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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Cunha tenta mudar modo de indicação de ministros - Por ANDREZA MATAIS - O ESTADO DE S. PAULO


Por determinação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Casa voltou a discutir uma proposta de emenda à Constituição que define mandato de 11 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal, além de retirar do presidente da República a exclusividade na indicação dos ministros da Corte. Sem alarde, Cunha instalou no início de abril uma comissão especial para retomar a discussão do tema parado há 14 anos na Casa e determinou celeridade na conclusão dos trabalhos. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Amadeu Neto, do Amadeu pai do Chico - Por Antonio Morais


Amadeu Neto, o ET da Varzea-Alegre.

O Deputado Otacílio Correia conseguiu um emprego para Amadeu no Banco do Estado do Ceara. Cargo - Zelador.

Amadeu, sempre muito solicito, dizia para todo mundo que era um emprego muito bom, pois foi o Tio Otacílio quem arranjou. Cagava goma e contava vantagens para as negradas que tinha um Primo do pai dele muito importante que era diretor do Bec, nosso amigo Antônio Siebra Lima, conheci dos tempos do Bicbanco.

Amadeu arranjou uma namorada em Farias Brito dizendo que iria assumir a gerencia do Banco. Todo fim de semana era almoço de galinha caipira, capote, até um bacurin abateram um dia. Levou adiante esta lorota até quando pode.

Um belo dia, os pais da moça foram ao Banco e o viram fazendo faxina. Amadeu ficou bastante encabulado, mas, como todo bom varzealegrense tem uma boa saída, disse para o futuro sogro, que era uma praxe do banco os futuros gerentes passarem por todos os departamentos da agencia. O sogro foi falar com gerente e acabou o sonho do bancário - terminou o noivado.

Amadeu já tinha convidado Chico de Amadeu para animar a festa - cantar o Baião do Cego: veja no video.

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sábado, 25 de abril de 2015

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE - POR PROFESSOR ANTONIO DANTAS


Meu Avô

Eu adorava meu avô paterno, Rafael Ferreira Lima porque, quando eu precisava de um peão, ele fabricava um com uma perfeição incrível. Ele ficou viúvo quando meu pai tinha 3 anos de idade. O luto demorou muito e ele não se conteve até que arranjou outra mulher. Nesse meio tempo, meu pai não teve chance, ficou vagando a mercê das irmãs mais velhas que já eram casadas. Meu avô, tinha começado a beber para controlar as saudades de Ana, minha avó. O problema é que ele bebia pra esquecer, mas o álcool jamais esqueceu dele. Mesmo depois que se casou, com Rosena, continuou bebendo até o fim da vida. 

Meu avo, reconhecia o perigo da bebida. Ela provocava descontrole físico e emocional. Lembro-me de que quando ele não tinha dinheiro e passava la pela bodega do meu pai pra tomar uma de graça, e dizia pra mim –  menino não pode tomar não que fica mole. Para evitar a vergonha da queda, assim que sentia o efeito do álcool, caía numa rede e só se levantava quando sóbrio. O que ele nunca imaginou foi que a queda dos sóbrios também podem ser fatal, especialmente numa idade avançada. Mas ele não parava de andar enquanto podia. Fisicamente, parecia frágil, mas enquanto bebia e nunca teve uma doença se quer e nunca caiu. 

Faleceu aos 88 anos de idade por causa de uma infecção que contraiu de uma queda quando estava sóbrio. Ele era controlado, assim que sentia o efeito do álcool deitava numa rede dormia até ficar sóbrio. A sobriedade, depois de um porre, reativava a mente. Aqueles eram os melhores momentos da vida; ele ficava de bom humor, altivo e brincalhão. 

Ainda durante a II guerra mundial, os missionários americanos começaram a visitar o baixio, com as pregações protestantes. Trouxeram um alto falante para badalar em voz alta as palavras de salvação pelos vales e serrotes do Baixio. Todos tinham que ouvir “a palavra de Deus” de qualquer jeito. Lembro-me de um dia quando a pregação fora sobre a bondade divina para aqueles que contribuíam para espalhar o evangelho.

Numa pregação animada, o pastor, para provar que Deus era bondoso, deu exemplo. Explicou que João Rockfeller contribuiu tanto para igreja que ficou rico e deixou uma fortuna para os filhos distribuírem para os pobres. A benção foi tão grande que a fortuna continuou aumentando sem parar. Meu avô, que tinha acordado do porre costumeiro, não titubeou e disse – isso é porque eles nunca passaram lá em casa!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Corrupção tomou conta de diretoria de Serviços, diz delator - PorDAIENE CARDOSO E DANIEL CARVALHO - O ESTADO DE S. PAULO

Augusto Mendonça afirma na CPI da Petrobrás que esquema era difundido na área dominada pelo PT, mas contaminava toda estatal

Brasília - Executivo que confessou ter participado do esquema de pagamento de propina na Petrobrás, Augusto Mendonça, da Toyo Setal, disse nesta quinta-feira, 23, em depoimento na CPI da estatal na Câmara que a corrupção era “generalizada” apenas na diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque. Ele reafirmou que o esquema de propina também era operado na Diretoria de Abastecimento, sob liderança de Paulo Roberto Costa. 

Em cerca de sete horas de depoimento, Mendonça basicamente repetiu o que já havia afirmado em sua delação premiada: disse que as empreiteiras eram “vítimas” de ameaça e por isso participaram do esquema de corrupção. O executivo afirmou ainda que parte da propina que pagou foi em forma de “doação” ao PT, por meio do agora ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, que está preso preventivamente. 

