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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 30 de novembro de 2014

Quem quer ser membro do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados? - Por Ricardo Noblat


Quem aspira presidir o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados? Quem gostaria de ser apenas um dos membros do Conselho?

Aspirantes a presidente não passam de dois ou três se tanto. Simples membro do Conselho, ninguém gostaria de ser.

Não se trata de vaidade. Do tipo: só aceito fazer parte do Conselho na condição de presidente. Não.

São 513 os deputados federais. A quase totalidade deles prefere passar longe das cadeiras reservadas aos 21 conselheiros titulares e 21 suplentes. Por quê?

Cabe ao Conselho zelar pelo comportamento ético dos deputados. E a ele cabe punir com a cassação de mandato os que cometerem crimes graves.

O corporativismo na Câmara é grande. No Senado, idem.

De resto, o que um deputado faz para ser cassado é o mesmo que o outro também costuma fazer. Com uma única diferença: alguns poucos são descobertos e processados. Dos processados, raros os que perdem o mandato.

É uma dor de cabeça julgar os colegas. E não deixa de ser arriscado. Quem hoje julga, amanhã poderá ser julgado. E aí...

sábado, 29 de novembro de 2014

Vaccari, guerreiro, do povo brasileiro! - Por Ricardo Noblat


O PT não aprende. Não aprende mesmo.

A cautela e a experiência ensinam que o partido deveria esperar melhor esclarecimento da Justiça antes de renovar a confiança em João Vaccari Neto, seu tesoureiro, citado em conversas telefônicas grampeadas como envolvido em roubalheira na Petrobras.

Lembre-se de Delúbio Soares, tesoureiro do PT na época do estouro do escândalo do mensalão – o pagamento de propinas para que deputados federais votassem como queria o governo. Por mais evidências que houvesse contra ele, o partido evitou largá-lo de mão. Quando o fez, Delúbio já estava enlameado dos pés à cabeça.

Forçado, depois, pelo PT, Delúbio desligou-se do partido. Mas foi só de mentirinha. Ele nunca abandonou o partido – nem o partido o abandonou. Delúbio acabou voltando formalmente. Foi um dos mensaleiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

Em Fortaleza, onde está reunido o Diretório Nacional do PT, Vaccari recebeu, ontem, um tratamento reservado às estrelas do partido. Aproveitou parte da reunião fechada à imprensa para se defender da suspeita de ter desviado recursos da Petrobras diretamente para o caixa do PT. E foi ovacionado. Dirigentes do partido o elogiaram a exaustão.

- Nunca fiz nada de errado – disse Vaccari. “Nada tenho a temer”.

O tesoureiro justificou assim as conversas telefônicas grampeadas pela Polícia Federal: foram para marcar encontros com representantes da Petrobras, que o ajudariam a captar dinheiro para o partido de forma legal. “Tudo o que foi arrecadado foi também contabilizado”, garantiu.

Só faltou a Vaccari ser saudado por sua turma como “guerreiro do povo brasileiro”.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Dilma se rende e fará no segundo governo o que negou que faria - Ricardo Noblat


Faça de conta que Marina Silva se elegeu presidente da República para suceder Dilma Rousseff. E que mesmo acusada durante a campanha eleitoral de ser refém do sistema financeiro, tenha convidado Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, para ministra da Fazenda.

Neca agradeceu o convite, mas o recusou, alegando compromissos com o banco. Em compensação, indicou para seu lugar um graduado funcionário do Itaú. E por meio de nota oficial, elogiou-o no dia do anúncio do seu nome como futuro ministro da Fazenda.

Em um caso assim, como reagiria o PT e as demais forças políticas derrotadas há tão pouco tempo? Silenciariam por reconhecer que Marina não tinha melhor opção para promover os ajustes reclamados pela economia? Ou a acusariam de fazer o que negara antes?

Troque o nome de Marina pelo de Dilma. O de Neca Setúbal pelo de Luiz Fernando Trabuco, presidente do Bradesco. E chame o novo ministro da Fazenda de Joaquim Levy, ex-diretor do Bradesco, ex- funcionário do FMI, doutor pela ultraortodoxa Universidade de Chicago.

Terá sido por isso que Dilma suspendeu na semana passada o anúncio oficial do nome de Levy, deixando-o exposto a ataques do PT? Ou terá sido por isso que ela não quis anunciar, ontem, os nomes de Levy, Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central)?

É como se Dilma tivesse dito com seu gesto: bem, estou fazendo tudo o que os meus críticos diziam que era para ser feito. Tudo o que Aécio Neves prometia fazer caso se elegesse. Reservo-me, porém, o direito de mais adiante interferir se discordar dos resultados.

Guido Mantega, atual ministro da Fazenda, foi piedosamente poupado de participar da rápida e modesta solenidade que marcou no Palácio do Planalto a recepção aos novos ministros. Em nota, Dilma referiu-se a ele como “o mais longevo” ministro da Fazenda. Levy fez o mesmo.

Longevo, em si, não quer dizer nada. Mantega pode ter sido o mais longevo ministro da Fazenda dado à sua competência. Ou o mais longevo porque não ousou tentar contrariar os seus chefes. Por uma coisa mereceria ser elogiado. Pela outra, não necessariamente...

Desde já, reserve-se para Dilma o prêmio de presidente mais original da história recente do país – o único a dispor de dois ministros da Fazenda ao mesmo tempo. Um, demitido por ela, mas que ainda não saiu do governo. E o outro, anunciado, mas que ainda não entrou.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lava Jato choca ministros do STJ - POR FREDERICO VASCONCELOS


Sob o título “Nível de corrupção revelado na operação Lava Jato choca ministros do STJ“, o texto a seguir foi divulgado no site do Superior Tribunal de Justiça:

Mais de uma dúzia de habeas corpus de presos na operação Lava Jato da Polícia Federal já chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mesmo para magistrados com décadas de atuação no direito criminal, o nível de corrupção que está sendo descoberto na Petrobras, envolvendo políticos, empresários e servidores públicos, é estarrecedor.

Nesta quinta-feira (25), no julgamento de um desses habeas corpus, os ministros da Quinta Turma surpreenderam-se com o fato de que personagens secundários no esquema estão fazendo acordos para devolver elevadas quantias de dinheiro, que ultrapassam a casa da centena de milhões de dólares. “O que é isso? Em que país vivemos? Os bandidos perderam a noção das coisas! Como podem se apropriar desse montante?”, questionou incrédulo o desembargador convocado Walter de Almeida Guilherme.

Para o ministro Felix Fischer, a corrupção no Brasil é uma das maiores vergonhas da humanidade. “Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira. Pelo valor das devoluções, algo gravíssimo aconteceu”, ponderou o ex-presidente do STJ.

O presidente do colegiado, ministro Jorge Mussi, também manifestou sua indignação reproduzindo frase do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Ao comparar a operação Lava Jato ao escândalo que ficou conhecido como mensalão, Mendes afirmou que, “levando-se em consideração o volume de recursos envolvidos na operação Lava Jato, o mensalão deveria ter sido julgado no juizado de pequenas causas”.

O ministro Luiz Alberto Gurgel de Faria aderiu às observações dos colegas.

Coragem

Relator de vários habeas corpus relativos à Lava Jato, o desembargador Newton Trisotto afirmou que há muitos anos o Brasil convive com o flagelo da corrupção, porém jamais em níveis tão alarmantes.

“Poucos momentos na história brasileira exigiram tanta coragem do juiz como esse que vivemos nos últimos anos. Coragem para punir os políticos e os economicamente fortes, coragem para absolvê-los quando não houver nos autos elementos para sustentar um decreto condenatório”, disse o relator, citando Rui Barbosa: “Não há salvação para juiz covarde.”

Justiça

Segundo Trisotto, a absolvição de qualquer acusado, ainda que ofenda a sociedade e provoque clamor público, é a solução que se imporá se não houver elementos necessários à sua condenação. O combate à corrupção e o justo anseio da sociedade em punir os corruptos não justificam a violação dos princípios constitucionais.

Trisotto afirmou que a sociedade reclama dos políticos, da polícia, do Ministério Público e do Judiciário ações eficazes para coibir a corrupção e punir exemplarmente os administradores ímprobos e todos que estiverem a eles associados.

“É fundamental, no entanto, que todos tenham consciência de que essa punição só pode ser concretizada com rigorosa observância do devido processo legal, princípio que assegura a todos os acusados o direito ao contraditório e à ampla defesa. É um princípio absoluto, que não pode ser relativizado”, alertou.

O juiz que sacode o Brasil - Por Pedro Cifuentes, El País


Sergio Moro é um dos nomes mais comentados do país desde que prendeu executivos.

No topo do caso Petrobras, que investiga o possível desvio organizado de mais de 9 bilhões de reais e está abalando as estruturas institucionais do Brasil, está um juiz federal de 42 anos: Sergio Moro, considerado um dos maiores especialistas em lavagem de dinheiro do país (senão o maior). No último dia 14, ao assinar uma ordem de prisão contra 21 dos membros mais ricos e poderosos do establishment empresarial, ele se tornou também uma das personalidades mais respeitadas e comentadas do país.

Nas ruas de Curitiba, onde o escritório de Moro centraliza as investigações da Operação Lava Jato, o magistrado já é uma figura popular. “Ele é um juiz com impulso, não se detém diante de nada”, afirma o diretor de uma importante emissora local que tenta dissimular seu entusiasmo. Outros jornalistas intervêm para elogiar seu “sentido de justiça”.

