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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A SECA - ROLDÃO ARRUDA



A seca no Semiárido nordestino, que, de tempos em tempos, mobiliza as atenções do País, tem duas faces, segundo o professor José Jonas Duarte da Costa, da Universidade Federal da Paraíba. Uma delas – marcada pela ausência de chuvas – é a face natural. A outra é a socio-histórica, que ele considera “muito mais grave e devastadora”.

O professor assegura, que, ao contrário do que muita gente pensa, a região não tem sido esquecida pelo Estado brasileiro. Volumes consideráveis de dinheiro têm sido sistematicamente enviados para promover o desenvolvimento do Semiárido, enquanto o número de siglas de projetos e empresas envolvidos com a questão só aumenta. Entre elas aparecem DNOCS, Codevasf, CHESF, BNB, Sudene, ProHidro, PAPP, 

Projeto Sertanejo e outros.

O problema é que o dinheiro não chega a quem mais precisa: é embolsado pela oligarquia econômica e política que controla a região. Por outro lado, os projetos públicos lançados ali não são os mais adequados para a região.

Costa é doutor em história econômica pela USP e mestre em economia rural pela Federal da Paraíba. Além de ensinar, atua como pesquisador visitante do Instituto Nacional do Semiárido (Insa). Na entrevista abaixo, ele afirma que a região nordestina poderia ter um elevado grau de desenvolvimento se os projetos fossem adequados e os recursos não fossem embolsados pelas oligarquias.

Na entrevista abaixo, ele dá mais explicações sobre a pior face da seca.
O Semiárido enfrentou em 2012 um dramático período de estiagem. Em recente artigo sobre a região, o senhor atribuiu os problemas a políticas equivocadas de combate à seca.
Não se trata apenas de equívocos, mas, sobretudo, de projetos e políticas que serviram a interesses menores, de grupos econômicos dominantes, de características oligárquicas ou empresariais. Tais grupos sempre se beneficiaram de modelos economicamente concentradores e socialmente excludentes. Para mim, essa é a questão chave: os projetos e políticas públicas, além de equivocados,  obedeceram a interesses privados, minoritários, excludentes. 

Isso ocorreu mesmo com a Superintendência de Desenvolvimento Econômico do Nordeste, a histórica Sudene?

Sim. A exceção foi a atuação da Sudene durante os governos de Juscelino a Jango. Dirigida por Celso Furtado e um grupo que ele formou, até o golpe de março de 1964, aquela superintendência seguia a lógica de atrair investimentos e democratizar o acesso à terra e à água, por meio da reforma agrária. Depois de Furtado esqueceram a reforma e, consequentemente a democratização da terra e da água.

Os recursos públicos não chegam à população mais necessitada?

Não chegam. Infelizmente. Numa sociedade desigual como a nossa, eles beneficiam os mais poderosos em praticamente todos os projetos.

Isso ocorre atualmente?

Estou falando da realidade de hoje. Na Paraíba, o governo estadual tem feito enorme esforço para garantir o fornecimento de ração aos agricultores familiares, mas os grandes fazendeiros e empresários se apossaram do programa e são eles quem, de fato, têm acesso à ração animal. O mesmo tem acontecido com o programa de distribuição de milho que o governo federal subsidia: só os produtores com melhores condições obtêm acesso ao programa.

O que seria necessário mudar, na sua avaliação?

No plano político seria preciso quebrar a estrutura de poder oligárquico que se alimenta da seca. Por mais paradoxal e triste que seja, ainda é comum assistirmos a políticos profissionais que se beneficiam e tiram proveito eleitoral da situação caótica. Aparecem como defensores dos flagelados e oprimidos. Criam logo uma SOS Seca e tornam-se garotos midiáticos, preparando as bases eleitorais para as próximas eleições, prometendo “vestidos a marias e roçados a joões”, como dizia a música de Gilberto Gil em 1968.

Como romper esse círculo?

Romper essa estrutura política significa eleger outros interlocutores para um diálogo franco de construção de alternativas de convivência com a seca. Não se pode aceitar mais que os políticos locais sejam os intermediários entre os projetos de enfrentamento da questão e a população que espera os chamados benefícios. É necessário criar mecanismos de democracia participativa efetiva, onde o povo organizado participe dos fóruns de decisão e dirija os processos de execução de políticas públicas. Não é fácil, mas é preciso fortalecer as organizações populares, os movimentos sociais, setores da igreja, sindicais.
Essas organizações alternativas também apresentam problemas e dificuldades.

Existem vícios e problemas na execução dos projetos, mas, sem dúvida, de longe, com muito menos casos de corrupção, desvio de conduta e descaminhos de projetos. A experiência da ASA (Articulação do Semiárido)  com as construções de cisternas de placas, cisternas calçadão, barragens subterrâneas, etc, é um exemplo de eficiência. No plano mais amplo, é preciso montar uma infraestrutura produtiva em função das condições peculiares da região.

O senhor fala em convivência com a seca. Isso é possível?

Cerca de dois terços das terras do planeta estão em regiões de clima árido ou semiárido. E em muitos desses lugares as pessoas vivem bem, muito bem. O nosso semiárido é o que mais tem chuvas no mundo e um dos que apresentam maiores potencialidades. É preciso deixar claro que o Semiárido não é só pobreza, miséria e seca. É uma região com dificuldades e desafios, mas com potencialidades enormes, muitas belezas e riquezas. Conhecemos produtores, em pleno Cariri paraibano, região das mais secas do Brasil, onde não chove há praticamente dois anos, que ainda não sentiram o drama da seca. Na realidade sentiram mais o efeito da dizimação da palma forrageira pela praga da cochonilha do Carmim do que da seca. Esses agricultores aprenderam a viver em zona seca, semiárida, com pouca chuva. Vivem com muita dignidade e altivez.

Como conseguem?

No período das chuvas produziram e armazenaram alimentos para os seus rebanhos – e até agora dispõem de reservas para alguns meses. Também aprenderam a estocar água para utilizar nos períodos de longas estiagens. São produtores de agricultura familiar que não deixam a desejar em produtividade, eficiência e qualidade a nenhum produtor das regiões mais chuvosas do Brasil. Produtores com média de 20 litros de leite por vaca em plena seca. Apenas montaram infraestrutura tecnológica adaptada ao semiárido. Não transplantaram modelos produtivos de outras regiões. Assim como os suíços se preparam para o rigoroso inverno, com nevascas e gelo que matam tudo em suas terras, assim como árabes e judeus se preparam para as adversidades climáticas, os sertanejos sabem se preparar para a vida sob as condições climáticas próprias dessa parte do Brasil.

O senhor fala em potencialidades da região. Elas não são exploradas?

Não. E são muitas. Um exemplo: poderíamos exportar para todo o Brasil energia elétrica a partir da energia solar. Outro exemplo: poderíamos exportar proteína animal, como se vê em outras áreas semiáridas do mundo, e fornecer queijos finos de leite de cabra. Temos cerca de 90% do rebanho caprino nacional, plenamente adaptado ao clima local.
Chama a atenção, no artigo que escreveu, a lista de siglas de programas para a região.
Lembrar essas siglas é quase lembrar a história do Brasil. O IFOCS, que virou DNOCS, atuou na perspectiva de uma solução hidráulica para a seca. Construiu uma infraestrutura de açudes e barragens que deu à região um razoável suporte hídrico. No entanto, desmentindo o paradigma da solução hidráulica, nos anos 80, quando o Semiárido já dispunha de todos os mananciais que dispõe hoje, veio a crise da cotonicultura, que, articulada com a crise econômica dos anos 80 e as secas, provocou o maior fluxo migratório da história. Cerca de 5 milhões de sertanejos deixaram os sertões secos do Brasil.

Esse paradigma hidráulico foi abandonado?

Embora desmoralizado, setores políticos hegemônicos ainda tentam resgatá-lo no Nordeste, certamente para tentar se beneficiar.

E as outra siglas e políticas públicas?

O BNB (Banco do Nordeste do Brasil)  tornou-se o maior latifundiário do Nordeste, pois é credor de uma dívida impagável por parte da grande maioria dos proprietários de terra da região. Também tem CHESF, Codevasf e os programas de emergência: Projeto Sertanejo, Reflorestamento com Algaroba e outros. Todos tem sempre o mesmo objetivo: desenvolver o Semiárido. O problema é que todos se baseiam em modelos importados, que não levam em conta as as potencialidades da região.

De que maneira os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, afetam a região?
O Bolsa Família funciona como política compensatória diante da incapacidade do Estado para superar a pobreza, o desemprego e a miséria, características do sistema capitalista, especialmente na sua periferia. Para uma efetiva distribuição de renda seria necessário alterar o modelo que privilegia o lucro exacerbado e o acúmulo de capitais. O atual governo, embora tenha reforçado os programas sociais, não alterou a estrutura espoliativa do trabalho no Brasil. Não mexeu nos privilégios.

Mas o programa não teve impactos?

O Bolsa Família teve e tem impactos importante na redução dos índices de fome e miséria nos sertões semiáridos. Ele também propicia uma circulação monetária que cria uma espiral virtuosa em economias locais, onde predomina a baixa renda. Nos sertões, além de reduzir a miséria, levou ao escasseamento da mão de obra, melhorando os padrões salariais para uma parcela das classes trabalhadoras de rendas baixíssimas. Esse é um impacto perceptível. Por outro lado, gera um processo que pode se voltar contra a própria classe trabalhadora, que tende a acomodar-se. Como vivemos um momento de inflexão das lutas sociais, o Bolsa família que alimenta o trabalhador é o mesmo que o paralisa na luta por sua emancipação, o domestica politicamente, para a reprodução da exploração sobre o seu trabalho.

E do ponto de vista político-eleitoral?

Os programas sociais têm reflexos direto na popularidade do governo. Quem, como eu, viveu a infância e juventude nos sertões nordestinos, não esquece as cenas de fome e desnutrição, inclusive tendo a morte como companheira próxima – algo comum nas famílias dos agricultores pobres. Hoje ainda existe muita fome, miséria, desnutrição, mas não comparáveis ao que havia naqueles tempos. A grande popularidade do governo se explica porque, embora de um lado realize os sonhos dos capitalistas que “nunca antes na história desse país” acumularam tanto, de outro, promete acudir parte dessa população, historicamente desassistida, ainda despolitizada e que, sob essas condições, só poderia reagir agradecendo.

ENVIADO POR AMIGOS DE DEUS


Por que Deus permite que Seus filhos tenham problemas? Bem, as razoes são muitas, mas podem ser resumidas em uma palavra: BENEFÍCIOS. Ele Vê os benefícios. Provas e tribulações fortalecem e moldam o nosso caráter. Fazem de nós pessoas e cristãos melhores.

Conta-se a historia de um fabricante de violinos que por anos procurou a madeira que desse aos seus instrumentos uma ressonância especial e inesquecível. A sua busca finalmente terminou, não num viveiro de arvores ou num bosque em algum vale protegido, mas no alto de uma montanha, onde as arvores eram raras e os ventos, tão violentos e constantes que forçavam os galhos a inclinarem-se na mesma direção,   não permitindo que nesse lado onde batiam, crescesse casca no tronco das arvores. O veio da madeira das arvores assoladas pelas tempestades entrelaçava-se no padrão mais intrincado de qualquer madeira que já houvesse encontrado. Era firme, dura, forte e dava aos seus violinos aquele som especial.

Igualmente, quando Deus prepara os Seus filhos para o seu lugar no Reino, não os coloca em terras baixas e protegidas, mas em regiões montanhosas e acidentadas onde tem que aprender a resistir as tempestades da vida. Os que resistem tornam-se fortes e robustos. São os materiais escolhidos por Deus e cujas vidas emanam uma beleza especial.

Os testes e tribulações da vida também nos tornam mais cientes das nossas fraquezas e limitações e assim aprendemos a depender mais de Jesus. Como as arvores na encosta da montanha que aprofunda bem as suas raízes nas fendas entre as rochas, agarramos ao Senhor para salvar as nossas vidas. Nesses lugares difíceis e desolados, vemos que Ele é o suficiente para nos sustentar, e ficamos mais fortes, por aprendemos a nos valer da Sua força.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O ex-miserável que continua paupérrimo - por Augusto Nunes



Às vésperas da celebração dos 10 anos da Descoberta dos Cofres Federais, a presidente da República animou a quermesse do PT com outra notícia assombrosa: falta muito pouco para a completa erradicação da miséria em território nacional. “Mais 2,5 milhões de brasileiras e brasileiros estão deixando a extrema pobreza”, informou Dilma Rousseff em 17 de fevereiro. Eram os últimos indigentes cadastrados pelo governo federal. Graças aos trocados distribuídos pelo programa Brasil Carinhoso, todos passaram a ganhar R$ 71 por mês. E só é miserável quem ganha menos de R$ 70. Passou disso, é pobre.

Nesta segunda-feira, depois de cumprimentar-se pela façanha, Dilma reiterou que o miserável-brasileiro só não é uma espécie extinta porque cerca de 500 mil famílias em situação de pobreza extrema estão fora do cadastro do Bolsa-Família. “O Estado não deve esperar que essas pessoas em situação de pobreza extrema batam à nossa porta para que nós os encontremos”, repetiu. Serão encontrados até dezembro de 2014, prometeu no Café com a Presidenta. Estejam onde estiverem - num cafundó da Amazônia ou no mais remoto grotão do Centro-Oeste -, serão obrigados a subir na vida.

Enquanto isso, perguntam-se os que não perderam o juízo, que tal resolver a situação dos incontáveis pedintes visíveis a olho nu, o dia inteiro, nas esquinas mais movimentadas de todo o país? O que espera a supergerente de araque para estender os braços onipresentes do governo às mãos de crianças que vendem balas, jovens com malabares, adultos que limpam parabrisas sem pedir licença, mulheres que sobraçam bebês, velhos hemiplégicos e outros passageiros do último vagão? Porque não são miseráveis, informam os especialistas em ilusionismo estatístico a serviço dos farsantes no poder.


Sobre um ex-chefe de Estado convencido de que o Brasil nasceu com ele -Por Carlos Brickmann



Esta é a história de um ex-chefe de Estado, convencido de que o Brasil nasceu com ele e que, antes, nem chegava a ser país. Tratava-se de uma reles colônia.

Um governante hábil, cercado de um imenso cordão de puxa-sacos, que beijava suas mãos e se ajoelhava diante dele. De certa forma, tolerava a imprensa, mas gostava de imiscuir-se na orientação dos jornais e de brigar com os jornalistas que não aceitavam suas imposições. Ai deles! Os inúmeros (e bem recompensados) adeptos do guia supremo os perseguiam e agrediam nas ruas.

Mesmo gostando de aparecer, passou muito, muito tempo sem dar entrevistas. Era chefe de Estado, mas tinha profunda afinidade com os costumes do povo. Viúvo, casou-se de novo; mas sua esposa não tinha o direito de se manifestar em público. Quem mandava mesmo era a amante paulista, que nomeava e demitia, que beneficiava a família e seus protegidos, não tendo a menor preocupação com o escândalo que provocava. Era a namorada do chefe; quem não a apreciasse tinha todo o direito de obedecê-la, favorecê-la e calar-se.

A-do-ra-va dar palpite na política de outros países. Trouxe para o Brasil, regiamente pagos, aventureiros internacionais para auxiliá-lo nas tarefas a que se propôs – jamais se incomodou que fossem estrangeiros.

Fez seu sucessor, pessoa de boa-vontade, mas pouco eficiente – foi quem, por exemplo, prometeu gastar o que fosse preciso para levar água aos nordestinos.

Esta é a história, claro, de D. Pedro I, que acaba de ser exumado.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Blog Humor.


Aproveitando a ausência dos patrões, Dircinéia pega o telefone e fofoca com a amiga Craudete: Oi Crau, hoje de manhã eu fui à feira. Antes de sair, meu patrão me pediu para eu trazer figo.
Aí eu perguntei:
Figo fruta ou bife de figo? O home ficou uma fera.
Gente fina, seu Adamastor, num ligo não. Ele tem sistema nervoso. Também, com um emprego chato daqueles, vou te contar. 
Ele é Fiscal da Receita. Deve ser um saco ficar conferindo receita de médico o dia inteiro.  Depois chegou o Adamastorzinho, o filho mais novo deles. Acabou de ganhar um carro todo equipado. Tem roda de maionese, farol de pilha, teto ensolarado e trio elétrico. Não sei por que trio elétrico num carro deve ser porque ele gosta de música baiana.

Cê num sabe da úrtima? Eu discubri que aqui nessa mansão que eu trabaio é tudo fachada! Como assim, Dircinéia?- pergunta a colega, confusa.
Nada aqui é dos patrão ! Tudo é imprestado! TUDO! Cê cridita numa coisa dessas? Óia só: a rôpa que o patrão usa é dum tal de Armani... a gravata é dum tal de Perre Cardine... os moveis são do tal Luis quinzi, o carro é de uma tal de mercedes... nadica de nada é deles.
Nooooossa, que pobreza!

E além de pobre, eles são muito inzibido, magina que ôtro dia eu escutei o 'patrão no telefone falano que tinha um Picasso.
E num tem?
Que nada, fia... é piquinininho de dá dó !'

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

SE  FOSSE  MAIS  OTAVIANO  NUM  TINHA  AVIRISSIDO  ISSO.

