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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 31 de julho de 2010

MOTE DO BIDIM - Por Mundim do Vale

Eu nasci em um sítio e trabalhava
Me recordo das roças que formei
E das árvores que muito derribei
E até das sementes que plantava
As tardinhas quando em casa chegava
Sempre as noites saía a passear
Hoje em dia eu faço é me deitar
Não trabalho, e só vivo com enfado
O COSTAL DA VELHICE É TÃO PESADO
QUE QUEM PEGA SÓ ANDA DEVAGAR.

Fui criança, fui jovem e fui adulto
Na infância dormia muito cedo
Sonhei muito, mas não com segredo
Que a velhice guardava tão oculto
Não sonhei nem ao menos com o vulto
Da velhice que havia de chegar,
Com os jovens vivi em um altar
Com os velhos me sinto retardado
O COSTAL DA VELHICE É TÃO PESADO
QUE QUEM PEGA SÓ ANDA DEVAGAR.

Raimundo Lucas Bidinho.
Várzea Alegre, 19 de agosto de 1999.

Mote transquito conforme o original mandado pelo poeta em 1999.

Salve a internet - Por A. Morais

No dia Primeiro de Abril de 2009 reproduzimos uma postagem da Mary Zaidan no Blog do Sanharol, com o titulo “Dane-se o Pais”. Recebemos o comentario abaixo da Junia M. Horta, sua ex-colega de Colegio e reproduzimos na integra.
Oi Mary,
Tudo bem???
Que bom que te encontrei!!!
Sou Junia, estudei com vc no colégio Nossa Senhora das Dores, B. Floresta - BH, no antiogo Ginásio, lembra???
Então eu sempre quis saber notícias suas e não conseguia nada. Um dia, uma outra colega de turma, da mesma época, comentou que vc era jornalista. E hoje resolvi procurar por vc na internet. E achei!!!!
Viva!!! Outra coisa, tenho um caderno de Recordações, daquela época,lembra que fazíamos??? Com um desenho seu, liiiiindo!!!!
Uma borboleta. Se tiver jeito, sou capaz de enviar p/ vc esse desenho.
Vi sua foto no Blog do Sanharol.
Adorei! Vc continua muito bonita!.
Achava vc, naquela época de escola, lindinha demais.
Tem e-mail ou blog????
Gostaria muito de manter contato com vc.
Abraços,
Junia M. Horta

Como entender um mistério? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Há alguns dias, eu e Magali fomos convidados para falar para um grupo de jovens casais que se preparavam para a cerimônia de seus casamentos. É claro que além da nossa experiência pessoal, consultamos alguns livros. Num deles, vi algo que muito me emocionou e me transportou aos meus oito anos de idade, nas aulas de catecismo da minha querida e saudosa tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Naquela época, eu me preparava para fazer a minha primeira comunhão. De repente, minha memória me fez ouvir a voz da tia Esmeraldina me perguntando sobre o mistério da Santíssima Trindade: O Pai é Deus? O Filho é Deus? O Espírito Santo é Deus? A cada uma dessas perguntas eu respondia sim, sem nada entender. E acredito que ninguém ainda hoje entenda tais mistérios. Mas lendo o livro “Os Sacramentos” de Dom Hilário Moser*, encontrei uma definição de Deus que satisfaz a quem pensa como eu, em aceitar a existência desse mistério principal da nossa fé. Abaixo, tomo a liberdade de compartilhar com aqueles que se deram ao trabalho de ler até aqui o que rabisco, a mesma emoção que eu senti ao ler as palavras de Dom Hilário.
“O nosso Deus não é um Deus solitário, é um Deus-Família. Ele é Pai que tem um Filho. E o amor que vai do Pai ao Filho e do Filho ao Pai é tão perfeito que é uma Pessoa, o Espírito Santo. Assim, em Deus há uma contínua corrente de amor entre as três Pessoas divinas. O Pai está todo voltado para o Filho, o Filho está todo voltado para o Pai, e o Espírito Santo mantém Pai e Filho voltados um para o outro. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. É difícil para nós, criaturas, entender esse mistério, mas assim é o nosso Deus e é assim que a Bíblia nos fala de Deus.”

Descobrimos que essas sábias palavras têm tudo a ver com a formação de uma família, onde o amor deve fluir entre o casal e os filhos, da mesma forma que circula na suprema divindade. O amor do marido para a mulher, o amor da mulher para o marido deve ser tão intenso quanto o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Isto nada mais é que o reflexo do amor de Deus atuando sobre a família. Se todas as famílias do mundo colocassem esse mistério em suas vidas, vivendo sob o influxo do Espírito Santo, certamente não existiria tantas agressões entre os seres humanos, não haveria guerras, exploração do homem pelo homem e a pobreza; não somente a pobreza material, mas principalmente a pobreza moral, a maior de todas as misérias.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
*Dom Hilário Moser é bispo emérito de Tubarão - SC

ELE VAI DEIXAR NA PORTA - Por Mundim do Vale

João Sem Braço um certo dia brincava com outros garotos no sítio Sanharol e de repente chegou um cidadão e abordou João:
- Ei garoto. Para onde essa estrada vai?
- Meu Sinhô. Eu moro por aqui derna minino e ela nunca saiu daqui pra canto nenhum. Mais se o Sinhô pegá ela e saí no rumo da venta, vai chega lá no Chico.
Tá certo. Como é que você se chama?
- Meu Sinhô. Eu num me chamo, o povo é qui me chama de João Sem Braço.
- Pois me diga, o que você fez com esse braço que está lhe faltando?
- Ele tá escondido dento da cueca. O Sinhô qué vê?
- Não. Quero não. Você é um garoto muito inteligente. Pois me responda como é que eu faço pra chegar até o cu da mãe.
- O Sinhô se acente no colo de pai, qui ele vai le deixar na porta.

Dedicado aos moradores dos sítios; Sanharol, Inharé e Chico

Raimundo Beca - Por A. Morais

Postagem dedicada a Vicente de Assis Meneses.

Raimundo Alves de Almeida, Raimundo Beca de saudosa memória, chegando em casa encontrou sua esposa Maria pelejando para o filho Luiz de 14 anos tomar um leite. Luiz como todo caçula era dengoso. Tome o leite meu filho, não tomo, não quero. Tome pelo menos um pouquinho, não, eu não quero! Num já disse que não quero. Raimundo Beca pacientemente prestava atenção a cena. Em dado momento falou: Maria guarde esse leite. Luiz ponha o chapéu e me acompanhe. Raimundo Beca saiu andando na frente e Luiz de xoto atrás para acompanhá-lo. Passaram pelos Araçás, Catinga Grande, de volta foram ao Baixio do Exu, e, mais ou menos três horas da tarde chegaram em casa na Vazante. Raimundo Beca olhou para Luiz e determinou: Luiz vai buscar as vacas no Sanharol! E Luiz, pai, deixe mãe me dar um leitinho primeiro.

Frase do dia.

“Pere aí, tire com o couro pra vê se doe menos”.
Boca de Fogo.

Certa vez, Luiz Inácio, o conhecido Boca de Fogo, pegou uma navalha, afiou numa pedra de amolar e entregou ao Vicente de Mariana e pediu para que este tirasse sua barba. Detalhe: a barba de Tio Luiz era muito fina, muito sensível, quando Vicente deu duas raspadas, Luiz Inácio gritou: epa! Pere aí! Tire com o couro prá ver se dói menos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

SOU O VALE DO MACHADO - Por Mundim do Vale

Eu sou desse vale amado
Que São Raimundo adotou,
Um lugar abençoado
Onde Deus mais caprichou.
Sou papa de carimã,
Ova de curimatã
E ponche de araticum.
Sou recado de patrão,
Boneco de Damião
Sou criança no tutum.

Sou a pedra que rolou
Da serra até o riacho,
Bananeira que vingou
Mil bananas só num cacho.
Sou Luizão da cachaça,
Sou um comício na praça
Lotado de imbecil.
Sou um voto encabrestado,
Sou eleitor enganado
Nesse canto do Brasil.

Eu sou bacabal jogando
Na posição de zagueiro,
Sou Perna Santa pegando
Numa trave de goleiro.
Eu sou a mão de pilão,
A boca do cacimbão
E o pé de bode afinado.
Sou um canto de bendito,
Sou o careta Antonito
Numa festa de reisado.

Eu sou Zé Júlio fazendo
Pão nosso de cada dia,
Sou João Moreira batendo
Tijolos na olaria.
Eu sou o pistom de Prejo,
Sou rapadura do Brejo,
Sou parelha de verdura.
Sou a rua Antão Bitu,
Beco de Zé de Ginu,
E Alto da Prefeitura.

Eu sou Antônio Firmino
Vendendo fumo na feira,
Sou uma récoa de menino
Pinando na bananeira.
Eu sou o cine Odeon,
Sou tamanco de Abidom
E Harmônica de Bié.
Eu sou a velha avenida,
A lagoa poluída
E a praça de Cuné.

Eu sou Inacim falando:
- Esse ano vai chover.
Sou André do bar botando
Chico Danga pra correr.
Eu sou o motor da luz,
Sou retrato de Jesus
E marreca de represa.
Sou carrapicho em carneiro,
Sou chuva de fevereiro
Sou piau na correnteza.

Sou Manoel de Pedim,
Sou Chico Segunda Feira,
Sou os versos de Bidim
Sou Banca de Bolandeira.
Sou o Arroz embuchando,
Sou o milho pendoando
E sou cabaça de mel.
Sou Recreio Social,
Sou ponte de Zé piau
Sou poço de Seu Abel.

Eu sou o bolo ligado
Que João de Adélia fazia,
Sou o primeiro dobrado
Da salva do meio dia.
Sou lagoa do arroz,
Sou queijo e baião de dois
Sou um homem do roçado.
Sou gente que resistiu,
Sou um pedaço do Brasil
SOU DO VALE DO MACHADO.

Acróstico da minha terra.

Verde como uma vazante
Alegre por natureza
Rimada como amante
Zelada como princesa,
Esculpida é diamante
Agredida é indefesa.

Amada por sua gente
Local de paz e alegria
Espaço para a semente
Germinar a poesia.
Recanto sempre atraente
Estrada da harmonia.