Em seu depoimento, Mendonça desmentiu o ex-gerente de Engenharia e Serviços da Petrobrás, Pedro Barusco, que afirmou que a corrupção era “generalizada” na estatal. “Na companhia como um todo isso não acontecia”, afirmou. “Dentro da Diretoria de Serviços era generalizado porque eles queriam aplicar em cima de todos os contratos.” Indicado pelo PT para o cargo, Renato Duque ocupou a Diretoria de Serviços no período de 2003 a 2012. Mendonça relatou que, no final da década de 1990, empresas formaram um cartel, o chamado “clube”, para se protegerem e não concorrerem entre si. Já o esquema de pagamento de propinas começou após o ano de 2003, quando Duque e Costa – indicado pelo PP – assumem diretorias da estatal. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Coronel Raimundo Augusto.

Almoçando o inimigo antes que ele nos jantasse, Cel. Raimundo Augusto dá combate a Lampião no sitio Tipi em Aurora. Entre os cometimentos atribuídos ao Cel. Raimundo Augusto figura o combate que este frente a seus cabras teria sustentado contra o bando de Lampião, no ano de 1927. Muito bem armado com os fugis e os mosquetões recebidos de Floro para dar perseguição a Coluna Prestes, o famoso bandoleiro demorava no sitio Tipi, em Aurora, enquanto planejava o ataque contra Lavras da Mangabeira. A cidade de São Vicente Ferrer com o seu comercio e as suas riquezas havia despertado a cúbiça no temível cangaceiro, encorajando-o a praticar o saque. Já os donos do Tipi eram inimigos declarados do Clã lavrense. Então, por que esperar? Almoçar o inimigo antes que ele nos jante, decidiu o Coronel. E, assim foi feito. Sem perda de tempo Raimundo Augusto reuniu seus cabras e arrojou-se de surpresa sobre o bando facinoroso. Após breve combate Lampião e os do seu bando fugiam, deixando no local da refrega armas, mantimentos e vários cavalos de montaria do bando, que não puderam conduzir. Dias depois, na propriedade do Coronel António Joaquim de Santana, na Serra do Mato, onde o bando costumava esconder-se, António Ferreira, irmão de Lampião, recriminava em versos, ao som da sanfona, a imprudência do irmão:
Lampião bem que eu te disse,
Que deixasse de asneira,
Que passasse bem por longe,
De Lavras da Mangabeira.

A. Morais

segunda-feira, 20 de abril de 2015

os projetos para tirar (mais) poder de Dilma

Imersa na pior crise política de seu governo, a presidente Dilma Rousseff tem perdido cada vez mais poder para o Congresso - em especial, para o PMDB. Enquanto se esvazia a força política da petista, começam a avançar no Parlamento projetos por anos engavetados e que, se aprovados, vão na prática destituir Dilma de atribuições do Planalto. Da indicação de nomes para o Supremo Tribunal Federal à limitação do total de ministérios, cresce a lista de textos em análise no Congresso que poderão enfraquecer ainda mais a presidente (confira abaixo). Com as presidências da Câmara e do Senado ocupadas pelos imprevisíveis peemedebistas Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL), as Casas têm se movimentado para, cada vez mais, esvaziar a força do Planalto.

A rebeldia do Parlamento não é exclusividade do novo governo da petista. Mas, agora, as investidas são ainda mais profundas. Por exemplo: enquanto Renan envia o recado de que o Senado pode derrubar a indicação de Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal (STF), o líder peemedebista Eunício Oliveira (CE) trabalha para emplacar projeto, de autoria de Blairo Maggi (PR-MT), que fixa um prazo de 90 dias para a indicação dos magistrados na corte, sob a ameaça de o Senado avocar essa responsabilidade caso o período não seja cumprido. Dilma demorou mais de oito meses para escolher o substituto de Joaquim Barbosa, o que travou julgamentos e levou o ex-advogado do PT José Dias Toffoli a assumir a turma que vai julgar o petrolão.

Com rolo compressor, governo adia votação de redução de ministérios
Dilma e Eduardo Cunha jantam no Palácio da Alvorada
Em outra frente, a Câmara mira a prerrogativa exclusiva do presidente da República de indicar os ministros do STF. Na última quinta-feira, foi instalada a comissão especial que estuda dividir essa competência com o Congresso: a ideia seria alternar as indicações entre o Planalto e o Parlamento ou entre o presidente, a Câmara, o Senado e o próprio STF. Está previsto um prazo inicial de cerca de três meses para a análise da matéria.

"Antes da presidente, é função do Parlamento apresentar projetos e propostas. São temas antigos e que estavam engavetados há anos. Não quero discutir razões ou se é ou não uma atitude para enfrentar Dilma, mas é fato que o Legislativo está passando por um momento de produção. Como a presidente e o poder Executivo estão fragilizados e o Congresso, forte, temos de aproveitar momentos. Política é isso. É a nossa hora de mostrar serviço", afirma o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos mais próximos do presidente Eduardo Cunha. "É uma reação dessa Casa. A relação com o governo passou a ser promíscua. E aquilo que deveria ser autônomo, independente e harmonioso, não existe mais na relação. Os poderes do governo são exagerados", completa o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

Na esteira do ajuste fiscal, o PMDB, um dos principais beneficiados no loteamento de cargos na Esplanada, agora defende a redução de ministérios: quer enxugar as pastas de 38 para vinte. Na última quinta, às vésperas de Henrique Alves (PMDB) tomar posse no Ministério do Turismo, o partido negociava a aprovação da matéria na Comissão de Constituição e Justiça. A ideia - outra investida de Eduardo Cunha - é alterar artigo da Constituição que diz que "A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública" e incluir a previsão de que o número não poderá "exceder a vinte". Petistas tentam convencer os parlamentares que a matéria é inconstitucional por ferir artigo da carta que determina que a criação e extinção de ministérios são iniciativas do presidente da República.