A crescente reputação de Moro intimida até os advogados de defesa dos 13 empresários ainda presos. “Ele tem muito respaldo na Justiça Federal”, reconhece Pedro Henrique Xavier, advogado da importante construtora Galvão Engenharia SA. Na delegacia da Polícia Federal onde dividem a cela e prestam depoimentos os milionários detidos, os letrados reclamam diariamente porque seus clientes ainda não abandonaram a cadeia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

“A Justiça tirou o direito dos pais educarem seus filhos”.



Mais antiga moradora da comunidade Cacimba dos Pombos, no Pirambu, a servidora federal aposentada Irene Pirapora Ribeiro, 84, diz que o aumento do número de jovens na criminalidade seria culpa da própria Justiça.

“Não havia filho mandando nos pais ou ameaçando os pais no tempo em que os pais tinham o direito de educar seus filhos. Agora a Justiça tirou o direito dos pais educarem seus filhos. Não se pode dar uma palmada educativa, nem ao menos gritar para o filho”, comentou a mulher, que integra a Federação do Movimento Comunitário do Pirambu (Femocopi), a Federação das Entidades das Áreas de Risco de Fortaleza (FEARF) e o Conselho de Saúde Guiomar Arruda.

“Tenho uma filha de 59 anos, que sempre me obedeceu e me respeitou. Mesmo quando ela casou e teve dois filhos, a educação que eu dei para ela prevaleceu”, ressaltou.

Moradora de uma das áreas mais violentas de Fortaleza, a mulher de 84 anos afirma que muitos jovens ingressaram no crime, depois que os pais perderam a autoridade sobre seus filhos. “Antes diziam que era melhor o menino apanhar em casa, que apanhar da Polícia. E agora?”

Blog do Eliomar de Lima

Reinaldo Azevedo.


Petrobras admite agora o que todo mundo já sabia: empresa está sendo investigada nos EUA

Com certo atraso, para não variar, a Petrobras admite o que o mundo dos negócios de todo o planeta já sabia: ela está, sim, sendo investigada pela SEC (Securities and Exchange Commission), órgão que regula o mercado de capitais nos EUA. A razão? Os escândalos de corrupção que vieram à tona com a Operação Lava Jato.

Aliás, essa não é a única investigação em curso. A empresa também está na mira de órgão do Departamento de Justiça americano. Quando a notícia veio a público há pouco mais de uma semana, o que fez a estatal brasileira? Tentou negar o óbvio. Agora, não dá mais. Aliás, o comando da empresa negava sistematicamente que houvesse corrupção em suas operações, como sabemos. Dilma só admitiu a existência da safadeza há modestos 38 dias.

E por que uma empresa brasileira pode ser investigada por um órgão americano? Porque ela negocia ações na Bolsa de Nova York, condição essencial de uma empresa de seu porte e que tem de se financiar no mercado internacional. Todas as empresas que querem ter essa prerrogativa têm de se submeter à SEC, que é levada terrivelmente a sério por lá.

Agora a direção da estatal admite que vai enviar àquele órgão regulador dados de uma auditoria independente encomendada a dois escritórios: o brasileiro Trench, Rossi e Watanabe e o americano Gibson, Dunn & Crutcher. Há alguns dias, o comando da Petrobras chegou a negar que a contratação dessas duas empresas tivesse alguma relação com a investigação da SEC.

Esses dois escritórios se dizem ainda especialistas em leis anticorrupção, em especial a FCPA (Foreign Corrupt Practice Act), que pune severamente empresas estrangeiras que negociam ações nos EUA e praticam corrupção.

Tudo indica que há gente na Petrobras que ainda não percebeu que a empresa não pode ser tratada como o quintal da casa da mãe joana. Já não adianta tentar tapar o sol com peneira. A questão da corrupção ganhou dinâmica própria. De resto, não se deve confundir a SEC ou as regras da FCPA com uma CPI de cartas marcadas no Brasil. A coisa subiu de patamar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Cel Raimundo Augusto


Almoçando o inimigo antes que ele nos jantasse, Cel. Raimundo Augusto dá combate a Lampião no sitio Tipi em Aurora. Entre os cometimentos atribuídos ao Cel. Raimundo Augusto figura o combate que este frente a seus cabras teria sustentado contra o bando de Lampião, no ano de 1927.

Muito bem armado com os fugis e os mosquetões recebidos de Floro para dar perseguição a Coluna Prestes, o famoso bandoleiro demorava no sitio Tipi, em Aurora, enquanto planejava o ataque contra Lavras da Mangabeira. A cidade de São Vicente Ferrer com o seu comercio e as suas riquezas havia despertado a cúbiça no temível cangaceiro, encorajando-o a praticar o saque.

Já os donos do Tipi eram inimigos declarados do Clã lavrense. Então, por que esperar? Almoçar o inimigo antes que ele nos jante, decidiu o Coronel. E, assim foi feito. Sem perda de tempo Raimundo Augusto reuniu seus cabras e arrojou-se de surpresa sobre o bando facinoroso. Após breve combate Lampião e os do seu bando fugiam, deixando no local da refrega armas, mantimentos e vários cavalos de montaria do bando, que não puderam conduzir.

Dias depois, na propriedade do Coronel António Joaquim de Santana, na Serra do Mato, onde o bando costumava esconder-se, António Ferreira, irmão de Lampião, recriminava em versos, ao som da sanfona, a imprudência do irmão:

Lampião bem que eu te disse,
Que deixasse de asneira,
Que passasse bem por longe,
De Lavras da Mangabeira.

A velha Dilma barra a entrada em cena da nova Dilma - Ricardo Noblat


Está aí uma briga boa de ver – a de Dilma contra ela mesma.

A de Dilma abusada, centralizadora, que trata mal seus subordinados e não confia em ninguém a não ser nela mesma, contra a nova Dilma que o PT e seus aliados torcem para que governe o país daqui para frente.

A nova Dilma seria o oposto da Dilma atual.

A Dilma tal qual a conhecemos teima em não sair de cena.

Em vão, Lula tentou emplacar Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante seu governo, no Ministério da Fazenda. Quando viu que não conseguiria mandou espalhar que Meirelles não era seu candidato ao posto.

Em vão, Lula sugeriu a Dilma o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco.

Argumentou que indústria, bancos e comércio se reconciliariam com o governo se Trabuco fosse o escolhido para suceder Guido Mantega no comando da economia.

O Ministério da Fazenda deverá ser ocupado por Joaquim Levy. É o que Dilma prefere. Só faltava ela começar a reforma do seu ministério se rendendo a escolhas de Lula...

Nem de Lula e nem por enquanto de ninguém.

Armando Monteiro Neto, senador pelo PTB de Pernambuco, irá para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior porque foi presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Perdeu a eleição para o governo de Pernambuco, é verdade. Mas ajudou Dilma a ter ali uma votação superior a 70% dos votos no segundo turno.

Dilma convidou Armando para o governo sem dar a menor bola para o partido dele - que por sinal apoiou Aécio Neves.

Como convidou Kátia Abreu (PMDB-TO) para o ministério da Agricultura sem consultar sequer Michel Temer, vice-presidente da República e presidente do PMDB.

O PMDB não considera Kátia ministra de sua cota. Como se isso fizesse alguma diferença para Dilma.

A escalação da maioria dos ministros ficará para janeiro. Dilma não pode se arriscar a anunciar o nome de um ministro e em seguida ficar sabendo que ele está envolvido com a roubalheira na Petrobras.

Por fim: quando a Dilma do diálogo, do entendimento, da paciência para aturar os políticos e da disposição para ceder fatias do poder; quando essa Dilma fará sua estreia?

Sabe-se lá. Talvez nunca.

Marina Silva critica primeiras medidas econômicas de Dilma - EDUARDO RODRIGUES - O ESTADO DE S. PAULO


Ex-senadora acusou a presidente de tomar rumo conservador na economia; ela evitou tecer comentários sobre os nomes cogitados

BRASÍLIA - A ex-ministra Marina Silva criticou duramente as primeiras medidas tomadas pela presidente Dilma Rousseff na economia após o segundo turno das eleições. Marina, que disputou a sucessão presidencial pelo PSB, não quis fazer comentários sobre os nomes cogitados para os ministérios do novo governo,mas acusou a presidente de tomar o rumo conservador, que na campanha tanto criticou. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Corrupção da Petrobras põe o Brasil à beira do precipício - Antonio Jiménez Barca, El País.


País vive à espera das delações e das consequências econômicas e políticas do caso

O sistema é simples, diabólico e eficaz: um acusado de corrupção reduz sua pena se delatar outros, que por sua vez podem receber o mesmo tratamento, com o que o caso se ramifica ao infinito.

É a maneira que o juiz brasileiro Sérgio Moro tem para reconstruir o rastro da bilionária corrupção que domina de cima a baixo a maior empresa pública da América Latina, a Petrobras, e que sacode o país: contratos forjados no valor de bilhões de reais, obras superfaturadas para a construção de refinarias, contas bancárias repentinamente esvaziadas para que não sejam congeladas, arrependidos que fazem acordos após pagar quase 100 milhões de reais, maletas com notas de dinheiro que vêm e vão, jatinhos levando somas estonteantes, um tesoureiro do PT envolvido na trama e intermediários que se entregam após passar dias foragidos da polícia.

