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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Falta Gratidão e reconhecimento - Por Antônio Morais.

A escravidão, a mancha negra da nossa vida de povo civilizado, enquanto a libertação dos escravos é a mais bela pagina da nossa história, representa a libertação do homem.

Os negros apanhados a laço e em armadilhas nas selvas africanas, jogados em porões de navios negreiros e trazidos para o Brasil, onde eram vendidos em praça publica, viviam em senzalas, sujas, exalando um mau cheiro insuportável. 

No terreiro da fazendo, o tronco e as correntes prontos para tortura dos escravos que cometiam alguma falta. Depois de acoitados ficavam seminus, presos ao tronco por vários dias, ao sol e a chuva. 

As chicotadas cortavam-lhes as carnes e sobre as feridas era jogado sal, mais doloroso que a própria chicotada.

Coube finalmente, em 13 de Maio de 1888  a Princesa Isabel, no comando do governo do Brasil assinar a Lei Áurea declarando extinta a escravidão no Brasil.

Esta preleção inicial  me leva a refletir sobre a falta de reconhecimento com a Princesa Isabel pelo seu belo ato pelos favorecidos da nobreza que teve sua decisão. 

Louvam-se Saldanha Marinho, Luiz Gama, Silva Jardim, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva, José do Patrocínio, Castro Alves e tantos mais, pessoas que pareciam está mais com o olho na república do que na abolição. E, o pior, os negros, os grandes beneficiados  com a lei são os que menos gratidão têm pela decisão corajosa e emanada da Princesa Isabel.

Na última consulta popular sobre regime de governo foram os negros quem  mais se manifestaram contra a monarquia, esqueceram que uma das causas da queda do império foi o gesto generoso e humanitário da Princesa Isabel pondo fim a escravatura. 

Grandes astros negros da televisão se transformação em peças publicitárias em favor da Republica. Parece até, que de propósito entenderam que a Monarquia era a patrocinadora da escravidão e não quem lhe deu fim.

10 comentários:

  1. Morais:
    Sua crônica é uma manifestação de gratidão, coisa rara nestes tristes dias de hoje. Permita-me acrescentar mais os comentários abaixo.

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  2. I
    Na última estrofe do soneto “Terra do Brasil”, autoria de Dom Pedro II, este, já antevendo sua próxima morte, escreveu:

    “E entre visões de paz, de luz, de glória,
    Sereno aguardarei no meu jazigo
    A justiça de Deus na voz da história!”

    Dir-se-ia que essa antevisão do o magnânimo Imperador, é extensiva a sua filha, a Princesa Isabel.

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  3. II
    Sim, a Justiça de Deus também se voltou para a figura da Princesa Isabel. Ela é muito mais do que uma grande heroína da nossa história. A Princesa Isabel poderá ser declarada (num futuro próximo) mais uma Santa da Igreja Católica. Já se encontra com o arcebispo do Rio, cardeal Dom Orani João Tempesta, o pedido de abertura de processo no Vaticano visando à beatificação da Princesa Isabel do Brasil, a Redentora da raça negra. O que é o primeiro passo para sua santificação.

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  4. III

    O processo não se baseia apenas na decisiva participação da Princesa Isabel na Abolição da Escravatura — que ela iniciou em 1871, com a Lei do Ventre Livre, e terminou com a Lei Áurea, de 1888, o que por si só justificaria o pedido de beatificação dela —, mas pela sua intensa vida religiosa e fé integral. A Família Imperial Brasileira era conhecida como “A Família Real mais católica no mundo de então”. A Princesa Isabel criou filhos e netos no catolicismo no Brasil, primeiro, e no exílio, depois — aliás, os Orleans e Bragança mantêm até hoje inquebrantável fé.

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  5. IV
    O Brasil muito deve aos 49 anos do Segundo Reinado, que contou com diversas regências da princesa, herdeira do trono brasileiro, que viveu na França por 33 anos com o coração voltado para a pátria. E jamais reclamou da forma com que se deu a mudança do regime e, especialmente, a maneira com que a Família Imperial foi embarcada para o exílio, sem o conhecimento do povo, que amava o Imperador.

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  6. V
    Até hoje, em largas faixas da população, a princesa no Brasil e condessa na França é lembrada com o título de ‘Mãe dos Brasileiros’. Que a igreja, sempre criteriosa nesses casos, faça da grande brasileira a cristã beata, uma vez que fundamentos não faltam. Um belo legado de bondade, simplicidade e correção, em que nunca faltou a fé.
    Precisa acrescentar mais alguma coisa?

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  7. Houve um processo abolicionista e quando libertos os negros não foram integrados a sociedade. Os negros foram largados à própria sorte. Sem querer causar polêmica, mas imediatamente após a abolição os negros, a margem da sociedade, sofreram rejeição e discriminação. Nos dias atuais isso ainda acontece. A lei que garantiu a liberdade não garantiu a vida integrada a sociedade.

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  8. Se isso ocorreu não foi culpa da Família Imperial. A Princesa Isabel tinha até um plano de doação de terras para os negros libertos. Mas os golpistas republicanos meses depois "proclamaram" a República e expulsaram a Família Imperial e deixaram os ex-escravos abandonados à própria sorte...

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  9. Existem hoje diversas obras de historiadores mostrando que os novos detentores do poder - os golpistas republicanos - aproveitaram o descontentamento dos proprietários rurais com a abolição da escravatura para atraí-los ao golpe militar de 15 de novembro de 1889...

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  10. O que existe na verdade são políticos sebosos e espertos que criam até leis de aparente proteção das diversas etnias para tirarem proveito das mesmas. E, tem dado certo, elas caem direitinho na conversa mole dos aproveitadores pilantras.

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