No tempo em que não havia água encanada em Várzea Alegre, a água era transportada em jegues, o pessoal colocava a cangalha, duas caçambas e quatro latas de querosene vazias. Os condutores que transportavam a água da lavanderia até as casas, eram na maioria das vezes os filhos mais novos, quando não estavam em seus horários escolares.
Um dia o Senhor Pedro Tonheiro chamou um dos seus netos e falou:
- Vá porcurar Otaviano pegue o jumento e vão buscar buscar água na lavanderia.
- Mas vô. Fáis tempo qui eu precuro ele e não acho. Seu Belizaro disse qui incontrou ele indo pras Panela.
- Então chame seu irmão mais novo e vá com ele.
- Dá certo não vô. Ele é muito piqueno e só faz é atrapaiá.
- Mas o jeito que tem é ser ele. Os potes já estão todos secos e não tem água nem pra lavar um lenço.
Os dois netos foram, encheram as latas, botaram nas caçambas e o mais novo ficou na cangalha.
O problema maior pra eles foi que o jumento deles era capado e sendo capado os outros jumentos são danados para perseguir.
Pois foi só o que deu. Quando saíram da lavanderia, vinha um jumento com uma carga de lenha e partiu atrás. Antes de chegar na casa do ferreiro Manu, a carga caiu com menino e tudo. As latas que eram quadradas estavam redondas de tanto rolarem na areia.
O neto mais velho não fez nada e nem podia fazer.
O jegue capado foi encontrado um mês depois no sítio Timbaúba.
Quando Pedro Tonheiro foi reclamar dos netos, dizendo que eles foram displicentes, o mais velho justificou:
- Vô. Num tem minino no mundo qui sigure um jegue capado, quando tem um jegue inteiro detráis dele. Se fosse mais Otaviano num tinha avirissido isso.

O RABO DE ZÉ DE ANA - Por Mundim do Vale.

O  RABO  DE  ZÉ  DE  ANA.

Certa vez o meu tio Vicente Piau, ganhou um galo de presente do seu primo Janjão. Batizou o galo com o nome de Zé de Ana, que era seu tio e ele gostava muito.
O galo por ser muito bonito, tinha um tratamento diferenciado, enquanto os pintos e as galinhas tinham seus alimentos de insetos, Zé de Ana só comia milho e tinha que ser do amarelo. Um dia meu tio sentiu falta de de Zé de Ana e mandou seu filho cascudo procurar:
- Joaquim. Vá procurar o galo, porque desde que o dia amanheceu, que eu não vejo ele.
Cascudo ficou enrolando e o tempo foi passando. Uma hora lá meu tio zangou-se e falou:
- Joaquim. Se Zé de Ana não aparecer, você vai inaugurar meu cinturão novo no espinhaço. Cascudo saiu agoniado na direção do fim da manga e quando voltou já estava escuro. Ficou tentando ganhar tempo, quando seu pai gritou:
- Joaquim ! Você vai ou não vai buscar Zé de Ana?
- Ôxente pai. E eu num já truxe.
- E cadê zé?
- Tá alí no pé daquela cerca. Os pé, o bico e as penas.
- E o galo?
- Pois é pai. Eu tava procurando ele alí no fim da manga, aí iscutei uma zuada dento das moita do Riacho do Machado, aí fui inté lá. Quando eu cheguei lá tinha dois cachorro de Raimundo Beca rasgando ele.
Meu tio muito sentido falou:
- Coitado de Zé de Ana. Mas o culpado foi você. Se tivesse ido procurar na hora que eu mandei, não tinha acontecido isso. Eu vou fazer com você o mesmo que os cachorros fizeram com Zé.
Cascudo tentando evitar o cinturão, deu uma ideia para o pai:
- Pai. Ramo fazer disso; Nóis pega as pena do rabo de Zé de Ana e faz uma peteca pra nóis brincar, aí pai nunca vai isquecer dele.
O pai não concordou:
- Eu tenho uma ideia melhor; E vou lhe dar umas lapadas com o cinturão, que é pra nós dois nunca mais esquecer de Zé de Ana.
E assim o causo termina com meu primo Cascudo inaugurando o cinturão novo do meu tio Vicente. 

Metamorfose dos politicos - Por Antonio Morais



É interessante  o antagonismo dos políticos  antes e depois de chegar ao poder. Vou  citar três casos típicos como exemplo para que você compare ao contexto geral.

Paulo Brossard de Sousa Pinto.

Senador da Republica, Ministro da Justiça e Ministro do Supremo Tribunal Federal. Homem culto, grande tribuno e  um  dos políticos mais corajosos de todos os tempos. Como senador de oposição ao regime militar  não houve nenhum mais  competente. O governo  monitorava suas ações, palavras e atitudes. Certa feita, em comício  no Rio Grande do Sul, disse: Estou sabendo que está cheio de  milicos, no meio do povo, para ouvir o que  aqui vai ser dito, e, eu peço que limpem bem os ouvidos e vão dizer aos seus amos que vocês fazem parte de uma classe muito mal paga por eles. 

Quando Ministro  de Estado da Justiça,  na invasão de Angra, por ocasião da desocupação pela policia, morrerão três  trabalhadores. Perguntado como via a atitude policial ele foi bem claro: Pra servi de exemplo e ninguém invadir bens públicos ou privados.




Eduardo Matarazzo Suplici.

Senador com vários mandatos, o mais babaca, inútil, eleito  por força de  demagogia barata, péssimo tribuno, dicção horrorosa, porém, nada melhor achava  do que ser hipócrita. Antes, adorava ficar do lado de presos,  invasores de terras, e, bandidos, tudo  em nome dos direitos  dos cidadãos. O mais subserviente senador  que vi na historia. Diz uma coisa hoje, defende outra amanha. Tempos outros, Suplici  estaria andando com essa cubana nos ombros, hoje se esconde por trás do medo de perder a legenda e a boquinha de ser  candidato novamente  a cargo eletivo.





Luiz Inácio da Silva.

Esse o mais cara de pau de todos. Do Lula não precisa falar. Que  ideias, que gestos de antes o malandro defende hoje? Nenhum, porém, tudo que era politico seboso e safado, na sua visão anterior, está recuperado, reabilitado e protegidos da ameaça de extinção. 

Bem dizia o Leonel de Moura Brizola: "O Lula  para ser e se manter presidente é capaz de pisar no pescoço da mãe dele".


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TEMPO LIMPO - Por Mundim do Vale.

TEMPO LIMPO.
No ano de 1966, São Pedro parece que estava preocupado com a copa do mundo e esqueceu de mandar chuva para o Ceará. Passou janeiro, fevereiro e já passava do dia 19 de março e nada, parece que São José também estava envolvido com copa.
Era um calor tão intenso que o pessoal de Várzea Alegre procurava ficar embaixo das marquises, para aliviar o calor.
No dia 26 de março, estavam embaixo da marquise da loja de Luís Proto, nossos conterrâneos a saber; Chagas Taveira, Seu Tõe de Cota, Boris Gibão, O motorista Torrão, Zé Athaide,Miúdo de Vicente Grande e Nicolau Inácio.
Um momento lá Seu Tõe de Cota quebrou o silêncio:
- Eita. Qui o negoço tá é rim !
- Chagas Taveira completou:
- É mermo. Vai ser priciso o aparei da Funcema fazer chuver.
- Boris Gibão perguntou curioso:
- E qui aparei é esse?
Nicolau Inácio explicou:
- É um aparelho que joga gelo nas nuvens e faz chuver.
Zé Athaide perguntou:
- E Cuma é qui vão fazer gelo sem ter água?
Miúdo Grande disse:
- Só se for o próprio aparelho.
O motorista Torrão olhou para o alto e completou:
- Apois vai ser priciso o aparei fazer as nuve tombém. Prque eu ispiei pra riba agora e o tempo tá mais limpo do que o palitó de Juciê de Seu Totô.

Obladi Oblada - The Beatles - Por A. Morais

Em Maio de 1969, Gilberto Pinheiro anunciava em seu serviço de som ambunlante a festa da cebola na AABB Crato. Eu e meus colegas do Colégio Estadual Zé Leite, Severiano e Anario nos preparamos durante a semana para irmos a festa.

Naqueles velhos tempos tirar uma moça pra uma dança não era das coisas mais fáceis, faltava coragem em muito caboclo, ela sempre acompanhada dos pais e irmãos, corria-se o risco de levar uma tremenda mala. Mas, a festa era da cebola, ou seja, neste tipo de baile as senhoritas é que tem a função de tirar os rapazes para dançar.

O Conjunto era o badalado “Aguias de Barbalha” talvez o melhor da época. As nossas indumentárias faziam gosto. Eu estava com uma calça de brim, boca de cino, camisa “banlon” azul celeste, gola branca, cabelos longos a moda da época, embebidos de brilhantina, costeletas e bigode, uma munganga.