Mundim do Vale

Dedicado aos participantes do blog do Sanharol.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL

É dura, é triste, é cruel
A dor de uma saudade
Quando se teve nas mãos a felicidade...
(Um juramento falso)

PEDRO CAETANO

Por Zé Nilton

Cem anos de Pedro Caetano celebrará sua família ao lado de amigos e fãs no dia 01 de fevereiro de 2011.

Nesta sexta-feira, dia 29, às 20,30 ,iniciando as comemorações do centenário desse compositor de destaque na época de ouro da Música Popular Brasileira, será realizado um grande show no Clube do Choro de Santos-SP, com a presença de sua filha Cristina Caetano.

Informa ainda Cristina Caetano que dentro das comemorações serão realizados trabalhos de restauração de acervo, montagem de um site, edição de livros, songbook e CD. Enfim, a memória do inesquecível e primoroso compositor será preservada.

Pedro Caetano é de Bananal , São Paulo, mas cresceu, viveu, amou e tornou-se um expressivo compositor no Rio de Janeiro. Estáentre os bambas da época, como Ataulfo Alves, Cartola, Ismael Silva, Nássara, Wilson Martins, Ary Barroso. Dividiu a autoria de suas músicas com nada menos de que Pixinguinha, Noel Rosa e Valfrido Silva.

Dono de uma inspiração melódica de grande valor e de uma poética de profunda singeleza, Pedro Caetano deixou sua marca no panteão da História da Música Popular Brasileira, e sua música será eterna como as coisas que tocam a alma. Atentemos para essa poesia adornada por uma melodia que nos enche de raro prazer:

Nova Ilusão(Pedro Caetano)

É dos teus olhos a luz
Que ilumina e conduz
Minha nova ilusão
É nos teus olhos que eu vejo
O amor e o desejo
Do meu coração...
És um poema na terra
Uma estrela no céu
Um tesouro no mar
És tanta felicidade
Que nem a metade
Eu consigo exaltar...
Se um beija-flor descobrisse
A doçura e a meiguice
Que teus lábios tem
Jamais roçaria, as asas brejeiras
Por entre roseiras
Que são de ninguém...
Óh, dona do sonho,
Ilusão concebida
Surpresa que a vida,
Me fez das mulheres,
Há no meu coração
Uma flor em botão
Que abrirás se quiseres.

Outra vez estaremos prestando a homenagem a Pedro Caetano através do programa Compositores do Brasil. Associamo-nos às alegrias dessa festa que sua filha Cristina Caetano está coordenando, e que gentilmente nos procurou, através do Blog Caririag, em contato com o prof. Carlos Rafael, para agradecer pelo programa que realizamos em fevereiro último.

Compositores do Brasil, um pouco da história e das músicas de Pedro Caetano.
Na sequencia:

SETE E MEIA DA MANHÃ, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, com Dircinha Batista
UM JURAMENTO FALSO, de Pedro Caetano com Orlando Silva
É COM ESSE QUE EU VOU, de Pedro Caetano com Elis Regina
FLOR DE LARANJEIRA, de Pedro Caetano Carlos Galhardo
SANDÁLIA DE PRATA, de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho com Francisco Alves-Sandalia de Prata
O QUE SE LEVA DESSA VIDA, de Pedro Caetano com Ciro Monteiro
ONDE ESTÃO OS TAMBORINS, de Pedro Caetano com Quatro Ases e um Coringa
CAPRICHOS DO DESTINO, de Pedro Caetano com Orlando Silva
LEVEI UM BOLO, de Pedro Caetano, com Almirante
DISSE ME DISSE, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, com Aracy de Almeida
EU BRINCO, de Pedro Caetano com Carlos Galhardo brinco
FOI UMA PEDRA QUE ROLOU, de Pedro Caeteno com Vassourinha
O SAMBA AGORA VAI, de Pedro Caetano com Quatro Ases e um Coringa
DUAS VIDAS, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz com Orlando Silva
SALVE O AMÉRICO, de Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho com Cristina Buarque e a Banda Glória
Quem ouvir verá!
Programa COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri
Todas as quintas-feiras, de 14 às 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com

Frase do dia - Por A. Morais

“Quem é rico come com carne, com queijo, com galinha e quem é pobre como com açúcar, come dagua no sal, come com a puta que pariu”.

Zé Chato.

Historia.

Quem conheceu Zé Chato e Jorvina, morando no Sanharol, sabe o quanto eles viveram numa época de dificuldades, época de pobreza extrema. Não havia nenhum tipo de assistência aos idosos, e, aqueles como Zé Chato e Jorvina que não tinham filhos adultos para socorrê-los passavam a viver da caridade alheia. Recebiam de Raimundo Bitu e Cotinha a assistência possível. E esta historia ilustra bem a situação.
Jorvina botou o pratinho de arroz dagua no sal para Zé Chato. Zé Chato pediu: Jorvina me dê uma colher de açúcar para misturar com esse arroz? Jorvina deu o maior pinote. Quem já se viu comer arroz com açúcar? Estava sim, defendendo o café do outro dia cedo, pois só lhe restava uma colher do produto. Zé Chato era muito zangado e respondeu: Jorvina, quem é rico come com carne, com queijo, com galinha, e, quem é pobre come com açúcar, come puro, e come com a puta que pariu.
Dedico esta postagem ao amigo José de Vicente Bitu do Sanharol, que conheceu os personagens citados e a historia.

terça-feira, 27 de julho de 2010

MOTE SERTANEJO - Por Mundim do vale

Quem viu de perto a beleza
De um açude sangrando,
Viu o peixe desovando
Subindo na correnteza.
Viu a família na mesa
Comendo arroz e feijão,
Batata, coalhada e pão,
Na maior felicidade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Não há quem queira deixar
O lugar onde nasceu,
Onde com os pais viveu
Por qualquer outro lugar.
Porém se a seca chegar
Ele vai pro Maranhão,
Com a determinação
De voltar com brevidade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Quem viu a alegoria
Do arroz soltando o cacho,
Viu enchente no riacho
Numa coreografia
Onde o sertanejo cria,
Na fértil imaginação
Jesus colocando a mão,
Do alto da divindade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Quem viu também a tristeza
De um ano sem inverno,
Comparou com o inferno
Lá na sua profundeza.
Viu faltar na sua mesa
O arroz, milho e feijão,
Porém pediu proteção
Para a Santíssima Trindade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Quem comeu baião de dois
Em dia de adjunto,
Não esquece do assunto
Da apanha de arroz.
O patrão vinha depois
Premiar o campeão,
Que perante a multidão
Exibia a vaidade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Não há quem possa esquecer
Aquela vida na roça,
A morada na palhoça
E a cacimba de beber.
Vê o sol escurecer
Com o eco do trovão
E o cachorro Tubarão
Latindo no pé da grade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Ninguém esquece o roçado
Com o milho bonecando,
O arroz todo embuchando
E o algodão bilotado.
O sertanejo animado
Com a safra de feijão,
Garantindo a produção
Da sua comunidade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Quem no sertão foi criado
Tem um arquivo na mente
Do terço de penitente
E da festa do reisado.
De um violeiro afamado
Falando de lampião
E de um cigano ladrão
Furtando a humanidade.
SÓ QUEM SABE O QUE É SAUDADE
É QUEM MOROU NO SERTÃO.

Mundim do vale.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

HISTÓRIA E EXCLUSIVIDADE - Desafío do Mundim.



Na rua Padre José Alves, ou rua da Lagoa, a casa de número 04, que fica de frente a lateral da casa do Coronel Dirceu, onde hoje mora uma funcionária da Rádio Cultura por nome de Telma e onde nasceu a maioria dos meus irmãos, tem uma parcela significativa na história de Várzea Alegre. Aquela casa tem também uma exclusividade.
O desafio é:
Qual a exclusividade que a casa possui?
O terreno onde foi construída aquela casa, contribuiu com a nossa história de que forma?

Os poetas Antônio Morais, Israel Batista e Cláudio Souza, não terão dificuldades para encontrar as respostas.
Abraços.
Mundim.

26 de julho -- Municípios cearenses celebram Senhora Sant´Ana – postado por Armando Rafael



Fonte: jornal O POVO, Rita Célia Faheina, repórter
Festejos da padroeira Senhora Sant´Ana, citada nas Sagradas Escrituras como a mãe de Maria, terminam hoje,26, data dedicada a ela e a São Joaquim, seu esposo,por isso se comemora também o dia dos avós
Senhora Sant’Ana, que segundo as Sagradas Escrituras era a mãe de Maria, está sendo festejada em pelo menos 11 municípios do Interior. É a padroeira do Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza; Mucambo, Santana do Acaraú e Varjota, na Zona Norte; Santana do Cariri e Jati, no Cariri; Tianguá, na Serra da Ibiapaba; Iguatu, na Região Centro-Sul; Jaguaruana, no Vale do Jaguaribe; Independência e Paramoti, no Sertão cearense.

Em Santana do Cariri, a 556 quilômetros da Capital, a festa padroeira teve início no dia 16 e termina hoje, 26. Uma das peculiaridade dos festejos é que a novena é rezada e cantada em latim. A igreja matriz é um dos mais belos templos da região e em 2011, comemora 100 anos da edificação. A Festa de Senhora Santana termina hoje com a presença, na procissão e missa solene, do bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico (foto ao lado).
Postado por Armando Lopes Rafael
Saiba mais sobre a Senhora Santana
O
s dados biográficos que sabemos sobre os pais de Maria foram legados por um dos evangelhos apócrifos, (Evangelho de Thiago), citado em diversos estudos pelos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Nissa.

Sant'Ana, cujo nome em hebraico significa graça, pertencia à família do sacerdote Aarão; seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi. São Joaquim, homem piedoso, fora censurado pelo sacerdote Rúben por não ter filhos. Mas Sant’Ana já era idosa e estéril. Confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se ao deserto para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus havia ouvido suas preces.

