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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Dr. Humberto e Mundim do Sapo - Por Antonio Morais


Dr. Humberto Macário.

Mundim do Sapo.

Mundim do Sapo transferiu o domicilio de Várzea-Alegre para o Crato. Precisava  botar os filhos para estudar.  Fixou residencia à Rua Monsenhor  Esmeraldo  depois da linha férrea. Neste época a fabrica da Coca-cola ficava próximo. 

O filho Raimundo, voltava da aula e de passagem  pela referida fabrica atirou uma pedra  na Placa luminosa, bateu de um lado e saiu do outro, deixando-a cheia de buracos. O vigia observou Raimundo entrando em casa, ligou para o gerente da fabrica que  foi a casa do Mundim com a muzenga, de pauta com o diabo. 

Enquanto o homem falava o circo ia se formando, a vizinhada toda assistindo  o afoito gerente. Mundim do Sapo calado o tempo todo, não tinha razão e nem tinha o dinheiro para pagar o prejuízo.

Por fim o homem  baixou a sentença: amanha, 08 horas, no meu escritório com o dinheiro da placa, do contrario  vai ter cadeia.

Seis da manha, Mundim do Sapo estava na casa do Dr. Humberto que além de ser seu grande amigo era o  prefeito do Crato à época. 

O que foi Raimundão que você não me deixou dormir hoje?  Disse Dr. Humberto.

Mundim contou a historia. 

Dr. Humberto ligou para o gerente da coca-cola: aqui é Dr. Humberto Macário.

Diga Dr. Humberto, mande as ordens.

Eu quero que você levante os prejuizos  que o filho de um amigo meu provocou com a destruição de uma placa da sua empresa e mande receber  comigo. Não vá mais na casa dele, porque ele não pode pagar e vai se encabular e aborrecer você.

Nada Dr. Humberto, foi nada não,  foi só um trincão de fácil recuperação. Aqui o senhor manda!...

De qualquer forma se houver despesas é comigo.

Pronto Raimundão, está resolvido. Pode ir pra casa tranquilo. Disse Dr. Humberto.

Quando Mundim chegou em casa, o vizinho que assistiu o circo do dia anterior perguntou:

Como foi, seu Mundim, o homem amansou?

Mundim do Sapo parou um pouco e respondeu: Eu estumei Dr. Humberto nele.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

VERÃO NORDESTINO.


Uma mão pequena  e tímida toca ao portão.
Um pão dormido satisfaz a suja mão.
O adolescente segue de porta achando que é gente, que é cidadão.
Acha que é merecedor da pena que carrega.
O céu só o quer sob o signo do sofrimento.
Deus, o recompensa, pensa.
Estamos em Setembro.
É o verão, e o verão todos meses terríveis.
O sertanejo olha para o céu e se lenitiva.
Dois instantes de amargura.
O silencio no campo poeirento amedronta.
Os demônios descansam e os santos ressoam.
Nenhum som de trovão,  de cachoeira e nem mesmo de goteira.
Balança-se a rede  e a criança resmunga, pensando que é gente, que é cidadã. Resmungar  vai ser sempre sua fala. 
O velho fuma cachimbo dá-lha a impressão de ser gente.
É um cidadão.
Olha o olho do sol e lagrimeja.
Vê as coisas deformadas, como todas as coisas que lhe ensinaram,  em toda sua vida, os pais, os padres, os pastores e os políticos.
Reza, pede, resmunga e sonha.
Seu sonha lhe dá vida que desperto não tem. Este é  um pouco do cenário do inicio do verão do sertão do nordeste.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Entrevista de emprego - Por Antonio Morais

Lembrando uma tirada do Vicente Estevão Duarte, o saudoso Vicente Cesário. Um rapazinho recomendado pelo Deputado Otacílio Correia foi falar emprego na barbearia do Vicente. Recebido com lhaneza no trato e muita cordialidade, mas, antes de contratá-lo Veio a entrevista:

Você bebe?

Não senhor, Deus me defenda.

E fumar, você fuma?