"O Congresso tem funcionado de forma mais independente. Isso é fruto do momento em que o Executivo se encontra fragilizado e as instituições têm que continuar. Não pode parar o país", diz o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). "Os que são contrários à redução de ministérios têm tentado embaralhar as coisas. A proposta não mitiga a previsão da presidente de organizar o governo. Caberá a ela fazer a distribuição, mas haverá um parâmetro que não poderá ser ultrapassado. Mais grave que a crise do governo, é a crise econômica do país", acrescentou.

Acuada, Dilma se viu obrigada a fazer um afago ao presidente da Câmara: convidou Cunha, na última quinta-feira, para um jantar a sós no Palácio da Alvorada para apaziguar a relação. Ela sabe que, à frente da Câmara, o peemedebista tem poder de complicar ainda mais sua vida política. Está nas mãos dele, por exemplo, dar prosseguimento ao projeto de instalação do parlamentarismo no Brasil. Na prática, o que já vem ocorrendo em Brasília.

domingo, 19 de abril de 2015

Vaccari, o homem dos presidentes.

A prisão do tesoureiro do PT mostra que o partido atuava no governo como uma organização criminosa e envolve a campanha da presidente Dilma Rousseff no escândalo da Petrobras

No começo deste mês, a presidente Dilma Rousseff fez uma pausa em sua agenda de trabalho para discutir o rumo das investigações do petrolão, o maior esquema de corrupção da história do país. Numa conversa reservada, ela se mostrou impressionada com os depoimentos prestados por Pedro Barusco, o ex-gerente da Petrobras que acusou o PT de embolsar até 200 milhões de dólares em propinas arrecadadas de fornecedores da companhia. Sobre a forma, a presidente disse que Barusco era detalhista e organizado. Sobre o conteúdo, foi taxativa: "Ele entregou o Vaccari", declarou, referindo-se ao tesoureiro petista, João Vaccari Neto. Para a surpresa do interlocutor, a presidente não demonstrou apreensão. Depois de afirmar que o tesoureiro não tinha relações políticas com ela, Dilma insinuou que, se alguém deveria estar preocupado, esse alguém era o ex-presidente Lula. Naquela mesma semana, em um encontro em São Paulo, o antecessor também se fez de desentendido. A um petista graduado, Lula, mais uma vez, representou seu papel predileto, o do Capitão Renault, que no clássico Casablanca embolsa um envelope com seus ganhos na noite, enquanto finge surpresa com a descoberta do cassino em funcionamento no Ricks Cafe. Disse Lula Renault: "Eu quero saber se tem rolo nessas transações".

Desde 2003, quando o PT assumiu o poder, Lula nunca mais soube de nada. No caso do petrolão, não é diferente. Desde a eleição passada, quando se trata do esquema de corrupção, Dilma lava as mãos e posa como saneadora da Petrobras. Os dois querem se afastar de Vaccari, mas as informações colhidas pelas autoridades mostram que o "mochila" - ou Moch, como o tesoureiro era chamado - é um operador a serviço dos dois presidentes. Um operador que agora está preso e, na condição de investigado e encarcerado, tende a aumentar o desgaste da imagem do governo, do PT e de seus dois principais líderes. No fim do ano passado, o detalhista Barusco declarou às autoridades que agiu em parceria com Vaccari e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, a fim de levantar dinheiro sujo para os cofres petistas. Vaccari nunca explicou por que se reunia tanto com Barusco e Duque, e sempre insistiu na tese de que as empreiteiras fizeram doações ao partido dentro da lei. Se no mensalão tudo não passara de "caixa dois", como alegara Delúbio Soares, o primeiro tesoureiro do PT preso, no petrolão tudo agora seria "caixa um", ou financiamento legal, na novilíngua de Vaccari, o segundo tesoureiro do PT preso num prazo de um ano e meio.

Essa versão já havia sido desmentida por empresários. Eles confirmaram que pagaram propina e que o tesoureiro usou a Justiça Eleitoral para esconder o crime. A novidade é que Vaccari, segundo as autoridades, também praticou o bom e velho "caixa dois", que teria custeado uma despesa da primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff. Ao determinar a prisão dele, o juiz Sérgio Moro relatou informações prestadas por Augusto Mendonça, executivo da Setal. Um dos delatores do petrolão, Mendonça disse que, em 2010, Vaccari determinou a ele que repassasse 2,5 milhões de reais à Editora Atitude, controlada por sindicados ligados à CUT e ao PT. O dinheiro, de acordo com o delator, foi descontado da propina que a empreiteira devia ao partido como contrapartida por contratos na Petrobras. Os pagamentos começaram a ser realizados em junho daquele ano. Três meses depois de a Setal começar a desembolsar a propina, na véspera da eleição, a gráfica imprimiu 360 000 exemplares da Revista do Brasil, edição que trazia na capa a pré-candidata Dilma Rousseff e o título "A vez de Dilma".

