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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 31 de outubro de 2010

A PARTILHA DO REINADO - Por Mundim do Vale

O Sr. Abel. Era um vendedor de lenhas lá de Várzea Alegre. Certo dia ele chegou na barbearia de Vicente Cesário e começou a conversar:
- Onte de tarde eu tava tirando lenha na serra do Gravié e achei um reinado encantado. Quando eu desencantei o reinado era tanto do ouro, tanto do luxo e a princesa a coisa mais linda do mundo me deu logo um beijo. Depois me chamou para tomar banho na fonte, me Amostrou logo o castelo, as armas, os súditos e me apresentou o rei e rainha. Ela disse ainda que toda aquela riqueza era minha.
Abidom que estava sentado na ponta do banco levantou-se e foi logo gritando:
- Êpa! Num venha por aí não. Aquele reinado eu achei premêro. Derna a sumana passada eu desencantei ele, quando eu tava tirando pau prumode fazer tamanco,.num venha querer tomar meu reinado não, qui se não, num vai dar certo.
Vicente Cesário vendo o clima tenso, resolveu mediar a situação:
- Calma pessoal, calma. O Sr. rei mandou dizer que o reinado é dos dois. Abel fica com o castelo real, a metade do ouro e a metade das armas. Abidom fica com o castelo do bosque e a outra metade do ouro e das armas. Ele mandou dizer ainda que como não pode dividir a princesa, vai mandá-la para a Europa para estudar e ser freira. Vocês estão de acordo?
Os dois responderam ao mesmo tempo:
- Nós tamos.
Nesse exato momento chegou Valeriano que foi falando já bastante zangado:
- E eu? Vou ficar deserdado? No ano passado quando eu tava pescando corró no riacho da Charneca, eu achei tombém um castelo lá.
Vicente Cesário notando que a situação poderia piorar fez outra intervenção:
Calma Valeriano. Você também é herdeiro, como você mesmo disse o castelo fica na Charneca e não pertence ao reinado do Gravié, aquele castelo era somente para hospedar a família real e os amigos do rei quando iam cassar avoantes e pescar corró. O Sr . rei mandou dizer que você pode tomar posse dele.
Ficando assim acordado os três saíram para a bodega de Afonso Carlos onde tomaram uns goles comentando a herança real.
Nisso chegou Anchieta que também era desprovido de juízo e falou em tom de revolta:
- Mais é muito engraçado mesmo! Eu que passei seis anos sendo o bobo da corte daquele reinado, fiquei sem nada. Eu esperava que o Sr. rei me desse pelo menos a camareira real, pra eu ir brincar de toca com ela lá no Ronca.
Dedicado ao Dr. José Bitu e Francisco Gonçalves.

sábado, 30 de outubro de 2010


Renascer duas vezes...
(no mesmo dia)
- Claude Bloc -

Dia 28 foi dia de grande aventura. Peguei o avião em Fortaleza, já com atraso de mais de 1 hora, e por duas vezes, cheguei a sobrevoar Juazeiro, mas devido a "uma falha técnica" o avião teve que retornar a Fortaleza.

Imaginem o ânimo das pessoas dentro daquela nave, em meio às nuvens, naquelas alturas sendo supreendidas com o retorno. O voo prosseguia e, de repente, eram vistas de novo as formações montanhosas da região de Caririaçu e o aviso encabulado do comandante sobre um problema nos "flats" que não permitiam pouso na pista curta de Juazeiro.

A agitação teve início, mas sem pânico. Pessoas começaram a circular pela nave em busca de informações mais precisas. Uma menininha loura corria de lá pra cá... Gente(s) com compromissos inadiáveis começaram a "chiar"... e finalmente visualizamos  Fortaleza e , nessa hora, as orações se apertaram para que o pouso acontecesse sem complicações... Deu certo!

Esperamos no aeroporto para uma definição e posicionamento por parte da empresa. Alguns desistiram de um novo embarque na exata hora em que pisaram o solo. A grande maioria esperou pra ver.

Às 19 horas, fomos chamados para um reembarque. A empresa afirmando tudo estar garantido em termos de segurança. Começou a nova viagem. Agora já no escuro. Lá de cima  as luzes das cidades iam aparecendo e sumindo e, de novo, aconteceu a frenagem no ar indicando que íamos descer. Novamente lá estava Juazeiro e suas casas, e suas ruas. Mas, novamente, fomos informados de mais um retorno frustrante e sombrio. Feições tensas apareciam em cada pessoa... 

Novo pouso. A cada chegada telefonemas mil avisando a quem esperava no aeroporto de Juazeiro pelos passageiros que "tudo estava bem". 

A empresa então providenciou (e só desta vez) um recambiamento dos passageiros para o voo da Gol de 23:45h e ofereceu o jantar para quem aceitasse prosseguir a viagem. Novo check-in na nova empresa. Saída pontual... Chegada ao destino, FINALMENTE, com as graças de Deus!!!

Vejam os ESCRITOS DE BORDO:

Asas
Tenho asas
Prontas para voar
Asas beta-gama-delta
livres
e
soltas

Eis que embarco
Sobre as nuvens
Sobre o tempo
Sobre as horas
Horas de ninar
Dias de sorrir
Asas minhas sobre o Cariri.


O Voo

Estou a caminho
as nuvens não as vejo
lá embaixo
apenas as luzes das muitas cidades.
O dia escureceu
e todos nós renascemos.

O pouso

Não sei porque me lembrei de Caldas Aulete. Talvez porque estou a mil metros do chão e me faltam palavras. Aqui não tenho dicionário nem banco de dados. Apenas adrenalina correndo célere pelo corpo.

O medo de alguma forma arrefeceu-se. Pus-me em oração e uma confortável paz se fez. Mente aberta à vida e às alegrias dos (re)encontros fazem-me sorrir sem respostas... Não era a hora!!! Então fora de hora agradeço a ventura de pousar mais uma vez no Cariri e lá também pousar meus sonhos.



O Desembarque

Desço da nave, mãe dos meus medos. Respiro profundamente o ar fresco da minha terra. Bebo a doçura do encontro. Encontro a segurança do solo.

Piso devagar para senti-lo e sinto-o meu. Descubro em solo, o solo da noite e o silêncio embriagante da Chapada no chegar das horas ( no Cariri).

Claude Bloc

Tchau Lula.

Você é daqueles que votarão em Dilma por que gostaria de conferir a Lula um terceiro mandato consecutivo - e não pode?
É daqueles que votarão em Dilma com a esperança - ou a certeza - de que a eleição dela facilitará a volta de Lula em 2014?
Então vote em Serra.
Você acha que a oposição ao governo Serra contará daqui a quatro anos com um candidato mais forte do que Lula para enfrentá-lo? Você consegue enxergar algum?
Caso Dilma se eleja, ela deverá fazer um bom governo. As condições são favoráveis. Ela é uma gestora experiente. Isso nada tem a ver com falta de experiência política.
Não pense que ela sentará na cadeira presidencial para obedecer a ordens de Lula, do PT, ou do PMDB.
Precisa não conhecê-la para imaginar que isso será possível. Dilma gosta de mandar. E de ser obedecida.
Comporta-se como uma boneca enquanto candidata. Faz a maioria das coisas que lhe sopram. Depois? Esqueça. Por hipótese, apenas por hipótese: digamos que Dilma presidente fosse um desastre. Como foi Celso Pitta prefeito apesar do aval de Paulo Maluf. Lula se arriscaria a querer voltar depois de ter patrocinado um desastre? A essa altura, Lula se despede do poder para entrar na História com 81% de aprovação popular.
Ponha o retrato do velho na parede, não o deixe pegar poeira e vá em frente - com Dilma ou Serra.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A SALVA DO MEIO DIA

Tudo quanto é atração
Na festa de agosto tem
Artista que vai e vem
Para o Creva e o calçadão.
Tem até um barracão
Onde se faz cantoria,
Recital de poesia
E o toque de sanfona.
Mas o que me emociona
É A SALVA DO MEIO DIA.

Os músicos fazem fileira
Pela rua principal
Nessa hora o pessoal
Já vai subindo a ladeira.
Quando o pano da bandeira
Balança na ventania
Vai provocando alegria,
Na mocinha da varanda.
Que desce e acompanha a banda
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Quando a banda tá tocando
Na salva do padroeiro
A calçada do cruzeiro
Fica cheia esborrotando.
Chico Carrim vai chegando
Aciona a bateria,
A multidão esvazia
Depois volta com cuidado.
Para escutar um dobrado
NA SALVA DO MEIO DIA.

O conterrâneo que mora
Numa cidade distante
É pensando todo instante
No mês, no dia e na hora.
Tem deles até que chora
Quando perde a companhia,
Que a mente fica vazia
E o coração com tristeza.
Porque perdeu a beleza
DA SALVA DO MEIO DIA.

Da capital vem também
Muita gente todo ano,
Vem Marlene Salviano
Que muita saudade tem.
Waldefrance às vezes vem
E Otacílio não perdia,
Tanto que fez moradia
Num estratégico lugar,
Para de casa escutar
A SALVA DO MEIO DIA.