Também não, detesto cigarro.

Frequenta o Ingém Veio?

Não sei nem o que é isto, nem onde fica.

Ingém Veio é um cabaré. Você já foi lá?

Não senhor, nunca botei os pés nesse lugar.

Então, eu sinto muito, mas o emprego não serve para você. Todo mundo bebe, fuma e frequenta o Ingém Veio. Com um currículum como o seu, é bom ir procurar emprego num convento.

domingo, 23 de agosto de 2015

Reza atrapalhada - Por Antonio Morais

Moravam no sitio Formiga, entre a sede do municipio e o Roçado Dentro, local onde a cada 13 de Dezembro reuniam-se centenas de fieis e devotos de Santa Luzia para venerá-la.

Gente de todas as localidades compareciam para pagar promessas e ex-votos. Dos filhos da família, em numero de 12, tanto as moças quanto os rapazes eram de finíssima hospitalidade e de tanto escolherem pretendentes a altura, não se casaram, ficaram todos na prateleira.

A união reinava naquela casa, um cuidava do outro como quem cuidava de um filho que não tivera. Quando atingiram a idade de 50 e 60 anos, firmaram maior fervor na sua religiosidade. Todo dia, à noitinha, se reuniam, na sala da casa e, rezavam o terço, coisa bastante difícil nos dias atuais.

Na introdução cantavam " A nós descei e Queremos Deus", e a seguir Josefa, a irmã mais velha, ia tirando a reza enquanto os demais respondiam.

Na sala, existia uma pequena mesa onde, em cima, se colocava um santuário com as imagens e embaixo um cachorro costumava fazer o seu merecido descanso.

Um belo dia, de repente, surgiu uma catinga desagradável e se deu essa tragedia:

Josefa disse:

Ave Maria cheia de graças,
O Senhor é convosco.
Bendita sois vós,
Chico ponha pra fora esse cachorro,
Que está bufando fedorento,
Entre as mulheres,
Bendito fruto do vosso ventre.....

Imediatamente foi atendida. O cachorro foi retirado da sala, mesmo sem se ter tanta certeza que ele era o responsável pela contaminação gasosa.

Havia uma desconfiança, pois no almoço fora servido um baião de dois com fava, farofa com cebola, batata doce e toucinho torrado.

Demorou pouco e a catinga de bufa dominou novamente o ambiente, e desta feita, o cachorro já não poderia receber a culpa, faltaram com respeito a Santa Luzia. Foi, então  que Zefa encarou o irmão dizendo:  Chico crie vergonha e vá cagar no terreiro.

Troca do Santo - Por Antonio Morais

Um camelô de Juazeiro do Norte vendeu um Santo Antônio a um religioso do Crato afirmando que era São Benedito. 

O ingênio devoto levou o quadro para benzer na igreja e descobriu a fraude. Desconfiado, o homem desembrulhou a moldura e pediu :

Padre, benza aqui este São Benedito.

São Benedito? Não, meu filho, este aqui é Santo Antônio, de fato ambos trajam marrom e carregam o Menino Jesus nos braços. A diferença é que Santo Antônio é branco e São Benedito é preto! 

Disse o sacerdote.

Injuriado, o romeiro voltou ao local da compra exigindo o dinheiro de volta. A desculpa do camelô não poderia ter sido mais original : 

O padre está enganado. Depois que Michael Jackson fez desbotamento de pele a moda pegou e até São Benedito aderiu. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O aleijadinho!

De repente, o leão salta da jaula, e vai para cima do público. Dentes rugidos à mostra. Bate o pavor. As pessoas começaram a correr. Caos total.

Um aleijadinho, de cadeiras de rodas, se esforçava para sair dali. Alguns, ao verem o pobre deficiente, gritavam para acudir:

- Olha o aleijadinho! Olha o aleijadinho!

O aleijadinho manobrava desesperadamente sua cadeira... e o bichão chegando.

- Olha o aleijadinho! Olha o aleijadinho!

E o aleijado, sem poder aguentar gritou:

Bando de fela da puta...! DEIXEM O LEÃO ESCOLHER SOZINHO!

