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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Luiz Lua Gonzaga e José Clementino - Por Antonio Morais


Luiz Lua Gonzaga e José Clementino do Nascimento.

Quer saber um pouco da Cultura de Várzea-Alegre? Um pouco do Zé Clementino? Leia este texto.

José Clementino do Nascimento, o bom poeta do Boi do Banco.

Já o conhecia de nome, de fama, através de sua parceria com o Rei do Baião Luiz Gonzaga. Pessoalmente, este ano, numa animada roda de amigos, em um dos pontos mais frequentados pela sociedade de Várzea-Alegre, conheci Zé Clementino, quando o prefeito local sentenciou: "Agora Clementino, você vai interpretar Eu sou do Banco e vai ser filmado também. Com espanto voltei-me para um moço, cabelo um tanto ou quanto grisalhos, não em função da velhice, e que atendeu de imediato ao pedido de Pedro Sátiro. Interessante, quantas vezes me encontrei no INAMPS, pelas ruas da cidade, no Bar do Alagoano, em muitos locais da mui amada capital do Cariri, sem saber que o dito cujo era aquele compositor de tantos grandes sucessos de Luiz Gonzaga.

Ali estava o menino inteligente mas peralta, o filho do Seu Lourival Clementino do Nascimento e de Dona Emília Maria da Silva, nascido naquele distante 02 de fevereiro de 1936, no Sitio Juazeirinho, distrito de Canindezinho, em Várzea-Alegre.

Num momento de evocação dos bons tempos da meninice, da infância de garoto pobre, de menino da roça, Zé Clementino falou sobre o seu primeiro professor, o velho e querido mestre Joaquim Sampaio Teixeira de Oliveira. Com muita saudade recordou as aulas da professora Santa Teixeira Siebra e Amália Correia Lima, quando frequentava as escolas particulares da cidade. Mudando de escola como se muda de roupa. Zé Clementino foi parar no único grupo da cidade, o José Correia Lima, de onde, por peraltice, foi expulso. Tempos depois, pelas mãos de outro velho educador, professor Walquirio Correia Lima, voltou aos estudos, até que. Em Fortaleza, no Liceu do Ceara, concluiu o ginasial, encerrando aí, o seu ciclo de estudos.

Região - Você não esbarrou aí certamente, porque depois nasceria o poeta, o compositor...

Clementino - Exatamente. Depois que abandonei os estudos, fui trabalhar. Fui lavador de garrafas na Fabrica de Bebidas de João Francisco, pesador de algodão na Usina de Luiz Proto. A partir de 1962 as coisas melhoraram. Ingressei no serviço publico federal, como Postalista do antigo DCT. Com a transformação do Departamento em empresa, fiquei um longo período em disponibilidade, ate que fui remanejado para a Previdência Social, onde hoje trabalho na agencia de Crato. Foi nessa fase que descobri que tinha tendencia para a poesia, para a composição musical.

Região - Quando conheceu Luiz Gonzaga?

Clementino - Foi em 1964, na residencia de Manoelito Parente, por apresentação do seu filho Paulo Parente, grande amigo do Luiz Gonzaga. Veio o primeiro LP com composições de minha autoria: Oia eu aqui de novo, contendo, entre outras, Xote dos cabeludos, Contrates de Várzea-Alegre e Xenehnnehn.

Depois surgiram outros como: Jumento nosso irmão, Sertão Setembro, Capim Novo, Apologia ao Jumento, Sou do banco.

Região - Das composições de sua autoria qual a que mais marcou sua vida?

Clementino - Tenho muitas composições, delas inéditas, mas a que marcou profundamente foi a do Hino do município de Várzea-Alegre, por ser uma homenagem toda especial a meu torrão natal.

Xote dos Cabeludos.

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3 comentários:

  1. Morais,parabens pelas postagens que voce fez sobre Luiz Gonzaga,não vamos deixar no esquecimento o nosso rei do baião.Parabens mesmo.

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  2. Grandes informações do nosso compositor Zé Clementino. Texto transcrito do Livro Andanças e Lembranças do escritor e Jornalista Osvaldo Alves de Souza.

    Muito interessante esta declaração de amor a nossa terra dada pelo Zé Clementino quando diz que sua mais importante composição foi o hino de Várzea-Alegre.

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  3. No sertão de cabra macho
    Que brigou com Lampião
    Brigou com Antônio Silvino
    Que enfrenta um batalhão
    Amansa burro brabo
    Pega cobra com a mão
    Trabalha sol a sol
    De noite vai pro sermão
    Rezar pra Padre Ciço
    Falar com Frei Damião

    Assim encerramos a homenagem do Blog do Sanharol ao centenário do Rei do Baião Luiz Gonzaga, e, por consequência ao nosso grande compositor Jose Clementino.

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