a oportunidade de  quando jovem sair  para estudar  noutros  centros, se formou em medicina e  o destino se encarregou de  lhe  dar oportunidades de servir a sua terra e sua gente. É um vitorioso de sucesso.

Segundo  -  aquele que apesar de reconhecer méritos e ter gratidão ao primeiro não chega a ponto  de negar a si mesmo para agradar a outrem.

 Terceiro - aquele bajulador inveterado  que não se acanha  de ser e causa  raiva aos  menos bajuladores.

O fato é que o Segundo e o Terceiro, como a grande maioria dos conterrâneos foram para São Paulo.  Encontraram emprego, ganharam dinheiro, mas não esqueciam  a terrinha. Na primeiro oportunidade, faziam viagens a sua terra natal. Matar saudades, rever parentes e amigos.

O Segundo  tomando conhecimento que o Terceiro  estava de viagem marcada procurou saber se  era possível  levar uma encomenda para o Primeiro. Sem antes  deixar de explicar que se tratava de encomenda preciosa e fragil que  precisa de cuidados especiais na condução. O  portador se prontificou  com a promessa de ter o merecido cuidado.

Então foi preparada e entregue a encomenda e o Terceiro que viajou de ônibus, de São Bernardo a Várzea-Alegre levando a caixa bastante pesada no colo. Sem desgrudar um minuto da atenção.

Chegando em Várzea-Alegre, antes mesmo de  rever parentes e amigos, foi até a residencia do destinatario entregar a valiosa encomenda.

O agraciado, que já havia sido avisado pelo remetente abriu a caixa na presença do portador. Para surpresa deste, dentro da caixa estava uma pedra de calçamento de aproximadamente 15 quilos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

PRISÃO  DUPLICADA.

O saudoso Chagas Taveira, foi uma pessoa sempre divertida, onde estivesse estaria sempre alegrando as pessoas que estivessem por perto.
Bebia e brincava, mas nunca cometeu um delito por mais pequeno que fosse. Se fez algum mal foi a si próprio.
Certa vez Chagas estava com um grupo de amigos contando piadas, quando chegou o cabo Feitosa lhe dando voz de prisão:
- Teja preso caba safado!
- Ôxente! E qui foi qui eu fiz pra ir pra cadeia?
- Você tá muito gaiatinho pro meu gosto.
Os amigos que estavam presentes, não fizeram nenhuma intervenção, com receio de reprasália por parte do arbitrário policial.
Chagas foi conduzido para a cadeia pública e colocado numa cela junto com alguns reclusos.
Revoltado com a prisão ilegal, Chagas vingou-se quebrando um lâmpada.
A esposa de um soldado que viu foi correndo dizer ao cabo, que chegou imediatamente mais zangado do que porco sendo castrado.
Dirigiu-se a Chavas e falou:
- Quer dizer que o engraçadinho aí também é agitador não é? Pois não vai ser liberado tão cedo.
Chagas taveira do alto do seu senso humorístico respondeu:

- Apois faça ôta cadeinha dento dessa e me prenda.   

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Gurgel se diz frustrado por deixar processo do mensalão.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta terça-feira estar frustrado por não poder participar da conclusão do julgamento do mensalão. O mandato de Gurgel encerra-se no dia 15 de agosto e, até lá, o Supremo Tribunal Federal (STF) não vai concluir a apreciação de todos os recursos cabíveis da defesa dos réus condenados no processo.

"Fica (uma frustração), claro que fica. Mas o Ministério Público, na verdade, é impessoal. Então o colega ou a colega escolhido para novo procurador-geral dará continuidade sem qualquer diferença a esse trabalho", disse.

Gurgel visitou os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acompanhado de representantes do Ministério Público da região ibero-americana. Nas conversas, ele disse ter demonstrado sua preocupação com a votação da chamada PEC 37, que retira poderes do Ministério Público brasileiro.

Roberto Gurgel deve participar pelo menos do julgamento dos embargos de declaração apresentados pela defesa de 25 réus condenados, previsto para ocorrer no início de agosto. Ao ressaltar que se tratou do julgamento "mais importante" da sua gestão, ele disse que é preciso garantir que uma "decisão magnífica" tenha efetividade. O julgamento do mensalão ocorreu ao longo de 53 sessões no segundo semestre do ano passado.

"Que aqueles que tenham sido condenados a penas privativas de liberdade sejam recolhidos à prisão. É preciso, enfim, que se demonstre que o sistema de Justiça brasileiro alcança todos, mesmos aqueles que estão nos estratos mais elevados da sociedade e do poder", afirmou. Para Gurgel, a conclusão do processo está bastante demorada.

terça-feira, 28 de maio de 2013

JOSE DE MARIANA, O VARZEALEGRENSE QUE RODIOU O MAR - POR ANTONIO MORAIS



Mariana Alves Bezerra, era irmã do meu avô Pedro Alves Bezerra, Pedro André. Casada com José, conhecido por José de Mariana. Depois dos 50 anos nos costados, Mariana começou a ficar sovina e, numa madrugada qualquer José teve uma raiva condenada dela e se danou no mundo. Durante muitos anos não se teve noticia do homem. Ele era artesão, fazia tabaqueiro, um artefato de chifre de boi que colocavam algodão e, com o atrito de um esmeril numa pedra a faísca o acendia e se podia acender cigarros e outras utensílios. Nestes seus artefatos ele colocava uma marca, um sinal, tornando-o diferenciado dos outros e muito conhecido.

Um dia, um varzealegrense passava por uma cidade do Maranhão, Barão de Grajaú, e viu um garoto vendendo uns tabaqueiros com a marca denunciada. Perguntou para o meninote onde se podia encontrar o artesão e o garoto indicou o local.

Encontrou-o numa cabana improvisada com  palhas, debaixo de umas palmeiras de coco babaçu. O Zé de Mariana lixando uns chifres para fazer seus artesanatos e uma mulata sentada no chão quebrando  amêndoas de coco babaçu, e, um pouco afastado, numa trempe, uma panela preparando o feijão do almoço.
Compadre! Como é que você abandonou sua propriedade, seus bens, sua família para viver nestas condições? José de Mariana respondeu assustado: a única coisa que espero e quero é que você não diga a ninguém que me viu aqui!

Chegando a Várzea-Alegre, não se conteve e contou a família. Dois dos filhos convidaram o padre da cidade e rumaram para o Maranhão à procura do pai. Encontraram o mesmo cenário. O Padre tomou a palavra e, largou conselho, enquanto José nem dava por ela, continuava lixando os chifres e a mulata quebrava os cocos. A certa altura o padre disse para os irmãos: Não tem jeito, uma coisa dessas só pode ser mesmo um feitiço! A mulata se aborreceu com a historia, se aluiu do chão, colocou a mão em cima do "possuído" e lascou: E o feitiço está aqui seu padre!

Os filhos voltaram para Várzea-Alegre e Zé de Mariana tomou rumo ignorado. Não se teve mais noticias. Dele ficou apenas a historia.

Em Várzea-Alegre, quando uma mulher começa com lera, o marido costuma dizer: Olhe, você deixe de moca se não eu faço como Zé de Mariana. Mas, quando perguntavam a Mariana por José ela respondia: José está "rodiando" o mar.

Encontro frustrado - Por Antonio Morais

Antônio Budu, agricultor do Sanharol, tanto gostava dos agrados femininos, como também detestava apelidos. Naqueles velhos tempos arranjar namorada não era coisa fácil. As moças donzelas eram muito bem vigiadas pelos pais e não tinham permissão para  namorar, pra casar sim, quando o cabra fosse do agrado dos pais.

Certa feita, Budu marcou um encontro com Bangalô, uma cabocla aprumada, mas chegada a grandes expedientes no “Ingem Veio”. À noitinha colocou indumentaria nova, botou talco no cangote, lambuzou o cabelo com brilhantina e partiu para o encontro, mas quando se aproximou do labacê, viu foi Bangalô aos beijos com Perna Santa.

Budu voltou desconsolado para Sanharol e enviou para a Dama, pelo primeiro portador o seguinte bilhete: Bangalô, nosso encontro não vai dar mais certo, prumode que quem mama de dois é cabrito.

Sem apelido, seu ex - Budu.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A BARREIRA DO ADEUS - Por Vicente Almeida

Como escrever sobre Várzea Alegre é uma arte, cuja competência é daqueles que mais conhecem o cotidiano do município, no que se refere a sua gente, genealogia, atos, fatos e personagens folclóricas. Só mesmo um varzealegrense para dissecar o passado glorioso de personagens que fizeram época. E para isto, o Antonio Alves de Morais encabeça direitinho uma plêiade de colaboradores cheios de amor e orgulho pelo seu torrão natal, pedaço de chão, abençoado por São Raimundo Nonato. Desses colaboradores, procedem as mais belas histórias, contos, causos, poemas e poesias sobre o lugar.

Fiquei matutando sobre o que deveria escrever, qual seria a minha linha de postagens, Armando Rafael escreve sobre política e temas do império, que diga-se de passagem, é vidrado e exímio conhecedor da matéria. O Carlos Esmeraldo escreve também sobre política além de muitos contos sobre fatos históricos de sua vida, como exemplos de perseverança, amor e honradez juntamente com a Magali. e nesta parte suas narrativas são cheias de carinho. A gente sente isso. O Dihelson Mendonça, marca sua presença com temas jornalisticos, além de belas fotos e muitos causos do quotidiano, e ainda é o mantenedor da Rede Blog do Cariri. Temos a Claude Bloc, musa que nos delicia com a revelação de seus causos e dotes poéticos, além de fotográficos, que diga-se de passagem, é de tirar o folego.

Aparentemente isolado, estou eu tentando postar matérias diferentes das já em pauta diariamente. Procuro escrever sobre temas de cunho filosófico-educativo. A intenção é fazê-las um pouco mais duradouras na memória dos leitores, esperando que elas produzam bem estar e integração no convívio social.

A inspiração para escrever, não me vem na hora que quero. Ela chega sempre naturalmente e inesperadamente. As vezes quando estou a caminho para algum lugar. As vezes algo que vi ou uma conversa que ouvi, podem servir de tema para o meu pequeno conto. Então rapidamente faço uma anotação para lembrar o assunto que devo abordar ao escrever. Depois, em casa, começo a montar um texto e formatá-lo, até estar completamente pronto para publicação. Isto pode levar uma tarde ou vários dias.