Quando estou na bebedeira
No clube recreativo,
Fico todo o tempo ativo
Pensando na saideira.
Depois que tomo a terceira
O bar perde a freguesia,
Porque pago a minxaria,
Do tira-gosto e a cerveja.
E vou por trás da igreja
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Na hora de começar
Parece até formigueiro,
Moça corre pro cruzeiro
E rapaz pro patamar.
O padre manda tocar
E a banda com maestria
Executa a melodia
Com jovens fazendo coro.
Dali começa um namoro
NA SALVA DO MEIO DIA.

Mas esse conto de fada
De repente dá pra traz,
No outro dia o rapaz
Nem olha pra namorada.
Ela fica revoltada
Com raiva da covardia
E beija por ironia
Outro moço na esquina
E o namoro termina
NA SALVA DO MEIO DIA.

Quando eu subia a escada
Da casa paroquial,
Fazia o pelo sinal
E já via a meninada.
Eles vinham na calçada
Na maior estripulia,
Correndo pra bateria
Para ver Chico Carrim
Acender o estopim
NA SALVA DO MEIO DIA.

Zé Sávio um dia falou
Pra sua mãe Maria Dalva,
Que queria olhar a salva
E ela logo concordou.
Mas o calção se rasgou
Na hora que ele subia
E a moça que viu dizia:
- Sávio tá quase despido,
Devia vir prevenido
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Se a banda tava tocando
O hino de São Raimundo,
Se juntava todo mundo
Emocionado cantando.
O padre ficava olhando
Do banco da sacristia,
Já pensando na quantia
Que os devotos iam doar.
Pra depois ele pagar
A SALVA DO MEIO DIA.

Mas antes do Padre Mota
Era um pouco diferente,
Mestre Antônio era o regente
E o povo fazia a cota.
Mamãe que era devota
Às vezes contribuía,
Com o pouco que podia
Pra ver a banda tocar.
Depois ia me levar
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Eita bandinha descente
Que tem na minha cidade!
Na religiosidade
Ela está sempre presente.
Toca salva no sol quente,
Alvorada em manhã fria
E São Raimundo é quem guia.
Porque lá do seu altar,
Quer ver seu hino tocar
NA SALVA DO MEIO DIA.

Um roceiro vai passando
Pra comprar sal e café
Chega lá em João Bilé
E vai logo se sentando.
Passa um tempo conversando
Pede um copo de água fria,
Depois diz: - Vixe Maria!
Tá na hora de ir embora,
Todo dia eu perco a hora
NA SALVA DO MEIO DIA.

Um cachaceiro sem graça
Que da rua vem tombando,
Chega logo perguntando
Se por ali tem cachaça.
Senta no banco da praça
Falando de carestia,
Sem saber de economia,
Nem ter no bolso um tostão.
Depois se lasca no chão
NA SALVA DO MEIO DIA.

Tinha um cachorro deitado
Curtindo a sombra de um muro,
Mas ou bicho sem futuro
É um cachorro assustado.
Quando ouvia o pipocado
Das bombas da bateria,
Se esperneava e grunhia
Como querendo dizer:
- Não sei o que vim fazer
NA SALVA DO MEIO DIA.

Meu povo tem devoção
A São Raimundo Nonato
E o padre fica grato
Com as prendas do leilão.
No dia da procissão
Vem aquela romaria
Quando é no fim do dia
Assiste a missa na praça.
Mas pra mim, o que tem graça
É A SALVA DO MEIO DIA.

Eu só estou descrevendo
A salva do meu lugar,
Porque pude acompanhar
O mestre Antônio regendo.
Não estou aqui querendo
Fazer uma apologia,
Mas acho que a poesia
Tem que ter muita pureza,
Comparada com a grandeza
DA SALVA DO MEIO DIA.


Dedico este poema as minhas conterrâneas: Fafá Bitu, A educadora Aniete ferreira, e a saudosa Mãezinha. Essas pessoas assitíam a salva, sem precisarem sair das suas janelas.

EMPRESÁRIO DE PENOSAS - Por Mundim do Vale

Quando ainda não tinha granja no Ceará. A capital e as cidades maiores compravam ovos e galinhas nas cidades pequenas e nos sítios. De olho nesse mercado, foi que Valdimiro de Zé de Toim resolveu entra no ramo de galinhas. Fez do quintal da sua casa um galinheiro gigante e montou uma equipe de cinco corretores, para comprarem galinhas nos sítios e repassar pra ele na cidade. um dos cinco corretores era Cravina. O negócio foi crescendo e Valdimiro começou a se comportar como um grande empresário. Colocou a esposa como coletora das galinhas e se danou a passear desfrutando dos rendimentos do negócio.
Certo dia Cravina chegou com uma dúzia de galinhas por volta do meio dia. Chamou a corretora para receber a mercadoria, mas ela disse que viesse em outra hora, porque aquele era o momento do seu repouso pós-refeição. Cravina já cansado, com fome, com sede e sujo de cocô de galinha, não gostou de ter que voltar outra hora. Foi então que ele deu a seguinte idéia:
- Vamos fazer assim, eu jogo a galinha no chiqueiro e a Senhora vai contando junto comigo pela pancada, tá bom assim?
Ela concordou e assim fizeram:
- Lá vai uma! Bufo, cocoricó.
- Uma.
- Lá vai duas! Bufo, cocoricó.
- Duas.
Contaram assim até a décima primeira, quando Cravina teve a sinistra idéia de aumentar o lucro. Para que ela não desconfiasse de nada ele gritou alto:
- Isbarre aí Dona, qui as penosa tão querendo se sortá. É já qui nóis torna a contar.
Pegou um barbante de seis metros, amarrou uma ponta na perna da galinha e a outra ponta amarrou na mão.
Depois gritou para a coletora:
- Pronto madame ramo cumeçar a contar de novo:
- Lá vai doze! Bufo, cocoricó.
- Doze.
- Lá vai treze! Bufo, cocoricó.
- Treze.
Ele jogava a galinha e puxava o barbante de volta. Como a trama deu certo, ele continuou chegando no mesmo horário e fazendo a mesma coisa durante dois meses, chegando as vezes a triplicar a quantidade.
Quando o negócio começou a dar pra trás, foi preciso Valdimiro assumir, mais foi tarde demais, a empresa já estava falida. Depois da falência Valdimiro passou a ser corretor e Cravina o empresário.
Dedicado ao meu amigo Zé Haroldo, que anda sumido do blog.

DIA DO MÉDICO - Por Dr. José Savio Pinheiro

Abaixo de Deus...
Só o senhor, doutor!

No meu recatado universo hipocrático, percebi no dia do médico um sentimento diferente dispensado pelas instituições de saúde aos possuidores da milenar arte de curar como não havia jamais acontecido.

Senti, comovido, como se pulverizou o sentimentalismo que transmitia ao esculápio uma postura mística, profissional, social e individual, digna, e que fazia do profissional da medicina uma figura quase que enigmática. Não que o médico queira ou detenha essa marca, mas por uma cultura imposta milenarmente pelo imaginário popular.

O misticismo da medicina entrou em decadência quando a sociedade, através dos meios de comunicação e orientações educativas, teve acesso as informações e aos métodos científicos empregados, o que foi bastante benéfico para a população. Todavia, a decadência dos demais atributos ousou acontecer de forma mais contundente.

A maneira desrespeitosa e assustadora que as esferas governamentais estão dispensando a esse segmento profissional disseminou-se sobre a sociedade de modo equivocado, produzindo uma cobrança social exagerada, cuja solução não está sendo devidamente planejada ou executada. Há muito, o setor saúde deixou o posto de prioridade.

A profissão de médico perde o encanto num momento em que todos se acham sê-lo, vez em quando ou toda vez, devido a uma banalização profissional impetrada decorrente da crescente carência de profissionais e da diminuta oferta de serviços, favorecendo, sobremaneira, o descontentamento agressivo de uma demanda reprimida. Daí, os discípulos de Hipócrates rezarem uníssonos:

- Oh, quão ingrata és tu, plêiade orçamentária, que nos desprezais!

No mais, só nos resta, para o sossego da nossa já tão deteriorada auto-estima, o consolo da magnífica pérola de domínio público, que nos coloca no segundo escalão da existência universal:

Abaixo de Deus...
Só o senhor, doutor!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Empate com sabor de vitoria - STF - Por A. Morais

Os 5 x 5 de ontem no Supremo Tribunal Federal teve sabor de vitoria para o povo. E, especialmente para Dilma que não terá que passar pelo constrangimento de ter que beijar as mãos malfazejas e algemadas do Senador do Para como o Lula fez.

Em nome de um milhão e oitocentos mil paraenses que votaram com o Jader ele merece um ministério. Quem sabe a Casa Civil.

O Cruzeiro de Zé Bitu - Por Claudio Jose de Souza.

