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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

007 - O Crato de antigamente - Por Antônio Morais.


A voz do rio Granjeiro - por José Alves de Figueiredo.

Este rio que passa aqui gemendo,
E vem da serra envolto em mil cipós,
Anda a gemer desde que me entendo,
Desde que se entenderam os meus avós.

É um rio de amor que vem trazendo
O cristal que regala a todos nós,
Seu gemido, é segredo que eu desvendo,
Pois nele fala o Crato em terna voz.

Cantem outros, o encanto de outros rios,
Como fez com o Tejo o vate luso,
Que eu cantarei em doces murmúrios.

Do Granjeiro esta voz que eu sempre acuso
Como um lamento, um canto de amavios
Uma harmonia de deuses que eu traduzo.

5 comentários:

  1. Morais,
    Interessante o resgate deste poema de Zuza da Botica. Tenho duas fotos do Rio Grangeiro passando ao lado da cidade do Crato na década 30 do século passado. Parecia um rio da Amazônia.
    Hoje o povo apelidou o que resta desse rio no perímetro urbano de Crato de "BUNDA"...
    (duas bandas da avenida cotada ao meio por um canal fedorento)

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  2. Prezado Amigo Morais

    E pensar que o seu Zuza, avô de Magali, foi um auto-didata. Ficou órfão de mãe aos oito anos e foi criado por um tio que tinha uma Farmácia. Inteligência brilhante e como escrevia maravilhosamente bem.
    E a rua que margeia o Rio Grangeiro tem justamente o nome de Avenida José Alves de Figueiredo, agora com esse apelido horrível...

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  3. Morais,

    Meu avô aproveitava as horas vagas do trabalho na farmácia, para ler. No início lia as bulas dos remédios,
    as propagandas, os almanaques de laboratório e jornais e revistas que chegavam à farmácia. A vontade de aprender era grande.
    É uma pena que não exista mais esse rio.
    Parabéns pela postagem.

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  4. Armando Rafael.

    Outro dia vi fotos do Rio Grangeiro de outrora, aguas limpidas e arvores frondosas, bem diferentes dos nossos dias. Obrigado pelo valioso comentario. Estarei postando a seguir um poema de Alves de Oliveira entitulado Crato, uma obra prima,gostaria que o amigo trouxesse algumna informação do autor, já que desconheço.

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  5. Carlos e Magali.

    Mede-se o Rio Grangeiro de outrora, pela beleza dos versos de Jose Alves de Fiqueiredo. Um poema perfeito, como perfeito era o Rio.
    Obrigado pelo comentario.

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