Tendo voltado ao lar, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesaida, onde hoje se ergue a Basílica de Santana; e aí, num dia de sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz",nome que passou para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos.

domingo, 25 de julho de 2010

Que festa de arromba! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Certa vez eu escrevi que, sempre que voltava ao Crato, procurava por aquela cidade da minha infância e adolescência e não mais a encontrava. Aquele Crato somente existia dentro de mim e não mais em outro qualquer lugar. Mas nestes três últimos dias, como que por encanto ou tocado por alguma varinha mágica, aquele Crato ressurgiu esplendoroso em pleno Crato Tênis Clube, o único sexagenário entre todos os presentes. De repente regredimos há mais de quarenta anos. Todos nós ali voltamos à adolescência. Eu dançava com a garota dos meus sonhos, jurando que após concluir meus estudos voltaria ao Crato para casar com ela. O velho “Conjunto Ases do Ritmo” tocava como antes. Cheguei até a vislumbrar a imagem de seu Irineu por trás do acordeão de Hugo Linard. Tudo era encantamento na festa da primeira velinha do Cariricaturas.

Fadas existem! Elas foram as responsáveis por momentos tão sublimes, que reforçaram a vocação do Crato como centro irradiador de cultura. Milagres também existem. Acreditem.

Carlos Eduardo Esmeraldo

O SERTÃO FOTOGRAFADO - Por Mundim do Vale

Meu nome é Mundim do Vale
Lá do Vale do Machado,
Nesse verso eu vou falar
Do sertão que fui criado.
Um galo na cumieira
E um pote na cantareira
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Uma carroça de lenha
Com um doido amorcegado,
Moça nova namorando
Com um velho aposentado,
Um caçuá de cabaça
E um pau de sebo na praça
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Um matuto num comício
Com o braço levantado,
Um puxa saco gritando:
- Viva o Doutor deputado!
E o deputado arredío,
Com um descurso vazio
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Uma recua de menino
E a mãe naquele estado,
O pai com um na corcunda
E o mais novo pendurado,
Coisa assim de retirante
Que também é penetrante.
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Um taco de rapadura
Um jerimum cozinhado,
Uma cuia de farinha
Para um pirão escaldado,
A miséria da carência
E a falta de assistência
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Uma barraca de lona
Um lambe-lambe de lado,
Uma ruma de eleitor
Cada qual mais apressado,
Tudo tirando retrato
Por conta de um candidato
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Escola funcionando
Faltando ainda o telhado,
O prefeito inaugurando
Entregue como acabado,
E um fiscal da educação
Presente a inauguração
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Um pingüim na geladeira
Um guarda-sol pendurado,
Um cigarro na orelha
De um velho viciado,
Um devoto de São João
Descalço na procissão
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Uma quenga embriagada
Discutindo com um soldado,
Um velho com um ramo bento
Para tirar mal olhado,
Uma macaca indiscreta,
Um padre de bicicleta
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Um conterrâneo chegando
De São Paulo, endinheirado,
Com um relógio oriente
E um gravador de lado,
Falando: - Quanto que é?
Oh bicho, meu e qualé
É O SERTÃO FOTOGRAFADO.

Metade da minha vida
Morei perto do roçado,
Hoje moro mais distante
Mas ainda estou lembrado,
Quanto assisto cantoria,
Estou vendo com alegria
O SERTÃO FOTOGRAFADO.

M eu verso faz muito bem
U rbaniza a boa mente,
N ão dar espaço a alguém
D e me achar indecente,
I sto faz com que eu faça
M ais versos pra nossa gente.


Mundim do Vale


Essas são algumas estrofes do nosso trabalho. O sertão fotografado. Não foi postado na ítegra em virtude de ser muito longo. Se alguém interessar o trabalho completo, é só me cobrar nesse endereço: mundimdovale@hotmail.com.

sábado, 24 de julho de 2010

A LIÇÃO DA ELEIÇÃO - Por Mundim do Vale

Quando é tempo de eleição
Gente pobre tem valor,
Político dar atenção
A qualquer um eleitor.
A mulher do candidato
Dança com Chico Onorato
E a filha com Assis Mota.
Fazem samba na ribeira
Nos dias de sexta feira
E os pobres, nem paga cota.

No dia da votação
As cinco da madrugada
O matuto abre o portão
E corre para a calçada.
Depois acorda a mulher,
Dizendo que o chofer
Já apitou na ladeira.
A mulher acorda Antão,
Margarida, Damião,
Juvenal e Oliveira.

O chofer se aproxima
Desce o cabo eleitoral
Bota e meninada em cima
E na cabine o casal.
O chofer liga o motor,
Sai recolhendo eleitor
Em cada localidade.
E aquele povo enganado,
Naquele carro apertado
Vai tangido pra cidade.

Assim que chegam na praça
É grande a recepção,
Tem mocinha que abraça
E rapaz que aperta a mão.
É uns chamando compadre,
Outros chamando comadre
Com toda delicadeza.
Aparece um cidadão,
Leva tudo pra mansão
Com o almoço já na mesa.

Na mansão o candidato
É quem recebe o povão,
Vai logo servindo um prato
Com lingüiça e macarrão.
Os eleitores na mesa,
Esquecem que a gentileza
É somente aquele dia.
Vão pra seção doze e meia,
Votam com a barriga cheia
E a cabeça vazia.

Quando passa a eleição
Eles voltam na cidade,
Mas encontram na mansão
Só um vigia na grade.
Pedem pra falar com o dono,
Mas ficam no abandono
Sem ninguém lhes atender.
Foi aquela, uma lição,
Para na outra eleição
O eleitor aprender.

Mundim do vale

Brasil tem 3º pior índice de desigualdade no mundo



Fonte: jornal O POVO, 24-07-2010
Cerca de 58% da população brasileira mantém o mesmo status social de pobreza entre duas gerações. Nos países nórdicos, é de 19%. Na América Latina, o Brasil empata com Equador e só perde para Bolívia e Haiti em relação à pior distribuição de renda

O Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade no mundo e, apesar do aumento dos gastos sociais de 10 anos para cá, apresenta uma baixa elevação social e educacional entre gerações. Os dados estão no primeiro relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre a América Latina e o Caribe. De acordo com o estudo, a região é a mais desigual do mundo. “A desigualdade de rendimentos, educação, saúde e outros indicadores persiste de uma geração à outra, e se apresenta num contexto de baixa mobilidade socioeconômica”, revela o estudo do órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) e concluído este mês.

Entre os 15 países com maior diferença de renda entre ricos e pobres, 10 estão na América Latina e Caribe. Na região, o Brasil empata com Equador e só perde para Bolívia e Haiti em relação à pior distribuição de renda. Quando outros continentes são incluídos, a Bolívia ganha a companhia de Madagáscar e Camarões no primeiro lugar e o Haiti tem ao seu lado, na segunda posição, Tailândia e África do Sul.

Para o Pnud, esses países apresentam índices “muito altos”. O relatório do programa daa Nações Unidas destaca que a maior dificuldade na América Latina é impedir que desigualdade social persista no decorrer de novas gerações. “A desigualdade reproduz desigualdade, tanto por razões econômicas como de economia política”, afirma um trecho do documento. E os números não são nada bons para o Brasil.Cerca de 58% da população brasileira mantém o mesmo status social de pobreza entre duas gerações, enquanto no Canadá e nos países nórdicos, por exemplo, esse índice é de 19%.

“Estudos realizados em países com altos níveis de renda mostram que a mobilidade educacional e o acesso a educação superior foram os elementos mais importantes para determinar a mobilidade socioeconômica entre gerações”, diz a ONU.De acordo ainda com o estudo das Nações Unidas, é baixo também o crescimento do nível de escolaridade entre pai e filho. E esse resultado é influenciado pelo patamar educacional da geração anterior.

No Brasil, essa influência chega a ser de 55%, enquanto nos Estados Unidos, esse porcentual é de 21%. O Brasil, nesse quesito, perde para nações como Paraguai, Panamá, Uruguai e Jamaica. (das agências de notícias)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Parabens Edval Borges - Por A. Morais

O Livro:

Aberto, é um cérebro que fala;
Fechado, um amigo que espera;
Esquecido, uma alma que perdoa;
Destruído, um coração que chora!

Transmitimos os nossos cumprimentos ao nosso amigo conterrâneo Edval Borges, filho natural de Várzea-Alegre radicado em São Paulo, escritor e jornalista atuante na Radio Metropolitana AM que estará lançando no próximo mês o seu oitava livro: O Linguajá do Nordeste.
Parabéns Edval, você merece nossa estima e admiração.
Parabéns do Blog do Sanharol.

A. Morais

SÃO OUTROS QUINHENTOS - Por Mundim do Vale

Abraão era matreiro
E muito esperto também,
Ele sempre foi primeiro
Não perdia pra ninguém.
Certa vez ele espalhou
Na cidade onde morou
Que tinha que viajar.
Ia deixar um pacote
Com quinhentos mil no lote
Para o vigário guardar.

Ele fez o comentário
Que eram quinhentos mil,
Deixava com o vigário
Para correr o Brasil.
Se não chegasse a voltar
O padre podia usar
Com obras de boa ação.
Mas se retornasse um dia
O vigário devolvia
Com juro e com correção.

A conversa se espalhou
E o boato correu
Mas Abraão viajou
E o dinheiro não deu.
Quando foi um certo dia
Muito tempo já fazia
Apareceu Abraão.
Foi direto pra matriz
Com um sorriso feliz
Bem na hora do sermão.

- Bom dia Sr. vigário
Como tem passado a vida?
Vim atrás do numerário
Que lhe entreguei na partida.
Não fiz nada onde andei
Por isto é que retornei
Pro meu querido lugar.
Onde eu deixei um dia
Uma pequena quantia
Que hoje venho resgatar.

- O meu filho se enganou
O vigário respondeu:
- Você até comentou
Mas o dinheiro não deu.
A igreja lhe perdoa
Sabemos que foi à toa
Esse seu esquecimento.
Seja bem vindo a cidade
Mas para o bem da verdade
Você não fez seu intento.

O prefeito foi chegando
Quis resolver a questão:
- Se o padre não está lembrando
Não precisa essa aflição.
No dia que tu partiu
Me entregou quinhentos mil
Seu dinheiro está aqui.
Você falou em deixar
Para o vigário guardar
Mas fui eu que recebi.