É com grande satisfação que recebo a homenagem na postagem o CRUZEIRO DE ZÉ BITÚ, e aproveito a oportunidade para dividi-la com todos aqueles que, de uma forma ou de outra tem colaborado e somando conhecimentos ao Blog do Sanharol, no objetivo de dar a sua parcela de contribuição na divulgação e se credenciando como fonte de pesquisa, para os que queiram ou necessitem saber da nossa historia e preservação da nossa memória.
É pena que os nossos tradicionais valores, quer culturais, religiosos, familiares, políticos, morais, em si todos se encontram, se não dentro, mas já a beira de adentrar ao especial estado de extinção. O cruzeiro aí mostrado é um grande exemplo, parece mais o que chamam por aí de elefante branco não se sabe os porquês buscados por você na postagem, nem se toma a atitude de preservar-lo. Como ele vários outros exemplos existe em nossa cidade como os casarões indo ao chão. Ajoelhando-se diante da chegada do inovador e esmagador progresso.
Mas vamos nos unirmos e aqui contar a historia já que não podemos mantê-la diante das forças e pensamentos contrários.
Obrigado pela nomeação de jornalista; já pensou mais um contraste jornalista sem ser formado. Historiador sem faculdade. Poeta? Me meto a fazer uns péis de veusos. Radialista sim, militante na Radio Cultura de Várzea Alegre com autorização do Sindicato dos trabalhadores em radiodifusão do estado do Ceará através de curso realizado na cidade de Juazeiro do Norte.

Valeu. Muito obrigado. Assumimos.

DENTES DESBOTADOS - Por Mundim do Vale

Zé de Freitas e Geraldo Gago, filhos de Raimundo de Freitas, uma vez se combinaram para roubar cajaranas na casa de Caetano de Zezim Matias. Sérgio o irmão mais novo seguiu os dois até a Vazante. Os mais velhos subiram pela ponta de uma galha, mais Sérgio não conseguiu. Revoltado com a covardia dos irmãos, o caçula foi denunciar:
- Seu Caitano. Meus irmãos tão robando cajarana.
- Eu sei. Eu vi quando eles subiram. E você não está lá também, porque não alcançou a galha. Mas eu vou botar aquele caixão e você sobe também. Colocado o caixão, o garoto subiu e ficou junto com os outros malinos. Só se ouvia era a cantiga de Sérgio:
- Eita! Qui eu já chupei tanta cajarana qui já disbotei inté meus dente.
Depois de mais de duas horas de folia, Caetano escondeu o caixão.
Quando resolveram acabar a farra, os dois maiores pularam e deixaram o irmão lá em cima. Começou a ficar escuro,o garoto se aperreou e se danou a gritar:
- Seu caitano! Traga o caixão prumode eu siadescer.
- Dá certo não Sérgio. O caixão Luís meu irmão levou para o Mameluco e só vai trazer amanhã.
Os outros dois chegaram em casa e o pai perguntou pelo caçula, eles contaram a presepada e o pai foi buscar o filho já com um cinturão enrolado na mão.
Chegando lá ele falou:
- Desça, Sérgio!
- Num posso não, pai.
- Desça, que eu lhe seguro.
- Pois isbarre aí pai. Deixe eu tirar uma penca pra levar pra mãe.
- Desça logo cabra safado.
Sérgio foi descendo amparado pelo pai, mas quando botou os pés no chão, levou logo uma lapada. Em seguida levou mais umas quatro .
Caetano resolveu interferir falando:
- Tá bom Raimundo. O menino já foi castigado, com o medo que ele teve de passar a noite lá em cima. Porque o Senhor não castigou os outro dois que são maiores?
- Eu ainda vou castigar, eu deixei os dois amarrados naquele pé de mandacaru que tem no oitão lá de casa, enquanto vinha buscar esse. Mas eu garanto que os três nunca mais vão querer desbotar os dentes.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DEVER DE CASA - Por Mundim do Vale

Em Várzea Alegre meu primo Jocel Nunes, ensinava o dever de casa ao seu filho Jocel, quando os gatos começaram a namorar no telhado. Jocel Filho olhou para o pai arregalou os olhos e falou:
- Paiêêê!
- Diga filho.
- Porque quando os gatos tão trepando ficam fazendo essa putaria toda?
-O que é isso meu filho? Que termos são esses? Trepando, putaria? Não é isso que eu estou lhe ensinando é?
- É não Senhor.
- Pois bem os gatos não são seres humanos, são seres irracionais, eles estão amando e é com esse comportamento que eles manifestam os seus sentimentos. Entendeu Jocel Filho?
- Entendi perfeitamente papai. Mas que é uma bagunça é.
E lá se vão: Substantivos, verbos, adverbos, pronomes, abstratos e concretos quando de repente;
- Paiêêê!
- O que foi Jocelzinho?
- Pai porque quando o Neguim de João Lopes roubou o bujão de gás da bodega de Luís Silvino, Açoitaram ele e ainda botaram na cadeia?
- Meu filho, preste atenção. O Neguim de João Lopes praticou um furto, assim sendo ele foi enquadrado no código penal para pagar pelo delito cometido.
- Mas paiêêê! E porque tá todo mundo dizendo por aí, que o prefeito roubou o dinheiro da nossa merenda escolar, e não botam ele também na cadeia, para pagar pelo delito cometido? Ou será porque o prefeito robou muito e o Neguim roubou pouco?
- Meu filho esse caso é diferente. O Senhor prefeito tem nível superior, além de que, depende também da: Câmara municipal, tribunal de contas dos municípios, tribunal de contas da união e ministério público. Você entendeu meu filho?
- Não Senhor pai. Não entendi patavinas.
- Eu também não filho. Vamos falar de trepadas de gatos, que é assunto que a gente entende.
Este causo é uma reprise dedicada aos novos participantes do sanharol.

COMPOSITORES DO BRASIL

O SAMBA CANÇÃO

Por Zé Nilton

Não faz muito tempo os músicos e compositores brasileiros chegavam a engalfinharem-se quando o assunto era ritmo. Consenso total sobre os ritmos de carnaval. Apesar de que houve um tremendo esforço para se chegar a uma conclusão quando da passagem do maxixe para as novas batidas sob o mesmo compasso. Acontecia de uma música ser escrita dentro de um ritmo e logo em seguida ser registrada e até gravada sob outro gênero. É o caso de “Pelo Telefone”, “ Aí, ioiô” etc.

O samba canção surgiu assim meio sem querer no interior do mundo da música no Brasil. Precisava-se de músicas para preencher a vaga deixada pelo tempo do carnaval e eis que, - “olha só o que é que eu fiz”... - Mas isto é parecido com bolero, não ? - Não, é um sambinha. – Eu acho que parece com canção. – Bota aí para as músicas de meio de ano e estamos conversados.

No meio do ano cabiam todos os ritmos, menos os de carnaval.
Diz-se do samba-canção muito adequado à dolência e a malemolência do momento social das classes médias urbanas. Arre égua, também somos um povo sentimental, que chora quando ouve certas melodias, assim como faz italiano.

Na historiografia da Música Popular Brasileira, que adora uma periodização adorada pela História, o samba canção tem dia, hora e ano de seu nascimento. Exagero meu, mas consta que surgiu no ano de 1928, quando Henrique Vogeler, um pianista carioca, compôs a música que passou para a posteridade com três nomes: “Linda Flôr”, “Meiga Flôr” e “ Ai, ioiô”, sem antes ter começado com um “ Ai, Iaiá”. Consta igualmente a sua consagração pelo povo como “Ai, Ioiô”.

Na verdade, a letra desse samba casa com a idéia do romantismo na música. O samba canção inicialmente vai buscar elementos da linguagem do mundo rural, afirmando seus aspectos bucólicos. E haja “sofrê”, “oiá”, “oinho”, ‘inté’ e vai por ai... na música “Ai, Ioiô.

Mas o samba canção tem um grande mérito. Deu a cancha para a bossa nova. Nos anos 50 o ritmo se encaixou perfeitamente no novo projeto musical. Uma beleza, que o diga João Gilberto!

Disse das encrencas pela afirmação do ritmo. Passei por uma dessas experiências. Menino, lá pelos fins de 1950, assisti, involuntariamente, um pega entre o famoso cantor cratense, Célio Silva, e um não menos famoso violonista. Só mais tarde vim saber tratar-se de Pedro Vinte e Um, habitué e tocador dos diversos cabarés da cidade. Não esqueço a fisionomia fechada e palavrões de toda magnitude de Célio Silva em cima de seu acompanhante. – Isto não é bolero, Pedro, isto é samba canção! Sabe o que é samba canção, porra? Vozeirão na música, vozeirão agudizado pela cachaça na direção do cada vez mais encolhido mestre Pedro Vinte e Um.

O samba canção no COMPOSITORES DO BRASIL desta quinta. Vamos aproveitar, na primeira parte e segunda partes, a sequencia levantada pelo eminente crítico e músico Tárik de Sousa, com 24 dos melhores samba-canções de todos os tempos.

AI, IOIÔ, de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luis Peixoto com Araci Cortes
SAIA DO CAMINHO, de Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy com Aracy de Almeida
SEGREDO, de Herivelto Martins e Marino Pinto com Dalva de Oliveira
NERVOSS DE AÇO, de Lupicínio Rodrigues. Com Paulinho da Viola
CANÇÃO DE AMOR, de Chocolate e Elano de Paula com Elizeth Cardoso
FOLHA MORTA, de Ary Barroso com Jamelão
DUAS CONTAS, de Garoto com Maria Creusa
NÃO DIGA NÃO de Tito Madi com Tito Madi
MARINA. De Dorival Caymmi com Dick Farney
NINGUEM ME AMA, de Antonio Maria e Fernando Lobo com Nora Ney
SE VOCÊ SE IMPORTASSE, de Fernando Cesar com Doris Monteiro
MOLAMBO, de Jaime Florence e Augusto Mesquita com Rosa Passos

Quem ouvir verá!
Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
www. radioeducadoradocariri.com
Acesse: www.blogdocrato.com
Quintas-feiras, de 14 às 15 h.
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Direção Geral, Dr. Geraldo Correia Braga
video

A memoria de Dona Romana - Por A. Morais, Mundim do Vale e Fafá Bitu.