A minha exigência maior, é comigo mesmo; Preciso escrever algo que valha a pena.

Gosto muuito de falar sobre Religiões, espiritismo, filosofia, astronomia, amor e fé, não para questionar, mas, para juntos nos ajudarmos a esclarecer pontos obscuros em nosso raciocínio. Meu tema favorito é o amor, e tudo que venha a escrever deve girar em torno disto, para que o leitor sinta-se honrado e não agredido.

Verdadeiramente não gosto de escrever sobre temas políticos, pois sempre envolvem corrupção, agressão e mal estar. Isto todo mundo já faz e me dá uma canseira enorme, por que sei que toda a discussão oriunda de questionamentos políticos resulta em zero benefício, é improfícua e trás mal estar para o lado oposto.

Mas, como estamos no Blog do Sanharol, o qual foi criado para dissecar a história de Várzea Alegre, devo dizer que Atualmente temos três datas de altíssimo significado histórico, na seqüência: Carnaval; Festa de São Raimundo Nonato; Encontro do povo Varzealegrense em São Bernardo do Campo no Estado de São Paulo.

Minha história começa aqui:

Várzea Alegre, é a única cidade do mundo que possui uma localidade denominada "A BARREIRA DO ADEUS" Dali partia o seu povo em triste despedida, demandando para as terras do sul, pressionados pelo desemprego e pela fome no século passado. Ali se registravam as maiores emoções, pois, o mesmo lugar era também o ponto de recepção dos que retornavam.

Emocionado por este fato de transcendental importância, e de pouco conhecimento dos atuais habitantes do lugar, manifestei a vontade de realizar uma viagem no tempo e visitar aquele lugar, em um dia de partida.

Pedi ajuda ao Inventor Maluco para nos levar em seu "Túnel do Tempo" até um desses momentos de despedida. Já viajei com ele exatamente para Várzea Alegre até o ano 2110, onde obtivemos muitas informações sobre o Blog do Sanharol daqui há cem anos.

Ele concordou em nos levar. E como a Klébia Fiúza havia solicitado um ingresso para a nossa próxima viagem, solicitei que passasse lá em Portugal e a trouxesse, pois ela já estava avisada. Aqui chegando, embarcamos os três e foi só dar a partida, instantes depois, estacionamos em meados do século XX. Devo esclarecer que uma viajem no Túnel do Tempo tem a mesma velocidade do pensamento. Pense lá, e lá você estará.

Assim num vapt vupt chegamos. Estamos posicionados exatamente na "Barreira do Adeus". É um ponto empoeirado a margem da estrada, quase deserta ainda, entre as residências de João do Sapo e Zé de Ana. Identificamos as casas por que o Morais havia falado sobre seus proprietários.

Observamos que muita gente se aglomera, parecendo um dia de domingo festivo. Mas, o que vemos, é pranto e emoção. Os retirantes estão vestidos conforme suas posses, mas com vestimentas limpinhas e em sua mão uma pequena maleta ou um matulão, contendo seus únicos pertences.

Não pudemos ver o conteúdo, mas, imaginamos: uma ou duas mudas de roupa, uma escova, uma rede com lençol e na cabeça uma idéia fixa: Ganhar dinheiro no sul e vir buscar a família.

Seus familiares que ficavam: Estampavam no rosto uma grande amargura, chamada saudade antecipada, algumas mulheres em adiantada gestação, e seu olhar demonstrando profundo sofrimento, o rosto inchado, e as lágrimas não cessavam de cair de quatro em quatro, e de quebra há ainda o filhinho em seus braços, de mãos estendidas reclamando o terno abraço do pai, como a gritar "Papai não nos abandone".

Estamos vendo também muitas mães, chorando abraçadas aos filhos ainda menores de idade que também irão partir. Elas parecem pretender transformar aquele momento, em uma eternidade, mas, infelizmente, o caminhão Pau de Arara, buzina ao longe e aponta na curva da estrada, e se aproxima.

HORA DO ADEUS. Agora estamos observando os retirantes procurando sua acomodação nos duros bancos daquele coletivo primitivo coberto pela poeira da estrada. A única coisa equilibrada entre os que ficam e os que vão é que todos estão de coração partido, com exceção dos casais que deixam a terra natal juntos.

O caminhão engata a marcha de partida e vai saindo de mansinho. O choro aumenta, e gritos desesperados das crianças retumbam, são dezenas de mãos de mães, esposas e filhos aflitos, acenando com o olhar fixo naquela maquina que para longe está levando parte de seus corações.

Agora o caminhão já se aproxima da curva para desaparecer em definitivo... Já não o vemos mais. Eles levariam algumas semanas para chegar ao destino.

A Klébia Fiúza, atenta a todos os detalhes e sendo, ela de Várzea Alegre do futuro, ficou emocionada demais e chorou. Tive que ampará-la e esclarecer que aquela cena, havia passado a mais de 50 anos. Mas, ela me chamou a atenção também para outro detalhe. Pedindo que eu observasse atentamente um casal de jovens enamorados que tinham uma incrível semelhança com ela, e me sussurrou: Vicente Almeida, esse casal ali, parece demais comigo, puuuxa vida.

Olhei com um olhar perscrutador e deduzi que provavelmente, seriam eles seus pais no futuro, pois, ela possuía as feições misturadas de um e de outro.

Após nossas observações retornamos e estamos aqui narrando os fatos. Maiores detalhes poderão ser fornecidos pela Klébia que conhecia muuito bem o lugar. Eu estava lá, mais como olheiro e pesquisador.

Em outras viagens no túnel do tempo, ficamos sabendo que essas partidas ocorreram muitas vezes daquele mesmo lugar, e com as mesmas características. Entretanto os últimos retirantes já viajavam com certo conforto em um transporte denominado sôpa. Era um caminhão, cuja carroceria foi substituída por uma grande boléia de aço toda fechada, com bancos alcochoados e muito confortáveis para a época. Foi o antecessor do ônibus.

Em São Paulo, uma cidade chamada São Bernardo do Campo, despontava para a indústria automotiva e cada grupo que chegava tinha emprego garantido. Hoje há mais de quinze mil varzealegrenses lá. Mas, isto será tema para outra história.

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Crédito desta postagem para Antonio Alves de Morais que, em 5/12/2010 postou "O Adeus da Barreira". Naquele dia, li e fiquei emocionado, e me prometi fazer um pequeno conto sobre o fato. Naquele lugar devia haver um monumento em homenagem a bravura daquela gente.

Dedico este trabalho a todos os varzealegrenses espalhados por este belo planeta, e com especial carinho a todos os colaboradores deste Blog, varzealegrense ou não.

Escrito por: Vicente Almeida

domingo, 26 de maio de 2013

Histórias do Sanharol - Por Blog do Sanharol.

Dr. Aluísio, Dr. Menezes Filho, Dr. José Wilton, Dra Neide, Raimundo Menezes, Dona Risomar, Dr. Ênio e Dr. Heldinho - Fazenda Yputi. 
No inicio da década de 80 do seculo passado Raimundo Menezes estava com os seis filhos estudando em Fortaleza. Nas primeiras chuvas, Raimundo enchia os monturos do Sanharol de  feijão ligeiro e milho. Monturo dar feijão em poucos dias e o milho é doce.  A safra estava no ponto de ser colhida quando Luiz Justino ligou  dizendo que ia a Fortaleza no outro dia  cedinho e, se tivesse alguma encomenda ele levaria. Raimundo arrumou o que já dispunha em casa: Queijo, carne de sol, manteiga da terra, goma, sequilhos, três pacotes de mariola e ficou faltando apenas  uns atilhos de milho verde, pra provar para os meninos que o inverno era bom.

A aquela altura da noite não tinha como  avisar para Picoroto  quebra o milho, então as três da manhã Raimundo estava  na roça, um escuro de meter dedo nos olhos, quebrando o milho pra chegar  a tempo de mandar para Fortaleza. Seguindo a leira e quebrando as espigas maiores. Dona Francisca, esposa do morador ouviu  a zoada dos estalos do milho. Abriu a porta da cozinha e saiu com uma lamparina acesa na mão e gritou a todo pulmão: Ei, ladrãozinho sem futuro, largue de roubar o milho alheio que eu vou dizer a seu Raimundo Menezes. 

Comentario:

Parabens Raimundo Menezes por mais um aniversário,  25 de Maio de 2013. Que Deus lhe conserve assim: Homem justo, amigo, vencedor e bom.

Abraços.

Antonio Morais

Rei Salomão - o sábio

Em 950 a.C., no palácio do Rei Salomão:

"Majestade, esses dois homens requerem vossa autorização para unir-se em matrimônio".
"Matrimônio? Aquele consórcio derivado do vocábulo que os romanos inventarão no futuro para referir-se a “mãe”?"
"Não sei, majestade. Vossa alteza é que sois o sábio aqui".
"Certo, certo. Hum... Não ficariam satisfeitos apenas com um documento reconhecendo sua união civil?"
"Não, majestade. Eles querem um matrimônio e que seja realizado no templo"
"Entendo. Façais o seguinte: ponde-os em cativeiro e, se eles conseguirem se reproduzir, libertai-os e deferirei a petição".
"Sim, vossa majestade".

COISAS DE ANTIGAMENTE - POR ANTONIO MORAIS




OS BANCOS DE JOSÉ RAIMUNDO DO SANHAROL.

Por volta de 1820 um pau d'arco grande que ficava próximo a casa do Sanharol  foi a baixo. Do tronco fizeram dois bancos de madeira medindo cada um cinco metros de comprimento,  três palmos de largura e  meio palmo de espessura. Nas extremidades duas pernas de madeira. Estavam os assentos prontos para  40 pessoas. 

Estes bancos passaram de pai para filhos de modo que  na década de 1970, um seculo e meio depois  estavam  sob a guarda de José André e Mininim Bitu do Sanharol. O prefeito da época tomou o de José André emprestado para  mostrar numa solenidade de aniversário do município e não o devolveu, não se sabe, ao certo, que fim levou. O de Mininim Bitu deve está no Sanharol com os seus quase 200 anos. Eram irmãos siameses que a historia se encarregou de separá-los e esquecê-los.

sábado, 25 de maio de 2013

De sócio no galinheiro - Por Antonio Morais



José Vicente e Maria Lucinda moravam  numa casinha de taipa que ficava nas terras de João do Sapo. O casal era católico, mas de uma hora pra outra  se uniu aos evangélicos. Com isso  passou a receber  visitas e realizar reuniões na própria casa. Aumentando o consumo, pois,  fazia  semanalmente jantares fartos  para servir os chefes da igreja.