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) puniu a gráfica por propaganda eleitoral irregular a favor da petista. Depois de eleita, Dilma nomeou o ex-vice presidente da CUT José Lopez Feijóo, um dos comandantes da Editora Atitude, para um cargo de destaque na Secretaria-Geral da Presidência, onde ele despacha até hoje. Disse o juiz Moro: "Observo que, para esses pagamentos à Editora Atitude, não há como se cogitar, em princípio, de falta de dolo dos envolvidos, pois não se trata de doações eleitorais registradas, mas de pagamentos efetuados, com simulação, total ou parcial, de serviços prestados por terceiros, a pedido de João Vaccari". Como estratégia de defesa, Dilma tenta erguer uma espécie de cordão sanitário entra ela e o tesoureiro do PT. A suspeita de caixa dois põe em xeque a solidez dessa barreira, que também está ameaçada por outros dados de conhecimento das autoridades. Após a descoberta do mensalão, o PT adotou um novo modelo de arrecadação e instituiu dois tesoureiros - um para o partido, outro para o candidato a presidente. Dilma alega que Vaccari atuava apenas para o partido. Não é bem assim.

sábado, 18 de abril de 2015

Os negócios suspeitos de Palocci, que recebeu dinheiro por contratos feitos de boca - Por Ricardo Noblat

Em três de dezembro de 2010, dia em que foi anunciado como o chefe da Casa Civil da recém-eleita presidente da República Dilma Rousseff, Antonio Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP), ex-ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, recebeu R$ 1 milhão do escritório de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça nos dois mandatos de Lula. O dinheiro foi depositado na conta da Projeto, sua empresa de consultoria.

Duas semanas depois, recebeu mais R$ 1 milhão. Aos R$ 2 milhões somaram-se R$ 3,5 milhões recebidos por Palocci durante a campanha e a pré-campanha de Dilma. No total foram 11 pagamentos. Com um detalhe que nada tem de insignificante: todos os pagamentos foram feitos sem contratos que os justificassem. Contratos feitos de boca. É o que conta reportagem de capa da revista ÉPOCA, que chegará às bancas neste sábado.

Qual a origem do dinheiro repassado a Palocci pelo escritório de Thomaz Bastos, que morreu no ano passado? O grupo Pão de Açúcar, dizem os advogados de Palocci e os que trabalhavam com Thomaz Bastos. Médico sanitarista, ocupado na época com as tarefas de campanha de Dilma, Palocci teria assessorado o grupo do empresário Abílio Diniz a se fundir com as Casas Bahia. Mas ele fez exatamente o quê? Durante quanto tempo?

A consultoria Estáter, contratada de forma exclusiva pelo Pão de Açúcar para tocar a fusão, informou ao Ministério Público Federal (MPF) que Palocci não prestou qualquer serviço. Em ofício ao MPF, o Pão de Açúcar disse que “em função da relação de confiança desenvolvida” é comum que os “serviços de assessoria jurídica sejam contratados de modo mais informal”. Procurado por ÉPOCA, o Pão de Açúcar informou que não vai se pronunciar.

Em 2010, segundo a revista, Palocci recebeu, ao menos, R$ 12 milhões em pagamentos considerados suspeitos pelo MPF. Além dos pagamentos do escritório de Thomaz Bastos, supostamente em nome do Pão de Açúcar, os procuradores avaliaram como suspeitos os pagamentos do frigorífico JBS e da concessionária Caoa. Eles somam R$ 6,5 milhões. São suspeitos porque Palocci também não conseguiu comprovar que prestou serviços às duas empresas.

Palocci disse ter recebido dinheiro do grupo JBS para ajudar a buscar negócios no mercado de frango, nos Estados Unidos. O grupo nega que tenha pagado qualquer soma a ele. O JBS, em 2010, foi o campeão em doações para a campanha de Dilma – R$ 13 milhões. No ano passado, doou R$ 70 milhões. Palocci disse que foi pago pela Caoa para lhe arranjar um sócio na China. A Canoa também nega. Todo esse dinheiro recebido pelo ex-ministro foi parar aonde?

Não é fora de propósito, como desconfia o MPF, que todo ou parte do dinheiro tenha sido injetado na campanha de Dilma via Caixa 2.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vaccari pagou gráfica ligada ao PT com dinheiro de propina - Por Felipe Frazão, Laryssa Borges e Alexandre Hisayasu.


Os investigadores da Operação Lava Jato descobriram indícios de que o o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal em São Paulo, usou recursos desviados da Petrobras e da Sete Brasil para quitar dívidas com uma gráfica ligada ao partido – e que foi multada por fazer campanha irregular para a presidente Dilma Rousseff em 2010. A informação surgiu em depoimento do executivo Augusto Ribeiro, da Setal Oléo e Gás (SOG), ao Ministério Público Federal e foi uma das razões listadas pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba (PR), para decretar a prisão preventiva do petista.

A mando de Vaccari, duas empresas controladas por Augusto Ribeiro – Tipuana e Projetec – realizaram pagamentos que somam 1,5 milhão de reais à Editora Gráfica Atitude, entre 2010 e 2013, por meio de repasses mensais. Os depósitos foram comprovados pelo Ministério Público. Ribeiro disse, porém, que Vaccari teria pedido o pagamento de 2,5 milhões de reais em troca de supostos anúncios impressos em revistas da gráfica e editora.

Em 2012, a Gráfica Atitude foi multada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por distribuir revistas e jornais impressos para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e que foram considerados propaganda ilícita a favor da campanha da presidente Dilma Rousseff. De acordo com a então ministra do TSE Nancy Andrighi, o Jornal da CUT, de setembro de 2010, e a Revista do Brasil, da Editora Atitude, de outubro de 2010, publicados também no site da central sindical, enalteceram Dilma e fizeram propaganda negativa sobre o então candidato do PSDB à Presidência, José Serra. A gráfica e a CUT foram obrigadas a pagar 15.000 reais cada como multa.

O juiz Sérgio Moro descreveu a operação financeira como uma “espécie de doação não-contabilizada” – caixa dois. “Observo que, para esses pagamentos à Editora Gráfica Atitude, não há como se cogitar, em princípio, de falta de dolo dos envolvidos, pois não se tratam de doações eleitorais registradas, mas pagamentos efetuados, com simulação, total ou parcial, de serviços prestados por terceiro, a pedido de João Vaccari Neto”, anotou o magistrado.