Postado no Blog do Sanharol em 17.07.2009.
Várzea Alegre - Maria Romana Ferreira de Sousa, filha de Raimunda Ferreira de Sousa e Romão Ferreira de Sousa, nasceu no dia 9 de julho de 1909, em Várzea Alegre. Casou-se com Raimundo Bernardino de Sousa. Tiveram cinco filhos, mas só está vivo Francisco Jacinto de Sousa, todos os filhos receberam o nome de Francisco pela devoção que ela tinha ao santo. Foi cantora sacra da igreja durante setenta anos. Iniciou aos quatorze anos e a primeira missa cantada foi na Capela de Santo Antônio, celebrada pelo padre José Otávio. Neste dia 09.07.2009, completou 100 anos de existência, lúcida, espirituosa e ainda com muita devoção a São Raimundo Nonato.
O Blog do Sanharol não poderia deixar de se congratular, juntamente com a irmandade religiosa, a lembrança, a afirmação e a luta desta figura de mulher, por este acontecimento, como marco da presença da mulher no registro da história de Várzea Alegre. A missa em ação de graças foi celebrada domingo, dia 12, às 16h, em sua residência, à rua José Alves Feitosa.

Comentario do Blog do Sanharol:
Esta reprise é uma homenagem de Mundim do Vale, A. Morais, Fafá Bitu e todos que fazem o Blog do Sanharol a memoria de Dona Romana, em reconhecimento ao que ela representou em nossa formação religiosa e representa em nossa saudade.

A. Morais, Mundim do Vale e Fafá Bitu.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um toque feminino...

Ontem, dia 25 de outubro, recebi para alegria minha o convite de Antonio Morais para participar do Blog Sanharol. Como venho acompanhando há algum tempo a trajetória do BLOG, o convite me trouxe grande alegria e satisfação, pois aqui as coisas são tratadas com bom humor e seriedade.

Como estou me preparando para participar do Salão de Outubro em Crato, ontem não pude retribuir a gentileza de Morais com um texto de minha autoria. Hoje, porém, deixo aqui umas palavrinhas minhas com a alegria de estar com vocês de Várzea Alegre e poder partilhar minhas emoções e minha história.

Abraço a todos.

Claude Bloc Boris

...................................

Com delicadeza
Claude Bloc

Pode chegar com delicadeza,
Pode invadir mais este sonho.
Faça-me sentir saudades,
mas não sofra tanto com elas.
Acredite nas verdades que digo
e também nas mentiras, (elas serão raras)
Respeite meu choro,
esteja comigo quando eu chorar...
e não me deixe mais sozinha
quando eu precisar sonhar.
Volte sempre,
sempre que eu chamar
Seja mais forte do que eu
e não seja escravo da vida,
do trabalho,
nem escravo meu...
Escolha um papel para você na minha vida
invente muitas histórias,
mas não me conte seus segredos...
Não fume, não beba, não chore,
e um dia,
um dia qualquer,
rapte-me
e tente me amar!


Claude Bloc

O ANDARILHO VOLTOU - Por Vicente Almeida

Ontem foi dia de festa em nosso lar. Nosso andarilho que há dez meses não dava o ar da sua graça, veio nos visitar e trouxe muita alegria. Fez festa para cada um de nós.

Foi assim: No início de 2008 nos presentearam com um lourinho, mas procuramos adaptá-lo sem o recurso da gaiola e ele transitava pela casa livremente, pousando na cabeça até das visitas, que as vezes se assustavam pelo inesperado, e muitas faziam questão de ser fotografadas com ele em sua cabeça.

No início ele circulava apenas dentro de casa, mas em 2009 passou a sair para o mato e lá ficava durante o dia. Retornando à tardinha, adentrava a casa e ia parar na lavanderia, usando o varal para pernoitar. Comia e dormia, e na manhã seguinte, a mesma coisa. Assim o tempo foi passando.

Até que certa manhã saiu e passou dois dias sem retornar, e nas suas idas e vindas, cada vez demorava mais dias, às vezes até uma semana. E ficávamos preocupados com a sua segurança. No final de janeiro de 2009 ele partiu e desta vez levou a mala. Sentimos muita saudade e sempre ansiosos esperávamos sua volta, pousando na sua árvore predileta em nosso quintal e gritando para chamar a nossa atenção como de costume. Mas ele não veio!

Foram dois longos meses de espera quando certo dia, na Sexta Feira Santa, cedinho ele chegou e ficou por oito dias aproximadamente. Mais uma vez foi embora, retornando sempre em dias inesperados. Um dia de agosto ele saiu e desta vez achamos que o havíamos perdido, pois os dias se escoaram lentamente, transformando-se em semanas e meses e ele não aparecia.

Nosso melhor presente no dia de Natal de 2009, foi quando o avistamos em sua árvore preferida cantarolando, chamamos e se fez de difícil, demorou mais de uma hora para pousar em nossa cabeça, Sim ele pousava sempre na minha cabeça ou da Valdênia e ai entrávamos em casa naturalmente e ele ia se alimentar também no seu lugar de costume: Sobre a mesa de jantar.

Desta vez ficou durante o Natal e Ano Novo, foi uma alegria sem fim para toda a família e os nossos netos vibraram com a visita.

E assim passou conosco o natal e o ano novo, e no dia dois de janeiro deste ano foi embora e em vão procurávamos ao menos ouvir o seu gorjeado lá no mato, mas devia ter ido longe. Nunca mais voltou! Perdemos a esperança de rever novamente nosso querido lourinho! Mas ele é um ser da natureza, e lá é o seu habitat natural. Ficamos tristes, muuuito tristes, mas conformados.

Mas ontem 25/10, para nossa surpresa, ele passou o dia cantarolando em nossas arvores. Conhecemos ser ele, mas estava muito alto em um pau darco, e os nossos netos tudo fizeram para ele descer e não conseguiram. Ao chegar da rua, vi um neto de oito anos com uma banana descascada na mão, choromingando e dizendo: “Vô, tô a tarde toda chamando o lourinho pra comer e ele não vem”! Fiquei penalizado!
Então fui verificar se era ele mesmo e o chamei. Em menos de um minuto ele veio e pousou em minha cabeça, e como de costume entramos em casa, e hoje no café da manhã foi aquela festa, todos: netos e filhos vieram visitá-lo, e não ficou arredio nem demonstrava insegurança, todos queriam tocá-lo e assim o fizeram. Tomou café com leite e comeu tapioca com requeijão.
Neste momento está ele em meu ombro, enquanto digito essas linhas, para dividir com vocês a alegria que sinto pela honrosa visita. Não sabemos quanto tempo durará a sua estadia, mas, seja quanto tempo for, um dia, dois, três, ou mais, não dá para descrever o bem estar que este lourinho transfere a todos. E olhe, ele pousou para muitas fotos das quais algumas divido com vocês.

Agora pergunto: Como a ciência explica esse fato? – Sábia é a mãe Natureza!

Vicente Almeida

INÊS & PINTA - Por Mundim do Vale

Raimunda Pinto, era uma Senhora que além de idosa era deficiente visual. O pessoal em V. Alegre chamava na intimidade de Pinta. Ela tinha como guia e companhia a sua neta Inês que ainda criança assumiu a responsabilidade de andar com a sua avó. Inês aprendeu a conduzir a Pinta para os lugares que ela mais gostava. E assim foi gerando uma afeição maior entre avó e neta.
O tempo foi passando e Inês foi crescendo sem deixar a companhia da Pinta. Quando completou quinze anos chamava a atenção dos homens pela beleza que tinha: Pernas grossas, cintura
Fina, pele limpa e rosto bonito. Para toda parte que ia sempre levava Pinta,não largava a Pinta.E a Pinta por sua vez, só levantava quando Inês segurava.
Certo dia Antônio André encontrou-se com as duas e falou para a avó:
- Pinta. Você tenha coidado cum Inês! Ela tá ficando muito bem feitinha de corpo e é isso qui os macho quer. Ela já tá sendo prisiguida e você sabe qui fogo perto de algodão o Diabo vem e assopra.
Pinta levantou a cabeça e falou:
- Savexe não Seu Ontõe. Qui eu vou abrir o ôi cum Inês. Eu num inxergo cum o zói, mais inxergo cum a vivença.
Quando Inês começou a namorar a coisa desdandou. Ela continuou levando Pinta mas diminuiu os cuidados: Deixava a Pinta se sujar, deixava a cabeça da Pinta bater na janela, deixava a Pinta se molhar na chuva e não tinha o constrangimento de dizer que não podia viver sem Pinta.
Depois de um tempo a Pinta amoleceu, ficou adoentada e não saía mais. Inês sempre fiel não largou a Pinta, ficaram as duas morando juntas numa casa. Pinta dormia no corredor e Inês na sala.
Numa certa noite Inês tava agarrada com um namorado quando a Pinta gritou:
- Ou Inês! Tem argum ome dento de casa?
- Tem não vó. É eu que tou dando a comida do meu gato.
- Apois você tenha coidado cum gato de duas pernas!
Uma vez as duas almoçaram um peba e logo depois do almoço, Pinta pediu a Inês para catar piolhos na cabeça dela.Logo que Inês começou sentiu uma gastura e começou a vomitar. Pinta notou o aperreio da neta e perguntou:
- Inês o quier qui tu tem? Será qui tu tá imbuchada?
- Vira essa boca pra lá vó! Isso aqui foi o peba qui fez mal.
Pelos meus cálculos se aquele peba sobreviveu, ele deve está hoje com trinta e nove anos.
Dedicado ao poeta Cláudio Souza.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Cruzeiro - Por Dondon Maximo