Soparia do Perreira - Por Antonio Morais


Na década de 60 do século passado, na rua Major Joaquim Alves, em Várzea-Alegre ficava a "Soparia do Pereira". Nos finais de semana, dias de festas no Recreio Social era dia e noite aberta. Terminados os bailes todos acorriam  ao local  para se servir de  canja de galinha com macarrão.

A higiene  não era  a primeira qualificação do ambiente e eram  constantes as reclamações dos frequentadores. Um belo dia, José Pereira, o proprietário e garçom  chegou para mulher e disse: Maria, estão reclamando  que a sopa está com gosto de baigon!  Ela deu uma tremenda rabissaca e respondeu: Tem quem agrade a esse povo não. Ontem mesmo estavam reclamando que estava com gosto de barata.  

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O VARZEALEGRENSE.


O varzealegrense não é, na verdade, como o japonês: feito na forma. Seu tipo étnico, no entanto, em nada difere do clássico padrão nordestino. 

Por que seria diferente, mesmo sendo, cabra da peste? Mais para nosso comum longilíneo homens 1.65 a 1.70 e mulheres de 1.56 a 1.60. Moreno claro, pelo sol e pelo clima que o queimam, com um percentual ínfimo de negros. Fisionomia serena e simpática, sem refletir dramas  ou amarguras. Olhos castanhos claros, dentes bem implantados, já agora, melhor cuidados. O cabelo é liso e castanho... pixaim é difícil encontrar, mesmo para remédio. Goza de boa saúde, o que lhe dá força e disposição nos trabalhos. 

Tem a mania de pensar que a agua do Machado lhe trás cardiopatias. Apesar disto, ou por isto, tem existência bem ampla, sendo comum viver até morrer.

Resumindo um informe que, talvez, a ninguém surpreenda. Ainda não produzimos, em Várzea-Alegre, bebês de proveta. Os métodos de confecção continuam os conhecidos e clássicos. O que, afinal de contas, não parece causar mal-estar ou desgosto entre os fabricantes.

JF

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

COISA DE MATUTO - Por Antonio Morais.

Caetano Afonso, cidadão cedrense de grande respeitabilidade era casado com uma senhora que se chamava Beleza. A família morava numa rua central da cidade do Cedro por onde passavam todos os dias vendedores de frutas, padeiros e verdureiros.

Um deles, o verdureiro, utilizava para transportar seus produtos uma carroça, que era puxada pela burrinha apelidada de "beleza" e todas as manhas a cantilena era a mesma oferecendo suas hortaliças: Tomate, coentro, pimentão, cebolinha, alface; tudo fresquinho! vai beleza, vambora beleza!

Caetano ficava aborrecido ao ouvir o nome de sua esposa em um animal e tão desrespeitosamente pronunciado, até que certo dia resolveu botar um fim na melopeia. Amigo, quanto você quer pela burrinha? Não é para vender, seu Caetano!

Foram a cima e foram a baixo, até que o animal foi comprado e logo providenciado a sua transferência para o sitio, já rebatizada de "morena".

 Alguns dias de sossego, até que novamente o silencio matinal foi quebrado pela voz apregoeira já tão conhecida de todos: Tomate, coentro, pimentão: vai beleza, vai égua ruim!

Desta vez, João Verdureiro como era conhecido, tinha comprado uma égua e colocado também o nome de "beleza", pensando ele ser do agrado de Seu Caetano, porque se assim não fosse, ele não teria comprado a burrinha anterior por um preço tão elevado.

Coisa de matuto!

Coronel Ronald Brito.

FATOS QUE FIZERAM HISTÓRIA - POR ANTONIO MORAIS

A primeira vez que o compositor e cantor Luiz Gonzaga esteve em Várzea-Alegre  foi em Setembro de 1954. Neste ano, Humberto Teixeira candidatou-se a deputado federal, passando dois meses fazendo campanha no sertão cearense, ao lado de Luiz Gonzaga. 