E, além disso, vários dos maiores empresários do país, todos detidos na mesma carceragem sob a acusação de suborno, dividindo espaço e destino com o delator, Alberto Youssef, que tudo sabe e tudo conta… O sonoro nome que a Polícia Federal deu à última fase da operação, Juízo Final, é sintomático. Tudo no Brasil gira atualmente em torno dessa gigantesca empresa pública e das venenosas revelações que surgem a cada manhã.

domingo, 23 de novembro de 2014

Líder do PT no Senado embolsou R$ 1 milhão, diz ex-diretor da Petrobras Blog do Ricardo Noblat.


Humberto Costa (PT-PE), ex-ministro de Lula, teria usado verba do propinoduto para sua campanha ao Congresso Nacional, em 2010

Veja

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa acusou o líder do PT no Senado, Humberto Costa, de ter recebido 1 milhão de reais do esquema de propinas pagas por empreiteiras a partir de contratos da estatal.

A acusação foi feita no âmbito da delação premiada, a que Paulo Roberto Costa aderiu. Segundo o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, que cumpre pena domiciliar em seu apartamento no Rio, o petista teria utilzado o dinheiro em sua campanha ao Congresso Nacional, em 2010.

O nome do ex-ministro da Saúde do governo Lula se junta assim ao de outros políticos apontados por Paulo Roberto Costa como beneficiários do esquema, como o da ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que teria recebido 1 milhão de reais em um shopping center, por meio de intermediários, e os do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, e do ex-senador do PSDB Sérgio Guerra, ambos já mortos. A denúncia está na edição deste domingo do jornal O Estado de São Paulo.

sábado, 22 de novembro de 2014

Lembranças de Neca Setúbal - Ricardo Noblat


Manual de campanha da Dilma: Banqueira do Itaú rouba comida dos pobres.  Banqueiro do Bradesco distribui cesta básica.

Neca Setúbal, herdeira do Itaú e amiga de Marina Silva.


Sai de cena Dilma 2. Entra Lula 3 - Pot Ricardo Noblat.

Acabou a brincadeira. Saem os amadores progressistas, desenvolvimentistas, esquerdistas – e lambanceiros – e entram em campo os profissionais do poder. A se confirmarem os nomes dos novos ministros, não teremos um governo Dilma 2, mas um Lula 3, já de olho em 2018.

Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Kátia Abreu na Agricultura e Armando Monteiro Neto no Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior levam a algumas conclusões: a crise econômica e de governança é mesmo grave. Tão grave que tem potencial para pulverizar as pretensões de Lula de voltar ao poder daqui a quatro anos.

Segunda conclusão: Dilma será obrigada a abrir mão de muito poder em troca de consertar os imensos estragos de seu primeiro governo. Nem Levy nem Kátia nem Armando Monteiro têm perfil de fantoches amedrontados pelo mandonismo mal-educado de Dilma. Ou vão comandar de fato suas áreas ou cairão fora.

Terceira conclusão: um governo Aécio não ousaria escolher um time tão ortodoxo, tão neoliberal, tão à direita quanto os dois grandes representantes do patronato agroindustrial e um queridão dos mercados.

Kátia Abreu, ex-UDR, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, começou a carreira política no DEM e é o terror do MST e dos ambientalistas.

O usineiro pernambucano Armando Monteiro, do PTB, foi presidente da Confederação Nacional da Indústria.

E Joaquim Levy, ex-FMI, ex-aluno bem-amado de Armínio Fraga e da Escola de Chicago, teve seu primeiro emprego no governo na segunda gestão de FHC. É um craque em defender o rigor e a austeridade e em dizer não à gastança. Duela a quien duela. Incluídos aí Dilma e o PT.

Que tal?

Vamos que vamos!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Aloysio Nunes: “Graça Foster não pode mais comandar a Petrobras”


Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta quarta-feira (19), líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), afirmou que Graça Foster não tem mais condições de continuar na presidência da Petrobras. “Ela mentiu para a CPI, isso é muito grave.”

O senador informou que o PSDB vai convocar Graça Foster a explicar por que mentiu na CPI Mista em 11 de junho passado. Questionada se a holandesa SBM Offshore pagou propina a funcionários, ela respondeu que a auditoria interna não apontou indícios de irregularidades
.
Ocorre, porém, que a presidente admitiu na segunda (17) que fora comunicada em maio que servidores receberam dinheiro para aprovar contratos para fornecimento de navios-plataforma.

Aloysio também comentou as convocações do ex-diretor Renato Duque e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Para ele, é uma vitória da oposição. “Hoje, a base aliada não tem condições políticas de barrar novos depoimentos”.

O senador espera que dê tempo de chamá-los. Caso não seja possível ouvi-los ainda este ano, pois a comissão termina no próximo dia 23, a oposição irá convocá-los novamente em 2015.

“No início da próxima legislatura, voltaremos à carga em uma nova CPI já com novos elementos que serão fornecidos pela delação premiada”.

Perguntado sobre o significado político do resultado apertado da votação (12 x 11) para quebra de sigilo do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o líder do PSDB afirmou que esse episódio mostra que o governo do PT tem duas faces.

“A face do bem, que a presidente Dilma tentou encarnar lá na Austrália quando disse ‘olha, nós vamos apoiar todas as investigações, não haverá da nossa parte nenhum obstáculo’. E a outra face, a face real aqui no Brasil, quando a sua base de governo tentou por todas as formas criar obstáculos para essas convocações”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Petrobrás - Petrolão - Por Reinaldo Azevedo.

A quebra de sigilo de Vaccari e o enigma de um tal Barusco, o homem que pertencia ao esquema petista e que tem US$ 97 milhões em contas no exterior. Será que roubava para si mesmo?

Por 12 votos a 11, a CPI Mista da Petrobras aprovou a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Ele é acusado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef de ser  o homem que coordenava o propinoduto para o partido, cujo representante na empresa seria Renato Duque. A comissão aprovou ainda as convocações do próprio Duque, de Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, e de outros dois ex-diretores da Petrobras: Ildo Sauer (Gás e Energia) e Nestor Cerveró (Internacional), que terá de fazer uma acareação com Costa. Pode ser um momento bem interessante.

O PT fez de tudo para evitar a quebra dos sigilos de Vaccari, mas acabou derrotado. Parlamentares da base, como os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Enio Bacci (PDT-RS), não foram sensíveis aos apelos dos companheiros. Os depoimentos e a acareação podem até render alguma emoção, a menos que a gente tenha de ouvir o famoso “Eu me reservo o direito de ficar calado…”, mas duvido que algo de muito interessante saia das quebras de sigilo de Vaccari ou de outros. E por várias razões.

Em primeiro lugar, essa gente já está escolada, não é?, e não costuma cometer certos erros primários. Em segundo lugar porque, é bom não esquecer, há um doleiro no meio dessa lambança toda. E doleiros só participam de falcatruas para esconder recursos fora do país, em contas secretas. Basta olhar para o festival delas que está por aí.

Acho pouco provável que Vaccari seja do tipo que opera para enriquecimento pessoal. Ele está mais para Delúbio Soares, de quem é sucessor, do que para Paulo Roberto Costa. Se é quem Youssef e Costa dizem ser nesse esquema, não trabalhou para si mesmo, mas para a máquina partidária. Como a gente se lembra, Delúbio não fraquejou um só instante, nem quando foi posto para fora do partido — formalmente ao menos. Quando voltou, mereceu tapete vermelho, com direito a festança e tudo. Vaccari é um burocrata da máquina cinzenta. É homem da natureza de um Gilberto Carvalho. É núcleo duro. A essa gente, garantida a boa vida necessária, interessa mais o projeto de poder do que o enriquecimento pessoal. Há quem ache isso nobre. Eu, obviamente, não acho.

Coisas estranhas

De resto, há coisas estranhíssimas nessa história toda. E, para mim, o tal Pedro Barusco é a chave de um segredo de Polichinelo. Vamos ver. Esse sujeito era mero estafeta de Renato Duque, o petista graúdo que estava na diretoria de Serviços da Petrobras, homem de Dirceu e do partido. Pois esse Barusco admitiu, sem muita pressão, ter US$ 97 milhões em contas do exterior — o correspondente a R$ 252 milhões.

Custo a acreditar que um sujeito na sua posição, subalterna, tivesse autonomia para roubar tanto em seu próprio benefício. Nem se ocupou em pulverizar as contas em nome de terceiros, de familiares, de amigos ou conhecidos, sei lá. Também não converteu parte dessa fantástica dinheirama em patrimônio. Por que alguém mantém em moeda sonante, em contas secretas, tal volume de recursos? Será que Barusco operava para si mesmo ou para uma estrutura muito maior do que ele?

Volto a Vaccari

Tendo a achar que, se alguém aposta no enriquecimento pessoal de Vaccari, vai se frustrar. Ele não pertence a si mesmo. Ele pertence a uma máquina. Encerro com uma lembrança: no depoimento dado no âmbito da delação premiada, Youssef fisse que poderia ajudar a PF a chegar a contas que o PT manteria no exterior, o que é ilegal e rende cassação do partido.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cangaço - XV - Ultimo.

A Morte de Lampião
Em julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situado no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se prepararem para tomar café, foi quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, segundo a opinião de Virgulino, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro, e as jóias.A força volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luis Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a. Este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro.Feito isso, salgaram as cabeças e as colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocado creolina sobre os corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumadas cuidadosamente na escadaria da igreja, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Depois Maceió e depois, foram ao sul do Brasil.No IML de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas, examinadas, pois os criminalistas achavam que um homem bom não viraria um cangaceiro: este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam alguns, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.Do sul do País, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da UFBA da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno aos seus parentes. O economista Silvio Bulhões, em especial, filho de Corisco e Dadá, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, essa macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro do seu pai violaram a sepultura, exumaram o corpo e, em seguida, cortaram-lhe a cabeça e o braço esquerdo, colocando-os em exposição no Museu Nina Rodrigues.O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois. Assim, a era CANGAÇO se encerrou, com a Morte de Virgulino.
Fonte - Blog do Crato

O CRIADOR DE GALINHAS - BLOG HUMOR.


Um criador de galinhas vai ao bar local, senta-se ao lado de uma mulher e pede uma taça de champanhe. A mulher comenta:
Que coincidência! Eu também pedi uma taça de champanhe.
Hoje é um dia especial para mim - diz o fazendeiro - Estou a festejar.
Hoje é um dia especial para mim também! - diz a mulher - Eu também estou a festejar.
Que coincidência! - diz o fazendeiro.
Quando 'batem' as taças ele pergunta:
O que é que a senhora está a celebrar?
Eu e meu marido há uns tempos que andamos a tentar ter um filho e hoje o meu ginecologista disse-me que estou grávida.
Que coincidência! - diz o homem - Sou criador de galinhas e durante muitos anos as minhas galinhas não eram férteis. Mas consegui! Elas hoje começaram a pôr ovos férteis.
Isso é ótimo - diz a mulher - Como é que conseguiu que as suas galinhas ficassem férteis?
Usei um galo diferente - diz ele.
A mulher sorri, brinda novamente e diz:
Que coincidência!!!
   

Cangaço - XIV


Resposta do prefeito.
Formiga ao encontrar o piquete da caieira ao lado da estrada, antes da ponte, explica a que vinha. O Soldado João Antonio de Oliveira o escolta ao solar do prefeito. Era, aproximadamente, uma da tarde. Rodolfo lê o bilhete para o pessoal em casa. Ali, se encontravam comerciantes e trabalhadores – gente amiga. Declara, com firmeza, que não cederia às exigências do facínora. Não faria concessões. Lutaria. Devido a pouca munição, recorreria à arma branca, caso fosse necessário. Por esse motivo não exigia sacrifícios, nem teria queixas de quem deixasse a trincheira. Nesse ínterim, Francisco Calixto de Medeiros rompe o silencio. Bate no bornal e grita:
O dinheiro está aqui! Lampião que venha buscar! Viva Rodolfo Fernandes! Viva nosso prefeito! Viva Mossoró! Todos vivaram uníssonos. Jubilosa aclamação alastrou-se aos piquetes da defesa. No calor do entusiasmo, Julio Fernandes Maia e outros companheiros mandavam recados desafiantes ao chefe bandoleiro. Da trincheira da rua, o mensageiro, meio desconfiado, ouvia a demonstração de valentia. Rodolfo aviu-se com Laurentino de Morais, sediado no prédio do telegrafo e o diretor da rede ferroviária, Vicente Sabóia Filho. A gente da trincheira sabendo que o assalto se daria em breve ficou alerta. Por falta de meios de comunicação, os entendimentos se alongavam. Retardaram a volta de Formiga, por mais de meia hora. O Edil procura impressioná-lo sobre a fortaleza dos mossoroenses e o numero de pessoas em armas.
Por fim, entrega-lhe a resposta:
Virgulino Lampião.
Recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede e nem também o comercio. O Banco está fechado, tendo o funcionário se retirado daqui. Estamos dispostos a acarretar com tudo que o Senhor queira fazer contra nós. A cidade acha-se, firmemente, inabalável na sua defesa, confiando na mesma.
13.06.1927.
Rodolfo Fernandes – Prefeito.

A invasão - Bando em fuga.

Deu tudo errado para Lampião em Mossoró. O resultado está nesta poesia de Jose Otavio Pereira Lima, referindo-se ao resultado da investida - feridos e mortos:

As cinco e meia da tarde
Lampião disse a negrada
Acabemos com esse fogo
Que isso não é caçoada
Jararaca e meu Colchete
Diabo levou no colete
Perdemos nossa caçada.

Seu Massilon eu me queixo
De você e mais ninguém
Dizer a mim que esse povo
Muita coragem não tem
Mas veja que em Mossoró
Os seus homens não tem dó
De bandidos que aqui vem.

Fujamos logo daqui
Eu estou envergonhado
De ir dizer ao Padre Cicero
Que por cá fui derrotado
Em que camisa me metir
Meus dois amigos perdir
Estou aterrorizado

Iam no grupo feridos
Que gemiam em grande dor
Outros calados qual mudos
Transpassados de pavor
Chorando sua desgraça
A beber em negra taça
O fel cortante do horror.
Raul Fernandes.

Enviado por Amigos de Deus.


Ainda que deseje, um rio não pode correr mais do que corre. Não pode apressar o seu passo. Não pode mudar o seu curso. O oceano o espera e lá chegará.

Perguntei a um grupo de amigos:  ”O que você faria se soubesse que morreria dentro de vinte e quatro horas?”. As respostas de alguns foram mais ou menos assim: “Amaria mais, perdoaria mais, viveria de forma mais intensa”.

Ninguém pode apressar ou diminuir o passo da existência. O amor e o perdão devem ser exercitados por toda a vida. O prazo de vinte e quatro horas é muitíssimo pequeno para uma mudança radical.  Mas é tempo mais que suficiente para uma reflexão profunda, um arrependimento sincero e uma aproximação de Deus.

O “bom” ladrão da cruz tinha pouco tempo de vida. Estava na hora da morte, mas reconheceu seus erros e pediu, com humildade de coração, que Jesus se lembrasse dele quando estivesse no céu. Foi o bastante para ser alcançado pela graça divina. Não espere pelo último momento.

Airton Evangelista da Costa

Cangaço - XIII

Segundo Ultimato ao Prefeito.
Virgulino estava preocupado, sem saber o que passava na cidade. Apenas Massilon e Julio Porto conheciam-na, de algum tempo. A luta a ser deflagrada seria diferente, fugia as táticas das guerrilhas nas caatingas. Luis Joaquim de Siqueira, vulgo Formiga, natural de Afogados de Ingazeira, Trabalhava em Mossoró. No oficio de erradicar formigas, visitava as fazendas da redondeza. Espionava a serviço de um dos chefes dos quadrilheiros. Esperavam-no em Passagem de Oiticica. No terreiro da casa de Manuel Santino, o triunvirato do mal confabulava quando chega Formiga. Correu, prazenteiro, de braços estendidos a Virgulino e exclamou alto, como se fosse um velho amigo: Como vai capitão? E dá-lhe um abraço. O companheiro Amadeu Lopes, que de nada suspeitava, ficou atônito. Foi logo afastado para o meio dos prisioneiros do lugarejo, na maioria carentes conhecidos. Porem, o Caolho recebeu Formiga com frieza, que desnorteado, pede proteção. Seu Lampião me garanta a vida! Ninguém lhe ofende aqui. Vem de Mossoró? Sim. Como está a cidade? Bem guardada, a espera de um grupo de cangaceiros. Quantos homens tem em armas? Uns duzentos, no mínimo. Lampião fez um gesto desdenhoso e disse: Confere – eles brigarão menino? O intuito é brigar.
A carta de Gurgel não intimidara Rodolfo Fernandes. Lampião entrou em casa de Miguel Santino com Formiga. Retirou do bolso um pedaço de papel, encimado com seu timbre. Tomou do lápis e redigiu um bilhete. Julgava, assim, conseguir o intento. Escreveu com dificuldades numa péssima caligrafia:
Cel. Rodolfo.
Estando eu até aqui pretendo o dinheiro, já foi um aviso, ahi, pro Senhoris, si por causo resolver, mi a mandar será a importância que aqui nos pede. Eu envito de entrada ahi, porem não vindo esta importância eu entrarei, até aí penço qui a Deus querer, eu entro. E vai aver muito estrago por isto, si vir o dinheiro eu não entro, ahi ,mas nos resposte logo.
Capitão Lampião.
Entrega-o a Formiga e manda recado:
Se não for enviada a importância até as duas da tarde entrarei na cidade fazendo depredações de toda sorte.