Vi no Blog do Sanharol uma pergunta que quase ninguem em Várzea Alegre sabe a resposta que é sobre o Cruzeiro isolado que fica logo após o Beco de Zé Bitu. Não respondi direto no blog porque não sei detalhes. Sei apenas que foi construído no século XVIII pelas missões religiosas que deixavam um marco por onde passavam. Este marco sempre era o local onde iniciava a construção de uma capela e de uma comunidade ou vila. Aquele local por ser um pouco mais alto e ter uma visão previlegiada na época, foi o escolhido para o cruzeiro. Em Várzea Alegre aconteceu diferente, a esposa de papai Raimundo Teresa Maria de Jesus resolveu construir uma capela para o nosso querido S. Raimundo em outro local e desta forma o cruzeiro ficou isolado e não junto ao núcleo religioso inicial. Posteriormente algumas pessoas foram sepultadas lá. Quanto a Maria de Bil tem sido difícil encontrar detalhes da vida dela. A Secretaria de Cultura de V.Alegre tem tentado mas o que eu sei é que o arquivo público de lá foi levado para Fortaleza e tudo está sem ser catalogado e jogado às traças na nossa capital. Então fica difícil ou quase impossível encontrar alguma coisa que não se sabe a data e nem se existe relato nestes arquivos. Parabens pela sua iniciativa e dedicação ao blog ele é maravilhoso!

E POR FALAR EM FAFÁ - Por Mundim do Vale

Quando eu falo na guerreira Fafá Bitu é com bastante conhecimento. Pois além do nosso parentesco e amizade, fomos vizinhos por muitos Anos.
Ainda em Várzea Alegre Fafá foi colega da minha irmã Geraldina,o que aumentou bastante essa amizade. Já naquela época a guerreira. Fafá transformou em determinação, o que para outras pessoas seria limitação. Aqui em Fortaleza, uma vez eu fui fazer uma projeção de um evento e lá estava ela sendo a tradutora do idioma francês para o português.
Naquele momento eu na minha vaidade bairrista, falei para os meus colegas:
- Olhem! Aquela lá é Fafá Bitu, minha conterrânea de Várzea Alegre.

Valeu Fafá. Nós sentimos orgulho de sermos seus conterrâneos.
Abraço do Vale.
Mundim

Depois dos 50 - Blog humor

"Nunca pensei que a partir dos 50 pudéssemos ter uma riqueza tão grande!!!
Prata nos cabelos.
Ouro nos dentes.
Pedras nos rins.
Açúcar no sangue.
Chumbo no pau.
Ferro nas articulações..
Catarata nos olhos,
E uma fonte inesgotável de gás natural..."

Vereda de preá - Por Mundim do Vale.

Em 1972, chegou em Várzea-Alegre o Terceiro Batalhão de Engenharia e Construção para construir um trecho da Transamazônica. O departamento pessoal do Batalhão mandou anunciar a abertura de algumas vagas para trabalhador civil e pedia para que os candidatos comparecessem munidos de Currículo Vitae e toda documentação de praxe. Mundola chegou a casa de António Ulisses Costa, de saudosa memoria, e pediu: "Ontoe Ruliço faça um curricu pra eu qui é prumode eu se impregar no bataião". António Ulisses foi até o escritório do seu avô Dirceu Pimpim e datilografou o currículo conforme os dados fornecidos por Mundola. Em seguida entregou o documento dizendo: Pronto Mundola! Com esse papel você está habilitado a tomar até a vaga do Capitão engenheiro. O documento ficou assim:
Currículo Vitae - Mundola da Silva.
Dados Pessoais:
Estado civil - amancebado.
Nacionalidade - Brasileira
Idade - 24 anos.
Identidade - Não tem.
Titulo Eleitor - 14652703
CPF - Não tem.
Carteira de Reservista - Não tem
Carteira de Motorista - Não tem
Registro Civil - Cartório Gervásio Xavier - Calabaça
Naturalidade - Sitio Carrapateira - Várzea-Alegre

Formação escolar:
1958 a 1959 - Conclusão do mobral na Capela de Santo António.
1960 a 1962 - Aprovado no segundo ano no grupo escolar José Correia Lima.

Experiência Profissional:
Fev/1963 a jun/1963 - Pastorador da banca de Waldefrance.
Ago/1963 a out/1963 - Guia de Chico Cego.
Nov/1963 a Jan/1965 - Ajudante de Abidom na atividade de cambista.

Enpregos temporários:
Jan/1965 a fev/1965 - Gritador de Palhaço de Circo
Mar/1965 a Jun/1965-Tirador de goteira da igreja.
Jul/1966 a Set/1966 - Batedor de palmas no comício de Acelino Leandro.

Atividades Complementares:
Condutor de carro de mão
Descascador de varas.
Assador de castanhas.
Técnico em soldar pinicos.
Perito em tirar carrapicho de carneiro.
Auxiliar de coveiro.
Aprendiz de fogueiteiro.
Extagiario em moenda de cana.

Com o currículo na mão Mundola saiu mais satisfeito do que Maria Caetana quando pegava no bicho. Foi até o Bar de Ze Batista para mostrar a Francimar de Doca Dutra. Francimar deu uma rápida olhada e Mundola perguntou: "E aí Francimar cum esse papé aí, será qui dá prumode eu se impregar no Bataião pra construir a transa"? Francimar respondeu curto e grosso, igual a coxia de charuto: Eu acho muito difícil Mundola. Com esse currículo aqui, você só está qualificado para construir vereda de Preá.
REPRISE.

O Cruzeiro do Beco de Ze Bitu - Por A. Morais

Este Cruzeiro localizado no Beco de Zé Bitu próximo a Praça de Santo Antonio precisa resgatar sua historia. Quem construiu? Qual a razão de ser? Em que ano foi construído? Eu sou muito curioso e não conheço nada da historia do Cruzeiro. Citam-se como um contraste, dizem que é isolado, nem sei se é dele que falam. Precisamos levantar informações, o puder publico precisa fazer o resgate da memória religiosa do município. Quando não a Igreja devia, outras cidades sabem explorar a historia da fé de seu povo. O que conhecemos nós da nossa. Sobre padre Vicente Ponte pouco sabemos, do cruzeiros quem sabe? Onde estão sepultados os restos mortais de Maria Firmino vitima do Bil? Li outro dia que é ignorado. A igreja que administra o cemitério não sabe? Não conhece? Precisamos esquecer mais os vivos e cuidar melhor dos mortos, de sua historia e de sua memoria, pelo menos da historia.
Dedicado ao Jornalista, Historiador, Poeta, Radialista Claudio José de Souza.

domingo, 24 de outubro de 2010

Sanharol - 1935 - Por A. Morais

O Guarda da Higiene, que se não tivesse extinguido, hoje não teriamos dengue, malaria, calazar e outras epidemias no Pais - bateu na porta da casa de quatro irmãos com idades avançadas e ainda solteiros. Foi Laura quem atendeu:
Quem é?
É o guarda da higiene.
O que o senhor quer?
Quero vistoriar a casa.
Carece não. Jorvina não come, e se não come não caga.
Chico é sacristão, portanto caga na igreja e Raimundo quando caga, enrola num papel e joga no telhado da casa.

Dia dos Poetas - Por Paulo Viana.

Versos nos contam histórias do coração, nos fazem ver em primeiro plano os vários sentimentos que vão sedimentando ausências, e de como a saudade assume o posto de quem partiu, vestindo-se de dor e de um desejo que parece satisfazer-se por alguns segundos, mas logo se reporta à distância. Mas os versos podem ser rasgos emocionados de paixão, transbordante, extremada, ávida por jogar-se em vestimentas ornadas por imagens, alegorias, fantasias e sentidos, traduzindo o inefável, que se configura em palavras, como paródias que os loucos fazem de si mesmos, ou parábolas miméticas de como circula o sangue e percute no ritmo cardiológico.

E se os poetas são loucos, é porque a linguagem de sua lucidez não se dá pelos caminhos tão fáceis de trilhar, como delineia a razão, mas por veias e vias que só os versos podem conduzir. E frases anárquicas, políticas, líricas, românticas, excêntricas transformam-se em mensagens poéticas, em códigos da emoção, em linguagem pura do sentir, em vontade última do dizer.

Que gritem esses loucos, para que os vejam em sua mais discreta intimidade, porque, o que são eles se não amantes de si mesmo, viscerais construtores que reproduzem seu íntimo em moderados, inflamados, censurados, cáusticos, intrépidos, apocalípticos, sensíveis, amorosos, apaixonados e sábios poemas?
Pois que não se anuncie a falência do que move os poetas, porque, se há vida, há compasso alterado dentro do peito, há impacto diante do visível e do que não pode ser visto, há combinação entre química e alma, haverá também poesia.
Paulo Viana
Acesse: www.falaportal.blogspot.com

O Caderno - Por Mundim do Vale e A. Morais Editores do Blog do Sanharol.

