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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

397 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antônio Morais.


Nos dias de hoje, nós podemos notar mudanças na educação infantil e na comunicação. É mais do que normal o resumo de palavras em mensagens. Muito normal também é a gíria popular onde as palavras tomam um sentido diferente.
Hoje quando alguém adquire um problema se diz:
Eu peguei um bucho.
Quando um trabalho é mais complicado dizem:
Isso é um bucho.
A educação infantil vem se modernizando tanto, que se alguém falar em cegonha para uma criança de seis anos, corre o risco de ser chamado de retrógrado.
Há alguns anos atrás, era um bucho muito grande para os pais explicarem, o processo de gravidez e parto para os filhos.

Lá no meu  Sanharol aconteceu a seguinte história.
Antônio Gonçalo do Sanharol, era um cidadão amigo, trabalhador, índole mansa, moderada e muito honesto. Homem alto forte que pesava 180 kilos e como todo gordo tinha o bucho grande.  Morava vizinho a casa de Zé André e Tonha.

Anacleto, o quarto filho do casal, tinha seis anos e  era muito esperto para aquela idade.
Certa vez estavam Pedro e Antônio Morais conversando baixinho num quarto o assunto era barriga de mulher.

Anacleto subiu na janela e surpreendeu os irmãos dizendo:
Ei meninos, quem cochicha, o rabo espicha.
Eles responderam : E quem escuta, o rabo encurta.
Em seguida Anacleto  perguntou a sua mãe:
Mãe! Eu só queria saber porque titia tava com o bucho grande, aí botaram um menino pela brecha da porta e o bucho ficou pequeno. Cotinha de Raimundo Bitu, tava com o bucho grande, botaram um menino pela brecha da porta, aí o bucho ficou pequeno. Tereza Oiti, tava com o bucho grande, aí foi lá pras banda do Junco e botaram Zé Mariano por debaixo da porta e o bucho dela murchou.

Porque não botam um menino pela brecha da porta da casa de Antônio de Gonçalo, pra ver se o bucho dele fica pequeno também?

Mundim do Vale.


7 comentários:

  1. Mundim.

    Naqueles tempos as historias eram as mais diversas. Os ricos informavam os nascimentos se davam atravez da cegonha, Papai Noel, etc já os pobres a chegada era pela brecha da porta, pela fornalha, e, por esta razão os meninos eram inocentes e não entendiam ser imposivel o bucho do Antonio de Gonçalo diminuir com um menino entrando em casa pela brecha da porta. Inocencia mesmo. Voce está descobrinhos os segredos do Sanharol. Cuidado se eu começar a falar os segredos da Vazante pode sobrar pra voce tambem.hahahaha

    Abraços

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  2. Morais.
    Se não houver nenhuma mudança
    é possível que eu fique na cidade de jatí até o natal.
    Abraço.
    Mundim.

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  3. Mundim,

    Esses seus "penteados" melhoram em muito as histórias que você conta por causa das pitadas de graça que você consegue inserir e acrescentar.

    Gosto demais do resultado.

    Abraço,

    Claude

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  4. Primo Morais Fato acontecido e sou um verdadeiro testemunho desse episódio. Eu não sabia até os 12 anos o que era cabaré. Perguntei ao meu pai o que era o sentido dessa palavra e ele prometeu dar-me umas lapadas. Então, Luis meu irmão muito autêntico foi explicar-me o sentido da tal palavra e na verdade pegou uma bela pisa de cipó de marmelo.

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  5. Estou aqui rindo, pensando sobre a ingenuidade das crianças da época e também das engraçadas e estranhas estratégias que os pais utilizavam para desviar a atenção dos jovens, principalmente em assuntos relacionados ao sexo e natalidade. Outro motivo para rir é que o personagem Antonio Gonçalo era meu avô paterno e que, realmente era muito forte,tendo desenvolvido um barrigão na velhice.

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  6. Prezado Antonio Gonçalo - O coisa está tão difícil que escrevemos com naturalidade, descrevendo as pessoas como eram de verdade e, somos surpreendidos com descendentes aborrecidos e ofendidos. Você sabe que o seu avô, que você carrega o nome dele com muita honra, era uma pessoa muito querida e admirada por nossa família. E mais, essa admiração era reciproca e muito verdadeira. Boa Noite e um forte abraço.

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  7. Morais, pelo contrário, fico é muito grato pela citação do texto e o elogio do comentário acima. Sei que o espírito da sua narrativa é a descontração. Inclusive, ainda sou grato pelos comentários liricos que você enviou e eu os inclui no meu livro TROPEIRISMO NOSSO, cujo personagem principal é o meu avô Antonio Gonçalo, a quem adimiro muito. E sei do respeito que vocês e as pessoas ao redor tinham por ele e por minha vó.

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