Passamos primeiro no Bar do Tinga, na Quadra Bicentenário, tomamos uns três runs cada e partimos a pé para a AABB já zoruó. Anário queria por que queria pular o muro, mesmo já tendo no bolso o bilhete da entrada, ele era assim gostava de aventura, qualidade que conserva até hoje.
Quando o conjunto tocou a primeira musica, Obladi Oblada fui surpreendido com um convite para dançar.
Meirinha Brito escolheu exatamente o mais encabulado, mais feio, mais desajeitado, talvez com o receio de receber um corte. Abrimos o baile e por sorte, Meirinha era uma eximia dançarina e dançou pelos os dois. Depois daquele mico e de outros runs eu não dei mais noticias da festa. Sei que deixou saudades.

Dedicado aos amigos Anario e Raimundo Nonato Paraíba.

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Por A, Morais

domingo, 24 de fevereiro de 2013

35 anos - Trapalhões.

Trapalhões - 35 anos de alegria e graça.

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CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

MARIDO  TOLERANTE.
João Pirão era um moço que residia na Praça Santo Antônio, em Várzea Alegre- Ceará. Era um cidadão que não contava com boa aparência, em virtude de ter um olho olhando para o Iguatu e o outro para o Crato. Afora isso era muito trabalhador. Trabalhava no ofício de abater animais. O Marchante casou-se com uma moça do sítio e viva muito bem, até que um dia Luís Bastos o contratou para abater e tratar um porco na sua residência no sítio Varas. João pegou a sua bicicleta e falou para a esposa:
-  Muié. Eu vou lá nas Vara matar um poico de Seu Luís Bastos.
Quando João chegou no Buenos Aires, notou que tinha esquecido a sua ferramenta. Voltou imediatamente e chegando em casa viu a sua fiel esposa agarrada com um funcionário  do Batalhão de Engenharia e Construção do terceiro BEC, que estava sediado em V. Alegre para construir a rodovia 0,60.
Surpresa para os três; O moço do batalhão fugiu pela janela, a mulher ficou vestindo a roupa e João ficou sem fala.
Quando a voz retornou, João falou:
- Mais muié. Cuma é qui você foi fazer uma coisa dessa cum eu? Eu vivo trabaiando prumode butar as coisa dento de casa, quando acabar você bota chife im neu.
A mulher como não tinha nenhum contra-argumento falou aborrecida:
- Apois eu acho é pouco. Pruque tu além de ser fei, num dá de conta do recado. Inté pra ser corno tu num serve.
João saiu triste caminhando de cabeça baixa, quando avistou Acelino Lenadro sentado na calçada de casa e foi até lá pare pedir um conselho:
- Seu Acilino, eu vim aqui prumode pidir um conselho o sinhor mais eu num sei cuma cumeçar.
- Pode dizer, João.
-O siguinte é esse: Eu fui matar um poico de Luís Basto lá nas Vara, mais quando cheguei no Bonizaro eu ví qui num tava cum meus ferro. Aí eu vortei pra tráis, quando eu entrei dento de casa, minha muié tava cum um caba do bataião. O condendado pulo a ginela e ela ficou butando o vistido na frente aí eu dixe: Máis muié isso é lá sirviço qui  você faça cum um omi qui nem eu, qui tudo qui arruma é pra butar dento de casa. Quando eu dixe isso,  a infiliz fez foi me discompor, me chamou inté de corno. Minha vontade na hora foi de matar a condenada.
O conselheiro Acelino interrompeu dizendo:
- Não faça isso João. Até que pela sua profissão, você você não ia ter dificuldade nenhuma. Mas não faça isso, porque você acaba com a vida dela e a sua.
- O qui é qui eu faço cum ela?
- Bote pra fora de casa.
- E sela vortar?
- Não aceite.
- Máis sela bater o pé e ficar?
- Aí meu amigo, quem tem que sair é você e pra muito distante.
- Máis Seu Acilino, eu num quiria ir simbora da minha casinha não.
- Nesse caso você vai ter que aprender a conviver com o chifre.

'A moça tem algo de especial' - Antonio Marques de Rezende Filho, Leitor.



Penso que a selvageria desses paus-mandados do PT e dos cubanos fizeram mais por Yoani do que qualquer campanha de marketing poderia fazer. Antes, para mim, ela era apenas uma moça corajosa que enviava mensagens a partir de Cuba. Depois de tudo que eu vi aqui passei a considerá-la uma heroína.

Creio que o mundo inteiro passará a prestar mais atenção a ela. Pensarão, assim como eu: Essa moça deve ter algo muito especial para incomodar tanto a essas pessoas. Fizeram tanto esforço para atingi-la e só conseguiram aumentar o seu prestigio.

Pobres diabos é o que são.

MOMENTO DA POESIA... - Por Claude Bloc

 ...Quatro cantos ...
 - Claude Bloc -
Reprise.

Fico quieta...
Deixo que a tarde
inunde a casa.
Retiro dos quatro cantos
a saudade acumulada,
as flores abandonadas
e então, livre de tanta espera,
olho o tempo, quando anoitece
quando o relógio bate apenas
as horas de alegria
e estampa nossos sorrisos
em volta da mesa
nossos passos pelo tabuado,
todos os sinais que ficaram
onde os sonhos
entrelaçam as mãos. 

Claude Bloc

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

O  ENTERRO  DE  VICENTE  ARAME.

Eu aqui não consigo precisar o ano, mas posso afirmar, que foi num ano de um bom inverno e uma grande safra de arroz, em Várzea Alegre – ceará.
O Sr. Prefeito chamou o seu secretário e falou:
- Esse ano nós vamos fazer a resta do arroz, eu quero que você cuide do projeto, tomando todas as providências.
O secretário arrumou um animal e mandou Vicente Arame ao sítio Unha de Gato, para avisar a Chico de Zé Joaquim, que viesse a Várzea Alegre, para conversar com ele.
Era ainda no mês de maio mas Chico veio atender o chamado. Quando encontrou o secretário foi logo falando:
- Pronto. Seu secretaro !
- Chico, eu mandei lhe chamar aqui, porque o Sr. Prefeito vai fazer a festa do arroz no mês de junho e eu queria contar com você.
- No qui eu puder, pode contar.
- Eu queria que no dia 26 de junho, você viesse com o seu pessoal.Traga a banda de pífano, o grupo de maneiro pau e os Cortadores de tesouras. Mas chegue cedinho, que é pra dar tempo deles vestirem as fardas que o Mestre Vicente Salviano vai fazer.
- Pode deixar qui eu cuido de tudo.
Quando foi no dia 24 de junho, faleceu uma tia do prefeito. E o prefeito ordenou que fosse suspensa a festa. Na manhã do dia 25 o secretário arranjou um cavalo e mandou Vicente Arame para a Unha de Gato, para avisar a Chico que não trouxesse mais o pessoal.
Quando amanheceu o dia da grande festa, o secretário tomava o café da manhã, quando chegou Chico de Zé Joaquim e Zé Sobrinho. O secretário assustou-se mas foi logo dizendo:
- Chico eu pedi para você organizar o pessoal mas….. Chico foi logo interrompendo:
- Já tá tudo alí na rua de São Vicente. Eu truve os caba do pife, truve os caba do manêro pau e truve tombém os cortador de tisoura.
- Pois era o que eu estava tentando lhe dizer. Morreu uma tia do prefeito e não vai mais ser possível a realização da festa.
- Ôxente omi ! e num vai mais ter a festa não?
- Infelizmente não. Eu até arranjei um cavalo e mandei Vicente Arame  ontem cedinho avisar a vocês. Ele não foi Não?
-  Foi não. E quando nóis vinha decendo, qui passamo na Boa Vista, nóis vimo o cavalo amarrado na ceica e Vicente bebendo cachaça mais Valera na budega de Chico Inaço. E agora o qui é qui eu vou dizer os caba?
- Diga a verdade. Diga que a tia do prefeito faleceu e não vai mais haver a festa. Diga também que vocês deram a viagem perdida, porque o irresponsável do Vicente Arame, não foi dar o recado.
- Apois eu acho qui é mais mió eu num dizer qui foi pru causa de Vicente. Pruque quando nóis for subir, os caba vão vê ele lá im Chico Inaço e aí o tempo vai sifechar. E eu num tou apariado a vim amenhã  subindo e decendo serra, da Unha de Gato pra Rajalegue não.
- E voçê vem para Várzea - Alegre fazer o que?
- Ora mais tá ! Eu vem pru interro de Vicente Arame.

Desordem e Retrocesso - por Maria Helena RR de Sousa



Ô, Brasil, por quem foi que te trocaram? Não és mais o meu país. Esse clima de ódio, de hostilidade, de raiva, de desamor, isso não é nosso. Quem foi o infeliz que te injetou esses sentimentos negativos? Quem fez questão de imitar quem não devia?