Dedicado a Fafá Bitu.

Prezada amiga Fafá.

Sua memoria prodigiosa, comparamos ao caderno do Toquinho. O caderno que Varzea-Alegre rasga. Cotidianamente vemos nossa cidade negar o passado. Seus dirigentes, se pudessem, passavam uma borracha no passado, e no futuro, ah o futuro já não existe. Só existia o presente. O Beco da Gobira que tanto falamos é bom que tenhamos a prudencia. Amanhã puderemos ter um outro nome. Basta que seja conveniente. Dedicamos este video a Fafá Bitu, uma das mais recentes colaboradoras do nosso Blog. No caderno encotramos as nossas anotações e elas nos pedem: não nos deixem num canto qualquer. Não há povo sem memoria, sem historia. Tradição é balela.

video

CACHORRO É QUEM ENGANCHA - Por Mundim do Vale

Alexandre Cabeleira, era coveiro e nas horas vagas fazia também a função de cambista e decifrador de sonhos.
Chegava um viciado em jogo do bicho e perguntava:
- Alexandre! Essa noite eu sonhei que era Caubi Peixoto, que bicho é bom eu jogar?
- Só pode ser veado. Pode jogar que é tiro e queda.
Outro perguntava:
- Ontem eu sonhei rodando no carrossel de Zé Júlio, é bom eu jogar em qual bicho Alexandre?
- Jogue no peru. Porque quem roda é peru.
E assim Alexandre era o cambista que mais vendia jogos.
Maria Caetano, empregada da casa de Antônio Primo, era uma boa cozinheira e também a melhor catadeira de piolho de Várzea Alegre. Quando estava desocupada também era chegada a uma aguardente e viciada em jogo do bicho. Chegava as vezes a jogar nos vinte e cinco de uma só vez.
Uma vez Maria Caetano chegou para Alexandre e falou:
- Alexandre essa noite eu sonhei qui tinha visto uma muié casada cum o marido dôta muié, dento da roça do véi Diceu. É bom eu jogar im qualo bicho?
- Jogue no touro. Porque se a mulher era casada e tava com outro, o marido dela tava no chifre, se ele tava no chifre, não tem pra onde correr é touro na cabeça.
No dia seguinte Maria Caetano encontrou-se com Alexandre e já foi falando aborrecida com ele:
- Mais Alexandre! Você me enganou. Mandou eu jogar no touro, eu joguei meu dinheiro todim e ainda pidi quatro mil réis a Seu Toim Primo, prumode jogar no condenado do touro, quando acabar deu foi o cão dos inferno do cachorro.
- Mais você não disse que tinha sonhado com uma mulher junta com um homem que não era o dela?
- Justamente.
- Então só pode ser touro.
- Mais deu foi cachorro.
- Esbarre aí! Os dois estavam agarrados?
- Basta! Num passava nem musquito insabuado. Era assim qui nem um cadiado dento dôto.
- Mas você não me contou essa parte do sonho. Se você tivesse contado, eu tinha mandado você jogar no cachorro. Porque cachorro é quem Engancha.
Para Fafá Bitu.

Enquete do Sanharol

Depois que perdeu Barbinha
Dizem que seu Alencar
Começou a enxergar
Queimou o bastão que tinha
Forte e alegre caminha
Vê qualquer cisco no piso
Já declarou ser preciso
Buscar nova companheira
Já melhorou da cegueira
Mas piorou do Juizo.

Não deseja moça idosa
Como sua companheira
Quer uma jovem faceira
Alva, bonita e jeitosa
Que seja religiosa
Que lá em seu paraíso
Rese quando for preciso
Comungue na sexta-feira
Já melhorou da cegueira
Mas piorou do Juizo.

De quem são os versos:

a - Zé pequeno.
b - Bidim
c - Mundim do Vale
d - Dr. Savio
e - Claudio Sousa
f - Israel Batista.

sábado, 23 de outubro de 2010

O CASSACO ONTÕE FRIMINO - por Mundim do Vale

Quando é seca no nordeste
É mais pio qui feitiço
Pruquê o Cabra da Peste
Vai pra frente de seiviço.
Mealembro cuma vortei,
Quando na frente cheguei
Pru mode me alista.
O qui o feitô inzigiu,
Num tem ome no Brasil
Qui consiga arranjá.

Fui falá cum o feitô
Ele nem oiô pra mim,
Cum a voz de ditadô
Foi logo dizendo assim:
- Não ache que sou ridículo
Mas me traga o seu currículo
Para poder se alistar.
O anel de formatura,
Diploma de arquitetura,
Você tem que apresentar.

Traga uma folha corrida
Do poder judiciário,
Um atestado de vida
Com o visto do vigário.
Carteira de identidade,
Canudo da faculdade
E o anel de doutor.
Depois vá no C.P.D.
Para provar que você
Conhece o computador.

Traga do sul ou do norte
Sua naturalidade,
Quero vê seu passaporte
Se ainda tem validade.
Não esqueça de trazer,
Depois que reconhecer
A firma do batistério.
Traga o óbito carimbado,
De quando foi enterrado
Seu avô no cemitério.

Traga do seu nascimento
Comprovante de batismo,
Certidão de casamento
E o curso do catecismo.
Para fazer seu fichário,
Preciso do formulário
Do seu imposto de renda.
Para saber se é honesto,
Se não tem nenhum protesto
Pendurado na fazenda.

Também quero de você
Documentação total,
Da carta de A.B.C.
Até o segundo grau.
Coloque também na lista,
Carteira de reservista
Do serviço militar.
O título de eleitor,
Carteira de doador
Que eu preciso arquivar.

Foi quando eu dixe: - Dotô!
Tô aqui mode iscapá,
Sou ome trabaiadô
Num gosto de cunvesá.
Eu nunca qui fui casado,
Sempre fui amansebado
E nunca fui aiquiteto.
Mais sou um cassaco forte,
Nun cunhêço passaporte
Pruquê sou anafabeto.

Eu intendo de fazenda
Pruquê tem lá na rebêra,
Mais só intendo de renda
Qui fais a muié rendêra.
Vosmicê pede um ané,
Uma ruma de papé
E nem fala na inxada.
Lá im nóis é deferente,
O trabái é no sol quente
Sem cunhecê papelada.

Vosmicê me pede carta
Mais eu num sei iscrevê,
Do sabe eu sinto farta
Pois num aprindí a lê.
Meu tito de inleitô,
Um candidato tomô
Pruquê num sube votá.
Eessa tá de reservista,
É mió tira da lista
Qui eu num sô militá.

Num cunhêço C.P.D.
Nem tombém cumputadô,
Mais eu juro a vosmicê
Qui sou um trabaiadô.
Meu nome é Ontõe Frimino,
Derna o tempo de minino
E nunca qui dei cavaco.
Mais vortando pru assunto,
Eu agora lhe pregunto
Dá prumode eu sê cassaco?

Mundim do Vale.

Imunidade: Você sabe o que significa?

Esfriou de novo? Infecções respiratorias e alergias outra vez? A primeira solicitação que chega ao consultório: "Doutor, eu vim aqui para aumentar a minha imunidade". Vamos deixar claro: não há como aumentar uma imunidade normal. Nem na alopatia, nem na homeopatia. Explico melhor:
Existe um quadro caracteristico como imuno-deficiência, que é doença.
Existe outro quadro conhecido como imunidade baixa - mais um dos mitos da medicina, assim como achar que muita Vitamina C protege contra resfriados e gripes.
A Palavra imunidade vem de immunitas, que, em latim, designava a isenção de taxas que se oferecia aos senadores romanos. Com o tempo, passou a significar a proteção contra doenças( mais especialmente as infecto-contagiosas) desenvolvida pelo nosso corpo para se defender de agressores externos, como virus, bactérias e fungos.
Dispomos de agentes físicos ( cílios, pelos, muco, líquidos corporais ) em locais estratégicos do nosso corpo, nariz, boca, entre outros capazes de neutralizar os agressores externos, que acabam destruídos por células destinadas a essa função. Quando esses mecanismos falham, ou acorrem uma agressão mais especifica, o que entra em ação é a nossa imunidade adquirida composta por anticorpos de nomes linfócitos T, B, plasmocitos. Esse é o sistema imune que garante nossa sobrevivencia em relação as infecções.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

VÁRZEA ALEGRE NO PASSADO - Por Mundim do Vale

Se a vida tivesse ré
Hoje eu teria engatado,
Pra escrever com mais fé
A história do passado.
Tinha parado esse mundo,
Na terra de São Raimundo
E passava a escrever.
Fazia tudo seguro,
Para no século futuro
Seu filho não esquecer.

Voltava aos anos cinqüenta
E escrevia a história,
Para nos anos noventa
Não sair mais da memória.
Fazia tudo perfeito,
Contando do mesmo jeito
Para geração futura.
Narrava toda a verdade,
Porque a minha cidade
Tem receita de cultura.