Chico André descobriu que  José Vicente estava de sócio  na sua criação de galinhas. Vigiou até  assistir um meio pratico de pegar galinha: Zé Vicente botava um caroço de milho num anzol e aguardava a galinha engoli. Em seguida puxava a linha e colocava a galinha  no bisaco, não se ouvia nem o cocoricó da ave.

José André, muito vivo,  derrubou a baraúna que servia de poleiro e improvisou um garajau de madeira feito sob medida e de proposito, encostou caia, bastava um vento que derrubava tudo e as galinhas esparramavam-se todas. 

Certa noite, Zé Vicente se aproximou do poleiro e, até podia ter agarrado uma galinha que estava no primeiro pau, mais que nada, foi escolher uma maior que estava  no andar superior. Foi tudo abaixo, José André acordou com a zoada, se aproximou e perguntou: O que é isto Zé Vicente? Ele respondeu na maior  candura do mundo: Serviço mal feito. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Curiosidades Catolicas.

De quem é o recorde de tempo em canonização?

Sim, é dele. Santo António. É difícil alguém ser canonizado. Pode levar séculos. O Beato Anchieta e seus devotos, por exemplo, tentam há quase quatro séculos, sem sucesso. Santo António detém o recorde de velocidade em matéria de canonização: foi declarado santo em menos de um ano depois de sua morte, em 30 Maio de 1.332. Se ele não é o santo das causas urgentes, como Santo Expedito, ele foi muito urgente e expedito na sua causa de canonização. Ele é o santo padroeiro das cidades de Pádua e Lisboa. Em 1934, o Papa Pio XI proclamou-o segundo padroeiro de Portugal, a par de Nossa Senhora da Conceição. Por fim, em 16 de Janeiro de 1946, o Papa Pio XII juntou o seu nome a lista dos Doutores da Igreja católica. Como Deus vive atarefadíssimo e já previa que Santo António seria o padroeiro de tantas ordens religiosas, paróquias, bairros, países e instituições civis e militares, alem de ser requisitado por jovens casadoiras e por esquecidos que largam as coisas sem lembrar onde, conspirou para sua canonização em tempo recorde.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Desumano e criminoso o que o PT fez com os eleitores do Bolsa Família - Por Augusto Nunes, VEJA Online


Dilma Rousseff, quem diria, acertou uma: é mesmo “desumano”e “criminoso” assustar os brasileiros cadastrados no Bolsa Família com boatos inquietantes. Segundo a própria presidente, portanto, foi desumano e criminoso o que fizeram nas eleições de 2006 e 2010 os militantes do PT e seus comparsas alugados.

Para prejudicar os candidatos oposicionistas Geraldo Alckmin e José Serra, espalharam que ambos, se fossem vitoriosos, extinguiriam sumariamente o maior programa oficial de compras de votos do mundo. Quem fabrica dossiês infames a cada eleição deve achar que a difusão de falsidades é pecado venial.

Como se viu neste sábado, os fregueses do Bolsa Família acreditam em qualquer vigarice. Essa é a notícia ruim. A boa é que agora também acreditam que o governo Dilma é capaz de tudo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Proezas de nossa gente - Por Antonio Morais


O sujeito, estava há muito tempo de olho na Amélia Danga, aproveitou a ausência dos familiares e resolveu fazer uma visitinha para ver se ela “carecia de alguma coisa”...
Chegando lá, os dois meio sem jeito, não estavam acostumados a ficar a sós....Falaram sobre o tempo.... - Será que chove? - Pois é..... Ficou um grande silêncio...... Aí, o sujeito se enche de coragem e resolve quebrar o gelo: - “Amelia....quer que você acha: namoremos ou tomemos um café? - Ah...você me pegou sem pó”.....
Então, ramo brincar de esconde, esconde. Sugeriu Amélia. Como assim, perguntou o sujeito. Eu me escondo e você me procura, se você achar eu nós namora, se você num achar, eu estou atrás da porta.

Se não gostou da historia da Amelia ouça a musica do Genival.


video

DO TEMPO DO BUMBA - Por Mundim do Vale.

O  VENTO  DO  ARACATÍ.

Houve um tempo na cidade de Várzea Alegre Ceará, Que todas às noites, ficava um grupo de pessoas na Praça dos Motoristas, para esperar a passagem do vento do Aracatí. Numa dessas noites, eu estava com Carlito Cassundé, Galego de Pedro Gualberto, Gerônino Bilé, Taveirinha e Zé de Totô. Uns contavam piadas e outros falavam da vida alheia, até chegar a hora da gostosa brisa passar.

De repente chegou o chapeado Chico Danga, tombando mais do que carneiro que come salsa. Chico aproximou-se do grupo e começou a puchar conversa. Gerônimo não gostou daquela companhia e reclamou: - Ei Chico! Pode pegar o beco, que nós estamos tratando de um assunto sério e você está atrapalhando.

Chico reagiu dizendo: - Eu num sai não. A praça num é sua, é do prefeito. Pruque qui eu tombém num posso isperar o Aracatí passar?  Dizendo aquilo ele afastou-se uns seis metros e deitou-se num banco onde começou a roncar.
Gerônimo não gostou daquela situação e falou para Taveirinha: - Taveira. Vá botar um mosquito nos pés de Chico Danga pra ver se ele vaza daqui. Taveirinha pegou um pedaço de jornal, fez canudo, colocou entre os dedos dos pés de Chico e tocou fogo. Quando o fogo chegou nos pés, Chico só fez passar a mão e dizer:- Eita meruanha da molesta! Nim Rajalegue as muriçoca parece qui tem é fogo no ferrão. Deitou-se de bunda pra cima e continuou roncando e peidando.

Gerônimo mais aborrecido ainda, falou para Taveirinha: - Arre égua Taveirinha! Você não sabe nem  botar um bêbado chato pra vazar. Pois eu vou curar a bicheira dele e eu garanto como ele pega o beco.

Gerônimo saiu com muita cautela, assim como quem procura pinico no escuro e deu uma dedada no caneco de Chico. Chico pulou dentro do jardim e foi logo gritando: - Eu sei quem foi. Foi tu Geromo, mais tombém tem uma coisa. Quando eu for lá no Coité se Luíza pidir a eu pra trazer o moim dela prumode João Alve ajeitar, eu tombém num trago.

terça-feira, 21 de maio de 2013

PROEZA DO PRIMO CASCUDO - Por Antonio Morais



Dedicado  ao primo Ednaldo Morais.

João Morais, meu conterrâneo, primo e amigo de saudosa memória estava construindo uma casa na praia do Pecém e levou de Várzea-Alegre os senhores Batista e Cascudo para trabalharem nos acabamentos.

Durante quase um ano permaneceram no Pecém sem nenhuma viagem a terrinha. Terminado o serviço, Joãozinho fez as contas, somou a estas uma boa gratificação e entregou o patuá a cada um. Saíram do Pecém para Fortaleza, onde, a noitinha, voltariam no ônibus da Empresa Rápido Jaguaribe para Várzea-Alegre.

Nesse percurso inicial o ônibus estava superlotado e Cascudo com as mãos levantadas segurando nas barras de colocar as bagagens e os bolsos a solta a disposição dos gatunos gritava para Batista que cambaleava de um lado para o outro, mas não tirava as mãos de cima dos bolsos: Batista! Cuidado pra não ser roubado.

Repetia com todo pulmão: Batista cuidado pra não ser roubado! E nessa historinha, quando menos se espera o Cascudo gritou mais alto que das outras vezes: Batista! Eu fui roubado. O tempo fechou. O carro foi levado para delegacia. O delegado ficou na porta junto com Cascudo que podia ter alguma idéia de quem pudesse ser o surrupiador.

Quando apareceu um sujeito o Cascudo encarou e disse: foi você! Abufelou-se ao camarada e saíram bolando pelo chão. O delegado deu voz de prisão para os dois. Depois da devida averiguação o dinheiro foi encontrado na bolsa do suspeito que foi encaminhado ao xadrez da delegacia. O delegado era amigo de João Morais e quando soube que Batista e Cascudo eram funcionários dele disse para dois: liguem para o Joãozinho Piau que eu solto vocês.

Cascudo com sua autenticidade respondeu: ligo não, quando você prendeu não foi preciso ligar. Agora solte. O delegado usou do bom censo e liberou Batista e Cascudo, graças a Deus com a verba fruto do trabalho de um ano de serviços.

Eduardo Campos de slogan novo - O Globo



O PT, que não se constrange em tomar as boas ideias dos outros, pôs Lula e Dilma a dizerem na televisão que farão mais e melhor.

Foi com esse slogan que Eduardo Campos, governador de Pernambuco, se lançou como aspirante a candidato pelo PSB à sucessão de Dilma.

Esta noite, nas emissoras de televisão de Goiás, irá ao ar um comercial do PSB estrelado por Eduardo de slogan novo: "Fazer mais e bem feito".

A esperteza superou a inocência - Por Antonio Morais


Benedito André e Raimundo Otoni de Carvalho eram bons amigos.

Benedito Alves Bezerra, filho caçula de André Alves Bezerra e Ana Alves de Morais. Agricultor honrado, probo e trabalhador. Era tropeiro, fazia transportes de mercadorias em lombos de animais. Atividade que desempenhou  por muitos anos com muita dignidade.

Raimundo Otoni de Carvalho, comerciante rico, Senhor de Engenho, proprietário do Sitio Brejo e politico.

Certa feita, Raimundo Otoni estava com uma rapadura encalhada e procurou vender ao Benedito André. Benedito demonstrou total desinteresse pelo negocio, mas Raimundo Otoni insistiu mostrando as vantagens e possibilidade de obtenção de bons lucros. Dizia Raimundo Otoni: Eu dou um prazo grande, você pode levar essa rapadura para  os Inhamuns e trocar por queijo, depois vender os queijos e lucrar duas vezes. Terminaram  por discuti o preço. Eu te vendo a 0,30 a unidade, disse Raimundo Otoni. Eu aceito a 0,20 respondeu Benedito André.