ENVIADO POR AMIGOS DE DEUS


Era uma vez uma corrida de sapinhos. Eles tinham que subir uma grande torre e atrás havia uma multidão, muita gente que vibrava com eles.
Começou a competição. A multidão dizia: "Oh é difícil de mais eles nunca vão conseguir, não vão conseguir!"
 ou
"Eles não tem nenhuma chance de sucederem. A torre é muito alta!" Os sapinhos iam desistindo um a um, menos um deles que continuava subindo. E a multidão continuava a aclamar: "É muito difícil!!! Ninguém vai conseguir!" E os sapinhos iam desistindo, menos um, que subia tranqüilo, sem esforços. Ao final da competição, todos os sapinhos desistiram menos aquele. Todos queriam saber o que aconteceu, e quando foram perguntar ao sapinho como ele conseguiu chegar até o fim...Descobriram que ele era SURDO.
"Quando a gente quer fazer alguma coisa que precise de coragem não devemos escutar as pessoas que falam que não iremos conseguir." Nunca dê ouvidos a pessoas com tendências negativas ou pessimistas porque eles tiram de você seus sonhos e desejos mais maravilhosos. Sempre se lembre do poder das palavras. Porque tudo o que você falar, ouvir e ler irá afetar suas ações!
Portanto:
Seja SEMPRE…
POSITIVO!
E acima de tudo: Seja SURDO quando as pessoas dizem que VOCÊ não pode realizar SEUS sonhos!
Lembre-se: "Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar." I Coríntios 10.13


Cangaço - XII

Resposta do Prefeito.
Por volta das sete da manha, Pedro Jose chegou à casa do prefeito Rodolfo Fernandes, de modo Cortez, considera inaceitável a resposta do bandoleiro e revela a disposição de enfrentá-lo. Levou Pedro ao aposento, onde havia varias caixões com latas de querosene e gasolina. Mostrou-lhe o que estava aberto, cheio de balas. Adiantou que tudo aquilo era munição. Exagerou o numero de homens, em armas, na cidade. A conversa visava impressioná-lo e a seu mandante. Entrega-lhe a resposta da carta, escrita de maneira e não agravar a situação dos reféns com as vidas ameaçadas. Pedro saiu apreensivo. Bate a porta dos amigos. Conseguiu com os comerciantes Amâncio Leite e Ezequiel Fernandes o necessário para sua liberdade. Encontrou Salustiano. Soube já ter sido enviado a importância do seu resgate por Belarmino de Morais, residente naquela região. Salustiano escusara-se de voltar com receio dos bandidos. Embora o caso estivesse resolvido, Pedro, em cumprimento a palavra dada. Separou três contos e quinhentos e foi ao encontro de Lampião. E, perguntou: recebeu meu dinheiro? Sim. Aqui está o de Azarias. Enquanto entregava a resposta da carta de Antonio Gurgel, acrescentou: O prefeito manda dizer que tem dois mil homens lhe esperando, e que fosse buscar o dinheiro! Virgulino não se alterou e, esboçando um sorriso, concluiu: Qual nada, isso é para me intimidar! Não acredito nisso! Não é isso tudo não! Ele vai saber se vai me intimidar!
Resposta do Ultimato:
Antonio Gurgel.
Não é possível satisfazer-lhe a remessa dos quatrocentos contos, pois não tenho, e mesmo no comercio é impossível encontrar tal quantia. Ignora-se onde está refugiado o gerente do banco, Sr. Jaime Guedes. Estamos dispostos a recebê-los na altura em que eles desejarem. Nossa situação oferece absoluta confiança e inteira segurança.
Rodolfo Fernandes- Prefeito.
A. Morais

A nacionalidade de Adão e Eva.

Você Sabe Qual a Nacionalidade de Adão e Eva?

Um alemão, um francês, um inglês e um brasileiro apreciam um quadro de Adão e Eva no Paraíso.

O alemão comenta:
Olhem que perfeição de corpos: ela, esbelta e espigada; ele, com este corpo atlético, os músculos perfilados...
Devem ser alemães.

Imediatamente, o francês contesta:
Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... Ela, tão feminina... Ele, tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação...
Devem ser franceses.

Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:
Que nada! Notem a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto.
Só podem ser ingleses.

Depois de alguns segundos mais, de contemplação silenciosa, o brasileiro declara:
Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, estão na merda... Só têm uma única maçã para comer. Mas não protestam, ainda estão pensando em sacanagem e pior, acreditam que estão no Paraíso.
Só podem ser brasileiros...

Cangaço - XI

Ultimato ao prefeito.

Em passagem Oiticica, o prisioneiro Azarias Januario deparou-se com o velho conhecido, Pedro Jose da Silveira, em idêntica situação. Narrou-lhe o apuro em que se encontrava, sem portador para o resgate. Diante do impasse do amigo, Pedro entendeu-se com Virgulino, empenhando a palavra que regressaria com os sete contos de reis estipulados a ambos, caso fosse à cidade. Dessa vez, o bandido aquiesceu, porem mandou-o esperar. Entrou na casa de Miguel Santino. Voltou-se para o Coronel Gurgel e indagou-lhe de chofre: Conhece o chefe político de Mossoró, o Coronel Rodolfo Fernandes? Sim, conheço. Virgulino resolveu, então, negociar a ameaçar. Conversou com Sabino. E insistiu para Gurgel escrever ao Cel. Rodolfo Fernandes, cobrando quinhentos contos de reis, para poupar a cidade do saque e incêndio. Apenas conheço o Coronel Rodolfo. É provável que ele não se lembre de mim. Nunca me fica bem escrever-lhe. Venha escrever o que eu disser, retrucou Lampião. Sabino retira do bolso uma folha de papel, com o seu timbre numa pagina, e na outra com o do Capitão Virgulino Ferreira, Lampião. Gurgel esclareceu que a exigência era muito pesada, descabida. Lampião reduziu-a para quatrocentos contos. Em nossos dias, a importância equivaleria a dois milhões de reais. Nestes termos o prisioneiro redigiu a carta:
13 de Junho de 1927.
Meu caro Rodolfo Fernandes.
Desde ontem estou aprisionado do Grupo de Lampião, o qual está aqui aquartelado, bem perto da cidade, manda porem, um acordo para não atacar mediante a soma de quatrocentos contos de reis. Posso adiantar sem receio que o grupo é numeroso, cerca de 150 homens bem equipados e municiados a farta. Creio que seria de bom alvitre você mandar um parlamentar até aqui, que me disse o próprio Lampião, seria bem recebido. Para evitar o pânico e derramamento de sangue, penso que o sacrifício compensa. Tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró. Diga sem falta ao Jaime que os vinte e um contos que pedir ontem para o meu resgate não chegaram até aqui, e se vieram, o portador se desencontrou, assim peço por vida de Yolanda para mandar o cobre por uma pessoa de muita confiança para salvar a vida do pobre velho. Devo adiantar que todo grupo me tem tratado com muita deferência, mas, eu bem avalio o risco que estou correndo. Creia no meu respeito.
Antonio Gurgel do Amaral.
Lampião estranha o apelo e pergunta: Quem é Yolanda? É minha netinha. Tem dois anos. A resposta emocionou o facínora. Não a esqueceu. Em seguida, entregou as cartas de Gurgel e Maria Jose a Pedro, advertindo-o: Vá levar ao prefeito! Volte logo, com a resposta e o dinheiro. Se você não cumprir o trato, acabo com sua família. Toco fogo em tudo, nem galinha deixo na sua fazenda. Emprestou-lhe um cavalo e o despachou.
Raul Fernandes

Uma palavra amiga - Por Padre Juca

Deus é o autor da vida e não da morte. A pessoa morre antes do tempo porque quer, porque assim se determina.
O álcool, os tóxicos, e o fumo diminuem a vida. Embora quem esteja dependente deles diga que não tem problema, que isso é invenção da medicina. Deus não quer o mal, mas o homem se destroi. Causa o mal para si mesmo e para os outros.
Não seria melhor que, em vez de ficar procurando justificar os vícios, agente tivesse um pouco mais de personalidade, reagisse e se libertasse deles?
Aqueles que nos levam para o abismo dos vícios certamente não irão pagar por nós as funestas consequências dos mesmos.



Cangaço - X

Diabruras dos malfeitores.

Boa Esperança, fora o lugar, no Estado do Rio Grande do Norte, onde os cangaceiros deram expansão ao gênio e entregaram-se a grosseiros folgares. Beberam e cantaram ao som da sanfona. Divertiram-se numa ambiência galhofeira, torturando pacatos sertanejos, sem levarem em conta o mal que causavam. A comunidade assistia, constrangida, às praticas abomináveis misturadas com visos de comicidade. Dos infames folguedos, alguns episódios são lembrados com certo humorismo pelos filhos da região. O velho Joaquim Justino de Souza vinha pela rua, tangendo um burro com uma carga de melancia. Satisfeito, trazia da sitioca, o produto de seu suor. Calculava o bom apurado nos festejos do padroeiro. De súbito, achou-se cercado. Em meio a confusão, arremessaram-lhe uma fruta na cabeça. Cambaleia. Seguram-no para não cair. Atordoado, vê o algoz apanhando outra do caçuá. Roga-lhe, Então: escolha uma madura! O bandido, esboçando um sorriso, o atende. Repete a troça com rudeza. Desta vez Justino vai ao chão. Cai sentado. Está satisfeito agora? Pergunta, desdenhosamente, o marginal. Saindo do estupor, o bem humorado camponês retruca: Estou sim senhor. Podia ser pior se a carga fosse de jerimum! Os malfeitores romperam em estrepitosas gargalhadas, enquanto saboreavam deliciosas talhadas de melancia.
Raul Fernandes.

Cangaço IX

Morte de Livino e Antonio.