- Desculpe Senhor prefeito
Disse Abraão no repente.
- Lhe tenho muito respeito
Sei que o Senhor é descente.
É homem que tem juízo
Não vai me dar prejuízo
Com esses seus argumentos.
Mas foi ele quem guardou
Esses que o Senhor falou
Já são os outros quinhentos

Mundim o Vale

PRIMEIRO DOMINGÃO DA SANFONA.

Neste domingo dia 1º de Agosto a comunidade do Roçado de Dentro faz justa homenagem ao sanfoneiro Mathias Sousa. Da idealização do músico sobrinho do homenageado Nonato Sousa. O evento é uma promoção da ESURD – Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro, e a realização do musical Zabumbando e Cláudio Sousa Publicidades e Eventos. Está prevista a participação de vários sanfoneiros locais e regionais. Uma festa cultural e familiar sinta-se convidado a participar.

Claudio Jose de Souza


Prezado Cláudio Jose aí vai o Jackson do Pandeiro com paletó e tudo para participar da festa.

A. Morais

Canta – Cintura fina.

video

Frase do dia.

"Rapaz, eu estumei Dr. Humberto nele".

Mundim do Sapo.

Historia.

Na década de 60 do século passado, Mundim do Sapo morava no Crato. Ficava a sua casa bem próximo da Fabrica Coca-cola. Um belo dia, o filho Raimundo retornava da escola e ao passar pela fabrica atirou um pedra na referida placa quebrando-a. O vigio seguiu Raimundo e viu onde morava, e, avisou para o gerente que foi a casa do Mundim do Sapo zangado que só um siri. Escândalo formado, os vizinhos apavorados e Mundim apenas ouvia os desaforos. Por fim o gerente falou: amanha dez horas eu espero o senhor com o dinheiro da placa, sob pena do senhor ser levado a delegacia.
Dr. Humberto Macário de Brito, primo e amigo de Mundim era o prefeito do Crato a época. No outro dia, por volta de seis horas da manha Mundim estava contando a proeza do Raimundo para Dr. Humberto. Dr. Humberto ligou para o Gerente da Coca-cola e disse: Quem está falando e Dr. Humberto, o senhor levante o prejuízo e mande receber comigo, não vá mais na casa do meu amigo não. O gerente, como todo adulador, se derreteu, ora Dr. Humberto, não foi nada não, foi só uma besteirinha de nada, não se preocupe, dar para remendar.
Dr. Humberto olhou para o amigo e falou: pronto Mundim está resolvido, vá pra casa. Quando Mundim chegou em casa, um vizinho perguntou: e aí seu Mundim, como foi, o homem amansou? Mundim respondeu: "rapaz, eu estumei Dr. Humberto nele".

quarta-feira, 21 de julho de 2010

GRAN CIRCO VAZANTE - Por Mundim do Vale

Toda vez que vinha um circo a Várzea Alegre a meninada da vazante assistia os espetáculos e quando circo saía pra outra cidade, deixava aquela tristeza na garotada.
Assim aconteceu no ano de 1.957 , quando o circo Estrela Brasil passou uma temporada em V. Alegre. Na despedida do circo nós ficamos com aquela saudade, mas meu primo Nilo Piau falou que a Vazante ia criar seu próprio circo com os artista locais.
Na primeira reunião para criação do circo, onde foi aprovado o nome, Nilo desenvolveu a ficha artística, que ficou assim:
Nilo Piau- Diretor e ator dramático.
Severino Vieira- Palhaço Futrica.
Antônio de Maria Carlos- Macaco Chico.
Paulo Piau- Trapezista Italiano com o nome artístico de Paul Berninazi.
Joaquim De Vicente Piau- Trapezista Japonês com o nome artístico de Kas Ku Dô.
Terminada a reunião ficou marcada a estréia para o sábado pela manhã e o local ficou definido no Riacho do Feijão, que estava seco e tinha bastante areia para amortecer a eventual queda de algum dos artistas. O palhaço Futrica já saiu com um funil na boca anunciando o espetáculo na Vazante e na Lagoa do Arroz.
No dia da estréia o diretor saudou o público que não era mais do que os próprios artistas e anunciou o número do trapézio pelo voador japonês Kas Ku Dô.
O trapézio pendurado numa galha de pau darco. As duas barreiras do riacho serviriam como plataformas para os trapezistas.
O palhaço Futrica pegou no trapézio que estava Kas Ku Dô e gritou:
- Uma, duas, três, três, três e meia já! Tá Vogando negrada!
O trapézio passou direto da plataforma e o trapezista foi cair logo por cima de uns pés de rebenta boi, depois tentou o equilíbrio e bateu com a cabeça numa galha de jurema onde tinha um boca torta. . As abelhas se arrancharam todas na cara do trapezista que de louro que era, ficou preto.
Nilo pegou umas galhas de mofumbo, bateu tanto na cara do voador japonês, que quando as abelhas saíram, o artista estava tão intoxicado que os olhos não abriam.
Joaquim começou a gritar dizendo que estava cego o que fez com que tio Vicente que morava perto, viesse até o circo para ver o que estava acontecendo.
Chegando ao local, perguntou ao diretor o que tinha acontecido. Nilo respondeu:
- Foi Kas Ku Dô que passou da plataforma e foi bater logo num boca torta.
- Apois foi bem impregado. Se ele tivesse ido queimar as coivaras do lombo da cajazeira, que nem eu tinha mandado, não tinha abelha no mundo que se arranchasse na cara dele.

COMPOSITORES DO BRASIL


Quando eu canto seu coração se abala
Pois eu sou porta-voz da incoerência
Desprezando seu gesto de clemência
Eu sei que o meu pensamento lhe atrapalha
...(Agalopado)

ALCEU VALENÇA

Por Zé Nilton

O bonito em Alceu Paiva Valença, nascido em 1º. de julho de 1946, é essa dupla proximidade dele com sua música e deles com a terra que os originou. O Nordeste e o mundo, eis sua terra. Mas uma vez no mundo, não perde o sentimento e o aconchego telúricos. Quer encontrá-lo quando está em casa? Vá a Recife. A imagem sempre se repete a cada carnaval pernambucano. Aquele homem com cara de louco quedo atrás de um janelão de primeiro andar abençoando a turba de foliões num vai e vem, embevecida pelo autentico som carnavalesco, o frevo.

No memorial de sua arte um dia ele disse:

“No dia em que eu nasci três vezes um galo cantou, Satanás bateu num sino e uma estrela alumiou. Ficou tudo escuro no dia em que nasci. Era meio-dia. E fez um escuro medonho. Em São Bento do Una. Nasceu um bendito.

Um bendito. Mas que acabaria à `profissão de malditó´, já que a música era seu dom.


Sou bendito, isto sim, porque reinvento a MPB e, por outro lado, não sou mais novo. Sou um balzaquiano da música popular brasileira. A base da minha música é praticamente o cordel. Vem das coisas que ouvi diretamente dos cantores da minha terra.

Vem da infância, das histórias contadas pela negra Loló, vem do aboio na voz do vaqueiro ao anoitecer. E tinha lua na caatinga, o menino na garupa, com medo de lobisomem.

Depois, vem dos elementos urbanos que absorvi e misturei a essa base, e tirei meu produto. Um produto novo.

No Recife, comecei a me urbanizar na marra, comecei a ter vergonha do meu sotaque, porque eu era de São Bento e os meninos mangavam muito de mim. Porque eu era matuto. Convivi com a classe média alta, mas meu pai não queria luxo em casa. Mesada pequena, cabresto curto para evitar que seu `gado´ desgarrasse pelo mundo afora. E a vontade de ter roupa bonita. Eu vivia um dilema: morava num bairro bom, mas não tinha dinheiro no bolso. Enfim, um cara diferente no sotaque, no bolso e no gosto. Nunca virei recifense, mas São Bento do Una ia ficando para trás”.
(História da Música Popular Brasileira- Grandes compositores. S. Paulo: Ed. Abril, 1982).

Alceu Valença, diz a crítica, constrói o alicerce da futura música de consumo do Brasil, contudo, digo eu, o invólucro daquela música passou, ou melhor, desmanchou-se no ar. Se a música de Alceu é de consumo, viva a música de consumo de Alceu! E morra a música de consumo de certos “compositores” de hoje e de certos jovens a vista.

Aliás, ele já antecipava tudo isto, se quisermos entender sua crítica para o lado da música, quando disse:

Além de tudo sou moleque mal-ouvido
Sou atrevido, já joguei tudo pro ar
Vai longe a noite do meu sonho colorido
Duvidar? Duvido e insisto em duvidar
Creio na perua
O povo tá comendo vidro
Creio na perua
E o baião vai pipocar
Creio na perua
O que tá pior vai piorar
É como a história da cantiga da perua
Seu Elias fez a sua profecia popular
E Ary Lobo resolveu morar na lua
Partindo do Sputinik do campo do Jequiá... (Fé na Perua).

COMPOSISTORES DO BRASIL, programa musical da Rádio Educadora do Cariri, nesta quinta-feira, a partir das 14 horas, faz uma retrospectiva musical desse excelente compositor brasileiro.

Na sequencia:

PUNHAL DE PRATA, com Alceu Valença
CARAVANA, de Alceu Valença e Geraldo Azevedo com Elba Ramalho, Zé ramalho e Geraldo Azevedo
A DANÇA DAS BORBOLETAS, de Alceu Valença e Zé Ramalho com Zé Ramalho
AGALOPADO, com Alceu Valença
TÁXI LUNAR, de Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo com Geraldo Azevedo
POR TODA LÃ, com Alceu Valença
CORAÇÃO BOBO, com Alceu Valença
FÉ NA PERUA, de Alceu Valença e Zé da Flauta com Alceu Valença
CHEGO JÁ, de Alceu Valença com Claudionor Germano
COMO DOIS ANIMAIS, com Alceu Valença
CABELO NO PENTE, de Alceu Valença e Vicente Barreto com Alceu Valença
PLANO PILOTO, de Alceu Valença e Carlos Fernando com Luiz Gonzaga e Alceu Valença.

Quem ouvir verá.

COMPOSITORES DO BRASIL
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Quintas-feiras, de 14 às 15 horas
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com

Frase do dia.