Nós vamos fazer o negocio, porém, eu quero que você diga a Antônio de Gonçalo que comprou a 0,30, porque eu estou vendendo uma parte pra ele desse preço disse Raimundo Otoni. Benedito André  não criou dificuldade e disse para Antônio de Gonçalo que estava comprando as rapaduras do Raimundo Otoni a 0,30.

Benedito André andou pra riba e pra baixo com a mercadoria, quase não encontra negocio, porque o produto era de má qualidade, além de salobra as rapaduras eram pretas e pequenas.  Mas enfim, no dia do prazo combinado Benedito  foi ao encontro do Raimundo Otoni efetuar o pagamento.

Quando entregou o dinheiro que Raimundo Otoni contou a surpresa: Sua conta está errada,  eu lhe vendi as rapaduras a 0,30 e tenho  testemunhas, você disse a Antônio de Gonçalo que  tinha me comprado a 0,30. Como naquela época o que valia era a palavra Benedito André foi trabalhar para encontrar meios de pagar a diferença.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um linguajar bem nosso - Por Antonio Morais.

Mapa - Várzea-Alegre.

Outro dia, dando uma vista no livro do Dr. José Ferreira: Várzea-Alegre, minha terra, minha gente, encontrei um aglomerado de palavras e termos bem usado pelo nosso povo. Relacionei alguns para a apreciação de seus significados.
Ei-los:
Prumode, pruvia, purriba, purbaixo, nem mode coisa, avezado, disimpaciente, arezia, ingrisia, vigemaria, cadê, quêde, entonse, frivioca, xumbregage, currulepe, nojenteza, pendença, sustança, bulandeira, chorá godê, triscado, desmastreado, desapear, arripunar, grunguzado, sarneia, pauta com o diabo, Balseiro, bicho da peste, biroba, indagorinha, dernatonte, comer tampado, caquear, lambança, patuar, lambuja, piloura, quicé, terens, miunçaia, munganga, manquejar, estrupiado, encangar grilo, impilicança, cumbuca, batecum, casuar, tresvariar, pear jegue, xilique, cambão, zonzeira, barbicacho, cangapé, escruvitiar, fojo, ingasopar, caritó, cafuné, mandapolão, sacramentado, derrengado, casaco, derna que, entramelado, malassombrado, marmota, empanzinado, entrambicar, desconchavado, estrupicio, jabobeu, e mil outros.

domingo, 19 de maio de 2013

Prova do atraso - Por Cristovam Buarque



Em 1961, os EUA definiram a meta de enviar um homem à lua no prazo de dez anos. Cinquenta e dois anos depois, o governo brasileiro definiu a meta de alfabetizar suas crianças de oito anos até 2022.

Talvez nada demonstre mais o nosso atraso do que a diferença entre essas duas metas. E o governo comemora com fanfarras, ao invés de pedir desculpas pelo atraso do Brasil.

Nesta segunda década do século XXI, os países que desejam estar sintonizados com o futuro têm como metas, entre outras, a conquista do espaço, o entendimento das ciências biológicas, o desenvolvimento de técnicas nas telecomunicações, a implantação de sistemas industriais sintonizados com os avanços técnicos.

Fica impossível imaginar uma sociedade do conhecimento sem centros de pesquisa e um amplo sistema universitário com qualidade. Isto só é possível se a educação de base for de alta qualidade para todos. E isto é impossível sem a alfabetização universal e completa em idades precoces, que garantam não apenas o controle dos códigos alfabéticos, mas também leituração e domínio das bases da matemática.

Na economia do conhecimento, nenhuma sociedade pode deixar de desenvolver o potencial do cérebro de cada um de seus habitantes desde os primeiros anos, desde a alfabetização.

Mas não é isso o que vem acontecendo com o Brasil. Ao não fazer a universalização da educação completa o país tapa poços de conhecimento.

Igualmente atrasado é o caminho usado para enfrentar o problema da deseducação, com o velho truque publicitário: um pacto entre partes incapazes de levar a meta adiante. Imagine os EUA fazendo um pacto entre seus estados para ver qual deles chegaria à lua, ao invés de usar a NASA federal.

Se o Brasil deseja recuperar seu atraso, deve definir metas nacionais ambiciosas: todas as crianças na escola em horário integral, com professores muito bem preparados e dedicados, o que exige elevados salários, em escolas com os mais modernos equipamentos pedagógicos, em todo o território nacional, desde os mais ricos aos mais pobres municípios, atendendo igualmente as crianças mais ricas e as mais pobres.

LATARAL - Por Claude Bloc



Este foi um tempo imemorial. Nas férias, os primos vinham de Fortaleza para a Serra Verde e um dos divertimentos dos finais de semana era fazer "guisados" debaixo dos pés de juá, na beira do açude, ou em alguma casa desabitada. 

Na foto acima, estão alguns primos, irmãos e agregados. Mané Danta aparece ao fundo. Também pode-se ver Cícero eletricista, Dalvaní (irmã de Maria Alzira), Marisa Sobreira, Maria Branca, Maria Preta e a babá dos meus primos.

Nessa época, quando a turma toda se reunia, havia várias atividades e rituais de férias. Passeios a cavalo, banhos de açude, jogos de baralho... Caminhadas por dentro do mato, nas veredas das cabras, por dentro dos riachos secos. Enfim, mil coisas que só criança inventa. 

Um detalhe curioso que pretendo citar, é algo que pode ser observado nesta foto. Nas férias, éramos vorazes comedores de goiabada, bananada, marmelada e figada, além de biscoitos Pilar. Aqueles da lata grande com biscoitos sortidos. Mas a voracidade em relação aos doces tinha uma razão extra : a busca do prêmio que consistia na distribuição das latas por entre a meninada (feita hierarquicamente) - dos mais velhos aos mais novos. Cada lata de doce esvaziada recebia um dono. E a gente passava as férias inteiras comendo nessas latas. Depois do almoço era um "lataral" danado na pia da cozinha. Para nós era a maior graça na hora da refeição. Uma zoada de flandre velho que não acabava enquanto o último não saísse da mesa.


Claude Bloc

EMBOANÇA NO INHARÉ - POR ANTONIO MORAIS


O Inharé é uma localidade do distrito sede de Várzea-Alegre imprensada pelos sítios Sanharol, Gibão e Chico. Lugar de gente pacata, mansa e ordeira desde os primórdios. Habitavam-no, a principio, Seu Nelinho, Mestre Silvino, Gustavo, José Bitu Filho e outros mais. Na década de 30 do seculo passado José Bastião, filho de Raimundo Bastião e Mariquinha começou um namoro com Maria Júlia, filha de Gustavo. 

Numa tardinha José Bastião encontrou a namorada tristonha e chorosa. Procurou saber o que a transtornava. Ela respondeu: José, este namoro nosso não dar certo, sua tia Madalena Bitu disse que eu sou negra e que você devia procurar uma  moça da família para namorar, estou convencida que ela está certa. José Bastião respondeu em cima da bucha: e o que aquela barata descascada tem a ver com minha vida?

O desaforo de José Bastião chegou aos ouvidos de Frazo do Garrote e depois do mundo. Menininho Bitu, filho de Madalena, uma espécie de juiz de paz e conselheiro do lugar, que ninguém  tomava decisão sem ouvi-lo, tomou as dores da mãe e esperou por José Bastião na casa de Manuel de Pedrinho. Quando José Bastião  se aproximou ouviu a pergunta ameaçadora: Você chamou minha mãe de barata descascada?  Chamei sim! Com que direito? Quem mandou ela se meter na minha vida! 

Menininho mandou a mão e, José Bastião se desviou habilmente ao mesmo tempo que aparou com a outro mão o peduvido nocauteando o primo. È costume das pessoas tomarem o partido do mais forte, e assim ocorreu, Manuel de Pedrinho e os filhos Geraldo e Bilé abufelaram José Bastião e Menininho ficou a vontade, foi a cerca tirou uma vara de marmeleiro e desceu em direção do pé da lata de José Bastião, que num passo de magica se desviou e trouxe Manuel de Pedrinho para debaixo da vara, foi bater na marra do chocalho e o velho ir a nocaute também.  

Assinado o cessar fogo, Menininho tratou de abanar Manuel de Pedrinho e, nesse dia José Bastião não foi namorar, voltou  para casa no sitio Canto.

José Bastião e Maria Júlia se casaram, tiveram vários filhos e viveram mais de 70 anos casados. Certo o ditado: dar conta  da tua vida, deixa os outros cuidarem da deles. 

sábado, 18 de maio de 2013

Adjunto do Delfonso - Por Antonio Morais

Dedicado ao parente, amigo e camarada Ednaldo Morais.

Em 1982, ano muito bom de inverno, na época da colheita do arroz Delfonso de Vicente Piau botou um adjunto. Já temos falado sobre adjunto, todos já tem idéia do que seja.

Por volta das 10 horas da manhã, Zelim aparece na roça, de sandálias japonesas, calção curto,  camisa com medo de bufa, o primeiro botão  abotoado na segunda casa, dois palmos de bucho do lado de fora, toma chegada do eito, e retirando a quicé do bolso, corta o primeiro cacho e dá inicio a primeira moqueca de arroz.

Raimundo Beca, um dos 50 colhedores presentes no serviço, homem sério, trabalhador, avesso a  brincadeira ou prosa exclama: Zelim, isso é hora de chegar na roça? Se o adjunto fosse meu você  voltava da porteira da roça.

Zelim se empertigou, estufou o peito e respondeu: “E se num forem tudim torcedor do Fluminense eu vou simbora agora mermo”.

Aí é que era ser um apanhador de arroz banqueiro.


Izidora - Por Antonio Morais


Poucos conhecem a historia de Izidora. Embora ela tenha sido testemunha do nascimento de diversas gerações dos do Sanharol e circunvizinhanças. Vivia de casa em casa e muitas vezes era chamada em cima da hora. Recebeu esse nome de batismo de Antonio Alves de Morais, o conhecido Antonio Alves do Sanharol que pelo menos 12 vezes recebeu os seus prestimosos serviços. Quando a gestante dava sinal do parto corriam a casa do seu dono Pedro Alves de Morais, Pedrinho do Sanharol para buscá-la.

Izidora era feita de tabuas de pau darco e um couro curtido de boi, uma jerigonça cuja atribuição era desempenhar o papel de uma cama. Era a única daqueles tempos e o seu dono, sempre muito solicito, a emprestava a quem procurasse. Izidora era abençoada por São Raimundo Nonato, numa época em que não existiam pré-natal, cesariana, nem medicos, não houve noticia de óbitos por parto testemunhado por ela. Izidora, poucos conhecem sua historia para agradecer e ser grato por sua solidariedade e companhia.