A 24 de Maio de 1925, Virgulino saqueia a residência de dona Joana Torres, Baronesa de Água Branca, na vila do mesmo nome, em Alagoas. Em principio de 1926, perde Livino no combate contra as forças volantes da Paraíba e Pernambuco, no lugar Tenório, zona do Pajeú pernambucano. Naquela época a nação estava convulsionada. O presidente Artur Bernardes, tomava medidas de emergência. Procurava conter os surtos revolucionários no pais. Comissiona com altos poderes o deputado federal Floro Bartolomeu, para organizar Batalhões Patrióticos contra a coluna rebelde de Carlos Prestes que ameaçava o nordeste. Floro, muito doente, telegrafara a um amigo, em Pernambuco, no sentido de mandar a sua presença o afamado cangaceiro. Dois dias depois, verificou o erro. Enviou a contra ordem, que infelizmente não alcançou o destinatário. Em seguida, viajou ao Rio de Janeiro com a saúde abalada, vindo a falecer a 08 de março. Juazeiro do Norte era o Quartel General. Inesperadamente, a 04 de Março chega Lampião com quarenta e nove sequazes a procura do deputado. Padre Cícero, envolvido na política, agia como chefe. Arma os voluntários recém-chegados. Concede a patente de capitão a Virgulino Ferreira, de primeiro Tenente a Antonio e de segundo tenente a Sabino Gomes. O Ceara alarmou-se. Adversários do Padre iniciaram uma campanha difamatória, acusando-o de protetor de bandidos. O medico e ex-senador Fernandes Távora, que o conheceu, no livro “Algo de Minha Vida”, após analisar a personalidade do sacerdote concluiu: “Foi um caridoso semeador de esperanças, um piedoso e bom, que passou pela terra consolando”. O padre censurado defendia-se alegando que Lampião fora convidado. Seria uma traição mandar prende-lo ou entregá-lo a seus figadais inimigos. Não cederia. Considerava a palavra empenhada por Floro uma questão de honra. O novo capitão parte confiante para Pernambuco. Porem, o exercito e a policia militar não lhe reconheceram o posto. Ameaçavam prende-lo. Vendo-se desprestigiado, desiste de lutar contra Carlos Prestes. Aproveita o excelente material bélico e volta ao cangaço.
Raul Fernandes

O valor de um abraço


Minha amiga trabalha em um brechó de um hospital, como voluntária. Certo dia adentrou na loja uma certa senhora bastante obesa, e de cara a minha amiga pensou que não tinha nada na loja na numeração dela. 

Se sentiu apreensiva e constrangida naquela situação, vendo a senhora percorrer as araras em busca de algo que minha amiga sabia que ela não encontraria.

Ficou angustiada, porque não queria que a senhora se sentisse mal pelo tamanho das peças de roupas, se sentindo excluída e fazendo a questão sobre o seu sobrepeso vir à tona de forma implícita.

Naquele momento minha amiga orou a Deus e pediu que lhe desse sabedoria para conduzir a situação evitando que a cliente se sentisse excluída ou humilhada na sua autoestima.

Foi quando o esperado aconteceu. A senhora se dirigiu à minha amiga e disse tristinha: “É.. não tem nada grande, não é?

E a minha amiga, sem até aquele momento saber o que diria, simplesmente abriu os braços de uma ponta a outra e lhe respondeu:

“Quem disse??? Claro que tem!! Olha só o tamanho desse abraço! - E a abraçou com muito carinho. A senhora então se entregou àquele abraço acolhedor e deixou-se tomar pelas lágrimas exclamando: “Há quanto tempo que ninguém me dava um abraço.”

E chorando, tal qual uma criança a procura de um colo, lhe disse: “Não encontrei o que vim buscar, mas encontrei muito mais do que procurava".

E naquele momento, através dos braços calorosos de minha amiga, Deus afagou a alma daquela criatura, tão carente de amor e de carinho.

Quantas almas não se encontram também tão necessitadas de um simples abraço, de uma palavra de carinho, de um gesto de amor.

Será que dentro de nós, se procurarmos no nosso baú, lá nas prateleiras da nossa alma, no estoque do nosso coração, também não acharemos algo “grande” que sirva para alguém?

Cangaço - VIII

A. morte de Jararaca.
Em torno da morte do famoso cangaceiro Jararaca, tiveram curso varias versões curiosas, uma das quais foi recolhida por Leonardo Mota, o brilhante folclorista cearense, no interior do Rio Grande do Norte. Seguindo essa versão, Jararaca fora barbaramente assassinado por soldados da policia potiguar, depois de haver sido conduzido da Cadeia Publica ao cemitério de Mossoró, aonde tê-lo-iam obrigado a cavar a própria sepultura. Para não desfigurar o cunho pitoresco do episodio, preferimos transcrevê-lo como narra o apreciador sertanista.
Quando Lampião teve a certeza de que atravessaria livremente todo o Ceara, em cujo território já por vezes penetrara, erguendo vivas ao então Presidente do Estado, decidiu invadir o Rio Grande do Norte, para atacar a cidade de Mossoró. Seduziam-se os pingues recursos desse empório comercial servido por uma agencia do Banco do Brasil. Saiu-lhe porem, o ano bissexto. A população de Mossoró, tendo a frente o valoroso prefeito Cel. Rodolfo Fernandes, reagiu bravamente ao assalto da cabroeira de Virgulino e dois sequazes deste tombaram baleados sem que os companheiros os pudessem conduzir.
Um dos feridos era Jararaca. Transportado para cadeia, solicitamente o medicaram. Era preciso que ele falasse sem que as autoridades o ouvissem. De fato, só depois de pensado, interrogado e até de fotografado, o Jararaca morreu. Mas ninguém o viu morto, pois o enterramento foi dado como feito alta noite. Uns vinte dias depois me dizia um sertanejo da terra potiguar: Jararaca morreu, mas não foi de morte morrida, foi de morte matada. E com a desventura de quem não tem papas na língua nem é jornalista de Governo, descreveu a cena macabra: Uma boca de noite, noite de lua, o Jararaca, algemado, foi conduzido da cadeia para o cemitério. Chegando lá rodeado de soldados mostraram-lhe uma cova, aberta lá num canto, quase fora do sagrado e lhe perguntaram se ele sabia para que era aquilo. Foi quando o Jararaca falou frocado e destemido: Saber de certeza não sei não, mas porem estou calculando. Não é pra mim? Agora isso só se faz porque eu me vejo nesta circunstancia, com as mãos inquiridas e desarmadas! Um gosto eu não deixo pra vocês: é de se gabarem de que eu pedi que não me matassem. Matem! Matem! Que matam, mas é um home. Fique sabendo que vocês vão matar o home mais valente que já pisou nesta... Mas não teve tempo de acabar de dizer o que queria. Por traz dele um soldado, naturalmente de combinação com os outros, deu-lhe um tiro de revolver na cabeça. A bala pegou bem no mole do pé do ouvido, lá nele. O Jararaca amunhecou das pernas e caiu, de olho virado. Aí, os soldados o empurraram com os pés pra dentro da sepultura. Só demoraram enquanto tiraram os ferros das algemas. Quando o cadáver rolou pra cova, fizeram luz e espiaram: o finado tinha caído de bruços. Mas, ninguém se ambarassou com isso: por cima do corpo ainda quente as pás de terra deram serviço. Calou-se o narradou para dizer, logo mais, entre compadecido e irônico, num misto de piedade e galhofa. Coitado do Jararaca! Tão valente na hora da morte, mas foi enterrado dando as costas pra este mundo velho, onde ele fez tanta estrepolia.
O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos – nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia. O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço”.

Lampião diz qui num corre
Mas correu lá da Matinha
Deu um chouto vergonhoso
E galope armofadinha!

Lampião diz qui num corre.
É mofino corredor!
Já correu de Mata Grande,
Qui poeira levantou.
Raul Fernandes.

Uma palavra amiga - por padre juca

Embora ninguem seja inutil, algumas pessoas tornam sua vida vazia e apodrecem dentro de si mesmas. Receber os dons de Deus, atraves do Espirito Santo, é como ganhar um presente num involucro muito bonito: se não abrir este pacote não adianta nada, fica tudo inútil. Será que os nossos talentos e carismas estão produzindo frutos?

Quando sentirmos vontade de maldizer a própria vida, os problemas que temos... precisamos olhar para o lado. Veremos que nos queixamos por não ter sapatos, quando muitas pessoas não tem os pés.

Se até hoje a nossa vida não teve sentido, nada impede que possamos encontrar-lhe algum.

Convém lembrar que passaremos por este mundo uma só vez. E por isso todas as boas ações que possamos praticar a qualquer ser humano não devem ser adiadas. A única coisa que se levará daqui desta vida é o amor que vivemos.

Cangaço - VII

Banditismo Profissional.

Quando Lampião entrou no grupo de Sebastião Pereira, adotou o banditismo como profissão. Viveria entre homens marginalizados, condenados pela lei. Fora desse ambiente não encontraria amigos, somente criaturas submissas pelo temor. O Sargento Optato Gueiros, viajava, em fevereiro de 1921, para Vila Bela. Descansava numa casa isolada, na caatinga, quando foi surpreendido, a meia noite, com a chegada do grupo de Sebastião. Os cabras vinham sedentos. Bebiam água e conversavam com animação. Um deles vendo Optato fardado perguntou:
Quanto ganha por mês?
Noventa e cinco mil reis.
Hum!. Muito pouco, acudiu Lampião. É melhor ser cangaceiro mesmo. Para trabalhadores rurais, que viviam na mais completa escravidão econômica, aquela vida prometia algumas compensações. Em 1926, Lampião passava, com o seu grupo, em Juazeiro do Norte. Foi entrevistado pelo Dr. Otacilio Macedo, medico e jornalista: Porque não larga essa vida, capitão, o senhor que já tem tanto dinheiro? Por que não vai embora para Goiás ou Mato grosso, deixando de vez essa existência perigosa? Doutor, o senhor estando bem numa vida, o senhor larga ela? Assim sou eu. O bandoleiro sentia-se realizado.
É mior ser cangaceiro
E poeta cantador
Que sê bispo ou deputado
Ou mesmo governador.

Querendo andar no cangaço
Inté sou bom cangaceiro
Que isso de matar gente
É serviço mais maneiro

Se o cabra não tem corage
Que mude de profissão
Vá para o rabo da enxada
Aprantá fava e feijão.

Raul Fernandes.