“Ei Zé! Tu não cutuca este jegue que ele não sabe que você é filho de Dr. Iran”.

Pé Veio.

Num dia movimentado de feira, Pé Veio voltava para o Buenos Aires e de passagem pela Casa de Saúde São Raimundo observou Iran Junior cutucando um jumento com um cipó. Pé Veio continuou a viagem, sem antes, esquecer de avisar para o menino: Ei Zé, tu não cutuca este jegue que ele não sabe que tu é filho de Dr. Iran!
Memorias do Pé Véio.

A negociação - Por Cel Ronald Brito

No sertão uma das “capina” mais trabalhosa que existe é a limpa de cana. Certo dia no sitio Carnaúba de Seu Quinco Vasques, em Missão Velha, a tarde já começava. Zé de Sabina apesar do sol quente, da formiga “pingo de fogo” e retalhado pelas folhas de cana estava satisfeito, assobiando e dando as ultimas enxadadas naquela “empreita” de dois hectares.
Nisto passa pelo corredor o “Cambuí”, que intrometido e fiota pergunta:
Quer vender este bico, seu Zé?
Não menino, já está vendido.
Para quem o senhor vendeu?
Foi para égua de sua mãe!
Mas que coincidência seu Zé, pois eu ia comprar para ela!!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Frase genial - Senador Cristovam Buarque

"No futebol, o Brasil ficou entre os oito melhores e todos estão tristes. Na educação é o 85 e ninguem reclama".
Mensagem enviada por Raimundo Nonato Rodrigues.

Frases do dia.

Por ser merecido e importante, ou seja o Chico, hoje são duas frases do mesmo personagem. Lá vão.

01 - “Vai subindo ou vai descendo”.

Joaquim Vieira do Chico.

Houve uma epoca, lá pela decada de 60 do seculo passado, que apenas um onibus passava em Varzea-Alegre, justo o que fazia a linha entre as cidades de Juazeiro do Norte e Crateus, pertencente a empresa Rapido Crateus. Joaquim Vieira do Chico retornava da feira semanal em Varzea-Alegre para o sitio Chico e quando vinha na casa de Mininim Bitu avistou o onibus que descia mais ou menos na casa de Tomazinho. Se empertigou na berada da estrada, deu com a mão e o motorista parou. Então veio a pergunta: vai subindo ou vai descendo. O motorista afobado respondeu: num está vendo que vou descendo não, veio besta. E o Joaquim com toda calma do mundo retrucou: não meu senhor é prumode que se voce fosse subindo eu ia até a entrada do Chico.

02 - "E era pra contar?".

Joaquim Vieira do Chico.

O pai chamou Joaquim Vieira, entrega-lhe uma braça e diz: meu filho, vá medir aquele lance de cerca na divisa de nossa terra com a de Compadre que eu vou subistituir a cerca de madeira por arame e preciso saber quantos rolos de arame precisa. Em pouco tempo Joaquim estava de volta. Pronto meu pai, já medir. Quantas braças deram? E era pra conta, respondeu Joaquim na maior inocencia.
Dedicado ao meu primo e amigo Chico Pelim.

Entrevista para emprego - Uma colaboração de Klebia Fiuza

Um sujeito está numa entrevista para emprego. O psicólogo dirige-se ao candidato e diz: Vou fazer-lhe o teste final para a sua admissão. Perfeito! - diz o candidato. O psicólogo pergunta:- Você está numa estrada escura e vê ao longe dois faróis emparelhados a virem na sua direcção. O que acha que é?- Um carro. - diz o candidato.- Um carro é muito vago. Que tipo de carro? Um BMW, um Audi, um Volkswagen?- Não dá para saber, não é?- Hum... - diz o psicólogo, que continua - Vou fazer-lhe outra pergunta: Você está na mesma estrada escura e vê só um farol a vir na sua direcção. O que é?- Uma mota - diz o candidato.- Sim, mas que tipo de mota? Uma Yamaha, uma Honda, uma Suzuki?- Sei lá, numa estrada escura, não dá para saber... (já meio nervoso)- Hum..., diz o psicólogo. Aqui vai a última pergunta:- Na mesma estrada escura você vê novamente um só farol, menor que o anterior, e você a percebe-se que vem mais lento. O que é?- Uma bicicleta.- Sim, mas que tipo de bicicleta? BTT, estrada, passeio...?- Não sei.- Lamento, mas reprovou no teste! - diz o psicólogo. Aí o candidato dirige-se ao psicólogo e fala:- Interessante esse teste. Posso fazer-lhe uma pergunta também?- Claro que pode. Pergunte.- Você está à noite numa rua iluminada.Vê uma mulher com maquilhagem carregada, vestidinho vermelho bem curto, a girar uma bolsinha... o que é?- Ah! - diz o psicólogo - é uma puta.- Sim, mas que puta? A sua irmã? A sua mulher? Ou a puta que o pariu?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

GROSA - Por Joaquim Piau -reconstituída por Mundim do Vale

Este tema é uma tentativa do poeta Mundim do Vale em resgatar o poema do seu avô Joaquim José Vieira (Joaquim Piau ) O qual foi extraviada pelo tempo.
Qualquer semelhança com o original é a mais pura realidade.

TUDO MORRE NESSE MUNDO
FOI SENTENÇA QUE DEUS DEU
TUDO É MISTÉRIO PROFUNDO
CRISTO SENDO DEUS MORREU.

Vem a noite morre o dia
A noite o romper da aurora
Vem a seca morre a flora
O calor na ventania.
O fogo na água fria
Morre antes de um segundo
Um fenômeno oriundo
Do poder onipotente.
Nada fica pra semente
TUDO MORRE NESSE MUNDO.

Vem perdão morre o pecado
Vem ódio morre o amor
Vem a paz morre o terror
Vem fogo morre o roçado.
Foi tudo determinado
Antes que Cristo nasceu
A morte do Cirineu
De Judas de Abraão.
De Dimas o bom ladrão
FOI SENTENÇA QUE DEUS DEU.

Muita gente quer saber
Quem morreu, porque nasceu
Se nasceu porque morreu
É difícil de entender.
Eu também não sei dizer
Nem tão pouco me aprofundo
Porque não conheço a fundo
Não posso questionar.
Não tem como desvendar
TUDO É MISTÉRIO PROFUNDO.

Vem a flor morre o botão
Vem o fruto morre a flor
Na alegria morre a dor
Morre a luz na escuridão.
Vai tudo morrendo então
Job que tanta padeceu
Tão santo exemplo nos deu
Também teve que morrer.
E para nos convencer
CRISTO SENDO DEUS MORREU.

Mundim do Vale.

Dedico esse poema aos familiares de Madrinha Zefa do Sanharol. Aquela que foi uma condutora da fé na nossa terra do arroz

Desafio - Por A. Morais

Foto enviada por Rafael Satiro Bitu.

Clic na foto. Todos são nossos conhecidos, amigos e parentes. O desafio é identifica-los. Os meus agradecimentos ao Rafael por enviar esta reliquia.
A. Morais

Frase do dia.

“Taí meu filho, se o povo de Cedro quiser vê uma coisa dessa natureza tem que vir para Várzea-Alegre”.

Raimundo Bitu.

Historia.

Sempre houve uma grande disputa entre os do Cedro e Várzea-Alegre. Coisa salutar e importante na competição e concorrencia entre cidades. Raimundo Bitu vendo passar pelo Sanharol uma Cegonha carregada com 40 carros novos tirou um sarro e esnobou o Cedro dizendo para o seu filho João: Taí meu filho, se o povo do Cedro quiser ver uma coisa dessa natureza tem que vir para Várzea-Alegre.

domingo, 18 de julho de 2010

“O homem pobre não é aquele que não tem dinheiro e nem coisas, é aquele que é casado com uma mulher feia”.

Quinco Honório.

Historia:

Não precisa de historia seu Quinco disse tudo na frase.

sábado, 17 de julho de 2010

GLOSA PEDAGOGA - Por Mundim do Vale

FILHO QUE DESPRESA O PAI
E DELE FICA INIMIGO
É UM PECADOR QUE CAI
NA DESGRAÇA DO CASTIGO.

Todo pai é paciente
Quer ver seu filho feliz
Mas às vezes o filho diz
Que o coroa é exigente.
Que é um velho impertinente
Que nem empurrando vai,
Ao invés de entrar ele sai
E assim nasce a divergência
Acho uma grande imprudência
FILHO QUE DESPRESA O PAI.

O pobre pai já corcundo
Sem ter mais disposição
Esconde o rosto com a mão
Num sofrimento profundo.
Vendo a mudança do mundo
E a família em perigo
Pensa em morar num abrigo
E fala com o filho, aflito,
Que lhe responde com grito
E DELE FICA INIMIGO.

Não sabe esse filho mal
Que pode ser pai também
Ter um filho e querer bem
Numa criação normal,
De vivência natural,
Que a todo cristão atrai
Herança que vem do pai
Para o filho evoluir.
E o filho que não cumprir
É UM PECADOR QUE CAI.

O filho deve lembrar
Que seu pai lhe fez viver
Ele não pode esquecer
Quem lhe ensinou a falar.
Não pode hoje negar
Um conceito tão antigo,
Por isso no verso eu digo.
Quem com o pai for grosseiro
É quem vai chegar primeiro
NA DESGRAÇA DO CASTIGO.

Mundim do Vale.