A historia sempre vence a geografia - Por Antonio Morais.

O nobre vereador varzealegrense Chico Clementino de tanto se aplicar e atuar bem na Câmara de Vereadores já se reelegeu para vários mandatos. Tem dedicado sua atuação na defesa dos interesses dos mais carentes, com uma atenção especial para os habitantes da zona rural.

Chico teve destacada atuação no atendimento aos habitantes do sitio Alemanha que se situa no distrito de Calabaça. Na ultima eleição os votos amofinaram e o Chico inconformado com a traição dos amigos eleitores resolveu fazer um desabafo na Câmara de Vereadores de Várzea-Alegre. Eis uma parte do seu pronunciamento:
Senhor Presidente e senhores vereadores:

Nesta oportunidade eu quero expressar a minha decepção com os habitantes da Alemanha. Todos aqui conhecem minha luta na defesa da Alemanha. Graças a meu trabalho, hoje em dia, temos um posto de saúde na Alemanha. Foi com meu esforço que colocamos uma escola na Alemanha. Não descansei enquanto não botei energia elétrica na Alemanha. Trabalhei e conseguir colocar água encanada na Alemanha. A passagem molhada que dar acesso nas épocas de inverno foi eu que conseguir para Alemanha.

Alemanha para lá e Alemanha para cá. Os populares presentes no recinto  começaram a rir e a coisa foi perdendo o controle. O  Chico resolveu esclarecer e se explicar para o publico: pessoal eu estou falando é da Alemanha daqui da Várzea-Alegre, não é da Alemanha dos Estados Unidos não. 

Rimando de madrugada - Claude Bloc


De rimar não tenho medo
Rimo até de madrugada
Com os olhos se fechando
Com a mente apagada
E quando pego no sono
Penso que tô acordada

Mundim voltou pra peleja
E Sávio vai pelejar
Não importa o resultado
Pois todos vamos ganhar
A rima passou de lado
O verso nasceu quadrado
O jeito é versejar.

Mundim pegou o cavalo
E se pôs a galopar
Mas o cavalo teimoso
So queria esquipar
E no "xoto" se danava
E o "pobe" se lascava
De tanto sacolejar.

Já com "os bofe" pra fora
Mundim resolveu parar
Desceu do cavalo e disse:"
Arre égua" tô pebado
Esse cavalo danado
Sacode de todo lado
Num dá mais pra caminhar.

Morais acordou bem cedo
E no "Sanharol" chegou
Olhou pros versos da gente
Olhou pro sol e pensou:
"Não sei o que é mais quente
Se essa "briga" da gente
Ou o sol que Deus criou".

Claude Bloc.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O preço da vaidade - Por Antonio Morais

Joaquim Valério, residente no sitio Charneca depois do almoço começou a se queixar de uma dor no peito, na titela. O tempo ia se esvaindo, a dor aumentando e ficando insuportável. Lá pras tantas, Joaquim deu uma piloura e saiu do ar. O povo da localidade foi convocado para transportá-lo a cidade. Pegaram um pau de porteira amarraram uma rede, colocaram Joaquim dentro e arribaram com a pressa necessária.

A mulher tomou a frente com um rosário na mão “disbuiando” uma reza agoniada que não se sabia ao certo se era pra ficar bom ou pra morrer de vez. Chegando a cidade, na passagem pela casa do meu amigo Chiquinho de Louzo, Dr. Jose Sávio proseava com o pai num domingo livre de trabalho e descontraído.

É aqui mesmo, pára! Falou a chefe do cortejo. Dr. Sávio deu uma cubada no paciente e perguntou: O que foi que ele almoçou? A mulher tomou a frente da conversa e respondeu: Doutor, ele almoçou o de sempre, arroz com um capão gordo ao molho pardo.

Dr. Sávio colocou uma luva e meteu dois dedos goela a dentro do Joaquim. A golfada de “feijão com pão” foi tamanha que passaram dois dias para terminar de lavar a sujeira e outros dez para acabar a caatinga.

Não brinquem com doutor, eles são experientes, não adianta tentar enganar, já diz o velho ditado: a mentira tem perna curta.

DO TEMPO DO BUMBA - Por Mundim do vale.

VIGILANTE  CAUTELOSO.

O Sr. José Dias, era proprietário de uma mercearia na praça Santo Antônio em Várzea Alegre – Ceará. A mercearia era acoplada a sua residência, que ficava atrás da capela. Dos fundos da residência até chegar no corredor dos Grossos, ele possuia um terreno desocupado.
O proprietário contratou Ferrim de Bastiana, para cuidar do terreno, nos serviços de cercas, limpeza e e cuidado com a entrada de animais. Como Ferrim na época estava em litígio com a mulher, ficou morando  numa pequena casa de taipa que tinha no canto do terreno.
Certa vez Genésio Faisca e Raimundinho de Zezim de Eugênio estavam numa farra no Ingèm Véi e resolveram levar duas mulheres para uma aventura no terreno. Depois que abusaram das duas, resolveram maltratá-las para alimentarem os seus instintos selvagens.
As mulheres que não tinham mais o que perder, no dia seguinte prestaram queixa na delegacia. Depois de formulada a queixa, a fofoca correu na pequena cidade mais rápida do que fogo em isopor.
Aquela fofoca para o Sr. José Dias que era um cidadão de bem, foi como uma tortura. Em virtude de tanto falatório o Sr. José Dias foi questionar o acontecido com o seu vigilante:
- Mas Ferrim. Como foi que você deixou acontecer uma coisa dessa dentro do meu terreno?
Ferrim se defendendo falou:
- Mais Seu Zé. Eu num pude fazer nada não. Sabem quem era os caba? Era Geneso e Raimundim de Ougeno, todos dois bebo e armado de faca. Eu fechei foi as portas e fiquei iscundido detrás da parede, peles num saber qui eu tava lá.
- Mas você podia pelo menos ter dado uns gritos neles.
- Cuma Seu Zé? Se na ora qui eles cumeçaro a açoitar as quenga, qui elas cumeçaro a chorar, eu sicaguei todim?

Dedicado a Fátima Bezerra, parente do corajoso vigilante.

Terra dos Contrastes.

Por muitos anos, Várzea-Alegre foi tida e conhecida como a Terra dos Contrastes. Ridículo criado por espíritos de muito humor bestiologico e sem graça desprovidos de melhor que fazer. Seus próprios filhos, muitos deles, tinham a inocência de fazer-lhe a gozação como se dissessem : fale mal, mas, fale de mim. Jornais, estações de radio e até uma revista do gabarito de O Cruzeiro se deliciaram com o fato, esquecidos de que, com isto, nada faziam de proveitoso e honesto, pratico, educado e construtivo. Até musica se compôs, em louvor aos nossos contrastes. Precisa-se dizer mais? Assim, falavam dos que, realmente, existiam possíveis de existir em qualquer parte do mundo e ainda criavam imaginários outros. Grandes artistas de rua, esquecidos de que, nos picadeiros, era grande a falta de palhaços.

A mim, particularmente, doía-me o deboche, partindo, muitas vezes, de quem tinha a cabeça cheia de sabugos. Como aquele que fez plástica estética e deixou com o Pitangui seus defeitos e mazelas, é quase alegria fitar, agora, o retrato do passado. Lembremos, por simples lembrar, alguns dos tais contrastes, serie, por vezes, pitoresca, que a inteligência e irreverência de Zéfelipe, desfilavam como se recitassem a tabuada dos noves. Não ele, somente que era um espírito sempre em festa mas, brilhantes intelectuais encheram seus bestuntos de tão elevados conhecimentos. Um deles, meu professor de filosofia que nada me ensinou porque nada sabia! Comprazia-se em dizer que nossos contrastes começavam pelo nome da terra “ nem várzea, nem alegre. Um morro triste. E ria, bestamente, por ter descoberto o mel de abelha.

Uma curriola de gaiatos criou a fantasia de que nosso padroeiro São Raimundo Nonato, pacificamente, em seu altar outro não era, senão São Braz. Levando mais longe sua irreverência, apregoavam que o padre fora deixar os filhos no colégio. Era este um informe que parecia escandaloso e, no entanto, uma verdade referente a um digno e honrado sacerdote Padre José Otávio de Andrade que abandonara o seminário para se casar, constituir família e enviuvara. Voltara, por vocação e dedicação a igreja, a concluir seu curso, confiando a educação dos filhos aos avós. Ordenado sacerdote, distinguindo-se pela decência moral e dedicação religiosa, chamou a si os filhos, por cuja educação foi de extremado desvelo. Onde o anormal?
Joaquim Ferreira, meu irmão, era redator de O Globo e, numa de suas visitas a Várzea-Alegre, escreveu umas crônicas, que lia na Amplificadora local, de propriedade do nosso primo Luiz Otacílio Correia. Depois da segunda apresentação, achou alguém que sua dicção não era muito boa para microfone. O certo é que, depois sem fazer curso fono-audiologia o mesmíssimo Joaquim Ferreira, no aceso da II Guerra Mundial, se fez comentarista da B. B. C de Londres.

Esqueceram os filhotes da Candinha todas essas coisas obnubiladas por visões destorcidas e irreais. Já é tempo de retirar da cara esses óculos empoeirados e sujos. Ver, em Várzea-Alegre, o que ela é, o que tem, o que vale. Não acredite em mim, em minha fraca fraseologia. Poderei ser um bairrista fofo e fútil. Vá lá e confira. Nosso contraste maior e único é sermos fortes, na adversidade. Se isto é contraste.
J. Ferreira

Pedido de informações - Por Antonio Gomes Pereira.



Cearense de Cariús, e morando em Washington faz três décadas, dei de cara com o seu leve e substancioso "Blog do Sanharol", e não parei de senão ao final dos comentários. Cheguei precisamente quando você falava sobre o Pe. Frederico Nierhoff, que cheguei a conhecer. 

A paróquia de Cariús foi criada e administrada pelos padres alemães da Congregação da Sagrada Família, uns herois. Como poderia obter mais informação sobre esses valorosos sacerdotes e sua formação na Alemanha? Sei que tinham seminário e casa central no Crato. Há algum arquivo guardado na diocese? Alguma espécie de memória de sua permanência e contribuição no Cariri e nos Inhamuns? 
Faz 30 anos que resido em Washington, mas guardo minhas raízes aí. Tenho intenção de escrever uma história de Cariús, a qual não poderia ficar sem menção qualificada dos padres alemães. Sem eles, ficaria manca a memória da igreja em minha terra. 

