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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 9 de junho de 2012

NÃO VAI VER NEM O AZUL - Por Mundim do Vale.

Na década de 60, a nossa conterrânea Valderez Coreia Primo, passou dois anos em Várzea Alegre, onde lecionava nos colégios. Ficou hospedada na casa do seu Avô Quinco Honório na Praça Santo Antônio.

Francimar de Vicente Nogueira, que também morava na Praça, começou a curtir uma paixão doentia pela professora. Aquela paixão ocorreu pela simpatia explícita da moça, ou pelo pouco juízo do pretendente. Um dia ele estava no banco da Praça com o seu amigo João Alverne, quando a moça passou cumprimentando os dois. Logo depois Francimar falou:

- Tá vendo aí, João? Todo dia ela passa aquí flertando comigo.

- É não Francimar. Não misture as coisas, o nome disso é simpatia e educação.

- É não ome. Eu vou namorar e casar com ela. Já comprei inté um chão a Seu Quico, prumode alevantar uma casa pra eu e ela morar dento.

- Deixe de ser besta, que aquela moça é rica e você é pobre.

- E o que qui tem? Eu só sou pobe.

- E tu acha pouco?

Quando foi no dia 12 de agosto Francimar tava lá no banco mais triste do que prefeito derrotado quando João Alverne chegou perguntando:

- O que foi que houve, Francimar? Você parece que tá doente?

- Tou mermo. Mais é pruque eu fui traído.

- Foi traído por quem?

Pura fresserora.

- Como?

- Você é meu amigo eu vou contar, foi assim; Eu passei na casa de Valdeliz e comprei um prefume da avon e um bucado de fulô pra dá a ela, qui hoje é o dia dos namorado. Mais quando eu fui chegando cum os terém lá no jardim de Seu Quinco, eu ví ela abraçando e beijando aquele fí de Seu Totô. Aí foi mermo qui uma facada no coração.

- Pois é. Bem que eu disse, aquela moça não é pra você.

- Mais eu vou sivingá. Eu vou vender o chão da casa, quando acabar vou pra Sumpalo mode trabaiá adonde faz carro e vou ajuntar dinheiro pra comprar um relojo oriento e um gravador e quando for im agosto, eu me junto cum os fí de Dona Tica Leandro e vem pra Rajalegue. E tem mais eu vou ajuntar um magote de moça e pagar pra elas rodar na roda gigante e adispois vou mais elas comprar algodão doce e maçã do amor. Mais a prefessora num vai ver nem o azu. Ela vai chorar godê.

Aquelas férias não aconteceram, porque Francimar nunca saiu de Várzea Alegre.

Dedicado a Danúbio Bezerra Primo, Magnólia Correia e Odalice Leandro.

5 comentários:

  1. Que homenagem legal Mundim, a Valderez, uma pessoa maravilhosa! realmente muito simpatica; ela foi minha professora de Arte, e juntas fizemos uma linda toalha pra Padre Otávio. Deixo meu abraço e minha gratidão, à essa que um dia fez tanto por mim.
    Maria de Fatima Bezerra Cordeiro.

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  2. Gostei! Conheci os personagens. Nesse período morei ali também! Só não conhecia essa história!

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  3. Pois é Mundim o que a paixão não faz. Mais uma historia bem contada.

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  4. Caro amigo Raimundinho grato pela atenção,Valderez é minha prima legitima e infelizmente está muito doente.

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  5. Eu sei Danilo.
    Eu fiz essa homenagem lembrando daqueles momentos alegres que passei om ela na nossa pequena cidade.

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