E o Crato virou Fortaleza – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Não cheguei a conhecer seu Juquinha, um comerciante do Crato, cuja mercearia na Praça da Estação, além de muito sortida, era muito freqüentada. Conheci o seu filho mais velho, Antônio Edisio, rapaz muito estudioso, a quem o diretor do Colégio Diocesano, Monsenhor Montenegro, sempre recorria na falta temporária de qualquer professor de matemática. Na quarta série do ginasial, Edisio foi nosso professor por mais de quinze dias.
De Juquinha rolavam pelas ruas, bares e praças do Crato, histórias muito engraçadas. Uma delas dizia respeito a Edisio, esse seu filho dublê de professor de Matemática. Naquela época, era costume do povo simples da roça dizer que o filho tinha terminado o primeiro livro, em vez de concluído o primeiro ano primário. Edisio tinha ido estudar em Recife, onde se preparava para fazer o vestibular de engenharia. Dizem que por este tempo, alguém entra na mercearia de seu Juquinha e lhe pergunta:
– Seu Juquinha, cadê aquele seu filho mais velho, que eu nunca mais vi?
– Homem, Edisio já leu os livros daqui do Crato tudinho, e agora foi ler os livros do Recife.
Contava-se também que um dos maiores sonhos de seu Juquinha era conhecer Fortaleza. Depois de juntar algumas economias, decidiu embarcar sozinho, pois o dinheiro não dava para levar a mulher ou um dos filhos. Então, numa tarde de domingo, tomou o trem, tendo antes o cuidado de comprar o bilhete de segunda classe, por ser mais barato. Acomodou-se na dura cadeira, apoiando o braço na janela, quando da plataforma um freguês da sua mercearia o avista no carro de segunda e lhe indaga admirado:
– Mas Juquinha, você vai viajar na segunda classe?
– E tem de terceira? – Perguntou interessado, o econômico Juquinha.
A viagem transcorreu sem nenhum problema até a cidade do Iguatu, onde o trem pernoitava. O mesmo ocorria com o trem que saia de Fortaleza, que também parava no Iguatu e todos os passageiros se alojavam no Hotel Ferroviário, para de madrugada prosseguirem a viagem.
Às quatro da madrugada em ponto, o porteiro do hotel despertava os hóspedes mais dorminhocos, pois quinze minutos depois, os dois comboios partiriam em sentidos contrários. Juquinha foi um dos passageiros que fora surpreendido pelo sono e saiu atarantado, à procura do seu trem. Na pressa, não olhou direito qual era dos dois trens que deveria entrar. Aliás, acho que Juquinha nem percebera que havia dois trens parados na estação. Entrou no trem que ia de Fortaleza para o Crato. E seguiu viagem sem nada desconfiar. Nem a paisagem e nem as cidades que passara no dia anterior fizeram-lhes notar que havia entrado no trem errado.
Finalmente, o trem começa a chegar ao Crato e Juquinha exclama para o companheiro do assento ao lado, que para seu maior azar, era um surdo mudo.
– Como Fortaleza é parecida com o Crato! Até agora não vi diferença nenhuma nessa tal de capital. Até a ponta de rua é parecida com a entrada do Crato. Tem até aquela porção de pedra de gesso amontoada na beira da linha...
Quando o trem parou na estação do Crato, Juquinha desceu falando sozinho, para espanto de quantos o conheciam.
– Vôte, Fortaleza é igualzinha ao Crato. Até a Praça da Estação parece ser a mesma, com a estátua do Cristo Rei e tudo o mais. As mesmas árvores, as pessoas parecem que têm a mesma cara dos meus conhecidos lá do Crato.
E Juquinha seguiu pela praça, a esta altura, com um grupo considerável de pessoas no seu encalce, curioso para saber o que se passava com o velho Juca. Finalmente Juquinha diz outra frase em voz alta, que foi o estopim para o veredicto popular:
– Arre égua, até uma filial da minha mercearia eu tenho aqui em Fortaleza e não sabia. E aquela vendedora que tá lá dentro é vê a minha mulher! – Exclamou Juquinha ao ler a placa do seu estabelecimento comercial: “Mercearia O Juquinha”.
– Juquinha pirou de vez! – Diziam uns.
– Ele tá tergiversando. Não diz coisa com coisa. – Exclamavam outros.
– Ele tá é doidinho da silva. – Concluía alguém que fora chamar a sua família.
Os familiares ao verem Juquinha, ainda crente que estava em Fortaleza, levaram-no ao posto de saúde mais próximo. Ao ser medicado por um médico conhecido, teve tempo de dizer, antes que o sedativo que lhe fora aplicado fizesse o efeito esperado:
– Os doutores daqui de Fortaleza são iguaiszinhos aos do Crato. Não sabem é de nada também!

Extraído do livro "Histórias que vi, ouvi e contei" do mesmo autor.

Frase do dia.

“Deixem ele chorar! Quando mãe morreu eu chorei foi muito”.

Borginho.

Historia.

Na década de 70 do século passado, houve um ano muito chuvoso. Depois de uma chuva torrencial a torre da Igreja Matriz de São Raimundo Nonato ruiu, veio a baixo. Milagrosamente ficou apenas a parte do lado onde estava o nosso padroeiro, fato que fez os soldados do corpo de bombeiros se deslocarem de Fortaleza para Várzea-Alegre com a finalidade de resgatar São Raimundo. No momento de muita aflição para os devotos, o Padre Mota chorava copiosamente enquanto amigos e amigas tentavam acalma-lo, com conselhos e oferecendo chá etc. Observando a cena Boginho, de saudosa memória, disse a frase do dia. “Deixem ele chorar, quando mãe morreu eu chorei foi muito”.

Identificação.

Em pé da esquerda para direita: Mascote, Carlito, João de Amadeu, Nenen de Canuta, Otacilio Correia, Toim de Abgail, Dr. Vasco, Valdir e Joaquim Diniz.
Abaixados da esquerda para direita:
Rubens Diniz, Inácio, Silva Teté, Perna Santa, Zezinho e Tinteiro.
Agradecemos aos comentaristas e especialmente ao João Bitu que identificou quase todos. Muito obrigado ao Luiz Carlos Correia Diniz por enviar essa relíquia.
Abraços.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Frase do dia.

“Essa foi mãe”.

Preta de Leandro.

Historia:

No inicio da década de 70 do século passado, quando o prefeito Pedro Satiro colocou energia elétrica na ribeira do sitio Sanharol ao São Vicente, eu comprei uma televisão e levei para minha mãe. Foi a primeira televisão do sitio Sanharol.

A partir, de então, a sala de nossa casa passou a ser um auditório onde homens, mulheres, rapazes, moças, meninos e meninas se juntavam para ver as programações, especialmente as novelas. Uns sentados em cadeiras, outros sentados no chão, se acomodavam de qualquer jeito, e, sempre tinha uma bufa circulando o ambiente, nunca sendo possível identificar o autor. Quem pode ter sido? Como é que pode? Comeu urubu sem tirar o papo, diziam todos!

Dona Francisca de seu Leandro Dantas trazia a cadeira de casa e assistia sentada com a filha conhecida por Preta, de oito anos de idade, sentada no colo. Quando uma bufa começou a rescender a Preta gritou a todo pulmão: Essa foi mãe! Dona Francisca deu um cocorote tão condenado em Preta que afundou a moleira. Preta disparou num pranto, sem antes, esquecer de dizer: agente não pode nem falar a verdade! Neste dia, a filha denunciou a mãe. Resenhas do Sanharol.

A. Morais

quinta-feira, 15 de julho de 2010

LÍNGUA DE POETA - Por Mundim do Vale

Eu nunca fui pistoleiro
Porque não sei atirar,
Se eu for atirar pra cima
Precisa dois me ajudar,
Um pra tapar meu ouvido
Outro pra me segurar.

A minha pequena mão
Nunca puxou um gatilho,
Ela muito me ajuda
Quando vou debulhar milho,
E me serve mais ainda
Pra abençoar meu filho.

Eu estou pagando um mico
Por causa de um companheiro,
Parece que é do chico
Esse poeta grosseiro,
Anda inventando um fuxico
Que eu pareço um pistoleiro.

Poeta o seu comentário
Foi muito pejorativo,
Se eu fosse um pistoleiro
Você não tava mais vivo,
Tinha sido eliminado
Numa queima de arquivo.

Não tenho medo de quedas
De animal, nem bicicleta,
Visagem e alma penada
Nem um pouco me afeta,
A coisa que tenho medo
É de lígua de poeta.

Não atiro nem no Judas
Que é coisa de brincadeira,
Eu não sei manusear,
Nem mesmo uma socadeira.
Não sou igual a Giovâni
Que atira em cuscuzeira.

Briga de dois pistoleiros
Nenhum dos dois abre mão,
Um corre dando pinote
Outro rola pelo chão,
Um vai ficar foragido
E outro vai pro caixão.

O poeta Cláudio Sousa
Achou que eu parecia,
Mas ele tá enganado
Com aquela profecia,
Eu prefiro parecer
Com quem transporta alegria.

Não vejo filme de guerra
Porque tem artilharia,
Prefiro dois violeiros
Numa boa cantoria,
Onde o ataque e a defesa
É somente a cantoria.

Para o cruel pistoleiro
A vida não vale nada,
Mas não é qualquer doidim
Que enfrenta uma parada,
Tem gente que faz mais medo
Se tiver com a mão cagada.

O pistoleiro tá pronto
Para o que der e vier,
Quando pega um cabra frouxo
Faz com ele o que quiser,
Mas chegando tarde em casa
Ele apanha da mulher.

Se eu fosse autoridade
Não tolerava lorota,
Mandava para cadeia
Qualquer poeta fiota,
Depois mandava enforcar
Pistoleiro e agiota.

Valei-me meu São Raimundo
Me tire dessa lambança,
Cláudio Sousa agora tá
Agindo feito criança,
Não sei onde ele arranjou
Essa minha semelhança.

O poeta Cláudio Sousa
Anda fraco da cachola,
Garanto que não me viu
Empunhando uma pistola.
Ou tá procurando briga
Ou tá doente da bola.

Esse camarada tem
Mania de provocar,
Não sei se ele tem coragem
No momento de brigar,
Mas deve ter coro grosso
Na hora de apanhar.

Me chamou de pistoleiro
Só faltou mudar meu nome,
Se eu correr o bicho pega
Se eu ficar o bicho come,
Mas se um dia eu matar um
Ou é de raiva, ou de fome.

Cláudio tá equivocado
Perdido no seu roteiro,
Bandido não tira foto
Com Dr. Sávio Pinheiro,
E aquela boa família
Não recebe pistoleiro.

Cláudio Sousa eu aconselho
Você mudar sua meta,
Lá eu fui bem recebido
Por Renato e sua neta,
E você foi confundir
Pistoleiro com poeta.

Se foi aquele chapéu
Que confundiu o amigo,
Eu peço ao nobre poeta
Para conversar comigo,
Pois eu estava com ele
Só para aparar castigo.