Agradeceria qualquer indicação de bibliografia ou outras fontes.
Meu cordial abraço agradecido.
Antonio Gomes Pereira  

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Costumes, comidas tipicas e o bom humor do meu saudoso pai - Por Antonio Morais



Dedicado ao Professor Antônio Dantas.

Eu leio todos os comentários do Blog do Sanharol. Faço com muita atenção e vejo que muitos deles agregam valores ao tema até mais do que a própria postagens. Acho engraçado quando existem comentários em idioma estrangeiro, embora eu não os libere, visto que não entendo patavina de nada. 

Este fato me lembra um cliente do banco que levei para o Sanharol certa vez. O homem era americano, diretor do Seminário Batista construído por eles em Crato. Falava Inglês. Como ninguém entendia ele ficava igual um Caboré, só olhando, prestando atenção, não falava nada.

Quando botaram a mesa que os convidados sentaram-se para se servir, uma filha de Diassis de Militão que era professora de inglês chegou. O americano se danou a arengar umas coisas lá pra ela. Nesse momento, o meu pai disse para mamãe: Tonha, o homem não gostou do teu baião de dois com piqui, já começou a dizer nome feio.

Os preás da Cacimbinha - Por Antonio Morais

Na década de 1980 do século passado, adquiri a Fazenda Cacimbinha no município do Assaré. Depois de montar uma boa estrutura descobrir que não existiam na localidade alguns animais silvestres. Preá, por exemplo, nem se falava. Então chegando a Várzea-Alegre prometi pagar por alguns preás para iniciar um criadouro na fazenda.

O que foi de menino partiu para os baixios do Machado a armar fojos e prender os bichinhos. Oito dias depois, quando cheguei no local separei 195 fêmeas e 5 reprodutores. Depois surgiu o grande problema: como leva-los até a fazenda.

Em caixotes trancafiados não seria aconselhado porque podiam morrer afadigados. Então o meu amigo Claudio Jose de Sousa me vendo com aquele baita problema sugeriu contratar um vaqueiro da cidade, conhecido por Raimundo Vaca Velha, filho de um outro vaqueiro mais famoso ainda chamado Vicente de Freitas para levar os animais tangendo.

Não deu outra. Dez dias depois a preazada havia percorrido os 80 km entre Várzea-Alegre e Assaré e, o que mais admirou é que depois de contados e recontados não faltou nenhum.

O meu primo Luiz Lisboa sabe que esta historia é "divera", acontecida e verdadeira e, que eu  não contei  há mais tempo com receio que alguém duvidasse de sua veracidade.

Coronel Mario da Silva Leal - Por Antonio Morais

O Coronel Mario Leal convidou o colega deputado Chico Monte para um passeio na sua fazenda Canastra, em Jucás. Chegaram  por volta de 10h da noite e se acomodaram. No outro dia cedinho arrearam dois animais e saíram para uma inspeção no campo. Vistoriaram inicialmente as mangas das pastagens e, em determinado local tinha uma carniça de um cavalo, já em adiantado estado de decomposição. O Cel Mario desmontou do animal apanhou a pata do cavalo morto, amarrou nas correias da sela, montou novamente e seguiu sob os olhares curiosos do deputado Chico Monte.

Por uma cancela adentraram as mangas das plantações e num local que havia um banco de areia ele desmontou do animal, apanhou a pata do cavalo morto e forçou sobre o banco de areia deixando vários rastros.  Em seguida jogou a pata  num buraco bem escondida e seguiu para casa.

 Ao chegar em casa o vaqueiro perguntou: seu Mario está tudo direito? Ele respondeu está! Mas, na manga das lavouras tem um animal solto. Tem rastros de um animal naquele banco de areia do rio. O vaqueiro foi conferir.

Ao retornar disse: seu Mario o Senhor tem razão. Existem mesmo rastros na areia do rio, mas eu estou invocado porque são os rastros de um cavalo velho que morreu na outra manga há mais de três meses. A qualidade observadora do vaqueiro era fruto da disciplina do Coronel Mario Leal.

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR ANTONIO DANTAS.



A Importância das Figuras - Por Antonio Dantas.

Meu pai administrava a produção de rapadura no engenho do meu avo, Manoel Dantas, no sítio Baixio. Eu gostava de ir com ele bem cedo, ainda meio escuro, pra tomar uma caneca de garapa. No fim da tarde, eu retornava ao engenho pra experimentar os últimos pedaços de rapadura quente, e acompanhar meu pai de volta pra casa.

Certo dia, ao chegarmos a bodega do Raimundo Chico, meu tio avô; como era de costume, o pessoal da moagem, que terminava as tarefas mais cedo, já estava ali. Conversa vai, e conversa vem, um dos trabalhadores puxou do bolso um livro sobre os evangelhos. Outro, que estava sentado, virou-se pra traz e pediu para ver o livro.  O indagado respondeu num tom jocoso e disse: – Não tem figuras! Eu virei pra meu pai e perguntei, por que ele falou que não tem figuras? Meu pai deu uma de Alice no País das Maravilhas e me respondeu: – Ele não sabe ler, meu filho! 

Desde aquele dia remoto, aprendi com meu pai que os livros são importantes, mas aqueles com figuras são mais interessantes. Carreguei essa lição comigo.Quando lecionava economia, sempre avisava aos meus alunos para não se preocuparem com as dificuldades da matéria, pois havia escolhido um livro texto muito fácil; tinha bastante figuras (gráficos).

Outro dia, aqui nos Estados Unidos, uma amigo chegou à biblioteca, onde passo a maior parte do dia, e falou para bibliotecária: – Estou procurando um livro –  assim, assim – não me lembro bem do título. Como eu estava conversando com a moça, interrompi quem havia me interrompido, e disse pra ela: –  Arranje um livro com figuras pra ele. Eles riram!

Isto não foi grosseria, apenas uma brincadeira que eles gostaram. A fiz não para acusá-lo de analfabeto, mas para não esquecer da lição de meu pai.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O crime ambiental está prescrito - Por Antonio Morais.



Dedicado ao João Bitu.

Nos últimos dias, foram muitas as citações, estorias e comentários  sobre "casaca de couro". Varias foram as revelações dos castigos e penitencias aplicadas aos maus  pastoradores do pássaro consumidor de arroz e devorador das plantações.
Esta historia é verdade e dou fé. Zé Luzia, morador da Boa Vista, em terras de Joaquim de Sátiro, quando menino, foi encarregado de pastorar o nascimento do arroz do roçado do seu pai João, que também era Luzia. Não dando conta, pois não existe quem evite a ação predadora da casaca de couro, levou uma tremenda pisa do pai pelo descuido.
José preparou a vingança e esperou o tempo certo. No mês de Maio, época da reprodução dos pássaros, José saiu de touceira em touceira do arrozal juntando os filhotes nos ninhos e colocando-os num bornal. Chegou em casa com os bichinhos, despejou-os num caco de torrar café, levou ao fogo e, enquanto torrava-os vivos assobiava - Xô casaca de couro. 
Está historia estou vendendo pelo mesmo preço que me foi passada. E, assim o faço porque o crime ambiental  já está prescrito. A ocorrência data da década de 50 do seculo passado.

Várzea-Alegre. Oh terra rica de resenhas. Não tem quem acabe.

Comentário deixado em Frazo do Garrote, o vendedor de leite.


kkkkkkkkkkk lembro dessa historia da piaba é fato!! Eita saudade da minha terrinha no tempo que a Vazante era só alegria, tempos de infância magica onde vivíamos com muita dificuldades mas eramos felizes, os rachinhas no campinho enfrente ao estadio o Juremal, banhos no riacho do machado, riacho do feijão e no açude de Joaquim Diniz depois da serra do Gravié, época de pegar passarim com arapucas e achapram, caçar preá e passarim e o principal roubar mangas...

Ahhh roubar mangas isso sim era uma aventura, o pé de manga do meu tio Ildefonso era a manga mais doce que já chupei mas nem meu pai (Cascudo)nem meu tio (Ildefonso)nem meu avô (Vicente Piau) sabem o nome dessa mangueira. Nessa época o protetor desse pé de manga era dona Edite, mulher braba e muito valente, logico que também era uma mulher de caráter e respeito. 

Pra roubar manga nesse pé tínhamos que fazer uma mega operação ..quando era 17:00 hs agente ia ate o cacimbão de tia Isaura tomar banho ai tive uma ideia, hoje agente rouba manga aqui no pé de tio Afonso,olha vamos pegar uma lata de leite pregar o fundo dela numa madeira e botar metade de uma vela dentro pra servi como lanterna ai quando for a noite agente vem roubar, ai um dos parceiros falou ..._e quem vai subir no pé de manga no escuro? 

Ai eu disse ninguém - vamos rebolar pedras e e torrão de barro nas galhas que elas caem ai agente vem a noite com a lanterna improvisada e agente pega elas no chão ..ai todo mundo ficou me idolatrando pela ideia eu fiquei muito feliz ..enquanto uns tomavam banho os outros atirava as pedras nos galhos e dona Edite la em cima na Vazante olhando pra ver quem entrava no terreno do pé de manga, ela só entrava quando agente subia pra casa todo mundo banhado ai ela via agente ai entrava pra dentro. E eu e os meninos tavamos ansiosos pra voltar e pegar as mangas .Quando dona Edite entrou pra assistir a novela QUE REI SOU EU..agente desceu correndo para pegar as mangas, ai começou um inferno era muriçoca que só a peste e muita mutuca e os mato todo molhado por causa do sereno e diabo da lata arrancou do pedaço de pau e a lata tava quente que só as orelhas de Benedito quando tia Buria dava uma trucida kkkkkkk..

E pra completar as vaca de tio Afonso comeram todas as mangas que tava no chão, ai lascou...depois tentei uma estrategia para roubar as mangas do sitio de tia Buria de Raimundo Beca, mas depois de uma analisadas vi que era impossível roubar mangas da família dos beca era quase um milagre essa aventura ..eu acredito que ate hoje ninguém e nem Benedito chupou uma manga roubada desse paraíso das mangas ...aqui fica grande abraço a todos dessa cidade maravilhosa ...