Por que essa covardia com uma mulher de 37 anos que tem como única arma a palavra? Que vem de outro país e que luta pelo que acha bom e correto? Que não se mete conosco, que não veio trazer algo que fosse pernicioso para nosso Brasil?

Olhem bem para a foto de Yoani Sánchez e as poderosas armas que usa e depois me digam: o que é aquele bando de sujeitos e sujeitas que a segue pelo Brasil? Vão querer me convencer que aquelas tristes figuras amam Fidel Castro a ponto de não tolerar que uma sua crítica abra a boca para falar?

De onde vem essa paixão por Fidel? Quem a instilou nesses ignoramus? Quero ver se eles sabem o que se passava aqui nas décadas de ’60, ’70, ‘80, ’90, que dirá em Cuba. Queria que um deles, à queima-roupa, respondesse algumas perguntas sobre História ou Geografia das Américas!

Perdemos a educação e a vergonha na cara. Indignação? Ainda se usa isso? Condenação pelo STF é condecoração! As cenas na Livraria Cultura (assim como o palanque do aniversário do PT e seus participantes), que triste retrato do Brasil.

Kennedy foi a Paris em 1960 e passeou em carro aberto. Não pensem que os EUA eram amados pelos franceses. Não eram. Para aqueles ingratos, os amerlots, como eram chamados, gastavam muito dinheiro nas lojas, compravam tudo que viam, lotavam os restaurantes e ainda por cima invadiam bares e cinemas com sua música e seus filmes e seduziam as garotas. Mas foi tratado com toda a politesse e com a segurança que uma nação organizada oferece a seus visitantes.

Bill Clinton e sua filha Chelsea estiveram no Vietnam 25 anos depois do fim daquela guerra de consequências brutais até hoje. Só que o povo vietnamita é instruído e sabe que ele não foi o responsável pela guerra, que até nem nela lutou e por isso, povo e governo receberam muito bem pai e filha.

Já fui encantada com os barbudos de Sierra Maestra, mas desde que eles transformaram Cuba numa triste e decrépita monarquia, o encanto se desfez. Contudo, ainda aposto numa coisa: Fidel, homem inteligente e instruído que é, desconfio que está impressionado com o que vê por aqui e a matutar: ‘Que povinho mais sem categoria’...

Deixo com vocês Fidel Castro em viagens aos EUA. Ele tinha, como tem, inimigos mortais naquele país, mas nenhum idiota ia conseguir chegar perto dele e lhe puxar um fio da barba como fizeram com os cabelos da Yoani nesta selva chamada Brasil.

Isso foi num tempo em que a ordem e o progresso, lá como cá, ainda tinham voz.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

073 - Historias de varzealegrenses - Por Antonio Morais

Expedito Diunisio da Silva.

Expedito, filho de Damiana e Caboclo, residentes no Sitio Sanharol, ao completar dezoito anos foi embora para São Paulo. Chegando lá foi morar na residência de um outro irmão que já estava praquelas bandas há alguns anos.

Expedito saía de um bairro nas proximidades de São Bernardo do Campo para trabalhar no centro. Um belo dia, quando Expedito fazia o percurso, entre sua casa e a empresa da qual era funcionário, foi convidado a ajudar a desatolar um carro que conduzia um motorista, um repórter e um cinegrafista. O Senhor pode nos ajudar, somos da TUPY estamos com muita pressa de seguir viagem a Cotia e o carro está deslizando nesta lama, com qualquer ajuda vai atravessar, disse o repórter.

Expedito pensou, repensou e respondeu com outra pergunta: Vocês são de qual TUPY? Somos da Rede Tupy de Televisão. O Governador do estado está indo a cidade de Cotia inaugurar umas obras e nós vamos fazer a cobertura e não podemos chegar atrasados.

Expedito arregaçou as mangas da camisa, tirou os sapatos, levantou as pernas da causa até a altura do joelho e disse: Vamos lá, vou ajudar: agora se vocês fossem da TUPY que fez uma enxada que eu trabalhava com ela na roça no Sanharol vocês iam se lascar atolados e eu não dariam nenhuma ajuda.

O carro saiu, os cabras foram embora e Expedito ficou todo enlameado. Teve que voltar para casa, banhar-se e trocar de roupa. Por causa da TUPY Expedito perdeu o ponto neste dia e por pouco não perdeu o emprego.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

CHÁ CASEIRO

Capim santo, canela, erva cidreira
Trazem gosto saudável, dão sabores.
Erva doce e hortelão imitam flores
Exalando fragrância verdadeira.

Chá de boldo, de flor de goiabeira
Levarão para longe maus odores.
E na lida diária, quantas dores
Passarão com folhas de laranjeira?

Garantida existe a inalação,
Que nos faz, no nariz, divina ação
Com gotículas pequenas de vapor.

Motivados e com efervescência
Revelamos com toda sapiência,
Que o milagre dos chás é o amor!


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Non son degno de ti - Gianni Morande

O último baile que fui no Crato Tênis Clube, em determinado momento vi um moço de bermudas, sandálias japonesa, boina na cabeça, dançando solto com quatro  acompanhantes. Tudo bem, esse é um direito dele e delas, nada contra bermudas, sandálias ou boinas, mas ali não era o ambiente adequado para aquele tipo de espetáculo. Tanto é que todos os casais deixaram  o salão e se recolheram às suas mesas. 

Ninguém pode roubar, de nossa memória, um tempo mágico onde o cavalheirismo de uma dança fazia-nos flutuar por salões com pessoas especiais. 

Os bailes de antigamente eram assim, como no vídeo, gente educada, bem apresentada, elegante e distinta. “E quem não dançou uma vez na vida de rosto colado não sabe o que perdeu".

Non son degno de te - Gianni Morande.


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ENVIADO POR AMIGOS DE DEUS


Certos amigos são indispensáveis, simples como aquela estradinha de terra no interior, onde do alto da colina podemos avistá-la inteirinha, sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar, são transparentes e confiáveis.

Outros, acabaram de chegar, como estradas que só conhecemos pelo Guia, e vamos nos aventurando sem saber muito bem seus limites, é um caminho desconhecido, mas que sempre vale a pena trilhar.

Tem amigos que lembram aquelas estradas vicinais, que pouco usamos, pouco vemos, mas sabemos que quando precisarmos, ela estará lá, poderemos passar e cortar caminho, mesmo distante, estão sempre em nossa memória.

Por certo, também existem amigos que infelizmente, lembram aquelas estradas maravilhosas, com pistas largas e asfalto sempre novo, mas que enganam o motorista, pois são cheias de curvas perigosas, e quando você menos espera… é traído pela confiança excessiva.

E existem amigos que são como aquelas estradas que desapareceram, não existem mais, mas que sempre ligam a nossa emoção até a saudade, saudade de uma paisagem, um pedaço daquela estrada, que deixou marcas profundas em nosso coração. Foram, mas ficaram impregnados em nossa alma.

E na viagem da vida, que pode ser longa ou curta amigos são mais do que estradas, são placas que indicam a direção, e naqueles momentos em que mais precisamos, por vezes são o nosso próprio chão.

Paulo Roberto Gaefke

O que Lula espera para falar sobre Rose? - por Augusto Nunes


Diante de plateias amestradas, que ovacionam até ponto, vírgulas e reticências, ninguém é mais falante do que Lula. Cercado por devotos genuflexos, todos exibindo a cara deslumbrada de presidiário transferido sem escalas da cela para o set de um filme pornô, ninguém fabrica mais bravatas por minuto do que o ex-presidente.

Reverenciado por bajuladores vocacionais, que começam a gargalhar antes do início da piada, ninguém é mais valente do que o inventor do Brasil Maravilha. Só havia gente assim na festa organizada pelo PT para celebrar os 10 anos da chegada ao poder. E o palanque ambulante sentiu-se como pinto no lixo.

“Todas as coisas que eles pensaram em fazer nós fizemos melhor”, caprichou na abertura do cortejo de bazófias. “Eles”, como sabem os ouvintes castigados pela discurseira interminável, são Fernando Henrique Cardoso, a elite golpista, a mídia reacionária, os granfinos paulistas, os loiros de olhos azuis e todos os demais viventes que se negam a engrossar a seita lulopetista.

“As coisas” são boas ideias do governo FHC prostituídas pelo Bolsa Família, o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

Em seguida, como faz desde 1976, o animador de comício desdenhou da oposição: “Eles estão inquietos, sem valores e sem propostas”. (De valores e propostas Lula entende, sobretudo quando envolvem contratos com a base alugada). Depois, atacou o senador Aécio Neves, gabou-se de eleger qualquer poste e, claro, criticou FHC - sem se atrever a soletrar em voz alta a sigla que está para o SuperLula como a kriptonita verde para o Super-Homem. “Vou dizer apenas que a resposta que o PT deve dar a eles - e eles podem se preparar, podem juntar quem quiserem - é a reeleição da presidente Dilma em 2014”.