A Justiça Federal suspeita que a gráfica tenha simulado serviços e que tenham sido usados contratos de gaveta de compra de anúncios para justificar os pagamentos. “Segundo essa nova revelação, os recursos criminosos teriam sido utilizados não só para a realização de doações registradas ao Partido dos Trabalhadores, mas também para a realização de pagamentos por serviços, total ou em parte, simulados pela referida Editora Gráfica Atitude, isso por indicação de João Vaccari Neto”, escreveu Moro.

O Ministério Público Federal pediu ao juiz a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Gráfica Atitude para saber se a empresa recebeu recursos de empreiteiras envolvidas no “clube do bilhão”. “Essa gráfica tem histórico de ligações político-partidárias e está, sim, sendo investigada no esquema de corrupção com o Vaccari”, disse o delegado da PF Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, no Paraná. (…)

ESTRELAS E LUARES - Por Xico Bizerra

Ficava na parte alta da cidade e tinha nome de mulher: Cristina’s, assim mesmo, com apóstrofo e tudo. Lugar chique, o jantar era servido à sombra do céu e com a mesa salpicada de luares. Isto é o que me disseram, lá nunca fui. Até que passei pertinho, certa noite, e vi o neon anunciando a casa, mas não entrei; nem podia, era apenas um estudante e só em sonho poderia entrar ali. Soube, tempos depois, que o restaurante fechou: o proprietário vendia ilusão e ilusões. À chegada da Polícia, escondiam-se sob as mesas algumas estrelas brancas e um raio prateado de luar. Os lustres estavam apagados e as toalhas sujas de lagosta. Chovia.

Xico Bizerra.

PF prende tesoureiro do PT em nova fase da Operação Lava Jato - por Fausto Macedo, Andreza Matais e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso nesta quarta-feira, 15, em nova fase da Operação Lava Jato. O petista foi preso em casa, em São Paulo, e vai ser deslocado para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

A  PF também cumpre mandado de condução coercitiva contra a mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, e de prisão temporária contra a cunhada do petista, Marice Correa Lima, suspeita de estar envolvida com o esquema de corrupção investigado na Lava Jato. O delegado ouviu a mulher de Vaccari em casa, segundo o advogado dela, e abriu mão de levá-la para a delegacia a fim de tomar seu depoimento como previa o mandado. Ela foi ouvida em casa para evitar o custo de transportá-la até Curitiba e depois trazê-la de volta a São Paulo.

O petista foi denunciado criminalmente por ser apontado pelos investigadores da força-tarefa como operador de propina do PT no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás. Ele é acusado de receber para o PT um porcentual da diretoria de Serviços da Petrobras na época em que era comandada por Renato Duque. O petista responde no processo pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Vaccari é foco de sete frentes de investigação pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato.

Nesta fase, estão sendo cumpridas quatro ordens judiciais: um mandado de busca e apreensão, um de prisão preventiva, um de prisão temporária e um de condução coercitiva. Todos em São Paulo.

Na semana passada, em depoimento à CPI da Petrobrás na Câmara,  Vaccari negou envolvimento com pagamentos de propina. Aos parlamentares da comissão instalada na Casa para investigar irregularidades na estatal, o tesoureiro do PT alegou inocência e isentou o partido de envolvimento em malfeitos supostamente cometidos na Petrobrás.

Em seu depoimento, ele tentou também desqualificar as acusações que pesam contra ele em delações premiadas feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás; Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da estatal; Alberto Youssef, doleiro e um dos principais focos da Operação Lava Jato; e Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal.

“As afirmações que são feitas nas delações premiadas, no que se refere à minha pessoa, não são verdadeiras”, repetiu à exaustão durante a sessão da CPI, na semana passada.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Festa de São Raimundo.



No penúltimo dia da festa, o ponto mais alto! Era o leilão. A parte mais rendosa para o padroeiro e onde os homens de dinheiro iam confrontar seus brios. Prendas oferecidas numerosas, de todos os tipos e versidades: um garrote oferecido por José Bitu, duas arrobas de algodão doadas por Manuel Leandro, do Sanharol, duas sacas de arroz ofertadas por Ildefonso das Panelas, um bolo oferecido por Dona Maria Vitoria, um pão de arroz com amendoim mandado por Mariazinha de Cirilo. Um isto, um aquilo, e lá se ia noite adentro Vicente de Sousa no pregão.

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. É do Cel José Correia que botou vinte mil reis. Era dinheiro pra chuchu. O padre na mesa ao lado fazia suas anotações e sorria.

Como desde do começo do mundo, rapazes e moças, fazem seus namoricos, não faltam aqueles cochichos, aqueles suspiros e confidências. onde Mundinho se derrete de amor, dizendo a Mundinha: meu coração por te gela, ouvindo dela, num sussurro, meus olhos por te são. Romances de poucas paginas e pouco futuro, noventa por cento davam em nada vezes nada, um verdadeiro chove-não-molha. Dez por cento, ainda são como sementes que podem germinar. Acabada a festa, no balaio das recordações, umas alegrias murchas, umas magoas ressecadas. Afinal a vida é assim mesmo. Se tudo fosse doce de leite...Tinha Graça?

Você, meu... ou minha jovem da moderna geração, aproveite sei gás, Porque a mocidade é como a lótus - floresce uma só vez. Você terá que contar daqui a 77 anos como-foi-que-foi a festa de São Raimundo em 1995.

Dr. Jose Ferreira.