Cangaço - VI


Bando do Sinhô Pereira.

Em março de 1920, os filhos mais velhos do Ferreira ingressam no Bando de Sebastião Pereira, conhecido por Sinhô Pereira, que vivia em luta contra os Nogueiras e os Carvalhos. Tempos depois, na altura da fronteira de Pernanbuco com a Paraiba, o grupo descia Serra Talhada tangido por tenaz perseguição das volantes. No confronto da fazenda de Neco Alves, parente de Pereira, avistaram uns homens, julgaram tratar-se de companheiros. “Lampião ia na frente, despreocupado, com os dois irmãos. Os soldados atiraram e erraram. Virgulino ao procurar livrar-se dos projeteis, perdeu o chapéu; Voltou para apanha-lo. Nesse instante, recebeu “ dois tiros”, um na virilha e outro acima do peito. Saiu andando e caiu. Senhor Pereira chamou o Dr. Mota, medico da família, que após o exame disse: “ Nunca vi tanta sorte”. Por um triz as balas pegavam a bexiga e espinha . Se fosse carabina teria pegado”. Depois desse batismo, Lampião resguardava-se muito.
Senhor Pereira adoece. O mal se agrava. O reumatismo tolhia-lhe os movimentos. Sentia-se sem condições de continuar. Em fins de Agosto de 1922, na Fazenda Preá, município cearense de Jardim, despede-se do cangaço. Foge com dois comparsas para Goias. Lampião que o acompanhava, há dois anos, assume a chefia do grupo – quinze homens e os oito irmãos. Permaneceu no posto até a morte. Dezesseis anos de banditismo profissional – de terror no sertão. Antes de deixar Pernambuco, Sebastião incendiou um comboio de algodão do prefeito Luiz Gonzaga, da Vila de Belmonte. O cidadão Ioio Maroto, acusado de coiteiro, recebia na sua Fazenda são Cristovão, o primo Sebastião. Luiz vingou-se. Mandou o tenente Montenegro com uns soldados a propriedade. Surraram Ioio e as filhas. Era a suprema desmoralização! Sinhor Pereira tomou-lhe as dores. Não Perdoou. Ao despedir-se Virgulino relembrou o acerto: “ Adeus compadre. Seja feliz. Espero que não falte ao prometido”! Não falto não, Sinhô. Pode ir descançado, Luiz Gonzaga é homem morto a estas horas. Palavra data era fato consumado. Virgulino entrou em Belmonte com sessenta e cinco homens debaixo de balas. Perdeu dois cabras. Cercou a residência de Gonzaga, que ao tentar esconder-se no sótão, levou uma queda fatal, arrebentando a cabeça no chão. O Vila-belense despojou-o do anel de bacharel. Arrastaram o corpo para frente da casa. Jogaram-lhe roupas em cima. Despejaram querosene e fizeram uma fogueira. A noticia correu o sertão. Ouvia-se nas feiras:

Ioiô foi desfeitado
Nós prometemos vingar
Montenegro deu a surra
Gonzaga é quem vai pagar.

Raul Fernandes

Enviado por Amigos de Deus

Conta-se a história de um homem idoso, bastante míope, que muito se orgulhava em ser crítico de arte. Certo dia, ele e alguns amigos foram visitar um museu e, de imediato, começou a tecer críticas sobre alguns dos quadros.

Parando diante de um quadro de corpo inteiro, e depois de observá-lo bem, começou a opinar sobre o quadro. Ele havia deixado os óculos em casa, e não podia ver com clareza. Então, com um ar de superioridade, comentou:

"A constituição física deste modelo não está de acordo com a pintura. O sujeito é bastante rústico e está miseravelmente vestido. De fato, ele é repulsivo, e foi um grande erro para o artista selecionar esse modelo de segunda classe para pintar o seu retrato".

O velho camarada foi seguindo em seu caminho, quando sua esposa o puxou para o lado e sussurrou em seu ouvido: "Querido, você estava se olhando no espelho".

Quantas vezes nossa miopia espiritual não nos permite enxergar nossos defeitos, os quais só enxergamos nos outros...Enxergamos o argueiro nos olhos de nosso irmão e não percebemos a trave que está em nossos próprios olhos!

Não podemos agir como a rainha má do conto infantil Branca de Neve e os Sete Anões, que se colocava diante de um espelho e perguntava:

"Espelho, espelho meu, existe no mundo mulher mais bela do que eu?" Consagremo-nos a Deus em oração e peçamos-Lhe forças para mudar o nosso visual espiritual, a fim de que, o reflexo dessa imagem no espelho da Palavra de Deus nos mostre não mais os defeitos, mas um ser restaurado por Seu amor.

"Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã." Isaías 1.18

Extraído do livro "Our daily bread"

Colaboração de um Amigo de Deus

Cangaço - V

Morte dos Pais.

A família Ferreira refugia-se em Alagoas, no município de Água Branca. Virgulino foi trabalhar no lugarejo Pedra de Delmiro. Como tropeiro, conduzia peles, em companhia de Antonio e Livino. Antonio Matilde, casado com uma parente dos Ferreira, formara um grupo. Continuava a luta contra os Saturnino de Barros. Num dos embates, morre o famoso Cacimiro Honório, tio de Saturnino. Suspeitas recaíram sobre os três irmãos que andavam muito arredios. Na boca do povo, Virgulino passou a ser identificado, entre os manos, por Lampião. Certa vez, em Água Branca, uma das mulas esbarrou num poste de iluminação publica, pondo-o abaixo com o Lampião. Foi o suficiente para nascer entre os próprios camaradas o apelido. Por desgraça, houve um incidente entre o “tio afim” de Virgulino e o delegado. Estavam, há pouco, no município de Água Branca. João, o único dos irmãos a não pegar em armas, anos depois, narrou ao Diário da Noite de Recife, o episodio da morte dos pais: Surgem, então apreensões em nossa casa, tanto que meu pai, de comum acordo com a minha mãe, proibiu os meus três irmãos mais velhos, Antonio, Livino e Virgulino de irem à cidade. Para atraí-los, o delegado prende João. Os irmãos foram tirá-lo da cadeia e caíram numa emboscada. Após intenso tiroteio, conseguiram escapar. Fracassado o plano, o delegado relaxa a prisão. Quando cheguei em casa, já encontrei os preparativos de viagem, pois meu pai decidira mudar-se dali, imediatamente, com toda família. No dia seguinte, partimos para Mata Grande, todos, menos os três irmãos mais velhos, que, em face do incidente, achou-se mais prudente que deveriam se afastar de Alagoas, até que se esclarecesse melhor o caso. Após dois dias de viagem, paramos a duas léguas da cidade de Mata Grande. Tomando rancho em casa, a beira da estrada, de um fazendeiro amigo da família. Meu pai resolveu prosseguir até Mata Grande, a fim de comprar mantimentos. Logo que ele partiu, minha mãe foi atacada de forte crise cardíaca, que a matou em poucos minutos, tanto que, quando meu pai retornou, já a encontrou morta. Mandou-se um portador atrás dos meus irmãos, a fim de avisá-los do acorrido e, com a presença deles fez-se o enterro no dia seguinte, no cemitério de Mata Grande. Mas, Antonio, Livino e Virgulino não entraram na cidade receosos de serem apanhados pela policia. Desorientado com esse terrível golpe, meu pai, para nossa completa desgraça, deixou-se ficar aí alguns dias. Fato é que decorridos dezoito dias da morte de minha mãe, uma força volante alagoana, antes do café da manha, de um dia muito chuvoso, dar um cerco no local e, embora não tivesse havido resistência, desencadeou terrível tiroteio no qual meu pai foi morto. Fato passado em Abril ou Maio de 1920. Nessa época, Antonio, o mais velho, tinha 23 anos. Livino 21 e Virgulino 19 anos e os cinco restantes abaixo de 16, sendo que a caçula não chagara a casa dos nove anos. João ficara com a responsabilidade da família. Em virtude das batidas policiais a procura dos irmãos, levou a vida errante, em desassossego permanente, em Pernambuco, Sergipe, Piaui e Ceará. Virgulino entra no bando dos Irmãos Porcino, operante na vizinhança de Água Branca. Durante a curta permanência nessa quadrilha teve vários choques com a policia. Logo depois, serve no grupo de Antonio de Matilde. Num dos esbarros, morreu gente de parte a parte. Um cabo foi confundido com Jose Lucena e recebeu 12 tiros. Os Ferreira, no lugarejo Pariconha, mataram o subdelegado, pensando tratar-se do delegado. Tinha muito desgosto por essa morte. A onda de crimes crescia. O ódio a Suturnino e Jose Lucena queimava alma dos três vilabelenses.
Raul Fernandes.

Enviado por amigos de Deus

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: "pai, começa o começo!". O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim.

Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.

Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, "começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.

Hoje, minhas "tangerinas" são outras.

Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. 

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis......

Cangaço - IV


Primeiras Rixas.