Cláudio Sousa eu lhe asseguro
Que nunca matei alguém,
Eu não tenho inimigo
Porque sou gente de bem.
Se ninguém mexer comigo
Eu não mexo com ninguém.

O engano do poeta
Foi pior do que a bala,
A bala não tem juízo
E tem juízo quem fala,
Quem fala muito é quem erra
E nunca erra, quem cala.

Termino aqui o cordel
Sem vontade de brigar,
Pistoleiro não perdoa
Quando vai, é pra matar,
Mas como foi Cláudio Sousa
O Mundim vai perdoar.

Mundim do vale
Várzea Alegre Ce

Que é isso? Um leão que reza? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Poucas famílias cultivam o saudável hábito de agradecer a Deus as refeições que fazem. Aliás, não somos muito de agradecer as graças que Deus constantemente derrama sobre todos indistintamente. Nós pedimos em demasia, mas pouco agradecemos os benefícios recebidos.

Há alguns anos, reunidos com um grupo de amigos, refletíamos sobre a necessidade de agradecer a Deus e pedir bênçãos pelo alimento de cada dia. Alguém leu numa revista, uma pequena história que ficou martelando minha cabeça. Numa época em que se pretende promulgar uma lei que deveria existir no coração de cada pai e mãe, qual seja: formar e educar os filhos com amor e não com palmadas, vi nessa história uma forma diferente, criativa e sem violência de como um pai deve instruir os filhos. Principalmente quando se pretende impor alguma regrinha que eles não desejam cumprir.

Um pai de três crianças, ao participar de um retiro religioso, retornou à sua casa decidido a fazer orações de agradecimento antes das refeições. “De hoje em diante nós vamos rezar antes do almoço e do jantar.” Ordenou o pai, sob protestos imediatos dos filhos. “Xi, pai, rezar? Isso é muito careta!” Protestou um dos meninos. Então o pai com muita habilidade perguntou: “Está bem, mas contar uma historinha pode?” “Ah, será muito legal!” Disseram todos a uma só voz. E o pai contou a seguinte história.

Um caçador estava numa floresta da África fazendo uma grande caçada. Quando já retornava para casa, deu de cara com um enorme leão à sua frente. Não perdeu tempo. Todo trêmulo, apontou a espingarda bem na testa do leão e deu um tiro. Mas errou. Era a última bala que havia. Então fechou os olhos e esperou ser devorado pelo leão. Passados uns dois minutos, que lhe pareceram séculos, pensou que o leão havia desistido de lhe devorar e fora embora. Mas quando ele abriu os olhos, o leão estava à sua frente, de joelhos, mãos postas e olhando para o céu dizia: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste na minha mesa.” As crianças gostaram muito da história.

No dia seguinte, à hora do almoço, os meninos já estavam sentados, quando o pai ordenou: “Levantem-se todos!” Em seguida perguntou: “Como foi que o leão disse diante daquele caçador lá na África?” E as crianças responderam: “Meu Deus, eu vos agradeço este alimento que colocaste...”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Frase do dia.

"Quem tem inimigo não pode dormir tranquilo assim!"

Antoe do Vigio.

Historia.

Antoe do Vigio, morador do Riacho Verde, era amalucado, faltava juízo. Um belo dia, de passagem pelo sitio Caldeirão um cachorro avançou em sua direção rasgando sua perna. Dias depois, Ontoe passava pelo mesmo local e o cachorro dormia sossegado no alpendre da casa. Ontoe procurou um lajeiro e soltou bem na cabeça do cachorro matando-o. Depois olhou bem na direção do animal defunto e disse: Quem tem inimigos não pode dormir tranquilo assim.
Enviado por Giovani Costa.

Trato é trato - Enviado por Aninha Morais.

Estavam na China um brasileiro, um americano e um argentino. Estavam bebendo na praça. Só que na China isso é proibido e eles foram pegos em flagrante. Presos , foram mandados ao Juiz para receberem sua sentença. O Juiz deu uma bronca enorme e disse que cada um ia receber 20 chicotadas como punição. Só que estavam em transição entre o ano do cão e o do rato, então cada prisioneiro tinha direito à um pedido: Você americano! Seu país é racista, capitalista e eu odeio vocês, mas promessa é promessa! Qual o seu desejo, desde que seja não escapar da punição? - Quero que amarrem 1 travesseiro nas minhas costas! Que assim seja! E tome as chicotadas com o travesseiro nas costas. Lá pela décima chicotada o travesseiro cedeu e o americano levou 10 chicotadas das 20 prometidas. Sua vez argentino! Seu povo é muito arrogante e trapaceiro. Odeio vocês, mas promessa é promessa! Qual o seu desejo? Que amarrem 2 travesseiros nas minhas costas! E assim foi. Lá pela décima quinta chicotada os travesseiros cederam e o argentino tomou 5 das 20 chicotadas. Mas ficou feliz porque passou a perna no americano! Foi a vez do brasileiro. Ora, ora, você é brasileiro... povo simpático, bom de futebol, humilde... como eu gosto do seu povo, você terá 2 pedidos!!! Bem, eu quero levar 100 chicotadas... Espantoso!!! Ainda por cima é corajoso!!! Seu pedido será realizado!!! Qual é o próximo pedido? Amarrar o argentino nas minhas costas!!!!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


“Pobre não é um
Pobre é mais de cem
Muito mais de mil
Mais que um milhão
E vejam só...
E só de vez enquando
Pobre é feliz”
(Cicatrizes, Zé Kéti)

ZÉ KÉTI

Por Zé Nilton

Em dezembro de 1964 o parafuso da ditadura militar implantada no Brasil em 31 de março daquele ano ainda não havia iniciado o aperto ao madeiral das artes e dos artistas no país.

Estamos no momento do grande movimento no teatro brasileiro com repercussão significativa para a Música Popular Brasileira. Dois renomados compositores compunham o elenco do Show Opinião – João do Vale e Zé Kéti. Duas trajetórias de vida com origens de classe e de cor parecidas. Igualmente donos de uma musicalidade a serviço da transformação do homem e do mundo.

O inspirado compositor e poeta José Flores de Jesus – na carteira de identidade do Brasil de baixo - confirmam a tese do eminente crítico Tinhorão. Os compositores cariocas são oriundos das classes subalternas da sociedade, sobrevivendo de pequenos ofícios ou de empregos de baixo status no funcionalismo público. Zé Kéti chegou a largar a vida de artista para trabalhar como soldado de Polícia no Rio nos começos da década de 1940. Assim como Lupicínio Rodrigues e tantos outros, a corporação não segurou a inquietude rolando na cabeça do soldado Flores.
Cantou o mundo em que viveu e para ele produziu uma vasta obra de inegável valor para a identidade de nossa musicalidade. O morro, a periferia, os botequins, os lugares dos pobres, são espaços marcantes na poética denunciadora deste excelente compositor brasileiro.

Naqueles idos dos anos de chumbo e até recentemente a nossa classe média acalentava o sonho (o discreto charme da burguesia?) de transformação social teimando buscar nas raízes culturais brasileiras seu suporte teórico para a ação revolucionária. Foi nesta que o Teatro de Arena – lá estão Augusto Boal, Oduvaldo Viana, Armando Costa, Paulo Pontes, Tereza Goulart, CPC da Une – elevou o experiente compositor Zé Kéti à condição de artista cênico.
A peça Opinião foi baseada na sua música. A opinião de um caboclo que reinventa o cotidiano “apesar de você” e dos dissabores da vida de pobreza:

“Daqui do morro eu não saio não
Se não tem água eu furo um poço
Se não tem carne eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar”...(
Opinião).

Igualmente, suas músicas são transformadas em trilhas sonoras nas películas de Nelson Ferreira dos Santos, Roberto Santos, Leon Hirszman, Cacá Diegues...

Nossa homenagem ao renovador da Música Popular Brasileira, no programa Compositores do Brasil desta quinta.

De conversa em conversa, apresentaremos um pouco de sua história enquanto ouviremos:
ABERTURA, com Zé Kéti, Nara leão, João do Vale etc.
CICATRIZ, Zé Kéti e Hermínio Belo de Carvalho com Zé Kéti
PEÇO LICENÇA, de Zé Kéti com Zé Kéti
A VOZ DO MORRO, de Zé Kéti com Os Demônios da Garoa
O FAVELADO, de Zé Kéti com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão
MALVADEZA DURÃO, de Zé Kéti com Elizeth Cardoso
PRAÇA 11, BERÇO DO SAMBA, de Zé Kéti com Zé Kéti
VOCÊ NÃO FOI LEGAL, de Zé Kéti e Celso Castro, com Wilson Miranda
DIZ QUE FUI POR AI, de Zé Kéti Hortêncio Rocha, com Zé Kéti
OPINIÃO, de Zé Kéti com Zé Kéti
NEGA DINA, de Zé Kéti com Zé Renato & Alcione
MASCARADA, de Zé Kéti e Elton Medeiros, com Zé Kéti
MÁSCARA NEGRA, de Zé Kéti com Zé Kéti

Quem ouvir verá!

Informações:
Programa Compositores do Brasil
Sempre às quintas-feiras, de 14 horas as 15 h.
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz
Pesquisa,produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmitido pela www:cratinho.blogspot.com

Frase do dia.

“Isabel, você acha que tem quem durma com uma zoada daquelas?”.

Joaquim Gomes Fiúza.

Historia.

Numa festa de São Raimundo, daquelas muito animadas, Joaquim Fiuza chegou nas barracas, encontrou-se com alguns amigos e danou-se a tomar cerveja gelada. Quando deu por ela estava no "Frejo". Durante o pouco período que passou na fusaca mais de 50 pessoas foram enredar a Dona Isabel, sua esposa. Quando a barra quebrou que Joaquim chegou em casa dona Isabel disse: Joaquim, não minta: você dormiu no cabaré? Ele pronunciou a frase acima: Ou Isabel, você acha que tem quem durma com uma zoada daquelas?
postado por a. Morais

SITIO CHICO - Joaquim Jose Vieira - Seu Quinco - in memoria.