JOÃO PEDRO - FELIZ ANIVERSÁRIO


O seu tempo é mágico.
Bruxas,
fadas,
duendes
povoam seus sonhos.
Na sua realidade
os brinquedos ganham vida
e tanta fantasia,
às vezes espanta,
nos encanta.
De seu sorriso puro,
de sua ingenuidade,
a mentira não faz parte.
Você não tem vergonha
de extravasar sua sensibilidade.
Brinca,
pula,
grita,
chora,
reclama,
abraça,
faz graça,
não guarda rancor.
Não entende a dor,
o abandono,
pois você é amor.
Sonhe criança,
cresça,
mostre ao homem
que sua lição de verdade
pode conduzir à Fraternidade.

Comentário do Blog:

João Pedro brincava nos arredores de casa, com as suas ferramentes, seguido por seu amigo inseparável, um carneirinho enjeitado pela mãe e adotado por ele. Cantando um hino religioso foi surpreendido pelo pai que filmou para nosso encanto.

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sábado, 11 de abril de 2015

Cem dias sem rumo

Em 1º de janeiro deste ano, ao tomar posse diante do Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff prometeu: "Dedicarei obstinadamente todos os meus esforços para levar o Brasil a iniciar um novo ciclo histórico de mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no fortalecimento de uma política econômica estável, sólida, intolerante com a inflação, e que nos leve a retomar uma fase de crescimento robusto e sustentável, com mais qualidade nos serviços públicos". Passados exatos cem dias deste então, fica cada vez mais claro que Dilma não tinha razões para tanto otimismo. Quando a apertada vitória da petista se confirmou em outubro passado, reportagem do site de VEJA apontava a tempestade perfeita que cercava o segundo mandato da presidente. Já estavam dados os ingredientes da crise: o escândalo do petrolão atingia em cheio o governo e o PT, a economia encolhia enquanto a inflação aumentava. De janeiro até aqui, a fracassada articulação política de Dilma somou a este grave cenário uma rebelião da base aliada no Congresso - e azedou ainda mais a relação da presidente com o próprio partido e seu antecessor e criador, o ex-presidente Lula.

Hoje o país acumula inflação de 8,13% em 12 meses (a maior desde dezembro de 2003) e previsão de retração econômica de 1% em 2015, segundo estimativas do mercado. Em cem dias - e por sua própria responsabilidade - o governo Dilma foi arrastado para uma perigosa espiral: a crise econômica e os escândalos de corrupção erodem a popularidade da presidente (62% dos brasileiros reprovam seu governo, segundo pesquisa Datafolha), cada vez mais refém de uma base fragmentada no Congresso - o que dificulta a aprovação de projetos caros ao Planalto. Diante desse quadro, o governo fica impedido de apresentar uma resposta que ajude a reerguer a popularidade de Dilma. Irritado com as tentativas do Planalto de reduzir a participação do partido no governo, o PMDB age hoje quase como uma sigla de oposição. E mais: tornou o Executivo de tal forma dependente do Congresso que o presidencialismo brasileiro já se assemelha a uma forma bastarda de parlamentarismo. Nem dentro do próprio partido Dilma encontra refresco: contrário às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, o PT tem dado tanto trabalho ao Planalto no Congresso quanto os opositores. Tendo seu grupo inicialmente alijado do núcleo duro do governo, Lula não poupa a pupila de críticas públicas. O ex-presidente teme que um eventual fracasso da gestão Dilma interfira em seus planos de retornar ao poder em 2018.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

13 anos depois, finalmente a transposição do Ria São Francisco é inaugurada.


Senado recebe pedido de impeachment do ministro do STF Dias Toffoli

A Secretaria-Geral da Mesa do Senado recebeu na tarde desta quinta-feira (9) uma denúncia de crime de responsabilidade contra o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Se acolhida, ela pode resultar em processo de impeachment.

O responsável pela denúncia é o procurador da Fazenda Nacional Matheus Faria Carneiro, que ressaltou que realizou o ato na condição de cidadão, não em função de seu cargo.

— Vim aqui exercer um ato de cidadania, com as prerrogativas que a Constituição me dá, buscando restabelecer o sentimento de que os agentes públicos devem prestar contas a seus administrados e a seus jurisdicionados. Acho que este ato pode ser o início de um novo paradigma, de outros cidadãos fazerem o mesmo também. Eu sou só mais um — explicou.

O gabinete do ministro Dias Toffoli não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.

Justificação

Carneiro argumenta que o ministro Toffoli teria incorrido em crime de responsabilidade ao participar de julgamentos em que deveria ter declarado suspeição. O procurador cita o caso específico do Banco Mercantil, onde o ministro contraiu empréstimo em 2011. Posteriormente, Toffoli participou de julgamentos que envolviam o banco.

— Ele foi relator e julgou ações em que era parte o Banco Mercantil. Ao fazê-lo, julgou em estado de suspeição. Não interessa se julgou a favor ou contra o banco, mas o fato é que não poderia julgar. Ao julgar, incorreu em crime de responsabilidade. São fatos objetivos e notórios, não há discricionariedade [na denúncia] — afirmou Carneiro.

O procurador também disse esperar que o Senado acolha a denúncia e dê andamento ao processo de investigação contra o ministro. Para ele, a Casa tem a obrigação de levar o caso adiante por ser parcialmente responsável pela nomeação de Toffoli – os ministros do STF devem passar por sabatina no Senado e ter seus nomes aprovados pelo Plenário antes de serem empossados.