As salvas de palmas animaram o campeão da gabolice a cruzar a fronteira da prudência. “Nós não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”, escorregou na areia movediça o recordista mundial de escândalos por mandato.

Risonhos na plateia, os mensaleiros José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha aplaudiram com especial intensidade a ousadia do chefe. Mas os três sabem com quem estão lidando. É possível que Lula faça duas ou três visitas dominicais à cadeia que hospedará os companheiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Mas antes disso terá esquecido o que disse na festa do PT.

 “Nós não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”, diz Lula na festa do PT. O que espera para quebrar o silêncio de 90 dias sobre o caso Rose?

CHARLIE CHAPLIN



Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui. O verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas ideias e a nobreza dos seus ideais.  

Charlie Chaplin

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

DOM HELDER CÂMARA;


"Santo Padre, abandone seu título de rei e vamos reconstruir a Igreja como nosso Mestre, sendo pobres. Deixe os palácios do Vaticano, vá morar numa casa na periferia de Roma. Pode até ter uma praça para saudar e abençoar as ovelhas. Depois, Santo Padre, convide a todos os bispos a largarem tudo o que indica poder, majestade: báculos, solidéus, mitras, faixas peitorais, batinas roxas. Vamos amontoar tudo na Praça de São Pedro e fazer uma grande fogueira, dizendo de peito aberto para o povo: “Vejam, não somos mais príncipes medievais. Não moramos mais em palácios. Todos somos pastores, somos pobres, somos irmãos”.

Dom Helder Câmara.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

PARA  APRENDER  A  MENTIR.
José Haroldo e Vitorino Fiúza, viajaram um tempo para o Rio de Janeiro afim de estudarem e trabalharem. Depois de algum tempo vieram em passeio para Várzea Alegre. No primeiro domingo, Fatico Fiúza reuniu alguns amigos na calçada da casa do Buenos Aires, para uma prosa com os seus filhos. Na reunião estavam; Fatico e a esposa, os dois filhos recém chegados do Rio, Antônio de Sérgio, Chiquito Bilé, Divino Morais, Raimundo de Souzão, Vieira Brito e Pé Véi.
Depois de algumas conversas, Fatico pediu:
- Vitorino conte alguma coisa do Rio para os nossos amigos.
- Vitorino deu início:
- Pois é gente. O Rio é muito diferente do Ceará. O progresso chega primeiro por lá. Para que vocês tenham uma noção, a gente sobe para o décimo segundo andar de um edifício, acionando apenas um botão de um aparelho chamado de elevador.
Veira Brito tomou parte na conversa dizendo:
- Grande merda ! Apois eu subo e desço num pé de coco, sem pricisar de aparei.
Depois do comentário de Vieira, Zé Haroldo deu sequência falando do progresso do Rio:
- Isso aí não é nada. Lá no Rio, quando você chega na porta de uma agência bancária, a porta abre sozinha. É um sistema que funciona provocado pelo calor humano.
Naquele momento quem rebateu a história foi Pé Véi:
- Isso daí num é nuvidade não. Lá im casa o povo entra e sai na hora qui quer, pruque lá num tem nem porta.
Depois de muitas risadas, Vitorino e Zé Haroldo saíram para a cidade e os outros ficaram.
Raimundo de Souzão, que até então tinha permanecido calado, resolveu participar também daquela conversa:
- Ou Fatico ! Esses teus meninos estavam no Rio, era estudando pra aprender a mentir.
                                         

Enviado por amigos de Deus


O ser humano é por natureza acomodado em muitos aspectos. Em várias situações onde deveríamos mostrar garra, responsabilidade, espírito de luta; muitas vezes nos recolhemos, acomodamos, esquivamos na justificativa do "não posso", "não consigo", "não é problema meu", "não sou salvador da pátria" e muitas coisas que poderiam ser feitas, ficam por fazer e o pior; ás vezes não tem como reparar os prejuízos causados em razão da nossa omissão.

"Conta-se que um pequenino beija-flor, preocupado com a destruição do habitat seu e de milhares de outro animais, coloca-se a executar uma árdua tarefa.

Voa até o oceano, enche o bico de água, volta rapidamente e joga a água, volta rapidamente e joga a água no fogo que consome a floresta; mesmo não vendo resultado no seu feito.

Criticado pelos animais e demais pássaros, continua seu trabalho ante o insucesso frente a tamanho incêndio, respondeu: "Estou fazendo a minha parte."

Seria ótimo se esta ou outra mensagem semelhante, chegasse a todos os moradores do mundo, mas, fazer o que: São milhares e milhares de quilômetros. Bilhões de habitantes e tão poucos os que tem iniciativa de fazer a sua parte. Entre os bilhões de moradores da terra, você foi escolhido para receber esta divina advertência. Visamos com esta palavra, alertá-lo, enquanto é tempo. O mundo está envolvido em trevas e pecados.

Só o perdão dos pecados na pessoa de Jesus Cristo poderá restaura-lo e trazê-lo das trevas, para a Luz Eterna, da separação eterna, da falta de paz interior neste mundo presente, para a certeza de uma eternidade feliz.

Faça sua parte, Jesus já fez a dEle.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Historias de varzealegrenses - Por Antonio Morais

Raimundo Rosa Pinho.

Raimundo Rosa do sitio Cachoeira, num daqueles anos difíceis de chuva e ruins de safra, fez promessa com São Raimundo em que se houvesse uma safrinha, mesmo que sofrível, acompanharia a procissão de Agosto junto com o seu melhor amigo - "com os sapatos cheios de caroços de feijão".

Não foi fácil encontrar um amigo que aceitasse ser o melhor. Depois de muita procura Joaquim Luiz do Barreiro aceitou o desafio. Vieram a cidade, puseram os calçados e saíram bem atraz do padroeiro ao som dos dobrados executados pela banda de musica.

Quando passavam pelo beco de Zé Bitu, Joaquim Luiz reclamou: Compadre Raimundo Rosa, eu não aguento mais, meus pés já estão pipocando, cheios de bolhas. Arrancou os sapatos dos pés e os caroços de feijão saíram bolando calçamento abaixo na direção da Betânia.

Vendo aquele sacrifício todo do amigo - Raimundo Rosa perguntou: Compadre Joaquim Luiz você botou foi feijão cru?

A MORTE DO GALO - Por Mundim do Vale.

Essa quem me contou foi o primo Luís Lisboa.

Meu primo Zé André de saudosa memória, sempre gostou de promover brincadeiras; Futebol, debulha de feijão, Adjunto de apanha de arroz e outras atividades lá de nós. Ele bancava as despesas  fazia a organização e prestava a segurança dos eventos.

Numa sexta feira da paixão ele desenvolveu umas brincadeiras no Sanharol e para tanto, convidou seus amigos e parentes. Mas o assunto vazou e ele não teve como evitar, a presença de algumas pessoas inconvenientes. As brincadeiras eram em quatro modalidades; Corrida de saco, corrida com o ovo no pires, a matança do galo e o linchamento do Judas no sábado seguinte. A corrida de sacos ia muito bem até quando Herculano Sabino furou dois buracos no saco para passar os pés. Herculano foi desclassificado e quem venceu foi Bonifácio. A corrida do pires no ovo também ia muito bem até que Paulo de Santiago, foi também desclassificado porque tinha posto mel de engenho no pires para colar o ovo, na prova o vencedor foi Picoroto.

A prova da matança do galo, foi a que deu mais trabalho ao promotor. Enterravam o galo no terreiro deixando só a crista fora, amarravam um rodilha  na cara do candidato e entregavam um cacete de bater arroz. Depois davam umas rodadas para que o candidato ficasse desnorteado. Dos três primeiros, nenhum deles conseguiu bater o cacete a pelos menos dez metros de onde estava o galo.