O Chico é o meu torrão
A terra onde fui nascido
Meu velho Chico querido
Onde só tem cidadão
Que não gosta de questão
De caráter e de respeito
Que não tem nenhum sujeito
Sem vergonha e descarado
Seja solteiro ou casado
Sendo do Chico é direito

É o Chico do fiúza
E da família Vieira
Que gosta de brincadeira
Pois qualquer um deles usa
Que possui e não abusa
Muita calma e paciência
Não gosta de violência
Nem nunca são atrevidos
Por isso são protegidos
Da Divina Providencia

Nunca foi terra de brigas
Ninguém aqui anda armado
Seu povo é acostumado
A conviver sem intriga
E tudo isso se liga
A quem tem bom coração
E gostar de união
Pra ele não dar fadiga
Nem que sofra da barriga
Mas não faz ingratidão

Eu conheço todo o Chico
Desde a minha infância
E em termos de ganância
Não existe ninguém rico
Muito satisfeito fico
Com este gosto brilhante
Todos aqui são amantes
De uma paz muito forte
Seja na vida ou na morte
Respeita o seu semelhante

Com relação a respeito
Nosso chão é premiado
Não existe acanalhado
E nem mulher desonesta
Toda mulher daqui presta
E respeita seu marido
Não tem ninguém atrevido
Pra tentar conquistar ela
E se for uma donzela
Seu respeito é garantido

E não tem homem casado
Que tenha mulher por fora
A sua esposa nunca chora
Por isso já ter se dado
Ele é sempre honrado
Que vive para a família
E nunca saiu da trilha
Praticando este pecado
Pois já é acostumado
A fazer ação que brilha.

O leitor pode saber
Que não estou exagerando
Peço que vá perdoando
O que eu ei de fazer
É só lhes agradecer
Todos nós temos defeitos
Completamente direitos
Todos cheios de encantos
Todos nós éramos santos
Não tinha quem desse jeito

Eu aqui posso ter dito
Alguma coisa aumentando
Porém fique acreditando
Que o nosso Chico é bonito
Vou lhes dizer por escrito
Que durante uns cem ano
Todo aqui foi humano
Só houve um assassinato
E possa ser que no fato
Tenha alguém do centro urbano

Nunca se viu um ferido
De bala nem de peixeira
Para sair na carreira
E na rua ser socorrido
Todo mundo é unido
Vivemos na santa paz
Homem mulher e rapaz
Sem haver um imprevisto
Confiando em Jesus Cristo
Pois é assim que ele faz

Queria viver cem anos
Todos cem aqui no Chico
Mesmo pobre sem ser rico
Sofrendo meus desenganos
Sempre fazendo meus planos
Dentro do meu coração
Pois eu acho sem razão
E não acho a coisa boa
Quando alguma pessoa
Critica do meu torrão.

Enviado Por Magnolia Fiuza.

terça-feira, 13 de julho de 2010

BOTARAM COLORAU - Por Mundim do Vale

Meu irmão João Morais, a minha cunhada Marta e a minha sobrinha Renata, ainda criança, foram passar uns dias em Várzea Alegre e tiraram um domingo para passar no Sanharol, na casa de Geralda Batista. No mesmo domingo estava também na casa de Geralda a sua sobrinha Mundinha que tinha a idade próxima a de Patrícia. As duas tinha o costume de lanchar; Queijos, biscoitos, pães, frutas e qualhada. Mas não conheciam ainda os iogurtes, que eram novidade na época e ainda não tinham chegado a V. Alegre.
Uma certa hora Marta foi servir um iogurte de morango para Renata e sem querer gerou uma curiosidade nas duas garotas. Uma olhava para a outra e cochichava:
- Mulher o que é aquilo?
- Sei não neguinha! Mas eu queria tanto provar.
Marta saiu com Renata em direção da calçada e levou a embalagem mas deixou a tampa sobre a mesa.
As duas correram para a mesa, mas Patrícia chegou primeiro. Pegou a tampa de alumínio e passou na língua, como quem passa um selo e em seguida fez uma expressão de espanto para Mundinha e falou:
- Basta! Isso é qualhada Mundinha!
Mundinha mais espantada ainda disse:
- Pera. Patrícia! Onde foi que já se viu qualhada dessa cor?
- Pois é qualhada sim.
- Pois então botaram colorau nela.
Fonte: Paula Morais.
Dedico esse causo para toda a aquinada.

Festa de lançamento do Livro "CRATO TÊNIS CLUBE" - Dia 15, 20 Horas - Por: Diana Pierre


Uma Viagem Nostálgica aos Anos Dourados do CRATO TÊNIS CLUBE.

Com um Cocktail e um Baile Dançante animado por Hugo Linard e seu Conjunto, será realizado no salão do Crato Tênis Clube nesta quinta-feira dia 15 de Julho, o lançamento de um dos mais importantes livros do ano, sobre a História, as Histórias, e Depoimentos sobre o mais importante Clube da Sociedade Cratense. O livro foi escrito por mais de 20 pessoas, que compartilham relatos acerca dos grandes bailes, carnavais, Reveillons, curiosidades e outros fatos pitorescos que aconteceram no Crato Tênis Clube nas décadas de 50, 60 e 70. A entrada custa R$ 20,00 e dá direito a receber um exemplar do livro. São esperadas mais de 500 pessoas no evento. Vale salientar que este livro é coordenado pelo mesmo grupo que lançou no ano passado, o já famoso "ANOS DOURADOS - PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS". No dia 14, amanhã, haverá uma homenagem da banda municipal na Praça Siqueira Campos, às 19h.

Prestigie!
Compareça ao Crato Tênis Clube nesta Quinta-feira dia 15 de Julho, e se delicie com o Cocktail, com o baile, reveja os velhos amigos dos Anos Dourados do Crato Tênis Clube !

Fonte: Diana de Albuquerque Pierre
Foto: Diana Pierre - Por: Dihelson Mendonça

Uma boa notícia – postado por Armando Lopes Rafael


A notícia abaixo corre hoje o mundo:
Grupo de sete ex-presos cubanos chega à Espanha
Todos eles permanecerão exilados no país na condição de refugiados políticos
O
primeiro grupo de presos políticos cubanos libertados pelo governo após negociações com a Igreja Católica e com a chancelaria espanhola chegou nesta terça-feira à Espanha. Os sete ex-prisioneiros fazem parte de um acordo maior, que envolve 52 dissidentes a serem soltos em até quatro meses. Pablo Pacheco, José Luis García Paneque, Léster González, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, Omar Ruíz e Ricardo González formam o primeiro grupo a ganhar liberdade após terem sido presos em 2003. Os sete foram soltos na noite de segunda-feira.
Seis deles foram colocados em um voo da Air Europe com destino a Madri, juntamente com suas famílias. Já o sétimo opositor viajou na madrugada da terça em um voo da companhia Iberia e chegou ao aeroporto de Barajas às 14h no horário local (9h de Brasília). Todos eles permanecerão exilados na condição de refugiados políticos. Acordo - Após negociações com a Igreja Católica e a chancelaria espanhola, o governo de Cuba se comprometeu a libertar 52 presos políticos nos próximos quatro meses. Todos os dissidentes beneficiados foram detidos em 2003, na onda de repressão que ficou conhecida como "Primavera Negra". Se lavada adiante, essa será a maior libertação de presos cubanos desde 1998, quando 299 foram soltos após a visita do papa João Paulo II a Havana.
Em resposta ao acordo, o opositor Guillermo Fariñas encerrou a greve de fome que mantinha havia 135 dias. No entanto, segundo seus médicos, Fariñas ainda se encontra em estado grave e corre risco de morte.
Meu comentário
Guillermo Fariñas, este é - realmente - o Cara!
Um homem simples! Jornalista, psicólogo, que conseguiu dobrar a dupla de ditadores Fidel e Raul Castro. Com sua forma moral, depois de 134 dias em greve de fome pela libertação de seus companheiros de prisão, Guillermo Fariñas ganhou uma batalha, mas ficará com as sequelas do duro combate, pois o terreno onde tiveram lugar as ações dessa guerra singular foi o seu próprio corpo que é, afinal de contas, o único espaço que lhe restava para levar a cabo a sua campanha.
Fariñas, seu lugar está reservado na História!
Aos ditadores da dinastia Castro, que há mais de 50 anos fizeram de Cuba a "ilha-prisão", – e seus bajuladores– fica destinado a lata de lixo da História...
A História é implacável...

Frase do dia.

"E os mais bestas eram os padres que tiravam as rezas".

Joaquim Piau.

Historia:

Joaquim José Vieira, Joaquim Piau, o avô do nosso amigo Mundim do Vale, viajava de Várzea-Açegre para Fortaleza e na passagem pelo Icó um padre sentou-se na poltrona do lado. Isso no final da década de 40 do século passado. Conversa vai, conversa vem, o fato é que ao chegarem em Messejana o padre se despediu dizendo: Gostei muito do senhor, gostei muito da sua conversa, o senhor é de onde? Joaquim Piau respondeu: de Várzea-Alegre! Então o padre exclamou: terra de gente besta, passaram 40 anos rezando para um santo diante da imagem de outro. Aí, Joaquim Piau disse a frase citada acima. "E os mais bestas eram os padres que tiravam as rezas".
Dedicado ao amigo Mundim do Vale.

O time que preferiu morrer a perder - Colaboração Eudes Mamedio.

A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram uma partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar.
Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo. Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por que um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas. Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo.
A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo. Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich. Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe. Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores. O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa. Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores. Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich. Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.
Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1. Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã. A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo. Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:- "Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado", exigindo que eles fizessem a saudação nazista. Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: - "Heil Hitler!", gritaram - "Fizculthura!", uma expressão soviética que proclamava a cultura física. Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1. Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:- "Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo". Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar. Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo. Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria. O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte. Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942. Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores. Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz "Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista". Esta é a história da dramática "Partida da Morte". O cineasta John Huston inspirou-se neste fato real para rodar seu filme "Fuga para a vitória" (Escape to Victory) de 1982 que chamou muita atenção à época do lançamento porque dele participaram grandes nomes do cinema como Michael Caine, Sylvester Stallone e Max Von Sydow, mas muito mais pela participação de algumas estrelas do futebol, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, Kazimierz Deyna e Pelé. No filme John Huston fez o que não pôde o destino: salvar os heróis.