Estiveram em Várzea-Alegre apresentando um show em Praça Publica no centro da cidade. Humberto Teixeira elegeu-se deputado com cerca de 12 mil votos. Teve destaque na Câmara Federal, quando do seu empenho na defesa  do código de direitos autorais.

Eleito por três anos consecutivos o melhor compositor do Brasil, de Humberto Teixeira se disse:  O Doutor do Baião, quebrando rotinas e cânones, imprimiu novos rumos à seresta nacional. Com o baião, fincou-se um novo marco na evolução da música popular brasileira. 

Quando Luiz Gonzaga animava o comício perguntou para o publico presente: O que vocês querem ouvir?  Zé de Ana do Sanharol respondeu sem titubear: Xote das meninas. Luiz Gonzaga atendeu, sem antes deixar de  dizer: Ih que "veinho" mais fiota, para o aplauso geral da galera.

Em 1987,  hospedei  Luiz Gonzaga em minha  casa em Crato. Quando ele soube que  eu era de Várzea-Alegre me confidenciou: Não fui bem sucedido em Várzea-Alegre, não recebi  os valores combinados pelos meus shows. Não volto mais  por lá.

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domingo, 16 de agosto de 2015

Vira o motor - Viva! - Por Antonio Morais

Foto de Francisco Correia Lima, Dr. Hamilton.

No inicio da década de 1950, sem a redentora energia de Paulo Afonso, os comícios eram programados para encerrar, o mais tardar, às 10h da noite, horário que coincidia com o desligamento dos geradores que iluminavam a cidade. Em decorrência dessa precariedade, cada partido conduzia um gerador a diesel para atender a publicidade volante e à iluminação da área do comício.

Em um desses comícios, a cidade já às escuras e a aglomeração a ouvir o seu líder, sob o entusiasmo do animador, que intercalava a fala do orador com expressões: Viva o Doutor - Viva.

Eis que falta energia. Dr. Hamilton, ante a turba delirante, pede que “vire o motor” ao que o povão responde: Viva. Após insistir por mais de três vezes, que virasse o motor, diz em grito retumbante, resoluto e sem delonga: Magote de fio de umas éguas, eu estou mandando é virar o motor, e não viva o doutor. Hamilton Correia Lima foi prefeito de Varzea-Alegre de 1949 a 1950 e de 1954 a 1958.

sábado, 15 de agosto de 2015

Medalha Papai Raimundo - Por Antonio Morais


Pedro de Joaquim Piau, agraciado com distinção e louvor.

Li e vir com bastante atenção a lista de agraciados com a Medalha Papai Raimundo, deste ano. Da mesma forma vi alguns comentários em desfavor do agraciamento ao deputado José Guimarães. Ora, quando o município optou pelo PT na ultima  eleição teve como resultante ser, hoje em dia, uma cidade estagnada, sem projetos, sem planejamento e, o pior, com um esfacelamento de suas lideranças nunca visto antes. Portanto  o deputado tem méritos, merece ser agraciado.

Quanto ao Papai Raimundo, pelo que conheço de sua historia e de seus filhos Major Joaquim Alves, Major Ildefonso e José Raimundo do Sanharol, não merece ser  achincalhado. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Praça Bi-centenário - Por Antonio Morais


Ontem, Laércio de Vasconcelos Junior fez uma postagem na sua pagina de grandeza impar. Publicou uma foto da Praça Bi-Centenário e perguntou se alguém se lembrava.

Tanto lembro como sinto muitas saudades da velha praça, do seu zoológico, pois quando estive no Crato pela primeira vez no inicio dos anos 60, lá com os meus  oito anos, a conheci. Foi ali que vi o primeiro jacaré, um porco espinho e outros animais silvestres. 

O meu saudosismo me leva a  afirmar que  a praça de então era bem mais  bela  do que hoje em dia.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

HARAS SANHAROL É DESTAQUE NA EXPOCRATO.


       Equipe haras Sanharol.Tratadores : Iranildo , Felipe e Zé Li.Pequenos criadores : Ítalo e João Pedro.