O quarto candidato foi Zé de Lula. Só que Luís de Cotinha tinha combinado com Zé, que quando ele tivesse no rumo, Luís dava um sinal gritando por duas vezes: - Mata o galo ! Mata o Galo !
Botaram a venda na cara de Zé, entregaram o pau e deram umas rodadas. Zé saiu pelo lado contrário, quando estava com uns dez metros  de distãncia do galo Luís gritou:
- Mata o galo !
Zé levantou o pau e Luis já junto com umas quarenta pessoas deram o segundo grito:
- Mata o galo !
Zé baixou o cacete num monte de terra, que foi bater terra lá na casa de João do Sapo. Naquele momento tinha um moreno do sítio Gibão, que além de não ter sido convidado, tava embriagado. Quando ele ouviu aquela conversa de matar o galo partiu pra cima de Zé do Galo e tome pancada. Quando conseguiram imobilizar o moreno Zé do Galo já estava com a cabeça cheia de galos.
Zé André foi lá e falou: - Meu amigo. O galo que é pra matar é aquele que tá lá no terreiro. - Mas aquele já tá enterrado. Tem que matar é esse.
Enquanto acontecia aquela confusão, Zé de Lula aproveitou e tirou a rodilha da cara, levantou a cacete e deu uma pancada tão condenada no galo, que a ponta do pau ficou enterrado no chão. Depois botou a rodilha novamente e saiu fazendo palhaçada, com os braços abertos e dizendo:
- Cadê o Pau? Cadê? Cadê?
Luís Lisboa foi lá arrancou o pau e colocou a ponta bem perto do fundo de Zé.
Quando Zé disse:
Cadê o pau? Cadê? Cadê?
Luís empurrou o pau e disse:
- Taqui ! Taqui !
Foi preciso novamente a intervenção do promotor, porque Zé também tinha tomado umas cachaças e tava querendo brigar.

Enquanto havia essa outra confusão, Nicolau e Antão Sabino aproveitaram e roubaram o Judas das crianças, que era para ser linchado no dia seguinte. Zé André desgostoso com tanta confusão pediu silêncio e fez seu discurso:
- Pessoal. Tá terminado as brincadeiras, vocês não sabem brincar, então eu dou por encerrado. Quem quiser pode vir amanhã pra missa de corpo presente do galo. Em seguida o promotor foi até onde estava seu primo Zé do galo e falou:
- José vá pra casa e reze um terço com a sua mãe, porque essa missa de amanhã, faltou pouca coisa, pra ser em sua intenção.

Dedicado ao primo Antônio Morais.

O Caderno - Sugestão de Antonio Correia Lima

Já não me lembrava mais do Toquinho cantando “O Caderno”. Sua sugestão trouxe de volta uma das mais belas musicas de todos os tempos. Você propunha uma postagem com o autor da musica, o Toquinho, eu a postei com o Chico Buarque. Assim fiz pelo vídeo, onde vemos um caderno, diversos desenhos e crianças em idade escolar. Aí está para você que é uma eterna criança, curtir na voz do Chico. Obrigado pela sugestão e sucesso para os Blogs da Ponta da Serra e do Toinho.
Abraços.
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A. Morais

OS DESARRUMADOS - Por Antonio Morais



Luiz Bitu, Pedro Morais, Jesus Siqueira de Morais, Anacleto Bezerra e  Cicero Almino.

Eu sou desse tempo. Fazia parte  desse grupo de amigos.  Dois deles são meus irmãos.  Não sei porque razão não estou na foto. A foto é do Creva, se fosse do Sanharol eu estava com certeza. 

As fotografias lembram os causos, e está a lembrar um bastante engraçado.  Eu e o Pedro éramos os filhos mais velhos  do casal José André e Tonha do Sanharol. Em termos de romances a conta foi mal dividida.  Eu não namorei nada, Pedro namorou pelos dois. O homem tinha namorada em Juazeiro, Crato e Várzea-Alegre. 

No carnaval desta foto, 1981,  ele teve uma quebra de asa para uma graciosa e distinta jovem, de família de marca, com grande prestigio econômico e politico. No outro dia só se ouvia o zum zum zum  no Sanharol. Como é que pode?  Num tá vendo que isso não dar certo?  Ele não se enxerga não? Vai chorar godê!

Manuel de Teté que nunca ia em nossa casa, nesse dia foi. Em lá chegando disse para minha mãe: Tonha você acha que pode dar certo um filho de José de Pedro André namorar com uma filha do Coronel Fulano de Tal?  Minha mãe estava calada e calada ficou. 

Esperou Manuel ir embora, entrou no quarto e fez como Dona Santana, a mãe do Luiz Gonzaga. Balançou o punha da rede que o Pedro quase cai fora, e, disse-lhe: Acho bom você vai pensar duas vezes ou vai deixar  essa humilhação continuar? 

Pedro não pensou nenhuma vez, à noite estava com outra debaixo do braço.

A musica do Pedro naquele carnaval  - "Preta pretinha" - Morais Moreira , Elba Ramalho e Toquinho.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A vingança de José Bastos Bitu - Por Antonio Morais

Todo dia de jogo do Fortaleza era o mesmo ritual. Demontiuex Batista saía de casa, apanhava Pedro Morais, Luiz Bitu e seguiam para o Castelão.

Certa feita, quando  apanharam Luiz Bitu, José Bitu ou José Galego de saudosa memoria foi junto. O jogo era Fortaleza e Guarani de Sobral,  time pelo qual torcia José Galego em virtude  de por lá residir. 

No Guarani tinha um jogador de nome Tangerina, que pelo menos neste dia foi um terror marcou os três gols  da vitoria  do Guarani sobre o Fortaleza por três tentos a zero.  Durante toda  partida José Galego não deu um pio, estava em desvantagem, os demais amigos eram torcedores do Fortaleza.

Quando chegaram no apartamento do Luiz Bitu que os dois desceram do carro, José Galego se despediu  dos amigos  dizendo: Tangerina é rim.

VELHOS E BONS TEMPOS - ZINGARA - BOBBY SOLO

Este video é uma dedicação especial aos meus ex-colegas do Colégio Estadual Wilson Gonçalves em Crato 69/71. Certamente, os meus grandes amigos e camaradas, irão lembrar os bailes da AABB e Crato Tênis Clube. Vão recordar o "Conjunto do Hildegardo", o Peixoto cantando Zingara, não poderão esquecer a cuba montila tomada com gosto, poupando porque a "gaita, o dinheiro só dava para uma doze". É querer demais, exigir muito que voltem ao tempo, mas, é bom comparar a musica com as porcarias que, hoje em dia, fazem dos nossos ouvidos pinico.

Grande abraço a todos.

Zingara - Bobby Solo


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Virar a página - por Ilimar Franco


O PT não consegue virar a página do mensalão. Líderes petistas avaliam que José Dirceu devia poupar o partido e deixar de participar da vida partidária. Mas, ao contrário disso, na quarta-feira, no Anhembi, na festa dos dez anos do PT no poder, o Super-Zé vai tentar dividir o palco com o ex-presidente Lula e a presidente Dilma.

Fazer política - Por Merval Pereira


Poucas coisas definem tão bem o mau exercício da política quanto a marquise desabada daquele hospital inaugurado pelo governador do Ceará, Cid Gomes, com show milionário de Ivete Sangalo.


Já soava absurdo o pagamento de R$ 650 mil para festa de um hospital público, mas, quando se sabe que ele funcionava precariamente após a festança e, ainda por cima, desabou em parte um mês depois de inaugurado, temos retrato de corpo inteiro do que seja uma politicagem que explora a miséria no melhor estilo dos coronéis de antigamente.

Os novos coronéis da política brasileira manejam com maestria a tecnologia do marketing político e continuam usando o povo como massa de manobra. O governador do Ceará é o mesmo que dia desses viajou à Europa em jatinho privado pago com dinheiro público, levando sua mãe a bordo. E ficou tudo por isso mesmo.

Ele é do PSB, o partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mas tem uma política independente e deve ser usado pelo Palácio do Planalto para tentar implodir por dentro a candidatura de Campos à Presidência da República em 2014. Já está em negociações com o ex-presidente Lula para uma união de forças a favor de Dilma Rousseff, e nem mesmo seu irmão Ciro Gomes, ex-queridinho de Lula, está sendo aceito nesse complô.

Ciro não é nem Dilma nem Campos e pode acabar apoiando Aécio Neves, desde que o PSDB neutralize a ação política de José Serra, a quem Ciro Gomes tem ódio mortal.

São assim os partidos políticos brasileiros, sem espinha dorsal, divididos em facções, cada qual liderada por um dos chefetes da sigla, em maior ou menor medida todos igualados ao PMDB, um condomínio de lideranças regionais que não têm qualquer projeto além de permanecer no poder o maior número de dias possível.

CHICOS E FRANCISCOS - Por Xico Bizerra.

No mundo encantado da poesia os passarinhos falam e todas as suas palavras se tornam verso e todos os seus versos viram canção. Assim é com os Blancs, os Vinicius, os Angenores e outros da mesma fauna, como Chico, pássaros de asas coloridas e bicos afinados que falavam e cantavam, que falam e cantam. De Chico, as Luizas, Ritas e Carolinas provaram seu cantar e foram tema de sua prosódia. Sua coragem e destemor ganharam o céu, o sol, o sul e o norte e viraram manchete de jornais e notícias de TV. Foi não foi, sua palavra se encontrava com a tesoura de uma certa Solange, obrigando-o a deixar de ser sabiá para ser 'passarim' desconhecido, de ser Chico pra ser Julinho. Escapou de alçapões, badoques e gaiolas e passou a escrever livros. No mundo encantado da poesia tudo é possível aos passarinhos, até calar por uns tempos e apenas escrever livros. Sou do tempo em que os passarinhos falavam, cantavam. Sou do tempo em que os passarinhos escrevem romances. Sou do tempo de Chicos e Franciscos.