Eu começava a falar
Do dentista Elesbão,
Do misto de Zé Odmar,
De Zuza e do caminhão.
Do Bilhar de Antônio Diô,
Do curtume de Totô
E a bodega de Adalgisa.
Do poço de Seu Abel,
De Zé Júlio e o carrossel
E o cartório de Anízia.

Das cocadas de Alceu
De Alexandre e a moageira,
Da usina de Dirceu
E a máquina de Zé Teixeira.
Da farmácia de Nelinho,
Das malotas que Britinho
Fabricava na semana.
Das celas de João Bile,
Do carneiro de Zezé
E o alfinim de Santana.

Do cinema de Leó
E do bar de Zé de Lima,
Da banquinha de filó
Com bastante fruta em cima.
Das festinhas de reizado,
Das corridas lá do prado
E dos galos bom de briga.
Da turma de penitente,
Do leilão de São Vicente
E do terço da Formiga.

Quem viveu lá sei que viu
O clube de Zé Colares,
O Circo Estrela Brasil
De Loudinha e Zé Soares.
Quem viveu ali com nós,
Viu Antônia dos Filhós
Vendendo e fazendo mais.
Viu Belizário com fumo,
Afonso Doido sem rumo
Bogim com seus animais.

As flores de Valdeliz
E as fotos de Jesus,
As presepadas que fiz
Quando lá faltava luz.
Me lembro que todo dia,
Geraldo gago vendia
Pirulito com pão doce.
Mas tudo isso é lembrança,
Do meu tempo de criança
Que a muito tempo acabou-se.

Mundim do Vale
26-10-96

O Grande sanfoneiro.

Pingue-pongue: com Sergio Roizenblit.
Pergunta - Você fez um filme sobre sanfona sem ter grandes relações com o instrumento. Por que?

Resposta: O filme é sobre o Brasil - um Brasil revelado pelos sanfoneiros. É quase um guia, fala sobre as nossas belezas e a nossa cultura. Na tela, mostramos a diversidade de paisagem e a cultura que se manifesta por meio da sanfona em todos os cantos do pais.
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Pergunta - Que diferenças a safona revela?
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Resposta: Vou dar um exemplo. O sertanejo, desde sempre, precisou economizar energia para os momentos de seca e escassez. Ele mostra isso na maneira económica de tocar o instrumento, quase sem abrir o fole. Já os gaúchos, com uma cultura muito influenciada por países como o Uruguai e Argentina, tem uma atitude mais farta, abrindo o fole ao máximo, as vezes, até expandindo o fole para poder abri-lo ainda mais.

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Pergunta: Como funciona no filme essa viagem pelo Brasil da sanfona?
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Resposta: O guia da viagem é o Dominguinhos. É com ele que partimos em busca do instrumento. Mas o filme não é sobre ele. Percorremos o pais de norte a sul, passando pelo Pantanal e por São Paulo, para encontrar os sanfoneiros mais importantes e ouvir suas historias e ver suas performances.
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Pergunta: E porque o filme tem este nome? O Milagre de Santa Luzia!
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Resposta; Luiz Gonzaga, o grande sanfoneiro nasceu no dia de Santa Luzia.
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Fonte - Na Poltrona.

Pré-sal: mais uma grande mentira da propaganda petista

O vídeo abaixo apresenta as razões pela quais a exploração da camada pré-sal é inviável e também porque a política mentirosa e megolomaníaca do PT para a Petrobras está desvalorizando as ações da estatal:

Porque eu não voto na Dilma!!!

Bem primeiramente não vejo posições firmes no que ela fala.

Ainda, o que realmente ela acha do aborto legalizado, pois uma semana ela apóia e na outra é contra. Eu pessoalmente acho que uma pessoa que de forma irresponsável fica grávida de um namorado, não deve abortar, pois existem opções, como por exemplo, dê o seu filho para adoção, caso não possa criá-lo. Veja não estou falando das previsões legais existentes, como por exemplo risco de vida para a mãe, estou falando de namorados que mesmo tendo acesso a inúmeros meios para evitar a gravidez são imprudentes, engravidam e querem resolver tudo com um aborto, deveriam ter pensado nisso antes, mas já que não pensaram e acham que não podem criar seu filho, entreguem para adoção.

E a Bolsa Família, neste nem se fala, é lógico que qualquer presidente que seja eleito irá manter o programa, pois garante hoje mais de 12 milhões de famílias votando em quem lhes dá dinheiro mensal.
E a Corrupção, não vamos falar que os outros são desonestos e a Dilma ou o PT não são, pois com todos os escândalos como o da Casa Civil, do Filho de Lula (de incompetente a milionário em poucos anos).
Também é bom lembrar que todas as reformas previdenciárias que diminuiram o que os aposentados (servidores públicos) recebem na aposentadoria foram aprovados no governo do PT (da Emenda 41/2003 para frente), quando antes de ser governo o PT e seus representantes falavam que não se poderia prejudicar aposentados.

Depois, o que a Dilma acha de bandidos como os das FARC, acho que ela os apóia e eu não voto em quem apóia bandidos, que seqüestram, torturam e estupram seus prisioneiros.

E se não acredita no que falei, acesse o Decreto nº 7.037, de 21 de Dezembro de 2009 (Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH–3) no Objetivo estratégico III, para verificar sobre o aborto

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7037.htm

e para os demais detalhes obscuros olhe os vídeos abaixo:



DOUTOR JOÃO DE BARRO - por Mundim do Vale

Construção é um ofício
Que requer habilidade,
Não se faz um edifício
Sem a responsabilidade.
O técnico tem que saber,
Seu verdadeiro dever
De engenheiro civil.
Se assim não se comportar,
É mais um para somar
Os erros desse Brasil.

Toda obra tem que ter
O seu habites legal,
Construir sem requerer
É coisa de marginal.
É tráfico de influência,
Um ato de imprudência
Crime contra o cidadão.
É falta de honestidade,
Coberta com a impunidade
Que infesta essa nação.

Tem um pássaro no sertão
Que não faz maracutáia,
Constrói edificação
Melhor do que Sérgio Náya.
É um construtor sensato,
Que não precisa mandato
Nem faz falsificação.
Só usa o material,
Do torrão nacional
Não precisa importação.

Ele faz todo o projeto
E o cálculo da estrutura,
Do alicerce ao teto
Ninguém vê uma rachadura.
Não usa na construção,
Nada de segunda mão
Esse fiel construtor.
Para a obra executar,
Não tem que falsificar
Ordem de governador.

Nunca que se ouviu falar
Na sua obra cair
Nem a justiça mandar
Uma empresa implodir.
Cumpre bem o seu dever,
Sem precisar recorrer
A nenhuma imunidade.
Assim é o mestre João,
Engenheiro do sertão
Construtor sem vaidade.

Engenheiro sem bravatas
Nem anel de formaturas,
Não pronuncia bravatas
Nem pensa em candidaturas.
Se o Náya quiser um dia,
Praticar engenharia
O lugar é no sertão.
Aqui tem o João de Barro,
Um professor sem escarro
Pra ensinar a lição.

Mundim do Vale.

Dedicado aos primos da terra:
Renato e João Bitu.

Uma justa homenagem.

Despertei na meditação primeira do dia focalizei um nome: Ribamar nos escaninhos da memoria viajei ao Maranhão onde prevalece o nome Ribamar. Pensei no "Ribamar do Crato", homem determinado nos seus valores de cidadania perfeita.
O Ribamar do Crato nada tinha de Ribamar. Era José Peixoto de Alencar Cortez. Promotor de Justiça, cratense puro no seu ufanismo de ser louco pelo "Cratinho de Açucar". Bairrista. Ribamar era e é conhecido alem fronteiras. Aqui em Fortaleza, nos meios jurídicos, todos fazem referencia ao Ribamar promotor.
O Ribamar do Ministério Publico como exemplo de correção, equilibrio, ética profissional. Ribamar tão grande no amor ao trabalho que se tornou sinonimo da entidade lá no cariri. Juizes, promotores, advogados quando em idas ao Crato tinham, necessariamente, de fazer visita ao nosso Ribamar. Homem simples até no vestir. Gostava de branco. Roupa limpa. Imaculada. Personalistica. Paletó e gravata só nas audiências do juízo. Toga no júri. Elegante na oratória. Disciplinado no exercício da"magistratura de pé". Sorridente. Simpatia inerente ao ser humano de bom coração que transpira solidariedade. Amigo fiel na correta acepção do termo. Bos conversa. Humor bem dosado no desempenho sereno da sua cidadania. Ribamar um cidadão do bem. Excelente exemplo de seriedade e ética funcional. Defensor intransigente dos direitos iguais, nenhum preconceito na convivência social. Amava a vida com a inteireza de ser justo. Aqui e alem o Robamar vai permanecer nos guardados da memoria que vale perpetuar.
Fonte - A Província.