Certo dia, Jose Ferreira foi à casa do visinho reclamar uns chocalhos amassados. Saturnino justificou-se acusando os filhos de José de terem roubado o chucalho de uma vaca amojada. Retrucou, então, o velho Ferreira, afirmando que o morador de “Pedreiras” furtara-lhe um bode. Após demorada discursão, chegaram a bom termo.
Mas os rapazes do Ferreira não se conformaram. Armaram-se com mais dois parentes e saíram a represália. Atacaram a “ Fazenda Pedreiras” . Queimaram roças e cercados, dizimando parte do gado. Insultaram o proprietário com palavrões provocadores. Saturnino, encurralado, revidara á bala. Alvejou Antonio Ferreira e Antonio Matilde. Deu queixa à policia e Antonio Matilde passou doze, dias na prisão. O Juiz, vendo que o velho Ferreira já não controlava os filhos, mostra-lhe a impossibilidade de conciliação com o visinho. Aconselha-o a mudar-se. Com sacrifício, a família transfere-se para Nazaré. Em Março de 1918, apesar das recomendações do Juiz, Saturnino, vai a feira de Nazaré. Lá estava Virgulino a vender arreios. Ao avistá-lo, corre a procura dos irmãos. O fazendeiro regressava com o amigo João Flor, quando foi emboscado. Lutou cinco horas. Chegou a casa às nove da noite, certo de que os rancorosos rapazes voltariam a persegui-lo. Parentes e amigos de Saturnino acorrem armados a sua residência. A uma da madrugada estava cercado. Os atacantes retiraram-se as seis da manha depois de esgotada a munição. Os Ferreira, hospedados na casa do tio Manuel Lopes, prepararam-se dispostos a enfrentar a desforra, que não se fez esperar. Saturnino atacou com bastante gente, pondo os sitiados em perigo. O tiroteio foi pesado. Virgulino matara o filho de um morador de seu desafeto. A polícia não conseguia impedir atos de violência. Os choques sucediam-se. Em Nazaré organizaram volantes para capturar os filhos de Jose Ferreira, procurados por homicídio.
Raul Fernandes.

Enviado por amigos de Deus.

O dono de uma mansão hospedou um parente distante pela primeira vez.  O hospede praguejava e blasfemava sem cessar. Quando o anfitrião lhe perguntou se não tinha temor de ofender a Deus, com tal linguagem, o visitante respondeu: 

“Não! Nunca vi Deus”.

Na manha seguinte, os dois homens olharam alguns quadros. “Essas são pinturas de meu filho”, o anfitrião disse. Seu parente ficou impressionado, mas seu entusiasmo iria além. Durante o dia, ele teve oportunidade de admirar várias outras obras que aquele rapaz havia realizado no jardim, na decoração da mansão e no terreno onde ficava a propriedade. 

Ele sempre perguntava que havia feito aquilo, e toda vez ouvia a mesma resposta: Meu filho. 

Finalmente exclamou: “Como você deve ser feliz por ter um filho assim!” Foi a vez do anfitrião perguntar: Como você pode dizer isso? Você nunca o viu! Surpreso o visitante replicou: Mas vi as obras que ele realizou. 

O dono da casa apontou para uma janela e falou: Então olhe pela janela e veja o que Deus criou. Você nunca O viu, mas pode contemplar Suas obras. Ninguém jamais viu a Deus também. Contudo, podemos contemplar e tocar Sua criação todos os dias e reconhecer sua existência e magestade nela. 

E cada de um nós tem de crer que esse Deus Criador é também o Deus Salvador, que deu Seu Filho, Jesus Cristo, para que pudéssemos conhecê-Lo. “Que me vê a mim vê o Pai... Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me ao menos, por causa das mesmas obras” João 14. 9-11

Transcrito Boa Semente - Devocional - 2012

Cangaço - III

Infância

Aos cinco anos, Virgulino foi morar com o tio Manuel Lopes, na casa da avò materna Dona Jacosa, no sitio “Poço do Negro”, nas adjacências da vila de Nazaré. Aos dez anos, freqüentou a escola, apenas três meses. O tio, para poupar aos aborrecimentos e as queixas, mandou-o de volta.
Naqueles idos, grupos de cangaceiros cruzavam aquela gleba sertaneja, zombando da policia. Tiroteios, escaramuças e estórias de façanhas arrebatadoras, narradas e cantadas nas feiras, empolgavam a criançada. Eram seus heróis Antonio Silvino, Cassimiro Honório, Né Pereira e Antonio Quelé. Não escapara aos filhos do Ferreira tal influencia. Dos nove aos doze anos, tinha Virgulino, como esporte favorito, o habito de organizar grupos de meninos armados a bodoque e passavam as tardes inteiras brigando nas mesmas condições táticas e estratégicas das usadas pelos afamados guerrilheiros. A ação do meio social, nas criaturas incultas, aprofunda-se, forjando-as conforme a receptividade individual. Conta-se que Virgulino, aos treze anos, recitou, numa festa, o verso, julgado de sua autoria, colocando-se entres os grandes:

Cassimiro no navio
Né Pereira em Pajeú
Virgulino e Silvino
Gostam assado e comem cru.
Naquele instante, desabrochava um cangaceiro, carecia apenas de motivação. Criado pela avò, faltava-lhe as coerções necessárias a formação, que só os pais sabem dar. “A criança vaidosa em excesso, gosta de mandar e deseja o predomínio". Se, acaso, protege um ser mais fraco, é para sobrepujá-lo em seguida. Prefere o mal ao bem, porque o mal satisfaz melhor a sua vaidade e emoção. É o anseio de emoções que a torna cruel.
A. Morais

Ao diabo não se diz amém - Mary Zaidan.


A proposta de flexibilizar a meta fiscal enviada ao Congresso Nacional é obscena sob qualquer ótica.

Não é a primeira e por certo não será a última vez que o governo Dilma Rousseff transfere para outros a tarefa de corrigir os males provocados por um dever de casa que ela não fez. Mas nunca antes da história deste país um governo foi tão longe: quer aprovar uma lei para descumprir a lei.  

A proposta de flexibilizar a meta fiscal enviada ao Congresso Nacional é obscena sob qualquer ótica. 

Dilma gastou muito mais do que arrecadou por meses a fio. Passou a campanha eleitoral inteira mentindo que a economia ia bem, tratando qualquer crítica como mau-agouro de gente que torce pelo quanto pior, melhor.

A menos de dois meses do fim do ano, a recém-reeleita se vê forçada a confessar que não tem saldo para fechar as contas. Sugere mudar as regras do jogo pertinho do apito final, exigindo que o Congresso limpe a sua lambança.

Mais: pede arrego com a marca registrada da arrogância.

Nem Dilma nem os seus admitem qualquer erro na condução da política econômica. Ao contrário. Publicamente, ela faz pouco caso do tema: “Dos 20 países do G-20, 17 estão hoje numa situação de ter déficit fiscal”, disse em Catar, antes de seguir para a Austrália para o encontro dos 20 ricos que ela afirma estarem mais debilitados do que o Brasil.

Se assim fosse, por que então inventar uma lei de última hora para pintar de azul o vermelhão das contas públicas?

Na sexta-feira, em entrevista à jornalista Míriam Leitão, o ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, ultrapassou todos os limites. Arguido sobre a hipótese de rejeição da proposta, ele, sem qualquer constrangimento, transferiu a conta da irresponsabilidade governamental: “Se o Congresso não der autorização nós cumpriremos o superávit. É simples. Suspende as desonerações, corta os investimentos para as obras e para uma parte da economia. Nós vamos ter mais desemprego e ficará na responsabilidade de quem tiver essa atitude.”

Falou isso de cara limpa, como se ao invés de estagnação e PIB menor de 0,5%, o país estivesse crescendo horrores graças à indução das políticas públicas.

À obscenidade agregam-se à lei outros atributos da mesma estirpe. Se aprovada, não servirá a quem interessa, já que credores e investidores sabem que o anil do balanço é falso. Mas, de forma perversa, derrubará o instituto da responsabilidade fiscal também nos estados e municípios. Se a União pode, por que não os demais? Um desastre anunciado.

Ainda que a manobra arisca dos aliados para acelerar a votação indique a possível aprovação do projeto, o Congresso Nacional tem uma chance única de evitar a catástrofe. De mostrar que não se ajoelha para quem faz o diabo.

Cangaço II

Nascimento.

Virgulino Ferreira da Silva nasceu no município de Vila Bela, atual Serra Talhada, no estado de Pernambuco, a quatro de junho de 1898. Batizou-se, a três de Setembro, na capela de São Francisco, atual catedral de Floresta, paróquia de Bom Jesus dos Aflitos. Veio ao mundo no sitio dos pais, “Passagens de Pedras”, nesga de terra com vinte braças de frente por quarenta de fundos, a cinqüenta quilômetros de Vila Bela. Vizinho da fazenda “Maniçoba das Pedreiras”, de Jose Saturnino de Barros, homem de recursos e influente.
Alem de forasteiros e pobres, os ferreiras viviam sob olhares indagadores de uma comunidade onde todos se conheciam. Contudo, durante quase quinze anos desfrutaram a paz.
A. Morais

Cangaço - I

Lampião.

Pelas alturas do ano de 1890, chegava ao município de Vila Bela, procedentes dos Inhamuns, nos altos sertões cearenses, o velho António Alves Feitosa, que ali adotara o nome José, que fugia à ação da policia do Ceara, onde houvera cometido vários crimes. Ali casara-se José Ferreira da Silva, constituindo grande prole, da qual houve cinco varões: António, Livino, Virgulino, João e Ezequiel, dedicando-se os dois primeiros, logo aos treze anos, à vida do campo, servindo como vaqueiro do próprio pai. E quatro filhas: Angélica, Amália, Maria e Virtuosa.
Os Feitosas deixaram uma região, onde as desavenças se decidiam pelas armas e emigraram para lugar mais bárbaro. Fixaram-se às margens do riacho São Domingos, afluente do Pajeú, esperançosos de melhores dias.

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A. Morais