Meninin Bitu e José André.



A esses dois cidadãos se juntou Mundim do Sapo. Estava  formada a trindade da graça, do humor e da solidariedade humana. Infelizmente a foto só pegou Meninin Bitu e José André. Mundim do Sapo estava na mesa comendo coalhada. Más, os três levaram um lero muito interessante. Cada um contou  os seus momentos de dificuldades, os quais chamaram-nos de "Hora aperreada". Mundim do Sapo contou  primeiro no que foi  seguido por José André. Coube a Meninin Bitu contar por ultimo, justo na hora que eu tomei chagada dos três. Fui testemunha ocular do fato.

Disse Meninin Bitu: A minha hora mais aperreada foi no dia do meu casamento. Quando disseram tragam os noivos, eu estava tentando vesti um paletó que não me cabia. As mangas curtas, quando puxava uma a outra encolhia, não havia jeito de abotoar os  botões. A gravata não tinha quem soubesse dar o nó. Eita hora aperreada danada! 

Terminada a narração, Mundim do Sapo que prestava uma atenção muito grande  na conversa completou:  Ei Meninin, más também quando disseram apaga a lamparina....

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Historias de varzealegrenses - Por Antonio Morais



Vicente Félix e Vicente de Seu Zezinho eram cunhados e grandes amigos. Moravam no Sanharol e resolveram botar uma roça em sociedade. Escolheram o local na Grota do Domingo, bem próximo a Cruz de Maria de Bil.

Fizeram a broca, queimaram-na e, quando estavam cercando o Vicente Félix que havia comido mamão com semente e tudo, pois avisaram-lhe que era bom remédio para vermes, resolveu mandar um telegrama para o deputado em quem havia votado na ultima eleição.

Quando começou o inverno nasceu um mamoeiro no local onde fora postado a mensagem. Durante todo o período da limpa Vicente Félix cuidava da plantinha como quem cuida de um filho.

O tempo passou, o inverno foi bom e, começou a colheita da lavoura. Primeiro o feijão, em seguida a fava, logo depois o milho e, por fim já em meados de Dezembro foram colher o algodão.

No mamoeiro já bem crescido e cheio de frutos via-se uns mamãos bem maduros, no ponto exato de serem consumidos.

Vicente de seu Zezinho olhou prus frutos e disse: Compadre Vicente Félix, eu tenho muita vontade de comer esses mamãos, mas quando me lembro que eles são teus netos eu desisto.

Pajé.


Pajé da tribo Morubixaba.

Inauguração da agência do Banco do Brasil de Varzea-Alegre.


Da esquerda para direita: Empresario Joaquim Afonso Diniz, Dr. Pedro Sátiro, prefeito municipal, Deputado federal Ossian Alencar Araripe, Governador Virgílio Távora, Nilo Sérgio Viana Bezerra, Zezinho Costa,  e o ex-governador e deputado federal Adauto Bezerra.

A presente  foto marca  a solenidade de instalação da agência do Banco do Brasil de Várzea-Alegre pelas autoridades. O primeiro gerente  e presidente da instalação foi o Senhor Raimundo Norões Matos.

CAUSOS LÁ DE NÓS. - Por Mundim do Vale.

Sexta feira passada dia 16, eu estava no aniversário da minha tia Bibia e sem ter tomado nenhuma bebida alcoólica, de repente senti umas náuseas e uma quentura no peito. Quando algumas pessoas notaram a minha palidez e o corpo gelado me tiraram quase nos braços e me levaram para emergência de um hospital. Algumas pessoas que estavam na festa até confundiram com embriaguês.
Chegando no hospital mediram a minha pressão e o resultado 8,00 x 5,00. Me aplicaram duas garrafas de soro com alguns medicamentos e em seguida mediram novamente, quando o resultado já foi de 10 x 6,00, Não estava ainda normal como está hoje, mas me deram alta, depois de algumas recomendações.
Mas esse comentário foi apenas para ilustrar um causo parecido que aconteceu em Várzea Alegre – Ceará nos anos 60, que eu passo a contar agora.
Ferrim de Bastiana andava nervoso e com uns sintomas parecidos com esses que eu falei acima, quando Seu Dudu falou pra ele:
- Ferrim. Vá lá no consultório do Doutor Colares e peça para ele medir sua pressão, que você não tá bem não.
Ferrim ficou preocupado e saiu quase correndo para o consultório. Chegou lá muito cansado e falou para o médico:
- Dotô ! eu vim aqui prumode o dotô tira o meu tesão.
O bom médico achando se tratar de uma brincadeira falou:
- Ferrim, Você vá lá no Ingém Véi e peça para Chica Perna Grossa tirar, porque eu aqui só faço é medir a pressão.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

BRASÍLIA BRANCA - Por Mundim do Vale.


Os Mamonas Assassinas, ficaram famosos com a Brasília Amarela. E eu fiquei falido com a Brasília Branca.
No ano de 1977, eu fui na Fundação Cearense para fazer um orçamento de pinturas em postos distribuidores de combustível. Quando passei pelo pátio, avistei um brasília exposta ao sol e a chuva. Tratei do orçamento com o Doutor Célio Cirino Gurgel e depois falei:
- Celinho. Me venda aquela brasília que está lá no pátio.
Raimundinho. Aquela brasília não serve pra você não. Ela não presta não.
- Tem nada não. eu também não presto e nem sou habilitado.
Ele concordou em me vender, nós acertamos o preço e no dia seguinte eu vendi um bojão de gás de reserva e fui buscar o carro.
Quando a Fátima soube que eu tinha vendido o bujão para comprar o carro, ficou zangada e falou até em separação. Com muita habilidade eu falei que o carro tinha as suas utilidades e ela terminou aceitando.
A brasília ficou na garagem, que era uma área da casa, por mais de  trinta dias sem rodar. Depois eu arranjei um dinheiro,e enchi o tanque para um  passeio com a família em Pacajus – Ceará. Logo que nós saímos da área urbana eu avistei no início da BR 116, uma placa com os dizeres; “ CONSERVE A DIREITA “ Eu entendi que para conservar a direita, eu teria que trafegar na esquerda para não estragar a direita.
Os caros passavam pelo um lado e pelo outro quase batendo no meu. Até que uma camionete carregada de castanhas bateu de frente. Na chibatada o meu carro ficou com a frente para Fortaleza e a traseira para Pacajus. Eu assumi o prejuízo e o cidadão ficou com o meu cartão para ser resolvido depois em Fortaleza.
Como a brasília não engatava a marcha ré, eu resolvi voltar para Fortaleza porque já estava anoitecendo.
A volta só não foi mais tranquila porque tinha um carro com muita velocidade pedindo passagem, mas o meu carro tava vazando óleo e gasolina, eu não dei a passagem com medo de um choque e a   brasília   explodir. O cara insistia e eu botava toda a velocidade, até que Fátima falou:
- Nanum. Deixa esse cara passar, porque vai terminar havendo um acidente. Eu fastei o carro para o acostamento, diminuindo a velocidade e olhei para ver que carro tão veloz era aquele:
- Diz aí que era um trator de esteiras.
Cheguei em casa botei o carro na garagem  e falei para Fátima:
Ele vai ficar parado até quando eu vender.
Coloquei um anúncio no jornal por seis dias e ninguém ligou, renovei o anúncio e nada.
Um dia eu fui chegando em casa e tinha dois caras na grade, eu fiquei calado e escutei quando um deles disse:
- Nós perdemos a viagem.
Um dia passava um garoto com uma bicicleta velha e eu perguntei:
- Ei cara. Quer trocar a tua bicicleta nessa brasília?
- Tu é doido. É? Nessa bicicleta eu ainda levando trinta E essa brasília ninguém quer nem de graça.
A grade que era fechado com cadeados, eu deixei escancarada para ver se passava um filho de Deus para furtar a brasília, mas nem isso aconteceu.
Meu vizinho da direita tinha uma sucata na Av. José Bastos e eu resolvi falar com ele:
- Enoque. Leve essa brasília para sua sucata, ela não vai lhe custar nada.
- Raimundinho. Eu posso até levar, mas é se você pagar  o reboque!
Eu concordei e no dia seguinte o reboque veio. Quando ele saiu com o carro eu falei aliviado:
- Graças a Deus. Acabou-se meu pesadelo.
Fátima que estava do meu lado falou:
- Ainda não ! Você vai ter que mandar trocar o piso da área, que essa mancha  preta ninguém consegue tirar.

O segredo por trás da renúncia do Papa Bento XVI - Por Eduardo Febbro, de Paris.



Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas.

Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.