PARABÉNS ANTÔNIO MORAIS 

Historias do Sanharol - Por Antonio Morais.



Raimundo Bitu, com o seu chapéu de massa inseparável e José André recebem as bençãos do primo Padre Manuel Alves Feitosa, sob as vistas dos amigos Nonato, Perboary e José. Foto do dia 29 de Abril de 1982 - Fazenda Cacimbinha - Assaré.


Raimundo Bitu de braços cruzados, seu jeito costumeiro, Nonato, Antônio Morais e Dr. Iran Costa levando um lero.  No fundo  uma parte do açude da fazenda Cacimbinha. 29 de Abril de 1982.

Texto:

Ultimamente escrevi alguns textos e tenho feito algumas postagens no Blog  com reminiscências de minha juventude no Sanharol.

Transgredi o limite de minha privacidade e, me atrevi a incluir nas minhas historias, outros queridos amigos, que como eu, também  viveram situações assemelhadas. 

Prefiro  lembrar as dificuldade dos primeiros degraus que tive pela frente, a cagar goma, contar vantagens e desconhecer os méritos que não foram só meus.

O Sanharol de hoje é outro bem diferente. Quando os filhos de Raimundo Bitu ou José André se reúnem  ver-se 10 carros  novos estacionados no patio da Casa Velha, numa corda, a carne de três carneiros secando para ser assada, uma grande churrasqueira acesa o tempo todo, três frizer cheios de cerveja gelada, um tacho com 60 quilos de sarapatel e outro com  o mesmo volume de  buchadas, um sanfoneiro, um triangueiro e  um pandeirista animando o ambiente, e, o mais importante, um portão aberto com acesso permitido a todas as pessoas, conhecidas ou não. 

Assim é o Sanharol de hoje. Mas, como quem colhe, somente colhe, aquilo  que  plantou,  nós estamos a colher os frutos das sementes semeadas, em terreno fértil, pelos nossos  pais, justamente naqueles tempos difíceis a que me refiro nas postagens anteriores, consideradas por "alguns" como  deprimentes e constrangedoras.

Deixar de reconhecer aquele tempo vivido e não atribuir aos nossos pais o que vivemos hoje é uma grande ingratidão, falta de reconhecimento e justiça.Vou continuar  escrevendo "Historias do Sanharol" e, espero que sirva de exemplo para os meus descendentes. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Outra mentira da série dos 6 mil - Augusto Nunes, VEJA


Quando a mentira que Dilma Rousseff vai contar requer alguma cifra, é sempre a mesma que o neurônio solitário lhe sopra: 6 mil. Durante a campanha de 2010, por exemplo, a candidata prometeu de meia em meia hora construir 6 mil creches. Já passou da metade do mandato e nem 50 ficaram prontas.

Em janeiro de 2011, jurou que até o fim daquele ano entregaria 6 mil casas aos flagelados da Região Serrana do Rio. Até agora não entregou nenhuma.

Em janeiro de 2012, Dilma caprichou na advertência às tempestades que teimam em cair no verão: se dessem as caras de novo, topariam com exatamente “6 mil agentes da Defesa Civil treinados para agir nas áreas de risco”.

Os aguaceiros ignoraram a ameaça e continuam provocando os estragos de praxe. Os 6 mil soldados guerreiros das encostas em perigo nunca foram vistos fora do cérebro baldio da comandante. A menos que tenham sido tragados por alguma inundação secreta, seguem aquartelados por lá.

Também são 6 mil, miou na semana passada o chanceler Antonio Patriota, os médicos cubanos que o governo pretende importar para transformar o Brasil Maravilha num imenso Sírio-Libanês. Exatamente 6 mil - nem mais nem menos, confirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A conta de mentiroso avisa que o exército de doutores formados na ilha-presídio terá o mesmo destino das 6 mil creches, das 6 mil casas e dos 6 mil agentes de saúde: a coisa vai dar em nada.

10 dias depois fezeram a diferença - Por Antonio Morais


Manuel Gonçalves da Costa, o conhecido Manuel das Mangas, residia no Sitio Atoleiro, numa casinha de taipa, isolada bem nos fundos da propriedade. Era um rapaz velho, tinha um dinheirinho e gostava de investi,  emprestar a juros. Era parente próximo do meu pai e muito amigo. Sempre que vinha para feira semanal, nos dias de sábado, almoçava em nossa casa.

Um dia, um proponente lhe procurou e solicitou um empréstimo. Foi informado que naquele dia não dispunha da importância pleiteada, porém estava para receber uma quantia e a partir de tal data estaria a disposição.

Dez dias após a data marcada, o proponente procurou Manuel para apanhar o numerário e, ouviu do mesmo o presente argumento: Eu não vou puder lhe atender, veja bem, para vi buscar o dinheiro você atrasou dez dias do nosso trato, imagine quando for para pagar?

Dedicado ao professor Antonio Dantas, especialista em operações de valores nas bolsas - Estados Unidos da America.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Só tem tamanho - Dora Kramer, O Estado de São Paulo


Fato inusitado, digno de figurar no catálogo dos ineditismos dos quais se orgulha o PT na alucinação de que reinventou o Brasil: a presidente da República é altamente popular, conta com maioria parlamentar esmagadora, tem oposição mirrada e, no entanto, em questões fundamentais perde uma atrás da outra no Congresso.

A lista de revezes mais recentes é conhecida: Código Florestal, lei de distribuição dos royalties do petróleo, reforma do ICMS e marco regulatório dos portos.

Para governo que, em tese, domina 80% do Parlamento, convenhamos, são proezas de monta ter um veto derrubado (royalties), ser derrotado por ação do principal parceiro (PMDB, no Código Florestal), ver uma proposta retaliada por governistas (ICMS), cogitar recorrer a decreto caso deputados e senadores não atendam ao “apelo” de aprovar medida provisória (portos) às vésperas de perder a validade.

A conclusão óbvia é a de que essa base aliada só tem tamanho. Serve para interditar investigações parlamentares, para dar seguimento a manobras como a tentativa de restringir o funcionamento de novos partidos – para criar dificuldades a possíveis adversários eleitorais; serve para garantir tempo de televisão na propaganda política, mas não tem a menor serventia quando se trata de fazer andar o país.

Simplesmente porque a presidente Dilma Rousseff não parece ter a menor noção do que significam termos e expressões como articulação, negociação, construção de consenso, poder moderador, conciliação de interesses, exercício de autoridade delegada, composição de opiniões.

Ignora solenemente os componentes indispensáveis ao funcionamento de uma administração em regime democrático.

Inepta na pilotagem da política – atividade que dá sinais de menosprezar – Dilma acabou por transformar sua enorme base parlamentar em um gigante desgovernado.

Talvez ela não saiba ou não tenha dado ouvidos a quem porventura tentou avisá-la: a mera aquisição de aliados mediante distribuição de ministérios não move o moinho. Pode até não parecer, mas o fisiologismo sozinho não motiva o Congresso.

O voluntarismo, a imposição da vontade, os maus modos, a irritabilidade podem até compor uma imagem forte de governante, mas não asseguram a fortaleza de estadista.

Frazo do Garrote , o vendedor de leite - Por Antonio Morais


João do Sapo sempre foi um homem muito solidário com os parentes do Sanharol. O seu primo Frazo do Garrote, já com idade bastante avançada, recebeu um "adjetorio" para não ficar de todo parado. 

João do Sapo preparou um jumento, uma cangalha, duas caçambas e alguns baldes de zinco, estava  montada a estrutura de um bom vendedor de leite.

Frazo subia para Boa Vista e, cedinho descia juntando leite, 10 litros num lugar, 15 noutro e, finalmente chegava a cidade onde o vendia de porta em porta.

Diziam as más línguas, que o Frazo era muito caridoso, não podia ver uma quenga do "Engem Veio"  com um menino chorão no braço que se compadecia e dava o leite do mingau. Em pouco tempo tava a fila de "Quenga" vindo encontrá-lo na Lagoa do Arroz.

Um fornecedor da Boa Vista, pediu a interveniência de Menini Bitu no sentido de Frazo efetuar um pagamento de um saldo de leite esquecido. Meninin esperou  a oportunidade de falar com o Frazo e, quando a teve se deu o presente dialogo entre os dois:

Meninin - Frazo como vai o negocio do leite?

Frazo - Vai mais ou menos.

Meninin - Faça uma economiazinha  e pague um restinho de conta com  fulano da Boa Vista.

Frazo - Eu não devo nada pra ele, o leite que comprei dele eu paguei, agora se ele pensa que eu vou pagar a agua que ele botava no leite, ele está muito é do enganado.

Deu-se o assunto encerrado.

domingo, 12 de maio de 2013

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

DEU  FOI  AVESTRUZ.

Meu conterrâneo,  de Várzea Alegre- Ceará,  João Alves de Lima.   ( João Francisco. ) Teve  na nossa cidade várias arividades a saber; Foi fabricante de bebidas, tabelião, prefeito e bicheiro.
João foi proprietário de uma casa de jogos, onde também bancava o jogo do bicho. Todo dia pela manhã ele enforcava o bicho do dia, para quando fosse às 20:00 Horas anunciar para os cambistas e jogadores, o nome do bicho.
O carpinteiro Oliveira Dantas era mais viciado no jogo do que Maria Caitano, jogava todo santo dia e de noite ia saber o resultado. Certa noite oliveira teve um sonho e no dia seguinte foi atrás do cambista  Alexandre Cabeleira, para que ele decifrasse o sonho e fizesse o jogo.
Oliveira já com o dinheiro na mão para jogar, falou:
- Lixande. Essa noite eu tive um sõe cum um bicho grande qui tinha uma tromba saindo de dento da boca.
- Apois nego véi. Você pode jogar no alefante qui é tiro e queda. No jogo do bicho é só o alefante qui tem tromba..
Oliveiira jogou uma boa quantia, ficando apenas com alguns trocados para a cachaça, que ele também apreciava.
Quando foi por volta das 17:00 Horas, Oliveira jantou e foi para a casa de jogos para assistir o anúncio do bicho. Ficou tomando umas por ali, quando foi às 20,00 Horas João Francisco chegou para o anúncio. João pegou o tubo que tinha o bicho e passou pelo balcão para dizer o nome do bicho. Mas como notou que tinha muita gente resolveu fazer suspense:
- Pessoal. Faça silêncio, que eu vou dizer a primeira letra do bicho de hoje.
Silêncio total. E Oliveira num pé e no outro.
- Pessoal a primeira letra do bicho é……………
- Pessoal a primeira letra é “ A “
Oliveira ouvindo aquela vogal, correu para a bodega de Zé Marcelo e comprou um litro de cachaça com o resto do dinheiro.
Quando saiu boa parte do pessoal, ele voltou para a casa de jogos e foi logo abordando o proprietário:
- Seu João, cadê o meu dinheiro? Taqui a pule.
João verificando o jogo falou:
- Mas você jogou foi no elefante.
- E apois, eu ganhei, qui eu iscutei quando o Sinhor dixe qui a premêra letra era “ A “
- Mas deu foi avestruz.
- Mais isséquercer. Eu contei o sõe a Lixande e ele dixe qui eu pudia jogar no alefante alefante, quando acabar deu foi a condenada da avestruz.
João Francisco notando a igenuidade do jogador falou:
- Pois é Oliveira, Quando você sonhar com a avestruz, é só jogar no elefante, que você ganha.

sábado, 11 de maio de 2013

POETAS RIMANDO AS MÃES - Por Mundim do Vale.

