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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Assistimos a uma operação de destruição total da decência - O Antagonista.

O país assiste ao que foi definido como “legalização da corrupção” pela economista Maria Cristina Pinotti, em entrevista ao Estadão. Nas palavras delas, trata-se de “descriminalizar a corrupção, desmontar as normas legais que a definem como crime. Simplesmente a corrupção deixa de ser crime. 

Depois desse acordo do Bolsonaro com o Centrão, abriu-se de vez a porteira. Talvez esse seja o grande marco histórico a ser identificado lá na frente. Há vários exemplos que demonstram esse fenômeno, sendo os mais recentes, além da decisão sobre as rachadinhas, a chamada PEC da Blindagem, a revisão das regras que configuram o nepotismo como crime e outras mudanças na Lei de Improbidade Administrativa. 

No mundo inteiro, o nepotismo é um dos primeiros itens da lista de mecanismos possíveis de corrupção”.

Embora o foco da economista seja o Legislativo, ela aponta como o Judiciário vem sendo moldado pelo Executivo de forma a avalizar a legalização da corrupção. “O Executivo tem o poder de nomear pessoas para postos-chave que vão acentuar ou minimizar esse movimento contrário aos desvios. 

Hoje o Executivo não tem interesse em nomear pessoas determinadas a enfrentar a corrupção. Não vou citar nomes, mas basta olhar o que está havendo na Procuradoria Geral da República, na Advocacia Geral da União, nas Cortes superiores. 

Nossa sorte é que temos uma imprensa livre e competente e a sociedade está alerta, mas estamos no meio de uma avalanche de legalização da corrupção”, diz a economista.

O diagnóstico é corretíssimo, mas não se deve esquecer que faz parte do serviço a criminalização de quem combate a corrupção. Ela é perpetrada principalmente pelo Judiciário e soldados na advocacia. 

No caso da Lava Jato, a criminalização tem a sua semente nos ataques verbais violentos que a operação passou a sofrer no STF, depois que as investigações incluíram tucanos no rol dos suspeitos. 

Continuou com o roubo e a divulgação das mensagens do celular de Deltan Dallagnol. Aumentou de intensidade com a atuação do PGR e asseclas contra os procuradores da Lava Jato, alvo de acusações descabidas que criaram o arcabouço para a que operação fosse oficialmente desmantelada. 

Fechando o círculo, a criminalização de quem combate a corrupção segue no STF, que deu aval para que as mensagens roubadas de Dallagnol, em escandalosa quebra de sigilo de correspondência ilegal, possam ser usadas como provas em favor de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro — o que poderá, sim, abrir caminho na jurisprudência de ocasião para que outros réus tenham sentenças anuladas. 

O uso das mensagens roubadas, enfatize-se, está baseado em livres interpretações de material não periciado.

3 comentários:

  1. O diretor de operações da Organização Mundial da Saúde, Mike Ryan, lamentou hoje o agravamento da epidemia de Covid-19 no Brasil.

    “Infelizmente, e é uma tragédia para o Brasil, que o país esteja sofrendo isso de novo. É duro”, disse, durante entrevista à imprensa.

    “É muito difícil, num país com grande população e onde pessoas vivem em casas com muitas famílias ou membros de família, em áreas de pobreza”, afirmou.

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  2. No dia em que foi completado um ano do primeiro caso de Covd, o Brasil registrou recorde do número de mortes em 24 horas desde o início da pandemia, com 1.582 novos óbitos e mais 67.878 casos, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

    O pico da crise do novo coronavírus ocorre no momento em que vários Estados se aproximam do colapso do sistema de saúde, surgem variantes mais contagiosas do Sars-CoV-2 e o governo federal tem dificuldades de acelerar o ritmo da campanha nacional de imunização.

    Na live das quintas-feiras, Bolsonaro leu a relação dos “efeitos colaterais” de uso de máscara para evitar contágio: Entre eles, irritabilidade, dificuldade de concentração, diminuição da percepção de felicidade, recusa de ir para escola, vertigem e desânimo. Não seria o caso de lançar o nome dele para o Nobel de Medicina?

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  3. O TCU informou que os gastos com irregularidades no auxílio emergencial atingiram a cifra de R$ 54,6 bilhões de reais. O valor supera o Petrolão.

    Bolsonaro diz que não tem corrupção no governo. O amigão senador Chico Rodrigues carregar dinheiro na cueca não é.

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