— O Senado, assim como o sabatinou, tem o dever perante a sociedade de fazer cumprir a lei, apurar os crimes que eu denuncio e responsabilizá-lo. Não espero nenhum tipo de justiçamento. Espero que ele tenha direito ao contraditório e à ampla defesa.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Um dia de vexames - O Estado de S. Paulo - Eliane Cantanhêde

Até quando a presidente Dilma Rousseff cede e estende a mão, o PMDB não se comove e deixa a presidente com a mão abanando e à mercê de um "exército" cada vez mais dividido e incapaz de garantir suas trincheiras: a CUT, o MST e aliados, que levaram só 41 mil pessoas às ruas de São Paulo em 13 de março, segundo o Datafolha, prometeram levar 10 mil ontem e tudo o que conseguiram foram meros 260.

Enquanto Dilma se digladiava no Planalto com o vice Michel Temer e o ex-quase-futuro ministro da articulação política Eliseu Padilha, manifestantes trocavam pauladas e cacetadas com a polícia na frente do Congresso, sob ataque de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Os atos de São Paulo, Brasília e outras capitais, fracassados, tinham duas motivações: condenar a terceirização de trabalhadores e defender Dilma. Ambas dividem as centrais.

Dilma fez uma pausa para pensar na Semana Santa sobre como recuperar o controle da situação e sobre as propostas do ex-chefe e eterno mentor Lula, que há tempos insiste em tirar Aloizio Mercadante da Casa Civil e Pepe Vargas da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política com um Congresso em pé de guerra.

Já na segunda-feira, Dilma reuniu a coordenação política ampliada (com PMDB, PSB e PC do B, não só o PT), marcou encontro com líderes partidários na terça e soprou a ouvidos atentos que poria o PMDB na articulação política.

Jogar Mercadante ao mar seria demais, Dilma não chega (ainda) a tanto. Mas Pepe Vargas, coitado, já devia ter providenciado a boia salva-vidas desde o início, não só porque o cargo ejeta um político atrás do outro, mas também porque ele não tem força política para missão tão complexa.

Com a troca, portanto, Dilma queria resolver um problema e agradar tanto a Lula quanto ao indomável PMDB. Entregou os anéis (Pepe Vargas), para tentar manter os dedos (Mercadante).

Ela, porém, errou na forma, como sempre. Toda a manobra foi parar na imprensa e na internet antes de duas providências elementares na política e na vida: avisar os interessados diretos. Pepe Vargas ficou sabendo pelos jornalistas, o que é motivo para abatimento e revolta. E a cúpula do PMDB reclamou que não sabia sobre o cargo nem sobre o escolhido.

Vamos a ele. O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) foi ministro dos Transportes no governo Fernando Henrique Cardoso e vivia sendo chamado ao Planalto para discutir rumos e avaliar as possibilidades de vitória ou derrota em grandes votações no Congresso. Era um aliado de ponta dos tucanos, vivia apanhando dos petistas.

Mudou de lado radicalmente, como se vê, mas manteve seu grande trunfo: o de conhecer bem os meandros do Congresso e ter uma espécie de planilha mágica que antecipa resultados em decisões fundamentais em plenário. Dilma anda precisando muito dessa expertise, depois das suas sucessivas derrotas, mas não foi só por isso que ela se esforçou para atrair Padilha para o centro do poder. Foi também para tentar, inutilmente, reduzir o grau de beligerância dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.

Foram os próprios Cunha e Renan os primeiros a desdenhar do convite, até Padilha argumentar "questões pessoais" e dizer que prefere ficar onde está, na insípida Secretaria de Aviação Civil. Resultado: a ação de Dilma foi um desastre. O PMDB humilhou Dilma e ela tenta driblar o vexame pendurando a articulação política na Vice-Presidência.

Agora, pensemos juntos: que político prefere uma secretaria técnica à nobre articulação política, com gabinete no Planalto, a passos da mesa presidencial? Só um, como Padilha, que seja de um partido em pé de guerra com o(a) presidente da República.

Logo, a guerra continua. Nos bastidores do poder e nas ruas, uma alimentando diretamente a outra. Ah! E o domingo, 12 de abril, vem aí!

terça-feira, 7 de abril de 2015

TÁ AQUI QUE DONA FIDERALINA MANDOU - Por Antonio Morais

Ildefonso Lacerda Leite, médico que logo depois de formado pela Faculdade do Rio de Janeiro, começou a exercer a profissão em Princesa, terra de seu pai, Luiz Leônidas Lacerda Leite, marido de Joana Augusto Leite, filha de Fideralina. Lá, Ildefonso casou-se com Dulce Campos, filha de um chefe político do município, Cel. Erasmo Alves Campos.

Com esse casamento o doutor arranjou um inimigo, Manoel Florentino que desejava ter Dulce por esposa e enraivado ao vê-la se casar com um forasteiro juntou-se a José Policarpo, ex-aluno do Seminário da Paraíba e ligado ao vigário de Princesa, Pe. Manoel Raimundo Donato Pita e resolveu se vingar de Ildefonso.

Em 6 de janeiro, feriado de Dia de Reis, Florentino e Policarpo mataram com uma punhalada no peito e um tiro no coração, o neto de Fideralina. O moço ia à farmácia providenciar remédios para aliviar aos antojos da mulher. Após o crime tentaram os criminosos enterrar o cadáver. Mas, por imperícia deixaram o corpo com os pés de fora. Vingança pior aguardava a dupla de assassinos!

Dona Fideralina reuniu no Sítio Tatu os cem cabras que havia conseguido juntar com a ajuda de outros coronéis da região. Tudo isso, para vingar a morte do seu neto. Ildefonso Lacerda Leite, assassinado em Princesa - PB. A Velha Fideralina despachara seu estranho exército com a incumbência de lhe trazer as orelhas de cada um dos assassinos do neto.

