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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Crato - A questão politica que tanto incomoda.


Crato, tradicionalmente, elegia representantes a Camara dos deputados e a Assembleia Legislativa, até o descalabro das eleições de 1990, quando não elegemos ninguem. Tivemos figuras atuantes na Camara e na Assembleia. A Escola Agrotecnica de Crato foi uma das grandes conquistas do então deputado federal Dr. Antonio de Alencar Araripe. O hospital São Francisco e sua Maternidade foram frutos do trabalho fecundo do então deputado federal Joaquim Fernandes Teles. O Colegio Estadual foi iniciativa do Dr. Wilson Gonçalves , quando vice governador do Ceara. Alem de vice-governador foi deputado estadual e senador da Republica.

Nossos prefeitos, mormente no passado mais remoto, sempre procuraram acompanhar este ritimo de consquistas, de progresso e de desenvolvimento. Lembro-me, agora, das marcantes festividades do Centenario da Cidade do Crato, em 1953. Naquela epoca, prestigiada e opulenta, Crato conseguiu trazer a sua memoravel Feira de Amostras, na Praça da Sé, personalidades ilustres do porte de Café Filho, Ademar de Barros, Jose Americo de Almeida, João Goulart, merecendo, aquele avento historico, registros e reportagens destacadas na imprensa brasileira. Da escritora Raquel de Queiroz a cronica em O Cruzeiro, sob o titulo consagrador: A Nobre Cidade do Crato. Em 1964, nas comemorações do Bicentenario do Municipio, o Crato recebeu a visita honrosa do Presidente Castelo Branco.

Nesta visita, o prefeito Pedro Felicio escalou o professor Jose do Vale Arraes Feitosa para fazer a saudação  ao Presidente da Republica. Jose do Vale não aceitou em solidariedade ao amigo Miguel Arraes, cassado e exilado pela ditadura  da qual o Castelo se servia.

No passado, o que acima foi narrado. No presente o imprevisivel. O Inaceitavel. A crise avassaladora. Como o Crato mudou. As tricas e futricas, dos nossos politicos inabeis arrastaram a nossa terra a trista e deploravel situação de crise dos dias atuais. Como todos os problemas, ela tem as suas causas, suas raizes, suas consequencias danosas. Passamos de lideres e liderados, muitas vezes sob ameaças veladas a nossa propria soberania. No passado foi pujante a nossa grei de intelectuais. Deste clã cultural muitos faleceram. Quem, por ventura, os substituiu? Outros premidos pela ambição e incompetencia de alguns, partiram para continuar brilhando noutros centros desenvolvidos do páis. Quem, por ventura os substituiu? Outros, ainda, por circunstancias varias, foram atirados ao ostracismo, injustiçados, perseguidos e até caluniados. Quem, por ventura, os substituiu?

Os valores de ontem, em alguns casos bem evidentes, foram substituidos por aventureiros despreparados que se aproveitam de alguns meios de comunicação para tratar com piadinhas e sandices os problemas serios do Crato e da sua sofrida comunidade.

Acapital da cultura, a Princesa do cariri, a Nobre Cidade do Crato, o Municipio Modelo do Ceara, sempre foi prestigiado e respeitado. Ninguem ousaria pisar no pé de sua gente sem revide a altura. Ninguem ousarria repito, ser intransigente, quando os interesses maiores da cidade estivessem em jogo.

Hoje vemos, com tristeza e amargura, a poliferação de chefes e chefetes politicos, useiros e vezeiros da arte de fabricar divergencias prejudiciais ao desenvolvimento da terra. Nessa area politica ninguem se entende. A confusão e os desatinos se generalizam de maneira intensa e lamentavel.

No tempo em que as grandes decisões do Crato eram tomadas por apenas dois honrados cidadãos cratenses e respaldadas pelo povo, Filemon Teles, da UDN e Pedro Felicio, do PSD, a nossa terra era respeitada e progressiva.

Osvaldo Alves de Sousa.

3 comentários:

  1. Este texto foi transcrito do Livro Andanças e lembranças do Osvaldo Alves de Souisa publicado em 1999. Continua atualissimo. A mais pura verdade.

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  2. Osvaldo era um homem lúcido, amante de sua terra.

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  3. Morais: mais do que uma boa postagem. Um resgate dos fatos históricos de Crato dos anos 60.

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