                Equipe Haras Sanharol : Dr Eldinho , Ítalo , Dr Menezes , João Pedro e Ze Li.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O PIB do Brasil da Maria Joana - Por Antonio Morais

Maria Joana subiu no tamanco
Procurou um banco
Arrumou dinheiro
Fez um empréstimo, montou um negócio
Conseguiu um sócio e se mandou pro Juazeiro
Comprou a vista e vendeu fiado
Foi rombo pra todo lado
O povo desapareceu
E quando chegou o fiscal do banco
Maria preto no branco disse que a loja cresceu

Ó seu fiscal, como o senhor mermo tá veno
Minha loja vai de vento em polpa
Seno assim libere logo a outra parte do dinheiro
Mar dona Maria o negócio aqui tá mais desmantelado do que galope de vaca
A senhora inda vem dizer que um negoço desse cresceu mulher
Cresceu sim
Cresceu? Só se foi...

Pra dentro que nem pedra de amolar
Pra fora que nem milho no estalo
Pra cima que nem fumaça
Pra baixo que nem rabo de cavalo

Flavio Leandro e Genival Lacerda.

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domingo, 2 de agosto de 2015

Você sabe a diferença entre a festa de São Raimundo e a festa de Agosto? - Por Antonio Morais.

Em Junho, deste ano, o padre Adalmiran Vasconcelos, vigário da paroquia de Farias Brito, fechou  a capela de Santo Antônio em Cariutaba, distrito daquele município, e, não realizou  os festejos religiosos alusivos ao santo porque vereadores, prefeito, e lideranças politicas estavam transformando a festa religiosa em social para tirar proveito politico. O Padre Adalmiran - foto está de parabéns  em não permitir.


Na década de 20 do seculo passado, Padre Lima vendeu o patrimônio de São Raimundo, em Várzea-Alegre. O povo se revoltou e Manuel Antônio, do sitio Varzinha, deixou um conselho através de versos que dizia:

É certo que nesta terra
Protestante ainda não tem
Por causa desses abusos
Aparecem mais de cem
Se o orgulho aumentar
E,alguém quiser virar
Chame que viro também.

Naqueles velhos tempos as famílias Gino, Camilo e Aniceto do sitio vacaria  fundaram o que  se considerou "o primeiro foco de protestantes de nossa terra".



Voltando a pergunta inicial, na minha singela opinião, a diferença está, no fato da igreja local, por vaidades, das décadas de 60 do seculo passado em diante, ter andado de braços com o poder politico, seja ele quem tenha sido. 

Quantas vezes vi, no altar de São Raimundo, cadeiras especiais, reservadas para o deputado fulano de tal? E, o pior, no outro ano o deputado já era outro. Quem colhe, colhe o que planta. Hoje a festa de São Raimundo limita-se as imediações minimas da igreja, com idosas e idosos ao redor do altar, enquanto, há pouco mais de 100 metros, a Festa de Agosto, patrocinada pelo poder politico, com recursos públicos, com o consentimento e aplauso da igreja desbanca São Raimundo. Aliás, São Raimundo já fora desbancado há alguns anos, quando o governador do Estado  se hospedou em sua casa, na casa paroquial, neste  dia não houve salva na madrugada, para não perturbar o sono do amigo.

Antigamente o ponto alto  da festa era a banda tocando dobrados, a ladainha vinda do coro da igreja e a elevação do Santíssimo Sacramento. Hoje, ninguém duvida, a bola da vez é "Os aviões do Forró".

Definitivamente, Várzea-Alegre é a terra do contraste. A "Festa de Agosto", patrocinada com recursos públicos, portanto gratuita, há divisões de espaço. Lugar para primeira classe, segunda, e por fim, a classe que elege e não se importa de ficar no curral.

sábado, 1 de agosto de 2015

Não sei - Cora Coralina


Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser : colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lagrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa do outro mundo. É o que dá sentido a vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura. Enquanto durar.

“Feliz aquele que transfere o que sabe e, aprende o que ensina”.

Cora Coralina.