Sabedoria Antiga - Por A. Morais

O Sanharol de antigamente era tido como um lugar especial. Os seus habitantes se esmeravam em honestidade e correção. Diziam: aqui não há cachaceiro, ladrão, mulher falada, homem daqui não anda no cabaré, não espia mulher tomar banho ou coisa que o valha. Dos meus quatro tios, Luiz André era o mais exigente. Em 1966, na campanha política que elegeu Dr. Pedro para o seu primeiro mandato, houve um comício na Boa Vista. Então a rapaziada do Sanharol pediu permissão aos pais e foi prestigiar o evento do amigo. Eu e Pedro meu irmão, Raimundo de Tio Luiz André e Jonas, Bile de tio Chico André e Pedro, Francisco de tio Joaquim André e Luiz Lisboa.
De passagem pela bodega de Raimundo Sabino nos cotizamos e compramos uma garrafa de Sapupara. Saímos fazendo a festa. Como não tinha copos cada um dava uma golada na teimoza. Os netos de madrinha Zefa bebendo cachaça? Não se podia acreditar. Pois é que o Jonas tomou umas goladas maiores e se embebedou. Foi o maior sacrifício para se recuperar: Tomou Banho, tomou meizinhas, café amargo na casa de Paulo de Santiago e nada do Jonas ficar bom. No outro dia a ribeira estava toda comentando: os netos de madrinha Zefa melaram a medalha. Jonas dormiu na casa de um dos primos para não se denunciar, e, quando foi três dias depois, já tudo calmo, todos pensando que o caso fazia parte do passado, tio Luiz André chegou para o Jonas e perguntou: Oh meu filho, o que foi mesmo que Dr. Pedro falou no discurso que fez na Boa Vista? Jonas: Ele falou umas coisas lá. Tá conversando sujeito? Sabedoria antiga. Você acha que numa época em que Frazo do Garrote estava em plena atividade uma historia destas ficava em sigilo? Impossível!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Neguin de João Lopes - Por A. Morais

Acho que desta geração atual poucos deixaram de conhecer o Neguin de João Lopes. Era um brincalhão, alegre, divertido e se quiserem um tremendo cabeceiro. Um dia Neguin se aproximou do açougue de Antonio Pajé e numa bobeira do Antonio pegou um corredor, maior do que ele, e escondeu entre as vestes e o corpo, e, partiu no giro de casa.

Antonio Pajé não viu, mas a negrada sim, e não faltou quem o avisasse e seguisse o Neguin no caminho de casa. Quando Neguin botou o pé no batente, Luizão gritou: Ei Neguin sem futuro, tu pagou a quem esse corredor que tu leva debaixo do calção? Neguin parou, pensou e respondeu: Luizão, é que eu tava só fazendo uma brincadeira cum teu pai, taqui, pode levar de vorta. Neste dia Neguim chorou godê e não comeu o pirão desejado.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL

“Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo”
(Sangrando)

GONZAGUINHA

Por Zé Nilton

Senti na pele o que era estar frente a frente com Luiz Gonzaga Jr. Sabia do seu jeitão de distante, irônico e de pavio curto. De fato, o homem nos recebeu com uma frieza de arrepiar. Chegamos cedo à casa ao lado do Parque Asa Branca, em Exu, nas primeiras chuvas de janeiro. Avisado, lá vinha aquele vulto esticadão, magro e de cabeça pendida às vezes para o lado, às vezes para trás. Observei demais seu trajeto da porta que dava para o alpendre até a porteira. Mesurou-nos com um - bom dia a todos -, com uma voz contida, com um olhar furtivo passando por sobre nós, com uma mão em trajeto de arco apontando o caminho do alpendre.

Dr. Manuel Edmilson do Nascimento, segundo reitor da URCA. Admirável é sua postura. Simpático, tranqüilo, voz pausada, mansa e suave. De mão desses atributos abre solenemente a reunião.

Eu reparava de olhos grudados na figura do grande compositor brasileiro. Ele puxava sem cessar a ponta do bigode, entre baforadas de cigarro e tragos de cerveja fria. Ele ouvia atentamente o seu interlocutor. Ele foi se desmascarando da personagem difícil e complicada de quem eu ouvira falar.

Já eram afável e solto os seus gestos. E eu viajando nas imagens daquele homem – menino guerreiro – nascido no Morro de S. Carlos, criado por estranhos e filho de Luiz Gonzaga. Então, nas músicas, no palco e no calor dos (des) encontros a carga do que passou pesava e Gonzaga Jr. era só brutalidade, irreverência e desconfiança. Mas ali, na casa de seu velho e querido pai, frente à cortesia e inteligência de Dr. Edmilson, Gonzaguinha mostrou doçura e compreensão.

Senti seu entusiasmo ao falar dos projetos para o Parque Asa Branca. Cheio de vida eram suas perspectivas para o futuro. Não dá para dizer com palavras quão belo era o território de sua face ao gesticular projeções para a cultura e o meio ambiente regionais, a partir do Parque e Museu Gonzagão.

Igualmente guardei lembranças de um homem inteligente e conhecedor profundo das coisas do mundo. Suas análises sobre a cultura brasileira e nordestina me impressionaram pela profundidade de quem detém o conhecimento teórico-prático da realidade.

Ao sair daquele recanto haurido por luminosidades da natureza e da inteligência humana, ouvi da professora Maria Sarah Esmeraldo Cabral, responsável pelo encontro, distintos elogios à pessoa de Gonzaguinha. Sarah o disse um humanista.

O tempo amadurece. Estava ali o poeta e músico da MPB inteiro, resultado das somas de tudo que juntou, desde os festivais universitários de que participou, da geração cultural e musical de que foi um ativista e renovador, do compositor consagrado e representante da moderna linguagem da MPB, e agora prenhe de tudo isso, ávido por oferecer sua capacidade a serviço de seu povo.

Numa manhã do final de abril daquele ano, 1991, quando as chuvas vão deixando a natureza grávida de opimos frutos, nos deixou Gonzaguinha. E tudo do que disse para nós, na casa de seu pai, foi deixado para trás.

Ficou a sua música, rica em temática, em ritmos, em sons.
Uma pequena parte dela será lembrada no programa Compositores do Brasil, desta quinta-feira, a partir das 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri.

Na sequencia:

COMPORTAMENTO GERAL, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
UM HOMEM GUANDO CHORA, (guerreiro menino) de Gonzaguinha com Gonzaguinha
UM ABRAÇO TERNO EM VOCÊ, VIU MÃE, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
ESPERE POR MIM, MORENA, de Gonzaguinha com Leila Pinheiro e Gonzaga Jr.
UM LINDO LAGO DO AMOR, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
GERALDINOS E ARQUIBALDOS, de Gonzaguinha com Simone
EXPLODE CORAÇÃO, de Gonzaguinha com Maria Bethania
COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ, de Gonzaguinha com Quarteto em Cy
VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ, de Gonzaguinha com Gonzaguinha
GALOPE, de Gonzaguinha com MPB4
O PRETO QUE SATISAFAZ (feijão maravilha), de Gonzaguinha com as Frenéticas
E VAMOS A LUTA, de Gonzaguinha com Gonzaguinha

Quem ouvir verá!

Programa compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Na web: www.radioeducadoradocariri.com)
Acesse: www.blogdocrato.com
Todas às quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Produção, pesquisa e apresentação de Zé Nilton

Um Bispo que honra a batina.

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Livro “O Político Padre Cícero – entre a Religião e a Cidadania” será lançado na noite de hoje, em Juazeiro


Será lançado neste dia 20, em Juazeiro do Norte, o livro “O Político Padre Cícero – entre a Religião e a Cidadania”, de Maria Laudícia de O. Holanda. O lançamento acontece a partir das 20 horas, no SESC. O trabalho reúne uma abordagem isenta de uma faceta envolta aos aspectos políticos, mas do ponto de vista cidadão, e não partidário. Por meio de uma análise apurada, com uma ampla análise e pesquisa de escritos, como cartas deixadas pelo sacerdote, a Professora Laudícia traz essa importante contribuição para se compreensão de quem era Cícero Romão Batista, que se tornou um dos maiores nomes da religiosidade popular do Brasil. Laudícia Holanda destaca que este livro representa um relato da melhor descoberta que conseguiu do padre Cícero, como Cidadão do mundo.

O estudo analisa os aspectos da pastoral do padre Cícero Romão Batista. A abordagem histórico-religiosa busca descobrir os liames entre o padre, seus devotos e o desenvolvimento de uma ética do trabalho que aparecem vinculados, auto-sustentados e mutuamente impulsionados. O lançamento está inserido na programação de comemoração do centenário da cidade.

Texto: Elizângela Santos

terça-feira, 19 de outubro de 2010

CASA COM GOTEIRAS - Por Mundim do Vale

Em 1966 vieram de Fortaleza duas netas do Dr. Valadares, para passarem as férias de julho em Várzea Alegre. Garotas pra frente como elas diziam. Contrariaram os costumes da cidade, com modas e comportamentos, muito avançados para a época.
Eu estava com Xandoca na sombra do bejamim de Edvard Moreno que ficava em frente da casa que elas estavam. As duas com uns shorts muito curtos começaram a desfilar na calçada de um jeito sex, insinuante e provocador.
Num certo momento uma delas entrou em casa e só por brincadeira fechou a porta para impedir a entrada da outra. A que ficou na calçada tentou entrar subindo uma janela ficando alguns minutos com o bumbum direcionado para nós, talvez até de propósito.
Foi quando Xandoca que era gago disse:
- Eu só hiria pehá uma harota dessa numa noite de inverno dentro duma hasa mal assombrada e cheia de hoteira.
Eu perguntei:
Mas porque tanto desconforto para passar uma noite com uma garota tão bem feita?
É por hê numa hasa mal assombrada e cheia de hoteira ninguém honsegue dormir.