Não era à toa que se dizia nas Lavras que a velha do Tatu rezava toda noite num rosário feito das orelhas dos seus inimigos mortos. Depois dos seus cabras entrarem em Princesa e fazer o serviço, arrancaram as orelhas dos assassinos do neto da matriarca e disseram a célebre frase: "Tá aqui que Dona Fideralina mandou!".

Esse crime de princesa, ocorrido em 1903, marca o início da projeção de Dona Fideralina para além dos sertões do Cariri, e a extensão da sua influência junto ao governo do Estado do Ceará.

domingo, 5 de abril de 2015

COITADINHO - Por Xico Bizerra.

Perdeu pouco mais de um minuto para ser atendido na fila do Banco. Na saída, pegou o ônibus, com ar condicionado, que já o esperava, sem atraso e sem nenhum assaltante a bordo. Em casa, viu que a Velox atendeu ao seu pedido e consertou a Internet. Estava novamente ligado ao mundo. Suas contas, todas em dia, assim como sua saúde, estavam perfeitas. Sem problemas. Os amigos, vários, estavam presentes quando convocados a agir. A família, desde sempre unida, cada vez mais se unia. Ganhara um neto, bonito, saudável. Fazia tempo não recebia ligações de tele-atendimento. Estava até se familiarizando com a nova regra ortográfica, colocando com perfeição as crases, os hífens. Nada a reclamar. Mas nem tudo são flores: sua TV não mais sintonizava o BBB. Qual o destino dos participantes? Quem ficaria rico? Qual deles se tornaria a ‘celebridade’ maior? Quem posaria pra Playboy? Pobre infeliz sem TV.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Fideralina - A matriarca de Lavras - Por Antonio Morais


Casou-se aos 15 anos de idade com o Major da guarda nacional Ildefonso Correia Lima de Várzea-Alegre, filho de Raimundo Duarte Bezerra, papai Raimundo. Fideralina tinha fama de mandona, tanto que a família do marido não aprovava a união. Mas a submissão de Ildefonso não foi duradoura faleceu aos 42 anos de idade deixando 12 filhos e um grande poder politico logo assumido pela mulher. Na família Sabóia, vivia a lenda de Dona Federalina, a matriarca de Lavras, chefe do clã dos Augustos, senhores de baraço e cutelo na sua região.

Major Ildefonso Correia Lima,  esposo da Fideralina, filho de Papai Raimundo.

Dr. Gilberto Sabóia, recém formado bacharel em Recife, fora nomeado promotor de Lavras, e como tal integrado na elite lavrense. Como tal foi convidado a uma festa dada no sitio Tatu. Dr. Gilberto era um moço bonito, usava pince-nez, bigodinho louro, e em um retrato de álbum de família aparece de terno claro, colete estampado, flor na botoeira que já era uma ousadia de dandy. Já então gostava de tomar umas e outras e principalmente quando o caso era de festa. A festa tinha banquetes e tinha danças. As moças se enfileiravam sentadas, ao longo de uma parede e quando a musica rompia os galãs vinham, curvados, solicitar a honra daquela valsa. Dr. Gilberto não sei porque se engraçou de uma mocinha meio insossa, encabulada, talvez feiosa, por nome Zefinha. E só na quarta contra-dança ele descobriu que se tratava da própria filha da dona da casa. E pela boca de Zefinha mesmo, que também tomou os seus cálices de ponche e enquanto saltitava uma polca, piscou o olho para ele. A mãe já está de olho em nós, Dr. Gilberto. Mãe? Que mãe? Minha mãe! A velha Fidera, olhe. Realmente, na sua cadeira autriaca dona Fideralina traçava o seu copinho de conhaque, dava uma palavra ou outra ao vigário sentado perto e punha um olho especial no casal constante. Dr. Gilberto teve até a impressão de que dona Fideralina também piscava para ele e piscou de volta. Zefinha mostrava-se meio agitada, e, para acalmar e acalmar-se levou a mesa do ponche, enquanto ele próprio se fortalecia, com um licor mais vigoroso. A vigilância da velha parece que os espicaçou e até a saída dos músicos, manha já clara, dançaram todo tempo juntos, de feição como se diz lá. De um em um saiam os convidados. Mas um pequeno grupo ia se formando. Afinal o promotor, mais que alegrete, despediu-se floridamente de Zefinha, cheia de rubores, e foi beijar a mão da dona do Tatu. Dona Fideralina deu um balancinho na cadeira: Já quer ir Doutor? Tenha paciência e espere, agora é polca. Dr. Gilberto ficou nervoso, não sabia bem porque, se devia a brabeza da velha. Espera de que, minha senhora? A velha Fidera sorriu: tomou um gole de zinebra, do casamento, Doutor, o padre foi buscar os paramentos. Dr. Gilberto não entendia, ainda, e exclamou eufórico: Casamento? Eu adoro casamento, de quem? Dona Fidera se levantou: o casamento seu com a Zefinha, então o Senhor pensava que ia passar a noite inteira dançando de feição com minha filha e de manha não casava com ela? O primeiro impulso do promotor foi fugir, mas em cada saída do salão esvaziado avistou um cabra armado, cara fechada, cumprindo ordens. Chegou um moleque com os paramentos do padre, trouxeram um santo do oratório, nesse tempo, ainda não existia o casamento civil.
Dr. Gilberto levou a mulher para o Amazonas, onde fez nome como advogado em Manaus. Depois seguiu para o Rio de Janeiro, tiveram vários filhos. Zefinha sempre o tratou por Dr. Gilberto e em dia algum sentou-se a mesa com ele.