Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


domingo, 16 de junho de 2013

DO TEMPO DO BUMBA - Por Mundim do Vale.

SANTO  ANTÔNIO  DO  BURACO.

No ano de 1957, tinha no então distrito de Maracanau, uma localidade com o nome de Santo Antônio do Buraco. No local tinha um prédio do governo para recolher menores infratores, crianças abandonadas e ainda aquelas que os seus pais não tinham controle sobre elas. O nosso amigo e conterrâneo Waldefrance Correia, passou uma temporada interno por lá, até o dia que fugiu pelo banheiro e foi à pé até Fortaleza.
Eram constantes as ameaças dos pais de mandarem seus filhos danados para o Santo Antônio. Eu escutei muito à fraze:
- Raimundo. Você tenha cuidado. Se não eu lhe mando para o Santo Antônio do Buraco.
Certo dia meu pai me mandou comprar uma garrafa de manteiga da terra, na casa de Beliza. Quando eu vinha de volta, que passava na calçada de dona Vicência Primo, Liziê estava na janela e foi logo dizendo:
- Eita. Raimundim! Tu vai passear não é?
- Não tou sabendo não.
- Pois vai. Essa manteiga é pra tu levar.
- E pra onde é que eu vou?
- É para o Santo Antônio do Buraco.
Depois que ela disse aquilo, eu não quis mais conversa, me sentei no batente da porta e fui tratando de desenvolver uma ideia para bloquear aquela viagem. De repente me estalou a ideia de quebrar a garrafa da manteiga, fui até o calçamento, joguei a garrafa uns dois metros para cima, para ter a certeza de que ela não ficaria inteira. O pedaço maior que ficou cabia numa tampa de garrafa. Fui para casa  já ensaiando um chouro e o discurso. Meu pai quando me viu chorando perguntou:
- Que chouro é esse, Raimundo.
- É porque quando eu vinha passando na casa de Dona Vicência, a calçada estava molhada, eu escorreguei e quebrei a garrafa.
- Pois não precisa chorar não. Pegue esse dinheiro e vá comprar outra.
- Mas papai. Liziê me disse que tá todo mundo comentanto, que a manteiga de Beliza é rançosa.
- Pois sendo assim esqueça a manteiga e vá lá na bodega de Zé Augusto e compre um quilo de queijo do Inhamuns.
- E papai não tá sabendo não?
- Sabendo de que?
- O queijo de Seu Zé Augusto tá envenenando o povo. Já envenou a Família de Seu nelim e a De Seu Mundim  Tibúrcio.
- Então esqueça o queijo também.

Dedicado aos meus amigos; Carlos de Beliza e Alberto Siebra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário