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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Passear no passado - Por Xico Bizerra


Praça Siqueira Campos - Crato.

Bom é passear no Crato. Andar a pé, passar em frente ao Tênis Clube, ao Hospital que me viu desembuchar, descer até a Praça da Sé, sentar um pouco perto da fonte e contemplar o tempo, companheiro fiel da Igreja onde, eu menino, Padre Rubens rezava missa. Felicidade chega ali, se aboleta no primeiro banco e tome tempo pra ir embora!

Ainda bem que, nesse caso, a felicidade é preguiçosa. Antes de seguir viagem rumo ao centro, agradecer à Senhora da Penha pelo vento gostoso e pela sorte de ali ter nascido. Na Siqueira Campos, devagar, sem qualquer pressa, tomar um cafezinho quente e lembrar do Cine Cassino, dos bang-bangs de antigamente, da tabuleta caprichosamente feita por Amarílio anunciando o filme do dia.

Maldito ‘progresso’ dos dias de hoje; malditos os que derrubaram o prédio da esquina para construir um não-se-sei-o-quê. Na entrada da cidade, procuro ver a casa que era do meu avô e onde eu passava as férias. Não mais a vejo. O ‘progresso’, faminto e ganancioso, comeu a casa do meu avô e vomitou mentiras para justificar o atentado. Palavras que ainda hoje escorrem, a céu aberto, no esgoto da hipocrisia.


2 comentários:

  1. Prezado Xico.

    Como é prazeroso ler este texto. No passeio ao passado podemos observar que o progresso retirou de todos nós boa parte dos nossos costumes, do jeito de viver e da felicidade pura, inocente e humanitaria. Até o povo alegre e ordeiro de antes anda meio cabisbaixo, cisudo e molenga.

    Um bom Domingo.

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  2. Esse era o Crato do final dos anos sessenta época em que estudei no Wilson Gonçalves. Lindo texto.

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