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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 12 de novembro de 2016

Historias do Cel Antonio Correia Lima - Por Antonio Morais

Coronel Antonio Correia Lima.

Recomenda-se a leitura.

Bem humorado, anedótico, jogador contumaz de gamão, o coronel Antonio Correia Lima se tornaria mais conhecido por suas qualidades de espírito do que por outras quaisquer. Sabia ser maquiavélico, usando como armas a diplomacia e o riso. Isso, sem desprezar as armas convencionais usadas costumeiramente pelos coronéis. Possuía seus cabras, não vacilando em recorrer à violência das armas como ultimo recurso. Era mandonista, embora sem chegar aos extremos do seu parente, o Coronel Gustavo de Lavras da Mangabeira. Conta-se que certa vez indagara do seu compadre, o Tabelião Dudal, para que serviam as câmara de vereadores. Ora, para ajudarem os prefeitos a governar! Teria respondido o notário: Ora essa! Redarguiu o manda chuva. Então, eu para governar vou precisar de verador? Na Várzea-Alegre quem manda sou eu, e pronto! Temente das assombrações do além, o Coronel Correia costumava emborcar as cadeiras à noite, antes de dormir. Isso, segundo dizia, para que as almas nelas não viessem se sentar. Meio surdo que era, o Coronel Antonio Correia parecia mais surdo ainda sempre que não fosse do seu interesse o que lhe diziam. Um morador chega e pede cinco mil reis adiantados. O Coronel finge não ter escutado. De repente o pedinte muda de opinião. Cinco mil reis não chagariam para as compras que pretendia fazer. Pede dez em vez de cinco. Você ainda há pouco queria cinco – resmunga o Coronel. Agora já quer dez. Eu vou lhe dar os cinco, antes que você me peça vinte.

Tendo recebido armas e munições do Governo Federal para dar combate a Coluna Prestes, o chefe político de Várzea-Alegre viu-se em aperturas depois da Revolução de 30. Queriam por que queriam que ele devolvesse aquilo que alegava já ter devolvido. E, como persistissem as inquisições, ele resolveu viajar a Fortaleza para um entendimento com o próprio Chefe de Policia, o Coronel do Exercito Falconieri da Cunha. Em vão tentaram dissuadi-lo de tal propósito, tendo em vista tratar-se de verdadeiro ferrabrás o Secretario do Interventor Carneiro de Mendonça. Ele correria o risco de ser preso ou de sofrer vexame ainda maior. Mesmo assim o Coronel Antonio Correia Lima não se deixou intimidar. Veio a Fortaleza e enfrentou o ferrabrás. Você não me engana matuto! Gritava Falconieri encolerizado. Eu quero as armas da Nação! Ou você devolve ou eu lhe meto na cadeia! Mas, o chefe político atingido pela revolução de 30, tanto fez que o colérico Chefe de Policia nem o meteu na cadeia e nem mais o aperreou pelas armas em questão. E, coisa, inesperada: por ultimo terminaria ficando seu amigo.

Chefe de uma das mais antigas oligarquias da Zona Sul do Ceara, signatário do discutível “Pacto de Harmonia Política” sancionado em Juazeiro no ano de 1911 pelos Coronéis da Zona Sul do Ceara, o Coronel Antonio Correia Lima conduziria vários dos seus descendentes aos mais altos cargos eletivos do Estado e da Federação. Destes o que mais se sobressaiu foi Joaquim de Figueiredo Correia, seu sobrinho, Deputado Estadual, Secretario de Estado, Vice-Governador do Ceara e, por ultimo Deputado Federal, posto no qual veio a falecer. Homem como dissemos de inicio, espirituoso, mais chegado à diplomacia do que a violência, o Coronel Antonio Correia Lima morreria já octogenário, em situação um tanto quanto risível. Ao contrario dos outros coronéis ele morreu fazendo amor e não a guerra.



7 comentários:

  1. Este texto é da maior importancia para historia de Varzea-Alegre. Pena que ninguem a interesse e não leiam para conhecimento da historia de um dos maiores lideres da politica da região.

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  2. você que pensa, nem tudo que leio comento,mas leio.Lembra-se do artigo que escrevi e foi publicado neste espaço, eu dialoguei com estas categorias históricas e sociológicas.

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  3. Prezado Washington.

    Desde a fundação do muncipio em 1870 até 1962 os Correias ganharam todas as eleições que concorreram. As excessões de mandatos extra familia foram em decorrencias de nomeações. De 1962 pra cá ocorreram as alternancias o que é muito importante. Em Historias de varzealegrenses farei registros de personagens prestimosas de nossa terra. Quem interessar conhecer vai lê quem não interessar deixa de lado. A minha parte farei.

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  4. É verdade e para nós da família CORREIA, que não tivemos o prazer de conhecer esse e outros lideres importantes, que fizeram história em nossa querida terra Várzea Alegre. Me orgulho por ser dessa família CORREIA E FIÚZA e sempre leio e procuro por textos ligados a nossa família, pois gosto de passar pra os meus filhos.

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  5. Morais, fica uma sugestão, não sei onde vai pesquisar, e nem do seu repertório, mas cresci houvindo muitas histórias oral de Varzea Alegre, dentre estas à saga desta família e a chamada curva de Zé Bitu, salvo engano; mas depois daquele trecho, só se entrava lá com permissão dos mesmos, além domais outros fatos que remontam os jagunços figuras emblemáticas da política dos coronéis.

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  6. Prezado Washington.

    É Sabido que a familia do Coronel Antonio Correia era muito unida. Um filho e sete filhas. Todas as casas eram visinhas e interligadas com passagens de uma para outra, Era o que podemos chamar de "Condominio" de hoje em dia. Sem se falar nos irmãos e sobrinhos do Coronel. A Praça de Santo Antonio era o condominio dos Correias. Não sei informar se havia bloqueio. Pelo menos para minha avó Zefa do Sanharol não havia.

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  7. Parece-me que a história de Varzea-Alegre é bastante rica culturalmente. Gente sou uma forasteira por aqui, desculpem minha intromissão. Estou à procura de meus familiares maternos. Minha mãe pertence à família CORREIA DE LIMA de Varzea-Alegre, são meus avôs Pedro Correia de Lima e Maria Gouvêa de Lima, minha mãe IRACY CORREIA DE LIMA.
    Grata, pela compreensão
    Lêda Maria
    Aroeiras/PB

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