POETAS  RIMANDO  AS  MÃES.

Ceguinho anônimo:

Já tive muito prazer,
Hoje só tenho agonia !
Naão sinto porque sou cego,
Eu sinto é falat de guia !
Quando mamãe era viva,
Eu era um cego que via !

Manoel Chudu:

Minha mão que me deu papa,
Deu-me chupeta e consolo,
Deu-me leite, deu-me bolo,
Doce bolacha e garapa;
Certo dia, deu-me um tapa,
Mas depois, se arrependeu…
Deu um beijo onde bateu,
Esquecendo a ingratidão:
Quem perdeu mãe, tem razão
De chorar porque perdeu !

Hélder França:

Uma mãe é tão divina,
Que a própria rima ensina
Que só existe uma mãe.
Uma mãe rima não tem,
Poia a mãe só rima bem
Se a rima for mão com mãe.

Zé Catota:

Minha mãe é parecida
Com uma pombinha branca,
Já cansada da viagem,
Em toda sombra descansa;
Depois de oitenta anos,
Mamãe parece ciança.

Estão vendo essa velhinha
Toda envolvida num manto,
Com os olhos rasos dágua,
Tomando banho em seu pranto?
Cantava quando eu chorava,
Hoje chora quando eu canto !

Quando, pra mamãe, eu canto,
Sempre, sempre me comovo;
Quando ela ri para mim,
Parece dizer ao povo:
“ Depois dos oitenta anos,
Tornei-me nova de novo !”

Mundim do Vale:

Mãe abençoada flor
Carinhosa e perfumada,
Que nasceu determinada
Para conduzir amor.
Se o filho sente uma dor
Ela fica de vigia,
Rogando a Virgem Maria
Que transfira a dor pra ela.
Ficando de sentinela
Durante a noite e o dia.

Nessa data abençoada
Peço a Deus inspiração,
Para fazer aluzão
A pessoa mais amada.
Mãe que está preparada
Pra carregar sua cruz,
Na hora de dar a luz
Suportando tanta dor.
Mãe que recebeu amor
Da santa mãe de Jesus.

Minha mãe fazia a janta
Em seguida uma oração,
Depois repartia o pão
Como se fosse uma santa.
Não sei se ainda canta
Os benditos da igreja,
Só me lembro da peleja
De me fazer decorar.
Mas um dia hei de cantar
Com ela, onde ela esteja.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Varzealegrenses e suas leras - POR ANTONIO MORAIS



JOSÉ RAIMUNDO DE MORAIS - JOSÉ ANDRÉ DO SANHAROL.

Certa feita, Jackson Teixeira convidou José André para conhecer uma Granja de sua propriedade localizada nas proximidades do Alto do Tenente. Chegaram no local, e, saíram olhando os galpões, as instalações, aquela pintarada danada.
Zé André falando no seu sistema agudo, muito alto, volume total, nos sortinidos. Lá pras tantas Jackson se impacientou e disse: Zé André fale baixe homem, esses frangos não podem ouvir zoada não, qualquer barulho eles se estressam e morrem todos, não fica um pru indez.
Zé André seguiu o restante da granja calado, sem dá um piu. Jackson foi deixá-lo no Sanharol e quando fez a manobra pra ir embora Zé André falou: Ei Jackson, eu estou muito preocupado com o teu empreendimento: o que tu vais fazer no dia que der um trovão grande?




JOSÉ ALVES BITU

Quem conheceu Zé Bitu das Lagoas sabe o quanto era bom, justo, amigo, espirituoso e bem humorado. Apesar de sisudo e a cara sempre fechada, seus repentes eram de um refino a toda prova. Certa vez, foi ao Juazeiro fazer uma consulta medica acompanhado de uma das filhas. Chegando ao consultório tinha uma senhora com um menino muito danado. O menino não parava, quebrava um jarro aqui, rasgava uma revista ali, e assim passava o tempo todo.
Zé Bitu perguntou para mulher: a senhora só tem este filho? Não - respondeu a mulher, tenho outro maiorzinho que ficou em casa. Zé Bitu coxixou para a filha: deve ter ficado amarrado.
Certa feita, chegando a casa do compadre Pedro Piau, o encontrou misturando mel de engenho com farinha. Pedro Piau perguntou: Compadre Zé Bitu, você já viu uma coisa mais difícil do que misturar mel de engenho com farinha? Resposta no ato: Já compadre, separar depois.
Outra vez, Maria Caetana aproximando-se para comprar cigarros disse: Seu Zé Bitu eu só tenho dois defeitos: bebo e jogo. - José Bitu respondeu na hora - Dois defeitos grandes pra uma moça.



JOSÉ ALVES COSTA - ZEZINHO COSTA

Um dos maiores empreendedores de Várzea-Alegre, ex-prefeito do município, sem duvidas, o maior proprietario de terras e o mais afortunado dos nossos conterrâneos a sua época. Anualmente recebia um carro zerado da fabrica. Certa feita, na viagem inaugural ao Umari, na passagem pela curva da Santa Rosa, abalroou sua bela rural novinha com Neguim de João V-8 que trafegava em sentido contrario no Jeep velho de Antônio Vieira.
Neguim desceu do carro desconfiado e amedrontado disse: Também seu Zezin Costa, o senhor vinha na contra mão! E Zezinho Costa muito autoritário respondeu: E porque você não vinha na contra mão também?


RAIMUNDO NONATO BEZERRA DE MORAIS - MUNDIM DO VALE

O meu primo, camarada e amigo Mundim do Vale, leva o tempo a contar histórias dos outros. O homem tem uma memoria prodigiosa e se lembra de todas as ocorrências de nossa terra. Não esquece uma. É uma verdadeira inciclopédia da história de nossa terra. Homem exemplar, muito bem educado pelos pais Pedro e Iraci, exemplo de filho, irmão, esposo, pai, avô e amigo. Sem duvida o maior poeta contemporâneo pela expontaneidade da poesia associada a uma grande dose de humor. Hoje, eu vou revelar uma proeza do Mundim do Vale quando menino. Vejam bem, quando menino, não é de quando pequeno.
O Mundim passava em determinado local de Várzea-Alegre e Cicero Bitu, filho de José Bitu, estava brigando com outro menino qualquer. Mundim seguiu em frente, e, ao se encontrar com Zé Bitu disse: Seu Zé Bitu, Cicero está brigando com outro menino lá na praça de Santo Antônio. Zé Bitu respondeu: nem prestam eles dois que estão brigando nem você que veio enredar.

ANTÔNIO ALVES BEZERRA - ANTÔNIO ANDRÉ DO ROÇADO DE DENTRO

Na década de 40 do século passado, Chico Bitu do Sanharol tinha um time de futebol muito bom e recheado de craques do porte de Luiz Lixandre, Manuel de Teté, Barela e tantos outros.
Atendendo ao convite da Seleção do Roçado Dentro ficou acertada uma partida entre as duas partes. Na data e hora marcada, estavam lá as duas equipes perfiladas. depois da execução do hino nacional pela banda cabaçal da rua de São Vicente e de um minuto de silencio não se sabe a que fim e louvor, o juiz deu o silvo inicial.
Os contendores se abufelaram e decorridos 40 minutos do primeiro tempo, Antônio André, jogador do Roçado Dentro perguntou para o seu companheiro de equipe Manoel de Pedro do Sapo: "Mané de tia Barbara, pra que lado é que nois tamo butando mermo"?



DEPUTADO OTACÍLIO CORREIA.

A festa de São Sebastião em Várzea-Alegre era festejada entre os dias 10 e 21 de Janeiro de cada ano no sitio Boa Vista.
O administrador e zelador da Capela era o Senhor Chico Inácio. Na década de 1980, numa das festas mais animadas, os leilões eram muito rentáveis. Qualquer prenda apresentada pelo pregoeiro Oliveira Sátiro era arrematada por preço alto.
O pau da Bandeira era um bambu, uma taboca com mais de 25 metros de altura. No meio da animação e empolgado com a renda do leilão o Chico Inácio perguntou para o Deputado Otacílio Correia: Você já viu uma taboca maior do que esta? Apontando para o bambu, para o pau da bandeira.
O deputado respondeu: Já, já vi sim. Qual? Perguntou Chico Inácio. A que você vai passar em São Sebastião!

ANTÔNIO ROLIM DE MORAIS.

Nas eleições de 1988 pra prefeito de V.Alegre, o candidato Antônio Rolim de Moraes, recebeu em sua casa um eleitor queixoso, dizendo que sempre votara no partido desde a eleição de 1954 e que nunca tinha recebido nada em troca de seu voto, era um cara azarado. Logo chamou a atenção dizendo que naquele ano só votaria em um candidato em troca de uma geladeira. Foi aí que o candidato Antônio Rolim, chamou sua atenção: Rapaz azar grande é o meu: Você votou esse tempo todo de graça, e quando, eu sou candidato, você exige uma geladeira.

COMENTARIO DO BLOG.

Quando digo a falo que o varzealegrense não reconhece seus  valores,  escrevo com a propriedade de quem conhece.  Esta postagem é do dia 18.08.2012 : Portanto há um bom tempo. Ninguém  comentou.  Povo sem memoria, sem passado e sem futuro.