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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cangaço IX

Morte de Livino e Antonio.

A 24 de Maio de 1925, Virgulino saqueia a residência de dona Joana Torres, Baronesa de Água Branca, na vila do mesmo nome, em Alagoas. Em principio de 1926, perde Livino no combate contra as forças volantes da Paraíba e Pernambuco, no lugar Tenório, zona do Pajeú pernambucano. Naquela época a nação estava convulsionada. O presidente Artur Bernardes, tomava medidas de emergência. Procurava conter os surtos revolucionários no pais. Comissiona com altos poderes o deputado federal Floro Bartolomeu, para organizar Batalhões Patrióticos contra a coluna rebelde de Carlos Prestes que ameaçava o nordeste. Floro, muito doente, telegrafara a um amigo, em Pernambuco, no sentido de mandar a sua presença o afamado cangaceiro. Dois dias depois, verificou o erro. Enviou a contra ordem, que infelizmente não alcançou o destinatário. Em seguida, viajou ao Rio de Janeiro com a saúde abalada, vindo a falecer a 08 de março. Juazeiro do Norte era o Quartel General. Inesperadamente, a 04 de Março chega Lampião com quarenta e nove sequazes a procura do deputado. Padre Cícero, envolvido na política, agia como chefe. Arma os voluntários recém-chegados. Concede a patente de capitão a Virgulino Ferreira, de primeiro Tenente a Antonio e de segundo tenente a Sabino Gomes. O Ceara alarmou-se. Adversários do Padre iniciaram uma campanha difamatória, acusando-o de protetor de bandidos. O medico e ex-senador Fernandes Távora, que o conheceu, no livro “Algo de Minha Vida”, após analisar a personalidade do sacerdote concluiu: “Foi um caridoso semeador de esperanças, um piedoso e bom, que passou pela terra consolando”. O padre censurado defendia-se alegando que Lampião fora convidado. Seria uma traição mandar prende-lo ou entregá-lo a seus figadais inimigos. Não cederia. Considerava a palavra empenhada por Floro uma questão de honra. O novo capitão parte confiante para Pernambuco. Porem, o exercito e a policia militar não lhe reconheceram o posto. Ameaçavam prende-lo. Vendo-se desprestigiado, desiste de lutar contra Carlos Prestes. Aproveita o excelente material bélico e volta ao cangaço.
Raul Fernandes

Um comentário:

  1. O Virgulino se armou com armas oficiais, do governo, isso é que era entregar o ouro ao bandido.

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